Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Fotos de capa em janeiro 11

 * Victor Nogueira

 


2022 01 11 Foto victor nogueira - Palmela vista da EN 10 em Setúbal (HOSPOR)


2021 01 11 Foto victor nogueira - nos anos '60 do passado milénio, quando o meu avô Barroso comprou este terreno no Mindelo, tudo isto era campo e poucas casas havia. Entretanto o loteamento cresceu em habitações, umas maiores, outras menores, mas só muito recentemente a Câmara Municipal de Vila do Conde concluiu o abastecimento de água canalizada e a rede de esgotos nas freguesias rurais. Por isso, durante muitos anos, a água era mecanicamente bombeada de poços individuais e os dejectos lançados em fossas séptica, que exigiam limpeza regular. A partir de certa altura os lençóis freáticos ficaram inquinados e a água imprópria para consumo. O poço ainda existe, para rega do quintal, embora a bomba de água tenha sido recentemente substituída por outra pois a primitiva havia entregue a alma para o ferro velho.

Na foto vêem-se a horta, as roseiras e o casinhoto que abriga a bomba de água, situando-se o poço. coberto por uma laje, entre esta e a parede da garagem do vizinho.

No extenso campo nas traseiras da rua e das casas, a norte, cultiva-se milho, matéria prima para rações do gado leiteiro, milho que em muitas zonas do Minho e Douro Litoral substitui as videiras,
VER 

o milho verde e a desfolhada portuguesa


2021 01 11

* Filipe Chinita
.
não me sinto
em nenhuma superioridade.sobre ninguém.
mas também em nenhuma inferioridade.
os meus proletários alentejanos
desde criança me o ensinaram.
no seu desmedido.orgulho
de apenas serem
humanos.
iguais
a
todos
os demais.
mesmo que analfabetos!
mesmo que trabalhando
como animais de carga.
de sol a
sol.
tinham sempre.em si
a sabedoria
de quanto
valiam!
no sol
no frio
na geada
no gelo
e
no suor
de bestas
do cada
dia.
e
eu amo
para sempre!
aqueles...
rostos
do meu
povo
.
fj
11.01.2017


2020 01 11 foto victor nogueira - Terreiro de Santa Maria visto da Igreja de Santa Maria da Graça, em Setúbal - (2017.12.07)

VER 

Recantos de Setúbal 05 - Terreiro de Santa Maria e Poço do Concelho



2017 01 11 Foto victor nogueira - pôr-do-sol em Beringel

Teresa Rita Lopes - Um dia quando eu morrer

Um dia quando eu morrer
isto é um dia quando eu estiver debaixo da terra
não quero que me vão levar flores
mas que as vão lá buscar
Gostava que por cima da minha cova não pusessem
laje nenhuma
só terra por mim estrumada
e aí plantassem as flores que amei em vida
açucenas rosas Palminhas de Santa Teresa (ditas Frésias)
ervilhas-de-cheiro goivos cravos jasmins
tudo flores com perfume
que é a alma das plantas
Sempre gostei mais de dar do que de receber
por isso ficarei feliz se forem à minha beira
buscar flores
os que me quiserem bem
Que as levem para casa e as ponham numa jarrinha com água
à cabeceira ou em cima da mesa de escrever
ou de comer
onde possam sentir minha presença viva
e trocar comigo olhares e sorrisos
e quem sabe talvez palavras
essas as mais importantes que em vida
nós não soubemos dizer
Teresa Rita Lopes, in ". Afectos", Lisboa: Editorial Presença, 2000


2015 01 11 foto victor nogueira - luanda liceu salvador correia -visita à CUCA 1965 04 11, com o professor de filosofia e psicologia.
Várias eram as visitas de estudo: à cimenteira SECIL, a uma fábrica de sabões ... A que a malta mais gramava eram as visitas de estudo à CUCA (Companhia União de Cervejas de Angola), pois no final, para além de opíparo lanche, havia cerveja, sendo a minha especialidade apanhar bebedeiras de ... laranjadas da Canada Dry.
Creio que esta é a malta da alínea g) do 6º ano, candidatos a futuros economistas. Nas fotos do meu album não constam as raparigas, possívelmente por não terem "alinhado" nesta visita. Na foto um dos contínuos do Liceu, creio que chamado Sampaio, que alinhava em todas as nossas festanças, incluindo às chuurrasqueiras.



