Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Pelourinhos 41 / Municípios 23 - Porto

 * Victor Nogueira


2021 12 21 Fotos victor nogueira - Porto - Paços do Concelho, pelourinho e Sé Catedral

O edifício dos actuais Paços do Concelho encima a Avenida dos Aliados e a Praça da Liberdade, resultante da demolição de edifícios anteriormente aí existentes Outrora os Paços do Concelho estiveram instalados no Paço Episcopal, nas cercanias da medieval Casa da Câmara ou Casa dos 24. Por seu turno o pelourinho situa-se no Terreiro da Sé Catedral, como pastiche dos anos '40 de século XX.

A Casa dos 24 remonta ao século XV e teria sido a primeira sede do poder municipal, resultando o nome do facto de nela se terem reunido 24 representantes dos vários ofícios da cidade. O edifício ficou destruído depois de um incêndio em 1875 e acabou por ser recuperado pelo arquitecto Fernando Távora em 2000., nele estando presentemente instalado o Museu da Cidade. 


«A construção do edifício [dos Paços do Concelho] começou no ano de 1920 e arrastou-se durante muitos anos, foi finalmente inaugurada em 24 de junho de 1957. A obra foi inspirada arquitetonicamente nos grandes palácios comunais do norte de França e da Flandres. O edifício é composto por uma cave, seis pisos e pátios interiores, ocupando uma área de 2.438 m2. Construído em granito proveniente das pedreiras de S. Gens e Fafe, sendo os restantes materiais: betão armado, mármores de diferentes cores e madeiras de carvalho e sucupira. Em frente da porta principal e enquadrada pela rampa encontra-se a estátua de Almeida Garrett, inaugurada em 1954 para comemorar o primeiro centenário da morte autor do portuense. Ao entrar no edifício deparamos com uma vastíssima escadaria em granito que permite o acesso ao andar nobre, aqui encontram-se quatro afrescos que evocam personalidades da história portuguesa sendo elas: Dom Afonso Henriques, primeiro rei portucalense, o Infante Dom Henrique, promotor dos descobrimentos, Afonso Martins Alho, burguês do Porto e negociante do primeiro tratado comercial com a Inglaterra e Camilo Castelo Branco, o novelista boémio. Na varanda deste andar encontram-se ainda quatro estátuas simbolizando as riquezas do norte de Portugal: a Terra, o Mar, a Vinha e o Trabalho. » (in “All about Portugal”)

O projecto foi do arquitecto António Correia da Silva, coadjuvado pelo engenheiro Monteiro de Andrade, que dirigiu as obras até 1950, várias vezes interrompidas,  até que a coordenação técnica passou para o arquitecto Carlos João Chambers Ramos que, ultrapassando alguns dos impasses, permitiu a conclusão da obra, iniciada a 24 de Junho de 1920 e finalmente inaugurada em 1957, no mesmo dia e mês.


«O pelourinho, defronte da Sé Catedral, parece ser uma relíquia bem antiga, mas não. Esta coluna de estilo rococó não é mais que uma imitação de um pelourinho antigo ali colocado em 1945, como decoração, devido às obras que se fizeram no Terreiro da Sé. » (in “All about Portugal”

VER   

Pelourinhos 07 / Igrejas 70 - Porto - Sé, pelourinho e estátua de Vímara Peres

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Templos religiosos 73 - Fundão

 * Victor Nogueira

Alpedrinha, Castelo Novo,  Donas, Fundão (Vila)


Fundão




Capela do Espírito Santo e Capela do Calvário

A Capela do Espírito Santo foi presumivelmente fundada na primeira metade do séc. XVI, erguendo-se junto de uma pequena Capela do Calvário. Aquela é antecedida por um largo alpendre do séc. XIX que guarda o portal principal, rasgado em arco de volta perfeita de cantaria granítica, sobre o qual se inscreve a data de 1578, certamente correspondente a uma remodelação do espaço. Na fachada sul podem ver-se uma sineira, um portal com singela decoração quinhentista e o volume da sacristia 



