Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

deambulando pela póvoa de varzim

* Victor Nogueira


2016


Ir à Póvoa ao fim-de-semana com os meus avós Luís ou Barroso era fazer o chamado  "passeio dos tristes" , como em Luanda era ir  á ponta da Ilha do Cabo ou em Lisboa até Cascais. Há muitos anos que não deambulava pela Póvoa de Varzim. Resolvi ir no Fiesta e foi uma carga de trabalhos encontrar lugar para estacionar; é mais fácil apanhar o metro no Mindelo, aqui a uns 200 m, e desemcomboiar no centro poveiro. A tarde estava soalheira mas no "caótico" centro histórico as casas e as estreitas ruas - maioritariamente pedonais - estão na sombra o que não favorecia a fotografia. Tinha outra ideia desta zona, onde me parecia que havia exemplares de edifícios Arte Nova, embora não tantos como nas Caldas da Rainha ou em Aveiro. Não os encontro desta vez. As ruas estão cheias de transeuntes e encontro duas livrarias - Vila do Conde nenhuma tem.  Numa não entro, pois logo no átrio é intenso  o cheiro a incenso, na outra - a Minerva, uma espécie de bazar - a literatura exposta é quase toda tipo light de escritores a metro vendidos também em grandes superfícies comerciais. No Largo Dr. David Alves lá está ainda a tabacaria onde comprava jornais e revistas, perto do Teatro Garrett, em frente do qual - ironia - existe a Churrasqueira "Franganito Garrett. " Mas não vejo o cinema onde ia com os meus filhos.

As placas toponímicas são semelhantes e ostentam o retrato do "homenageado" e profissão caso se trate duma pessoa. Entro no Forte em cujo interior funciona um deserto e barulhento café com música do estilo que me faz desejar pôr-me a milhas. Passo junto ao Casino - onde nunca entrei. No Largo da República e ao lado da Capela de Santiago intriga-me uma estátua de bronze que parece representar um polícia, sem lápide que esclareça. Verifico posteriormente que se trata do Major Mota, que foi Presidente da Câmara. Muito homenageia esta os autarcas anteriores ao 25 de Abril, num Município que passou do CDS para o PSD.

Embora o PCP não seja uma força muito votada no Município, há muita propaganda da Festa do Avante pelas ruas.

1968

Fomos até à Póvoa. Uma tarde estival, que me levou a lamentar não ter levado o calção de banho. A cor bronzeada que adquirira e que segundo a Maureen [Baltazar] me dava um ar saudável, desvaneceu se há muito, sendo substituída por uma palidez de leite, que um amigo meu, o Martins Pereira, disse, outrora, ser simplesmente nojenta! Ah!, que saudades eu tenho da praia, do ar livre, dos espaços amplos! (1968.09.27)

1994

A norte do Mindelo ficam Vila do Conde e Póvoa de Varzim, duas cidades de características muito diferentes. Vila do Conde, na foz do rio Ave, é uma povoação antiga, com uma rua com casas do tempo do senhor D. Manuel I, um aqueduto e o Convento de Santa Clara, sobranceiro à ponte que  liga as duas margens. Tem uma ampla avenida marginal que a liga à Póvoa de Varzim. É uma cidade de ruas largas, formando uma quadrícula, com jardins espaçosos e casas térreas. A Póvoa, outrora povoação de pescadores, é uma cidade de veraneio, cheia de gente no Verão, com praias ao atravessar da referida avenida marginal. É célebre pelo seu casino, embora a parte antiga seja mais estreita e tortuosa e as casas, em menor escala, parecidas com as do centro burguês do Porto. O trânsito é mais complicado e abundam edifícios de muitos andares junto à praia e na parte nova. Vila do Conde é mais pacata; o movimento aperta apenas às sextas-feiras, dia do mercado ou feira semanal.  Na Póvoa [de Varzim] há ruas vedadas ao trânsito automóvel, na zona central comercial, onde se acotovelam os veraneantes. Aqui há também mais comércio e distracções, para além dos cinemas, de um museu de artesanato e duma enorme biblioteca municipal.. Personagens ilustres? Para além do Cego de Maio, célebre pelos náufragos cujo afogamento impediu, temos o poeta José Régio, que nasceu e morreu em Vila do Conde (a casa onde faleceu transformada em museu) e o  Eça de Queiroz, escritor cujo humor e causticidade muito aprecio. (MFP - 1994.08.24)

