Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Mostra reforça o diálogo entre a fotografia e as artes plásticas


Nahima Maciel 

Publicação: 23/09/2010 08:00 - Correio Braziliense


A fotografia está tão presente no cotidiano contemporâneo que é impossível evitá-la. O divertido e produtivo é se apropriar das imagens, destruí-las e reconstruí-las de maneira a compor novos significados. Paisagens revisitadas, em cartaz na Referência de Arte, é um mosaico de possibilidades conseguidas por meio de ressignificações para imagens mais do que instaladas no repertório visual de qualquer cidadão.

Imagens de Marcelo Feijó: montagens que se misturam com palavras - (Marcelo Feijò/Divulgação)
Imagens de Marcelo Feijó: montagens que se misturam com palavras
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O curador Marcus Lontra reuniu trabalhos de Luiz Alphonsus, Marcelo Feijó, Almir Reis e João Bosco interessado em explorar como cada um manipula imagens produzidas com técnica fotográfica. “É uma ideia muito simples de reforçar o diálogo da fotografia com as artes plásticas”, explica. “Eu quis mostrar como cada um incorpora elementos fotográficos. Fotografia é uma realidade, sempre foi, e hoje ainda mais, especialmente no mercado. Galerias de foto são um fenômeno que vem acontecendo com frequência.”

Marcelo Feijó, professor da Universidade de Brasília (UnB), aproveita Paisagens revisitadas para mostrar as primeiras obras da série Sobre o mundo e suas imagens. O artista manipula fotografias realizadas em Paris, São Luís (Maranhão) e Lisboa. Faz montagens nas quais insere imagens famosas, citações nas quais recupera um imaginário sedimentado em quase dois séculos de história da fotografia. “Quando vou fotografar sou influenciado por essas imagens que tenho na cabeça. Temos uma memória coletiva e não conseguimos mais ver as coisas pela primeira vez”, acredita Feijó. “As imagens são parte de um projeto maior. É o resultado da minha vida de pesquisador da história da fotografia.”

Assim, uma paisagem urbana portuguesa ganha a inserção da foto Le violon d’Ingrès, feita por Man Ray em 1924, e uma esquina de prédios desgastados em São Luís combina com a sobreposição da imagem do beijo de Robert Doisneau. Sobre todas as fotos, Feijó escreve palavras como amor, dor, solidão, morte, vida, sonho e realidade, uma lembrança de sentimentos opostos e complementares que podem confundir ou sugerir situações ao espectador. “São palavras fundamentais que estão na vida de todo mundo, o tempo inteiro.”

No trabalho de Almir Reis, Brasília ganha destaque em fotografias da estátua da Justiça na Praça dos Três Poderes e da rampa lateral do Museu Nacional. “É a valorização das cores e da iconografia de Brasília”, explica Marcus Lontra. De fato, o branco da cúpula do museu e o cinza da estátua ocupam tanto o olhar quanto os contornos e os ângulos focados pelo artista. No caso de Luiz Alphonsus, a série apresentada — um jogo de céus, nuvens, luas e sóis — foi garimpada no próprio arquivo fotográfico do artista.

Diálogos
A relação entre o espaço cósmico e urbano é preocupação constante na hora de organizar os diálogos entre as imagens. “O cosmos vem da minha relação com Brasília”, explica Alphonsus, que morou na capital durante a adolescência e hoje vive no Rio de Janeiro. “Esse céu gigantesco sempre marcou minha vida toda. E a questão do urbano também veio da ocupação do Planalto, de ver a cidade crescer.”

João Bosco, também do Rio, é o único que não encara o próprio trabalho como fotográfico, embora o resultado final seja uma impressão digital sobre tela após longas manipulações no Fotoshop. O primeiro passo no trabalho de Bosco é capturar imagens de objetos nos quais enxerga alguma potencialidade narrativa para construir paisagens um tanto surrealistas. Capturar pode ser fotografar ou simplesmente escanear brochuras ou desenhos. “Trabalho com a ideia de construir paisagens futurísticas. Não sou fotógrafo. O trabalho parece pintura, foto, desenho. Não é nada disso e é tudo isso”, garante.

Intitulada Apocalipse, a série apresentada na Referência traz pequenos esqueletos de animais que interagem com uma suposta espaçonave construída com escorredores de macarrão. É a versão de Bosco para um mundo de seres sem carne. “É um reflexo sobre o fim de um tempo e o princípio de outro. A ideia dos animais descarnados e vivos é a ideia de um mundo mutante. A partir desse pensamento vou construindo imagens de um mundo que está mudando.” Antes de Apocalipse, o artista construiu toda uma narrativa para a ideia com séries intituladas O início, Os deuses e A culpa.

