Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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domingo, 4 de abril de 2021

Arrábida - folheto turístico

 * Victor Nogueira

Dentro dum livro encontrei este antigo folheto turístico, da antiga empresa  João Cândido Belo & Cia Lda, a Transportadora Setubalense,  publicitando também as carreiras diárias para Arrábida.








sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Na Serra da Arrábida, a long time ago

* fotos de família

Nos espólios da família figuram fotos que presumivelmente pertenciam ao meu bisavô José de Castro, que não estão anotadas A minha tia Lili, a meu pedido, identificou os familiares na maioria delas. Nas que têm como tema principal paisagens, consegui identificar algumas, como estas, na Serra e no Portinho da Arrábida, que devem datar dos anos 30 / 40 do século XX.




Portinho da Arrábida

Pelos caminhos da Arrábida e a Pedra da Anixa (rochedo)

Portinho da Arrábida

* Victor Nogueira



foto de família - O Portinho da Arrábida, na primeira metade do século XX

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

pelos caminhos da Serra da Arrábida

* Victor Nogueira



foto de família - pelos caminhos da Serra da Arrábida, nas primeiras décadas do século XX, vislumbrando-se a Pedra da Anixa, no Portinho da Arrábida.

Presumo que na foto figurem o meu bisavô e a minha tia-avó Esperanza Luís e se assim for talvez tenha sido numas férias que passaram no Forte de Santa Maria da Arrábida, na altura uma estalagem explorada pelos pais do poeta Sebastião da Gama.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

entre a serra, o mar e o rio

* Victor Nogueira
(texto e fotos)

O tempo tornou-se escasso e do projecto inicial ficaram para outra feita o castelo de Sesimbra e o santuário do Cabo Espichel, lugares de encanto nas minhas deambulações.  Para visitar a Serra o melhor trajecto é de Ocidente para Oriente, com Setubal e o Estuário do Sado no horizonte.

Assim, o trajecto na ida faz-se por Vila Nogueira de Azetão, entrevendo a Quinta da Bacalhoa e passando em desvio pelo centro de Vila Fresca, Oleiros e Aldeia de Irmãos, Não há fotos e a tarde está soalheira embora o vento seja agreste na serrania.  Para trás ficaram a doçaria de Azeitão e a Biblioteca-Museu de Sebastião da Gama, um  dos poetas da serra da Arrábida, conjuntamente com Frei Agostinho da Cruz. Deste último é o poema seginte:

DA SERRA DA ARRÁBIDA

Do meio desta Serra derramando
A saudosa vista nas salgadas
Águas humildes, quando e quando inchadas
Conforme a qual o tempo vai soprando,

Estou comigo só considerando,
Donde foram parar cousas passadas,
E donde irão presentes mal fundadas,
Que pelos mesmos passos vão passando.

Oh! qual se representa nesta parte
Aquela derradeira hora da vida
Tão devida, tão certa, e tão incerta!

Em quantas tristes partes se reparte,
Dentro nesta alma minha, entristecida,
A dor, que em tais extremos me desperta!

Alta Serra deserta, donde vejo
As águas do Oceano duma banda,
E doutra já salgadas as do Tejo:

Aquela saüdade que me manda
Lágrimas derramar em toda a parte,
Que fará nesta saüdosa, e branda?

Daqui mais saüdoso o sol se parte;
Daqui muito mais claro, mais dourado,
Pelos montes, nascendo, se reparte.

Aqui sob-lo mar dependurado
Um penedo sobre outro me ameaça
Das importunas ondas solapado.

Duvido poder ser que se desfaça
Com água clara, e branda a pedra dura
Com quem assim se beija, assim se abraça.

Mas ouço queixar dentro a Lapa escura,
Roídas as entranhas aparecem
Daquela rouca voz, que lá murmura.

Eis por cima da rocha áspera descem
Os troncos meio secos encurvados,
Eis sobem os que neles enverdecem.

Os olhos meus dali dependurados,
Pergunto ao mar, às plantas, aos penedos
Como, quando, por quem foram criados?

poema completo em 
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/fcruz.htm


Pedra da Anixa


Convento Novo


a serra, o mar e o rio



Convento Velho


Pedra da Anixa no Portinho da Arrábida


o Oceano



Núvens


Setúbal vista da Serra da Arrábida




sábado, 29 de novembro de 2014

a crise ou as montras dominantes na baixa comercial de setúbal (centro histórico)



foto victor nogueira - a crise ou as montras dominantes na baixa comercial de setúbal (centro histórico)

poesia de bertold brecht

1. - Quem é teu inimigo?

O que tem fome e te rouba
o último pedaço de pão chama-lo-o teu inimigo.
Mas não saltas ao pescoço
de teu ladrão que nunca teve fome.

2. - O Analfabeto Político

O pior analfabeto
é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo da vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado
e o pior de todos os bandidos:
O político vigarista,
pilantra, corrupto e lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.




 Para disfarçar/esconder a miséria e a fealdade, algumas poucas montras de lojas fechadas exibem fotos gigantescas como esta nas montras, - Foto Victor Nogueira - setúbal - centro histórico (a foto representa o Portinho na Serra da Arrábida) - À esquerda o forte de santa maria, que foi estalagem explorada pelos pais do poeta Sebastião da Gama e que presentemente alberga o Museu Oceanográfico.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012