Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Aleksandr Ródtchenko - O olhar do pioneiro da fotografia moderna


Antonio Gonçalves Filho - O Estado de S. Paulo
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Arte e política sempre foi uma dobradinha perigosa, mas, no caso do russo Aleksandr Ródtchenko (1891-1956), essa mistura teve um desdobramento explosivo. Vanguardista de primeira hora, um ano antes da Revolução Russa ele alugou uma casa vazia na Rua Petrovka, em Moscou, e organizou uma exposição futurista junto a outros artistas que ficariam famosos - Maliévitch e Tatlin, entre eles -, antes de ser chamado para o serviço militar. Após a desmobilização, em 1917, de volta a Moscou, fundou o Sindicato de Artistas Pintores, virou secretário da esquerdista Federação Jovem e começou a trabalhar numa série de composições abstratas. Tudo caminhou bem até surgir Stalin e seu realismo socialista. Mesmo com a feroz censura e perseguição do ditador aos vanguardistas, Ródtchenko sobreviveu para se tornar o maior nome da fotografia experimental russa. E é com esse título que sua obra chega ao Brasil para a primeira grande retrospectiva do fotógrafo, que será aberta nesta quinta, 4, na sede do Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro.
Reprodução
Reprodução
Composição oblíqua de 1929, recurso usado antes por Eisenstein no filme 'O Encouraçado Potemkin'
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Veja também:
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Os paulistanos não precisam ficar com inveja. A gigantesca mostra chega a São Paulo em fevereiro e ocupará a Pinacoteca do Estado, reunindo não só as fotos mais conhecidas de Ródtchenko como suas primeiras fotomontagens futuristas, as capas feitas para os livros do poeta e amigo Vladimir Maiakóvski (1893-1930), as colagens satíricas para revistas de arte, os projetos de cartazes para documentários de Dziga Vertov (1896-1954) e dezenas de instantâneos registrados como fotojornalista. São imagens de tal força criativa que, quase um século depois, parecem ter sido captadas ontem, como observa Olga Svíblova, curadora da mostra e diretora do Museu Casa da Fotografia de Moscou, que emprestou parte dessa valiosa coleção. A mostra tem também impressões vintage pertencentes a colecionadores particulares.
Introdutor da estética construtivista na fotografia, Ródtchenko pesquisou métodos para aplicar os princípios estéticos do movimento a essa linguagem, sendo pioneiro na composição diagonal, que confere movimento à imagem e destaca a grandiosidade das formas - objetivo, aliás, do construtivismo, que ligava a emancipação artística às transformações sociais e arquitetônicas da metrópole na nova ordem surgida com o socialismo. Na mostra há vários exemplos desse olhar positivista que, em 1943, ficaria desiludido ao ver o regime stalinista usar a arte como ferramenta política para manipular o povo. Em seu diário, nesse mesmo ano, Ródtchenko conclui ter nascido cedo ou tarde demais para ver a arte separada da política. "Eu quero levar o povo à arte, não usar a arte para levá-lo a algum lugar."
