Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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sexta-feira, 21 de novembro de 2025

(38) SIPA - Moinhos de Maré em Portugal

 


Capitania do Porto de Aveiro / Casa dos Arcos

IPA.00000606

Portugal, Aveiro, Aveiro, União das freguesias de Glória e Vera Cruz

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Antigo moinho de Maré posteriomente ampliando a unidade de moagem industrial, com decoração Arte Nova. As diferentes utilizações foram alterando o seu perfil original, culminando na estrutura actual, onde as referências neoclássicas e Arte Nova são visíveis nas modinaturas e frontões de remate. O enquadramento e o sistema estrutural, arcos sobre estacas, fazem deste imóvel um dos mais importantes da cidade.            

 

Moinho das Doze Pedras, na Quinta do Canal

IPA.00002644

Portugal, Coimbra, Figueira da Foz, Alqueidão

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Moinho de maré oitocentista, de planta retangular e volumetria horizontal, desenvolvido em dois pisos separados por sobrado. Moinho de maré com moendas e engenhos, armazém de grão ou farinha.      

 

Moinho de Maré Asneira / Moinho de Maré do Freixial

IPA.00014246

Portugal, Beja, Odemira, Vila Nova de Milfontes

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Arquitectura agrícola, popular, vernácula. Moinho de maré, onde é bem visível a austeridade e funcionalidade que caracterizam a arquitectura popular do Alentejo, despojada de qualquer elemento decorativo sobressai a força do volume caiado, rigorosamente pontuado pelos vãos e alicerçado fortemente no sapal com três sólidos contrafortes.        

 

Moinho de Maré da Forca

IPA.00016289

Portugal, Faro, Tavira, União das freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago)

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Moinho de maré de quatro moendas, provavelmente construído na viragem para o séc. 16, com ampla caldeira delimitada por muros de pedra bem aparelhada.      

 

Moinho de Maré da Lançada

IPA.00009792

Portugal, Setúbal, Moita, União das freguesias de Gaio-Rosário e Sarilhos Pequenos

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Moinho de maré que segue a tipologia do estilo "chão" vernacular do séc.17, identificada na sua volumetria alongada e maciça e na planimetria longitudinal, na simplicidade e clareza de linhas bem proporcionadas, no despojamento de decoração e no remate à face por empenas simples e caiadas. Peça de arquitectura tradicional, testemunho do uso da energia renovável, com perfeita integração na paisagem, situado na margem S. do rio Tejo, hoje desactivado e em desuso.     

 

Moinho de Maré da Mourisca

IPA.00009793

Portugal, Setúbal, Setúbal, Sado

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Arquitectura agrícola. Moinho de maré, com funcionamento na vazante. Testemunho do uso da energia renovável das marés, pertencente à categoria de moinho de roda horizontal, construído junto a uma represa, tira partido da diferença de nível entre a preia-mar e a baixa-mar. Apresenta volumetria alongada e planimetria longitudinal, com simplicidade e clareza de linhas bem proporcionadas, no despojamento de decoração em volumes maciços, rematados à face por empenas simples rebocadas e caiadas, sendo o branco sublinhado pela cor azul na moldura dos vãos e na cor das portadas e cuja cobertura consiste numa estrutura de madeira, apresentando telhado de duas águas em telha de canudo.            

 

Moinho de Maré da Passagem

IPA.00032862

Portugal, Setúbal, Seixal, Amora

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Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por dois corpos, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com vãos retilíneos onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós. 

 

Moinho de Maré da Quinta da Palmeira

IPA.00032867

Portugal, Setúbal, Seixal, União das freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires

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Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por vários corpos, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal, terminada em empena, comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós.        

 

Moinho de Maré da Torre

IPA.00032863

Portugal, Setúbal, Seixal, Amora

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Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por dois corpos, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal, terminada em empena, comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós.

