.
Castro Barroso Gato Nogueira - Blog Photographico - lembrança da moça do Alentejo
Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui
“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)
«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Aleksandr Ródtchenko - O olhar do pioneiro da fotografia moderna
.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Livro apresenta 400 fotos inéditas de Frida Kahlo
A editora RM e o Museu Frida Kahlo, situado na Casa Azul do bairro de Coyoacán, onde a artista viveu, co-editaram a obra "Frida Kahlo: suas fotos", de 552 páginas, que além das 401 imagens contém vários ensaios de especialistas na pintora.
A obra, coordenada pelo fotógrafo Pablo Ortiz Mosteiro, tem uma tiragem inicial de quatro mil exemplares e será traduzida para o francês, inglês, alemão e português, assinala a nota.
Ele foi elaborado com parte das 6,5 mil fotografias encontradas no dia 14 de junho de 2007, quando foram tornados públicos arquivos, que permaneceram fechados por mais de meio século em quartos do Museu Frida Kahlo-Casa Azul. Havia 22.105 documentos entre cartas, fotografias, desenhos, rascunhos e brinquedos.
O livro se divide em sete temas. As origens de Frida, seus pais, a Casa Azul, seu acidente, os amores da artista, a fotografia de autores famosos e a luta política da artista.
Entre os artistas destacados que aparecem há imagens dos mexicanos Lola e Manuel Álvarez Bravo, Man Ray, Martin Munkácsi e Tina Modotti; assim como imagens de personalidades que Frida conheceu, como Henry Ford, Rufino Tamayo, Marcel Duchamp e Paulette Goddard.
Também se encontram imagens das atrizes María Félix e Dolores del Río, do produtor de cinema Arcady Boytler, da também pintora Alice Rahon, do fotógrafo Edward Weston, do diretor de cinema e teatro Sergéi Eisenstein, do surrealista francês André Breton, e do político russo León Trotsky.
Por outro lado, foram escolhidos "os retratos familiares mais representativos do arquivo da artista", um conjunto de auto-retratos de Guillermo Kahlo, pai da pintora, e imagens de Frida "que documentam a forma como a artista foi construindo sua forte personalidade".
"Fotografada por seu pai desde muito pequena, Frida soube posar para as câmaras durante toda sua vida e, não poucas vezes, foi retratada pelas mãos de grandes artistas", acrescenta o boletim.
A obra "ressalta o interesse de Frida pela arte fotográfica e sua relação com fotógrafos famosos cujas imagens mostram a visão particular que estes artistas tinham do México e de seus protagonistas", conclui a nota da editora e do museu.
Galeria de Fotos
.
Publicada simultaneamente com a Editorial RM, do México, a edição brasileira do livro, tiragem única com 7 mil exemplares, chega às livrarias neste fim de semana e mostra por meio de imagens a trajetória da pintora surrealista casada com o pintor Diego Rivera. E é justamente a relação dos dois o tema de outro livro, "Diego e Frida", originalmente publicado em 1993 pelo Nobel francês J.M. Le Clézio e agora lançado pela Editora Record. Muitos fatos omitidos pelo autor em sua biografia são revelados no livro das fotos da artista, que durante muito tempo ficaram distante do olhar indiscreto do público.
.
São fotos que explicam sua obsessão por autorretratos herdada do pai, um fotógrafo judeu de origem alemã, e escancaram a liberdade sexual da artista, amante tanto de personagens históricos - o líder revolucionário Leon Trotski - como de mulheres emancipadas, entre elas a fotógrafa Tina Modotti e Tara Pandit, sobrinha do ex-primeiro ministro indiano Jawaharlal Nehru. Parece claro que Diego Rivera, que traía Frida com mais frequência, pretendia manter certa discrição sobre esses relacionamentos. Tanto que, ao fazer a doação do acervo fotográfico da mulher ao Banco do México, pediu que o material fosse guardado e só se tornasse público 15 anos depois de sua morte. A empresária, musicista e filantropa mexicana Dolores Olmedo, amiga do casal, guardou o acervo por 50 anos. Após sua morte, em 2002, ele foi finalmente aberto e catalogado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
.
Frida Kahlo - Suas Fotos - Organizador: Pablo Monastério. Editora Cosac Naify. Preço: R$ 120.
Diego e Frida - J.M. Le Clézio. Editora Record. Tradução: Vera Lúcia dos Reis. Preço: R$ 39,90.
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,livro-de-fotos-revela-trajetoria-da-pintora-frida-kahlo,574125,0.htm
.
.