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Cabe lembrar que Malevitch, que discordava de Ródtchenko sobre a instrumentalização ideológica da arte - o suprematista defendia a autonomia artística -, usou pela primeira vez o termo construtivista para definir um trabalho de Ródtchenko de 1917, justamente no ano da revolução blochevique. A poesia de Maiakóvski, marcada pela influência de Nicolai Asseiev e pelo cinema de Eisenstein - para o qual Ródtchenko desenhou cartazes - são filhos do construtivismo russo, que tentou conciliar experimentação formal com militância ideológica. O fotógrafo, por exemplo, registrou com entusiasmo as primeiras manifestações coletivas da nascente União Soviética e seguiu acompanhando a movimentação dos populares, seja nas reportagens sobre comerciantes de rua dos anos 1920 ou nos desfiles na Praça Vermelha nos anos 1930.
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A evolução do trabalho fotográfico de Ródtchenko pode ser notada claramente nos primeiros anos - das fotomontagens que serviam de ilustrações para livros dos anos 1920 (de Maiakóvski) ele passa à geometrização da paisagem nos anos 1930, fotografando monumentos e praças de Moscou numa angulação insólita, diagonal, que até hoje impressiona os fotógrafos pós-modernos. Ródtchenko, segundo Aleksandr Lavréntiev, "transformou a foto documental em arte". Esse papel de pioneiro do modernismo da ex-União Soviética nunca lhe foi negado, mas as formas de composição de Ródtchenko foram contestadas como originais em 1928, quando a revista Soviétskoe Foto insinuou que as fotos angulares dos pinheiros e sacadas de prédios feitas por ele deviam algo às experimentações do húngaro László Moholy-Nagy, na época fora da Bauhaus e editando uma revista de fotografia vanguardista, a International Revue. Moholy-Nagy jamais negou que sua principal influência fosse a escola construtivista russa.
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Ruttmann. No fim dos anos 1920, no entanto, Ródtchenko parecia mais interessado no cinema experimental de Dziga Vertov e do alemão Walter Ruttmann (1887-1941), que dirigira em 1927 o hoje clássico Berlim, Sinfonia de Uma Metrópole, um semidocumentário sem narrador sobre o cotidiano da cidade alemã, francamente influenciado pela teoria da montagem eisensteiniana e simpático às classes menos favorecidas. Tanto é verdade que as fotos do período que integram a retrospectiva são marcadas pela estética de Ruttmann, seja no enquadramento arquitetônico ou na perspectiva com que registra populares andando pelas ruas. Seguiu assim até 1933, ano em que declarou seu esgotamento formal.
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Dois momentos em particular devem atrair os visitantes da mostra. O primeiro mostra a foto da mãe do artista em 1924, em que metade do enquadramento destaca um lenço de cabeça e outra metade um par de óculos dobrado - lavadeira, ela começou a ler em idade avançada. No mesmo ano ele registrou várias imagens do amigo Maiakóvski contra a parede de seu laboratório. São as fotos mais conhecidas do poeta e revelam uma sintonia perfeita entre os amigos, tanto pela simplicidade da composição - não há artifícios - como pelo despojamento do cenário. Como se vê, modernidade era mesmo com Ródtchenko.
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Ródtchenko: Revolução na Fotografia
Instituto Moreira Salles (Rio). Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea. Inauguração quinta, 4, às 19h30. Até janeiro de 2011. A partir de fevereiro, a mostra ocupará a Pinacoteca do Estado, em São Paulo.
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http://www.danyanovikov.narod.ru/rofo/rodlogos2.html 

