Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

domingo, 28 de fevereiro de 2010

MADEIRA 20/02/2010 - Inundações - Fotos


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Ícone de canal

michel94290


Chuva e tragédia na Madeira - Fotos


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Ícone de canal
sylva2000


Catastrofe na Ilha da Madeira


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Ícone de canal

ZeRuce2009
Felizmente, já se começam a ver os sinais do trabalho intenso das equipas de limpeza. Camara Municipal, Exército, Marinha, Empresas de Construção Civil, Voluntários e Populares é de louvar o extraordinário esforço de todos! Nem nos, chamados países de primeiro mundo, vi alguma vez uma recuperação tão fantástica! Continuemos, só nos podemos orgulhar!
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Temporal na Ilha da Madeira – Fotos

  paulovarela.com

Blog pessoal de Paulo Varela – opinião e devaneios de um cidadão comum 
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

SÃO MIGUEL - ILHA VERDE - José António Rodrigues





Notícias /
Cultura

Exposição de fotografia e apresentação do livro São Miguel - 

Ilha Verde em Vila Franca Campo

Publicado: 2010-02-24 15:38:57 | Actualizado: 2010-02-24 15:38:57
Por: António Gil
Exposição de fotografia e apresentação do livro São Miguel - Ilha 
Verde em Vila Franca Campo

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A 25 de Fevereiro, quinta-feira, às 20:30 horas, tem lugar na Galeria Dr. Augusto Simas, no Centro Cultural de Vila Franca do Campo, a inauguração da exposição de fotografia e apresentação do livro SÃO MIGUEL - ILHA VERDE,  edição da Publiçor, com fotografia de José António Rodrigues.
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José António Rodrigues possui grande experiência profissional. Foi colaborador fotográfico da revista Visão, funções que exerceu nos Açores e em Lisboa, até Dezembro de 2008. Desde Janeiro de 2009 correspondente da revista Sábado, Correio da Manhã e Record, no grupo Cofina. É, ainda, colaborador da Agência Reuters, nos Açores. Actualmente é fotógrafo na editora PUBLIÇOR, do grupo Nova Gráfica. Foi editor de fotografia do grupo Impala e repórter fotográfico dos jornais 24 horas, O Independente, onde também exerceu funções de coordenador da secção de fotografia, e O Liberal. Foi colaborador do jornal O Século, em 1988. Nos Açores, foi editor fotográfico do Jornal dos Açores e colaborador da editora Ver Açor.

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Foto-Reportagens:

Lisboa/Paris / 2002 – Viagem no Sud Express Lisboa/Paris/Lisboa, revista Visão
Ponta Delgada / 2001 – Os romeiros de S. Miguel, revista Visão
Lisboa /2000 – A última viagem do submarino Albacora, revista Visão
Ponta Delgada / 2000 – Os bastidores do circo, revista Visão
S. Tomé e Príncipe / 1995 – Golpe de Estado, jornal O Independente
Faixa de Gaza / 1992 – A vida dos colonos palestinianos, jornal O Independente
Israel / 1992 – Eleição de Yitzhak Rabin, jornal O Independente
Africa do Sul / 1992 – Assinatura do CODESA, para preparação das eleições nas quais foi eleito Presidente Nelson Mandela, jornal O Independente
Africa do Sul / 1992 – Os Estivadores de Cape Town, O Independente
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Exposições:

2002 – Fábrica de Tabaco Micaelense: Jardins de Tabaco
2002 – Centro Municipal de Cultura de Ponta Delgada: Jardins de Tabaco
2004 – Parlamento Europeu Bruxelas, Salle Yehudi Menuhin: Jardins de Tabaco ou “o outro lado da folha”.
2005 – Chá dos Açores, Bruxelas, presidência da Comissão Europeia, inaugurada por José Manuel Barroso.
2006 – 9 Ilhas x 9 fotógrafos, teatro Micaelense.
2008 – Da pedra se fez vinho, Bruxelas, edifício do Parlamento Europeu.
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Livros editados:

A história do chá nos Açores, 2005.
Nove Fotógrafos / Nove Ilhas (projecto conjunto com oito fotojornalistas), 2006.
São Miguel, roteiro turístico, 2007.
Açores, ilha a ilha, roteiro turístico (projecto com outros dois fotógrafos), 2007.
Santa Maria, ilha Mãe, roteiro turístico (projecto com outros dois fotógrafos), 2007.
Da pedra se fez vinho (projecto sobre o património mundial da ilha do Pico), 2008.
Presépios de São Miguel, séc. XVIII/XIX, 2008.
Sinagoga de Ponta Delgada, 2009.
Lomba da Fazenda, 2009.
Salga, memórias do tempo e do lugar, 2009.
Álbum Nordestense, 2009.
São Miguel - A ilha verde, roteiro turístico, 2010.
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António Gil com Gabinete de Imprensa de Imprensa da Câmara de Vila Franca

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deVERcidade - Ensaios em debate

Diário Virtual

Edição de 24 de
 Fevereiro de 2010


FOTOGRAFIA

Ensaios em debate

Foto da matéria

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Impacto visual: para explorar os ensaios fotográficos dos 43 fotógrafos de todo o País que participam da 4ª edição do deVERcidade, a curadoria optou pela projeção das imagens ao invés da exibição por meio do formato impresso. Além do efeito plástico mais 
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Mais de duas mil e 600 fotografias foram inscritas no 4º deVERcidade, sendo escolhidos 49 projetos de instalação que representam 11 estados brasileiros, buscando enriquecer o evento ao aumentar o diálogo entre fotógrafos locais e de outras regiões
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Diário do Nordeste - 24/2/2010
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Em tempos de superexposição de imagens, o 4º deVERcidade começa hoje projetando ensaios fotográficos de 43 artistas.
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Fotografias podem ser mero registros, capturar momentos e eternizá-los ou ganhar ares de objetos de arte. Fotografias podem ser contempladas, observadas com atenção ou perder sua relevância diante do excesso de imagens. De um modo ou de outro, elas estão cada vez mais presentes no nosso cotidiano. O que seria, então, uma fotografia, quais seus limites e suas aplicações?
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A 4ª edição do deVERcidade, que começa hoje e prossegue até o próximo domingo (28), no entorno do Mercado dos Pinhões, não tenta responder essas perguntas, mas lançar diferentes olhares sobre elas. "O deVERcidade é um trabalho em construção que exibe fotografias em um espaço não convencional, inusitado, onde tanto pessoas ligadas ao universo da arte quanto curiosos e passantes possam ter acesso a elas", explica o fotógrafo Tiago Santana, um dos curadores do evento.
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Um das características dessa 4 ª edição é uma maior abrangência do evento, agora aberto para fotógrafos de todo o País. "É uma forma de dar um maior peso ao deVERcidade e enriquecer o diálogo entre os fotógrafos locais e de outros estados", acredita Tiago. "Nosso objetivo é discutir os rumos, mudanças e limites da fotografia, inserindo-a no mundo da arte, por exemplo", continua o curador. "Mas não estamos em busca de nenhuma certeza". Para Tiago, uma fotografia só pode ser analisada e compreendida a partir de um contexto.
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Contexto que será debatido por meio de palestras que falam sobre os canais de divulgação das fotografias, seus usos sociais e apropriação pelo universo virtual, além de sua inserção no mercado de arte. "Queremos mostrar as vertentes da fotografia que compõem esse caldeirão da arte contemporânea, trazendo elementos para abrir discussões", detalha Tiago Santana.
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Para a seleção dos 43 fotógrafos de todo o País que participam do evento, a curadoria escolheu como foco trabalhos ensaísticos, com conceito, processos e caminhos bem definidos. "Dessa vez, esse ensaios serão projetados ao invés de exibidos no formato impresso", explica Tiago. "É um diferencial em relação aos outros anos, dando um efeito plástico bonito e valorizando o material a ser visto. A projeção dá uma possibilidade maior das pessoas verem esses ensaios, aumentando o impacto visual das fotografias ao mostrá-las em conjunto".
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Programação
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DEVERcidade 2010 - De hoje até 28 de fevereiro, no entorno do Mercado dos Pinhões. Visitação da exposição: das 18h à meia-noite. À tarde haverá palestras e oficinas. Toda a programação é gratuita. Confira a programação completa no www.ifoto.org.br.Mais informações: 3254.6385.
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Palestra de abertura em Homenagem a Mário Cravo Neto, com Diógenes Moura, curador de Fotografia da Pinacoteca de São Paulo, hoje, às 20h;
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Palestra "Curadoria e fotografia no Brasil", com Eder Chiodetto, eleito o melhor curador de fotografia 2008/2009 em eleição realizada pela revista Clix, amanhã (25), às 20h;
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Palestra "De como se faz um curador (?)" + Monólogo "Eu quem? Um retrato em preto e branco", com Diógenes Moura, sexta (26), às 20h;
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Palestra "Fotografia e mercado", com a curadora de mostras que divulgam a produção contemporânea brasileira no país e fora dele, Rosely Nakagawa, sábado (27), às 20h;
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Oficina " Blogs: ações propositivas da fotografia como meio", com Alexandre Belém, criador do blog Olhavê, dias 27 e 28, das 14 às 17h.