Embora negasse ser fotógrafa, Frida herdou do pai o talento e a mania dos autorretratos, gênero cuja presença na história da arte revela uma tentativa de autoconhecimento, mais do que pura vaidade. E ela produziu inúmeros deles, além de fotos experimentais como as de seu pai, fotógrafo profissional. A mais impressionante faz alusão ao acidente sofrido em 17 de setembro de 1925, em que o corrimão de um ônibus transpassou-lhe o ventre e saiu por sua vagina: trata-se de uma boneca de pano jogada ao lado de um cavalinho de madeira. Outra mórbida alusão à tragédia é a foto de uma caveira de arame largada num jardim. Não são fotos assinadas, como as do pai, mas a diretora do Museu Frida Kahlo, Hilda Trujillo Soto, que fez a catalogação do arquivo, garante serem ambas obras da pintora.
.
No acervo da Casa Azul onde morou Frida, foram encontradas, segundo a diretora, fotografias de Stalin que a pintora utilizou para fazer seu último quadro, inacabado, Frida e Stalin (1954). Foi um dos seus poucos quadros "revolucionários" em que pintou, por miopia ideológica, o retrato do sanguinário ditador morto um ano antes. Frida era comunista, mas fez de sua pintura um exercício intimista de autorretratos e naturezas-mortas, ao contrário de Rivera, que dividia com ela a mesma ideologia e pintou retratos de líderes comunistas russos - um deles o de Lenin, imiscuído num painel encomendado (e destruído) pelo milionário americano Rockefeller em 1933. Rivera, contraditório, também admirava profundamente o bilionário Henry Ford, de quem se tornou amigo.
.
Le Clézio diz que Frida, descendente de judeus, jamais entendeu a paixão do marido por Henry Ford, antissemita assumido. No entanto, cumpriu à risca o papel que lhe reservaram nessa encenação teatral em solo americano. Nela, "Diego fazia o papel de libertador e ela, o de princesa asteca", segundo o Nobel francês. Foi lá o começo da derrocada amorosa do casal. Não sem razão, tanto Trotski como o líder do movimento surrealista André Breton entraram na vida dos dois no momento em que essa união se desfazia, em 1936. Le Clézio sustenta que Frida seduziu Trotski em 1937 por capricho, fazendo o revolucionário se comportar como um colegial, com direito a bilhetinhos e encontros secretos.
.
Já a pintora, segundo um dos ensaístas do livro de fotos, o curador Pablo Ortiz Monasterio, teria sido ao mesmo tempo a Blanche DuBois e o Stanley Kowalski da peça Um Bonde Chamado Desejo. Ou seja, "frágil e patética como ela e forte e sedutora como ele". Confere. O biógrafo Le Clézio diz o mesmo de sua dividida personalidade: "Ele (Rivera) é o homem nela; ela (Frida), a mulher nele", resume, definindo a relação do casal como um doentio ritual de interdependência, em que Frida seria uma Jocasta a cuidar de um gigante da arte mexicana como se fosse um menino perdido. Díspares, ambos foram criadores e revolucionários, mas a seu modo. O engajamento político de Frida, reforçado por sua relação com a fotógrafa Tina Modotti, não impediu que ela separasse arte e política - ela mesma dizia que sua pintura não era revolucionária. Tampouco que considerasse seus amigos surrealistas idiotas. Le Clézio afirma que ela passou a detestar Breton e sua turma de "estúpidos intelectuais". O mesmo sentimento ambivalente ela conservou com relação à mãe, quase ignorada no livro do Nobel, mas analisada no livro de fotos por Masayo Nonaka: os trajes regionais e o gosto por chamar a atenção vieram dela. Sem Matilde Calderón (1876-1932) o mundo jamais teria conhecido a Frida de trajes indígenas e coque.
.
UMA VIDA EM IMAGENS
Obsessão
Ao fotografar brinquedos populares em 1929, Frida recria a cena de seu trágico acidente de 1925.
.
Paixão
Frida Kahlo ao lado de Tina Modotti (1928): fotógrafa foi mentora ideológica e a mulher que mais admirou
.
Moderna
A emancipada Frida fumando na Casa Azul, hábito que provocava a sociedade mexicana em 1930.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100630/not_imp573907,0.php
.
http://www.google.com/hostednews/epa/article/ALeqM5jxlmfLQTmeEH_Of_3qRG5EUbUpiA
.
