Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Grandes momentos do cinema - Eric Rohmer (1920-2010)





Diário Catarinense - 13 de janeiro de 2010 | N° 8682 

CINEMA

Eric Rohmer foi pioneiro da nouvelle vague

Cineasta que morreu na segunda-feira, aos 89 anos, deixou legado de filmes autorais, de caráter intimista, sempre focado em relações amorosas e com forte viés filosófico

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A morte do cineasta francês Eric Rohmer, na segunda-feira, em Paris, aos 89 anos, encerra um importante capítulo da história do cinema.
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Nascido Jean-Marie Maurice Schérer em 21 de março de 1920, em Tulle (França), Rohmer foi um dos maiores nomes do cinema e figura central da nouvelle vague – “nova onda”, movimento do final dos anos 1950 criado por jovens críticos como Jean-Luc Godard, Claude Chabrol e François Truffaut (1932-84) que questionava o cinema clássico francês.
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Rohmer era conhecido por seu estilo intimista, com filmes sobre desencontros amorosos que colocavam a palavra no centro da ação cinematográfica. Seus diálogos tomavam a forma de divagações filosóficas.
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Em artigo publicado em sua edição eletrônica, o jornal Le Monde classificou a obra de Rohmer como uma “concepção muito francesa da arte”.
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“Clássico e romântico, inteligente e iconoclasta, leve e sério, sentimental e moralista, ele criou o ‘estilo Rohmer’, que sobreviverá a ele”, disse o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em nota oficial, acrescentando que Rohmer foi um “grande autor, que continuará dialogando conosco e nos inspirando por anos e anos”.
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– Cada um de seus filmes era um jogo compartilhado, com regras próprias, em que cada ator fazia sua parte – disse Serge Toubiana, diretor da Cinemateca Francesa.
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Camus e Renoir foram influências
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Rohmer venceu o Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra no Festival de Veneza, em 2001, e foi indicado ao mesmo prêmio pelo filme Os Amores de Astrée e Céladon em 2007, ainda inédito no Brasil. O diretor foi indicado uma vez ao Oscar, por melhor roteiro, em 1971, por Minha Noite com Ela. Venceu também o Urso de Prata, no Festival de Berlim, pelo filme A Colecionadora, em 1967.
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Em texto publicado segunda-feira, o Le Monde lembra ainda sua “sutileza espiritual, seu gosto pela impertinência e pela liberdade”, classificando o diretor como “representante do cânone do cinema francês” e, ao mesmo tempo, um “clássico contrariado”.
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Antes de se dedicar à direção de filmes, Rohmer foi crítico de cinema e comandou a revista Cahiers du Cinéma de 1957 a 1963. Rohmer era considerado o mais conservador do grupo.
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Nas críticas que escreveu, defendia o cinema clássico de Hollywood e foi um dos primeiros a reconhecer a importância do britânico Alfred Hitchcock.
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–Há em todos os meus filmes algo que não é leve – afirmou Rohmer em entrevista de 2007.
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Cita entre suas influências o norte-americano Howard Hawks, o francês Jean Renoir e o italiano Roberto Rossellini. Na literatura, enumera entre seus preferidos o escocês Robert Louis Stevenson e o norte-americano Herman Melville.
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Diretor fez filmes que não passaram no Brasil
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Lembra-se também de O Estrangeiro (1942), de Albert Camus, livro que inspirou sua ideia de um “presente no passado”.
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– É um pretérito simples, só que no presente. Não marca a continuidade da ação, mas o momento da ação – disse.
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Rohmer tem três principais ciclos: os Contos Morais; Comédias e Provérbios (ambos com seis filmes cada um); e Contos das Quatro Estações.
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São inéditos no Brasil seus três últimos filmes:Triple Agent (2004), Le Canapé Rouge (2005) e Os Amores de Astrée e Céladon (2007).
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.Multimídia

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Grandes momentos do cinema - Eric Rohmer (1920-2010)