FÁBIO FREIRE
REPÓRTER
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Fotografia – Escadaria (1930) - Rodchenko


O Globo


Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa -
Jornal  O Globo - 24.2.2010
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12h00m

Obra Prima do Dia (Semana de Aleksandr Rodchenko)
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Fotografia – Escadaria (1930)

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Utilizando perspectivas arrojadas e diferentes, Rodchenko queria libertar a fotografia de suas convenções e da perspectiva comum, conhecida como “de umbigo”, com a câmera sempre na mesma estática posição, evoluindo para o pioneiro Construtivismo na fotografia. Em 1928, ele escreveu em um texto, que é quase um manifesto, Os Caminhos da Fotografia Contemporânea: “De modo a ensinar ao homem a desejar coisas novas, objetos familiares lhe devem ser mostrados de perspectivas totalmente inesperadas, assim como em situações inteiramente inesperadas. Objetos novos devem ser exibidos de diversos lados para que o objeto fique conhecido e seja compreendido”.
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Foi também em 1928 que Rodchenko (que largara a pintura em favor da fotografia), comprou uma Leica por julgar que essa máquina tinha um formato cômodo e um modo de operar simples e rápido. Sua Leica passou a ser sua ferramenta de trabalho preferida.
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Foi essa “ferramenta” que lhe permitiu aprofundar seus estudos sobre os efeitos das diversas posições da câmera e a consequente criação de novas perspectivas, das rigorosas reduções das figuras segundo a perspectiva adotada, e de vistas com detalhes surpreendentes.
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Pouco a pouco, a fotografia de Rodchenko foi dominada pela linha como elemento artístico. Gostava de integrar grelhas, escadas, ou fios de metal em suas composições fotográficas convertendo as linhas formadas por esses objetos em estruturas abstratas construtivistas. “Escadaria”, de 1930, e “Garota com Leica”, de 1934, estão entre as mais célebres fotografias dessa linha construtivista.
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Em 1930, Rodchenko se uniu ao grupo “Outubro”, sem dúvida nenhuma a mais importante organização de arte fotográfica e cinematográfica dessa época. Entre 1933 e 1941 ele trabalhou para o jornal “SSSR na stroike” (URSS em construção), que fundara junto com Varvara Stepanova, sua mulher, artista como ele.
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Acervo Família Rodchenko
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O segredo de uma boa imagem pode estar além do olhar do fotógrafo

PE360GRAUS, novo a cada 
segundo

Aperfeiçoamento e criatividade são temas do curso ‘Fotoimagem Avançado – Luz e Composição’ (25/2)

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A fotografia, ao longo dos anos, vem incentivando, cada dia mais, a curiosidade de fotógrafos profissionais e amadores em busca de aperfeiçoamento. Isso se dá pela emoção que pode ser transmitida através da imagem, transformando cores e formas em produto a ser admirado. Quanto mais criativa a fotografia, mais interessante ela se apresenta.

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O segredo de uma boa imagem pode estar além do olhar do fotógrafo. O importante é unir técnica, tecnologia e versatilidade. Isso vale, principalmente, para quem deseja atuar no concorrido mercado da fotografia.
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Com foco no aperfeiçoamento dos amantes da fotografia, a Escola de Imagem (Rua Colômbia, 375 – Sion), de Belo Horizonte (MG), está com inscrições abertas para a continuidade do curso Fotoimagem, agora com o módulo ‘Fotoimagem Avançado – Luz e Composição’, entre os dias 25 e 28 de fevereiro.
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No curso, os alunos aprenderão a dominar técnicas de fotometria, composição avançada e compensação de exposição, através da prática acompanhada pelos professores. O objetivo é dar mais ênfase ao tema “Luz” e “Composição”. “Uma bela foto é resultado de vários fatores dominados pelo fotógrafo. Uma boa composição precisa, principalmente, da luz para se obter os melhores resultados. Por isso, queremos que o aluno tenha domínio sobre a linguagem da luz natural e o rico mundo da composição”, explica Vinícius Matos, fotógrafo, professor e diretor da Escola de Imagem.
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As aulas serão ministradas em espaços ricos em paisagens e elementos que podem despertar a criatividade dos alunos, como o Parque Municipal e o Museu de Inhotim. O curso é voltado para quem deseja fotografar pequenos detalhes como flores, crianças e paisagens. Serão quatro dias de curso com conteúdos de teoria, prática e análise fotográfica, ressaltando os conceitos abordados. O participante recebe apostila completa e o certificado de conclusão com a marca da Escola de Imagem.
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Sobre a Escola

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A Escola de Imagem é a mais completa escola de fotografia e vídeo digital do Brasil. Ela conta com professores altamente qualificados, que ensinam através de didáticas pioneiras e foco no cliente. A instituição proporciona constante aprimoramento profissional para seus alunos, em 32 cursos periódicos, com temas variados.
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AGENDA: Curso Fotoimagem – Fevereiro/2010
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Data: 25 a 28 de fevereiro
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Horário: 19h às 22h (25 e 26/02), 9h às 16h (27 e 28/02)
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Local: Escola de Imagem - Rua Colômbia, 375 – Sion – Belo Horizonte – MG Informações: (31) 3264-6262 ou www.escoladeimagem.com.br
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Requisitos: Câmeras (semi-profissionais ou profissionais) que possuam o modo manual. É necessário ter conhecimentos básicos de fotometria e composição.
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Carga horária: 20 horas/aula // O curso terá apostilas em PDF e certificado de conclusão.
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http://pe360graus.globo.com/diversao/diversao/fotografia/2010/02/22/NWS,508180,2,265,DIVERSAO,884-FOTOGRAFA-EXPOE-IMAGENS-ANOS-PROFISSAO.aspx
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Encontro de editores de fotojornalismo iberoamericanos, em Madrid



Fotojornalistas iberoamericanos dizem que modelo gratuito dos media na Net é “suicídio”

Público - 30.01.2010 - 16:23 Por Lusa
Vários editores de fotografia de jornais espanhóis e latino-americanos defenderam hoje a cobrança do acesso a conteúdos on-line e expressaram reservas quanto à figura do “fotojornalista-orquestra”, que se multiplica a fazer fotografias e vídeos.
Os fotógrafos iberoamericanos criticaram a multifuncionalidade 
pedida à profissão, por causa do vídeo  
 
Os fotógrafos iberoamericanos criticaram a multifuncionalidade pedida à profissão, por causa do vídeo (Hugo Calçada (arquivo))
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“A não cobrança não está a funcionar. É um modelo que está a esgotar-se”, disse à agência EFE Dani Yako, do jornal argentino “Clarin”, antes da sua intervenção no encontro de editores de fotojornalismo ibero-americanos que decorre em Madrid.
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O encontro marcou o encerramento do Transatlântica, um fórum do Festival de fotografia PhotoEspanha criado em 2009 para fomentar o intercâmbio entre instituições e profissionais espanhóis e latino-americanos.
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No encontro estiveram também representantes dos jornais espanhóis “El Mundo”, “El País” e “La Vanguardia”, o brasileiro “Folha de São Paulo” e o mexicano “Excelsior”, que analisaram o estado de saúde do fotojornalismo iberoamericano.
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A fotografia na América Latina está “ao mais alto nível internacional” e, em Espanha, é “cada vez melhor”, disse o presidente da PhotoEspanha, Alberto Anaut.
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Os conferencistas abordaram ainda o visionamento dos conteúdos dos media na Internet, que a maioria dos presentes defendeu dever passar a ser pago.
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“Penso que mais tarde ou mais cedo o acesso aos conteúdos passará a ser pago. A quem ocorreu que o trabalho na Internet teria que ser gratuito?”, referiu Ulises Castellanos, do “Excelsior”, acrescentando que a gratuitidade “é um suicídio”.
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Por outro lado, Carla Romero, do “Folha de São Paulo”, defende “o acesso a conteúdos gratuitos na Internet”, embora admita que as próximas gerações terão que pagar, caso triunfem iniciativas como a do “New York Times”.
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O norte-americano “New York Times” anunciou que irá passar a cobrar o acesso aos conteúdos on-line do jornal a partir de 2011.
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Outra realidade que inquieta os editores de fotografia é o aparecimento do “fotojornalista-orquestra”, um profissional que além de fotografar faz também vídeos.
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Ulises Catellano é contra esta nova realidade, já que acredita que “as duas coisas não sairão bem feitas”.
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“Tirar fotografias é uma especialidade. Fazer vídeos é outra”, lembrou.