Capela de São Miguel e Igreja da Misericórdia 

A Capela de São Miguel  é datada do século XVII, do ano 1685, pelo padre Miguel de Oliveira da Cunha. Foi inicialmente fundada como igreja, passando a ser utilizada desde o século XX como casa mortuária. Capela de planta rectangular e longitudinal simples. A  Igreja da Misericórdia é um templo seiscentista com destaque para o púlpito poligonal assente sobre colunelo, disposto junto à porta de entrada. e um campanário. A irmandade da Misericórdia do Fundão foi fundada em 1516 mas apenas no ano de 1595 a confraria recebeu o alvará régio que aprovava o seu compromisso. Cerca de 1630 a irmandade iniciou a construção de uma nova igreja, junto à Capela de São Miguel. A estrutura do templo seria reformada no segundo quartel do século XIX. 


Proença-a-Velha





Igreja da Misericórdia

O templo terá sido edificado nos séculos XV ou XVI, possivelmente sobre uma edificação anterior, eventualmente um "hospital" ou hospedaria, para peregrinos a caminho para Santiago. Note-se que a Irmandade da Misericórdia de Proença-a-Velha foi instituída em 1500,  Em 1671 ter-se-á construído a capela lateral, a expensas do Dr. Domingos Gonçalves Robalo, para sua capela tumular e de sua esposa D. Leonor. (Wikipedia)


Cemitério


Alpedrinha


Igreja de S. Martinho Bispo

Igreja maneirista e barroca de planta longitudinal, composta por três naves com quatro tramos, uma capela-mor mais estreita e baixa, uma sacristia e um anexo. Foi reconstruída entre 1557 e 1578 sobre um templo primitivo datado do século XII/XIII. (All about Portugal)


Castelo Novo




Torre do Relógio e ruínas do castelo


Capela de Santo António

A Capela de Santo António data do século XVI e situa-se no Largo de Santo António, num pequeno outeiro sobre a vila e o rio Unhais. Apresenta uma fachada com alpendre suportado por colunas, vãos de lintel reto e portal principal com frontão triangular com nicho. Os cunhais são pintados de forma a imitarem o granito. A imagem do santo padroeiro, no interior, data do século XVII. (in https://aldeiashistoricasdeportugal.com/local/capela-de-santo-antonio/)

Donas



(azulejos)





Igreja de Santa Ana (Matriz) e Capela dos Pancas

A Capela de Pancas foi construída nas meadas do século XVII do lado direito da Igreja Matriz e no plano da capela-mor, adossa-se a Capela dos Pancas, quinhentista e de estilo manuelino.

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Tempos religiosos 66 - Belmonte, Manteigas e Valhelhas

 * Victor Nogueira

Belmonte, Manteigas e Valhelhas

Serra da Estrela

A neve parece esferovite e de vez em quando um tipo enterra-se até aos joelhos. Antes do cume a serra é negra, salpicada de branco; no cimo é um manto branco, que o nevoeiro confundia, tornando fantasmagóricos os vultos. Estava frio, mas suportava-se. Encontro-me num café da Covilhã   que parece um do Porto, enquanto as ruas lá para trás lembravam Sintra. Almoçámos no Fundão, na Escola Secundária, um prédio de habitação adaptado - onde as pessoas tinham um ar seráfico e beatífico, falando com um sotaque de seminaristas, padres ou de freiras de Santa. Zita; - será que a maioria deles são destas bandas? - As miúdas desta região têm um ar rude ou agreste - serrano ? - Demos liberdade aos miúdos e até agora não tem havido problemas. Estou é maçado, pois a camioneta não é cómoda e por causa da reunião na Escola só me deitei às 3 da matina para levantar-me às 5 1/2. (MCG - 1975.02.26) 

(...) Perguntas-me se gostei da Serra?   Digo-te: vira o postal, e diz-me se essas pedras negras e essa erva amarelecida têm alguma beleza ou alegram o espírito! Imagina esta paisagem embranquecida pela neve, por entre rochas negras! E vai daí compreenderás que tenha arrefecido um pouco o meu entusiasmo... pela Noruega. (MCG - 1975.03.05)

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Muita casa abandonada e arruinada na encosta. Encosta agreste, despida, com estrada serpenteante embora com guardas, bordejada por enorme precipícios, como na Madeira. Grandes e rudes afloramentos graníticos, um deles parecendo uma tartaruga. De repente um sítio frondoso com grande casa arruinada (hotel ou sanatório?)