               

Moinho de Maré de Corroios / Núcleo do Moinho de Maré de Corroios do Ecomuseu do Seixal

IPA.00032849

Portugal, Setúbal, Seixal, Corroios

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Arquitetura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por dois corpos, um de dois pisos e o posterior de apenas um, construído no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal, terminada em empena, comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. O moinho é constituído pelas seguintes partes: caldeira, comporta, edifício de moagem, celeiros, habitação do moleiro e cais para acostagem dos barcos. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. Constitui o moinho mais antigo subsistente da região, construído no séc. 15 por D. Nuno Álvares Pereira, e apresentando porta com maior cuidado decorativo, tendo sido resultado de uma reforma do séc. 18. O reduzido tempo de trabalho (c. de 4 horas por maré) era compensado pelo elevado número de casais de mós. O moinho de Corroios é dos poucos moinhos de maré, existentes no mundo, que se encontra a funcionar.   

 

Moinho de Maré de Palhais

IPA.00004677

Portugal, Setúbal, Barreiro, União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena

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Arquitectura agrícola, chã, vernacular, popular. Moinho de maré edificado junto a curso de água que é desviado para golas. Segue tipologia de arquitectura cha, vernacular, identificadas na planimetria longitudinal, na simplicidade e clareza de linhas, nos volumes maciços, com remates à face por empenas simples e caiadas.

 

Moinho de Maré de São Roque / Moinho Pequeno / Moinho de São Roque

IPA.00011812

Portugal, Setúbal, Barreiro, União das freguesias de Barreiro e Lavradio

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Arquitectura agrícola, vernacular. Moinho de maré, com funcionamento na vazante. Segue tipologia vernacular do séc. XVII, identificada na volumetria alongada, em planimetria longitudinal, com simplicidade e clareza de linhas bem proporcionadas, no despojamento de decoração em volumes maciços, rematados á face por empenas simples rebocadas e caiadas, cuja cobertura consiste numa estrutura de madeira, apresentando telhado de duas águas em telha de canudo. Moinho de maré, com perfeita integração na paisagem, situado na margem S. do rio Tejo, por um lado estabelecendo diálogo directo com o rio, por outro em intimidade urbana, pertenceu ao grupo de moendas mistas cuja força motriz foi ora a das águas de rio desviada para golas ora a água das correntes, utilizando com vantagem, para além das águas das marés, as águas salgadas do rio Tejo, funcionando com as marés na enchente e com as águas doces que vinham da linha de água que desaguava naquele local e que accionavam as rodas horizontais.     

 

Moinho de Maré do Breyner

IPA.00006168

Portugal, Setúbal, Seixal, União das freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires

Edifício e estrutura >> Edifício >> Extração, produção e transformação >> Moagem

Arquitetura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por dois corpos, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós.             

 

Moinho de Maré do Cais das Faluas

IPA.00026707

Portugal, Setúbal, Montijo, União das freguesias de Montijo e Afonsoeiro

Edifício e estrutura >> Edifício >> Cultural e recreativo >> Monumento e museu >> Museu

Arquitectura agrícola, vernacular. Moinho de maré edificado junto a curso de água que é desviado para golas.             

 

Moinho de Maré do Capitão

IPA.00032861

Portugal, Setúbal, Seixal, Amora

Edifício e estrutura >> Edifício >> Extração, produção e transformação >> Moagem

Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular simples, construído no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com vãos onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal, terminada em empena, comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós. 

 

Moinho de Maré do Galvão

IPA.00032859

Portugal, Setúbal, Seixal, Amor

Edifício e estrutura >> Edifício >> Extração, produção e transformação >> Moagem

 Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por vários corpos, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós. 

 

Moinho de Maré do Zeimoto / Moinho de Maré do Zemoto

IPA.00032868

Portugal, Setúbal, Seixal, União das freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires

Edifício e estrutura >> Edifício >> Extração, produção e transformação >> Moagem

Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por dois corpos, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal, terminada em empena, comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós.        

