Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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sábado, 21 de setembro de 2024

José Pacheco Pereira - O que as fotografias não querem dizer, mas dizem

Nas fotografias mais institucionais, cerimónias no Estado Novo, o que mais impressiona é a pompa oficial, a falta de naturalidade seja de que tipo for, as poses e a coreografia estereotipada.

» José Pacheco Pereira

21 de Setembro de 2024 


Eu já vi milhares, muitos milhares de fotografias. Fotografias comuns e pouco comuns entram no Arquivo Ephemera todas as semanas, quer por oferta, quer por aquisição em feiras e velharias, em caixas, sacos ou álbuns familiares ou institucionais. Estamos a falar de fotografias pré-digitais, em negativos e papel, cobrindo o final do século XIX, e todo o século XX. As fotografias mais antigas são na sua maioria tiradas em estúdios fotográficos ou por fotógrafos amadores com equipamento. Depois dos anos 30 do século XIX a maioria das fotografias de que falo são tiradas em máquinas individuais, de qualidade desigual, propriedade de familiares das pessoas fotografadas ou de habitantes, ou viajantes, dos locais que fotografam. São de um modo geral de formatos pequenos, mesmo muito pequenos nas máquinas mais pobres. A dimensão das fotografias, antes do seu conteúdo, também tem uma hierarquia social.


Há nas fotografias comuns, familiares e pessoais, padrões que são reveladores de mentalidade, de práticas sociais, da forma como as pessoas se querem mostrar ou se ver, ou registar eventos pessoais e familiares ou nalguns casos institucionais, de empresas ou eventos públicos. Como estamos a falar de milhares de fotografias, esses padrões envolvem a percepção do que se fotografa. Por exemplo, crianças são uma “praga”, chamemos-lhe assim, bebés nus ou vestidos de marinheiro, em cima de peanhas ou ridiculamente em poses encenadas, as meninas com vestidos de tule, uma panóplia de criancinhas muitas vezes forçados a ficarem quietas por uns minutos para serem fotografadas. Significativo de como olhar mudou, algumas das fotografias de crianças nuas hoje seriam vistas como pedofilia, como sexo em destaque, aliás como também o mesmo aconteceria com a publicidade da Nestlé com bebés.


Como estamos num país católico, há fotografias dos sacramentos, em particular três, baptismo, comunhão e casamento. Os outros sacramentos quase não são fotografados. No caso da comunhão, as fotografias de adolescentes do sexo feminino são muitas vezes difíceis de distinguir das do casamento. E casamentos são milhares, podemos perceber que, naquilo que as pessoas não querem, as fotos de casamento são das primeiras a serem deitadas fora. Toda a coreografia dos casamentos está a ser estudada no Arquivo Ephemera e dará uma exposição que será surpreendente. Como sempre entendemos, o valor da quantidade, que tem pior fama do que a qualidade, permite perceber coisas novas.

Toda a coreografia dos casamentos está a ser estudada no Arquivo Ephemera e dará uma exposição que será surpreendente


ara além das crianças, há bastante menos fotos de adolescentes, ou de jovens adultos, começando em seguida uma série de fotos estereotipadas: praia, junto de um carro novo, em almoços em restaurantes onde há um fotógrafo, reuniões de empresas, viagens. Depois há fotos de adultos mais velhos, muitas vezes de casais, arranjadas em combinações com sentido patriarcal, para presidirem à memória familiar.


Muitos outros aspectos estão presentes nestas fotografias absolutamente comuns, vestuário, posturas, encenações. É possível ver a pobreza, mas só espreitando ocasionalmente. A pobreza não é matéria destes tipos de fotografias.

