Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Setúbal - Quiosques desaparecidos - Jardim do Quebedo e outros

* Victor Nogueira

Este quiosque, para venda de bebidas, já não existe em 2020. Aparece acidentalmente em fotos minha de 2017, duas das quais no 1º de Maio,  e no Google Maps em imagem datada de 2015.


Pormenor da foto anterior

 Pormenor da foto anterior

Pormenor da foto anterior

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Google Maps (2015)

















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Houve dois outros quiosques desaparecidos em Setúbal, ambos para venda de jornais e revistas. Um situava-se na Avenida Alexandre Herculano, dele havendo ainda foto no Google Maps, datada de 2015. O outro, junto ao Mercado da Conceção, pertencia ao Américo e à Lisete, onde ia comprar os jornais e dar dois dedos de conversa.


Quiosque que houve na Avenida Alexandre Herculano

Mas lembro-me de alguns outros também de venda de jornais, de que fui cliente. Um deles pertencias ao Palma Bica e situava-se na intersecção da Avenida da República da Guiné-Bissau com a Praça do Brasil e outro na Avenida Dr. Manuel de Arriaga, junto à Vivenda Nossa Senhora da Conceição. Este pertencia a um casal cuja mulher creio que era Mestra na então Escola Industrial e Comercial de Setúbal, onde eu também leccionava.

terça-feira, 28 de julho de 2020

o fiat UC - 91 - 28

 * Victor Nogueira 





O Fiat cujo modelo não identifico foi adquirido pelo meu tio José João já em Portugal e sucedeu aos WW referidos em  «o Wolkswagen de matrícula AHJ - 02 - 24».

A matrícula deste Fiat era UC - 91 - 28. Este carro viajou imenso, em percursos entre Chaves, Porto, Paço de Arcos, Alcácer do Sal, Évora e Setúbal.

A 1ª sequência de fotos, em Paço de Arcos ou em Santo Amaro de Oeias, regista o esforçado trabalho da mudança dum pneu enquanto a assistência se divertia e eu fotografava. 


                   (Fotos Victor Nogueira)









Em Paço de Arcos -  (foto jj castro ferreira)

o fiat uno, de matrícula 69 - 47 - DC

* Victor Nogueira 

Este foi o último carro da minha mãe, sucessor d'«o fiat uno, de matrícula 69 - 47 - DC». Com ele fiz também algumas viagens, sobretudo ao Mindelo e pelo Minho e Douro Litoral. Na foto à direita no local onde ocorreu um dos almoços anuais dos Antigos Alunos e Professores da Escola Industrial de Luanda. Na de baixo, em Setúbal



bólides do Zé Barroso

* Victor Nogueira



Na Penha de Guimarães, em 1959 (autor não identificado) (*)

O meu tio José Barroso, letrado e folgazão, matriculado em Portugal, Espanha ou França em cursos que abandonava  (Letras, Direito, Medicina ...)  comprava carros em 2ª mão, creio que sempre de marca Austin, sólidos como tudo mas incómodos para os passageiros; utilizava-os nas suas idas a Goios com o meu avô, nalguns passeios, designadamente até à Póvoa de Varzim, e no seu negócio de agente de seguros e vendedor de óleos para máquinas agrícolas. Sempre que podia acompanhava-lo nessas passeatas, ele sempre a peguinhar com o meu avô ou contando piadas e o que faria se fosse rico. Dalguns desses bólides restam registos fotográficas de minha autoria

(*) - Na foto Zé Barroso, Zé Luís, Maria Emília e António Barroso, na Penha de Guimarães, em 1959.


Goios 1963 (foto victor nogueira) (Zé Barroso e António Barroso)

Porto - 1968 (Porto - Rua dos Bragas) (foto victor nogueira)
Á janela o meu avô Barroso

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1962
Por cá tudo bem. Tem feito algum frio e há uns dias que não conseguia pegar na caneta para escrever. No dia de Natal fomos a Goios. Gostei do passeio. Ontem o tio [Zé Barroso] foi a Vila Nova de Gaia, a Matosinhos e à Foz do Douro e eu fui com ele. (NSF - 1962.12.21)

Fomos a Goios, aldeia onde nasceu o meu avô Barroso. As estradas da Metrópole são boas e arborizadas. (Diário III - pag. 61)

1963
Fomos a Pedra Furada, a casa da Senhora Deolinda, minha prima em 2º grau. Fica para os lados de Goios, Barcelos, pela EN 13. (...) Os campos estavam inundados devido às chuvadas que têm caído ultimamente.