 

Moinho de Maré em Alhos Vedros

IPA.00006164

Portugal, Setúbal, Moita, Alhos Vedros

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Componente urbano. Espaço urbano de confluência. Largo. Arquitectura agrícola e industrial, de equipamento, residencial, chã, vernacular, neoclássica. Moinho de água edificado junto a curso de água que é desviada para golas; segue tipologia do estilo chão vernacular do séc. 17, identificada na sua volumetria alongada e em planimetria longitudinal, com simplicidade e clareza de linhas bem proporcionadas, no despojamento de decoração em volume maciço, rematado à face por empenas simples e caiadas. Palacete de estilo chão, de grande sobriedade e clareza de proporções, onde se evidencia o despojamento ornamental e o remate das empenas à face; elementos neoclássicos como a compartimentação por bandas lombardas na fachada simétrica com grande portal; destacam-se ainda elementos de arquitectura vernacular que se identifica na tipologia da construção de 2 pisos corridos e alongados, com 2 corpos em disposição paralela, uso de 4 águas e escada e colunata de alpendre exteriores.            

 

Moinho de Maré em Quelfes

IPA.00030391

Portugal, Faro, Olhão, Quelfes

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Moinho de Maré no Rio Arade

IPA.00024752

Portugal, Faro, Lagoa, União das freguesias de Estômbar e Parchal

 Edifício e estrutura >> Edifício >> Extração, produção e transformação >> Moagem

Arquitetura agrícola. Moinho de maré. 

 

Moinho de Maré Novo dos Paulistas

IPA.00032866

Portugal, Setúbal, Seixal, União das freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires

 Edifício e estrutura >> Edifício >> Extração, produção e transformação >> Moagem

Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por dois corpos, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós.             

 

Moinho de Maré Velho dos Paulistas

IPA.00032864

Portugal, Setúbal, Seixal, União das freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires

Edifício e estrutura >> Edifício >> Extração, produção e transformação >> Moagem

Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por vários corpos dispostos em eixo, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós.         

 

Piscinas de Marés de Leça da Palmeira

IPA.00020880

Portugal, Porto, Matosinhos, União das freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira

Edifício e estrutura >> Edifício >> Cultural e recreativo >> Piscina >> Piscina de maré

Piscina de água salgada, construída na década de 1960, em linguagem modernista, que se destaca pela integração harmoniosa na paisagem marítima, sem deixar de se afirmar a artificialidade da obra, assumindo frontalmente o carácter artificial, que o rigor das formas geométricas e do betão à vista salientam. Construída sobre as rochas e estruturada ao longo do muro da praia de forma linear, sem criar ruturas volumétricas, a piscina é abastecida pela maré-alta e convida à contemplação da paisagem marítima.             

 

Ruínas do Moinho do Bate-Pé / Ruínas do Moinho do Amieiral

IPA.00014247

Portugal, Beja, Odemira, Vila Nova de Milfontes

Edifício e estrutura >> Edifício >> Extração, produção e transformação >> Moagem

Arquitectura agrícola, popular, vernácula. Moinho de maré de grande simplicidade construtiva, com paredes de alvenaria de xisto argamassada com barro e rebocada com argamassa de cal e areia, posteriormente caiada. Este tipo de alvenaria, em que se recorria predominantemente a materiais recolhidos no próprio local, foi bastante corrente, uma vez que os moinhos de maré do Mira eram frequentemente assolados pelas cheias, permitindo uma fácil reconstrução pelo próprio moleiro, aplicando-se o mesmo princípio ao mecanismo motriz. 

quarta-feira, 16 de abril de 2025

Um pastiche: o Palácio dos Arciprestes, em Setúbal (2025)

Victor  Nogueira 


 2025 04 16 Fotos victor Nogueira - Palácio dos Arciprestes em Setúbal, registos ao longo do tempo - 1999 07 / 2015 07 /  2017 09 / 2022 04 / 2022 06 2/ 025 03

O primeiro registo remonta a 1999, ainda o edifício mantinha a sua forma original. O correr dos anos acentuou a sua degradação, com a queda do telhado até ao demoronar das paredes. Por entre as ruínas ainda se viam frescos no seu interior, embora a céu aberto. Em 2022 começaram as obras de consolidação das paredes esteriores ainda existentes e o erquer da estrutura metálica que sustentaria a reedificação, como pastiche, conservando algumas das cantarias originais.