 

Quanto às fotografias mais institucionais, cerimónias no Estado Novo, desfiles, missas, visitas de ministros, o que mais impressiona em grande número é a pompa oficial, a falta de naturalidade seja de que tipo for, as poses e a coreografia estereotipada. Claro que quando se olha para o detalhe vê-se muita coisa que nestas fotografias que não é para ver, as cortinas puídas, os vasos partidos, os móveis estragados, os tapetes gastos. E, no conjunto das grandes encenações, a miséria política da ditadura, mas também o papel dos militares e da igreja.



O exemplo que ilustra este artigo tem a seguinte legenda: 'Festa da Legião Portuguesa. Prior de Sesimbra falando aos legionários' e é datada de 28 de Maio de 1939


O exemplo que ilustra este artigo tem a seguinte legenda: “Festa da Legião Portuguesa. Prior de Sesimbra falando aos legionários” e é datada de 28 de Maio de 1939. O Prior está a berrar no comício, inflamado pela festa legionária que ocorre em Setúbal, em vésperas da II Guerra Mundial. À sua volta está no palanque a burguesia local vestida a rigor e alguns militares, ao seu lado, um legionário pouco marcial, em baixo um rapaz pobre e um negro. O resto das fotografias deste comício incluem condecorações e marcha dos legionários com as espingardas anacrónicas. Tudo medíocre, provinciano, uma imitação paupérrima dos regimes nazi e fascista. Mas, não nos enganemos, o Prior está lá como padres, bispos e cardeal por todo o lado, mostrando o papel da igreja, mas, no seu conjunto, esta gente engalanada e triste era perigosa.


O poder da fotografia é mostrá-lo demasiado bem.

O autor é colunista do PÚBLICO   

sábado, 11 de março de 2017

Espólio do Museu da Imagem, em Braga

Duzentos mil negativos de um lado para o outro

Na última semana, o ex-director do Museu da Imagem, Rui Prata, deu início a uma guerra de palavras com a Câmara de Braga por causa das condições estruturais e funcionais daquele equipamento. Este fim-de-semana, o edil bracarense anunciou a transferência do espólio do Museu para uma antiga escola.
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Na última semana sucederam-se as trocas de acusações entre a Câmara Municipal de Braga e Rui Prata a propósito do Museu da Imagem, do qual este foi responsável entre 1999 e 2015. As primeiras críticas vieram de Prata, que, em declarações à Rádio Universitária do Minho, acusou a autarquia de não resolver os problemas estruturais do museu e com isso pôr em causa o espólio de cerca de 200 mil negativos que estão à sua guarda.


CEP embarcando em Braga para Lisboa rumo a França em 1917 - Arquivo Aliança


Brasileira, em Braga - Arquivo Pelicano


Carnaval, Braga - Arquivo Aliança


Theatro Circo, Braga - Arquivo Pelicano


CEP embarcando em Braga para Lisboa rumo a França em 1917 - Arquivo Aliança


Arquivo da Casa Pelicano


Grupo de pândegos, Braga - Arquivo Aliança


Largo dos Penedos, em Braga, onde funcionou a Photographia Aliança - Arquivo Aliança

“O edifício carece de obras estruturais na fachada e telhado que evitem infiltrações de água. Quem lá entrar consegue ver o estado lastimável das paredes no rés-do-chão”, afirmou o antigo responsável por aquele espaço, para quem “a imagem positiva do museu foi-se desmoronando ao longo dos anos e a sua credibilidade, hoje em dia, é inexistente”. Ao PÚBLICO Rui Prata reiterou estas críticas e acrescentou: “O local onde se encontra o acervo, no último piso, não é o ideal. A máquina que faz o controlo de temperatura e humidade avariou e, tanto quando sei, não foi ainda reparada. O espólio está à mercê das alterações de temperatura. Isso é extremamente prejudicial para os negativos”. Para além desta máquina, segundo Prata, que esteve no Museu em Janeiro deste ano, tanto os desumidificadores como o ar condicionado também estão avariados. Contactada pelo PÚBLICO, a vereadora da Cultura da Câmara de Braga, Lídia Dias, garantiu que à medida que vão sendo reportadas avarias nestes equipamentos há lugar a reparações, mas admitiu que as “deficiências” naquele espaço “sempre foram uma constante” e que a hipótese de mudança de instalações está em cima da mesa.

