Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

quarta-feira, 29 de junho de 2016

domingo, 26 de junho de 2016

vila real by night


foto victor nogueira - vila real by night em 1999.09.02 (Rua Direita) 

Paulatinamente vai correndo a digitalização e classificação indexada de cerca de 600 rolos fotográficos,

48 deles e cerca de 1400 fotos estão já devidamente identificadas, datadas e localizadas. Ao rever as fotos e ao reler as Notas de Viagem na altura escritas (re)lembro-me de muitas das cenas e a internet e o google maps são aquela preciosa máquina auxiliadora..

Mas agora vou tomar ar que o tempo já refrescou e amenizou a caloraça estival..
 
















sábado, 25 de junho de 2016

no museu do trabalho michel giacometti em setúbal

* Victor Nogueira
(texto e fotos)

O Museu do Trabalho Michel Giacometti, instalado na antiga Fábrica Conserveira Perienes, foi constituído a partir do espólio etnográfico (objectos agrícolas e do quotidiano) recolhido no Serviço Cívico Estudantil  em 1975, tendo presentemente três exposiçõees permanentes: "A Indústria Conserveira (Da lota à lata)", "Mundo Rural – Coleção Etnográfica Michel Giacometti e a Génese do Museu" e "Mercearia Liberdade – Um património a salvaguardar", para além de exposições temporárias e de ser palco de eventos culturais. O Museu do Trabalho Michel Giacometti é um museu municipal, sediado em Setúbal criado em 1987 e inaugurado em 1995. 

Michel Giacometti (1929 - 1990) foi um etnomusicólogo corso radicado em Portugal.  Fundou os Arquivos Sonoros Portugueses em 19.60. Percorreu o país nas décadas seguintes, até 1982, tendo gravado cantores e músicas tradicionais que o povo cantava no seu quotidiano. Com Fernando Lopes Graça lançou a "Antologia da Música Regional Portuguesa",  De 1970 a 1973 apresentou na RTP  o programa "Povo que Canta". Também com a colaboração de Lopes Graça publicou em 1981 o "Cancioneiro Popular Português"





Mercearia da Liberdade



(Esta mercearia situava-se em Lisboa, na Avenida da Liberdade)

















Secção Etnográfica













Da lota à lata (indústria conserveira)










Maquete (executada por José Gregório) da vivenda dum industrial conserveiro, em acelerada degradação, situada na esquina da Rua Dr. Manuel de Arriaga com a Rua Alferes Pinto Vidigal, paredes meias com o Bairro Salgado, onde residiam os industriais abonados e se conservam ainda algumas casas de estilo "Arte-Nova" e de "Casa Portuguesa", de Raúl Lino. Na vivenda da maquete os painéis de azulejos representariam, penso, o industrial e a esposa, para além dum barco.


Maquete (executada por José Gregório) duma habitação operária. A esmagadora maioria do operariado não vivia nem nos Bairros da Fundação Salazar ou Maria Baptista (do industrial António Baptista Pereira) ou na Vila Maria, mas sim em condições insalubres em bairros degradados como o Mal-Talhado, Casal das Figueiras, Cova do Canastro, Dias ou Monaquina. Exceptuava-se a "aristocracia" operária dos soldadores, que moravam no Bairro Santos Nicolau.





Maquete da Fábrica Perienes, executada por José Gregório















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Fotos Victor Nogueira - cerca de 1986 - Setúbal - Museu do Trabalho Michel Giacometti (na antiga Fábrica Conserveira Perienes) 



[rectificação - as fotos refere-se a duas dum conjunto de exposições organizadas pela Câmara Municipal de Setúbal com peças que viriam a integrar o futuro Museu do Trabalho, inaugurado apenas anos depois]



O Museu contém parte do espólio recolhido pelo etnógrafo que lhe dá o nome, para além de reproduzir uma fábrica de conservas de peixe, de que a cidade foi um importante centro fabril até ao 25 de Abril, com as operárias trabalhando apenas quando o peixe era descarregado no porto, com salários de miséria e sem regalias. Baseadas essencialmente no trabalho manual e não mecanizado, opressivo e repressivo, a maioria faliu a seguir ao 25 de Abril. Na foto representação do homem que ia pelas ruas dos bairros de lata avisando que as operárias deveriam apresentar-se no local de trabalho, fosse dia ou fosse madrugada.



O espólio do Museu recolhe também alfaias agrícolas e instrumentos de ofícios tradicionais e uma loja tradicional, proveniente de Lisboa. A sua reserva tem o espólio duma chapelaria tradicional da cidade, entretanto encerrada. 



Na 1ª foto vê-se um troço da rua Camilo Castelo Branco que ia desembocar no Bairro das Fontainhas e a uma das docas. Nesta rua existiam várias fábricas, todas demolidas excepto uma, em abandono. 

Algumas poucas fábricas foram reconvertidas, sobretudo para armazéns, na zona oriental da cidade.