Na primeira publicação abaixo referenciada encontra-se um breve resumo da história deste edifício,dos séculos XVII e XVIII,  que foi pertença duma poderosa família de comerciantes radicada em Setúbal.

 VER~

Sic transita gloria mundi - de novo o Palácio dos Arciprestes, em Setúbal

Sic transit, gloria Mundi - o Palácio dos Arciprestes (2ª edição)

Fotos Rui Pedro em 2025 03 26

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Sic transita gloria mundi - de novo o Palácio dos Arciprestes, em Setúbal

 * Victor Nogueira

Nas últimas semanas tenho passado frequentemente junto do Palácio dos Arciprestes, na estrada a caminho de Palmela, ali junto aos semáforos e ao que foi a Quinta da Varzinha e dum encantador chalet, hoje escritório de comércio de automóveis. Uma tarde destas apercebi-me da montagem duma estrutura em metal, para o que presumo seja um reaproveitamentos das paredes exteriores que não ruíram, estrutura essa que inclui as três águas furtadas que figuram numa antiquíssima foto minha. Estas são as minhas fotos, que há dias registaram o facto. Segue-se um texto de Rui Canas Gaspar, narrador de  coisas, gentes e factos de Setúbal cuja obra tenho adquirido ao longo dos tempos e lido com interesse.











Fotos em 2022 06 26

«Setúbal na História ou histórias de Setúbal (230), por Rui Canas Gaspar 

Estão a decorrer obras de restauro no Palácio dos Aciprestes, à entrada de Setúbal 

A propriedade teria pertencido à Ordem de Cavalaria de Santiago da Espada, que a alienou no distante ano de 1597, numa época em que ainda demandavam o Sado os mais diversos barcos entre os quais as míticas caravelas usadas pelos portugueses nas descobertas de terras até então desconhecidas. 

Em 1666 Henrique Camerini um rico mercador genovês comprou a quinta a Fernão Teles de Menezes, um fidalgo que se encontrava arruinado. Este nobre teria ficado na posse da propriedade por testamento de sua tia e mulher Ana Maria Coelho de Castro, neta do primeiro rendeiro, Jorge Coelho de Andrade, quando a propriedade ainda era pertença da Ordem de Cavalaria de Santiago da Espada. 

Durante os séculos XVII e XVIII a Casa dos Ciprestes viria a constituir a poderosa sede dos negócios e do património de uma importante família ligada ao comércio e exploração do mundialmente famoso sal de Setúbal, um produto de alta qualidade exportado para as mais diversas nações de todo o mundo. 

O fundador deste empório, o rico comerciante Henrique Camerini era casado com uma senhora flamenga de nome Margarida Cornelles e o seu enorme património estendia-se muito para além dos limites da sua propriedade em terras setubalenses. 

Camerini possuía importantes armazéns na Flandres, com um vasto stock de mercadorias em depósito em várias regiões costeiras, nomeadamente em Lisboa, Setúbal, Cádiz e naturalmente na sua Flandres natal. 

A sua mansão setubalense encontrava-se decorada com rico mobiliário, sumptuosas tapeçarias, bastantes peças de prata e naturalmente bons exemplares da pintura flamenga e francesa, para além das muitas sedas e brocados tão apreciadas sobretudo pelas senhoras da época. 

Mas, nem tudo correu de feição para o rico mercador genovês radicado em Setúbal! E, vamos lá nós saber porquê, o facto é que ele decidiu não pagar os impostos devidos a Sua Majestade por uma contribuição lançada cinco anos antes. 

Ora como com o fisco não se deve ser teimoso, pelo facto de manter a recusa de pagamento o mercador viu ser penhorada como cobrança coerciva a bela mansão e os terrenos da quinta. 

