Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Lee Miller, uma modelo no front

HISTÓRIA VIVA
O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons. Martin Luther King

 segunda-feira, 6 de setembro de 2010



Lee Miller, uma modelo no front
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Na Europa da Segunda Guerra, a fotógrafa Lee Miller era a única mulher na cobertura das batalhas. Esse foi apenas um capítulo da vida da ex-manequim, musa dos surrealistas
por Ana Paula Alfano
Lee Miller tirou o uniforme cáqui do exército, os coturnos pesados e entrou nua na banheira. Teria sido um banho como outro qualquer, não fosse a câmera do amigo (e amante) Dave Scherman, fotógrafo da revista semanal Life, que registrou o momento. A banheira não era apenas uma banheira. A casa não era apenas uma casa. E o dia não era outro qualquer. Tratava-se do banheiro da casa onde Adolf Hitler morara durante anos, em Munique, no número 16 da rua Prinzregentenplatz. E era 30 de abril de 1945. Naquela mesma noite, a rede BBC daria a notícia de que o ditador cometera suicídio, em Berlim. Além do local e da data históricos, a imagem resume num só clique quem foi a fotógrafa americana Lee Miller: uma mulher ousada, sem pudores e à frente de seu tempo, ex-modelo, musa dos surrealistas e, no momento daquele banho, correspondente de guerra da revista Vogue (sim, durante a Segunda Guerra Mundial eles não falaram apenas de moda).
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Como uma modelo virou fotógrafa e foi parar no front de combate, durante a guerra? Inquieta e atrás de novidades, Lee era movida a aventuras, como conta a biógrafa Carolyn Burke no livro Lee Miller – A Life. Nascida em Pough keepsie, estado de Nova York, viveu em Manhattan, Paris, Cairo e se mudou para Londres exatamente no dia em que a guerra contra a Alemanha foi declarada. Não queria ser apenas espectadora. Como não podia se alistar nas forças auxiliares, por ser estrangeira, procurou a Vogue inglesa com sua máquina debaixo do braço, propondo registrar a guerra para a revista. Na época, a relação da publicação com a guerra se limitava a reportagens, por exemplo, sobre que cor de batom usar com o cáqui dos uniformes, ou como se vestir bem com o racionamento de tecidos. Lee convenceu a editora Audrey Whiters a deixá-la ir além. “Revistas – diferentemente de livros – são essencialmente sobre o aqui e o agora. E o agora que estamos vendo é a guerra”, Whiters explicou na época. O primeiro grande ensaio de Lee feito num front, na Normandia, foi publicado em 1944. “Eu fotografava e virava o rosto para o outro lado. Não queria encarar os feridos, com medo de que minha feição me traísse e entregasse àqueles homens o horror que eu estava sentindo”, Lee escreveu no texto, que mudaria o jeito como a Vogue até então era encarada no mercado. “Ninguém imaginava que faríamos aquele tipo de reportagem, porque éramos vistos apenas como uma revista de moda fútil.” Lee passou um ano de front em front: foi a única correspondente mulher a acompanhar batalhas em solo europeu durante toda a guerra. Muitas fotos eram confiscadas por censores e, no meio do caminho, Lee precisou voltar para casa porque teve sua credencial cassada pelo Shaef (Supreme Headquarters Allied Expeditionary Force), comando das Forças Aliadas no norte da Europa, que proibia a presença de mulheres no front. Sem se dar por vencida, ela conseguiu uma autorização de trabalho da Força Aérea, que, ao contrário do Exército, dava a homens e mulheres o mesmo direito de cobrir a guerra. Os dois sexos tinham também condições iguais no dia-a-dia do front. Ela se lavava com água de chuva que juntava em seu próprio capacete e comia a mesma ração distribuída aos soldados. Além de bombardeios, clicava a rotina dos oficias, as ruínas e os corpos putrefatos e ouvia histórias de sobreviventes, o que a transformou numa inimiga ferrenha dos nazistas. No início de 1945, quando a Alemanha já tinha praticamente perdido a guerra, Lee se dedicou a fotografar oficiais alemães mortos. Todo o trabalho de guerra de Lee Miller foi publicado em junho de 1945, num número histórico da Vogue inglesa, até hoje cobiçado por colecionadores, que foi batizado de “edição da vitória”.
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O começo de tudo
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Lee deu os primeiros passos na fotografia com o pai, Theodore, com quem mantinha uma relação de adoração quase doentia – a ponto de, já adulta, posar nua para ele, muitas vezes na companhia de outras amigas. Apesar de ter crescido numa cidade do interior, ela tinha uma cabeça de metrópole. A primeira viagem à Europa foi aos 18 anos, com uma professora de dança polonesa. Chegou a Paris e ficou hospedada num hotel que servia de bordel. “Foi ali que senti, pela primeira vez, tudo se abrindo para mim”, revelaria a fotógrafa, 50 anos mais tarde. Ela levava vida de artista, com pouco dinheiro e muita boemia. Estudava cenografia na revolucionária L’Ecole Medgyès e também era amante do dono do curso, bem mais velho que ela. Era 1925 e os dadaístas estavam reinventando a si mesmos como surrealistas, liderados por André Breton. Jean Cocteau, Pablo Picasso, Gertrude Stein e Ernest Hemingway fervilhavam.
