Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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quinta-feira, 25 de junho de 2020

Santuários 21 - Nossa Senhora do Carmo da Penha, em Guimarães

* Victor Nogueira


[Eu, o avô Barroso e o tio Zé] Fomos a Famalicão, à Feira anual. Lá vendia se gado bovino e asinino, cerâmica, louças, roupas, arreios, etc. Há também uma feira semanal às quartas-feiras. No fundo a feira é igual às de Barcelos e Monte Real. Vi algumas mulheres de Viana [do Castelo] com os seus trajos típicos.  É provável que, em Outubro, o avô Barroso me leve à Penha e a Guimarães. (1963.09.29 - Diário III)

Para terminar o passeio fomos até à Penha, passeando por aquelas fragas e por entre os penedos, o que muito me agradou. (NSF - 1968.10.04) 

Tem uma admirável vista, sítio onde afloram enormes pedregulhos graníticos, irrompendo do solo. Num dos blocos graníticos há um memorial esculpido, consagrado a Gago Coutinho e Sacadura Cabral, e noutro a capela de N. Sra. do Carmo. No cimo do monte existe um desgracioso Santuário ponto de romarias e peregrinação. (Memórias de Viagem, 1997)

«As obras de construção iniciaram-se em 6 de Agosto de 1930, segundo o projecto do arquitecto Marques da Silva.

O Santuário da Penha é uma obra construída quase toda em granito da região, com o objectivo de esta se integrar no ambiente que a rodeia. As suas linhas, modernas para altura, não seguem as formas tradicionais, sendo sempre linhas rectas, estando integrada no estilo "Art Deco" da década de 30. A inauguração foi em 14 de Setembro de 1947. » (Wikipedia)

As fotos são de 1959, das férias que a minha mãe passou em Portugal.

domingo, 29 de janeiro de 2017

a preto e branco - transmutação

* Victor Nogueira


Setúbal - vivenda fronteira ao Palácio dos Arciprestes


Mindelo - no quintal


 Famalicão - Igreja de Santiago de Antas


Vila do Conde - Estátua de José Régio 


Azurara - Capela de S. Sebastião


Cabo Espichel - Praia dos Lagosteiros 


 Serra da Arrábida - Palácio da Comenda, na foz da Ribeira da Ajuda


Vila do Conde - Largo de S. João 


Setúbal - Vivenda N. Sra do Carmo, arruinada,  de antigo industrial da pesca (Bairro Salgado)


Setúbal - muralha medieval e Casa da Confraria do Corpo Santo (Museu do Barroco)


  Serra da Arrábida - Palácio da Comenda, na foz da Ribeira da Ajuda


 árvore


Azurara - Igreja de Santa Maria a Nova e cruzeiro 


Póvoa de Varzim - coreto 


Vila do Conde - Igreja de S. João Baptista 


Vila do Conde - cruzeiro da Misericórdia 


  Famalicão - Igreja de Santiago de Antas


Vila do Conde - Igreja de S. João Baptista 


Azurara - Igreja da S Nicolau (antiga Misericórdia) 


Azurara - Igreja de Santa Maria a Nova e cruzeiro 


Vila do Conde - Jardim Júlio Graça


Vila do Conde - Largo de S. Sebastião e fontenário


Vila do Conde - Igreja de S. João Baptista


Vila do Conde - Capela da Agonia do Senhor


Porto  - Igreja dos Carmelitas Descalços e Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo


Guimarães - Paço dos Duques de Bragança


Vila do Conde - nau quinhentista no Rio Ave


Vila do Conde - nau quinhentista com a Capela de N. Sra do Socorro ao fundo


Vila do Conde - nau quinhentista com o Convento de Santa Clara ao fundo


Setúbal - sineta dos toques de aulas no ISESE (Évora)