PAISAGENS REVISITADAS
Exposição de Luiz Alphonsus, Marcelo Feijó, Almir Reis e João Bosco. Visitação até 9 de outubro, de segunda a sábado, das 10h às 22h, na Referência Galeria de Arte (Shopping Casa Park) 
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Mostra reforça o diálogo entre a fotografia e as artes plásticas

Nahima Maciel 
Publicação: 23/09/2010 08:00

A fotografia está tão presente no cotidiano contemporâneo que é impossível evitá-la. O divertido e produtivo é se apropriar das imagens, destruí-las e reconstruí-las de maneira a compor novos significados. Paisagens revisitadas, em cartaz na Referência de Arte, é um mosaico de possibilidades conseguidas por meio de ressignificações para imagens mais do que instaladas no repertório visual de qualquer cidadão.

Imagens de Marcelo Feijó: montagens que se misturam com palavras - (Marcelo Feijò/Divulgação)
Imagens de Marcelo Feijó: montagens que se misturam com palavras.






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O curador Marcus Lontra reuniu trabalhos de Luiz Alphonsus, Marcelo Feijó, Almir Reis e João Bosco interessado em explorar como cada um manipula imagens produzidas com técnica fotográfica. “É uma ideia muito simples de reforçar o diálogo da fotografia com as artes plásticas”, explica. “Eu quis mostrar como cada um incorpora elementos fotográficos. Fotografia é uma realidade, sempre foi, e hoje ainda mais, especialmente no mercado. Galerias de foto são um fenômeno que vem acontecendo com frequência.”

Marcelo Feijó, professor da Universidade de Brasília (UnB), aproveita Paisagens revisitadas para mostrar as primeiras obras da série Sobre o mundo e suas imagens. O artista manipula fotografias realizadas em Paris, São Luís (Maranhão) e Lisboa. Faz montagens nas quais insere imagens famosas, citações nas quais recupera um imaginário sedimentado em quase dois séculos de história da fotografia. “Quando vou fotografar sou influenciado por essas imagens que tenho na cabeça. Temos uma memória coletiva e não conseguimos mais ver as coisas pela primeira vez”, acredita Feijó. “As imagens são parte de um projeto maior. É o resultado da minha vida de pesquisador da história da fotografia.”

Assim, uma paisagem urbana portuguesa ganha a inserção da foto Le violon d’Ingrès, feita por Man Ray em 1924, e uma esquina de prédios desgastados em São Luís combina com a sobreposição da imagem do beijo de Robert Doisneau. Sobre todas as fotos, Feijó escreve palavras como amor, dor, solidão, morte, vida, sonho e realidade, uma lembrança de sentimentos opostos e complementares que podem confundir ou sugerir situações ao espectador. “São palavras fundamentais que estão na vida de todo mundo, o tempo inteiro.”

No trabalho de Almir Reis, Brasília ganha destaque em fotografias da estátua da Justiça na Praça dos Três Poderes e da rampa lateral do Museu Nacional. “É a valorização das cores e da iconografia de Brasília”, explica Marcus Lontra. De fato, o branco da cúpula do museu e o cinza da estátua ocupam tanto o olhar quanto os contornos e os ângulos focados pelo artista. No caso de Luiz Alphonsus, a série apresentada — um jogo de céus, nuvens, luas e sóis — foi garimpada no próprio arquivo fotográfico do artista.

Diálogos
A relação entre o espaço cósmico e urbano é preocupação constante na hora de organizar os diálogos entre as imagens. “O cosmos vem da minha relação com Brasília”, explica Alphonsus, que morou na capital durante a adolescência e hoje vive no Rio de Janeiro. “Esse céu gigantesco sempre marcou minha vida toda. E a questão do urbano também veio da ocupação do Planalto, de ver a cidade crescer.”

João Bosco, também do Rio, é o único que não encara o próprio trabalho como fotográfico, embora o resultado final seja uma impressão digital sobre tela após longas manipulações no Fotoshop. O primeiro passo no trabalho de Bosco é capturar imagens de objetos nos quais enxerga alguma potencialidade narrativa para construir paisagens um tanto surrealistas. Capturar pode ser fotografar ou simplesmente escanear brochuras ou desenhos. “Trabalho com a ideia de construir paisagens futurísticas. Não sou fotógrafo. O trabalho parece pintura, foto, desenho. Não é nada disso e é tudo isso”, garante.

Intitulada Apocalipse, a série apresentada na Referência traz pequenos esqueletos de animais que interagem com uma suposta espaçonave construída com escorredores de macarrão. É a versão de Bosco para um mundo de seres sem carne. “É um reflexo sobre o fim de um tempo e o princípio de outro. A ideia dos animais descarnados e vivos é a ideia de um mundo mutante. A partir desse pensamento vou construindo imagens de um mundo que está mudando.” Antes de Apocalipse, o artista construiu toda uma narrativa para a ideia com séries intituladas O início, Os deuses e A culpa.

