Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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sábado, 1 de janeiro de 2022

Pelourinhos 52 - Azeitão

 * Victor Nogueira


2022 01 01 Fotos victor nogueira - Vila Nogueira de Azeitão  - Pelourinho e Palácio dos Duques de Aveiro

Pertenceu Azeitão ao Concelho de Sesimbra, numa relação tumultuosa até que conquistou autonomia em 1759, na sequencia do banimento dos Duques de Aveiro por implicação no atentado a D. José I, ocorrido no ano anterior. O município de Azeitão foi extinto em 1855, na sequência das Revoluções Liberais, sedo integrado no de Setúbal.


«O Concelho de Vila Fresca de Azeitão foi criado por decreto de 5 de Dezembro de 1759, sendo posteriormente transferida a sua sede para a Aldeia Nogueira de Azeitão em 1785, por ordem de D. Maria I. Desta dupla reforma resultou a construção do pelourinho, obra de fuste cilíndrico, liso, assente em base de moldura redonda com soco de quatro degraus e encimado por um capitel sobre o qual assenta uma urna e a esfera armilar em ferro. De acordo com inscrição no topo de fuste - : "Fidelissima Regina D. Maria I Imperante Senatus erexit anno 1786" – pode concluir-se que a construção deveu-se ao Senado da Câmara, contra uma opinião lendária que consagra a um movimento popular a transferência do pelourinho da anterior freguesia de S- Lourenço (CALADO, 1995 p.42)

O pelourinho que podemos observar no Rossio (actual Praça da República) é uma reconstrução da segunda metade do século XX, uma vez que já em 1955 desconheciam-se os elementos originais (BONIFÁCIO, 1955) » (PAF – DGPC)

 

«O município de Azeitão foi extinto a 24 de outubro de 1855 e integrado no de Setúbal. É formada pelas antigas freguesias de Azeitão (São Lourenço e São Simão), mais conhecidas pelas designações de Vila Nogueira de Azeitão, Brejos de Azeitão, Vendas de Azeitão e Vila Fresca de Azeitão. Partilham o nome "de Azeitão", graças aos extensos olivais que, na época árabe, dominaram aquelas paragens.

As terras de Azeitão corporizadas por estas duas antigas freguesias, agora unificadas, foram desde a fundação do Reino de Portugal parte integrante do Município de Sesimbra e reportadamente as mais ricas do respetivo termo. As aspirações à separação de Sesimbra e auto-determinação municipal são tão antigas como a sua própria história.

Se a convivência com Sesimbra foi sempre agreste e rancorosa (sendo por exemplo, "os habitantes de Azeitão obrigados a irem fazer a venda dos seus produtos a Sesimbra e a terem de lá ir fazer guarda"), há que salientar as dificuldades que a vila de Setúbal lhe criou em 1310, obrigando-a a vender aí os vinhos que produzia somente por via marítima, o que era muito dispendioso.

Em 12 de Março de 1366, D. Pedro I outorgou-lhe então uma Carta Régia de que vieram a beneficiar todos os habitantes da povoação, que assim passaram a dispor de um tribunal próprio e a ficarem isentos de muitas funcões que a sede do concelho até então lhes impunha. As determinações de D. Pedro levantariam, no entanto, alguns "queixumes da parte dos de Sesimbra"

(…) A História repete-se e, na época, tal como hoje, a sede de concelho opunha-se intransigentemente à emancipação de uma parte valiosa do seu município; segundo a resenha histórica da actual Junta de Freguesia de São Lourenço, as autoridades de Sesimbra estavam cientes de que “com a independência de Azeitão, Sesimbra morreria pouco a pouco”. Por isso, tentavam contrariar os privilégios autonomistas que os Reis concediam a Azeitão.

Inevitável embora tardiamente Azeitão consegue a sua municipalidade em 5 de Dezembro de 1759, embora durante alguns anos a sede estivesse colocada em Vila Fresca por motivos políticos, sendo só definitiva e justamente estabelecida em Vila Nogueira a 6 de Agosto de 1786.» (Wikipedia)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Pelourinhos 51 / Municípios 30 - Vila Nova de Cerveira e Vila Real

 * Victor Nogueira



2021 12 31 Fotos victor nogueira e Carolina Figueiredo - Vila Nova de Cerveira (pelourinho, antiga Casa da Câmara e Paços do Concelho) e Vila Real (pelourinho)

Bordejando a estrada segue o rio Minho para montante, por entre o aprazível arvoredo e o cintilar das águas. Vila Nova de Cerveira é palco da bienal de arte, que não visitamos. Ruas estreitas, as muralhas dum castelo à beira-rio. Um vasto e aprazível passeio arborizado, as embarcações esguias presas a varapaus na margem portuguesa, eis a imagem que perdura na minha lembrança

Tal como o castelo com alguma imponência em terreno chão, junto ao rio Minho. Ferry boats ligam as duas margens: portuguesa e espanhola.  (Notas de Viagens, 1997.08.21)

Vila Nova de Cerveira -À beira do rio Minho. Largo com esplanadas e muita gente, obelisco e canhões. Castelo/pousada (pequeno, com casas, igreja, pelourinho e antiga casa da Câmara no interior). Catedral barroca. Bienal de Artes. (Notas de Viagens 1998.06.11)


«A fundação de Vila Nova de Cerveira é geralmente atribuída a D. Dinis, cujo esforço povoador, a par da construção do actual castelo, ampliou muito o número de moradores da pequena localidade pré-existente. No entanto, a povoação de Cerveira existiria já desde os alvores da nacionalidade, inclusivamente como burgo fortificado, de acordo com a sua situação fronteiriça. Assim, terá existido uma torre, ou mesmo um primitivo castelo, ainda na época de D. Afonso III, quando urgia fazer frente às ainda frequentes incursões leonesas. A "pobra", ou póvoa, de Vila Nova de Cerveira, possivelmente numa zona distinta do aglomerado inicial, é por fim fundada por D. Dinis, que lhe outorga o primeiro foral em 1321. A vila recebe Foral Novo de D. Manuel, em 1521; no entanto, o actual pelourinho terá sido levantado apenas em 1547, de acordo com a data inscrita no mesmo monumento.


A Casa da Câmara construía um dos símbolos do poder municipal, dando corpo ao poder da assembleia dos homens bons, enquanto representantes do concelho. A primeira fase deste edifício é do século XVI, embora tenha amplas reformas no século XVIII, altura em que foi colocado o escudo barroco na fachada. Mais antigo é o escudo que contém a heráldica concelhia: o cervo sustendo o escudo real.

Ergue-se este pelourinho naquela que foi certamente a sua implantação original, no interior das muralhas do castelo, diante do edifício que foi o da antiga cadeia e Paços do Concelho, reconstruído em 1598 e alterado em 1768. Possui aspecto muito rústico, para o que contribui o facto de o fuste parecer assentar directamente sobre o soco. Este é constituído por uma plataforma de três degraus quadrangulares, em pedra toscamente aparelhada, sendo o degrau térreo mais semelhante a uma plataforma elevada, destinada a vencer o desnível do pavimento. Sobre este soco assenta um largo plinto, dando a impressão de um outro degrau, distinto apenas no talhe biselado das arestas. O fuste, esguio e liso, é de planta octogonal, mas remata num troço de planta quadrada, ao modo de ábaco. Sustenta um capitel paralelepipédico ornamentado com quatro escudetes, exibindo as armas de Portugal e as armas dos Viscondes de Vila Nova de Cerveira, em faces alternadas. Conserva ainda a data de execução, 1547, respeitante ao senhorio de D. Francisco de Lima, 5º visconde. Entre o topo do fuste e o capitel estão os quatro ferros de sujeição, em cruz, terminados por serpes. Falta apenas a golilha, instrumento de sujeição dos condenados à exposição pública, que foi arrancada por volta de 1850. O capitel é rematado com um "chapéu" cónico, com oito faces, encimado por um boleado. Todo o conjunto é em granito.»  (SML – DGPC)

Paços do Concelho (Foto Carolna Figueiredo)



Paços do Concelho - Arquitectura civil política e administrativa, novecentista e revivalista.  O carácter rústico que envolve o portal principal, aponta para um gosto clássico, surgindo alguns elementos revivalistas neobarrocos, nos pormenores decorativos das consolas e fechos dos arcos. O andar nobre é marcado por janelas de sacada na fachada principal, as da sala de sessões abertas para sacada única, assente em consolas.  

