Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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quinta-feira, 28 de abril de 2022

Fontenários e chafarizes 38 - Pinhal Novo e Palmela

 * Victor Nogueira

Pinhal Novo

No jardim sito no Largo José Maria dos Santos, defronte á antiga estação ferroviária, existem um chafariz, um espelho de água e um bebedouro cujos registos fotográficos constam desta publicação. 

Inaugurado em 14 de Setembro de 1952, o chafariz  ostenta na frontaria um painel de azulejos representando uma cena vinícola da Herdade de Rio Frio e um registo da inauguração do coreto, em 1927. com a banda de música tocando para deleite dos ouvintes, com base em fotografias de Manuel Giraldes da Silva. Na traseira, por cima do bebedouro para animais, existe um outro painel de azulejos, floreado, com dois anjos, Estes painéis de azulejo, datam da década de 90 do século XX, ostentam também os brasões da freguesia e o do concelho, bem comocom reprodução de fotografias de Manuel Giraldes daSilva sobre cenas locais. Na frontaria uma lápide contém os seguintes dizeres: "14.9.1952 CMP"

Este chafariz é similar a um outro existente no Largo da Estação, defronte da antiga estação ferroviária de Palmela, reproduzido nesta mesma publicação.






Espelho de água

Bebedouro


 Palmela

Fronteiro á antiga estação ferroviária de Palmela situa-se um chafariz num arruamento   que mantém  o nome - Largo da Estação – num espaço exíguo, defronte da qual estão este chafariz e um edifício estilo “casa portuguesa” ou "português suave", cujo teorizador foi o arquitecto Raúl Lino. O edifício talvez tenha sido a residência do Chefe da Estação, nos tempos em que eles habitavam nela ou junto desta.  O chafariz tem uma lápide com os dizeres “Viação Municipal / 27 Junho 1926”   Mais adiante, defronte da nova estação ferroviária, encontra-se um espelho de água.




Fontanário no Largo da Estação





Espelho de água defronte da Estação Ferroviária Palmela A (EM 534)

Fotos em 2022

domingo, 8 de agosto de 2021

Fontenários e chafarizes 37 - Alcácer do Sal e Santa Susana

 * Victor Nogueira

Nesta publicação se reúnem fontes, bebedouros e chafarizes em Alcácer do Sal e na aldeia de Santa Susana.



Alcácer do Sal - Fonte do Passeio, na Rua do Cabo da Vila

«"Corria setembro de 1850 quando o Município de Alcácer do Sal decidiu adjudicar a Domingos do Coito a reconstrução do aqueduto de Rio de Clérigos e a edificação de um novo chafariz no cabo da vila. (...) Os trabalhos, cujo resultado ainda é visível, foram executados rapidamente e incluíam um lavadouro com capacidade para 15 mulheres, provavelmente o mesmo que acabaria demolido já na segunda metade do século XX. (...) O objetivo global era que não se perdesse “uma gota de água”, fazendo chegar “toda a que sai da arca d’água” ao novo fontanário, que ainda existe, mas não possui os dois tanques para o gado beber que são mencionados no contrato.

 As águas restantes da bica, eram conduzidas, “também emanilhadas por debaixo de chão”, ao terceiro tanque, “para se lavar a roupa”, a construir “no fim do passeio”, com “20 palmos de comprido e 15 de largo”.

(...) Todo o investimento foi muito bem empregue. Durante muito tempo, a fonte do Passeio foi a principal origem de água potável da vila, em especial nos meses de verão, em que as outras bicas secavam. Cerca de um século após a sua reconstrução aqui relatada, ainda eram muitos os alcacerenses que dependiam daquela água.»