A opinião é partilhada por Dani Yako, que considera que a multiplicidade de funções “retira profissionalismo e qualidade” ao trabalho do fotógrafo. 
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Fotógrafo faz negócio com arquivo dos anos 60


Fotógrafo faz negócio com arquivo dos anos 60

Foto Studio tem proporcionado "reencontros" intergeracionais

Jornal de Notícias - 2010-02-21

LILIANA COSTA
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Uma loja de fotografia, a única na localidade durante décadas, recuperou negativos de fotos tiradas a partir de 1960 e o negócio virou sucesso. Há quem não se reconheça a si próprio, quem encontre uma imagem do pai ou da mãe ainda na flor da idade.
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Hoje, basta um "clique" e já está. A fotografia digital e, sobretudo, a incorporação de câmara nos telemóveis, veio revolucionar o mundo da imagem mas há 60 anos as fotografias, geralmente tiradas para documentos oficiais, eram produzidas a partir de negativos de vidro, num processo moroso e artístico.
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Hoje há várias lojas de fotografia em Vizela, mas até há uns anos a Foto Studio, na Rua Dr. Abílio Torres, era o único laboratório. Abriu em 1942 e durante décadas foi registando milhares de rostos em fotos tipo-passe para documentos de identificação. O estabelecimento foi, entretanto, vendido e o novo proprietário, Manuel Monteiro, encontrou no arquivo uma nova fonte de receitas. O que não deixa de ser curioso numa altura em que a substituição do Bilhete de Identidade pelo Cartão do Cidadão [a fotografia passou a ser tirada na própria Conservatória do Registo Civil] está a acabar com o negócio.
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"Temos milhares de fotografias em arquivo e já fizemos cerca de cinco mil. Tem-se revelado um bom negócio", confirma Manuel Monteiro. São reproduzidas a partir dos negativos, alguns com cinquenta anos, e vendidas em formato postal por cinco euros. As fotos vão sendo expostas, cronologicamente, na vitrina da loja e não há quem resista a espreitar por uns minutos todas as caras de homens e mulheres da década de 60 que lá fizeram pose para o "passarinho". Foi mais ou menos por essa altura que "as mulheres começaram a trabalhar fora de casa, nas fábricas, e a cortar os cabelos", assinala Manuel Monteiro.
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A cada passo, alguém encontra um rosto familiar. "Aqui há uns tempos, houve um caso de sete irmãos que descobriram o pai que não chegaram a conhecer. Tinha morrido novo. Nestes casos, geralmente são vizinhos e amigos que identificam a pessoa", conta.
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Desde que Manuel Monteiro começou a explorar a ideia, já assistiu a casos de pessoas que reencontram os pais, avós, tios e outros familiares, alguns já falecidos. "Essas são as que se vendem mais, de pessoas que já morreram", revela. Mas há também quem não se reconheça a si próprio. "Sabe que hoje tira-se fotografias com o telemóvel, mas há uns anos não era assim. E as pessoas, porque não têm fotografias de quando eram novos, já nem se lembram de como eram. São os amigos que lhe dizem: 'Oh pá, este és tu!'", brinca. Não tarda e aparecerão na frente da loja as fotos dos anos 70, a década dos cabelos pelos ombros e dos colarinhos grandes e redondos.
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À loja da Foto Studio têm chegado pessoas de todo o lado. Gente com raízes na terra que, alertada para a descoberta, vem à procura de imagens dos seus ascendentes. "Chegam de Viana, do Porto e de outras localidades para onde migraram e às vezes esperam um dia inteiro para que as fotografias fiquem prontas", diz. Depois discute-se quem se parece com quem e recorda-se outros tempos.
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"Foi a melhor coisa de que se podiam ter lembrado", afirma, com grande satisfação, Guilhermino Ribeiro Cunha. Este vizelense de 72 anos já levou para casa vários exemplares da sua figura aos 18 anos e por aí adiante. 
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Livro denuncia impunidade no caso de furto de fotografias



23/02/10 - 09:40 > CULTURA

Livro denuncia impunidade no caso de furto de fotografias


Agência Brasil




RIO DE JANEIRO - Diversos furtos ocorridos em arquivos de instituições públicas entre 2005 e 2007 chamaram a atenção da artista plástica Rosângela Rennó e a levaram a produzir uma obra de arte impressa em forma de livro, com o título de 2005-510117385-5.
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A obra, lançado no fim de semana no auditório do Paço Imperial, no centro do Rio, reúne a reprodução digital do verso de 101 fotos devolvidas à Biblioteca Nacional que constavam do lote de 751 furtadas há cinco anos e que deram origem ao Inquérito 2005-510117385-5, que dá título ao livro. A edição é de 500 exemplares, que começaram a ser distribuídos nesta segunda-feira (22) a bibliotecas públicas e instituições culturais em todo o país.
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“Na realidade, eu gostaria de que este fosse o primeiro de uma série de trabalhos feitos sobre os furtos ocorridos em 2005, 2006 e talvez também em 2007 no Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, no Arquivo do Itamaraty, no Museu da Chácara do Céu, num museu em São Paulo e em outras instituições públicas. Foi como se alguém percebesse uma falha no sistema e promovesse um arrastão contra a memória”, resume a artista plástica.
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As fotografias estavam guardadas na Biblioteca Nacional e em sua maior parte integravam a Coleção D. Thereza Christina Maria, nome da biblioteca particular doada por dom Pedro II depois da Proclamação da República, em 1889. Todas as fotografias são do século 19 e estão registradas desde 2003 no Programa Memória do Mundo, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
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Na apresentação da obra, Rosângela Rennó escreve: “Em algum momento, entre 2 de abril e 14 de julho de 2005, durante uma greve de funcionários da Fundação Biblioteca Nacional, 946 peças, entre elas 751 fotografias, foram furtadas da Sala Aloísio Magalhães, local conhecido como Divisão de Iconografia da FBN [Fundação Biblioteca Nacional]. Não havia sinal de arrombamento. Os autores do furto trabalharam com sutileza, escolhendo autores e temas, esvaziando álbuns, substituindo fotografias, para que o crime só fosse descoberto algum tempo depois.”
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Quatro anos depois, com uma investigação criminal ainda em curso, apenas 101 fotografias foram recuperadas e todas elas estavam mutiladas, pois os criminosos tentaram, de diversas maneiras, apagar as marcas de registro de patrimônio da FBN, conta a artista plástica na apresentação do livro. “O inquérito criminal de número 2005-510117385-5 ainda não foi concluído e os mentores do furto não foram punidos.”
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A artista trabalha com fotos feitas por ela mesma e por outros fotógrafos, desenvolvendo a partir daí sua obra. Por isso, ela fez questão de conceituar 2005-510117385-5 como abra de arte e não como livro no sentido editorial. Seu objetivo não foi reproduzir a parte recuperada do acervo roubado, mas sim a descrição da fotografia, escrita no verso de cada uma. Além de aguçar a curiosidade de quem a manuseia, a obra de arte em forma de livro reforça a denúncia do “apagamento da memória”, como enfatiza a artista.
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O trabalho de Rosângela recebeu apoio de cerca de R$ 90 mil do edital Arte e Patrimônio 2009, para a realização de pesquisa, documentação fotográfica e duas tiragens especiais de livros da artista. A iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do Paço Imperial, com patrocínio da Petrobras, integra as ações do programa Brasil Arte Contemporânea do Ministério da Cultura


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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Dirceu Maués: a poética da simplicidade