2014 01 11 Foto Victor Nogueira - Alcácer do Sal 1975 - barcos no Rio Sado

VER  

Embarcações nas margens do Sado

Barcos em Setúbal



2014 01 11 - Nesta manhã de Inverno, drummondiando, partilho:
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

(Carlos Drummond de Andrade)
Partilhado p0r Madalena Mendes


2014 01 11 Lisboa - foto partilhada por Laura Rijo



2013 01 11 Foto victor nogueira - rubras papoilas 

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Fotos de capa em dezembro 31

  * Victor Nogueira


2021 12 31 Fotos victor nogueira - Vila Nova de Cerveira (pelourinho, antiga Casa da Câmara e Paços do Concelho) e Vila Real  (pelourinho)

VER     Pelourinhos 51 / Municípios 25 - Vila Nova de Cerveira e Vila Real


2021 12 31 Uma brevíssima passagem para desejar-vos um 2022 com muita "fartidão" e "fartoso", que vos dê os  donairosos dons da fala, da escrita e da retribuição,  E para quem quiser, recebam os moços um abraço e as moças um beijo, se mal não parecer. (No grupo dos Antigos Alunos do Instituto Superior Económico e Social de Evora ou ISESE)



E não são necessárias mais palavras. Façam tudo isso com destemor e muita saúde e terão um bom ano de 2022. Que assim seja para todos os amigos e amigas, com humor/amor/amizade, alegria e fantasia, sem esquecer alguns trocos para os gastos !


2020 12 31 - Volpedo - o 4º Estado


2020 12 31 A vida dos prisioneiros palestinos nas cadeias de Israel – cartum [Al-Arabya] in https://www.monitordooriente.com/20191004-o-isolamento.../



2020 12 31 Alexandre O’Neill - Perfilados de Medo

Perfilados de medo, agradecemos
o medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
e a vida sem viver é mais segura.

Aventureiros já sem aventura,
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos.

Perfilados de medo, sem mais voz,
o coração nos dentes oprimido,
os loucos, os fantasmas somos nós.

Rebanho pelo medo perseguido,
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido…


2019 12 31 foto victor nogueira - autocarro na Belavista, em Setúbal (2019.12.17)

VER   Nocturnos em Setúbal, decembristas


2017 12 31 Cumprindo o ritual, um bom ano, com saúde, soalheiros dias e românticas noites
🙂
OS AMANTES SEM DINHEIRO
Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
© EUGéNIO DE ANDRADE
In Os Amantes sem Dinheiro, 1950
·
foto victor nogueira - setúbal - pormenor da estátua do actor setubalense Carlos Rodrigues (Manuel Bola), da autoria do escultor Jorge Pé Curto, inaugurado em 2016.12.11




2017 12 31


2016 12 31 Carlos Drummond de Andrade, RECEITA DE ANO NOVO


2015 12 31 cartoon de Luís Afonso in Público 2015.12.31


2015 12 31 Carlos Drummond de Andrade - Receita de Ano Novo


Susan Branch
Feliz ano de 2015. ❤
 
2014 12 31 Cecília Barata






2014 12 31

2013 12 31



quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Fotos de capa em dezembro 30

 * Victor Nogueira


2021 12 30 - Turquel (Coutos de Alcobaça) e Vila do Touro (Sabugal) -pelourinhos



Carlos Drummond de Andrade - Receita de Ano Novo


2020 12 30


2020 12 30 Carta ao filho  

Não vivas sobre a terra como um estranho
Um turista no meio da natureza.
Habita o mundo como a casa do teu pai.
Crê na semente, na terra, no mar.
mas acima de tudo crê nas pessoas.
Ama as nuvens,
as máquinas,
os livros,
mas acima de tudo ama o homem.
Sente a tristeza do ramo que murcha,
do astro que se extingue,
do animal ferido que agoniza,
mas acima de tudo
Sente a tristeza e a dor das pessoas.
Alegra-te com todos os bens da terra,
Com a sombra e a luz,
com as quatro estações,
mas acima de tudo e a mãos cheias
alegra-te com as pessoas.
.
Nazim Hikmet, (1902 - 1963) c. 1960.
Traduzido do inglês por Carlos Eugênio Marcondes de Moura.
.
Escritor e poeta turco nascido em Salonica, Grécia, então parte do império otomano, que, perseguido por suas idéias políticas, marcou profundamente a literatura turca ao romper com a tradição islâmica e sob a influência dos futuristas russos, propôs a despoetização da poesia. Pensando seguir uma carreira militar, entrou para a academia naval de Istambul e serviu na Marinha, da qual foi expulso (1919) por atividades revolucionárias. Partiu para Moscou, onde estudou ciências políticas e sociais por cinco anos, na Universidade Comunista de Moscou. Regressou à Turquia (1924), após a proclamação da república e tornou-se conhecido com seus primeiros poemas, de cunho patriótico. Condenado (1938) pela suposta participação num complô, após ser posto em liberdade (1950) por força de uma intensa campanha internacional, radicou-se então em Moscou, onde morreu. Publicou as coletâneas 835 satir (1929) e 1 + 1 = 2 (1930), os poemas históricos Sesini kaybeden sehir (1931) e Benerci kendini niçin öldürdü? (1932), as peças para teatro Kofatos (1932) e Unutulan adam (1935) e lançou uma autobiografia em Berlim (1961).