Depois das primeiras denúncias de Rui Prata, a Câmara a respondeu através de um comunicado garantindo que os arquivos em depósito no Museu da Imagem “encontram-se nas melhores condições de conservação", deixando duras críticas à gestão de Prata. O município afirma ter feito obras na cobertura do edifício entre Dezembro de 2014 e Fevereiro de 2015, depois de “alertas provindos da sociedade civil”. Mas, já este sábado, citado pelo Correio do Minho, o presidente da Câmara, Ricardo Rio, afirmou que “as condições estruturais [do Museu] não são as melhores”. Durante a inauguração da exposição Lausperene, o edil anunciou que o espólio do Museu será transferido para a antiga Escola do Bairro Nogueira da Silva, para onde será também transferido o depósito do Arquivo Municipal. Por seu lado, Lídia Dias adiantou ao PÚBLICO que, no final do ano, este local já estará em condições para receber este e outros espólios documentais da cidade.

O acervo do Museu da Imagem de Braga é sobretudo constituído pelo arquivo do estúdio de fotografia Aliança (cerca de 120 mil negativos), que funcionou naquela cidade entre 1910 e 1980, e pelo arquivo da Casa Pelicano (cerca de 80 mil negativos), em actividade entre cerca de 1930 e 1990. Há ainda cerca de 3000 provas fotográficas e dezenas de placas de zinco gravadas que serviam de matriz para postais. O Museu da Imagem está situado perto do Arco da Porta Nova e foi construído a partir de um edifício do século XIX e de uma torre do século XIV da antiga muralha medieval.

https://www.publico.pt/2017/03/07/culturaipsilon/noticia/200-mil-negativos-de-um-lado-para-o-outro-1764202#&gid=1&pid=1


Museu da Imagem Braga foto de Hugo Delgado.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Digitalize seu acervo de fotos e até mesmo os negativos


Fernando Petracioli, especial para PC WORLD
15-08-2008
Não deixe a memória fotográfica de sua vida ser apagada pelo tempo; digitalize tudo e até corrija o que os anos estragaram. 

 Mas pode haver alguma foto em especial que você queira escanear com altíssima qualidade. Para isso, você pode usar a chamada resolução óptica total do aparelho – que é a capacidade máxima da lente do scanner 'enxergar' o que está na imagem. 
Se não for o suficiente, alguns softwares oferecem a chamada resolução interpolada. Trata-se de uma tentativa de ir além da capacidade da lente; é como se o programa tentasse ‘deduzir’ ou adivinhar os pixels existentes entre aqueles que o scanner conseguiu captar. 
Dessa forma, é possível chegar a uma resolução mais alta, mas essa ‘dedução’ do programa pode acabar sendo equivocada ou exagerada.
Fotos amareladas
Se você acha um problema que o papel das fotos mais antigas já tenha amarelado, saiba que isso pode ter solução. O Photoshop oferece uma alternativa bem simples, que aplicamos em uma foto de coloração já alterada pelo tempo.

antes_depois
Após a digitalização e com sua foto aberta no software, Vá em ImageAdjustmentsHue/Saturation (veja imagem abaixo). No menu drop-sown Edit, selecione Yellows. Na barra Saturation, que controla o nível de saturação, diminua o nível, movendo-o para a esquerda, até que você chegue a um resultado satisfatório visualmente.
menu_photoshop

Mas e os negativos?
Fotógrafos amadores mais cuidadosos com toda certeza ainda guardam os negativos de suas fotos - mesmo as que já foram impressas. Caso queira digitalizar esse tipo de mídia também, saiba que o ideal é ter um scanner específico. 