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Você
Domingo, 21/02/2010, 10:55h - Diário do Pará
Dirceu Maués: a poética da simplicidade
Foto: Divulgação 
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Câmeras construídas em latas e caixinhas de fósforos, vídeos feitos com celular. A experimentação sempre mostrou-se constante na trajetória do fotógrafo paraense Dirceu Maués. Artista convidado do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, ele participa de mostra e ministra a oficina ‘Fotografia para brincar de fotografia’, explorando aquilo que, com o tempo, se tornou a grande marca do seu trabalho: a poética da simplicidade. Confira a seguir um bate-papo com o artista.
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Uma video-instalaçäo com seis vídeos, criados a partir da animaçäo de 3.300 fotografias com 120 câmeras pinhole. Como foi a experiência da bolsa de residência em artes na Alemanha? Fale um pouco sobre o trabalho (de fôlego) desenvolvido lá.
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Meu processo acaba sendo muito trabalhoso e cansativo mesmo. Nos dois últimos trabalhos, em Outeiro e Alexanderplatz [Alemanha], precisei da ajuda de outros artistas, principalmente durante a tomada das fotografias. Precisei fotografar sequencialmente e ao mesmo tempo de seis vistas diferentes para ter uma grande vista em 360°. Impossível fazer sozinho. Então nos dois trabalhos precisei da ajuda de outros artistas: em Berlim, de um grupo de artistas portugueses, o coletivo ‘O Piso’; e em Belém (Outeiro) de alguns amigos envolvidos com fotografia - Michel Pinho, Fábio Hassegawa, Luciana Magno, Bruno Assis, Daniel Cruz, Ionaldo Filho e Veronique Isabelle. Em Belém, além de ajudarem com a tomada das fotos, meus amigos participaram do processo de construção das câmeras e finalização dos vídeos. Em Berlim, usei parte das câmeras construídas em Belém. E precisei fazer sozinho o escaneamento e montagem final dos vídeos. Então nesses dois trabalhos meu processo acaba se coletivizando, o que é muito bom pra concepção que tenho e pro que me atrai nesse trabalho com fotografia pinhole. Tive a oportunidade de fazer uma exposição, espaço, estrutura e tempo para pensar e realizar meu trabalho autoral. Mas, muito mais que isso, tive a oportunidade de conhecer outra cultura e sua produção artística contemporânea. Vi muita coisa. Tive contato com artistas de vários lugares do mundo. Conheci seus processos de criação. Fui a muitas exposições de arte contemporânea e a muitos museus, não só em Berlim, mas em outros lugares da Europa. Por tudo isso, foi uma experiência riquíssima.
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Divulgação
>> Dirceu e o grupo de artistas portugueses 'O Piso', durante atividade em Alexanderplatz. (Foto: Divulgação)
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Enquanto assistimos ao surgimento de câmeras e aparatos cada vez mais modernos, você parece não dar muita importância para a tecnologia quando o assunto é o fazer fotográfico. Por que?
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Eu me interesso pela potência poética dos acidentes, acasos e “erros” que ocorrem no processo artístico. Não me interessa a precisão, a alta definição da imagem e todas essas coisas que são vendidas pelo mercado da fotografia como necessário para se fazer uma “boa” foto. Gosto de explorar justamente o outro lado: uma certa subversão do meio.
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Como foi que despertou a sua curiosidade pelos métodos mais artesanais na fotografia?
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Durante as oficinas ministradas na Fundação Curro Velho. Foi um grande laboratório pra mim. Tudo o que eu achava que era possível fazer, incentivava os participantes a construir. Aprendi muito durante essas oficinas observando as experiências dos alunos e aproveitando para experimentar coisas junto com eles também. .
Divulgação >> Processo de confecção das câmeras artesanais utilizadas pelo fotógrafo. (Foto: Divulgação)
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E como é o processo de finalização desse material? É aí que a tecnologia entra em cena?
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Sim, mas na verdade não domino muito essa tecnologia, às vezes utilizo programas simples. Normalmente preciso apenas animar as fotografias, não é tão complicado. A base de meu trabalho é a baixa tecnologia, mas sempre preciso usar uma tecnologia mais sofisticada para finalização. O que há é a adição de uma nova linguagem e de novas possibilidades para utilizarmos em nosso processo de criação. Tenho utilizado câmeras simples de fotografias (saboneteiras digitais) e celulares para fazer vídeos. Esses aparelhos, apesar da tecnologia embutida neles, são muito simples perto das câmeras de vídeo e fotografia com tecnologia de ponta. Gosto de “brincar” com suas “precariedades”, subverter seus programas e funções para chegar ao resultado que me interessa. Mas tenho feito algumas experiências que voltam ao suporte do papel fotográfico. São quimiogramas: desenho com químico sobre papel fotográfico. Fiz uma série de retratos utilizando essa técnica que também me atrai pela falta de controle sobre o resultado que se obtem no final.
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Fotógrafo convidado do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, você  ministra a oficina ‘Fotografia para brincar de fotografia’ de 31/3 a 3/4. Como será a dinâmica dessa “brincadeira”?
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Será  a dinâmica da experimentação. Quando comecei a fotografar, aprendi a obedecer certas regras e passos para se obter uma boa revelação e uma boa cópia no laboratório. Nesta oficina, não teremos regras para experimentação, tudo será permitido. 
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Você  foi repórter fotográfico do Diário do Pará. Sente falta da rotina apressada das redações?
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Trabalhei no Diário durante quase três anos, foi minha primeira experiência como repórter fotográfico. Foi um grande aprendizado pra mim. Depois de um ano longe das redações, confesso que começo a sentir falta da “rotina” de vivenciar os bastidores da vida. Essa é a grande experiência que tive como repórter fotográfico.
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Dirceu Maués
>> Berlim em uma fotografia pinhole. (Foto: Dirceu Maués)
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Na sua opinião, como a fotografia feita no Pará  é vista hoje além das fronteiras brasileiras?

A fotografia paraense é respeitada no grande centro do Brasil. Lá fora, é difícil dizer... lá fora somos brasileiros. Na Europa, conversando com outros artistas, sempre que dizia que era brasileiro me perguntavam se era de São Paulo ou Rio de Janeiro. É a referência que eles têm do Brasil ali. Daí, começávamos um papo sobre a diversidade cultural brasileira. Então eu começava a falar de Belém e sua riqueza cultural.
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Há  quanto tempo você reside em Brasília? Como foi deixar Belém  – uma cidade tão colorida e cheia de cheiros – e se fixar num lugar que é praticamente o oposto disso? Isto influenciou/ tem influenciado seu processo criativo?
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Passei seis meses em Brasília antes de ir pra Berlim e agora estou de volta. Há uma certa tranqüilidade e organização em Brasília que me ajudam a pensar mais sobre meu processo e como voltei a estudar Artes recentemente, isso é muito bom. Por outro lado, essa distância de Belém me ajuda a ver melhor minha cidade quando volto praí. Estou longe, mas meu trabalho sempre terá uma conexão com minhas raízes.

(Amanda Aguiar - Diário Online)
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deVERcidade - No exercício do olhar

Vida & Arte

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Fotografia

No exercício do olhar

Começa no próximo dia 24, a quarta edição do evento de fotografia mais significativo do estado. O deVERcidade -dentro e fora do olhar discute questões como fotografia autoral, mercado de arte, curadoria e os caminhos da fotografia contemporânea
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Elisa Parente elisa@opovo.com.br 20 Fev 2010 - 18h05min
http://www.noolhar.com/opovo/vidaearte/955544.html
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(Divulgação)
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De cima para baixo, os fotografias Prelúdio, de Adriana David; Uma Panorâmica de uma Cidade Inventada, de Natalia Tonda; Voar é Preciso, de Aziz Ary; e Despalavras, de Haroldo Saboia . Nas paredes, o tijolo aparente, as pichações e resquícios de um abandono distante. No lugar do teto, um céu amplo e sem limites. A iluminação que brota das paredes é feita de pensamentos, ideias e sentimentos. É nesse ambiente pouco convencional e ao mesmo tempo inspirador que a partir da próxima quarta, 24, as ruínas de um galpão abandonado na Praia de Iracema abrigam a quarta edição do deVERcidade. O evento de fotografia, que durante cinco dias movimentará o entorno do Mercado dos Pinhões, é capitaneado pelo Instituto da Fotografia & IFoto e vem discutir questões sobre a fotografia contemporânea e sua relação com o mercado de arte, a autoria, a Internet. Até o dia 28, passam por aqui curadores, produtores e pesquisadores e uma mostra com ensaios de 43 fotógrafos de 11 estados brasileiros e do Distrito Federal. Serão expostas ainda obras dos artistas visuais José Tarcísio, Alexandre Veras e Milena Travassos, dos coletivos Balbucio e Alumbramento, além de uma homenagem ao fotógrafo baiano Mário Cravo Neto, falecido em agosto de 2009. O evento, que conta com patrocínio do Governo do Estado do Ceará e Prefeitura Municipal de Fortaleza, recebeu seu primeiro apoio cultural da Oi Futuro. . Com o tema ``Dentro e fora do olhar``, o deVERcidade traz na sua programação questionamentos pertinentes à prática da fotografia atual. Que imagens são criadas hoje? Quem são seus autores? Na efemeridade da produção para a rede, o que permanece como memória? Que rumos a fotografia contemporânea está tomando? ``A gente costuma dizer que o deVERcidade não é um festival com caminhos fechados e definidos. É um trabalho em progresso. O que tentamos fazer é questionar e intervir. É um espaço inusitado e não convencional, que tem uma amplitude maior e que dá acesso às mais diversas pessoas``, destaca o fotógrafo e curador do Ifoto, Tiago Santana. . Longe de buscar respostas, o deVERcidade lança interrogações para que público e convidados botem em xeque questões como produção autoral, lugar da fotografia no mercado de arte, curadoria. Enriquecendo o debate, o evento convidou três dos mais importantes curadores de fotografia do Brasil. Eder Chiodetto, que atua no cenário independente, palestra no dia 25 sobre ``Curadoria e fotografia no Brasil``; Diógenes Moura, curador de fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo, fala no dia seguinte sobre ``De como se faz um curador (?)`` seguido do monólogo ``Eu quem? Um retrato em preto e branco``. No sábado, 27, a curadora de fotografia especializada em mercado, Rosely Nakagawa, detalha esta relação. . Arte da fotografia O jornalista, fotógrafo e curador independente Eder Chiodetto, explica que a fotografia passa a merecer o status de obra de arte colecionável a partir dos anos 1990. ``É quando museus como o MAM-SP e o Masp, por meio da Coleção Masp-Pirelli, passam a formar um acervo específico de fotografia. A criação do Instituto Moreira Salles também tem uma importância fundamental. Esse período corresponde, em escala global, à ampliação do interesse dos artistas pela fotografia, pela forma como ela foi sendo reestruturada como linguagem a partir das novas tecnologias``. A curadora Rosely Nakagawa, que coordena as mostras das galerias Fnac Brasil, defende que a fotografia de arte é realizada pelos fotógrafos que a pensam como tal. ``Mesmo nas áreas de fotografia documental, jornalística ou de publicidade, a fotografia pode ser pensada como arte. O tempo e sua força é que determinam se ela sobrevive como imagem independente de um fato ou época``, sustenta.
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Embora se perceba que o espaço direcionado para a fotografia autoral é mínimo diante de sua produção, a fotógrafa e diretora do IFoto, Bia Fiuza, acredita que este direcionamento da linguagem tem espaço para ser trabalhado no mercado de arte. ``Queremos discutir como a fotografia autoral pode se viabilizar. O grande problema de quem desenvolve projetos autorais é a dificuldade de se viver com isso. De não precisar ter um trabalho paralelo para sustentá-lo. É importante a gente apresentar as diferentes ferramentas e possibilidades para fazer isso acontecer, porque hoje é possível. Existe um circuito, que envolve críticos, curadores, galeristas, salões e publicações, que sustenta e torna tudo isso possível``, defende. Quando o olhar se volta para o cenário local, o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e curador do IFoto, Silas de Paula, encara a possibilidade como remota. ``Falar sobre um mercado autoral para a fotografia no Ceará é um sonho ainda distante. Os artistas visuais que estão aí há mais tempo continuam sofrendo. Só alguns conseguem se manter. Porém, em outros locais isto é uma realidade e espero que isto, algum dia, aconteça por aqui``, analisa.
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sábado, 20 de fevereiro de 2010