Santa Susana - Rua da Liberdade


Este benefício foi feito com a ajuda de todos os habitantes desta aldeia Santa Susana 26 04 1970


Santa Susana - Rua 25 de Abril (EN 253)




Fonte dos Pinheiros, feita pelo Povo em 1965, reabilitada pela Junta de Freguesia em 1996

Santa Susana - Chafariz e bebedouro na Rua 1º de Maio, no parque de merendas a caminho da albufeira


NOTA - No blog O Sal da História a sua  autora, Cristiana Vargas, refere que já final do século XIX  a sabedoria popular afirmava  serem “milagrosas” as águas de Corte Pereiro (Santa Susana) - que ajudavam a curar doenças “estomacais e herpéticas”,

Fotos em 2021 08 07 Canon 195_08

Fontenários e chafarizes 36 - Lisboa, Parque Eduardo VII

 * Victor Nogueira




Fotos Victor Nogueira Lisboa (Parque Eduardo VII - escultura 25 anos do 25 de Abril, por João Cutileiro  (rolo 237 - 1998 05)

O monumento comemorativo dos 25 anos da Revolução de Abril fica situado no cimo do Parque Eduardo VII, em Lisboa. Concebido a partir do pedestal destinado à estátua equestre do Santo Condestável, este conjunto escultórico é constituído por fragmentos de pedra, por vezes em bruto. Quer a partir do núcleo vertical, quer sobre as traves corre a água de uma fonte aí instalada.  O núcleo desdobra-se por outros pedaços de pedra que se dispersam pelo espelho de água, onde a obra se localiza. Em frente a este núcleo, sobre um plinto em dois patamares, encontra-se um outro elemento cuja coloração e discurso formal o aproxima da estilização de um cravo.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Monumentos ao 25 de Abril

 * Victor Nogueira

As fotografias que se seguem referem-se a três monumentos comemorativos do 25  de Abril, a saber: 25 anos da Revolução de Abril, do escultor João Cutileiro (Lisboa - 1999), Monumento à Resistência Antifascista, à Liberdade e à Democracia, do escultor José Aurélio (Setúbal - 2005) e Monumento ao 25 de Abril e às Nacionalizações, dos escultores Virgílio Domingues e António Trindade (Setúbal - 1985). No final figura uma hiperligação ao Monumento a Humberto Delgado, na Cela (Coutos de Alcobaça), do escultor alcobacense José Aurélio  (1975).

Escreveu Alexandre Pomar: «João Cutileiro construiu uma fonte no cimo do Parque Eduardo VII. A evocação e homenagem ao 25 de Abril só podia ser um antimonumento.  (...)  Para Cutileiro, «o 25 de Abril é anti-monumental por definição», no acto do derrubar um regime imóvel e autoritário (como um monumento) e de recolocar um destino colectivo nas mãos de um povo. E a sua intervenção de escultor também não quis ser um monumento no sentido tradicional de consagração formal de um momento congelado no tempo, de sacralização da distância entre os símbolos de um poder, divino ou heróico, e o espaço comum da cidade. A sua «Evocação do 25 de Abril», título presente na necessária lápide inaugural, é bem uma fonte, tipologia construtiva que põe em evidência quer o significado da permanente agitação da água em movimento quer a ideia de que «a fonte é a origem» (J.C.).

A abordagem dos emblemas formais e dos seus sentidos seria inesgotável: a fonte e o cravo, o derrubar de uma forma prévia autoritária, a ideia de inacabamento de um processo em construção, a recusa de uma «mensagem» escrita (mas estão lá sinais de trabalho trazidos da pedreira), a mobilidade da água, a forma fálica presente em qualquer obelisco ou coluna, e que aqui remete para a configuração dos megalitos alentejanos. E teria ainda de prolongar-se com absoluta coerência no equacionar da problemática da escala.

A opção do escultor foi a de contrapor uma dimensão humana ao gigantismo autoritário das colunas pré-existentes, transformando um lugar votado à representação do poder (com maiúscula, tal como em algumas concepções da arte) num espaço de uso público, de lazer e de prazer. Os degraus que limitam um dos lados do lago são um convite directo a mergulhar os pés na frescura da água corrente; o arranjo do espaço envolvente é propício à permanência, inventando uma praça num lugar privilegiado da cidade mais ainda inóspito. Às memória romanas que as colunas transportam, com sentido imperial, contrapõe-se a lembrança das fontes de Roma, mas despidas das suas mitologias de Neptunos e sereias, que também não poderiam ter lugar na evocação do 25 de Abril.» (in   Cutileiro, Evocação do 25 de Abril - Alexandre Pomar)




Fotos Victor Nogueira Lisboa (Parque Eduardo VII - escultura 25 anos do 25 de Abril, por João Cutileiro  (rolo 237 - 1998 05))

O monumento comemorativo dos 25 anos da Revolução de Abril fica situado no cimo do Parque Eduardo VII, em Lisboa. Concebido a partir do pedestal destinado à estátua equestre do Santo Condestável, este conjunto escultórico é constituído por fragmentos de pedra, por vezes em bruto. Quer a partir do núcleo vertical, quer sobre as traves corre a água de uma fonte aí instalada.  O núcleo desdobra-se por outros pedaços de pedra que se dispersam pelo espelho de água, onde a obra se localiza. Em frente a este núcleo, sobre um plinto em dois patamares, encontra-se um outro elemento cuja coloração e discurso formal o aproxima da estilização de um cravo.