PAISAGENS REVISITADAS
Exposição de Luiz Alphonsus, Marcelo Feijó, Almir Reis e João Bosco. Visitação até 9 de outubro, de segunda a sábado, das 10h às 22h, na Referência Galeria de Arte (Shopping Casa Park) 
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http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/23/diversaoearte,i=214319/MOSTRA+REFORCA+O+DIALOGO+ENTRE+A+FOTOGRAFIA+E+AS+ARTES+PLASTICAS.shtml
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Exposições, debates e oficinas tratam da imagem em processos analógicos


Nahima Maciel 

Publicação: 19/08/2010 07:00 Atualização: 19/08/2010 10:45
Mirsolav Tichý - Projeção - (Arquivo pessoal)
Mirsolav Tichý - Projeção.
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A fotografia analógica vai tomar conta do Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, a partir de hoje. É com homenagem à técnica cada vez menos praticada que o Fotoclube f/508 dá início à 1º Semana f/508 de Fotografia — I love film. Até o final do mês, o espaço recebe quatro exposições, ciclo de debates e oficinas focadas na prática da imagem concebida unicamente em processos analógicos. “Vamos discutir a preservação da cópia, as tendências e as linguagens do analógico”, avisa Humberto Lemos, um dos idealizadores do evento. “É um suporte que atrai muito a meninada, o pessoal jovem. No Rio de Janeiro houve até um crescimento de 20% na revelação de filmes.”

A facilidade e o custo da tecnologia digital baratearam o processo fotográfico e tomou conta do mercado nos últimos 10 anos. A foto em filme negativo perdeu espaço e ficou cara, mas a surpresa de não saber imediatamente o resultado de uma imagem ainda seduz os praticantes. “O analógico tem a ansiedade. Tenho um problema com o digital: demoro para passar para o computador porque o prazer de ver a foto já passou. Na foto analógica, além do prazer de pensar o resultado, tem essa ansiedade para ver como ficou”, explica Janaína Miranda, 22 anos, integrante do f/508.

Alessandra Araújo - Estética do acaso - (Alessandra Araújo/Divulgação)
Alessandra Araújo - Estética do acaso
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Além das exposições e oficinas, a semana da 508 traz ainda uma homenagem ao tcheco Mirsolav Tíchy, especialista em construir suas próprias câmeras desde a década de 1960. Na noite do lambe-lambe, evento em que o f/508 realiza projeções, as imagens de Tíchy serão exibidas em telão, assim como um filme em stop motion com fotografias pinhole realizado pelo fotógrafo Dirceu Maués e imagens do grupo Low-Fi, que trabalha com fotografias realizadas com tecnologias alternativas. Veja ao lado as exposições e oficinas programadas para o evento do f/508.

Estética do acaso
Janaína Miranda - Estética do acaso - (Janaina Miranda/Divulgação)
Janaína Miranda - Estética do acaso
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» A falta de controle sobre os erros ou acertos é o que atrai os seis fotógrafos da exposição, todos integrantes do fotoclube f/508. Com máquinas Lomo ou aparelhos classificados como de ``baixa tecnologia``, eles se expõem ao acaso para captar imagens nas quais a falta de controle se torna parte de uma linguagem.

Fotografia pinhole
» Pinhole é qualquer aparelho fotográfico construído de forma precária, com caixas ou latas transformadas em câmeras escuras prontas para receber a luz através de um orifício. A engenhoca pode ou não ter lente e o resultado é altamente empírico. O acaso tem papel importante na prática. Humberto Lemos, Thiago Barros e Beth Coutinho assinam as imagens desta exposição. ``Você não tem controle nenhum sobre o resultado e a técnica não é importante aqui. O pinhole não tem definição de ótica e dá um quê de sonho na imagem``, escreve Barros.

Processos históricos

» No século 19, quando a fotografia começou a ser popularizada, os meios de reprodução passavam longe dos processos industriais dos tempos modernos. Para reproduzir uma imagem era preciso dominar práticas artesanais, preparar o papel e ampliar imagem por imagem. Cianótipo, papel albuminado e papel salgado eram os processos mais frequentes. Alunos e integrantes do f/508 fizeram cursos para produzir o material da exposição ampliado com métodos artesanais na mostra que reúne nove fotógrafos e 25 obras.

Em busca do paraíso perdido
» O curitibano Angelo José da Silva transpõe para serigrafias as imagens de arte urbana — especialmente grafites — coletadas nas ruas das grandes cidades com uma câmera Rolleiflex e filme em preto e branco. O trabalho rendeu livro artesanal, costurado à mão e lançado em Brasília no início do mês. Na 508, Silva apresenta quatro imagens do livro ampliadas em 70 x 70cm.