DeVERcidade e a fotografia contemporânea

  

Corpo Urbano, um dos trabalhos selecionados para integrar o 
deVERsidade, de autoria da fotógrafa de Curitiba (PR) Luana Navarro 
(Foto: Luana Navarro/Divulgação)

 

 Corpo Humano, de Luana Navarro

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DeVERcidade e a fotografia contemporânea

Embora seja comum identificar como contemporâneo tudo o que é produzido na atualidade, o professor Silas de Paula defende que esta é uma definição redutora. Ele analisa as provocações e inquietações trazidas por esta edição do deVERcidade
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Silas de Paula
especial para O POVO
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20 Fev 2010 - 18h05min
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A cultura visual é formada num processo de persuasão imagética ao longo de muitos anos, o que dá à maioria das pessoas um olhar conservador, oriundo de verdades estabelecidas. No entanto, é bom lembrar que o estranhamento e o conflito sempre fizeram parte das intenções dos artistas, levando à ruptura com regimes de visualidade vigentes.
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Do que estamos falando, então, ao utilizarmos a expressão ``fotografia contemporânea``? O dicionário nos mostra que o significado de contemporâneo refere-se ao que é atual. Definição simples, mas que se torna complexa quando entramos no campo artístico, pois tudo que é feito em qualquer tempo presente é contemporâneo, é atual. Embora seja comum ouvir a afirmação de que não existem mais categorias na arte, e que boa parte da discussão não se fundamenta no suporte ou na técnica, é impossível esquecer que a fotografia ajudou a modelar a arte do século 20 e que, atualmente, começa a dominá-la. A fotografia, que sempre sonhou em ser percebida como arte, vê agora a arte tornar-se fotográfica.
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Os discursos sobre a ausência de categorias na arte contemporânea mascaram outra dificuldade. Ao reunirmos tudo em um mesmo conjunto, seja de arte, artes visuais, etc., acabamos por criar um grande guarda-chuva que não dá conta das complexidades inerentes a cada tipo de processo. Esta postura pode, até, abrigar muitas coisas que facilitam a organização de mostras e exposições colocando tudo sob uma mesma denominação. Bom para a fotografia que não precisa mais se preocupar com a questão de ``ser ou não ser``. Tudo cabe. No entanto como fica o embate sobre a produção, processos e recepção desses trabalhos?
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A arte contemporânea não engloba, necessariamente, toda arte atual. O dito contemporâneo artístico caracteriza um estilo de arte e muitos dos seus critérios e categorias já faziam parte da vanguarda do começo do século 20, de processos posteriores e até mesmo da pintura do Renascimento do Norte, há mais de cinco séculos. Afirmar que o contemporâneo é o atual nos leva em direção a algo, no mínimo, redutor. O que denominamos de arte contemporânea é, simplesmente, uma categoria da arte atual. No entanto, é igualmente redutor não discutir essas questões.
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Marcel Duchamp, por exemplo, estava preocupado em demonstrar que a arte era inteiramente contingente e arbitrária, uma função do discurso e não uma revelação, e argumentava que a identidade, o sentido e o valor do trabalho artístico são construídos através de um processo ativo e dinâmico. A noção de identidade instável caminha paralela à percepção de uma realidade que é tanto convencionada (já visto, já lido), quanto congelada numa fantasmagoria de imagens e simulacros.
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Desconstrução
Pensando nisso, o espaço do deVERcidade foi aberto a inquietações e provocações onde tudo é possível. Boa parte dos trabalhos da mostra nos levou a um caminho fora de qualquer tipo de rotina, como uma tentativa de desconstruir discursos estabelecidos e propor um debate mais amplo. As imagens trazem uma profusão tão grande de olhares que colocam em xeque a certeza de que existe um caminho correto. Colocam tudo em dúvida -não só o seu próprio sentido, mas o nosso -, pois nada deve ser considerado artístico a não ser que suas ambiguidades, incertezas e obscuridades nos lancem de volta aos percursos da nossa própria visualidade: esse ato de ver que deve ser examinado como um produto de tensões entre imagens externas e processos internos de pensamento. Assim, partimos do pressuposto que as imagens de arte não possuem uma natureza peculiar própria que as separe da negociação de semelhança e do discurso de sintomas. Elas envolvem o jogo da ambiguidade da semelhança e a instabilidade das diferenças - questões fundamentais na fotografia e na arte em geral.
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Apesar da mostra deste ano permitir trabalhos de todo o País, o que nos interessa é aprofundar o debate sobre a fotografia no Ceará. O documental caracterizou e, ainda, caracteriza boa parte da produção local que nos colocou no cenário brasileiro e internacional. Mas, às vezes, temos uma sensação de déjà vu, de algo presente em nossa memória há muito tempo, por isso é importante discutir os nossos processos. Não só o documental, mas não precisamos fugir dele. É necessário entender, por exemplo, o que seria um documental contemporâneo, ou trazer para o debate algo como ``documental imaginário`` - questões que estão presentes nas discussões em outros locais. Não sabemos se este é o caminho mais correto, mas acreditamos que trará uma qualidade ainda maior à fotografia no Ceará.
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SILAS DE PAULA é fotógrafo, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e curador do IFoto 
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

As melhores fotos do Carnaval 2010



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Posted: 16 Feb 2010 10:41 AM PST
Nagüeva
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Todos os anos o Carnaval nos presenteia com belíssimas imagens de foliões, escolas de samba e trios elétricos. Esse ano não podia ser diferente, basta acessar o Flickr e se deparar com imagens lindas do Carnaval 2010.
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É de cair o queixo.
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Luanda - Carnaval 2009

26 Fevereiro 2009


Luanda-Carnaval 2009






Fotos de Lucas Neto-Angop
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.http://www.angolabelazebelo.com/2009/02/luanda-carnaval-2009.html
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Fotografia paraense voa ainda mais alto

Diário do Pará - Domingo, 14/02/2010, 09:25h 
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"É justo, é justíssimo!”. Assim Luiz Braga analisa a confirmação da seleção de cinco fotógrafos paraenses para a Coleção Pirelli/Masp de Fotografia 2010 – uma das mais importantes coleções de fotografia contemporânea do País. Ele é o consultor local da coleção, responsável por indicar os profissionais para a seleção final. Este ano entraram cinco só de uma vez: Alberto Bitar, Mariano Klautau Filho, Guy Veloso, Octavio Cardoso e Alexandre Sequeira. Além deles, já fazem parte do acervo Pirelli/MASP o próprio Braga - com duas seleções –, Walda Marques, Miguel Chikaoka, Flavya Mutran, Dirceu Maués, Elza Lima e Paula Sampaio.
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Visivelmente feliz, Luiz Braga não esconde a satisfação por ter mais uma vez representantes paraenses nesta coleção. A fala apressada e incisiva do consultor exalta claramente um sentimento: o de união. “Fiz contato pessoal com cada um deles. Menos com o Alexandre, que está morando em Belo Horizonte. Pedi para que eles separassem imagens representativas. Mandei uma caixa enorme, com 10 fotografias de cada um. A princípio foram aprovados só dois, mas não era definitivo. Insisti e fiz uma defesa, alegando por que tinha encaminhado esses nomes. Na quarta-feira (10) recebi a confirmação de que tinham entrado mais três”, conta. E completa: “Somos muito fortes. Eles concorreram com autores do Brasil todo. O que existe aqui ainda vai ser estudado. Temos uma cultura visual muito forte”.
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Ele destaca ainda que, para fazer parte de uma coleção deste nível, não é fácil. A comissão de seleção, formada por um conselho deliberativo, é bastante criteriosa. O conselho é composto por especialistas em fotografia convidados (críticos, fotógrafos, historiadores, pesquisadores, professores, etc.), além de representantes da direção da Pirelli e do Masp. “A fotografia paraense atravessou o mundo do mero registro. Temos uma representatividade alta e boa. Foram selecionados cinco fotógrafos da mais alta qualidade, mas é claro que sobrou muita gente”, diz Luiz Braga. Cada fotógrafo paraense entrou com três fotografias.
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Além de fazer parte da importante coleção, as fotografias paraenses estarão expostas no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) em julho/agosto e farão parte do catálogo desta edição da Coleção Pirelli/MASP de Fotografia, que reproduz as obras incorporadas ao acervo – acompanhadas pela biografia dos autores e um texto de apresentação.
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As obras da coleção são ainda automaticamente tombadas pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), como acontece com o restante do acervo do Masp. Os direitos autorais das obras adquiridas pertencem integralmente aos seus autores ou herdeiros.
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Para Alberto Bitar, fazer parte deste acervo é um prestígio sem tamanho. “Já tive trabalhos avaliados pela comissão anteriormente. Ter trabalhos selecionados para o Catálogo era um desejo antigo. Eu queria muito isso, é um dos maiores reconhecimentos”, revela. As fotografias selecionadas de Alberto fazem parte da série “Efêmera Paisagem”, imagens essas que desvendam as memórias do autor e que têm lhe dado algumas alegrias. “O vídeo foi selecionado no Rumos Itaú Cultural e, agora, fotografias entram no Pirelli”, diz. “Essa história de o Luiz ficar feliz com a nossa entrada... Eu já tinha ficado feliz só por ele ter me indicado, porque o reconhecimento do meu trabalho por ele também é importante”, ressalta.
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(Diário do Pará)
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Jovem fotógrafo expõe em Odemira