Em   1909 o Governo Civil aprovou o projecto para um novo edifício, assinado pelo arquitecto Carlos Fernando Leituga. Em 2015 é aberto um concurso publico para adjudicação da construção dos novos paços do concelho, segundo um novo projecto, mais reduzido Em 1921 a obra ´r dada por concluída com a inauguração do novo edifício.  (Paulo Amaral 2004 in    Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira - Monumentos.p


Vila Real - Largo do Pelourinho


A saída de Amarante pela IP 4 tem uma vista muito bonita, mas não sem podem tirar fotos. O caminho é muito montanhoso e verdejante, com videiras e pinheiros e casas espalhadas pelas encostas; de vez em quando avista-se o campanário duma igreja. Nalguns troços árvores queimadas testemunham pretéritos incêndios.

Atravessamos o rio Ovelha (?) a 27 km de Vila Real e os vales lá ao fundo são profundos, mal se distinguindo por entre a neblina. 

As encostas já não são de cultivo, estando cobertas de erva rasteira, nem sempre uniformemente. Os nossos ouvidos zunem por causa da altitude e das diferenças de pressão; estamos na serra do Marão. Há um dito popular: “Para cá do Marão mandam os que cá estão”.

A neblina é cada vez maior; são 17h 40m e estamos a 17 km de Vila Real. Dois km depois começa uma íngreme descida e a visibilidade aumenta.

Vila Real - Cena: mulher chamando pelo “amarelinho”, que se descobre ser um gato, para dar-lhe de comer.

Rua pedonal com casas de dois pisos e varandas de sacada em ferro forjado. Muito comércio.   Rua Sarmento Pelotas, herói da I Guerra Mundial, que vai dar ao rio. Varandas de madeira e cruz em madeira do Senhor dos Desamparados. Portal com almofadas e ombreira superior trabalhadas.

Placa central ajardinada, com fonte e igreja num dos topos. A meio a Catedral e a casa de Diogo Cão. (Notas de Viagens 1999.09.02)


Vila Real, a cerca de 425 m de altitude. Nesta cidade, lá no fundo do vale, passa o rio Cabril, subafluente do Corgo, desaguando este no Rio Douro. Começa a chover copiosamente. A caminho de Chaves o arvoredo é mais variado e com verde de muitos matizes. Nesta zona há muitos castanheiros.

Vila Real Foto a uma ponte. Carro que chocou com a placa central, cujo motorista ia bêbado ou na “marmelada”. (Notas de Viagem 1999.10.24)


De Lamego à Régua pela estrada velha, cheia de curvinhas e postes de electricidade com fios de alta tensão atravessando o espaço. Muitas barreiras nas curvas estão partidas por vários acidentes de automóveis que foram parar lá abaixo.[Numa das vezes em que pelo IP4 fomos a Vila Real estava um nevoeiro cerrado, mal se vendo um palmo á frente do nariz. Mas, apesar disso havia automóveis que nos ultrapassavam a uma velocidade “louca”, como e a estrada fosse retilínea e a vista desimpedida)  Cultura do trigo em socalcos. Qual será a sensação dos ocupantes dos carros que se precipitam no abismo? Ponte do caminho de ferro desactivada. Há várias pontes que atravessam o rio Douro. Passamos na Régua pela 2ª vez.

A caminho de Vila Real encontramos um cavalo branco a pastar na montanha (foto)

Vila Real - Fotos à casa onde nasceu Diogo Cão, descobridor de Angola, ao palácio dos Condes de Vila Real. Igreja de Nasoni ou Clérigos, anjo e tecto.  Fotos: igreja de Nasoni (onde Fátima noutra vez ficou no exterior) – altar mor Igreja de S. Pedro – anjo (talha dourada) e tecto (pintura) – foto ao altar-mor Igreja de S. Domingos – fotos ao vitral e pormenor da porta lateral.

Saída de Vila Real – 1354 km. (Notas de Viagens 1999.10.30)


«Vila Real, como o nome indica, é localidade de fundação régia, tendo recebido o primeiro foral em 1272, pela mão de D. Afonso III, e renovação dada por D. Dinis em finais do século. com a denominação de Vila Real de Panóias. Teve foral novo, manuelino, em 1515. Do pelourinho que então terá sido erguido, à semelhança do que então se fazia por todo o país, restavam apenas alguns fragmentos guardados na Câmara Municipal, entre 1865 (quando a vereação deliberou apeá-lo, por dificultar a passagem das carruagens) e meados do século XX. Terá sido a partir destes vestígios, bem como de antigas fotografias e gravuras, que a vereação mandou fazer o actual monumento, aparentemente cópia do original. De acordo com o testemunho de alguns autores, o actual pelourinho aproveita ainda a coluna quinhentista octogonal, ou parte desta, e algumas cantarias avulsas (Correia de AZEVEDO, 1972).


O monumento manuelino foi levantado na antiga Rua da Praça, hoje Largo do Pelourinho, onde a réplica se encontra igualmente na actualidade, embora não tenha sido sempre assim. Quando as pedras foram remontadas, em 1939 - 40, o pelourinho passou a levantar-se diante do edifício dos Paços do Concelho, onde ficou até 1996, data na qual regressou à primeira localização. Consta de um soco formado por três degraus oitavados, de parapeito, o primeiro destes ficando semi-enterrado na calçada; sobre este soco ergue-se o fuste oitavado, assente num paralelepípedo ainda octogonal, de faces lisas. O fuste é rematado por uma gaiola, pequena peça de arquitectura de planta oitavada, vazada em quatro faces por aberturas em arco redondo, e integrando micro-contrafortes cilíndricos, rematados por florões, nas faces intermédias. Assenta num capitel em forma de cúpula invertida, de oito faces. O conjunto é coroado por uma cúpula rematada em florão, sobre o qual se fixa uma cruz em ferro com bandeirola.

A reconstituição data da mesma altura em que outros pelourinhos do país foram feitos de novo ou recolocados nos locais originais, participando de um entusiasmo revivalista que servia igualmente a vontade de afirmação dos municípios. » (SML – DGPC)

VER

Vila Nova de Cerveira (1)

Vila Nova de Cerveira (2) e rio Minho

Entre Caminha e Vila Nova de Cerveira, passando por Vilar de Mouros, em 1998

Templos religiosos 37 - Vila Praia de Âncora, Vilar de Mouros e Vila Nova de Cerveira

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Pelourinhos 50 - Turquel (Coutos de Alcobaça) e Vila do Touro (Sabugal)

 * Victor Nogueira



021 12 30 - Turquel (Coutos de Alcobaça) e Vila do Touro (Sabugal) 

Turquel - Prosseguindo a viagem a corta mato, para sul, deparamos com Turquel, outrora denominada Villa Nova de Turquel, com prédios modernos, altos,  e com mais vida, nos cafés - parece uma povoação mais cosmopolita e modernaça, até no trajar das pessoas. Contudo é uma povoação menos simpática que a anterior [Évora de Alcobaça], com o pelourinho perdido no meio de casas sem história. A Igreja matriz de N. Sra. da Conceição, mandada edificar pelo Cardeal D. Henrique, tem um portal manuelino mais pobre e não conseguimos nela entrar, apesar dos cânticos que se ouvem, pois as portas interiores encontram se aferrolhadas. Entre esta e o largo do Pelourinho situa-se a Capela do Senhor do Hospital, da antiga Misericórdia. Nela existe um crucifixo carbonizado que segundo a lenda teria sido deixado por um mendigo que por uma noite se albergara e desaparecera sem deixar rasto. Aliás lendas não faltam na região, relacionadas com mouras.