Que diferença entre estas estradas e as dos arredores de Luanda! Só em Nova Lisboa é que a paisagem é semelhante. Há eucaliptos, pinheiros e videiras ao longo dos caminhos. Apetece passear por aqui. Há uma parte da estrada que é recta, sendo por isso conhecida por "recta do Mindelo". Chegámos ao Mindelo perto das 15 horas. O céu estava bonito, azul, com nuvens brancas. 

Passámos por Vila do Conde. Pouco depois entrámos na estrada de Guimarães, um pouco antes da Póvoa de Varzim. Há aqui um aqueduto muito antigo, nalguns sítios arruinado. (...)  Regressámos a casa de noite. (Diário III 1963.02.14)

O avô Barroso foi à Pedra Furada, mas eu não. Talvez vá para a próxima. Gostava bastante de tornar a ver a Cândida. (Diário III - 1963.02.17)

No dia 14 [Abril. 1963], domingo de Páscoa, fui, com o avô Barroso e o tio Zé a Goios, passando por Famalicão. Almoçámos em Goios, tendo me aborrecido imenso. O "compasso" chegou por volta das 17 horas. À tardinha fomos para a Pedra Furada. Revi com prazer a Lourdes e a Cândida, e fiquei a conhecer a Celeste e a Amélia. Divertimo-nos bastante. (Diário III - pag. 165)

De Braga fomos ao Sameiro, que é bonito. Não gosto muito do estilo do Santuário. Fomos depois ao Bom Jesus, que é muito bonito, com tudo arborizado, havendo água por todo o lado. Interessantes as capelas com imagens [conjuntos escultóricos] da vida de Cristo. Braga é uma cidade com bastantes edifícios modernos. Recentemente os eléctricos foram substituídos por trolley carros. As estradas estão bonitas, os campos cobertos de verdura e as bermas com umas flores chamadas "granjas". (1963.07.06 - Diário III) 

Fomos a Famalicão. Lá vendia-se gado bovino e asinino, cerâmica, louças, roupas, arreios, etc. Há também uma feira semanal às quartas-feiras. No fundo a feira é igual às de Barcelos e Monte Real.e vi algumas mulheres de Viana com os seus trajos típicos. (1963.09.29 - Diário III) 

1968
Fomos até à Póvoa. Uma tarde estival, que me levou a lamentar não ter levado o calção de banho. A cor bronzeada que adquirira e que segundo a Maureen [Baltazar] me dava um ar saudável, desvaneceu se há muito, sendo substituída por uma palidez de leite, que um amigo meu, o Martins Pereira, disse, outrora, ser simplesmente nojenta! Ah!, que saudades eu tenho da praia, do ar livre, dos espaços amplos! (1968.09.27)

bólides do meu avô Luís

* Victor Nogueira

Teve o meu avô Luís vários carros ao longo da vida. Do Citroen Traction Avant MN - 44 - 46 já se falou em A caminho de Mora em 1941. Nos espólios fotográficos encontro três outros carros, dois deles com fotos de minha autoria.

Na Póvoa de Varzim, em 1963 (foto victor nogueira)


(foto victor nogueira)


(Foto Isabel CF)

Em Évora, 1975

Teresa, algures (foto jj castro ferreira)

o Wolkswagen de matrícula AHJ - 02 - 24

* Victor Nogueira

O meu tio José João terá tido em Angola dois Wolkswagen, o segundo dos quais adquirido directamente na Alemanha numa das vezes em que esteve de férias (licença graciosa) em Portugal. O 1º tinha matrícula AHJ -02 - 24. Desconheço a matrícula do segundo. 

O meu tio regressou definitivamente a Portugal creio que logo a seguir ao 25 de Abril e deixou lá este último para que os meus pais o trouxessem, destinado a mim. No entanto foi entretanto furtado e os rapinantes estamparam-no logo de seguida, ficando assim abandonado em Luanda.


