Castro Barroso Gato Nogueira - Blog Photographico - lembrança da moça do Alentejo
Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui
“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)
«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973
Uma tarde destas, na estrada da Baixa de Palmela, pedi ao Rui Pedro que fotografasse o aqueduto que corria paralelo ao caminho, mas, viajando aquele no banco do pendura, o condutor ficou no "apanhado". No entanto, a partir duma das fotos, o Carlos Barradas, com tratamento de imagem, reenquadrou e melhorou o resultado.
Corrigido e reenquadrado! (Carlos Barradas)
Esta ficou melhor, ajustei a cor e a definição! (Carlos Barradas)
O Aqueduto de Setúbal, também designado Aqueduto dos Arcos, tinha o seu início com a Arca d'Água, situada em Alferrara, na Serra dos Gaiteiros, e terminava no centro da então Vila de Setúbal.
Construído no final do século XV, no reinado de D. João II, prolongava-se por vários quilómetros, desde a nascente até às muralhas da vila. Em 1693 foi erguido o Chafariz do Sapal, em frente ao edifício dos Paços do Concelho de Setúbal, chafariz entretanto deslocado para a Praça Teófilo Braga, ao qual se seguiram outros, espalhados pela povoação.
Com o decorrer dos tempos o abastecimento de água à urbe deixou de ser efectuado por este aqueduto e o crescimento urbanístico reduziu os seus vestígios a alguns troços, o mais importante dos quais se localiza no centro da cidade, no local do antigo campo de futebol do Vitória de Setúbal, na antiga Estrada dos Arcos, para além da Arca de Água, em Alferrara, em degradação.
O Aqueduto é tema dum mural no túnel de acesso à Praceta dos Arcos, executado em 2019, no âmbito da 9ª edição do Projecto municipal Setúbal Mais Bonita. Designado como "Rio Azul” reproduz nas paredes a imagem do antigo aqueduto, cujas ruínas persistem neste local da cidade, tendo a cor azul como pano de fundo, simbolizando o rio Sado. O mural foi pintado por trabalhadores dos Departamentos de Administração e Finanças e das Obras Municipais.
Fotos em 2020 08 16 /Canon 183_08) e 2021 06 06 (Canon 193_06)
Em 2018 este mesmo local tinha outra decoração, como testemunham as fotografias que então efectuei durante uma das minhas photo-caminhadas. Os grafitos teriam sido executados por Secsus e por Egos, sobre anteriores inscrições.
Setúbal Aqueduto na várzea foto de capa em 23 de julho de 2018
A várzea de Setúbal é solo agrícola de elevada produtividade (Reserva Agrícola Nacional) que deveria ter sido protegido ocupado por quintas agrícolas paulatinamente substituídas por tloeamentos urbanos na sequência da especulação urbanística desenfreada iniciada a partir dos anos ’60 do século XX a que 16 anos de gestão PS/Mata Cáceres, o «Manel do alcatrão», não teriam posto termo mas que a subsequente gestão da CDU tem procurado inverter.
Há uma história sobre o actual traçado da variante da EN 10 que atravessa a várzea, da iniciativa da gestão PS/Mata Cáceres, e do mirante da Quinta da Azeda, que escapou à natural demolição por parte de quem nos anos ‘90/’80 nenhuma preocupação teve pela preservação do património histórico, natural, cultural, paisagístico ou edificado do município
Este troço parcial deste aqueduto e duma nora que não sei se ainda existe, para além do mirante da Quinta da Azeda, uma das 1ªs obras em betão armado, são dos poucos testemunhos que as desordenadas e desenfreadas especulações urbanísticas não arrasaram. Malgré tout.
A memória desses tempos persiste ainda no nome de urbanizações como as das Quintas do Freixo, da Azeda,Alves da Silva,, Aranguez ou Vanicelos
foto victor nogueira - Lisboa, Avenida Calouste Gulbenkian e Aqueduto das Águas Livres em Alcântara. Á esquerda parte do painel de azulejos, 1970-1982, de João Abel Manta. Ao fundo, o Parque Florestal de Monsanto, pulmão verde da cidade
João Abel Manta, painel de azulejos, 1970-1982, Av. Calouste Gulbenkian, Lisboa (fonte: wikipedia)
O Aqueduto da Água de Prata, conhecido também por Aqueduto da Água da Prata ou Aqueduto da Prata é uma complexa obra de engenharia hidráulica renascentista com o objectivo de abastecer a cidade de Évora com água. Inaugurado no ano de 1537, foi edificado no reinado de D. João III e projectado e construído pelo arquitecto régio Francisco de Arruda.] O aqueduto transporta água desde nascentes situadas na Graça do Divor, dentro dos terrenos do Convento São Bento de Castris, que "têm o seu primeiro principio na Herdade das Figueiras de Lobo", até à cidade de Évora percorrendo cerca de 18 km. As fotos remontam aos finais dos anos '70 de século XX, exceptuando a ´última..