Fotos Victor Nogueira - Setúbal (Avenida Luísa Todi) - Monumento à Resistência Antifascista, à Liberdade e à Democracia, do escultor José Aurélio, inaugurado em 25 de Abril de 2005. "Aos resistentes que com a sua acção lutaram e lutam contra o fascismo, pela Liberdade, pela Democracia e pela Paz. 25 de Abril sempre!".

O monumento é constituído por três tetrapodes de ferro, idênticos aos que são utilizados na protecção das zonas portuárias e costeiras, que serão amarrados com centenas de metros de cordas e correntes, pesa mais de 10 toneladas e tem cerca 12 metros de altura.

O projecto, elaborado nos anos '70 mas nunca concretizado, foi oferecido pelo escultor José Aurélio à Câmara Municipal de Setúbal na sequência do interesse manifestado por uma comissão pró-monumento, que se propôs homenagear os antifascistas setubalenses que lutaram contra o antigo regime do Estado Novo.

Para o autor, José Aurélio, os tetrapodes, que resistem ao avanço da mar nas zonas costeiras, simbolizam a resistência ao regime totalitário e as cordas e correntes representam o elemento humano, essencial a essa resistência.  Na base pode ler-se: "Aos resistentes que com a sua acção lutaram e lutam contra o fascismo, pela Liberdade, pela Democracia e pela Paz. 25 de Abril sempre!".(in https://momentoseolhares.blogs.sapo.pt/197130.html)





Fotos Victor Nogueira - Ao centro da rotunda da Praça de Portugal, em Setúbal, ergue-se o Monumento ao 25 de Abril e às Nacionalizações.  É constituída por um cubo, pintado a azul, que simboliza a solidez e estabilidade das estruturas do Estado, e por um conjunto de lâminas vermelhas que evocam a força e a criatividade laboral.

O monumento resulta de três mil horas de trabalho voluntário dos operários dos Estaleiros Navais da Setenave para financiar a criação artística dos escultores Virgílio Domingues e António Trindade e do arquitecto Rodrigo Ollero, inaugurada a 1 de Outubro de 1985. A escultura ostenta no topo a palavra “Abril”.

O projecto foi escolhido através de um concurso público lançado pelo município de Setúbal, em Março de 1985, ao qual se candidataram oito projectos. Segundo o júri, “a qualidade plástica, a melhor adequação aos materiais propostos e a exequibilidade foram as principais razões, que contribuíram para a escolha da candidatura por unanimidade”. (in https://newinsetubal.nit.pt/na-cidade/cubo-a-arder-a-historia-do-monumento-mais-polemico-de-setubal/)


domingo, 20 de dezembro de 2020

fontenários e chafarizes 35 - Atalaia (Montijo) (Fonte Santa ou da Senhora)

 * Victor Nogueira



Atalaia (Montijo) - Santuário de N. Sra da Atalaia (século. XVIII), ao cimo da escadaria arborizada com algo de monumental; no templo ex-votos, descrevendo com ingenuidade graças divinas ou milagrosas. No início da escadaria existe um fontenário encimado por uma figura; no terreiro, cá em baixo, um alvo cruzeiro renascentista, protegido por um coberto assente sobre quatro colunas; da igreja avista-se a paisagem em redor, até um horizonte relativamente longínquo. No interior da igreja, que simpaticamente abrem para nos possibilitar a visita, existem azulejos narrando a vida da Virgem Maria e algumas imagens pobres, para além dum altar mor de talha dourada. 