Pequenos chalets nas Penhas da Saúde

Nos ouvidos começo a sentir a pressão e o zumbido das altitudes. Na encosta um memorial aos trabalhadores mortos na construção da estrada.

A Torre é uma zona ventosa, com vegetação raquítica. Duas construções, de forma cogumélica, que pertenceram ao Centro de Radares da NATO que funcionou aqui até 1971. Centro Comercial com “recuerdos”, enchidos, mel e queijo, mas fechado à hora que chego. Estou a cerca de 2000 m de altitude. (Notas  de Viagens 1998.07.09)

Vale glaciário do Zêzere

Encosta contrastante com a meridional, arborizada, havendo um  pequeno riacho de águas rumorejantes e um nicho. Rebanhos de cabras e casas de colmo. Numa curva da estrada um tendeiro vende chapéus de coiro, enchidos e queijo, acompanhado dum enorme cão. (Notas  de Viagens 1998.07.09)


Belmonte



Igreja de Santiago e Panteão dos Cabrais

Monumento de traço romântico, foi sofrendo modificações ao longo dos tempos, apresentando alguns elementos góticos e maneiristas. Foi talvez construída em 1240, por intermédio da D. Maria Odil Cabral, por disposição de D. Gil Cabral. No interior do monumento, pode observar-se uma Pietá, em granito e policromática e pinturas murais, pelo menos de duas épocas, encontrando-se vestígios de um tríptico construído por figuras que representam Nossa Senhora, São Tiago (orago) e S. Pedro.

Adossado à Igreja está o Panteão dos Cabrais, ainda em construção em 1483. A renovação deste deve-se a Francisco Cabral, primeiro Alcaide de Belmonte após a Restauração, como a ele se devem alguns dos túmulos renascentistas ali existentes (1630). Situada num dos caminhos portugueses de peregrinação a Compostela, a Igreja de Santiago seria um local, onde os Peregrinos encontravam um conforto espiritual no decurso da sua jornada. (in https://cm-belmonte.pt/diretorio/igreja-de-santiago-e-panteao-dos-cabrais/)





Castelo, Paço dos Cabrais e cruzeiro
 
Janela da antiga Casa da Câmara


Janela manuelina



Brasões do Cabrais


Belmonte no horizonte

A vila de Belmonte teve foral em 1199 e está situada no panorâmico Monte da Esperança (antigos Montes Crestados), em cujo morro mais rochoso foi construído nos finais do séc. XII o seu castelo que juntamente com os castelos de Sortelha e Vila de Touro, formaram até à assinatura do Tratado de Alcanices (1297), a linha defensiva do Alto Côa, apoiada na retaguarda pela muralha natural da Serra da Estrela e pelo Vale do Zêzere.

A bravura e a lealdade da família dos Cabrais, foi sempre lendária e temida, sobretudo a do seu primeiro Alcaide-mor – Fernão Cabral, que uma vez nomeado a título definitivo e hereditário, em 1466 por D. Afonso V, transformará o castelo numa Residência Senhorial Fortificada, onde seu filho Pedro Álvares Cabral viverá os seus primeiros anos de vida. (Wikipedia)


Torre de Centum Cellas, um  conjunto de ruínas romanas que remonta o século II


Caria - Capela de Santo António

Acredita-se que a Capela de Santo António seja a mais antiga, tendo sido construída entre o século XV e o século XVII, e que a Capela do Calvário date do século XIX. Na Capela de Santo António são ainda visíveis as armas das famílias Queiroz, Gouveia e Cabral.