Existem equipamentos dedicados exclusivamente ao escaneamento de negativos – eles possuem até uma entrada específica para inserir os filmes. 
Há também soluções de adaptação para scanners convencionais – uma peça plástica para encaixar os negativos, além do software com a funcionalidade de reconhecimento e transformação em positivo.
Mas tanto a adaptação, por cerca de 1.300 reais, quanto o scanner especial, que pode chegar a quase 3 mil reais podem não justificar o investimento se a utilização não for profissional. 
Assim, resta mais uma alternativa: pode-se tentar fazer a digitalização dos negativos por meio de um scanner de mesa convencional. Após o escaneamento, abra a imagem no Photoshop e aplique o comando Ctrl+(ou vá em ImageAdjustmentsInvert), que inverte as cores da imagem, tornando-a positiva.
O resultado pode não sair uma maravilha, mas é uma opção aos caríssimos scanners de filmes.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Morreu Luísa Costa Dias, alma e motor do Arquivo Fotográfico de Lisboa


Esteve na origem das bienais LisboaPhoto

19.06.2011 - 21:51 Por Sérgio B. Gomes
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 Luísa Costa Dias foi a “alma”, a principal impulsionadora de tudo o que se realizou no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa. Comissariou dezenas de exposições e esteve na origem das bienais Lisboa Photo (2003, 2005). Morreu ontem no Hospital Pulido Valente. Tinha 55 anos e sofria de cancro no pulmão.
Luísa Costa Dias teve o mérito de descobrir novos espólios para a fotografia portuguesa, lembra a investigadora Emília Tavares
Luísa Costa Dias teve o mérito de descobrir novos espólios para a fotografia portuguesa, lembra a investigadora Emília Tavares (DR)

Os que a conheciam e que com ela trabalharam apontam-lhe uma “personalidade discreta”, alguém que “preferia trabalhar nos bastidores”, mas reconhecem-lhe “um papel fundamental” tanto na organização de exposições e edição de livros de fotografia como na angariação de novos espólios fotográficos que, desde 1994, não pararam de entrar no Arquivo. “Aquilo que o Arquivo foi, a dinâmica que conseguiu, deve-se ao trabalho e dedicação da Luísa. Foi, sem dúvida, a alma desta casa”, disse ao PÚBLICO Luís Pavão, fotógrafo e conservador da colecção do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa. 