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Livro apresenta 400 fotos inéditas de Frida Kahlo

30 de Junho de 2010 às 10:00
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A obra, coordenada pelo fotógrafo Pablo Ortiz Mosteiro, tem uma tiragem inicial de quatro mil exemplares e será traduzida para o francês, inglês, alemão e português, assinala a nota.
Foto: Getty Images    Legenda: Livro reúne imagens inéditas de 
Frida Kahlo
Foto: Getty Images Legenda: Livro reúne imagens inéditas de Frida Kahlo
Um livro com mais de 400 fotografias da pintora mexicana Frida Kahlo, seus amigos e diversos momentos de sua vida, em grande parte imagens "inéditas", foi apresentado hoje na capital mexicana.
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A editora RM e o Museu Frida Kahlo, situado na Casa Azul do bairro de Coyoacán, onde a artista viveu, co-editaram a obra "Frida Kahlo: suas fotos", de 552 páginas, que além das 401 imagens contém vários ensaios de especialistas na pintora.
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A obra, coordenada pelo fotógrafo Pablo Ortiz Mosteiro, tem uma tiragem inicial de quatro mil exemplares e será traduzida para o francês, inglês, alemão e português, assinala a nota.
Ele foi elaborado com parte das 6,5 mil fotografias encontradas no dia 14 de junho de 2007, quando foram tornados públicos arquivos, que permaneceram fechados por mais de meio século em quartos do Museu Frida Kahlo-Casa Azul. Havia 22.105 documentos entre cartas, fotografias, desenhos, rascunhos e brinquedos.
O livro se divide em sete temas. As origens de Frida, seus pais, a Casa Azul, seu acidente, os amores da artista, a fotografia de autores famosos e a luta política da artista.
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Entre os artistas destacados que aparecem há imagens dos mexicanos Lola e Manuel Álvarez Bravo, Man Ray, Martin Munkácsi e Tina Modotti; assim como imagens de personalidades que Frida conheceu, como Henry Ford, Rufino Tamayo, Marcel Duchamp e Paulette Goddard.
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Também se encontram imagens das atrizes María Félix e Dolores del Río, do produtor de cinema Arcady Boytler, da também pintora Alice Rahon, do fotógrafo Edward Weston, do diretor de cinema e teatro Sergéi Eisenstein, do surrealista francês André Breton, e do político russo León Trotsky.
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Por outro lado, foram escolhidos "os retratos familiares mais representativos do arquivo da artista", um conjunto de auto-retratos de Guillermo Kahlo, pai da pintora, e imagens de Frida "que documentam a forma como a artista foi construindo sua forte personalidade".
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"Fotografada por seu pai desde muito pequena, Frida soube posar para as câmaras durante toda sua vida e, não poucas vezes, foi retratada pelas mãos de grandes artistas", acrescenta o boletim.
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A obra "ressalta o interesse de Frida pela arte fotográfica e sua relação com fotógrafos famosos cujas imagens mostram a visão particular que estes artistas tinham do México e de seus protagonistas", conclui a nota da editora e do museu.

 

Galeria de Fotos

Foto: Getty Images    Legenda: Livro reúne imagens inéditas de 
Frida Kahlo
 
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http://www.grandefm.com.br/cultura/livro-apresenta-400-fotos-ineditas-de-frida-kahlo
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AE - Agência Estado
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Se o mundo tivesse acreditado nas inocentes mentiras da pintora mexicana Frida Kahlo, este ano seria comemorado seu centenário do nascimento (ela dizia ter nascido em 1910). Mas, como existem cartórios de registro civil, ele já foi comemorado três anos atrás. A mais popular entre as mulheres pintoras, nascida oficialmente em 1907 e morta em 1954, escondia outras coisas além da idade. Parte desse mistério é desvendado agora com o lançamento do livro "Frida Kahlo - Suas Fotos" (Cosac Naify) com mais de 400 fotografias do arquivo Museu Frida Kahlo sob a guarda do Banco do México, selecionadas pelo fotógrafo, editor e curador mexicano Pablo Ortiz Monastério.
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Publicada simultaneamente com a Editorial RM, do México, a edição brasileira do livro, tiragem única com 7 mil exemplares, chega às livrarias neste fim de semana e mostra por meio de imagens a trajetória da pintora surrealista casada com o pintor Diego Rivera. E é justamente a relação dos dois o tema de outro livro, "Diego e Frida", originalmente publicado em 1993 pelo Nobel francês J.M. Le Clézio e agora lançado pela Editora Record. Muitos fatos omitidos pelo autor em sua biografia são revelados no livro das fotos da artista, que durante muito tempo ficaram distante do olhar indiscreto do público.
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São fotos que explicam sua obsessão por autorretratos herdada do pai, um fotógrafo judeu de origem alemã, e escancaram a liberdade sexual da artista, amante tanto de personagens históricos - o líder revolucionário Leon Trotski - como de mulheres emancipadas, entre elas a fotógrafa Tina Modotti e Tara Pandit, sobrinha do ex-primeiro ministro indiano Jawaharlal Nehru. Parece claro que Diego Rivera, que traía Frida com mais frequência, pretendia manter certa discrição sobre esses relacionamentos. Tanto que, ao fazer a doação do acervo fotográfico da mulher ao Banco do México, pediu que o material fosse guardado e só se tornasse público 15 anos depois de sua morte. A empresária, musicista e filantropa mexicana Dolores Olmedo, amiga do casal, guardou o acervo por 50 anos. Após sua morte, em 2002, ele foi finalmente aberto e catalogado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Frida Kahlo - Suas Fotos - Organizador: Pablo Monastério. Editora Cosac Naify. Preço: R$ 120.
Diego e Frida - J.M. Le Clézio. Editora Record. Tradução: Vera Lúcia dos Reis. Preço: R$ 39,90. 
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 http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,livro-de-fotos-revela-trajetoria-da-pintora-frida-kahlo,574125,0.htm