Rua do Cano
Rua do Muro
Aqueduto da Prata - caixa de água na Praça do Sertório
Foto victor nogueira - Aqueduto da Usseira (Óbidos) rolo 216 (1998.01.13)
Usseira é a terra que deu nome ao aqueduto que abastecia Óbidos de água, construído no século XVI. Resolvo ir visitá-la, seguindo pela estrada velha que liga as Caldas da Rainha a Torres Vedras, estrada cheia de curvas e agradavelmente arborizada no vale transposto pelo viaduto da IC 1. Dos pontos mais altos avistam-se os campos, cabeços e povoações nos arredores, designadamente do lugar dos Moinhos da Usseira. Uma placa indica uma estrada secundária, mas chegado à povoação ninguém sabe onde fica a nascente ou mãe de água do aqueduto. Resta a visita à aldeia, longilínea, com casas arruinadas, um moinho de vento caiado e conservando ainda a estrutura das velas, vinhedos pelos campos. Da toponímia retenho nomes interessantes; ruas do Rio, do Canto, do Poço do Concelho, Principal, das Arigueiras, da Espinheira, do Outeiro, da Boavista, da Pereira ...
Regresso a Óbidos e resolvo seguir ao longo do aqueduto, rumo a Navalheira, mas a edificação perde-se por dentro dum portão, e fico sem chegar à nascente por esta via, a cavalo no automóvel. (Notas de Viagem, 1997.12.02)
A vila de Óbidos, seguia , está cercada pelas muralhas e numa das extremas situa-se o castelo medieval, altaneiro, com as suas torres quadrangulares ou cilíndricas. As casas, brancas na sua maioria, com os cunhais pintados de ocre ou de azul, estão engalanadas de flores naturais. Desembocando junto às muralhas, a arcaria do aqueduto de Usseira com cerca de três quilómetros, que abastecia a vila. (Notas de Viagem, 1997.06.28)
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Gravura de Maria de Fátima Santos - «um desenho que fiz deste aqueduto na zona de Óbidos»
Fotos victor nogueira - Elvas – Aqueduto da Amoreira – painel de azulejos na estação ferroviária de Elvas
Classificado com Património da Humanidade pela UNESCO, o «Aqueduto da Amoreira é uma obra gigantesca que se desenvolve desde a nascente principal em galerias subterrâneas numa extensão de 1367 metros e depois ao nível do terreno e em arcadas por mais de cinco quilómetros e meio que chegam a superar os 30 metros de altura. Possibilitou uma verdadeira era de progresso na cidade depois da sua construção, uma vez que abastecia uma multiplicidade de fontes intra-muros.»
Sendo um projecto de Francisco de Arruda, também autor da Sé elvense, a sua construção foi morosa, decorrendo de 1529 a 1622.
Foto victor nogueira - aqueduto de Serpa (nocturno)
À esquerda e ao fundo o Palácio dos Condes de Ficalho, servido pelo aqueduto, este erguido sobre as muralhas da vila. Inserido no pano das muralhas foi construído o referido e monumental Paço, obra iniciada por D. Francisco de Melo, alcaide-mor de Serpa, no final do século XVI, e que se prolongou no tempo.
Aqueduto de Santa Clara em Vila do Conde (Avenida do Atlântico) - (2014 09 18)
2014 - Inicialmente formado por 999 arcos, com cerca de 5 km, é o segundo aqueduto mais extenso de Portugal, construído entre 1705 e 1714, desde o Convento de Santa Clara até à nascente (Terroso, Póvoa de Varzim), com o objectivo de levar água até ao chafariz do Mosteiro, através da sua arcadura.
Do conjunto inicial persiste ainda uma grande parte da estrutura inicial, embora já muito fraccionada, sendo o troço da Igreja de Santa Clara e até ao limite do Concelho de Vila do Conde o que melhor conservação apresenta, numa extensão de 500 m, num total de cerca de quatro quilómetros. Possui uma arcaria de envergadura e altura decrescente, com arcos quebrados e perfil superior do canal arredondado.
Existem construções adossadas a alguns tramos, designadamente nas proximidades do Convento de Santa Clara.
Nestas minhas deambulações não tive acesso ao claustro do convento, que se encontra em obras de conservação e prevenção da ruína, nem à nascente em Terroso, por deficiente sinalização, num café sendo esclarecido que esta não existirá mãe-de-água ou qualquer outra referência, junto à capela de Santo António.
foto victor nogueira . setúbal - aqueduto dos arcos
Águas em Setúbal e Azeitão - 01 - Setúbal
Águas em Setúbal ? De que águas falamos ? Do vasto estuário de Rio Sado considerado uma das mais belas baías do Mundo ? Das ribeiras que neles desaguam ou desaguavam, como as da Ajuda, de S. Francisco, do Paraíso (ou do Livramento, hoje encabada), de Palhais ? Do aqueduto que partindo de Alferrara abastecia a Vila de Setúbal ? Dos fontanários ou chafarizes de Setúbal e de Azeitão ? De noras e alcatruzes ?