Na íngreme calcetada rua da Neta persistem algumas casas rurais, duas delas com escadaria exterior. Registo outros nomes como o do largo do Pelourinho e as ruas do Relego, Principal, do Lagar e do Outão.

Daqui seguimos de novo para norte, rumo a Alcobaça. (Notas de Viagem, 1998.02.08)


Turquel foi vila e sede de concelho entre 1352 e 1836.. «D. Afonso Henriques outorgou o termo de Turquel à Ordem de Cister, no século XII, e a povoação veio a constituir a determinada altura a mais importante das 14 vilas dos Coutos de Alcobaça, cujo donatário era o Abade do Mosteiro de Santa Maria. O seu primeiro foral foi dado por D. Frei Pedro Nunes, Abade de Alcobaça, em 1352. Teve ainda foral novo dado por D. Manuel, em 1512, na sequência do qual se terá erguido o pelourinho que ainda hoje se conserva na povoação. O antigo conselho de Turquel foi extinto no século XIX, e é hoje freguesia de Alcobaça. Em data incerta, ainda que após a extinção do município, o pelourinho foi retirado da sua implantação pública e guardado no Museu do Carmo, de onde regressou em 1947, para ser recolocado, de acordo com as informações disponíveis, no local primitivo.

O pelourinho assenta em três amplos degraus circulares, de rebordo boleado, e de factura moderna. É constituído por base, coluna, capitel e remate, nem todos elementos originais. A base da coluna é circular, em cesto invertido, com decoração tardo-gótica de botões entre nervuras espiraladas. O fuste é cilíndrico, constituído por dois troços unidos por anel medial moldurado, sendo cada troço decorado com caneluras espiraladas à esquerda, entremeadas por séries de florões quadrifoliados. O conjunto é rematado por capitel de secção quadrangular, decorado com folhagens centradas nas arestas, e assente em estreito astrágalo circular. É encimado por ábaco quadrangular em molduras crescentes, no qual assenta o remate. Este é composto por uma pirâmide quadrangular com decoração de cogulhos em três registos sobrepostos, coroada por um peça esferóide achatada. Numa das faces do remate destaca-se ainda uma figura humana relevada, vestida com um manto, que tem sido interpretada como Nossa Senhora da Conceição, padroeira da freguesia, ou ainda uma evoçação dos Abades de Alcobaça, senhores de Turquel. » (SML – DGPC)


Vila do Touro Fotos: castelo ao longe, janelas manuelinas, igreja românica, pelourinho. Nas casas em pedra existem muitas janelas manuelinas.

Bicas com ditos: “A união faz a força” e “Venha e vá com Deus”. Do castelo só restam a porta e pedras.

A Câmara [do Sabugal] não deixa a velha vender a janela manuelina e noutra, rebocada, os velhotes dizem-se arrependidos e que se fosse agora não o teriam feito, pois a pedra não rebocada tem hoje mais valor. Outro velhote diz que se fosse hoje também não teriam deitado abaixo o castelo, pois são coisas que dão valor mas noutro tempo não era assim. Muitas das janelas manuelinas foram outrora compradas por americanos que as levaram para os EUA, ao que me dizem. (Notas de Viagens 1998.07.12)


Vila do Touro foi vila e sede de concelho entre o início do século XIII e o início do século XIX. «Com um topónimo - "Touro" - a denunciar uma fundação remota, desde, pelo menos, o século XII, ainda que supostamente derivado do nome próprio Taurus ou de características geográficas da região, Vila do Touro ostenta inúmeros vestígios arqueológicos que evidenciam bem a diversidade e a excelência dos recursos cinegéticos que desde sempre dispôs às comunidades humanas que percorriam o seu território e nele procuravam sobreviver e fixar-se, e à qual não foi, certamente, estranha a existência de várias linhas de água que o atravessam, irrigando e fertilizando os seus campos.

Inserido numa paisagem dotada de inegável beleza natural, o actual termo de Vila do Touro dispõe de um posicionamento estratégico que permitiu às suas gentes disporem de um domínio visual sobre os terrenos circundantes, uma particularidade essencial em termos defensivos.

Potencialidades que foram rapidamente aproveitadas ao tempo da reconquista cristã, quando do repovoamento de toda a região do Alto Côa, edificando-se, então, o castelo de Vila do Touro, povoação então situada numa zona de profunda instabilidade política decorrente da indefinição do traçado fronteiriço, razão pela qual a sua jurisdição foi entregue, por D. Afonso II (1185-1223), que a fundou, à Ordem dos Templários, cujo Mestre, D. Pedro Alvites, lhe outorgou foral, decorria o ano de 1220.

Entretanto, e à semelhança do que sucedia com a Vila de Sortelha, a assinatura do Tratado de Alcanizes, em 1297, ditou o declínio da importância outrora fruída pelo seu sistema defensivo que nunca chegaria a ser ultimado, numa realidade reforçada pela ausência de confirmação do anterior (vide supra) foral, por parte de D. Dinis (1261-1325), contrariamente ao que ocorreu em Sortelha. Uma situação somente ultrapassada com D. Manuel I (1469-1521), que lhe outorgou novo foral, em 1510, como forma de incentivar o seu desenvolvimento económico e, por inerência, o seu povoamento.

É justamente a esta última etapa que remonta o "Pelourinho de Vila do Touro", erguido no largo da igreja matriz, construção de igual modo quinhentista.

É sobre soco formado por três degraus de planta circular que assenta a coluna de fuste com a mesma configuração - com base quadrangular - e capitel de secção circular coroado por peça de igual secção e uma segunda em forma de ábaco curvado, elementos estes encimados por pinha cónica.» (AMartins – DGPC)


terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Pelourinhos 48 - Constância e Santa Catarina (Coutos de Alcobaça)

 * Victor Nogueira


2021  12 28 Fotos victor nogueira - Constância e Santa Catarina (Coutos de Alcobaça - pelourinhos


Noutras viagens estive em Torres Novas e terei passado por Constância, Tomar e Almourol. A Torres Novas fui numa viagem de estudo a fábricas de curtumes, talvez em 1972/73, lembrando-me apenas das águas mal-cheirosas e cheias de espuma do rio Almonda.  Das outras três povoações tenho ideia de lá ter estado mas não garanto, pois disso não ficaram escritos nem fotografias. E não sei se o que tenho na memória resulta da minha passagem por elas, se da visão de quaisquer postais ilustrados. Fica o registo e nada mais. (Notas de Viagens, 1997)

Constância -  Sucessivamente ocupada por lusitanos, romanos, árabes e portugueses. Denominada Pugna Tagi (Combate do Tejo) em memória da derrota infligida aos lusitanos, Punhete ficou até lhe mudarem o nome para o actual.

Igreja matriz de N Sra dos Mártires, a 50 m de altitude, lá no alto. Rio largo com margens assoreadas. Fábrica na outra margem  poluindo com fumo branco saindo das chaminés.

Jardim e parque à beira-rio. Casas pela encosta, com escadaria exterior. Ruas estreitas, ingremes, floridas (como em Óbidos e Abrantes), escadarias. No adro da enorme igreja matriz, lá  no alto, um renque de casas térreas. Adjacente o cemitério. Casas brancas com barras amarelas. Povoação voltada para o rio, na margem deste existindo restaurantes, um “passeio” público e  miradouro: aqui se juntam os rios Tejo e Zêzere.  Largo com pelourinho

Terra por onde terá andado Luís de Camões, desterrado por causa dos seus amores por D. Teresa de Ataíde. (Notas de Viagens 1998.07.07)


«Em 1836, a vila ribatejana de Punhete (do latim Pugna-Tage, ou "combate no Tejo", expressão aparentemente relacionada com o encontro tumultuoso das águas do Tejo e do Zêzere na região) foi denominada "Notável Vila de Constância" por decreto régio, assinado por D. Maria II. O pelourinho datará deste período, conforme a sua feição romântica, embora a antiga Punhete tivesse já recebido de D. Sebastião honras de vila (sem foral) em 1578.

