Castro Barroso Gato Nogueira - Blog Photographico - lembrança da moça do Alentejo
Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui
“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)
«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
A fotografia de Alex Costa
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
História da fotografia segundo a filosofia
Desde quando a Academia de Ciências da França anunciou, oficialmente, a invenção da fotografia, em 19 de agosto de 1839, muita coisa mudou. Das câmeras escuras que demoravam até 30 minutos para formar uma imagem, até as modernas digitais, já se vão 171 anos.
Para comemorar a data, durante todo o mês de agosto, o Instituto de Fotografia (Ifoto) dedicou sua programação a esse marco histórico para o universo das imagens. E o encerramento das atividades acontece amanhã, às 19 horas, com apresentação do Projeto Fotobiografia que, mensalmente, discute o trabalho de fotógrafos do mundo inteiro.
Como a ocasião é especial, o que será apresentado pelo fotógrafo Marcos Guilherme é uma discussão filosófica sobre a história de fotografia, escrita, na década de 30, por Walter Benjamin (1892-1940).
"A ideia é pensar a fotografia como biografada, a partir do texto ´Pequena História da Fotografia´, de Benjamin, mostrando uma série de imagens citadas no enredo, numa linha de tempo que começa com Nicéphore Niépce (1765-1833), e segue até o pai da fotografia documental, Eugène Atget (1857-1927)", diz o fotógrafo, concludente do curso de Filosofia da UFC.
O estudo a respeito das ideias de Walter Benjamin prevê a remontagem das origens da fotografia, compreendendo, segundo o filósofo, o apogeu, declínio e diálogo entre fotografia e as artes plásticas. "A ´Pequena História da Fotografia´ nos possibilita uma análise histórica e filosófica, propiciando as primeiras aproximações instrumentais de compreensão macro desse fenômeno que o francês André Rouillé, e outros autores, estudam atualmente a partir da fotografia-documento".
Outro ensaio do filósofo Walter Benjamin, "A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica", e o texto "O Realismo Fotográfico", escrito pelo professor-doutor em Estética, Dilmar Miranda, da Universidade Federal do Ceará (UFC), também estarão em debate.
"Precisamos pensar a fotografia atual, e a filosofia é um campo propício para isso. Estamos todos sempre estudando, por isso nem é preciso concordar, mas é fundamental saber como ele pensou esse processo naquele contexto histórico. É um filósofo que falou de fotografia, cinema, artes, brinquedos infantis e muitos outros assuntos. É muito rico", diz Marcos.
Mais informações
Fotobiografia - projeto do Instituto da Fotografia, discute o pensamento do filósofo Walter Benjamin, apresentado pelo fotógrafo Marcos Guilherme, em comemoração aos 171 da invenção da câmera fotográfica. Amanhã, às 19 horas, na Rua Gonçalves Ledo,307, próximo ao Mercado dos Pinhões. Entrada franca. Contato: (85) 3254.6385
NATERCIA ROCHAREPÓRTER
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=842352
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sábado, 28 de agosto de 2010
A luz de Chico
Serão 25 fotografias, ampliadas em papel algodão, expostas em tamanho 50x60cm, pertencentes ao acervo do Instituto Cultural Chico Albuquerque (ICCA), em parceria com o Instituto Viva Brasil.
"Acompanhei Chico Albuquerque durante 15 anos, de 1985 a 2000. Nos aproximamos porque ele ficou amigo de Gentil Barreira, meu marido. Nesse tempo, realizamos exposições, editamos livros e organizamos o acervo", diz Patrícia Veloso, responsável pela Editora Terra da Luz.
Na abertura da exposição, além de Patrícia, o presidente do ICCA, Ricardo Albuquerque (filho de Chico Albuquerque), e o fotógrafo Silas de Paula, participarão de mesa redonda para discutir o trabalho do artista cearense. "Em 1989, editamos o primeiro livro dele, ´Mucuripe´. Dez anos depois, em 1999, montamos uma exposição com a retrospectiva dos 65 anos de sua obra. No início deste ano, foi editado o livro ´Chico Albuquerque Fotografias´", acrescenta a curadora da mostra.
A exposição que entra em cartaz este sábado, intitulada "Chico Albuquerque Fotografias", e que faz parte da publicação homônima, é a retrospectiva de quatro séries do fotógrafo: "Ensaios" (com fotos de 1930 a 1960); "Mucuripe" (1942 a 1952); "Frutas" (1978) e "Jericoacoara" (1985).
"Chico Albuquerque é um dos maiores nomes da fotografia do País. Era conhecido por sua perspectiva criativa, pelo olhar instigante. Ele era um virtuose da técnica fotográfica", ressalta Patrícia.
Além de ter inovado a fotografia publicitária no Brasil, assinando campanhas nas áreas de moda, culinária, arquitetura e automobilismo, Albuquerque produziu célebres ensaios autorais, como os "portraits" de Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Burle Marx, Aldemir Martins, Cacilda Becker, dentre outras personalidades.
Outro legado deixado por Chico foi o impulso à valorização e formação de novos fotógrafos em Fortaleza. "Quando ele voltou de São Paulo, em 1975, já era respeitado no mercado. Se hoje a fotografia do Ceará conquistou reconhecimento nacional e internacional, deve muito a ele", diz Patrícia Veloso.
Além do Instituto Cultural Chico Albuquerque, criado em 2003 para difundir a obra do fotógrafo e a de seu pai, Adhemar Bezerra de Albuquerque, foi firmado convênio entre o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP) e o Instituto Moreira Sales (IMS), para preservação e catalogação dos trabalhos. Atualmente, o IMS é responsável pelo acervo com 60 mil arquivos.