Rádio Pax - 14/02/2010 - 00h05

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Vai estar patente até ao dia 13 de Março, a exposição fotográfica “Fracções de Tempo”, na Biblioteca Municipal de Odemira. A exposição é da autoria de Dário Guerreiro.
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Este estudante universitário é natural de Sabóia, no concelho de Odemira. Dedica os seus tempos livres à fotografia, defendendo que a máquina é o seu instrumento de criação. Para Dário Guerreiro cada fotografia capta um momento, uma fracção de tempo que enfatiza como sendo único e eterno. Conforme disse à Rádio Pax o autor Dário Guerreiro “é um autodidacta, os momentos que capta não obedecem a um tema rígido, sendo fragmentos livres da sua imaginação e inspiração do momento”. 
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São cerca de vinte fotografias inspiradas em momentos peculiares, que vão estar expostas na Biblioteca Municipal de Odemira, de terça a sexta-feira, das 10.00 às 18.00 horas, e no sábado das 13.00 às 18.00 horas.
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http://www.radiopax.com/noticias.php?d=noticias&id=8350&c=1
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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Angola - Exposição fotográfica denominada “Reviver Mandume”



HOMEPAGE arrow ARTES PLÁSTICAS arrow Pedro Salvador expõe "Reviver Rei Mandume"
Pedro Salvador expõe "Reviver Rei Mandume" Imprimir E-mail
Fonte: Angola Press - Editado por AD   
Friday, 05 February 2010
ImageUma exposição fotográfica denominada “Reviver Mandume”, da autoria do repórter fotográfico Pedro Salvador, vai ser inaugurada esta sexta-feira no Salão Internacional de Exposições da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), em Lua.
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A mostra, que vai levar ao conhecimento do público dezenas de fotografias sobre a vida do Rei Mandume, visa saudar mais uma aniversário de Mandume ya Ndemufayo, que se comemora no próximo sábado, mas também dar força ao projecto do Ministério da Cultura de valorização das figuras históricas angolanas.
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No catálogo da exposição, o jornalista Filipe Lombolene, director da Rádio Ngola Yetu, escreve que Mandume ya Ndemufayo nasceu num frondoso embondeiro que ainda hoje existe, no Eumbo de seu pai, na epata elombe (casa da primeira mulher) de sua mãe em 1892 (data hipotética) em Embulunganga, perto de Ondjiva. É filho de Ndemufayo e de Ndapona.
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“Ainda muito jovem sucedeu, em 1911, ao seu tio materno, o Rei Nande, no exercício do Poder. O monumento em homenagem ao Rei Mandume ya Ndemufayo foi edificado em Oihole, município de Onamakunde, onde se encontra sepultado o Rei”, lê-se no catálogo.
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A exposição, que ficara patente na UNAP por 15 dias, tem o patrocínio da Flo Tek e o apoio do Jornal de Angola.
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Fotógrafo das Edições Novembro, Pedro Salvador, 62 anos, natural de Quivemba-Zinga, município do Soyo, província do Zaire, é um retratista que encontra a sua consagração no quotidiano boémio. Teve encontros fortuitos com a realizada Cuanhama, assim como com as realidades do grande guerreiro da tribo Ambó, que foi Rei Mandume.
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Pedro Salvador já realizou algumas exposições fotográficas em Luanda. A primeira foi em 1995, com o tema “Dia-a-Dia da Criança”. Seguiram-se depois as Exposições Minas anti-pessoais” (1997) e “Alusivo ao Dia Internacional da Criança” (2005).
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Foi vencedor do primeiro concurso internacional promovido pela União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiático (UCCLA) em 1995; obteve o segundo lugar do segundo concurso da UCCLA, em 1997; obteve uma menção Honrosa na 2.ª Bienal de Línguas e Culturas, organizado em Maputo, em 1997, e venceu o concurso de Instantâneos de Rua, organizado pela Escola de Markenting e Foto Ngufo, em 2000.
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Última Actualização ( Friday, 05 February 2010 ) .
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http://www.angoladigital.net/artecultura/index.php?option=com_content&task=view&id=1324&Itemid=38
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Fernando Lemos - Eu sou a fotografia