O pelourinho ergue-se sobre um soco constituído por três degraus poligonais (o térreo embebido no pavimento), de parapeito, sobre o qual se levanta uma base paralelepipédica com almofada rectangular nas faces, e uma coluna de fuste liso e secção circular, estreitando ligeiramente em direcção ao topo. O capitel, jónico, é rematado por uma grande plataforma moldurada, de onde saem os ferros de sujeição, meramente ornamentais, e sobre a qual está fixada uma esfera armilar em ferro forjado. Os degraus estão actualmente protegidos por balaústres. » (SML – DGPC)


Santa Catarina - Por esta povoação passara na vez em que fôramos à Benedita comprar umas botas. Na altura era uma fiada de luzes avistada numa curva da encosta, lá em baixo no vale. No largo principal, chamado do Pelourinho, situa se uma igreja modernizada, com alteres de talha dourada ("outrora é que era bonita", conta me um velhote ilustrado com outros dois sentado num  banco), o pelourinho, a antiga casa da Câmara, um solar setecentista (com uma capela arruinada), para além dum modesto jardim com caramanchões e um fontenário. Passeio pelas ruas e registo os seus nomes: o Beco do Moinho e as ruas do Lagarão, do Jardim, do Arsenal, do Paiol, do Caixeiro, Direita e da Índia. Deparo com muitas casas arruinadas e outras para venda.

Entre as várias histórias referidas pelo velhote, que tinha lá em casa um livro assinado contando histórias da região, registo a que se refere ao Casal do Coito (?!), onde eram acolhidas as crianças sem pai nem mãe, para além de esclarecer que a forca se situava num cabeço fronteiro, fora da vila, mas que constava que ninguém fora lá executado.

Foi esta uma vila importante, embora a importância seja relativa ao tempo e à era; com efeito, em 1527 teria ... 31 moradores na vila e 69 no termo, possuindo até 1834 duas Companhia de Ordenanças para manter a ordem! (Notas de Viagens, 1998.02.08)


«As origens da vila de Santa Catarina remontam ao século XIII e à altura em que os monges de Alcobaça começaram a organizar o vasto território envolvente. Em 1333, certamente algum tempo depois de integrada a povoação nos chamados Coutos de Alcobaça, foi agraciada com foral por parte de Frei João Martins, abade do mosteiro.

O pelourinho actual é o resultado material do foral passado à já então denominada Vila de Santa Catarina pelo rei D. Manuel em 1518. A localidade foi sede de concelho até 1836 e transitou para o município das Caldas da Rainha em 1898, depois de ter estado cerca de sessenta anos anexa a Alcobaça.

Apesar de originalmente manuelino, este pelourinho foi objecto de uma remodelação quase integral, em momento desconhecido da época Moderna, presumivelmente na segunda metade do século XVII, ou já no século XVIII, altura em que se reformulou a Igreja Matriz e se construíram alguns importantes solares. Em todo o caso, a métrica do pelourinho, ao ajustar-se sistematicamente ao número 8, parece seguir um esquema previamente definido e característico dos tempos manuelinos.

A plataforma é de secção octogonal, composta por dois degraus oitavados. Sobre ela assenta a base, que é também octogonal e serve de enquadramento ao pelourinho propriamente dito, com prisma de oito faces, molduradas por arestas verticais, e terminando em anéis progressivamente de menor largura, solução que antecede o fuste.

Este é circular e ligeiramente irregular, tendo-se incorporado, na parte superior, quatro ferros em cruz, dotados de argolas e terminação em lança. O coroamento é antecedido por moldura em meia cana e compõe-se de capitel em forma de cone oitavado, rematado por perfil arredondado como se de um sino se tratasse.»   (PAF- DGPC)


segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Pelourinhos 47 - Soajo (Arcos de Valdevez) e Vila da Ponte (Sernancelhe)

 * Victor Nogueira


2021 12 27 Fotos victor nogueira - Soajo (Arcos de Valdevez)  e Vila da Ponte (Sernancelhe)  (pelourinhos)

Soajo - «O antigo couto de Eiró, que esteve anexo ao Mosteiro de Ermelo, recebeu muitos privilégios ao longo dos séculos, e teve foral dado por D. Manuel em 1514. O concelho foi extinto no século XIX, e integrado em Arcos de Valdevez. Conserva um pelourinho, levantado diante do antigo edifício dos Paços do Concelho.


Soajo - Pelourinhos de Portugal Emissão filatélica 2001

O pelourinho assenta directamente em plataforma de três degraus quadrangulares de aresta, de factura muito tosca, e bastante desgastados. A coluna é cilíndrica, mas igualmente muito tosco, tendo secção ligeiramente menor na base. Não existe capitel; o topo da coluna, de talhe arredondado, é simplesmente ornado com uma carranca esquemática, aparentemente representando um rosto sorridente. O remate é constituído por uma laje triangular, ao modo de ábaco ou tabuleiro, bastante saliente.

O monumento é muito curioso, e também difícil de caracterizar, masmo em termos cronológicos. Várias explicações têm sido adiantadas para a representação do topo do fuste, mas nenhuma é consistente. Tratar-se-à de um pelourinho relativamente tardio, que alguns autores têm considerado do século XVII. A cara, redonda, poderá ter um simbolismo solar, ou lunar.» (Sílvia Leite – DGPC)


«Vila da Ponte esteve integrada no concelho de Sernacelhe até 1661, quando recebeu foral de D. Afonso VI, e se constituiu concelho independente. No século XIX, foi extinto e integrado novamente em Sernacelhe. Dos duzentos anos em que teve autonomia administrativa, Vila da Ponte conserva o pelourinho como principal testemunho. Ergue-se num largo central da freguesia, junto da antiga cadeia, e onde ficaria igualmente a casa da câmara.

O pelourinho assenta em plataforma de quatro degraus octogonais, de aresta, servindo o superior - um pouco mais elevado - de base à coluna. Esta tem fuste liso, de secção oitavada, conseguida através do leve chanfro das arestas de um pilar quadrado. A coluna é ornada, a curta distância do topo, por duas molduras crescentes octogonais. O fuste segue ainda num curto troço, que toma o lugar do capitel, e é finalmente rematado por quatro molduras crescentes ainda octogonais, a formar cornija. A peça terminal é constituída por um bloco de secção igual à do fuste, que lhe aprece dar continuidade, e é encimado por uma pirâmide oitavada com remate embolado. Na bola crava-se uma haste com pequena esfera medial, e cruz de Cristo no topo.

O monumento terá sido construído na sequência do foral seiscentista, de acordo com a sua tipologia, ainda que muito singela.» (Sílvia Leite – DGPC)

sábado, 25 de dezembro de 2021

Pelourinhos 45 / Municípios 27 - Rates (S. Pedro de Rates)

 * Victor Nogueira


2021 12 25  Fotos victor nogueira - Rates (S. Pedro de) Pelourinho e Casa da Câmara

«A antiga povoação de São Pedro de Rates estava situada na confluência de vários eixos viários importantes desde o domínio romano, e fazia parte de um itinerário compostelano. Não se lhe conhece foral velho, mas era já concelho no século XIII, tendo recebido foral novo de D. Manuel em 1517. Foi extinto em 1836, e integrado na Póvoa de Varzim. O seu pelourinho, testemunho da passada autonomia, ergue-se ainda na localidade, diante dos antigos edifícios da Casa da Câmara, e junto da capela oitocentista de Nossa Senhora da Praça.