O comissário Sérgio Mah (que foi o nome escolhido por Luísa Costa Dias para dirigir as duas edições do Lisboa Photo) também sublinha o trato “discreto e elegante” e lembra a “dedicação e proximidade” com que gostava de trabalhar nos projectos em que se envolvia. “Fazia as coisas acontecerem mesmo quando enfrentava enormes dificuldades”, lembra Mah.Luísa Costa Dias comissariou muitas das exposições que passaram pelo Arquivo, das quais se destacam, nos últimos anos, Lisboa à Beira Tejo (2010), Alfredo Cunha Fotografias(2010), Da Avenida D. Amélia à Avenida Almirante Reis (2011). Foi ainda uma das principais mentoras da LisboaPhoto, Bienal de Fotografia, com duas edições (2003 e 2005), festivais nos quais comissariou as exposições Colecção Ferreira da Cunha (2003) e Corpo diferenciado (2005), esta última sobre o acervo fotográfico do Instituto de Medicina Legal de Lisboa. Nos últimos tempos, trabalhava na exposição Avenida de Roma Fotografias 1950-2011. Como comissária independente, destaca-se a exposição Oui Non sobre a obra de Gérard Castello-Lopes, no Centro Cultural de Belém, em 2004. Como comissária, Luísa Costa Dias tinha preferência “pela fotografia dita de autor, mais directa e documental”, lembra Pavão.”Fotografias íntimas e transparentes”“A Luísa deixou de olhar por si para olhar pelos outros”, diz o fotógrafo José Manuel Rodrigues aludindo ao seu trabalho como fotógrafa que é pouco conhecido. “As fotografias da Luísa são íntimas e transparentes como ela gostava de ser”. Rodrigues destaca a “serenidade, a competência e a honestidade” de Luísa Costa Dias que era das poucas pessoas que visitava o seu atelier com regularidade para saber novidades do seu trabalho. “Chegava e dizia: ‘Mostra lá o que andas a fazer’. Queria ver tudo - provas, negativos, contactos. Encorajava-nos a fazer coisas.” Além disso, “tinha uma grande paciência com os fotógrafos”. A investigadora Emília Tavares sublinha o mérito de Luísa Costa Dias na recolha e descoberta de novos espólios para a fotografia portuguesa. “Desde sempre, esse grande trabalho deve-se à Luísa. Trabalhava na sombra, mas grande parte do acervo do Arquivo é fruto do seu empenho”, disse ao PÚBLICO. Tavares lembra “um trabalho fundamental para o conhecimento e para a construção de uma memória histórica e crítica da fotografia portuguesa”. Numa nota enviada ao PÚBLICO, a investigadora, amiga de Luísa Costa Dias, recorda a directora do Arquivo como alguém com “uma sensibilidade muito especial para reconhecer a qualidade da obra fotográfica e o talento das pessoas que ao longo dos anos trouxe a colaborar consigo”.Paula Figueiredo, fotógrafa, investigadora e ex-responsável do serviço educativo do Arquivo, reconhece também que Luísa Costa Dias era “a alma” daquela que foi uma das mais activas instituições ligadas à fotografia em Portugal nos últimos anos. “Era muito exigente em relação a tudo o que fazia.”O corpo de Luísa Costa Dias estará em câmara ardente esta segunda-feira a partir das 12h00 na igreja de S. Sebastião da Pedreira, em Lisboa. O funeral realiza-se na terça-feira e sai às 10h30 para o cemitério de S. João do Estoril.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Fotógrafo faz negócio com arquivo dos anos 60


Fotógrafo faz negócio com arquivo dos anos 60

Foto Studio tem proporcionado "reencontros" intergeracionais

Jornal de Notícias - 2010-02-21

LILIANA COSTA
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Uma loja de fotografia, a única na localidade durante décadas, recuperou negativos de fotos tiradas a partir de 1960 e o negócio virou sucesso. Há quem não se reconheça a si próprio, quem encontre uma imagem do pai ou da mãe ainda na flor da idade.
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Hoje, basta um "clique" e já está. A fotografia digital e, sobretudo, a incorporação de câmara nos telemóveis, veio revolucionar o mundo da imagem mas há 60 anos as fotografias, geralmente tiradas para documentos oficiais, eram produzidas a partir de negativos de vidro, num processo moroso e artístico.
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Hoje há várias lojas de fotografia em Vizela, mas até há uns anos a Foto Studio, na Rua Dr. Abílio Torres, era o único laboratório. Abriu em 1942 e durante décadas foi registando milhares de rostos em fotos tipo-passe para documentos de identificação. O estabelecimento foi, entretanto, vendido e o novo proprietário, Manuel Monteiro, encontrou no arquivo uma nova fonte de receitas. O que não deixa de ser curioso numa altura em que a substituição do Bilhete de Identidade pelo Cartão do Cidadão [a fotografia passou a ser tirada na própria Conservatória do Registo Civil] está a acabar com o negócio.
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"Temos milhares de fotografias em arquivo e já fizemos cerca de cinco mil. Tem-se revelado um bom negócio", confirma Manuel Monteiro. São reproduzidas a partir dos negativos, alguns com cinquenta anos, e vendidas em formato postal por cinco euros. As fotos vão sendo expostas, cronologicamente, na vitrina da loja e não há quem resista a espreitar por uns minutos todas as caras de homens e mulheres da década de 60 que lá fizeram pose para o "passarinho". Foi mais ou menos por essa altura que "as mulheres começaram a trabalhar fora de casa, nas fábricas, e a cortar os cabelos", assinala Manuel Monteiro.
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A cada passo, alguém encontra um rosto familiar. "Aqui há uns tempos, houve um caso de sete irmãos que descobriram o pai que não chegaram a conhecer. Tinha morrido novo. Nestes casos, geralmente são vizinhos e amigos que identificam a pessoa", conta.
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Desde que Manuel Monteiro começou a explorar a ideia, já assistiu a casos de pessoas que reencontram os pais, avós, tios e outros familiares, alguns já falecidos. "Essas são as que se vendem mais, de pessoas que já morreram", revela. Mas há também quem não se reconheça a si próprio. "Sabe que hoje tira-se fotografias com o telemóvel, mas há uns anos não era assim. E as pessoas, porque não têm fotografias de quando eram novos, já nem se lembram de como eram. São os amigos que lhe dizem: 'Oh pá, este és tu!'", brinca. Não tarda e aparecerão na frente da loja as fotos dos anos 70, a década dos cabelos pelos ombros e dos colarinhos grandes e redondos.
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À loja da Foto Studio têm chegado pessoas de todo o lado. Gente com raízes na terra que, alertada para a descoberta, vem à procura de imagens dos seus ascendentes. "Chegam de Viana, do Porto e de outras localidades para onde migraram e às vezes esperam um dia inteiro para que as fotografias fiquem prontas", diz. Depois discute-se quem se parece com quem e recorda-se outros tempos.
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"Foi a melhor coisa de que se podiam ter lembrado", afirma, com grande satisfação, Guilhermino Ribeiro Cunha. Este vizelense de 72 anos já levou para casa vários exemplares da sua figura aos 18 anos e por aí adiante. 
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Livro denuncia impunidade no caso de furto de fotografias