Enric Vives-Rubio
Fernando Lemos

Eu sou a fotografia

Público -02.12.2009 - Sérgio B. Gomes
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O surrealista Fernando Lemos veio do Brasil com negativos na mala para tirar deles fotografias inéditas dos tempos em que abriu caminho na escuridão criativa dos anos 50. Fotografias nunca antes vistas em público
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O mestre gosta de acompanhar o processo. Gosta da revelação e do contacto com os líquidos do laboratório. O mestre Fernando Lemos, 83 anos, nome maior do surrealismo português, veio do Brasil com os negativos na mala para tirar deles fotografias inéditas dos tempos em que, ao lado de Fernando de Azevedo e Vespeira, abriu caminho na escuridão criativa dos anos 50. O minúsculo laboratório em Lisboa, de onde saíram retratos nunca antes vistos publicamente, faz-lhe lembrar o Japão, de tão pequeno e atafulhado que está. O mestre avisa o impressor: "Cuidado com o retoque! Não se esqueça daquilo que lhe disse". O mestre disse que gosta do preto como se fosse preto tinta-da-china e do branco como se fosse branco papel. Os meios-tons ficam para o impressor.
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Conversámos com Fernando Lemos no dia em que estava marcada a viagem para Vila Nova de Famalicão, onde a Fundação Cupertino de Miranda expõe a série realizada nos primeiros anos da década de 50 que o tornaram incontornável na história da fotografia portuguesa. E não só. Ao lado dessas imagens já conhecidas, há novos retratos de amigos feitos "por amor, amizade, respeito intelectual e aprendizagem".
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Ainda fotografa?
Muito pouco. Considero a fotografia já em mim. Já me perguntaram também se eu era fotógrafo. Respondo: "Não. Eu sou a fotografia". Em tudo o que vejo, é como se fosse a fotografia a ver essas coisas. Tenho a fotografia na minha cultura visual.
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As imagens sobrepostas em duplas exposições são um dos traços mais distintivos do seu trabalho. Qual é papel do acidental nas imagens que captou?
Tenho-me garantido mais por juízos de gente nova. Ultimamente tenho-me dado até mais com fotógrafos. Aos artistas plásticos nem quero vê-los à frente - todos chatos e intimistas. O que os mais novos me dizem é que estas fotografias parecem ter sido feitas hoje. E isso para mim foi uma revelação espantosa.
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Mas quando está a fazer a dupla exposição não está à espera que o acidental também faça o seu trabalho?
Sem dúvida. Como não tinha uma máquina automática, era preciso passar o rolo manualmente, aquilo a que se chamava "mão na roda". O que queria preparar na composição era um pensamento mais pictórico e gráfico. Quando imaginava certa situação para um retrato, ocultava parte da captura da imagem já preparando a outra, como se estivesse pintando, fazendo com que a matéria fosse aderindo uma à outra, transformando esta pele deste corpo na mesma pele do outro corpo que é o mesmo repetido. Há aqui alguma herança cubista, na medida em que de uma posição vemos vários ângulos do objecto. Os meus corpos também se foram mostrando dos vários lados. Os retratos não são uma coisa estática. Há uma mudança de gesto, de olhar. Dentro disto, é claro que há o flagrante, há o instante. Saber se a luz está boa ou não, tudo isso para mim é secundário. O desafiante é esse "flagra".
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É verdade que às vezes prefere o resultado do que aparece no negativo do que a imagem que é ampliada a partir dele?
Sim, é verdade. Prefiro a imagem do negativo no sentido da surpresa do registo. A fotografia para mim é um percurso meio aquático. Na hora de tirar uma cópia da banheira, dá ideia que se está a pescar um peixe, fresquinho. A fotografia para mim também é a transparência. A transparência é uma forma de espionagem. Apanhamos certas coisas e nem sabemos que as apanhámos. Como um furto.
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Como fotógrafo, tenho directrizes já bem definidas e que passei várias vezes para o laboratório e tentei passar para o António [impressor de Lisboa]: "Os pretos são pretos porque são feitos com tinta-da-china, os brancos são os brancos do papel. Considere sempre que estou desenhando, e você inventa nos meios-tons, nos cinzentos. Isso é um trabalho seu, do laboratório".
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E incomoda-o o retoque?
Acho que o retoque é como a última solução, uma coisa a que não se pode fugir. É como as nossas rugas. No retoque que se faz por causa dos danos do tempo correm-se riscos, demora muito para ficar bem feito e é sempre um remendo, uma maquilhagem, um botox. É melhor deixar como está.
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É raro alguém conseguir apontar a "sua" primeira fotografia. Tem esse momento bem presente na vista tirada da sua casa, na Rua do Sol ao Rato, em Lisboa. O que é que recorda desse momento?
No grupo surrealista ninguém estava interessado em usar a fotografia. Havia umas colagens, mas não se usava para reproduzir. A fotografia aproximou-se de mim por causa do rosto, do nosso rosto como portugueses. Até aí, achava que não havia nada que nos desse a cara da nossa gente. Lembrei-me da fotografia e pensei que a cara das pessoas com quem tinha amizade já era algo que valia a pena, um começo para essa colecta de retratos, por amor, por amizade, por respeito intelectual, por aprendizagem.
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Resolvi comprar uma câmara, a mais barata que consegui. Felizmente tinha uma lente fenomenal e a vantagem de não ser automática. Morava num quinto andar. No dia seguinte, assim que acordei, peguei nela e fui à cozinha que tinha uma janelinha pequena. Não resisti. Era a minha rua, o meu bairro, o sítio onde nasci. Decidi: é aqui que vai acontecer a minha primeira fotografia. E sempre a coloquei assim.
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No catálogo da exposição da Casa Jalco [exposição surrealista com Fernando de Azevedo e Vespeira, 1952], António Pedro dizia que "pintava com a máquina fotográfica e com os pincéis". Este é talvez o resumo perfeito para explicar a indiferenciação entre o pintor e o fotógrafo. Revê-se nesta descrição enquanto criador?
Não há distinção. Sou muito gráfico. Executei a fotografia como se estivesse pintando, usando matéria para ela se fundir, para adquirir as qualidades da pintura, mais do que as qualidades da fotografia, como o recorte. O Manuel Bandeira, que fez um texto para a minha primeira exposição no Rio de Janeiro também se refere a esta questão...
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... dizia que se "sente o pintor nas suas fotografias"...
Porque a fotografia não foi feita para imitar a pintura, mas para ser a técnica da fusão.
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O desafio de chegar ao campo do surrealismo pela fotografia é maior do que pelas outras artes, como pela pintura ou pela poesia?
Sim, é verdade. Os trabalhos que me impressionaram mais no surrealismo foram aqueles que usaram a fotografia.
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Fala-se sempre da influência de Man Ray na sua obra fotográfica. Que alcance teve o surrealismo de Ray nas imagens que produziu?
Vim a conhecer o Man Ray depois de fazer aquelas fotografias. Não tínhamos assim tanta informação sobre o que se passava lá fora. Quando descobri o trabalho dele achei que era um gajo porreiro. Mas a influência de Man Ray - que conheci em Paris - nem foi pela fotografia. Foi mais por essa postura multifacetada perante os vários suportes de criação. Ele era um artista total. Deu lições radicais sobre várias coisas. Considero-o importante, mas diria que me senti mais influenciado pelo Max Ernst, por exemplo.
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Quer dizer que a sua fotografia foi mais influenciada pela pintura?
Sim. Na fotografia vi muitas coisas, e ainda vejo, mas tenho ideia que as origens são sempre as mesmas. Esse surrealismo de figurinha sifilítica herdada do Dalí, essa coisa do erotismo, da masturbação e dos corpos estragados são meio "demodé". Para mim, a fotografia do Man Ray é música de câmara, quer dizer, é muito laboratório.
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Já disse que a sua fotografia era "sensorial e quase primitiva". Quer aprofundar esta descrição?
Tenho insistido muito nesta ideia para afastar qualquer pretensão de que sirvo de exemplo para alguma grande teoria da fotografia. Nem o efeito das exposições, nem os prémios me convencem que sou um caso excepcional. Entrei na fotografia como um primitivo. Esta descrição é como uma defesa. É também sinal de alguma cobardia ao não querer assumir um estatuto. Entrei na fotografia por acaso. Parece que deu certo. Ainda bem.
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É apresentado como o único fotógrafo surrealista português dos anos 50. No entanto, no ano passado, um leilão em Lisboa revelou um outro fotógrafo que encontrou inspiração na mesma corrente artística no final dos anos 50, Victor Palla. Já viu essas imagens?
Sim. Gostei do trabalho dele. Admirava-o muito por causa das capas de livros que criava. Era das poucas coisas que se faziam bem em Portugal. Eram novas, não provincianas. Estive uma ou duas vezes com ele, mas não falámos de fotografia. Havia entre nós uma apreciação meio secreta...
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Havia uma admiração mútua?
Sem dúvida. Ele sabia que o admirava e eu sabia que ele me admirava.
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Na prática, o seu exemplo não foi seguido de maneira consequente nos anos seguintes. O Estado Novo venceu o surrealismo?
Não sei. Sob certos aspectos talvez tenha vencido. Mas não se pode falar em vitória. Um Estado que não teve capacidade para outra coisa que não fosse instaurar medo, destruição. Ele não destruiu só o surrealismo, destruiu o próprio processo histórico. Fez a feira popular com aquelas coisas todas feitas de estafa e gesso. Estragaram toda a festa. Os discursos do Salazar foram uma anedota, meio hilários, meio dementes. Só um povo humilde como o nosso podia aceitar aquela situação. Até a polícia política era a mais atrasada delas todas. Eram todos uns sacanas sem categoria nenhuma.
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O livro "Lisboa, Cidade Triste e Alegre" [álbum com fotografias de Victor Palla/Costa Martins, poemas de vários autores portugueses editado em 1959 e considerado um dos melhores livros de fotografia portugueses] vai ser reeditado em Dezembro. Partilha do entusiasmo que gira à volta desta obra?
Partilho. É uma boa notícia. O livro tem uma reputação enorme. Dá uma versão de Lisboa absolutamente adequada. É uma fotografia que eterniza certas coisas de Lisboa, que é das poucas cidades no mundo com características que não são palpáveis em outros lugares.
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E o livro reflecte isso...
Reflecte e dá uma lição humanista. Lisboa é a minha cidade. O livro do Palla/Martins dá-nos uma Lisboa que não pode ser igualada por mais ninguém.
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A exposição inaugurada na Fundação Cupertino de Miranda tem fotografias inéditas. Quando andou a mexer de novo nos seus negativos o que é que procurou?
Muito pouca coisa. Não fui à procura de nada que fosse exclusivo. Há uma ou outra imagem que já podia ter sido ampliada. Mas não me preocupei muito com isso. Não sou pesquisador.
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No novo conjunto prevalece um tipo de retrato psicológico, mais voltado para a sugestão. O que é que procura transmitir com este estilo?
Procuro mostrar que somos vários. Quando aparecemos em qualquer situação, não temos uma cara fixa, não somos uma máscara. Quis captar os retratos desta forma para se perceber que temos na nossa cara um mundo de coisas para explodir, para esconder. Não se fica a conhecer uma pessoa ao olhar para a calça, para o sapato. Conhecemos, quando olhamos para o rosto das pessoas.
Continua a tentar "adivinhar a idade do futuro"?
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Ouvi essa expressão numa entrevista ao Philip Glass. Ele dizia que não sabia a idade do futuro. Achei interessante. Sabe-se a idade do passado, do presente, mas qual é a idade do futuro? Fiquei a pensar nisso. Depois do livro do Saramago, "As Intermitências da Morte", chego a ter medo que a morte me esqueça. Tomamos tudo muito a sério. É a questão também do surrealismo, o não tomar a sério. Mas é preciso levar as pessoas a entenderem que só gente séria é que pode brincar.
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Versão alargada desta entrevista em http://blogs.publico.pt/artephotographica
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Albert Watson Profissão: fotógrafo

Albert Watson

Profissão: fotógrafo

Público - 18.12.2009
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Por: Simone Duarte, em Nova Iorque
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É difícil acreditar que Albert Watson é cego de um olho desde que nasceu. Considerado um dos 20 fotógrafos mais influentes de todos os tempos, fez algumas das imagens mais mediáticas das últimas quatro décadas. Quem é que ainda não foi fotografado por ele?
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Pode nunca ter ouvido falar em Albert Watson mas já viu uma das suas fotos. Alfred Hitchcock foi a primeira celebridade capturada pelas lentes da câmara deste escocês de Edimburgo radicado em Nova Iorque. Foi em 1973 para a capa da "Harper's Bazaar". A imagem do cineasta britânico, que também era um grande "chef", a segurar um ganso morto representou uma viragem na carreira de Watson, que se mudara anos antes para os EUA com a mulher e os dois filhos. Mais de 40 anos depois, a questão é: quem é que ainda não foi fotografado por Albert Watson?.
Bill Clinton, Kate Moss, Clint Eastwood, Michael Jackson, Uma Thurman, Mick Jagger, Andy Warhol, Nicole Kidman, David Lynch, Naomi Campbell, Jack Nicholson, David Bowie, Cate Blanchett, Spike Lee, Scarlett Johansson, a Rainha Isabel II (Watson foi o fotógrafo oficial do casamento do Príncipe André e Sarah Ferguson). A lista parece infindável. .