O pelourinho é constituído por um soco de três degraus de secção circular, bastante altos, estando embora o térreo, formado por blocos desconjuntados, parcialmente embutido no pavimento (de lajes de cimento). Os dois degraus superiores são semelhantes a grossas mós, e o último destes serve igualmente de base à coluna, que nele encaixa. Esta tem fuste cilíndrico e liso, cingido a meia altura por um estreito anel em ferro. O capitel é um singelo bloco cilíndrico, encimado por anelete rebordante. O remate consta apenas de um tronco cónico alongado, onde se crava uma pequena cruz em ferro, com longa haste inferior. O conjunto é provavelmente quinhentista.» (SML – DGPC)


O edifício da Casa da Câmara teria sido edificado em 1755, de acordo com uma inscrição pétrea na fachada principal. Remontando ao Império Romano, situada num dos Caminhos de Santiago,  «Rates desenvolveu-se graças ao mosteiro fundado pelo Conde D. Henrique em 1100. É uma paróquia antiga referida no século XI com o título "De Sancto Petro de Ratis".

No início do século XVI, o mosteiro desorganizou-se o que levou a que em 1517 tenha sido extinto e transformado em Comenda da Ordem de Cristo. Não se conhece foral velho, mas era já concelho no século XIII. Em 1517, o rei D. Manuel I renova o foral ao Couto da Vila e ao Mosteiro.»   (Wikipedia)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Pelourinhos 43 - Proença-a-Velha e Ranhados (Meda)

 * Victor Nogueira


2021 12 23 Fotos victor nogueira - Pelourinhos de Proença-a-Velha e de Ranhados (Meda)

Proença-a-Velha – «O pelourinho terá sido erguido no século XVI, na sequência da concessão do Foral Novo, por Manuel I de Portugal, em 1 de julho de 1510, confirmando a esta antiga vila beirã o estatuto concelhio que lhe havia sido outorgado em 1218, por D. Pedro Alvites, Mestre da Ordem dos Templários, à qual D. Afonso Henriques havia doado toda esta região aquando da Reconquista cristã, para que a defendessem e repovoassem. O Pelourinho, manuelino, é constituído por quatro degraus circulares, um fuste octogonal e, a rematar, quatro escudos, uma cruz de Cristo, a esfera armilar e as armas reais.

Embora se desconheça o mestre de pedraria que o edificou, ele (ou a sua escola) terá eventualmente sido responsável, por outros pelourinhos em concelhos vizinhos, uma vez que são notórias algumas semelhanças com alguns elementos dos pelourinhos de Idanha-a-Velha, Salvaterra do Extremo e Segura.» (Wikipedia)


«Ranhados teve primeiro foral dado por D. Dinis, em 1286, e foral novo de D. Manuel, em 1512. Pertenceu inicialmente aos Templários, e após a sua extinção foi comenda da Ordem de Cristo. Foi sede de concelho até 1836, quando passou a integrar o concelho da Meda, do qual é actual freguesia. Possui um pelourinho, certamente construído na sequência da atribuição do foral manuelino.

O pelourinho de Ranhados ergue-se no largo fronteiro à Igreja Matriz da povoação, igualmente quinhentista. Possui plataforma de quatro degraus circulares, de aresta, estando o térreo quase totalmente enterrado no pavimento. A coluna assenta sobre base constituída por plinto circular, encimado por duas molduras circulares de perfil côncavo, em quarto-de-círculo, uma invertida sobre a outra, formando grande escócia. O fuste é composto por quatro colunelos lisos em feixe, cingidos a pouca distância da base por um anelete. Perto do topo, cada colunelo é decorado com um mascarão, sendo que três destes representam faces masculinas com barba, e um quarto uma face imberbe. Nos intercolúnios estão quatro florões, que se repetem no topo, por baixo da peça terminal. Sobre os rostos despontam mísulas, sustentando pináculos moldurados de secção poligonal, rematados por peças cónicas com representações antropofórficas e zoomórficas. Sobre os colunelos que compõem o fuste, e entre os pináculos do remate, assenta um tabuleiro poligonal que suporta um quinto pináculo, onde se crava a grimpa, em ferro, com bandeirola de catavento.

O conjunto, com detalhada ornamentação fantástica, enquadra-se no estilo manuelino, particularmente na sua declinação mais silvestre, conjugada com referências antiquizantes (românicas). Os rostos podem corresponder às tradicionais representações quaternárias, indicando as estações do ano, as épocas da vida, os pontos cardeais, etc., num sistema simbólico onde ao rosto imberbe corresponderia a Primavera, a juventude, e a direcção Este. Entre as representações, nem todas identificáveis, dos pináculos, destaca-se uma cabeça de lobo ou leão.» (Silvia Leite – DGPC)


quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Pelourinhos 42 / Municípios 24 - Póvoa de Varzim

  Victor Nogueira


2021 12 22 Fotos victor nogueira - Póvoa de Varzim - Paços do Concelho e pelourinho, na Praça do Almada

A Praça do Almada, centro cívico da cidade. está circundada por um conjunto arquitectónico de grande apuramento estético, onde ao granito presente nas fachadas se acrescentam o azulejo e o ferro forjado. Remodelada em 2007 para recuperar a sua memória e a tradição de ser um espaço privilegiado de encontro e passagem de pessoas, nesta praça estão símbolos que marcam a história da Póvoa de Varzim, como o Pelourinho (1514), o edifício dos Paços do Concelho (1807), o Coreto (1909) e o Monumento a Eça de Queirós (1952), célebre escritor aqui nascido em 1845. (CMPV)


A Praça do Almada teve outrora outras designações, como Rua da Calçada, Campo da Calçada, Campo da Feira, Largo da Feira, Praça Nova, Praça Nova do Almada. Painel de azulejos, c. 1900, (in https://www.wikiwand.com/pt/Pra%C3%A7a_do_Almada))


 Praça do Almada in 1900 - central square in Povoa de Varzim - Portugal -  photo: PedroPVZ (Wikipedia)

«Em 1308, D. Dinis outorgou a "Varazim" a primeira carta de foral, doando as terras realengas aos rendeiros da zona norte da povoação, com a condição de os novos habitantes aí fundarem uma póvoa, constituindo um concelho. Foi pois no início do século XIV, que se constituiu o concelho da Póvoa de Varzim, datando possivelmente do século XV a edificação do primitivo edifício dos Paços do Concelho, embora pouco reste da estrutura deste. O edifício quatrocentista assentava sobre uma estrutura de arcadas, que constituíam o piso térreo, encimada pelas duas janelas dos pisos superior, entre as quais estava colocado o brasão de armas da vila (Barbosa: 1937).

Nas últimas décadas do século XVIII a casa camarária da Póvoa de Varzim apresentava sinais de ruína, pelo que em 1791 a edilidade determinou que fosse construído um novo edifício para albergar os Paços do Concelho, sendo essa estrutura tardo-setecentista a que, grosso modo, chegou até à atualidade.  

No início do século XX, os antigos Paços do Concelho (Casa da Câmara, medieval, na Rua de S. Pedro, frente à Igreja Matriz de N. Sra da Conceição)  foram comprados por um particular, que executou obras de recuperação no edifício, transformando-o em residência privada, função que mantém até à data.» (Catarina Oliveira DGPC, 2016 (com a colaboração de Rui Pimpão, CM Vila Nova de Gaia)

Quando foi determinada a construção dos novos Paços do Concelho, em 1791, o edifício encontrava-se em mau estado de conservação. A arcada da frontaria, desenhada em 1790-91 pelo Engº francês Reinaldo Oudinot, sugere a estrutura arquitectónica e decorativa da Feitoria Inglesa do Porto. Inaugurada em 28 de Dezembro de 1807, sofreu, entre 1908-10, profundas obras de ampliação e decoração orientadas pelo etnólogo Rocha Peixoto e pelo pintor belga Joseph Bialman: torre e azulejamento interior e exterior do edifício.


«O primeiro foral das terras de Varzim foi concedido por D. Dinis, em 1308, determinando a constitução de uma pobra (póvoa) que funcionava como concelho independente. D. Manuel concedeu foral novo aos seus moradores no ano de 1514, em resposta às constantes reclamações contra a jurisdição do Mosteiro de Vila do Conde, que detinha direitos sobre o concelho desde 1318. Cerca de duas décadas depois do foral manuelino, em 1537, a Póvoa é incorporada na Coroa, e anexada à comarca do Porto, estabelecendo-se a sua autonomia plena.

