Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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domingo, 21 de janeiro de 2024

2023 - O Sol e a Lua em fotos de capa

 * Victor Nogueira


2023 01 12 - Pôr do Sol em Vila do Conde (2022 12 09 IMG_1456)

Vista a partir da Meia-Laranja; para lá da ponte sobre o Rio Ave divisam-se a Capela de N. Sra do Socorro e o relógio de sol, alusivo aos Descobrimentos, na Praça D. João II.

A Praça D. João II, nas margens do Rio Ave, inaugurada em 2001, mostra ao visitante diversas celebrações dos Descobrimentos Portugueses, tais como os padrões das “cinco partidas do mundo”, o lago da sereia, vários chafarizes em forma de globo e, em destaque, um grande relógio de sol. O nome da Praça evoca o nome do rei que ordenou a construção da Alfândega Régia, edifício localizado nas proximidades.

Memória dos 500 anos dos Descobrimentos Portugueses e da participação de Vila do Conde na Epopeia Marítima é uma praça-monumento concebida pelo escultor José Rodrigues, marcada pela afirmação vertical de um mastro e do velame de nau sulcando ondas geométricas, com uma sereia pontuando um mar encantado e onde o firmamento se espelha.


2023 02 04 -  [IMG_1975 (2023 01 15) IMG_1461 (2022 12 06 08)] Vila do Conde - Capela do Socorro e relógio de sol na Praça D. João II, como se fora no norte de África, muçulmano, em dias de infernal calor mas que afinal e na realidade eram de invernal gélida frialdade.


2023 05 09 -Vila do Conde - Aqueduto de Santa Clara ao pôr do sol, visto do cemitério (2022 11 12 IMG_0852)


2023 04 15 - Nascer do Sol em Setúbal, em 2023 04 14 visto duma das varandas no cimo da torre no alto duma encosta (2023 04 14 IMG_2152)

Acordo cheio de sede, levanto-me e dirijo-me à cozinha para beber um copo de água. Aqui olho para l da anela aberta e no horizonte o sol começa a despontar. Vou até à varanda da sala e ele já surde por entre as núvens. Dentro de casa a temperatura está amena, mas lá fora corre uma desagradável brisa fresca, algo gélida. Defronte a mim perpassam as gaivotas no seu voo rápido, ora batendo as asas, ora planando. Vou buscar a máquina fotográfica, encenando as imagens que irei "capturar". Eis uma delas.

 

2023 04 24 - Nos 49 anos do 25 de Abril, para que a memória não esqueça - O Homem da bicicleta, ao nascer do sol (Foto victor nogueira) ~ Outrora, a bicicleta era o meio de transporte dos pobres, instrumento de trabalho, referido, por exemplo, no filme "Ladrões de bicicletas" (Ladri di biciclette), de Vittorio de Sica 1948), estando a bicicleta na origem dum desporto então popular em vários países, anualmente culminando na "Volta a [..] em bicicleta". Volta esta que em Portugal esteve na base dum outro filme, "O Homem do Dia", de Henrique Campos (1958).

A bicicleta era naturalmente o meio de transporte frequentemente utilizado pelos militantes comunistas, na clandestinidade, em muitas das suas deslocações, para estabelecer contactos, organizar as lutas, distribuir a imprensa clandestina. A essa actividade se refere Álvaro Cunhal na sua obra literária, designadamente em "Até Amanhã, Camaradas".

Alexandre O'Neil, num seu poema, trata também esta temática, em "A Bicicleta"


       2023 04 29 - 2023 alvoradas entre abril e maio, em Setúbal

Múltiplos e diversificados são os alvoreceres que se vislumbram a partir do cimo desta torre no alto duma encosta. Por vezes sombriamente cinzentos, outras com o astro-rei assomando e erguendo-se na linha do horizonte, até se transformar numa bola de fogo, pouco depois dissolvida na límpida claridade azul, por vezes polvilhada de flocos de núvens brancas. Outras vezes da bola de fogo nada se vislumbra, ferreamente encoberta pelas núvens, num plúmbeo cinzento, noutras nestas espelhando-se, numa paleta em que predominam o vermelho ou o laranja!

(Fotos em abril, 14 e 29)


 2023 06 01 - nascer do sol em Setúbal, visto do cimo da torre no alto duma encosta, com a urbe lá em baixo, coalhada de mil luzeiros, como se estáticos pirilampos fossem. (IMG_2182 2023 04 30


2023 07 29 - (2023 07 08 IMG_2362) - Praia da Gafa, no Mindelo - deambulantes em contraluz, ao entardecer


2023 08 02 - - Super Lua Cheia, espelhada, em Setúbal, vista da varanda da cozinha (2023 08 01 IMG_2587)


2023 08 30 - (2023 08 07 IMG_2733) - Atmosfera fuliginosa em tarde de incêndios florestais ao longo da A1

 
 2023 08 21 02 :25 - IMG_3038) - Super-Lua Cheia ou Lua azul, no Mindelo.