2020 12 30


2020 12 30 fotos victor nogueira e rui pedro - o trio dos caçulas



2019 12 30 RECEITA DE ANO NOVO - Carlos Drummond de Andrade


2019 12 30  foto victor nogueira - Setúbal - Bairro da Belavista - Escultura "5 Continentes", do Núcleo Museológico Urbano da Bela Vista denominado “O Museu está na Rua”, do escultor João Limpinho, que pode ser vista em Estatuária em Setúbal 11 - Belavista - “O Museu está na Rua”
 

2016 12 30 RECEITA DE ANO NOVO - Carlos Drummond de Andrade 



2015 12 30 RECEITA DE ANO NOVO - Carlos Drummond de Andrade 


2014 12 30


2014 06 21 foto victor nogueira - em Lisboa (Alfama)



2014 23 30 - isto dos calendários e dos ciclos anuais tem que se lhe diga. Já não se diz 2015 dC (depois de Cristo) mas 2015 dEC (da era comum). Só que a era comum que se pretende impor continua a ser a Cristã/Católica Gregoriana, pois maometanos, judeus e chineses entre outros têm diferentes calendários. Tal como cada um de  nós, cujo ciclo de vida inicia a contagem a partir do dia do nascimento.

OPINIÃO - Mudar tudo para que tudo mude - JOSÉ VÍTOR MALHEIROS 30/12/2014 -

ESCREVE O ARTICULISTA
Feliz Natal. Bom Ano Novo. Repetimos as fórmulas, escrevemo-las em cartões, em mensagens de mail. Por que o fazemos? Para exprimir os nossos desejos. Para que aqueles a quem endereçamos os nossos votos saibam que nos preocupamos com eles e que lhes desejamos alegria, felicidade, saúde, bem-estar, amor. Para que serve isso, além de cumprir um ritual, de manter uma tradição? Apenas para manter a cola social que faz de nós uma sociedade em vez de seres isolados? (...)

Não só. Há nestes votos uma superstição implícita. Dizemos “Feliz Natal” como um conjuro, como se as nossas palavras pudessem invocar os lares e os penates e forçá-los a conceder as suas bençãos. Como quando desejamos “as melhoras” a um doente. Não é apenas um desejo pessoal, um sentimento interno e secreto, mas um voto público, um desejo anunciado, quase uma imprecação, quase uma oração. É verdade que dizemos e escrevemos tudo isso mecanicamente, sem pensar, mas as raízes do gesto e das palavras estão por aí. No lançamento de cada “Bom Ano Novo” há uma esperança demiúrgica. Há um eu primitivo que convoca os deuses, que acende uma fogueira na noite e que levanta os braços ao céu, que sonha que os poderes da terra e do fogo estão ao seu alcance.




2014 12 30 - ISTO NÃO É UM POEMA MAS SIMPLES DESALINHAVADO

quem responde ao meu apelo
não será quem eu quero
e
quem eu quero não sei quem seja
.
os dias e as noites liquefazem-se
e o meu sorriso é uma máscara que se me colou à pele
.
dentro da máscara e para lá do sorriso
uma crisálida moribunda
na busca do desassombro das portas e janelas abertas
ao sol, ao vento, à maresia, ao viandante sem arnês, andarilho ou maltês ....
.
na ressaca das ondas vem um país pequenino
vazio, frio e cinzento
um país de meias tintas e lantejoulas de pechisbeque
e salamaleques com mil reverências a suas "insolências"
preso a séculos de sujeição, de inquisição e de pinas maniques
com o passado como tiques
e, mesmo na penumbra, com medo da própria sombra !.
Resta-me a recusa
de não ser capacho ou mata-borrão
e a afirmação
da não sujeição!
Dói e rói esta solidão pela recusa em ser a formiga no carreiro !

Mindelo 2014.12.30


2013 12 30 O PCP e as ditaduras