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Um ano mais tarde, de volta a Nova York, Lee decidiu se dedicar melhor à dança e entrou para o corpo de baile da companhia George White’s Scandals. O dinheiro era curto e a vida em Manhattan cara demais – para ganhar um extra, arranjou emprego de modelo de lingerie da marca Stewart & Company, na Quinta Avenida. Não tinha a intenção de transformar aquilo em carreira, até cruzar com o poderoso Condé Nast, dono de um império editorial que incluía a famosa revista de moda Vogue. Ele a parou no meio da rua e a convidou para visitar seu escritório e trabalhar na Vogue. Edna Chase, editora da revista, já estava acostumada a ter na redação protegidas do senhor Nast, mocinhas lindas e incompetentes. Mas se surpreendeu com Lee, que resumia sua nova linha editorial, direcionada a mulheres modernas e independentes. Lee foi a capa da edição de março de 1927, virou a preferida dos fotógrafos de moda e, incentivada por eles, voltou a fotografar. Apaixonada pelo assunto, ficou sabendo do trabalho revolucionário de Man Ray, na França. Fez as malas e, em 1929, foi atrás do fotógrafo. Seguiu para o estúdio de Ray, no bairro de Montparnasse, e se apresentou como sua mais nova aluna. “Não tenho alunos e vou passar todo o verão fora de Paris”, o fotógrafo respondeu. “Eu vou junto”, ela retrucou. E assim foi. Apaixonado pelo lado ousado de Lee, Ray, 17 anos mais velho, transformou-a em pupila, assistente e amante. Os dois viveram juntos por três anos. Foi uma escola importantíssima para a carreira da fotógrafa. Além de aprender a técnica, Lee convivia com os amigos do namorado, os maiores artistas da época.
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O crash da bolsa de Nova York, em 1929, afetou o movimento do estúdio de Man Ray. Sem dinheiro, Lee procurou a Vogue francesa. A revista era a única que não tinha sido abalada pelos problemas econômicos do mundo e abastecia as Vogue americana e britânica com ensaios de moda. Lee virou modelo de vários deles. George Hoyningen-Huene, chefe do estúdio da Vogue na França, logo entrou para a lista de fãs da jovem Lee e a nomeou sua assistente. Man Ray morria de ciúmes da namorada. Incentivava seu trabalho, mas não conseguia conviver com seu espírito moderno e livre. Sufocada e apaixonada por outro homem, o aristocrata egípcio Aziz Eloui Bey, que viria a se tornar seu primeiro marido, Lee terminou o romance com Ray. O fanatismo de Man Ray pela americana era tão grande que, arrasado, ele fez na época um auto-retrato – a foto o mostrava ao lado de uma arma e com uma corda em volta do pescoço.
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Lee retornou a Nova York já famosa, símbolo maior da mulher moderna, e dona de seu próprio estúdio. Ensaios da Vogue a colocavam na posição de ícone de elegância. A carreira estava ótima – Lee clicava campanhas de marcas como Saks Fifth Avenue, Macy’s, Helena Rubinstein e Elizabeth Arden. Cada vez mais focada em fotografia de moda, se distanciava do experimentalismo de Man Ray. Mas, em 1934, mesmo eleita pela revista Vanity Fair um dos sete fotógrafos ainda vivos mais brilhantes do mundo, Lee não estava satisfeita. Não achava moda o assunto mais interessante do mundo. Então casada com Aziz, decidiu largar tudo para morar com ele no Cairo.
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O começo da vida de Lee no Egito foi um período distante de tudo – da família, dos amigos e, principalmente, dela mesma. A fotógrafa queria negar o que tinha sido até ali. O marido, engenheiro formado na universidade inglesa de Liverpool, era 16 anos mais velho e dono de uma mente aberta. Durante dois anos a fotógrafa não exerceu seu ofício. Quando a monotonia finalmente começou a incomodar Lee, a câmera voltou a ser sua maior companheira. Um capítulo importante de sua obra são os ensaios que fez em expedições pelo Oriente Médio, naquela época.
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Se, durante seu primeiro casamento, Lee se enquadrou às regras e ao padrão esperado na época, o mesmo não pode ser dito do segundo. O relacionamento com o pintor e poeta inglês Roland Penrose, bissexual, com quem Lee viveu até morrer, de câncer, em 1977, começou numa festa, em 1937. Naquela noite, Roland estava com os cabelos verdes, a mão direita pintada de azul e calças com cores do arco-íris. Um dos maiores responsáveis por levar o surrealismo para a Inglaterra, depois de organizar no país a primeira exposi ção do gênero, na New Burlington Galleries, Roland tinha o que Lee mais apreciara durante toda a sua vida: era, como ela, uma pessoa guiada pela vanguarda.