Belmonte 
Na vila, castelo em obras, com janela manuelina e torre de menagem. Três igrejas, tendo a matriz (de Santiago) uma um torre sineira lateral separada e outra o panteão dos Cabrais. Lenda do pastor.

Centro  histórico - Judiaria, pelourinho, casas de granito. - Refúgio dos judeus perseguidos no século XVI, que mantiveram as suas tradições. Fotos da vila ao longe, brasões, igreja  matriz e torre sineira


Centum Cellas
Perto uma construção de aspecto insólito, vestígio de origem romana, de aspecto rude e deselegante, com as fachadas esventradas de portas e janelas: a chamada torre de Centum Cellas.


Caria 
Situa-se na margem esquerda da  ribeira homónima e na freguesia do Casteleiro. Perto as termas de água rádio (Águas Radium), muito radioactivas.

Foto da capela. Igreja matriz com nada de especial. Capela com púlpito exterior. Janelas manuelinas. Casas antigas. Casa brasonada  com  capela privativa. Casas de pedra aparelhada e com escadaria exterior.

Toponímia: Ruas do Açougue, Direita, do Forno, do Canto, do Jacinto, das Lameirinhas, da Fonte do Prior. Travessa das Lameirinhas.

Nesta zona há muitas árvores em pequenos agrupamentos  e erva seca e grandes extensões de terreno plano, com pequenas elevações no horizonte, e muitos rebanhos. Ponte estreita e  comprida, com semáforos, atravessando o milheiral

De Caria para o Sabugal a estrada está coberta pelas árvores, que formam aprazível túnel verdejante. Para além de milho os campos têm videiras  e árvores de fruto para além de se verem algumas ovelhas pastando e fardos de palha aguardando o transporte.



Manteigas


Igreja de Santa Maria e coreto

Vista geral

Igreja de S. Pedro e coreto 

“Coração da Serra da Estrela” - surge lá no fundo do desfiladeiro. cercada de altas montanhas.  Duas igrejas, uma em cada extremo, cada uma com seu coreto. Casas brancas, janelas de guilhotina, caiadas e degradadas. No centro histórico  as ruas são muito estreitas, com 2/3 pisos, o granito coberto por cal branca. O tempo não chega para visitar as “maravilhas” naturais. Fica na margem do Rio Zêzere. (Notas  de Viagens 1998.07.09)


Valhelhas








Igreja de Santa Maria Maior e pelourinho



Capela de Santo Antão

Capela datada de 1577, composta por uma planta longitudinal simples, com um alpendre e uma nave. Apresenta coberturas diferenciadas, em telhado de três águas no alpendre, e em telhado de duas águas na nave. A fachada principal é em cantaria, sendo rasgada por um portal de arco de volta perfeita. (in All about Portugal)




Brasões de armas

Na margem arborizada  do rio Zêzere. Outrora terá sido importante povoação, pertencente à  Ordem dos Templários. Largo com chafariz de duas bicas, pelourinho e igreja com campanário, de granito e com escadaria exterior. Algumas casas de  2 pisos são de granito, não caiado. Gente nas esplanadas da Praça Dr. José de Castro. No chafariz uma citação de Corrêa Garção: “Que eu desta glória ficarei contente / Se a minha terra amei e a minha gente.” Houve um castelo que foi demolido e as pedras aproveitadas para outras construções como a cerca do cemitério, como demolido foi o convento após a extinção das ordens religiosas.

Rua do Castelo, travessa do Castelo, que foi mas já não existe. Parte da pedra é o muro do cemitério  e outras foram utilizadas em prédios da vila. Em  muitas localidades se deu este “aproveitamento”, por necessidades de expansão  urbana ou para angariar receitas para o município. Em Serpa a falta de compradores preservou as muralhas. Capela de Santo André, com galilé e púlpito exterior.  (Notas de Viagens  1998.07.10 /11)