O seu pelourinho foi construído na sequência do foral quinhentista, e esteve levantado na cidade, em implantação desconhecida, até 1854. Nesta data, a câmara determinou a sua destruição, por causar dificuldades à circulação automóvel. A coluna foi levada para uma casa particular, e o seu paradeiro é actualmente desconhecido. A esfera armilar do remate conservou-se, estando integrada no actual pelourinho, erguido em finais do século XIX na Praça do Almada, nas imediações dos Paços do Concelho oitocentistas. É a este último monumento que corresponde a classificação.

O actual pelourinho da Póvoa de Varzim assenta num soco de quatro largos degraus quadrangulares, de parapeito boleado, onde assenta um parapelepípedo com faces almofadadas, rematado superiormente por molduras crescentes, e ligando-se ao último degrau por meio de um largo enbasamento. Sobre este plinto repousa o conjunto da base, coluna, capitel e remate. A base da coluna é constituída por três molduras quadrangulares escalonadas, e o fuste é cilíndrico e esguio, sendo lisa a metade inferior, e canelada a superior. É directamente encimada pelo remate, composto por uma peça semelhante a um peão de xadrez, com base formada por três molduras lisas escalonadas e corpo em pináculo liso, encimado por dois aneletes circulares, onde assenta a esfera. Esta é supostamente herdada do pelourinho manuelino, conforme referido.» (SML – DGPC)


VER  coretos 13 - Póvoa de Varzim - Praça do Almada

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Pelourinhos 40 / Municípios 22 - Pederneira (Coutos de Alcobaça)

 * Victor Nogueira


2021 12 20 Fotos victor nogueria Pederneira (Coutos de Alcobaça) - Torre do Relógio, Casa da Câmara e pelourinho

Aqui, no cimo do promontório a sul, esteve a primitiva povoação, com o edifício da antiga câmara - com torre sineira e brasão de armas - e o pelourinho, entretanto roubado e substituído pelo tronco petrificado duma árvore. Estes e a Igreja matriz, situam-se na arborizada Praça Bastião Fernandes, filho da terra e companheiro de Vasco da Gama na Viagem à Índia. A Igreja Matriz, de N. Sra. das Areias, tem o interior coberto de azulejos não figurativos, e uma lápide recordando os nomes dos três filhos da terra mortos na I Grande Guerra.   Outra Igreja é a da Misericórdia, com cemitério adjacente, e um miradouro donde se avista a vila, lá em baixo, e o Sítio, no promontório a norte. 

Como Alfeizerão, a Pederneira foi outrora um importante estaleiro naval e porto de mar, onde vinha desaguar o rio Alcobaça.

Registo alguns nomes das ruas, como a dos  Fornos, da Fonte, do  Santíssimo, da  Misericórdia, da Belavista e das  Oliveiras, para além das travessas das Laranjeiras, do Mirante, do Nascente ou do  Postiguinho e dos largos da Fonte e do Alto Romão. As casas têm nas fachadas azulejos de santos protectores, como aliás também no Sítio. (Notas de Viagem, 1997.10.31)

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«O pelourinho da Pederneira é um dos mais insólitos monumentos relacionados com o estatuto concelhio de localidades portuguesas. É um tronco silicificado de uma conífera cretácica, colocado sobre a base do antigo pelourinho em 1886, quando aquele já havia desaparecido. Implanta-se no principal largo do aglomerado, na Praça Bastião Fernandes, junto da antiga casa da Câmara e muito perto da Igreja Matriz.

Na origem, a Pederneira foi uma das catorze vilas dos coutos de Alcobaça, datando a primeira notícia acerca da sua existência do reinado de D. Sancho I, em documento onde o monarca condenou algumas atitudes menos próprias por parte dos habitantes da localidade contra o prior do mosteiro cisterciense, que detinha a tutela sobre o território.

A 1 de Outubro de 1514, D. Manuel I concedeu-lhe foral novo, o que prova a importância da vila no quadro quinhentista do Oeste. Durante os três séculos seguintes, Pederneira foi sede de município, até ser integrada no concelho da Nazaré já no século XIX.

Desconhece-se a configuração do pelourinho manuelino. Dele apenas resta a plataforma que serviu de base de sustentação, composta por quatro degraus de secção octogonal, tipologia que é característica dos primeiros anos do século XVI.

Não estão igualmente clarificadas as razões que levaram ao desaparecimento do monumento construído no século XVI, nem tão pouco o porquê da opção por tão insólita substituição, sendo certo que o tronco de árvore que hoje serve de fuste tosco e irregular estaria num local de certa relevância simbólica, a ponto de ser integrado no imaginário dos habitantes da vila. » (PAF – DGPC)


«O edifício dos antigos Paços do Concelho da Pederneira situa-se na Praça Bastião Fernandes, principal espaço público deste lugar. Em 1886 foi colocado no centro da praça um tronco fossilizado trazido do cemitério, e que simbolicamente substituiu o pelourinho manuelino de que subsistiam alguns vestígios, então destruídos. No lado sul da praça está a Igreja Matriz de Santa Maria das Areias cuja construção/adaptação se poderá datar de 1591 (FIDALGO: 2012, p. 82).

Apresenta planta retangular, com dois pisos, e cobertura com telhado de quatro águas. Na fachada destaca-se sobre a porta principal o brasão real, do qual subsiste o escudo tendo sido picada a coroa, e uma torre quadrangular com o relógio e o sino.

O edifício atual resulta da reconstrução efetuada após a destruição ocasionada pelo terremoto de 1755: "Nesta vasta zona do Centro e do Sudoeste de Portugal, várias foram as casas da câmara destruídas. Os edifícios camarários reconstruídos na Época Pombalina e Pós-Pombalina ilustram bem o tamanho da catástrofe, de que são um índice muito seguro, particularmente bem ilustrado justamente nos casos da Pederneira, de Cascais, de Lisboa, de Almada, de Setúbal ou de Grândola, localidades que se viram forçadas a erigir notabilíssimas casas da câmara na Época Pombalina ou Pós-Pombalina" (CAETANO: 2011, p. 149). No piso térreo situava-se a cadeia (CAETANO: 2011, pp. 769, 783), e o primeiro piso era utilizado pela vereação. Atualmente o interior está totalmente descaracterizado, e em 2006 o quintal foi ocupado com a construção de um espaço polivalente, cultural e recreativo (FIDALGO: 2015).

A fundação do concelho da Pederneira é muito antiga, tendo D. Manuel dado um novo foral em 1514. A povoação foi perdendo importância devido ao progressivo assoreamento da lagoa da Pederneira, e nos séculos XVII e XVIII pelo desenvolvimento de um novo assentamento junto ao porto, e que deu origem à Nazaré atual (HENRIQUES). Em 1836 o concelho foi integrado no de Alcobaça, e finalmente em 1912 no da Nazaré, então criado (CAETANO: 2011, p. 693).» (Maria Helena Ribeiro dos Santos, DGPC, 2015 - Colaboração de Carlos Fidalgo, Câmara Municipal de Nazaré, 2015)


domingo, 19 de dezembro de 2021

Pelourinhos 39 / Igrejas 88 / Municípios 22 - Palmela

 * Victor Nogueira


2021 12 19 Fotos victor nogueira - Palmela - pelourinho e Paços do Concelho


Ns encosta, já fora das muralhas da antiga vila de Palmela e circunvizinhos situam-se  o pelourinho, os Paços do Concelho e as Igrejas da Misericórdia e de S. Pedro, com a torre de menagem do castelo lá no alto.