23/02/10 - 09:40 > CULTURA

Livro denuncia impunidade no caso de furto de fotografias


Agência Brasil




RIO DE JANEIRO - Diversos furtos ocorridos em arquivos de instituições públicas entre 2005 e 2007 chamaram a atenção da artista plástica Rosângela Rennó e a levaram a produzir uma obra de arte impressa em forma de livro, com o título de 2005-510117385-5.
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A obra, lançado no fim de semana no auditório do Paço Imperial, no centro do Rio, reúne a reprodução digital do verso de 101 fotos devolvidas à Biblioteca Nacional que constavam do lote de 751 furtadas há cinco anos e que deram origem ao Inquérito 2005-510117385-5, que dá título ao livro. A edição é de 500 exemplares, que começaram a ser distribuídos nesta segunda-feira (22) a bibliotecas públicas e instituições culturais em todo o país.
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“Na realidade, eu gostaria de que este fosse o primeiro de uma série de trabalhos feitos sobre os furtos ocorridos em 2005, 2006 e talvez também em 2007 no Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, no Arquivo do Itamaraty, no Museu da Chácara do Céu, num museu em São Paulo e em outras instituições públicas. Foi como se alguém percebesse uma falha no sistema e promovesse um arrastão contra a memória”, resume a artista plástica.
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As fotografias estavam guardadas na Biblioteca Nacional e em sua maior parte integravam a Coleção D. Thereza Christina Maria, nome da biblioteca particular doada por dom Pedro II depois da Proclamação da República, em 1889. Todas as fotografias são do século 19 e estão registradas desde 2003 no Programa Memória do Mundo, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
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Na apresentação da obra, Rosângela Rennó escreve: “Em algum momento, entre 2 de abril e 14 de julho de 2005, durante uma greve de funcionários da Fundação Biblioteca Nacional, 946 peças, entre elas 751 fotografias, foram furtadas da Sala Aloísio Magalhães, local conhecido como Divisão de Iconografia da FBN [Fundação Biblioteca Nacional]. Não havia sinal de arrombamento. Os autores do furto trabalharam com sutileza, escolhendo autores e temas, esvaziando álbuns, substituindo fotografias, para que o crime só fosse descoberto algum tempo depois.”
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Quatro anos depois, com uma investigação criminal ainda em curso, apenas 101 fotografias foram recuperadas e todas elas estavam mutiladas, pois os criminosos tentaram, de diversas maneiras, apagar as marcas de registro de patrimônio da FBN, conta a artista plástica na apresentação do livro. “O inquérito criminal de número 2005-510117385-5 ainda não foi concluído e os mentores do furto não foram punidos.”
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A artista trabalha com fotos feitas por ela mesma e por outros fotógrafos, desenvolvendo a partir daí sua obra. Por isso, ela fez questão de conceituar 2005-510117385-5 como abra de arte e não como livro no sentido editorial. Seu objetivo não foi reproduzir a parte recuperada do acervo roubado, mas sim a descrição da fotografia, escrita no verso de cada uma. Além de aguçar a curiosidade de quem a manuseia, a obra de arte em forma de livro reforça a denúncia do “apagamento da memória”, como enfatiza a artista.
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O trabalho de Rosângela recebeu apoio de cerca de R$ 90 mil do edital Arte e Patrimônio 2009, para a realização de pesquisa, documentação fotográfica e duas tiragens especiais de livros da artista. A iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do Paço Imperial, com patrocínio da Petrobras, integra as ações do programa Brasil Arte Contemporânea do Ministério da Cultura