Rápida e modesta homenagem a um dos grandes do cinema francês  contemporâneo (pós-nouvelle vague), vai abaixo um extrato de Amor à Tarde, filme que Eric Rohmer lançou em 1972, logo após o festejado O Joelho de Claire (1970).
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Rohmer morreu esta semana, aos 89 anos, deixando uma obra significativa, composta por filmes em sua maioria dedicados a investigar os paradoxos das relações amorosas e invariavelmente divididos em séries como a dos Seis Contos Morais ou a dos Contos das Quatro Estações. Esta última, composta por quatro longas-metragens, cada um com o nome de uma estação do ano, foi exibida integralmente em Porto Alegre num ciclo da Sala P.F. Gastal na virada dos anos 1990 para os 2000 - se minha memória de cinéfilo não estiver me traindo.
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No total, foram 24 longas, entre os quais Minha Noite com Ela (1969) e O Raio Verde (1985), homenagem a Julio Verne que lhe rendeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza, maior prêmio de toda a sua carreira.
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Amor à Tarde, último de seus Seis Contos Morais, como você pode ver abaixo, vê com uma fina e significativa ironia as inquietações masculinas em relação ao desejo - e à fantasia de possuir todas as mulheres possíveis. O pequeno burguês insaciável e um tanto ridículo é interpretado por Bernard Verley. O trechinho tem legendas em inglês e também em espanhol.
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Depois, na sequência, vai também uma compilação de todos os filmes de Rohmer disponíveis em DVD no Brasil (lançados pela distribuidora Europa).
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Rohmer em DVD no país:
O Signo de Leão (1959)
A Padeira do Bairro (1963)
A Carreira de Suzanne (1963)
A Colecionadora (1967)
Minha Noite com Ela (1969)
O Joelho de Claire (1970)
Amor à Tarde (1972)
A Marquesa D’O (1976)
A Mulher do Aviador (1981)
O Casamento Perfeito (1982)
Pauline na Praia (1983)
Noites de Lua Cheia (1984)
O Raio Verde (1986)
As Quatro Aventuras de Reinette e Mirabelle (1987)
O Amigo de Minha Amiga (1987)
Conto de Primavera (1990)
Conto de Inverno (1992)
Conto de Verão (1996)
Conto de Outono (1998)
A Inglesa e o Duque (2001)
Os Amores de Astrée e Céladon (2007)
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Postado por daniel_feix, às 12:19 - Blog Cineclube
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Morre o fotógrafo Dennis Stock, aos 81 anos

 

 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Morre o fotógrafo Dennis Stock, aos 81 anos

© Dennis Stock. Venice Beach Rock Festival, 1968.

O fotógrafo Dennis Stock morreu na última segunda-feira (11/01), aos 81 anos. Mas só hoje a notícia começou a circular nos sites e blogues especializados. A Agência Magnum emitiu também um comunicado sobre a morte do homem da casa hoje, na sua página do Facebook. Dennis sofria de câncer e tinha várias complicações. Conhecido por fotografar preferencialmente as estrelas de Hollywood, Stock retratou Marylin Monroe, Marlon Brando, entre muitos outros. E fez uma grande sessão fotográfica com James Dean, em 1955, cujo resultado acabou por ser publicado na Life pouco após a morte prematura do ator. “Stock conseguiu evocar o espírito da América através dos retratos memoráveis e icônicos de estrelas de Hollywood”, defende a Magnum, agência a que pertencia desde 1951. Fora dos retratos de Hollywood, Stock gostava do mundo da música. Louis Armstrong, Billie Holiday, Sidney Bechet, Gene Krupa, Duke Ellington, são alguns dos exemplos de celebridades nesta área que fotografou. Sobre uma vida dedicada à fotografia, Stock disse um dia: “Tive o privilégio de ver a maior parte da vida através da lente das minhas máquinas, o que tornou esta viagem uma experiência alucinante”. Veja mais fotos de Dennis Stock Aqui
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1 comentários:

TS disse...
Eric Rohmer, cineasta francês q sp se preocupou c/ o aspecto fotográfico nos filmes, tbm faleceu nesta semana, aos 80...