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Antonio Gonçalves Filho - O Estado de S.Paulo
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Um dos mais conhecidos quadros de Frida Kahlo, de 1939, mostra duas irmãs siamesas sentadas de mãos dadas e com os dois corações unidos pela mesma artéria. Para o escritor francês J.M. Le Clézio, trata-se do mais sincero autorretrato feito pela pintora entre os muitos que pintou. As Duas Fridas seriam tanto a artista sonhadora que vivia nas nuvens como a mulher sofrida que aos 6 anos foi atingida por uma poliomielite e aos 18 teve a coluna vertebral fraturada num acidente de ônibus. Le Clézio se propõe, em seu livro, a contar a turbulenta história de amor dessa mulher dividida com o também pintor Diego Rivera, mas, discreto, evita outros casos - com homens e mulheres - que esclarecem muito sobre a vida da pintora surrealista - rótulo, aliás, que detestava. Assim, o livro Frida Kahlo - Fotos, com lançamento mundial no Brasil, Alemanha, Canadá, EUA, França e México, avança no ponto em que Le Clézio recua, mostrando como a garota precoce construiu sua autoimagem fazendo intervenções em alguns de seus retratos, seja melhorando seu rosto ou eliminando os de pessoas que, de algum modo, detestava, como a segunda mulher de Rivera, Lupe Marín, cujo rosto rasgou numa das fotos.
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Embora negasse ser fotógrafa, Frida herdou do pai o talento e a mania dos autorretratos, gênero cuja presença na história da arte revela uma tentativa de autoconhecimento, mais do que pura vaidade. E ela produziu inúmeros deles, além de fotos experimentais como as de seu pai, fotógrafo profissional. A mais impressionante faz alusão ao acidente sofrido em 17 de setembro de 1925, em que o corrimão de um ônibus transpassou-lhe o ventre e saiu por sua vagina: trata-se de uma boneca de pano jogada ao lado de um cavalinho de madeira. Outra mórbida alusão à tragédia é a foto de uma caveira de arame largada num jardim. Não são fotos assinadas, como as do pai, mas a diretora do Museu Frida Kahlo, Hilda Trujillo Soto, que fez a catalogação do arquivo, garante serem ambas obras da pintora.
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No acervo da Casa Azul onde morou Frida, foram encontradas, segundo a diretora, fotografias de Stalin que a pintora utilizou para fazer seu último quadro, inacabado, Frida e Stalin (1954). Foi um dos seus poucos quadros "revolucionários" em que pintou, por miopia ideológica, o retrato do sanguinário ditador morto um ano antes. Frida era comunista, mas fez de sua pintura um exercício intimista de autorretratos e naturezas-mortas, ao contrário de Rivera, que dividia com ela a mesma ideologia e pintou retratos de líderes comunistas russos - um deles o de Lenin, imiscuído num painel encomendado (e destruído) pelo milionário americano Rockefeller em 1933. Rivera, contraditório, também admirava profundamente o bilionário Henry Ford, de quem se tornou amigo.
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Le Clézio diz que Frida, descendente de judeus, jamais entendeu a paixão do marido por Henry Ford, antissemita assumido. No entanto, cumpriu à risca o papel que lhe reservaram nessa encenação teatral em solo americano. Nela, "Diego fazia o papel de libertador e ela, o de princesa asteca", segundo o Nobel francês. Foi lá o começo da derrocada amorosa do casal. Não sem razão, tanto Trotski como o líder do movimento surrealista André Breton entraram na vida dos dois no momento em que essa união se desfazia, em 1936. Le Clézio sustenta que Frida seduziu Trotski em 1937 por capricho, fazendo o revolucionário se comportar como um colegial, com direito a bilhetinhos e encontros secretos.
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Já a pintora, segundo um dos ensaístas do livro de fotos, o curador Pablo Ortiz Monasterio, teria sido ao mesmo tempo a Blanche DuBois e o Stanley Kowalski da peça Um Bonde Chamado Desejo. Ou seja, "frágil e patética como ela e forte e sedutora como ele". Confere. O biógrafo Le Clézio diz o mesmo de sua dividida personalidade: "Ele (Rivera) é o homem nela; ela (Frida), a mulher nele", resume, definindo a relação do casal como um doentio ritual de interdependência, em que Frida seria uma Jocasta a cuidar de um gigante da arte mexicana como se fosse um menino perdido. Díspares, ambos foram criadores e revolucionários, mas a seu modo. O engajamento político de Frida, reforçado por sua relação com a fotógrafa Tina Modotti, não impediu que ela separasse arte e política - ela mesma dizia que sua pintura não era revolucionária. Tampouco que considerasse seus amigos surrealistas idiotas. Le Clézio afirma que ela passou a detestar Breton e sua turma de "estúpidos intelectuais". O mesmo sentimento ambivalente ela conservou com relação à mãe, quase ignorada no livro do Nobel, mas analisada no livro de fotos por Masayo Nonaka: os trajes regionais e o gosto por chamar a atenção vieram dela. Sem Matilde Calderón (1876-1932) o mundo jamais teria conhecido a Frida de trajes indígenas e coque.
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UMA VIDA EM IMAGENS
Obsessão
Ao fotografar brinquedos populares em 1929, Frida recria a cena de seu trágico acidente de 1925.
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Paixão
Frida Kahlo ao lado de Tina Modotti (1928): fotógrafa foi mentora ideológica e a mulher que mais admirou
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Moderna
A emancipada Frida fumando na Casa Azul, hábito que provocava a sociedade mexicana em 1930.