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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Fotografia paraense voa ainda mais alto

Diário do Pará - Domingo, 14/02/2010, 09:25h 
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"É justo, é justíssimo!”. Assim Luiz Braga analisa a confirmação da seleção de cinco fotógrafos paraenses para a Coleção Pirelli/Masp de Fotografia 2010 – uma das mais importantes coleções de fotografia contemporânea do País. Ele é o consultor local da coleção, responsável por indicar os profissionais para a seleção final. Este ano entraram cinco só de uma vez: Alberto Bitar, Mariano Klautau Filho, Guy Veloso, Octavio Cardoso e Alexandre Sequeira. Além deles, já fazem parte do acervo Pirelli/MASP o próprio Braga - com duas seleções –, Walda Marques, Miguel Chikaoka, Flavya Mutran, Dirceu Maués, Elza Lima e Paula Sampaio.
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Visivelmente feliz, Luiz Braga não esconde a satisfação por ter mais uma vez representantes paraenses nesta coleção. A fala apressada e incisiva do consultor exalta claramente um sentimento: o de união. “Fiz contato pessoal com cada um deles. Menos com o Alexandre, que está morando em Belo Horizonte. Pedi para que eles separassem imagens representativas. Mandei uma caixa enorme, com 10 fotografias de cada um. A princípio foram aprovados só dois, mas não era definitivo. Insisti e fiz uma defesa, alegando por que tinha encaminhado esses nomes. Na quarta-feira (10) recebi a confirmação de que tinham entrado mais três”, conta. E completa: “Somos muito fortes. Eles concorreram com autores do Brasil todo. O que existe aqui ainda vai ser estudado. Temos uma cultura visual muito forte”.
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Ele destaca ainda que, para fazer parte de uma coleção deste nível, não é fácil. A comissão de seleção, formada por um conselho deliberativo, é bastante criteriosa. O conselho é composto por especialistas em fotografia convidados (críticos, fotógrafos, historiadores, pesquisadores, professores, etc.), além de representantes da direção da Pirelli e do Masp. “A fotografia paraense atravessou o mundo do mero registro. Temos uma representatividade alta e boa. Foram selecionados cinco fotógrafos da mais alta qualidade, mas é claro que sobrou muita gente”, diz Luiz Braga. Cada fotógrafo paraense entrou com três fotografias.
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Além de fazer parte da importante coleção, as fotografias paraenses estarão expostas no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) em julho/agosto e farão parte do catálogo desta edição da Coleção Pirelli/MASP de Fotografia, que reproduz as obras incorporadas ao acervo – acompanhadas pela biografia dos autores e um texto de apresentação.
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As obras da coleção são ainda automaticamente tombadas pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), como acontece com o restante do acervo do Masp. Os direitos autorais das obras adquiridas pertencem integralmente aos seus autores ou herdeiros.
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Para Alberto Bitar, fazer parte deste acervo é um prestígio sem tamanho. “Já tive trabalhos avaliados pela comissão anteriormente. Ter trabalhos selecionados para o Catálogo era um desejo antigo. Eu queria muito isso, é um dos maiores reconhecimentos”, revela. As fotografias selecionadas de Alberto fazem parte da série “Efêmera Paisagem”, imagens essas que desvendam as memórias do autor e que têm lhe dado algumas alegrias. “O vídeo foi selecionado no Rumos Itaú Cultural e, agora, fotografias entram no Pirelli”, diz. “Essa história de o Luiz ficar feliz com a nossa entrada... Eu já tinha ficado feliz só por ele ter me indicado, porque o reconhecimento do meu trabalho por ele também é importante”, ressalta.
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(Diário do Pará)
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sapo disponibiliza Arquivo Fotográfico da Lusa