Igreja da Misericórdia e pelourinho, na Praça Duque de Palmela

«A importância de Palmela no contexto da península de Setúbal remonta, verdadeiramente, ao domínio islâmico, altura em que as estruturas existentes no topo do monte (algumas de cronologia romana) foram transformadas num poderoso castelo, que, ano após ano, a arqueologia vai dando a conhecer (FERNANDES, 2004). Depois das conquistas de D. Afonso Henriques, em 1147, a fortaleza foi doada à Ordem de Santiago, que aqui estabeleceu comenda, passando, já no século XV, a ser sede da instituição. Data dessa altura a construção da Igreja de Santiago, principal monumento religioso da vila, e o convento anexo, transformado, no século XX, em pousada. Com a instalação dos santiaguistas, Palmela alcançava o momento de maior apogeu, instituindo-se como ponto fundamental na ordem interna nacional quatrocentista.

A construção do actual pelourinho, em 1645, (muito provavelmente em substituição de um outro, contemporâneo do foral que D. Manuel passou a 1 de Junho de 1512), não se relaciona com aquele momento de importância de que a vila desfrutou na Baixa Idade Média, mas já com um período de relativa decadência. Localizado na principal praça da vila baixa, a que se desenvolve fora das muralhas do castelo e pela colina em direcção ao vale, confrontando com a Igreja da Misericórdia, ele constitui uma das mais interessantes peças de património urbano da época moderna da localidade.

Realizado em calcário da região, compõe-se por três partes, claramente diferenciadas na vertical. A base é hexagonal e em forma de caixa, definindo pequenas molduras em cada face, e assenta sobre plataforma octogonal de dois degraus. A coluna possui fuste cilíndrico liso, separado da base por dupla moldura circular, e capitel cúbico pouco pronunciado decorado inferiormente por folhas de acanto. Nas quatro faces do capitel, existem outros tantos ganchos de ferro, rematados com figurações zoomórficas, que constituem os elementos restantes do tempo em que o pelourinho serviu de forca da vila. O monumento é coroado por ligeira base, com a inscrição comemorativa da sua construção, a que se sobrepõe o brasão nacional, coroado e rematado por cruz axial, e ladeado por uma palma, "possível ligação ao topónimo Palmela" (MALAFAIA, 1997, p.298).

Aquando da extinção do concelho, em 1855, o pelourinho foi apeado e armazenado, voltando ao seu local de origem em 1908, por vontade e acção da população que, por essa altura, lutava pela restauração do concelho, algo que só viria a acontecer a 8 de Novembro de 1926, depois de instaurada a 2ª República.

Em adiantado estado de degradação, até há alguns anos, o monumento foi objecto de um restauro técnico em 2002. Com efeito, "as superfícies da pedra encontravam-se contaminadas com crostas negras", os elementos em ferro estavam corroídos, o que havia conduzido à "fractura e fissuração dos elementos pétreos" e a uma "acentuada inclinação e deformação do topo da coluna", desequilibrando-se, desta forma, o conjunto (VARANDAS, 2003, p.33). Entre os trabalhos de consolidação efectuados, destacam-se o desmonte do coroamento, a substituição dos elementos em ferro, a escovagem mecânica a seco e a limpeza húmida das superfícies pétreas e ainda o refechamento de juntas por argamassa (IDEM, p.33), medidas que contribuíram para o total restauro do conjunto e para uma muito melhor ligação afectiva da comunidade com este antigo símbolo de liberdade e de autonomia concelhias.»  (PAF - DGPC)


A igreja da Misericórdia de Palmela é um templo do final do século XVI, de uma só nave com revestimento de azulejos do século XVII do tipo "tapete" e altar de talha dourada. Situada no Largo do Pelourinho, esta igreja tinha na ala contígua o antigo Hospital da Misericórdia, que actualmente foi renovado e abriu como alojamento local, tendo como nome Porta da Arrábida.





Igreja de S. Pedro e Paços do Concelho



Paços do Concelho - Edifício presumivelmente do século XVII sofreu ao longo dos anos várias intervenções. O Salão Nobre serviu como Tribunal no século XVIII e, poucos anos após o terramoto de 1755, funcionariam no edifício conjugadamente o Tribunal, a Câmara, o Açougue e a Prisão.   O Salão Nobre ostenta uma galeria de retratos de reis de Portugal – do Conde D. Henrique a D. Manuel. Em 2019 começou um programa de recuperação destas pinturas murais e do ptóprio edifício, que as fotos documentam.

A Igreja de S. Pedro, matriz de Palmela, remonta ao século XVI, apresentando três naves com colunas toscanas e revestida interiormente por painéis de azulejos barrocos datados do século XVIII, historiando cenas da vida do orago, para além dum importante conjunto escultórico e pictórico setecentista.

Fotos em 2021 12 18 (Canon 199.12)

VER 

em Palmela


sábado, 18 de dezembro de 2021

Pelourinhos 38 - Passô (Moimenta da Beira) e Penedono

 * Victor Nogueira


2021 12 18 Fotos victor nogueira- Pelourinhos - Passô (Moimenta da Beira) e Penedono


«O couto de Pallatiollo (palacete), ou Paçô, existia já em 1152, sob jurisdição do Bispo de Lamego. Foi doado por D. Afonso Henriques, ainda Infante, aos irmãos Mem e Egas Moniz, sendo este último o seu antigo aio. Teve desde então vários senhores, chegando a pertencer aos cónegos de Vila Boa do Bispo, de Marco de Canaveses. Embora não se lhe conheça foral, o Cadastro da População do Reino de 1527 já o indica como concelho. Foi extinto em 1834, e incorporado em Leomil; por extinção desde último, em 1855, ambos foram finalmente integrados em Moimenta da Beira. A freguesia conserva um velho pelourinho, atestando da sua anterior autonomia.

O pelourinho ergue-se sobre um grande afloramento granítico, em posição destacada, mas que cauza alguma estranheza. A plataforma consta de um único degrau quadrangular, de aresta, no qual assenta directamente a coluna. Esta tem fuste de secção quadrada na base e no topo, com arestas chanfradas na maior parte da sua altura, de forma a tomar a secção oitavada. Não existe capitel. O remate é constituído por um bloco com base talhada em tabuleiro quadrangular saliente, encimado por quatro colunelos cantonais, em redor de uma pirâmide quadrada de topo truncado e arredondado. Cada colunelo é rematado por um pequena esfera. Todos os elementos são lisos, à excepção de uma das faces da pirâmide do remate, onde se podem ver as armas do reino, na versão anterior à reforma de D. João II, de 1495 (ou seja, com os escudetes laterais deitados).

O pelourinho é muito singelo, e da factura algo rude, sendo possível encontrar outros monumentos com a mesma tipologia entre os séculos XV e XVII. As armas régias são de facto a única indicação cronológica de que dispomos. Estas terras foram doadas por D. Afonso V a Gonçalo Pinto, em 1465, sendo provável que a construção do pelourinho date de então, provavelmente na sequência de carta de foral dada pelo seu novo donatário.» (Sílvia Leite – DGPC)



«O primeiro sinal de inequívoca vitalidade concelhia de Penedono data de 1195 e corresponde ao foral passado por D. Sancho I, que reconheceu o município. As origens do povoamento de "Pena de Domus" (como a localidade era conhecida na Idade Média) são, todavia, anteriores e identificam-se nos meados do século X, quando um primitivo reduto defensivo fazia parte de uma linha de fortificações doadas por D. Chamôa Rodrigues ao Mosteiro de Guimarães, em 960.

D. Afonso II confirmou o foral sanchino em 1217, mas os séculos finais da Idade Média foram conturbados. No reinado de D. Fernando, vivendo o país uma séria crise económica em consequência das guerras travadas pelo monarca contra Castela, Penedono foi integrado no concelho de Trancoso, mas recuperou rapidamente a sua autonomia, sendo então doado à família Coutinho, estirpe que deixou a sua marca no castelo-paço então reformulado.

O pelourinho que se conhece foi construído nos inícios do século XVI e resulta do novo foral passado a 27 de Novembro de 1512 pelo rei D. Manuel. Implanta-se na praça principal da vila, no caminho que conduzia ao castelo e fronteiro à antiga casa da câmara. Pelo acentuado declive da via, foi necessário erguer-se uma plataforma de cotas diferenciadas, de base quadrangular, onde assentam oito degraus oitavados, de faces boleadas, sendo o último de maiores proporções que os restantes.