A propriedade foi vendida em hasta pública, tendo sido arrematada por Ricardo Henriques, seu genro, também ele um próspero mercador. Por incrível que pareça, na prática, o mercador genovês manteve a sua teimosia, a dívida ficou saldada, e a propriedade continuou na posse da família… »

Rui Canas Gaspar 

Excerto do livro: Histórias Coisas e Gentes de Setúbal 


VER  Sic transit, gloria Mundi - o Palácio dos Arciprestes (2ª edição)

sábado, 11 de junho de 2022

Sic transit, gloria Mundi - o Palácio dos Arciprestes (2ª edição)

 * Victor Nogueira

No troço que outrora fazia parte da Estrada para Palmela, então caminho quase vicinal, entretanto alargada - existia um palácio (o dos Arciprestes) cuja degradação ao longo do tempo tenho registado fotograficamente. Em Julho de 2015 encontrei-o já destelhado, irrecuperável e, por entre as janelas e pavimentos ruídos, ainda se divisam as pinturas murais de alguns dos salões. Por enquanto árvores frondosas sombreiam ainda o local, até que inexorável machado as corte pela raiz. 

Já tinha reparado que parte das paredes das ruínas do Palácio dos Arciprestes haviam sido demolidas, e as remanescentes rebocadas ou picadas. Esta semana uma estrutura em metal tinha sido erguida, possivelmente para a sua reconstrução, com eventual aproveitamento de parte das anteriores paredes. Algumas das fotos registam alguns dos frescos que outrora decoravam as paredes interiores. O edifício já por mim fora fotografado em datas anteriores, coligindo-se nesta publicação todas as imagens; sendo as primeiras desta publicação registadas pelo Rui Pedro.







Fotos RP em 2022 06 10




















Fotos VN em 2022 04 21















Fotos VN em 2017 09 17



Fotos VN em 2015













Fotos VN em 1999 03 19 (Rolo 395) 


VER 

Sic transit gloria mundi e o Palácio dos Arciprestes em Setúbal

sexta-feira, 10 de junho de 2022

Património edificado

 * Victor Nogueira

Águeda, Arraiolos, Ferreira do Alentejo, Mafra, Mértola, Setúbal, Vila da Feira, Vila Nogueira de Azeitão


2012 06 02 Foto Victor Nogueira - Mértola, na Rota Islâmica

2012 06 05 Foto Victor Nogueira - Mafra (Fachada do Convento)


2012 06 06 Foto Victor Nogueira - Abrantes (castelo)

2015 06 10  · Foto victor Nogueira - Castelo de Santa Maria da Feira (10 de junho de 2016)


2018 05 31 foto victor nogueira - Setúbal - Praça e estátua de Bocage com a Igreja de S. Julião e o seu belo portal manuelino 

2019 06 02 foto victor nogueira - Arraiolos e as ruínas das muralhas e do castelo ou Paço do Alcaide da vila medieval, em 1975


2019 06 04 foto victor nogueira - Pelourinho de Vila Nogueira de Azeitão

2019 06 06 foto victor nogueira - Igreja de Nossa Senhora da Conceição - Ferreira do Alentejo


2019 06 09 foto victor nogueira - Praça de Touros R
José Relvas, na Vila operária Baptista

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Angola Cinemas – Uma Ficção da Liberdade

Os cinemas tropicais de Angola

Angola Cinemas – Uma Ficção da Liberdade recorda as enormes salas de cinema e as extraordinárias cine-esplanadas que nas décadas de 1960 e 1970 se espalharam por Angola. O livro foi agora editado em Portugal. As imagens podem ser vistas no Instituto Goethe, em Lisboa
 










São arquitecturas a desafiar o espaço, a deixar entrar o ar e a luz, a lançar-se em formas inesperadas – uma parece um animal da savana a dar um salto, a outra lembra um ovni pousado na terra. Cores vivas, letras enormes, ecrãs gigantes erguidos contra o céu e, à frente deles, centenas de cadeiras.