Aqui há uns anos, quando os jornais começaram a noticiar a ocorrência de Super Luas Cheias, fiquei com a impressão de serem um fenómeno raro. Afinal não é bem assim, há várias luas cheias durante o ano, algumas das quais fotografei, em Vila do Conde ou em Setúbal. Algumas deixei passar, ou porque o tempo estava nublado ou porque não estive para sair à rua, altas horas da madrugada. Quando num mês há duas super Luas, o que é raro, à segunda chama-se "Lua Azul", o que não significa que não seja branca. Esta é a Lua Azul, ocorrida em 2023 08 31.


2023 09 21 - Pôr do sol em Vila do Conde, emoldurado por um dos arcos do Aqueduto de Santa Clara (2022 11 12 IMG_0852)
 

2023 10 13 -  Les arroseurs arrosés - Mindelo Pôr do sol na Praia da Gafa com fotógrafos sendo fotografados (2023 10 06)


2023 10 14 - Mindelo, pôr do sol à beira-mar, no passeio público (2023 10 07 file1188)


2023 11 23 - Pôr-do-sol em Varziela (Vila do Conde) (2023 11 22 IMG_3584)


2023 12 23 - Pôr do Sol no Mindelo, com a torre sineira da Igreja de S. João Evangelista no horizonte (2023 12 21 IMG_3737)

sábado, 6 de agosto de 2022

Em Palmela, entre os moinhos e o Castelo

* Victor Nogueira



(Palmela vista da Quinta do Hilário - Estrada da Baixa de Palmela)

Numa tarde soalheira mas não tão abrasadora como em dias anteriores fomos até Palmela e aos moinhos para ver o rasto do incêndio, que devorou a encosta do castelo e os terrenos limítrofes, mas não só. Aqui, em Aires e em muitos outros locais as chamas rodearam ou atingiram as habitações e os edifícios de outro tipo.

Vistos de perto, os moinhos não são tão sedutores e "mágicos" quando vislumbrados lá do alto das muralhas. No horizonte, neste dia levemente neblinado, a fita azul do Rio Sado, marginado pela Península de Tróia e por Setúbal, que dizem ser a cidade do Rio Azul mas que para mim, vista de qualquer miradouro, é uma mediterrânica cidade branca, apesar de presentemente nos velhos edifícios do centro histórico muitos deste estarem a ser pintados de cores vivas: amarelo, vermelho, violeta, rosa ....

Estes monhos, cercados pelo fogo, conseguiam escapar á destruição, embora num deles uma sebe tenha a parte inferior queimada e a superior verde. Aliás, não poucos pinheiros conservaram a copa verde enquanto o caule e as ramadas inferiores apareçam queimadas, duma cor acastanhada. Contudo as chamas destruíram completamente outros moinhos, alguns em laboração para efeitos pedagógicos, integrados na Rota dos Moinhos, ao longo das cristas das Serras do Louro e dos Barris, no Parque Natural da Arrábida.


As muralhas 








Sede que foi da Ordem Miliar de Santiago, senhora de vastos domínios em Portugal, designadamente a sul do Rio Tejo, atribuídas com a missão de povoá-las e defendê-las, sobretudo das investidas árabes.  Em Portugal teve a sua sede sucessivamente  no Mosteiro de Santos-o-Velho, em Lisboa, em Alcácer do Sal e em Mértola. Em 1482 a sede da Ordem foi transferida para a vila de Palmela, que no seu recinto amuralhado integra o castelo (que foi inicialmente edificado pelo árabes), o convento da Ordem (actual pousada), a Igreja de Santiago (hoje polo museológico e de exposições municipais) e as ruínas da Igreja de Santa Maria. No recinto do castelo existe um Museu das Transmissões Militares bem como vestígios preservados da ocupação muçulmana.

Nas fotos figuram o convento, a Igreja de Santiago e a torre de menagem, para além da linha externa, edificada no século XVII, constituída por baluartes, revelins e tenalhas, visando resistir aos tiros da artilharia, situados a uma cota inferior.


Os moinhos



(Os moinhos vistos das muralhas - fotos cerca de 2017)


(Bica desactiva. Nos dias de canícula faz falta que assim seja)








(Igreja de S. Pedro entrevista por entre a folhagem)








A paisagem





















(Marcas do incêndio em Aires, na Estrada da Baixa de Palmela)


Os mirones  e os meios de transporte

 










Os filmezecos





Os andarilho photo-repórteres


(Foto Rui Pedro)

Fotos em 2022 08 03


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