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100630/not_imp573907,0.php

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Livro apresenta 400 fotos inéditas de Frida Kahlo
México, 26 jun (EFE).- Um livro com mais de 400 fotografias da pintora mexicana Frida Kahlo, seus amigos e diversos momentos de sua vida, em grande parte imagens "inéditas", foi apresentado hoje na capital mexicana.
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A editora RM e o Museu Frida Kahlo, situado na Casa Azul do bairro de Coyoacán, onde a artista viveu, co-editaram a obra "Frida Kahlo: suas fotos", de 552 páginas, que além das 401 imagens contém vários ensaios de especialistas na pintora.
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A obra, coordenada pelo fotógrafo Pablo Ortiz Mosteiro, tem uma tiragem inicial de quatro mil exemplares e será traduzida para o francês, inglês, alemão e português, assinala a nota.
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Ele foi elaborado com parte das 6,5 mil fotografias encontradas no dia 14 de junho de 2007, quando foram tornados públicos arquivos, que permaneceram fechados por mais de meio século em quartos do Museu Frida Kahlo-Casa Azul. Havia 22.105 documentos entre cartas, fotografias, desenhos, rascunhos e brinquedos.
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O livro se divide em sete temas. As origens de Frida, seus pais, a Casa Azul, seu acidente, os amores da artista, a fotografia de autores famosos e a luta política da artista.
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Entre os artistas destacados que aparecem há imagens dos mexicanos Lola e Manuel Álvarez Bravo, Man Ray, Martin Munkácsi e Tina Modotti; assim como imagens de personalidades que Frida conheceu, como Henry Ford, Rufino Tamayo, Marcel Duchamp e Paulette Goddard.
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Também se encontram imagens das atrizes María Félix e Dolores del Río, do produtor de cinema Arcady Boytler, da também pintora Alice Rahon, do fotógrafo Edward Weston, do diretor de cinema e teatro Sergéi Eisenstein, do surrealista francês André Breton, e do político russo León Trotsky.
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Por outro lado, foram escolhidos "os retratos familiares mais representativos do arquivo da artista", um conjunto de auto-retratos de Guillermo Kahlo, pai da pintora, e imagens de Frida "que documentam a forma como a artista foi construindo sua forte personalidade".
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"Fotografada por seu pai desde muito pequena, Frida soube posar para as câmaras durante toda sua vida e, não poucas vezes, foi retratada pelas mãos de grandes artistas", acrescenta o boletim.
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A obra "ressalta o interesse de Frida pela arte fotográfica e sua relação com fotógrafos famosos cujas imagens mostram a visão particular que estes artistas tinham do México e de seus protagonistas", conclui a nota da editora e do museu.
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 http://www.google.com/hostednews/epa/article/ALeqM5jxlmfLQTmeEH_Of_3qRG5EUbUpiA