1997

De José Régio fala também Portalegre, onde viveu e deixou outra casa agora museu, terra onde terá sofrido se acreditarmos na sua Toada de Portalegre. (Notas de Viagem, 1997)

A Póvoa de Varzim é uma vila promovida a cidade, piscatória, atravessada pela Estrada Nacional. No centro, a Rua da Junqueira, novecentista, com edifícios arte nova, varandas de grades de ferro e azulejos policromos, mantém alguns aspectos da urbe antiga, que um crescimento desenfreado descaracterizou. É uma rua pedonal, com muito comércio e azáfama., ponto de cruzamento e convívio das pessoas, especialmente na época estival. Museu que homenageia e Cego de Maio. No largo principal existe um coreto, a casa de Eça de Queirós  e os Paços do Concelho em edifício com arcadas no piso térreo e azulejado no 2º piso, com torre do relógio, central, e coreto no meio da placa dum jardim arborizado.

O Passeio Alegre, entre o Casino e a Praia, é muito movimentado de pessoas e automóveis, nele se destacando, a sul, uma fortaleza do século. XVIII, graniticamente escurecida. (Memórias de Viagem, 1997)






































Professor, escritor e jornalista português. Dedicou-se à defesa da classe piscatória e lançou uma forte campanha pela construção do porto de pesca da Póvoa de Varzim, concluído na década de 60, e pela construção da Casa dos Pescadores, que foi a primeira do país a ser edificada, em 1926. Monumento escultórico da autoria do arquitecto Rui Calafate, filho do homenageado (1965)


Rua da Ribeira






Rua da Ribeira



Porta de Armas da Fortaleza, com ponte levadiça


Real Capela de Nossa Senhora da Conceição do Castelo



Porta de Armas



praça de armas e alojamentos da guarnição



Rua Tenente Veiga Leal vista da esplanada 



guarita



praça de armas e alojamentos



Portão de Armas visto do interior com vista para a Rua da Ribeira

A Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, tradicionalmente denominada Castelo da Póvoa, substuíu um fortim do século XV, do reinado de D. João I.  A sua construção resultou da necessidade duma melhor protecção do porto, iniciando-se em 1701 e concluindo-e em 1740, após várias interrupções por falta de verbas. Todos os anos ocorre na fortaleza a procissão da Nossa Senhora da Conceição do Castelo, na noite de 7 para 8 de Dezembro.



agência funerária














Teatro Garrett





















manequim com camisola poveira



No momento em que me preparava para tirar a foto a porta abriu-se para sair uma senhora que o casal de moradores acompanhava à saída, sorriram quando lhes disse que ia fotografar o batente e depois de fecharem a porta terminei o trabalho.











calçada da Rua da Junqueira




























Monumento ao Major Mota, Presidente da Câmara Municipal (1951/ 1960) - da autoria da escultora Margarida Santos (2003)





Capela de Santiago





















Praça do Almada













arcadas dos Paços do Concelho





Paços do Concelho







Monumento a Eça de Queirós, que nasceu nesta cidade. Da autoria do escultor Leopoldo de Almeida e foi inaugurada em 1952




















Fontanário no Largo Eça de Queirós (antigo Largo de S. Sebastião). Numa casa deste largo nasceu aquele escritor. O fontanário, construído em 1855, foi coberto por um painel de azulejos em 1955, por altura dos cem anos da sua construção. O fontanário possuiu o brasão ou escudo da Póvoa de Varzim e uma mulher, de túnica e manto com o braço direito apoiado numa âncora, que representa a Póvoa de Varzim. No entanto, o título que ostenta "De Várzea tenho a origem", refere-se a que se acreditava no século XIX que "Varzim" derivaria de "Várzea", teoria desacreditada desde o século XX com o estudo de documentos medievais. (wikipedia)

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