Um dos objectivos, malogrado, era visitar os Conventos de Alferrara, a meia encosta da Serra dos Gaiteiros, cujo acesso estava vedado a meio da tarde. O acesso a Alferrara faz-se pela Estrada das Machadas, ladeada de quintas onde outrora se cultivavam laranjais cujo fruto era também usado na confecção do extinto e afmado doce de laranja de Setúbal, estrada que é um estreito e sinuoso caminho vicinal onde mal cabem dois veículos lado-a-lado
A Quinta de S. Paulo, propriedade da AMRS (Associação de Municípios da Região de Setúbal), tem nos dias de hoje uma vertente pedagógica. Restou-me apenas uma breve perambulação pelo Parque de Merendas da Quinta de S. Paulo, algo degradado, e nova visita à arca-de-água / nascente, hoje seca, do chamado Aqueduto dos Arcos, que outrora abastecia de água a então Vila de Setúbal. O adiantado da hora impediu a visão de Setúbal a partir do cimo da serra.
Parte integrante de uma paisagem cheia de história e envolvida pela imponência e beleza da Arrábida, a Quinta de São Paulo sempre teve uma forte ligação com as localidades vizinhas, nomeadamente Palmela e Setúbal.
Conhecida pelos seus laranjais onde eram colhidas as famosas Laranjas de São Paulo, a Quinta ficou conhecida pela produção agrícola mas também cultural, associada nomeadamente a manifestações de carácter religioso.
Situados com uma distância de cerca de 300 m e sensivelmente na mesma elevação da falda da Serra dos Gaiteiros, erguem-se «a noroeste da cidade de Setúbal, na orla do vale verdejante que se estende desde Palmela»(*) e em território já pertencente a este concelho. As razões para a escolha deste lugar de implantação terão sido «a beleza do sítio, a amenidade dos ares, a abundância de água, a abundante vegetação, a fauna e flora paradisíacas e o esplendor de uma desafogada paisagem».
São dois os monumentos em causa:
Antigo Convento de Nossa Senhora da Consolação de Frades da Ordem de São Paulo, de Alferrara
(vulgo Convento de São Paulo; 1383);
Convento de Nossa Senhora da Conceição dos Frades Franciscanos Capuchos de Alferrara
(vulgo Convento dos Capuchos de Alferrara; 1578).
(http://quinta.amrs.pt/quintaped.html)
Caminho de acesso aos conventos
Parque de merendas de S. Paulo
circuito pedestre (pormenores)
Arca-de água
a cumeada da Serra dos Gaiteiros com um convento a meia encosta
O Castelo de Palmela no horizonte
Setúbal no horizonte
Google Earth
Estará esta construção na Estrada das Machadas ligada ao Aqueduto ?
Quinta de S. Paulo e Conventos, em Alferrara (Google Earth)
HISTÓRIA ADMINISTRATIVA/BIOGRÁFICA/FAMILIAR
O Mosteiro de Nossa Senhora da Consolação de Alferrara era masculino, e pertencia à Ordem dos Eremitas de São Paulo, Primeiro Eremita.
Teve origem em eremitério documentado desde 1385, junto à Fonte Santa e à ermida de Almouquim, nos termos de Alferrara e Palmela. À imitação do eremitério de Barriga, a provença de Alferrara foi objecto da acção reformadora de Mendo Gomes de Seabra, que, de acordo com o testemunho do próprio, datado de 1428, desde cedo a submeteu à "irmandade da Serra de Ossa", reconhecendo a esta o direito de nomear os pobres que a deveriam habitar e visitar, usufruindo o eremitério, por seu lado, dos privilégios outorgados à Serra de Ossa. À data da morte do fundador, o eremitério foi entregue aos cuidados de um outro eremita, o clérigo João Eanes, encarregue por Mendo Seabra de governar as provenças de Alferrara, Mendoliva e Cela Nova, mantendo, contudo, a irmandade com a Serra de Ossa.
Em 1454, Afonso V confirma a extensão a este eremitério de todos os privilégios da Serra de Ossa.
Em 1458, pela bula "Speciali gratia", Pio II concedia-lhes a isenção do pagamento da dízima sobre os frutos das herdades da provença.
Em 1466, consta da lista das casas sujeitas à Serra de Ossa. A este cenóbio seriam anexadas as rendas da casa de Mendoliva, abandonada em 1531 por falta de água, bem como as da Junqueira, em 1645.
Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.
Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional. (in http://digitarq.arquivos.pt/details?id=1441585)