Um bom conversador, lembra Rui Prata, comissário dos Encontros da Imagem de Braga. Um homem enérgico, lembra Sérgio Mah, comissário da participação portuguesa na Bienal de Veneza sobre a figura de Gérard Castello -Lopes. Em comum assinalam também a perda de uma figura importante da fotografia portuguesa, apesar do nome que carregava o ligar ao cinema. Gérard Castello-Lopes morreu hoje, em Paris, aos 85 anos. Tinha "uma doçura no olhar", lembra António Barreto.
Sérgio Mah, professor universitário e comissário da participação portuguesa na Bienal de Veneza
Rui Prata, comissário dos Encontros da Imagem de Braga
“É uma figura importante da cultura portuguesa e muito marcante para a fotografia portuguesa que se perde. Teve um papel relevante na nossa fotografia, nas décadas de 1950 e 1960, regressando depois em força após o 25 de Abril pela mão de António Sena e da galeria Ether. Lembro, como pessoa, um bom conversador.”
António Pedro Ferreira, fotojornalista
Fernando Lopes, cineasta
“Teve uma grande importância para mim como fotógrafo, mas sobretudo era um grande amigo. Eu tinha-o visto há um ano e meio, mas ele já não reconhecia ninguém. Como fotógrafo, ele é um dos maiores fotógrafos portugueses do século XX, sem dúvida. E mesmo internacionalmente. A obra dele felizmente está nos museus de fotografia”.
Tereza Siza, historiadora e crítica de fotografia
“Desaparece um meu amigo íntimo, um colega com quem eu falava verdadeiramente de fotografia. Conheci-o numa exposição no Centro Cultural Gulbenkian, em Paris, em 1995. Ele exagerava sempre essa dívida relativamente a Bresson. A sua fotografia tem um carácter bem original, mesmo do ponto de vista conceptual. Ele teve várias vidas e várias actividades, mas a mais importante é como fotógrafo. Era uma pessoa com uma grande curiosidade e uma grande vontade de aprender. Passávamos horas e horas a discutir fotografia.”
Notícia actualizada às 21h04.
.
Morreu Gérard Castello-Lopes, fotógrafo
e distribuidor de cinema 
Morreu hoje em Paris o fotógrafo e distribuidor de cinema Gérard Castello-Lopes, disse um familiar à Lusa.
Gérard Castello-Lopes nasceu em Vichy, em 1925. Viveu em Lisboa, Cascais, Estrasburgo, onde fez parte do Corpo Diplomático da Missão Permanente de Portugal junto do Conselho da Europa. Mais tarde, fixou residência em Paris.
Licenciado em Economia pelo ISCEF acabou por se dedicar ao cinema, fotografia e crítica. Gerente da sociedade de filmes Castello-Lopes, dedica-se à fotografia a partir de 1956.
"A sua 'formação' como fotógrafo foi a de um autodidacta, como quase todos os outros fotógrafos dessa época. A sua aprendizagem não foi escolar (não havia cursos de fotografia) e baseou-se por um lado, numa natural pulsão de representar a realidade, por outro, num intenso interesse pelas outras artes plásticas ou representacionais, como a pintura, a escultura, o cinema e a própria fotografia. O método consistiu em aprender os fundamentos técnicos da fotografia - o que se aprende facilmente nos livros -, definir uma orientação sobre o "objecto" preferencial da sua actividade fotográfica (tomando Henri
Cartier-Bresson como paradigma), e cotejar continuamente o resultado do que ia produzindo com o 'corpus' fotográfico que lhe era facultado pelas revistas e livros estrangeiros da especialidade, na ausência ou na ignorância dum 'corpus' equivalente português. Na sua essência, o método foi pragmático ou, como se diz em inglês, de tentativa e erro", pode ler-se na sua síntese biográfica publicada no site da Galeria Fernando dos Santos.
Foi ainda assistente de realização do filme português "Os Pássaros de Asas Cortadas" (1962), co-autor e assistente de produção e realização, juntamente com Fernando Lopes e Nuno de Bragança, da curta-metragem "Nacionalidade: Português" (1970), presidente do júri do Instituto Português de Cinema durante o período de 1991 a 1993 e membro fundador do Centro Português de Cinema.
Foi ainda membro do Conselho Consultivo da Culturgest.
Notícia em actualização
Óbito/Gérard Castello-Lopes
Fotógrafo que viveu entre França e Portugal morre em Paris
.
.