FIQUE POR DENTRO
Chico Albuquerque
FRANCISCO AFONSO de Albuquerque nasceu em Fortaleza, em 25 de abril de 1917. Iniciou na fotografia profissionalmente aos 17 anos e, em 1947, mudou-se para São Paulo, onde viveu até 1975. Nome consagrado na fotografia publicitária, foi responsável por grande transformação no mercado fotográfico cearense. Foi diretor do Foto Cine Clube Bandeirante e recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais. Entre eles, Salão Internacional de Frankfurt (Alemanha/1953), Focus Salon Amsterdã (Holanda/1954) e Prêmio Nacional de Fotografia da Funarte (1998).
MAIS INFORMAÇÕES:
CHICO ALBUQUERQUE FOTOGRAFIAS. Exposição será aberta amanhã, às 9h, no Sobrado José Lourenço (R. Major Facundo, 154, Centro). Segunda a sexta das 9h às 19h. Sábado: 10h às 19h. Domingo: das 10h às 14h. Contatos: 3101-8826.
NATERCIA ROCHAREPÓRTER
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domingo, 1 de agosto de 2010
Impulso para a fotografia
Impulso para a fotografia
A criação da Lei Estadual de Incentivo à Cultura deu uma reviravolta na vida dos artistas das mais diversas áreas. Considero o que de mais importante aconteceu nos últimos anos no Ceará. Até então, quase não havia publicação de livros de fotografia, nem aqui, nem no Brasil". As palavras do fotógrafo carioca Celso Oliveira, que adotou o Ceará para morar e trabalhar há mais de 30 anos e vem fazendo um precioso registro artístico das manifestações culturais e festas populares do povo nordestino, traduzem a importância da lei para os fotógrafos locais.
Quinze anos depois da publicação do belíssimo "Mar de Luz", que reuniu imagens feitas por mais de 30 profissionais que tinham na gaveta registros de um Ceará pouco conhecido, o cenário é outro. "Para nós, poder contar com incentivos fiscais da classe empresarial foi determinante. Tiramos da gaveta 20, 30 anos de filmes. Ainda era tudo analógico", recorda Celso. "Participamos diretamente dos debates, das reuniões. Toda a classe artística foi convidada a dar sugestões. Tinha muito quebra-pau, porque cada um queria fazer valer suas ideias. Mas, se cometemos erros, foi por descuido, não por intenção".
Em 1996, os amigos Tibico Brasil e Tiago Santana, além do próprio Celso Oliveira, que já tocavam o foto-arquivo "Tempo de Imagem", transformaram a empresa na editora pioneira no setor no Ceará. "Lembro do José Guedes, Roberto Galvão, Gentil Barreira, Augusto Pontes, Francis Vale, Glauber Filho, Rosemberg Cariry, José Albano, Márcio Figueiredo, e muitos outros, buscando fazer valer essa possibilidade de realizar projetos. Tínhamos poucas referências".
O "Mar de Luz" trouxe consigo, literalmente, uma grande exposição no então recém-criado Instituto Dragão do Mar, com as paisagens das praias e falésias do interior do Ceará, ampliadas em imagens de 2m x 3m. A mostra percorreu, além de diversas cidades cearenses, lugares como Inglaterra, Nova Zelândia e Estados Unidos.
Difícil prestação de contas
"Realizar o sonho de publicar o litoral cearense foi o primeiro passo. E foi relativamente fácil, porque o conteúdo estava pronto, o trabalho foi somente selecionar o material de cada um. Na verdade, no início, praticamente todos os projetos eram aprovados pela lei", lembra Celso. "Nunca tivemos dificuldade para que as empresas cedessem parte do ICMS, a isenção fiscal exigida pela Lei 12.464. O problema mesmo veio depois, na prestação de contas. Quase nenhum artista estava preparado para fazer isso. Foi nossa maior dificuldade".
Outro livro de muito sucesso publicado através do Fundo Estadual da Cultura, foi "Visões", resultado da parceria entre a escritora Rachel de Queiroz e o fotógrafo Maurício Albano. A união dessas duas personalidades abriu caminho para muitos trabalhos. "O livro ´O Olhar de Cada Um - Unidades de Conservação do Ceará´, por exemplo, foi 80% patrocinado pela lei. Esse trabalho, que pretendemos relançar durante a ECO 2012, no Rio de Janeiro, dificilmente teria sido possível se não fosse esse caminho", destaca Celso.
10 anos de Benditos
Em 2010, o fotógrafo Tiago Santana comemora 10 anos de sua primeira publicação individual, "Benditos", viabilizada através da Lei Jereissati. De acordo com o artista, o incentivo estadual possibilitou a realização de projetos que, normalmente, não teriam espaço através de editoras do circuito comercial.
"Começamos a perceber que o cinema brasileiro, por exemplo, era todo financiado pelas leis de incentivo. Se o cinema, que era uma coisa caríssima, conseguia se viabilizar, por que a fotografia não?", resgata. "Até a regulamentação da lei, praticamente não havia publicações de autor, porque esses projetos não são meramente comerciais. São livros de arte, bens culturais, caros e de retorno a longo prazo. Sem esse mecanismo, talvez o ´Benditos´ não existisse. Claro que houve problemas, mas questões pontuais não podem colocar abaixo o que esse mecanismo tem possibilitado nos últimos 15 anos", avalia.
Hoje o Brasil e o mundo conhecem, além de "Benditos", o outro legado solo de Tiago Santana, intitulado "O chão de Graciliano". "Me dediquei muito. Nesses últimos 15 anos, publicamos, pelo menos, 25 livros, tudo através da lei, realizados em parceria com muitos profissionais, inclusive de outros estados. É um número bastante considerável, se levarmos em contar que, até então, não existia quase nada de produção desse gênero no Brasil".
NATERCIA ROCHARepórter
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