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Efeitos especiais 01


* Victor Nogueira
Guimarães - Palácio dos Duques de Bragança 
Mindelo - flores no quintal 
Setúbal - altar do Cemitério da Misericórdia 
Setúbal - Vivenda face ao antigo Palácio dos Arciprestes 
Coimbra . Sé Velha (?) 
Vila do Conde - estátua de José Régio na Praça José Régio 
 Azurara - capela românica
Sesimbra - Praia dos Lagosteiros no Cabo Espichel 
 
Setúbal - Palácio da Comenda
 
Azurara - Igreaja de Santa Maria A Nova


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Guimarães, o Paço e os Duques de Bragança

* Victor Nogueira



foto victor nogueira -. guimarães (paço dos duques de bragança)

O apoio de nun'álvares pereira (filho secundigénito) ao mestre de avis (filho bastardo real e candidato ao trono real) foi bastante frutuosa. Com efeito, se o chamado "santo condestável" se tornou mais rico que o futuro Rei, casando um seu filho com uma filha bastarda deste, deu origem à mais rica e poderosa casa nobre que havia de governar Portugal a partir de 1640, até à implantação da República em 1910.


Muito ricos tinham ser os Duques que depois se tornaram reis, possuindo palácios, igrejas, propriedades agrícolas e tapadas por todo o território continental


Esta foto é de finais do século XX e hoje as árvores estão mais crescidas e tapando o edifício.

Quando visitei este palácio não sei se em 1963 se em 1968, os guias de então (não poucas vezes já idosos) tinham o discurso engatilhado e memorizado; se lhes fazíamos uma pergunta não sabiam responder e recomeçavam o discurso desde o início, o que era uma enorme seca.
 —

domingo, 28 de dezembro de 2014

em Guimarães

* Victor Nogueira

1. - Ao longo dos anos múltiplas foram as vezes que fui a Guimarães. Desta feita e neste final de 2014  almoçamos num restaurante, papas de serrabulho, o repasto prolonga-se e a visita a Guimarães começa já tardiamente, as sombras dificultando as fotos. As papas de serrabulho não eram tão saborosas como as que com a Isabel duma feita e a Fátima doutra comemos em  Ponte de Lima.

Hoje deambulamos pelo centro histórico, visitamos o Castelo - onde um homem a troco de 1 euro permite que os visitantes tirem fotos com um falcão no braço protegido por luva de falcoeiro -  damos uma olhadela para o interior da Igreja românica de S. Miguel, circundamos o Paço dos Duques de Bragança (1) (uma recriação das ruínas nos anos '30/'40 que nada terá a ver com o original, como aliás sucede com o castelo) e deste modo terminmos esta deambulação após uma volta pelo Centro Histórico, que me encanta.



1968
Almoçámos em Guimarães e visitámos o Castelo, de que só restam as muralhas e a torre de menagem, além de vestígios das antigas habitações (lareiras, janelas na muralha). A torre de menagem, construção quadrangular ao centro, era o último reduto do castelo, com uma única porta, quase ao nível das ameias; uma ponte levadiça era e é o único acesso a tal torre. O guia empregou uma expressão original: "Se o castelo era a vida da torre, a torre era o castelo da vida". 


Visitámos também o Palácio Ducal de Bragança, edifício com influências normandas, feito de granito, com grandes, escuras e frígidas salas, de espessas paredes. Essa Idade Média, das cavalheirescas e romanescas aventuras, da cavalaria, dos torneios e das cruzadas, não deveria ser tão dourada como a minha imaginação de adolescente imaginara, em grande parte devido aos tão apreciados, naquele tempo, romances de Sir Walter Scott e narrativas de Alexandre Herculano. Salas escuras, cheiro a suor e corpos sujos, frio com o ambiente cheio de fumo dos archotes e das lareiras e o mau cheiro resultante da ausência de latrinas, "aliviando-se" as pessoasem qualquer canto. O Palácio é um edifício acastelado, no interior do qual existe um pátio empedrado rodeado de claustros no 1º piso e de uma varanda coberta no 2º.