João Coimbra e Maria Emília



Maria Emília e Victor


Victor e Zé, de bicicleta


o Fernando (empregado doméstico) e o José João

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João Coimbra, Joaquim Birrento, Zé Luís e Victor


Joaquim Birrento
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fotos jj castro ferreira e outros, 1958 / 59 para o AHJ - 02 - 24

o Citroen ID 19 de matrícula APG - 06 - 50, mas não só

* Victor Nogueira


Este foi o sucessor da Morris Minor e terminou a vida como sucata. Vindo de Angola aquando da independência, com ele o meu pai sofreu um acidente rodoviário na zona de Belém, em Lisboa, enfeixando-se num carro, ficando irrecuperável. Com ele viajavam uma amiga e os netos, o Rui e a Susana. Aparentemente nada tendo sofrido, estava todo descontraído no banco de urgência quando um médico ao passar, olhou para ele e disse qualquer coisa como "Este homem vai já para o bloco operatório". Apercebera-se que o meu pai tinha uma hemorragia interna e se não tivesse sido imediatamente operado ter-se-ia esvaído em sangue. Os netos nada sofreram mmas a amiga, que viajava no banco da frente, ficou com o rosto ferido pelos estilhaços do para brisas. Em Angola a matrícula era APG - 06 - 50, mas não fixei a que lhe foi atribuída ao fazer o registo em Portugal.  Na 1ª foto vê-se um jeep Land-Rover, mas não tenho qualquer ideia de termos tido um.


Na Praia do Bispo





A caminho de Malange e das Quedas de Calandula (então chamadas do Duque de Bragança)

Num piquenique



Com as filhas do Engº Araújo, a mais velha chamada Vitória

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Após o carro acima referido o meu pai em Portugal teve vários automóveis comprados em 2ª mão, de várias marcas e modelos, como Citroen ID 19, Renault 4 e Renault 5,  Da maioria desses carros não há registo fotográfico, salvo os que se seguem.



Algures


Em Paço de Arcos - Presumo que à direita esteja o Ford Fiesta 25 - 29 - CX



Em Carcavelos


Em Paço de Arcos





a carrinha Chevrolet e os picnics

* Victor Nogueira

Não me recordo se o meu pai teve ou não uma carrinha Chevrolet, anterior ou posterior à  Austin Mini Cooper, uma vez que precisava duma para o transporte de materiais para as obras de construção civil que a partir de certa altura tomava de empreitada. Mas muitas vezes ele conduzia uma Chevrolet da Direcção Provincial de Obras Públicas, pelo que tendo ou não sido proprietário de uma, aqui fica este post nos "carros da família".


Foto de família - picnic em Luanda - cerca de 1960 - á esquerda em pé o meu pai e ao lado o meu tio José João. Em terra, em 1º plano, o meu irmão e o escriba. Não estando a minha mãe, a fotógrafa deve ter sido ela. Para  protecção do sol usavam-se  bonés e chapéus de palha, alguns destes  eram improvisados, cónicos, feitos a partir de folhas de jornal.


As carrinhas eram de caixa aberta, com uma grade atrás da cabine, como se vê na foto. Um dos prazeres da miudagem era viajarmos na caixa, de pé, agarrados à grelha, com o vento a bater-nos no rosto.

Nestes picnics a comida era  cozinhada no local ou transportada em arcas térmicas e as bebidas (cervejas e sumos refrigerantes (Coca Cola, Pepsi Cola, 7 Up, Canada Dry ....) mantidas frescas em  caixotes de munições forrados interiormente de alumínio e cheios com gelo picado, que se comprava  aos blocos numa célebre sorveteria e cervejaria de Luanda, o "Baleizão".

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Era costume usar-se a camisa por fora das calças ou dos calções. Tal prática era proibida no liceu, onde por essa altura o contínuo me tentou impedir a entrada, apesar de lhe dizer que as balalaicas ou camisas casaco (com bolsos de chapa por altura da cintura) não se enfiavam por dentro dos calções. Depois duma acesa argumentação lá o consegui convencer e deixou-me entrar.

Em Angola era costume o uso da balalaica. Usei-a nos anos '60 quando vim para Portugal prosseguir estudos universitários e continuaram a usá-la mesmo depois da independência das ex-colónias muitos que delas provieram, como o meu  pai e o meu tio José João. Era uma peça de vestuário fresca e prática

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As fotos seguintes constam do espólio familiar e contêm outras carrinhas dessa época, apenas a título memorialista.






Em Uíge, onde vivemos cerca de um anos, ou em Luanda, nos idos de '47 / ' 48 do século XX



Em Luanda, na Rua Frederico Welwitsch, c. 1951


Em Luanda, no Bairro do Cruzeiro, destinado a funcionários do Estado, conjuntamente com o da Praia do Bispo. Na foto o Zé Luís e a empregada doméstica, a Luísa Pereira. No Bairro do Cruzeiro morava um dos colegas do meu pai e amigo da família, o Esteves, que tinha dois filhos, nossos companheiros de folguedos, a Elsa e o Valdemar.