“Angola é dos países que tem mais cine-esplanadas. Acho que não existe mais nada assim no mundo”, diz o actor angolano Miguel Hurst, autor, com o fotógrafo Walter Fernandes, do livro Angola Cinemas – Uma Ficção da Liberdade, feito com o apoio do Instituto Goethe, e que acaba de ser lançado em Portugal.
A pretexto do lançamento, o Goethe apresenta uma exposição de fotografia com várias imagens do livro (até 15 de Novembro). E é junto a elas que o Ípsilon conversa com Miguel Hurst. “Este cinema que vê aqui é o Atlântico”, diz, apontado para uma das fotos. Nascido na Alemanha, Hurst viveu 24 anos em Portugal, onde tirou o curso de actor e dirigiu o grupo de teatro Pau Preto. Quando foi para Angola, em 2003, ocupou o cargo de director do Instituto do Cinema. “E no ano seguinte inaugurámos o Atlântico.”
Mas foi só em 2005, durante uma deslocação à província de Benguela, que viu o Kalunga. “É um espaço magnífico, extremamente aberto, com a cabine de projecção, as escadas, um bar, outro bar”, vai descrevendo e apontando para a imagem. “Visto do ar tem a forma de uma máquina de projecção de filmes.”
A fotografia seguinte mostra um edifício futurista, de linhas orgânicas a lembrar o trabalho do arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer. “É o cine-estúdio do Namibe, de Botelho Pereira. Nunca funcionou”. Acabou de ser construído em 1974 e logo de seguida começou a guerra. Também de Botelho Pereira, embora muito diferente, em laranja e cor-de-rosa, é o Impala, de 1972, cuja estrutura faz lembrar precisamente o elegante salto da impala.
No meio das suas viagens pelo país, Miguel foi-se apercebendo que não eram meia dúzia, nem sequer uma dúzia, os cinemas de Angola. “Inicialmente tinha uma listagem de 54 salas mas encontrámos mais 20. Espalhadas por todas as províncias, todas as aldeiazinhas. Via-se muito cinema.”
Miguel está a falar dos tempos áureos, as décadas de 1960 e 1970, em que as salas de cinema – muitas delas cine-esplanadas porque era isso que o clima pedia – cresciam pelo país como cogumelos. Mas não é só o gosto dos angolanos por cinema que explica o fenómeno. “São os arquitectos que lá foram parar”, explica. “Salazar mandou os arquitectos para África. A maior parte foi parar a Angola e fizeram estas maravilhas únicas no mundo.”



Liberdade criativa
Longe de Portugal, os arquitectos portugueses – homens como Francisco Castro Rodrigues, Vasco Vieira da Silva, Botelho Pereira, João José Tinoco ou João Garizo do Carmo – encontraram um clima tropical e um clima de liberdade criativa como não conheciam na metrópole. E se os primeiros cinemas ainda seguiam muito o modelo clássico, a pouco e pouco as novas formas começaram a surgir.
Diz Miguel Hurst: “Foi dada total liberdade aos arquitectos. Aliás, a lógica do nosso livro é: do espaço fechado ao espaço aberto. Começa-se com a arquitectura do Estado novo, obras mais fechadas, e depois é sobretudo junto à costa, que é muito seca, que surgem as cine-esplanadas.”
Encantado com os cinemas que ia descobrindo, e cada vez mais convencido de que se tratava de uma realidade absolutamente original, Miguel propôs ao Ministério da Cultura de Angola que se fizesse um livro recordando estes lugares – alguns ainda em funcionamento, outros adaptados a usos diferentes e muitos simplesmente abandonados, em risco de se transformarem em ruínas. “Responderam-me que não, que estava tudo em mau estado e que não se podia mostrar”. Mas não desistiu da ideia e, por fim, conseguiu convencer o Instituto Goethe de Angola a apoiar o projecto.
Começou então a recolher toda a informação possível sobre os cinemas e os arquitectos – havia trabalhos importantes desenvolvidos por investigadores portugueses sobre esta arquitectura tropical, nomeadamente as obras de José Manuel Fernandes (Geração Africana – Arquitectura e Cidades em Angola e Moçambique 1925-1975), Ana Magalhães (Moderno Tropical – Arquitectura em Angola e Moçambique em 1948-1975) e Ana Tostões (Arquitectura Moderna em África: Angola e Moçambique).
Mas havia também, por todo o país, muitas memórias do que eram essas idas ao cinema. A política, afirma Miguel Hurst, não passava ao lado do fenómeno: “Apesar do mito de que o português se misturava, a verdade é que não se misturava nada. A mistura foi uma obrigação. Houve sempre pouca população em Portugal e para se conseguir manter a fronteira contra o inglês, o holandês, o afrikander, houve a necessidade de fazer pessoas e é assim que nasce o mulato.”