moldura rostos.pt - o seu diário digital
Rostos
Lisboa, 26 de Novembro 2009
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Sapo disponibiliza Arquivo Fotográfico da Lusa
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A História de Portugal recente em imagens<br>
Sapo disponibiliza Arquivo Fotográfico da Lusa• Acervo fotográfico de cerca de 2 milhões de imagens
• Disponíveis para todos, de forma gratuita
• Acessível em qualquer lugar do mundo

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Lisboa, 26 de Novembro 2009 – O portal Sapo e a Agência de Notícias Lusa vão disponibilizar o arquivo fotográfico da agência noticiosa portuguesa de forma gratuita em http://fotos.sapo.pt/lusa. São cerca de 2 milhões de imagens, num acervo que será enriquecido diariamente com cerca de 600 imagens produzidas pela Lusa e pelas Agências Internacionais com quem tem acordos.
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Este arquivo está organizado em 13 categorias: Economia, Política, Desporto, Arte e Cultura, Sociedade, Ciência e Tecnologia, Saúde, Religião, Educação, Ambiente, Moda, Música e Cinema, Personalidades, entre outras, e tem todas as fotografias da Lusa desde 1979.
O arquivo tem também disponíveis algumas imagens anteriores a 1979 que foram digitalizadas a posteriori, sendo que a fotografia mais antiga é de 1924, e que relatam alguns dos principais acontecimentos da história de Portugal e do Mundo.

Com a disponibilização gratuita deste arquivo fotográfico, o portal Sapo dá a possibilidade a que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, possa aceder e utilizar estas imagens. A navegação será feita através do Sapo Fotos e permite que as imagens possam ser utilizadas, de forma gratuita (apenas com utilização de marca de água) em trabalhos escolares, académicos ou profissionais. Caso se pretenda utilizar as imagens em alta resolução e sem marca de água, para efeitos jornalísticos, estas podem ser adquiridas directamente à Lusa.

A disponibilização deste arquivo que conta em imagens a nossa história mais recente, representa para o Sapo um reforço na estratégia de disponibilização de conteúdos relacionado com Portugal, quer sejam conteúdos escritos, filmados ou fotografados e será um complemento à parceria já estabelecida entre o portal e a Lusa, para a disponibilização de outros conteúdos editoriais.

No seguimento desta aposta em conteúdos editoriais, o Sapo e a Lusa estão já a trabalhar para o lançamento do arquivo de notícias da Lusa na pesquisa do Sapo. Este serviço consistirá em, através da pesquisa do Sapo, encontrar o título e ter acesso à notícia completa da agência noticiosa.
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Rostos 26.11.2009 - 17:38