Livro apresenta 400 fotos inéditas de Frida Kahlo |
segunda-feira, 22 de março de 2010
Doisneau, um olhar terno para o mundo
Autor da imagem mais reproduzida do pós-guerra fez da foto ofício poético
A foto de Robert Doisneau acima, que mostra um casal se beijando há 60 anos em frente ao Hôtel de Ville, em Paris, é carregada de nostalgia e de um olhar terno, características que marcaram o estilo do fotógrafo. Por ironia, Doisneau não foi treinado para desenvolver esse olhar subjetivo, mas registrar máquinas de forma objetiva - ele iniciou sua carreira como funcionário da Renault, fotografando carros. No entanto, seu famoso beijo, que já vendeu quase 500 mil cópias - recorde mundial de exemplares tirados de uma imagem original - é uma prova de que o trabalho jornalístico pode ser sinônimo do artístico e incorporar detalhes de uma história pessoal, como no ensaio sobre o comportamento dos jovens parisienses encomendado pela revista americana Life em 1950 e que resultou no beijo.
.
Durante muito tempo circulou a versão de que os personagens dessa reportagem formassem um casal chamado Jean e Denise Lavergne - finalmente desmascarados como dois impostores quando surgiram os verdadeiros nomes dos protagonistas da história, Françoise Bornet e Jacques Cateaud. A história é fascinante: sentado num bar, Doisneau contemplava a paisagem em busca de inspiração quando topou com o casal. Ele, então, abordou os dois e descobriu que eram atores amadores, propondo em seguida que posassem para a legendária foto. A identidade do casal foi descoberta por meio de um número, 21.039, que identificava a foto do beijo nos arquivos do fotógrafo e foi presenteada pelo próprio Doisneau à linda Françoise Bornet. Um belo presente para o casal mais famoso da história da fotografia: o exemplar original valia há algum tempo mais de 20 mil euros.
.
A carreira de Doisneau não perseguiu, porém, a meta publicitária hoje comum entre profissionais do ramo. Talvez seja por isso que não se encontra facilmente uma imagem contemporânea capaz de provocar tanto encanto e emoção quanto seus flagrantes de personagens anônimos em situações engraçadas, como o dos dois irmãos gêmeos que fazem acrobacias numa rua de Paris, em 1934, observados por outros dois garotos também vestidos com roupas absolutamente idênticas. Também por ela Doisneau já foi definido como um mestre intuitivo do absurdo e do incomum. Ele costumava dizer que a vida não era alegre e, justamente por esse motivo, o humor surge como uma espécie de refúgio "no qual a emoção que sentimos é aprisionado".
.
.
Um olhar retrospectivo para essa história confirma as palavras do escritor, associando seu nome aos dos grandes humanistas da fotografia, especialmente o pioneiro Eugène Atget, que fotografava anônimos nas ruas parisienses no início do século passado, e Henri Cartier-Bresson (1908-2004), de quem se tornou amigo. Eram tão companheiros que, na cerimônia fúnebre de Doisneau, em 1994, Cartier-Bresson atirou ao túmulo do amigo a metade de uma maçã, comendo a outra metade, num gesto simbólico de fraternidade eterna.
.
Ao contrário de Cartier-Bresson, que perseguia um ideal estético ligado à tradição pictórica, compondo suas fotos como quem pinta um quadro, Doisneau não parecia tão interessado no enquadramento como nos personagens das cenas que retratava. Não que ele desprezasse o rigor formal do amigo. Ao contrário. O fotógrafo conviveu com grandes personalidades do mundo intelectual francês como o poeta Jacques Prévert (é dele sua melhor foto, sentado ao lado do cão num parque parisiense em 1955), o cineasta Jacques Tati e o pintor Picasso. Mas foi com o amigo Robert Giraud que seu imaginário se desenvolveu, quando o reencontrou e este o conduziu como um Caronte pelo mundo dos humilhados e ofendidos da rua Mouffetard no começo dos anos 1950 - é dessa fase a foto do acordeonista cego (1951) na esquina, solitário e ignorado pelos passantes.
.
Por tudo isso é compreensível que se recorde Doisneau em preto-e-branco, surpreendendo, portanto, a exposição de suas fotos em cores na Galeria Claude Bernard, em Paris. Nessa sua breve passagem pelos EUA há 50 anos, Doisneau, que detestava viajar, topou com o artificialismo de Palm Springs, mas também com figuras que os cineastas na nouvelle-vague francesa chamavam de gênios, entre elas o comediante Jerry Lewis, que fotografou durante uma filmagem. Lewis sempre foi a autocrítica bem-humorada da América que sonha as cores publicitárias da foto maior ao lado. O olho treinado de Doisneau logo percebeu que estava diante de um ícone - e o melhor que se tem a fazer diante dele é prestar reverência. Foi justamente o que fez.
assim como Henri Cartier Bresson . um grande artista !
ótima matéria merecemos mais livros dos grande homens da fografia editados aqui no Brasil ! é uma vergonha não temos quase nada ... um abraço a todos
Resultados de imagens para "Robert Doisneau"
Obrigado pelo comentário. Comunicar outra imagemComunique a imagem ofensiva. CancelarConcluído.
.