Saiba mais
A OBRA
Lee Miller – A Life, Carolyn Burke, Alfred A. Knopf, 2005
R$ 97 426 páginas
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SITE
www.leemiller.co.uk
O site oficial mantido pelo filho de Lee, Antony Penrose, tem o acervo fotográfico da carreira dela.
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EXPOSIÇÃO
The Art of Lee Miller
A mostra fotográfica vai até janeiro de 2008, no Victoria & Albert Museum, de Londres

Revista Aventuras na História


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Katyusha Russian Folksong


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RvBphil | 12 de janeiro de 2009
Montage dedicated to the brave soldiers of the red army set to the Russian folksong composed by Matvey Blanter
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apophis14189 | 8 de fevereiro de 2009
nenhuma descrição disponível
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quinta-feira, 1 de julho de 2010

The Oradour-sur-Glane Experience: a Nazi Massacre


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jluis333 | 3 de Janeiro de 2007
To honor those who perished under the Nazis.
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dewARTvideo | 8 de Dezembro de 2007
The story of a peaceful French Village massacred by Nazi SS troops.

To learn more about the film maker visit www.davewindle.com
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baron3cyril | 15 de Julho de 2007
en ayant visiter moi meme cette ville j ai eu l idée de realiser une video avec quelques photos que j ai prise et des images d archives
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Campos de Extermínio


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bobjennes | 4 de Outubro de 2007
Productie over het tweede Auschwitzproces waarin de overlevenden en kampbewakers opnieuw oog in oog staan en de gruwelijkheden van de holocaust herbeleven ... Het Onderzoek
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Holocaust Video


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Incorporação desactivada por pedido
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cowluver12300 | 30 de Novembro de 2006
Our group's theology project video. IT shows the hardships most Jews had to face in concentration camps.
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quarta-feira, 10 de junho de 2009

As fotografias míticas de Robert Capa no Dia D

Especial Dia D

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São apenas 12, mas o fundador da Magnum fez no desembarque da Normandia das melhores imagens da história do fotojornalismo

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Luiz Carvalho
10:00 Sábado, 6 de Jun de 2009
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As imagens de Capa fazem parte da história do fotojornalismo
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As imagens de Capa fazem parte da história do fotojornalismo
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Têm todos defeitos para serem das piores fotografias de uma reportagem. Estão tremidas, desfocadas, com uma luz difusa, e para uma reportagem completa não se pode dizer que dêem uma grande possibilidade de escolha, pois são apenas 12 fotografias. Mesmo assim são consideradas - apesar de todos estes defeitos técnicos e editoriais -, das melhores imagens da história do fotojornalismo.

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Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ ESPECIAL DIA D

Trata-se das fotografias míticas do mítico Robert Capa, o mesmo que imortalizara a morte em combate do republicano espanhol na Guerra Civil, o mesmo que dois anos depois do desembarque dos americanos na Normandia, fundou a agência fotográfica Magnum.

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A história dessa dúzia de fotografias, também elas sobreviventes da guerra, é contada pelo então director de fotografia da delegação da "LIFE " em Londres, 24 Upper Street Wimpole, John G. Morris no seu livro "Des Hommes d`Images". Morris descreve com dramatismo e humor os dias difíceis em Londres, entre bombardeamentos persistentes e a necessidade de furar o controle da censura, o arranjar formas de fazer chegar a Nova York fotografias da luta contra o domínio nazi. A "LIFE " tinha a trabalhar para a delegação em Londres os então mais cotados fotojornalistas do mercado. Destacavam-se Bob Landry, George Rodger, Frank Scherschel e o já famoso Robert Capa.
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A preparação da reportagem do desembarque na Normandia foi meticulosamente preparada pela "LIFE ", que fazia questão em concorrer taco-a-taco com as agências noticiosas, o que deixava algum mal estar junto destas. A "LIFE " considerava que as suas fotografias deveriam ser as melhores e as mais exclusivas. Por isso destacou seis fotógrafos, contra outros seis das outras três agências presentes.

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Com a influência política que a "LIFE " tinha, e graças ao prestígio de fotógrafos seus junto das entidades militares (caso de David Seymour que chegou a trabalhar como sargento-fotógrafo para a Força Aérea americana), John G. Morris conseguiu que Robert Capa pudesse entrar a bordo com o 16º Regimento da 1ª divisão, designada de "Easy Red" numa operação com o código "Omaha".
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Foi um desembarque dramático, segundo relatou Capa, e esses minutos onde havia mortos e feridos por todo o lado, foram testemunhados pela câmara fotográfica Leica de Capa em quatro filmes de 36 fotos cada um.