Espectáculo do “poder colonial”
Havia, é certo, uma “pequena burguesia negra e mulata que cada vez mais se integrava com o colonizador”. Mas, nas primeiras salas de cinema, ainda existia separação de raças: “o negro em cima, o branco em baixo”. A ida ao cinema era muito um espectáculo do “poder colonial”. E um momento de exibição social. “Era uma coisa pomposa. As pessoas aperaltavam-se, iam de luvas e até de casacos de peles.”
“Fizemos muitas entrevistas, falámos com muitas pessoas e elas tinham essas memórias vivas de ser uma ocasião solene”, prossegue o autor. “Isso encantou-nos”. Nos ecrãs passavam comédias portuguesas da época e muito cinema americano, com os galãs de Hollywood a fascinar os angolanos, grandes dramas a fazer chorar plateias e westerns a entusiasmar os jovens. Alguns cinemas ainda mantém as placas a recordar que Amália Rodrigues ali cantou ou que Vasco Santana passou por lá.
Com a passagem do tempo, o cinema foi-se democratizando, gradualmente. Começaram então a surgir salas nos bairros negros, como o Cine-África, que Miguel aponta numa das fotografias de Walter Fernandes expostas no Goethe.
Depois veio a independência. “O MPLA vira à esquerda em absoluto, a Warner Bros. já não manda filmes para Angola, começa-se a ver filmes checos, russos, do bloco de Leste.” E, por fim, voltou a guerra. “Os filmes pararam. As salas viraram igrejas, armazéns, imensas coisas diferentes.”
Com muitas casas destruídas pelos combates, alguns destes edifícios enormes são aproveitados pela população como abrigo. “Aqui dentro há uma aldeia montada, tem gente a viver, fazem mercado, igrejas, plantam-se couves, batata-doce, mandioca”, indica Miguel apontando para uma fotografia.
No meio deste cenário, alguns resistiram e nunca fecharam. Mas os hábitos de consumo cultural também mudaram e hoje estes espaços que ainda funcionam – e os que entretanto estão a ser recuperados – não servem tanto para ver filmes mas mais para outros espectáculos, teatro, concertos. “É caro comprar um filme e se um distribuidor não tem uma rede de salas, não o consegue rentabilizar”, explica Miguel. “Se for um filme legendado, o direito a legendar para Portugal e África é da Castelo Lopes e paga-se por película uns cinco mil dólares. É quase impossível rentabilizar um filme assim.”
O livro – que foi lançado em Angola em 2015 – veio reavivar muitas memórias e chamar a atenção para estes locais. A pouco e pouco começam a surgir iniciativas para recuperar alguns deles – parte dos quais eram privados e foram entretanto nacionalizados. “Preocupo-me com o meu povo”, diz Miguel. “O meu povo merece mais do que tem e [para que estes edifícios não se percam] é preciso provocar vontades” – do Estado, dos governos provinciais, das autoridades locais. “As revoluções fazem-se de muitas maneiras. E, se calhar, um livro é a melhor delas.”