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Livro apresenta 400 fotos inéditas de Frida Kahlo

segunda-feira, 22 de março de 2010

Doisneau, um olhar terno para o mundo


Autor da imagem mais reproduzida do pós-guerra fez da foto ofício poético

21 de março de 2010 | 0h 00
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Antonio Gonçalves Filho - O Estadao de S.Paulo
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O beijo na calçada (Le Baiser du trottoir), por Robert Doisneau
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A foto de Robert Doisneau acima, que mostra um casal se beijando há 60 anos em frente ao Hôtel de Ville, em Paris, é carregada de nostalgia e de um olhar terno, características que marcaram o estilo do fotógrafo. Por ironia, Doisneau não foi treinado para desenvolver esse olhar subjetivo, mas registrar máquinas de forma objetiva - ele iniciou sua carreira como funcionário da Renault, fotografando carros. No entanto, seu famoso beijo, que já vendeu quase 500 mil cópias - recorde mundial de exemplares tirados de uma imagem original - é uma prova de que o trabalho jornalístico pode ser sinônimo do artístico e incorporar detalhes de uma história pessoal, como no ensaio sobre o comportamento dos jovens parisienses encomendado pela revista americana Life em 1950 e que resultou no beijo.
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Durante muito tempo circulou a versão de que os personagens dessa reportagem formassem um casal chamado Jean e Denise Lavergne - finalmente desmascarados como dois impostores quando surgiram os verdadeiros nomes dos protagonistas da história, Françoise Bornet e Jacques Cateaud. A história é fascinante: sentado num bar, Doisneau contemplava a paisagem em busca de inspiração quando topou com o casal. Ele, então, abordou os dois e descobriu que eram atores amadores, propondo em seguida que posassem para a legendária foto. A identidade do casal foi descoberta por meio de um número, 21.039, que identificava a foto do beijo nos arquivos do fotógrafo e foi presenteada pelo próprio Doisneau à linda Françoise Bornet. Um belo presente para o casal mais famoso da história da fotografia: o exemplar original valia há algum tempo mais de 20 mil euros.
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A carreira de Doisneau não perseguiu, porém, a meta publicitária hoje comum entre profissionais do ramo. Talvez seja por isso que não se encontra facilmente uma imagem contemporânea capaz de provocar tanto encanto e emoção quanto seus flagrantes de personagens anônimos em situações engraçadas, como o dos dois irmãos gêmeos que fazem acrobacias numa rua de Paris, em 1934, observados por outros dois garotos também vestidos com roupas absolutamente idênticas. Também por ela Doisneau já foi definido como um mestre intuitivo do absurdo e do incomum. Ele costumava dizer que a vida não era alegre e, justamente por esse motivo, o humor surge como uma espécie de refúgio "no qual a emoção que sentimos é aprisionado".
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Sonho americano. Lazer em Palm Springs (EUA) 1960