A cidade, não sei bem porquê, lembrou me Évora, embora a traça arquitectónica dos seus edifícios seja sem dúvida diferente: como a das cidades dos Países Baixos. Talvez pela pacatez e patine dos prédios.

Para terminar o passeio fomos até à Penha, passeando por aquelas fragas e por entre os penedos, o que muito me agradou. (NSF - 1968.10.04)

1997
O castelo no cimo de colina arborizada e pedregosa, imponente, com a pequena igreja românica de S. Miguel do Castelo e o Paço dos Duques de Bragança, de paredes quebradas por seteiras, cujo ar maciço é quebrado pelas fiadas de janelas. As inúmeras chaminés cilíndricas, estreitas, talvez das lareiras, fazem lembrar. uma cidade industrial dos tempos da máquina a vapor. (A estátua de D. Afonso Henriques tinha uma réplica em Luanda). No pátio central, do lado da capela gótica, as arcadas ogivais da varanda corrida do 2º piso, sob uma outra varanda de arcos mais pequenos, faz lembrar a fachada duma casa cuja porta central fosse encimada por um coberto de duas águas. O Paço é um edifício que faz lembrar construções normandas.

O centro histórico, um dédalo de ruas mais ou menos estreitas e tortuosas, onde coexistem construções de várias épocas - casas setecentistas na Praça de Santiago, com varandas de sacada, muitas delas de balaustrada em madeira. O edifício dos antigos Paços do Concelho, ameado, é uma construção com alpendre de arcadas no piso térreo sob um friso de janelas com sacadas, situa-se no mesmo largo da igreja de N. Sra. da Oliveira, com torre anexa construída posteriormente. Esta igreja, foi mandada edificar por D. João I em cumprimento de promessa feita pela vitória na batalha de Aljubarrota, sobre as hostes castelhanas. Enfim ... de promessas se faziam igrejas, mosteiros e conventos, tudo para maior glória de Deus e dos vencedores! Defronte situa se um cruzeiro coberto por um alpendre sustentado por quatro colunas, templete gótico comemorativo da Batalha do Salado: trata se do padrão de N. Sra da Vitória. Num recanto uma atarracada torre ameada, adjacente à Casa dos Laranjais.

Característico é o conjunto urbano da rua D. João I, com as suas casas de ar medieval e varandas de balaustrada, de múltiplas portas envidraçadas e janelas de guilhotina. (Memórias de Viagem, 1997)

Penha de Guimarães
Tem uma admirável vista, sítio onde afloram enormes pedregulhos graníticos, irrompendo do solo. Num dos blocos graníticos há um memorial esculpido, consagrado a Gago Coutinho e Sacadura Cabral, e noutro a capela de N.Sra. do Carmo. No cimo do monte existe um desgracioso Santuário, ponto de romarias e peregrinação. (Memórias de Viagem, 1997)

2014
O centro histórico encontra-se recuperado mas não me encantou tanto como outrora, talvez pela diferença de percurso. O Castelo – uma invenção reconstruída pelo chamado Estado Novo, pareceu-me miniatural, despojado. Não visitámos os Paços do Duque de Bragança, outra reinvenção pois da traça original pouco se sabia para além das ruínas. No Castelo um homem deixava que os visitantes, a troco de 1 euro, segurassem uma águia na mão enluvada, para a foto do álbum de família. Do conjunto faziam também parte 2 grifos, todas estas aves possivelmente “sedadas”, dada a sua quietude.

Papas de serrabulho foi o almoço, não tão saborosas como as de Ponte de Lima.
 

Guimarães Shoping


Alameda de S. Dâmaso
  


Castelo











Paço dos Duques de Bragança






o fótografo apanhado como se em sombra estivesse a bailar (foto às chaminés do palácio dos duques de bragança) - foto victor nogueira

 Centro Histórico





Praça de São Tiago



  

(antiga Câmara Municipal)



Largo da Oliveira


(Igreja de N. Sra da Oliveira e Memorial da Batalha do Salado)