O pelourinho propriamente dito possui base chanfrada e compõe-se de esguio fuste monolítico, de perfil octogonal, onde assenta o coroamento. Este é em forma de gaiola, definido por ábaco octogonal a partir do qual se elevam oito colunelos (alternadamente quadrangulares e cilíndricos), encimados por pináculos. No interior da gaiola existe coluna que sustenta o remate, em forma de coruchéu cilíndrico onde se apoia grimpa de ferro.

Estas características diferenciam este pelourinho da generalidade dos que se construíram em solo nacional pelos inícios do século XVI, reconhecidamente de menor exuberância. No inventário dos pelourinhos quinhentistas, os de gaiola são minoritários e testemunham a vontade dos concelhos em ostentar a sua municipalidade, numa época de reforço de poderes e de desenvolvimento do reino - Penedono deveria contar, por 1527, com cerca de 1500 habitantes. Esta ideia teve grande eco em regiões teoricamente mais afastadas dos principais centros, como no caso do pelourinho de Vila Nova de Foz Côa, ou mesmo no de Sernancelhe, com o qual o de Penedono mantém assinaláveis analogias.

Em 1895, o concelho foi extinto, mas recuperou o seu estatuto municipal em 1898, por decreto de 13 de Janeiro, assim se mantendo na actualidade.»  (PAF – DGPC)


quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Pelourinhos 35 / Municípios 19 - Monte Real (Leiria)

 * Victor Nogueira


Fotos victor nogueira – Monte Real – Pelourinho e Casa da Câmara

(...) Eu e a Armanda [Meles] alugámos duas bicicletas e fomos passear na estrada do aeroporto. (...) Na esplanada do cinema há uma máquina de discos e tenho me entretido a tocá-los. Temos jogado às cartas [Vivre l'amour, Burro em pé,....] (...) 5ª fomos ver o pelourinho e as ruínas do Paço de Santa. Isabel . [Fartei me de andar para ver um padrão velho e quatro paredes]. (1963.08.27/31 - Diário III)

Foto no pelourinho, defronte do que teria sido a Casa  da Câmara, que chama a atenção pela escadaria exterior que dá acesso ao 2º piso. Perto uma igreja que foi gótica, cuja reconstrução nada conservou da traça primitiva. Pela 1ª vez dou conta dos afamados Paços da Rainha, reduzidos a um rectângulo ameado, sem tecto, espécie de adro duma igreja que entretanto se construiu. (Notas de Viagens 1999.08.22)

«Monte Real foi elevada à categoria de vila em 1292, por disposição do rei D. Dinis, através de Carta de Foral. Em 1573, de acordo com inscrição, edificou-se o pelourinho actual e a realização da Casa da Câmara deverá ser contemporânea, ou pouco posterior, embora não existam suficientes elementos tipológicos de caracterização.

O edifício situa-se na principal praça da localidade, definindo o eixo urbano primordial e dialogando com o pelourinho, constituindo estes dois elementos patrimoniais os mais poderosos símbolos do antigo estatuto concelhio da localidade.

Como hoje a conhecemos, a Casa da Câmara compõe-se de dois andares e adopta um modelo planimétrico regular, com disposição harmónica e racional de vãos no alçado principal. Deve resultar de uma profunda alteração, verificada pelo final do século XVIII, embora esta seja uma perspectiva que carece de confirmação, através de um estudo rigoroso da documentação remanescente alusiva a este antigo município e do próprio conjunto edificado.» (PAF – DGPC)

«A Póvoa de Monte Real, nos arredores de Leiria, foi elevada a vila em 1292, por mercê do rei D. Dinis, que encontrava no seu clima e nas nascentes de água termal um ameno local de veraneio. Nasceu assim a Vila Real de D. Dinis, mais tarde conhecida por Monte Real, certamente em função do Paço dionisino então erguido na zona alta da povoação, e do qual ainda restam alguns vestígios. O actual pelourinho, obra quinhentista tardia, situa-se no sopé da estrada de acesso à vila velha, servindo de marco limítrofe para a antiga circunscrição. Trata-se de um singelo conjunto de fuste cilíndrico, talhado na base em forma quadrangular, levantado sobre três altos degraus circulares, e rematado por uma "pinha" cónica; como única decoração ostenta o escudo de armas de Portugal, embora seja provável que tivesse incluído uma decoração superior metálica, ao modo de cata-vento. Regista-se ainda a data de 1573, inscrita no topo do fuste.»  (SML – DGPC)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Pelourinhos 34 / Municípios 18 - Marinha Grande, Meda e Murça

 * Victor Nogueira


2021 12 15 Fotos victor nogueira -  Marinha Grande (Paços do Concelho), Meda (pelourinho) e Murça (Paços do Concelho)

A Praça Guilherme Stephens no situa-se no centro da Marinha Grande, constituída por edifícios de traça pombalina e um busto do industrial do vidro que dá nome ao largo . Aqui localiza-se o edifício que alberga os Paços do Concelho. Pertenceu a D. Beatriz Carvalho de Abreu e Melo e era originalmente composto por dois pisos, construído em alvenaria de pedra, com pavimentos constituídos por vigamento de madeira e solho. Foi adquirido em junho de 1927 pela Câmara Municipal da Marinha Grande, para aí instalar os Paços do Concelho. Na sequência de um incêndio ocorrido em 1934, foi alvo de uma reconstrução da qual resultou a criação de um 3º piso e a traça como hoje se pode observar.(https://www.cm-mgrande.pt/pages/974?poi_id=66 )


«A pequena localidade de Meda, de muito remota origem, pertenceu a partir do século XI ao cenóbio beneditino que se erguia no local da actual Torre do Relógio, no sopé da colina do castelo. Em 1145, pertencia já à Ordem do Templo, e em 1319 passou para a Ordem de Cristo. Recebeu foral novo de D. Manuel, em 1519, no qual é referida como Vila de Meda e Comenda da Ordem de Cristo. O seu pelourinho, erguido junto da igreja matriz e do antigo celeiro da povoação (de construção tercentista, entretanto derrubado), ainda se conserva, embora com o remate mutilado, e havendo sofrido um restauro em finais do século XX.

O pelourinho levanta-se sobre soco de cinco degraus octogonais, de aresta, hoje parcialmente integrados numa escadaria de construção moderna. Os três degraus intermédios são resultado de uma intervenção de restauro, de resto evidente, e o inferior é mais rústico, destinado-se a vencer o desnível do terreno. A base da coluna é constituída por um plinto oitavado, monolítico. O fuste arranca de um pequeno troço inicial cúbico, em cujos vértices superiores assentam quatro peças decorativas contracurvadas, a partir das quais as arestas da coluna sofrem chanfradura, ganhando a secção octogonal. O capitel resume-se a uma singela moldura octogonal rebordante, servindo de tabuleiro, onde assenta o remate. Este era originalmente em gaiola, restando apenas o cesto inferior, em taça oitavada, faces lisas e rebordo plano.

A metade superior da gaiola foi destruída, supostamente na década de 40 do século XX, por um vendaval. Para melhor compreender a tipologia original do monumento, compare-se com os muitos exemplares de pelourinhos de gaiola do distrito da Guarda, como sejam os de Muxagata, Penedono, Aguiar da Beira, Marialva, Algodres, Aveloso, Almendra, Carapito, entre outros. Embora mutilado, o pelourinho é certamente de construção quinhentista, provavelmente subsequente ao foral manuelino.» (Sílvia Leite – DGPC)


Murça - O edifício dos Paços do Concelho é um solar do século XVII, com dois pisos e janelas de sacada no primeiro andar, cujo telhado é interrompido por um arco contracurvado, ao centro. Ocupa toda a ala Norte da Praça 5 de Outubro – a Praça Velha  - onde se localizam o pelourinho e o Solar dos Guedes, que foram donatários da Vila.