São mais de 250 capas da "Vogue". Sem contar com os trabalhos para a "Rolling Stone", a "Vanity Fair", a "Time", a "Harper's Bazaar"... E ainda 600 anúncios para TV. Mas o convívio com tantas celebidades não parece ter alterado uma das maiores características do fotógrafo: a simplicidade. São 18h30 de uma noite fria em Manhattan e Watson chega atrasado ao seu estúdio em Tribeca. Veio de um "casting" para um novo trabalho. Pede desculpas. Não gosta de chegar atrasado..

A célebre foto de Kate Moss, nua, agachada, tirada em Marrocos está numa das paredes. Watson explica que esta grande sala vai ser transformada em galeria. Sentamo-nos à mesa onde o filho Aaron deixou os três livros do pai e publicações com algumas das fotos tiradas ao longo das últimas décadas. Nas salas de trás estão armazenados milhares de negativos. Começamos a conversar sobre a fotografia de Mick Jagger em que o vocalista dos Rolling Stones aparece como um leopardo. A foto integra a exposição do Museu de Brooklyn "Who Shot Rock & Roll: A Photographic History, 1955 to the Present".
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Nos últimos 17 anos já falou inúmeras vezes sobre esta foto de Mick Jagger mas é inevitável perguntar, principalmente nos dias de hoje em que todos acham que tudo é obra do Photoshop: como teve a ideia? 
O mais interessante é que esta não era a intenção inicial. A ideia era fotografar Mick a conduzir um Corvette com um leopardo ao lado. Algo surreal e estranho. Estava tudo combinado mas no momento o treinador do leopardo achou perigoso e decidiu que era melhor arranjar uma divisória de vidro para separar os dois. Enquanto esperávamos tive a ideia de fazer uma dupla exposição. Perguntei ao Mick, já o tinha fotografado outras vezes, e ele concordou. Primeiro fotografei o leopardo. 12 poses. Fiz várias exposições, muita luz, menos luz, normal, pouca luz. E anotei cada uma. A cor que prevalece no rosto do leopardo é o branco, claro, com as pintas negras. A pele de Jagger também é muito branca. Depois marquei no "viewfinder" o contorno do animal, o formato dos olhos, nariz, boca. Rebobinei o filme e fotografei Jagger na mesma posição, com exposições contrárias às que fizera com o leopardo. Das 12, quatro ficaram boas, três perfeitas. Mas só vim a saber depois. Quando a divisória do carro ficou pronta prosseguimos com a sessão de fotos. Quando fui revelar e vi como as fotos tinham ficado (tive muita sorte porque os olhos encaixaram perfeitamente e a parte de cima dos lábios também), revelei uma e mandei para a revista. Toda a gente adorou.
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E qual foi a reacção de Mick Jagger ?
Tivemos um pequeno problema. Mandámos a foto para Mick, que estava em Los Angeles. Ele viu rapidamente e deu o OK. Na manhã seguinte tinha três chamadas dele, eu só pensava "será que ele mudou de ideias?" Afinal, queria usar a foto para a capa do novo álbum, mas era tarde de mais. A fotografia já tinha sido enviada para a revista. 
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Existe alguma diferença entre fotografar Mick Jagger ou Kate Moss, ou aquela rapariga desconhecida que está nesta foto atrás de si [na parede, uma foto recente de uma menina num jardim]?
Não. Trato todos de modo igual. Há mais stress quando se trata de uma celebridade. Por mais amigável, simpática, maravilhosa e fácil que uma celebridade seja [imita "uma celebridade" com gestos, mexe os braços: "O que quer que eu faça, que eu sorria?"], há mais stress. Ainda que hoje para mim não faça diferença. Olhe aqui este livro sobre Marrocos [folheia o seu livro de fotos sobre o país]: trato estas pessoas do mesmo modo que as "celebridades". Não importa se é uma criança no meio da rua. Estou completamente com ela como estou com um "famoso". Fotografo tudo: paisagens, carros, celebridades, desconhecidos... Fotografar uma celebridade tem uma grande vantagem e uma grande desvantagem: uma fotografia de Kate Moss é logo reconhecida porque é a Kate Moss, mas quando fotografo o rosto de uma mulher mais velha, como esta em Marrocos, quem vê a foto presta atenção à textura, à composição...
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E quando é que a fotografia se transforma em arte? [Albert Watson, com Richard Avedon e Irving Penn, fez a transição das capas de revistas de moda para os livros de arte...]
A fotografia pode percorrer viagens distintas. Uma fotografia pode ser para uma revista, para um livro, para uma galeria e para um museu. Eu entrei logo para este mundo da moda, das revistas, da "Vogue", da"Vanity Fair", às vezes da "Rolling Stone"; fiz posters de filmes como "Kill Bill", "Memórias de uma Gueisha", "O Código Da Vinci"... mas no fundo fui, sou e serei sempre fotógrafo. Não um fotógrafo de moda mas um fotógrafo que tira também fotos de moda. Às vezes os editores das revistas reclamam que as minhas fotos têm força a mais. E talvez tenham razão. Quando comecei, nos anos 70, andava com a minha Nikon na mão, tirava fotos das raparigas a sorrirem [volta a gesticular e a imitar], a segurarem o gelado, a cairem na piscina, a olharem para a câmara, a beijarem um rapaz... Nos anos 80 o meu trabalho mudou. Lembro-me de uma capa para a "Vogue" italiana, a foto da modelo com a cara coberta por um pano. O editor perguntou-me se eu não podia mostrar o rosto dela. Não foi chegar um dia e dizer: "tchum, tchum, tchum... Sou um fotógrafo". Quando eu tirava as fotos das jovens modelos com gelados, gostava de ver o meu nome na foto mas depois deixou de ter importância e as fotos foram ficando mais definidas, mais fortes, mais expressivas e mais monumentais - não "monumentalmente" boas mas "monumentalmente" mais fortes, mais poderosas, mais pesadas... O que faz uma fotografia transformar-se em arte? A sua longevidade. Ela pode ser vista em Julho, em Outubro ou daqui a anos e ainda tem a mesma força.

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Outra foto com destaque na exposição é a de Michael Jackson. De novo nada de Photoshop...
Curioso. Noutro dia num blogue alguém comentou que não gostava da foto porque criava uma ilusão óptica, mas foi justamente por isso que fiz a foto. O meu trabalho é resultado dos meus quatro anos de desenho gráfico e de três anos na escola de cinema. Nesta foto usei oito espelhos para fotografar Mickael Jackson. Era para a capa do "Invincible" mas não chegou a ser usada. 
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O que significa ter sido considerado um dos 20 fotógrafos mais influentes de todos os tempos?
Sempre tive e tenho uma enorme paixão por fotografia. É uma obsessão. Aliás só resulta se formos obcecados. Noutro dia um jovem fotógrafo disse que queria ser igual a mim. Posso ter à minha frente uma mulher ou uma paisagem: as imagens têm a mesma força e o mesmo interesse. O seu gravador, por exemplo: fotografá-lo-ia sobre uma superfície de aço, você poderia preferir que eu o colocasse sobre uma toalha vermelha com flores. Eu até poderia tentar mas não deixaria de fazer o que tem sentido e é verdadeiro para mim.
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Porque decidiu ser fotógrafo?
Tinha um certo interesse por fotografia. A primeira vez que segurei uma câmara e olhei pelo "viewfinder" fez sentido. As minhas mãos deslizaram pela máquina e tudo pareceu fácil [interrompe e sorri]. Não escreva, por favor, que fotografar para mim é fácil. O que quero dizer é que sempre tive o desejo de tirar grandes fotos. E quando tive a câmara pela primeira vez nas mãos, tudo pareceu natural. Fez sentido. Mas como qualquer trabalho solitário tem de ser praticado todos os dias da nossa vida. 
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