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O senso ético de Doisneau é outro aspecto de sua personalidade difícil de ignorar. Em maio de 1936, quando foi eleita a Frente Popular, que levou à criação de um governo de esquerda liderado por Léon Blum, Doisneau recusou-se a fotografar os operários da greve para protegê-los de possíveis represálias dos patrões. Esse é o lado menos conhecido de sua história. Frequentemente, ele é lembrado como fotógrafo de moda de revistas como Vogue, que o contratou em 1949, um ano antes da foto do beijo, mas Doisneau gostava mesmo era de registrar o homem da ruas. Impressiona a série de fotografias feitas na ex-União Soviética em 1968 para La Vie Ouvrière (A Vida Operária). Jean-François Chevrier fala do desejo de Doisneau de "fixar aquilo que está em vias de desaparecer e deixar a lembrança do pequeno mundo que conheceu".
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Um olhar retrospectivo para essa história confirma as palavras do escritor, associando seu nome aos dos grandes humanistas da fotografia, especialmente o pioneiro Eugène Atget, que fotografava anônimos nas ruas parisienses no início do século passado, e Henri Cartier-Bresson (1908-2004), de quem se tornou amigo. Eram tão companheiros que, na cerimônia fúnebre de Doisneau, em 1994, Cartier-Bresson atirou ao túmulo do amigo a metade de uma maçã, comendo a outra metade, num gesto simbólico de fraternidade eterna.
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Ao contrário de Cartier-Bresson, que perseguia um ideal estético ligado à tradição pictórica, compondo suas fotos como quem pinta um quadro, Doisneau não parecia tão interessado no enquadramento como nos personagens das cenas que retratava. Não que ele desprezasse o rigor formal do amigo. Ao contrário. O fotógrafo conviveu com grandes personalidades do mundo intelectual francês como o poeta Jacques Prévert (é dele sua melhor foto, sentado ao lado do cão num parque parisiense em 1955), o cineasta Jacques Tati e o pintor Picasso. Mas foi com o amigo Robert Giraud que seu imaginário se desenvolveu, quando o reencontrou e este o conduziu como um Caronte pelo mundo dos humilhados e ofendidos da rua Mouffetard no começo dos anos 1950 - é dessa fase a foto do acordeonista cego (1951) na esquina, solitário e ignorado pelos passantes.
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Por tudo isso é compreensível que se recorde Doisneau em preto-e-branco, surpreendendo, portanto, a exposição de suas fotos em cores na Galeria Claude Bernard, em Paris. Nessa sua breve passagem pelos EUA há 50 anos, Doisneau, que detestava viajar, topou com o artificialismo de Palm Springs, mas também com figuras que os cineastas na nouvelle-vague francesa chamavam de gênios, entre elas o comediante Jerry Lewis, que fotografou durante uma filmagem. Lewis sempre foi a autocrítica bem-humorada da América que sonha as cores publicitárias da foto maior ao lado. O olho treinado de Doisneau logo percebeu que estava diante de um ícone - e o melhor que se tem a fazer diante dele é prestar reverência. Foi justamente o que fez.
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2 Leonardo Amaro Rodrigues
21 de março de 2010 | 20h 49
Muita história fotografias incriveis . a vida e a obra de um mestre !
assim como Henri Cartier Bresson . um grande artista !
ótima matéria merecemos mais livros dos grande homens da fografia editados aqui no Brasil ! é uma vergonha não temos quase nada ... um abraço a todos
1 Luiz Carlos de Melo Filho
21 de março de 2010 | 16h 18
O que falar de Doisneau?Muitos falam do momento decisivo de Bresson, mas Doisneau era genial ao associar sensibilidade, oportunismo e intuição ao seus inúmeros "momentos decisivos". Pra mim, o maior.
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