A povoação é de casas térreas, algumas com barras azuis, com alguns largos simpáticos. Da toponímia da Atalaia  destaco a rua  e a travessa  dos Círios, as Escadinhas do Adro da Igreja, as ruas 28 de Setembro e a dos  Operários, as  travessas dos Operários e a da  Liberdade.

Nas traseiras da igreja existe a Fonte da Senhora ou Fonte Santa, onde segundo a tradição teria aparecido a imagem da Sra. da Atalaia. (Notas de Viagem, 1998.01.09) 

VER  santuários 23 - Nossa Senhora da Atalaia (Montijo)


quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Fontenários e chafarizes 34 - Castelo de Vide (Fonte da vila)


Castelo de Vide - fonte da vila  (Álbum de Mora)

«FONTE DA VILA - Classificado como IIP (Imóvel de Interesse Público) desde 1953, é o Ex-Líbris da Vila, constitui um monumento que se destaca entre outros, não só pelo seu valor artístico, como pelo conjunto arquitectónico e urbanístico em que está inserida. Situa-se em pleno Largo Dr. Frederico Laranjo.

Analisando-se a planta de delimitação do bairro judeu de Castelo de Vide, pode concluir-se que a fonte estava integrada no mesmo. Este existiu desde o séc. XIV ao séc. XV. A fonte foi um foco de desenvolvimento radial de ruas que se desenvolveram à sua volta, deduzindo-se que terá sido construída no séc. XVI, no reinado de D. João III, embora também seja provável que a sua construção seja de várias épocas, em que no início terá existido apenas uma nascente, inicialmente transformada numa pequena fonte de água potável, que no séc. XVI foi mandada construir.

A forma do tanque principal é rectangular e delimitado por lajes graníticas dispostas na vertical do qual saem seis colunas de mármore que sustentam uma cobertura piramidal que remata em pinha. Ao centro do tanque ergue-se um corpo discóide com quatro bicas simétricas e sobre este, um outro paralelepípedo, decorado com as Armas de Portugal, as do Concelho e com duas figuras de meninos. Este conjunto é rematado por uma pinha em forma de flor de acanto ou tulipa.

Ao lado possui um outro tanque, rectangular, destinado a animais bestas e cavalares. »

VER 

Em Castelo de Vide, a long time ago


terça-feira, 15 de dezembro de 2020

fontenáros e chafarizes 33 - Porto - Arca de água no antigo Campo de Mijavelhas

 * Victor Nogueira

A estação do metro no Campo 24 de Agosto está a grande profundidade, As escavações permitiram pôr a descoberto um edifício,  centenário de séculos, onde existiu a “Mãe d’ Água de Mijavelhas”, que na ribeira, à entrada da “Estrada para Valongo e Além”, de “Chafariz” do Fernão Lopes passou a “Arca” dos Homens-Bons do Porto Renascentista e de “Arca” a “Reservatório do Campo Grande”  


Segundo a Wikipedia a arca de água de Mijavelhas, de origem medieval, servia para proporcionar o abastecimento de água à cidade, captando mananciais de água para levar às fontes e chafarizes da cidade, onde os águadeiros se abasteciam. O topónimo Mijavelhas é uma designação pitoresca que teve origem, segundo uma antiga tradição, por ser ali que as mulheres se "aliviavam" quando vinham de Valongo e São Cosme à cidade, para vender produtos agrícolas e pão nas feiras de São Lázaro.


fontenários e chafarizes 32 - Setúbal (Fonte de Palhais)

 * Victor Nogueira

A Fonte de Palhais, também conhecida como chafariz da praça ou chafariz de S. Bernardo, por se situar junto a um antigo convento de freiras Bernardas. Em 1772, o Marquês de Pombal terá dado ordem à Câmara de Setúbal para pagar a despesa respeitante à construção do chafariz e respetiva canalização. O diretor da obra foi o coronel de engenharia José Bruno de Cabedo, mas desconhece-se o “grande mestre do cinzel” responsável pelas bicas em forma de “expressivas carrancas” presentes no conjunto. Destaque ainda para a decoração: arabescos, o escudo de armas de Portugal, flores, troncos, folhas, bagas de loureiro, tudo encimado . por uma coroa imperial com cruz de alto-relevo 
(http://www.aguasdosado.pt/backoffice/files/file_41_1_1318437799.pdf)








Abluções matinais


(foto de autor não identificado)


VER