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Em Londres, John G. Morris, ansiava pelas fotografias, mas naquele dia não se soube nada. Nem se havia fotografias, nem no que teria acontecido a Robert Capa. Só ao fim da tarde do dia seguinte, chegou um motociclista com um pacote à sede da "LIFE ". Havia um nervosismo enorme. Havia que revelar rápido os filmes, imprimir as fotos e ir a correr com elas à censura para depois poderem seguir para a sede de "LIFE " em Nova York.

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Os filmes começam a ser revelados por um assistente (diz-se que seria o estagiário David Burnett, hoje um decano do fotojornalismo) que decide fechar a porta do laboratório enquanto a estufa secava os filmes. Passados minutos, o estagiário corre para Morris e diz-lhe apavorado que os filmes derreteram com o excessivo calor da estufa. Morris constata que três dos filmes estão esturricados mas que no quarto se conseguem salvar 12 fotografias, aquelas que hoje conhecemos.

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A cena é tão desagradável que Robert Capa nunca quis comentar com John G. Morris este acidente. Estas fotos ficaram para a História como testemunhos de um momento extraordinário. Há outras fotografias de outros fotógrafos de agência e mesmo da "LIFE ", fotografias tecnicamente perfeitas e que até mostram bem todo o aparato militar mas que não têm a emoção nem o sentido da história das de Capa.

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Clique para ver no site da revista LIFE as imagens de Robert Capa
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expresso.pt/as-fotografias-miticas-de-robert-capa-no-dia-d


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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Mostra com fotos da ''Paris sob o nazismo'' gera polêmica





Uma exposição de fotos de Paris no período da ocupação alemã, durante a Segunda Guerra Mundial, está causando grande polêmica na França. As fotos, apresentadas na Biblioteca Histórica de Paris, mostram apenas imagens de parisienses, muitos deles elegantes, passeando despreocupados por locais emblemáticos da cidade, como a Praça da Concórdia ou a Avenida Champs-Elysées, ou namorando em parques.


O prefeito da capital, Bertrand Delanoë, decidiu retirar das ruas os pôsteres de divulgação da mostra, mas optou por mantê-la em cartaz, apesar dos protestos em relação às imagens realizadas por um fotógrafo de uma revista de propaganda nazista. Críticos disseram que os cartazes da exposição não deixavam claro que as imagens foram feitas dentro de um contexto de propaganda nazista.

A exposição, que reúne 250 fotos e é apresentada como ''uma visão da vida parisiense durante a ocupação alemã'', não mostra os aspectos dramáticos desse período, como as longas filas de espera em frente às lojas de alimentação ou a perseguição e deportação de judeus.

Revista dos países ocupados

As fotos, coloridas, o que era raríssimo na época, foram realizadas pelo fotógrafo francês André Zucca, que trabalhava para a revista de propaganda nazista Signal.

Zucca, correspondente de guerra para o jornal France Soir e a Paris Match, foi ''requisitado'' pelos alemães em 1941 para trabalhar na ''Signal'', revista bimestral divulgada em todos os países ocupados pela Alemanha.

O fotógrafo conseguiu obter filmes a cores justamente pelo fato de trabalhar para uma publicação nazista. As fotos de André Zucca são as únicas em cores tiradas em Paris nesse período da ocupação alemã na França.

''A ausência de precauções, sobretudo em relação à campanha de divulgação da exposição puderam criar incompreensões. Mas tirá-la de cartaz traria problemas porque a mostra tem virtudes pedagógicas em relação a uma outra realidade da ocupação alemã'', afirmou o prefeito.

''Enquanto alguns viviam muito bem, outros sofriam'', disse Delanoë. A prefeitura reconhece que os cartazes poderiam ter tido algum tipo de explicação para informar melhor aos parisienses o contexto em que as fotos foram tiradas.

Manipulação

O secretário municipal de Cultura, Christophe Girard, denunciou uma ''manipulação por trás das belas imagens'' e pediu o encerramento da exposição. O prefeito Delanoë pediu que debates sobre a ocupação alemã e sobre a exposição sejam organizados com historiadores durante o evento.

Durante a Segunda Guerra, 76 mil judeus na França foram deportados para campos de concentração, sendo 11 mil deles crianças.

A exposição na Biblioteca Histórica de Paris fica em cartaz até o dia primeiro de julho. Veja abaixo algumas das fotos expostas:



Praça da Concórdia



Rua do centro parisiense


Garotas no Jardim de Luxemburgo


Cine Lux Bastille e a estação de metrô da Bastilha

Fonte: BBC Brasil

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in Vermelho - 26 DE ABRIL DE 2008 - 12h05
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