Oficinas
Alessandra Araújo - Estética do acaso - (Alessandra Araújo/Divulgação)
Alessandra Araújo - Estética do acaso
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» Quatro oficinas estão programadas até o final do mês. Em Daguerreotipia os inscritos poderão aprender com Francisco Moreira da Costa a confeccionar daguerreótipos, placas de vidro nas quais a imagem era impressa nos primeiros tempos da fotografia. O coletivo Garapa, de São Paulo, será o único a abordar tecnologias contemporâneas com a oficina Experiência multimídia. As vagas estão esgotadas para os dois cursos, mas quem estiver interessado ainda pode se inscrever nas aulas de pinhole e processos históricos. Na primeira os alunos vão aprender a construir câmeras artesanais com o fotógrafo Dirceu Maués e na segunda, Luís Gustavo Prado ensina a manipular químicas para fixar fotos em papéis alternativos. Todas as oficinas são gratuitas e acontecem no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul).

PROCESSOS ALTERNATIVOS
Com Luís Gustavo Prado. De 28/8 a 9/10
Sábado das 9h30 às 12h30. R$ 400 R$ 25 para o material
CONSTRUÇÃO DE CÂMERAS ARTESANAIS
Com Dirceu Maués. Sábados e domingos
Dias 21, 22, 28 e 29 de agosto, das 9h30 às 12h30 Preço: R$ 360

SEMANA F/508 DE FOTOGRAFIA — I LOVE FILM
Até 29 de agosto no endereço SCLN 413, Bloco D, sala 113

Para saber mais
Quadro de palestras com entrada franca
  • Preservação da cópia e do original — 23/08, às 19h30, Thiago Barros
  • O analógico e a mídia contemporânea — 24/08, às 19h30, com Gabriela Freitas
  • A fotografia intuitiva de Miroslav Tichý — 25/08, às 19h30, com Janaína Miranda
  • Wim Wenders e a fotografia on the road — 26/08, às 19h30, com Rose May Carneiro
  • Fotografia low-fi e a estética do acaso — 27/08, às 19h30, com Rafael Dourado
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Fotógrafo Luiz Alves apresenta imagens clicadas nos terreiros do DF


Nahima Maciel 

Publicação: 19/08/2010 07:00 Atualização: 19/08/2010 04:04

Para Luiz Alves, a fotografia pode ser uma arma de combate à intolerância racial. Tal certeza se instalou na mente do fotógrafo há 18 anos, quando começou a fotografar o cotidiano dos terreiros de candomblé no Distrito Federal. É um trabalho extenso, já que a Federação de Umbanda e Candomblé contabiliza, em Brasília, mais de quatro mil terreiros urbanos e rurais.

O cotidiano dos terreiros de Brasília, festas, rituais e rostos orientaram o trabalho de Luiz Alves durante os últimos 18 anos - ( Luiz Alves/Divulgação
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O cotidiano dos terreiros de Brasília, festas, rituais e rostos orientaram o trabalho de Luiz Alves durante os últimos 18 anos


Alves acompanhou a rotina nos terreiros, mas não se limitou aos trabalhas diários. Festas — alguma, inclusive, realizadas fora da casas — também entraram para a documentação do fotógrafo com o objetivo de narrar ao público como vivem os membros das comunidades que praticam as religiões herdadas dos ancestrais africanos. “Ao fotografar a comunidade tradicional de religiões de matriz africana e brasileira e exteriorizar para a sociedade como vivem seus membros, acredito estar dando a oportunidade de as pessoas tomarem conhecimento de uma sociedade que muitas vezes é criticada apenas porque se tornou tradição criticar ou espezinhar as religiões de matrizes africana e brasileira. Muitos que criticam o fazem por total falta de conhecimento”, acredita.

O trabalho ganhou o nome de Ìmo dudú, que em iorubá significa sabedoria negra, e virou exposição em cartaz no Sesc/Ceilândia desde o início do mês. A mostra é a única inédita do Mês da Fotografia, evento que comemora os 171 anos da invenção da foto. Hoje, Alves projeta e comenta as imagens da exposição antes de apresentação do grupo afro Asé dudú. Nascido em Resende (RJ) há 51 anos, o fotógrafo se aproximou das religiões de matriz afro-brasileiras em 1990. Militante do movimento negro nos anos 1980 em Volta Redonda, onde trabalhava como caldeireiro na Companhia Siderúrgica Nacional, Alves cultivava a curiosidade em descobrir mais sobre a cultura de seus avós maternos.

Em Brasília, descobriu o grupo Asé dudú, do qual é hoje vice-presidente, e os terreiros. O projeto Ìmo dudú tem como bandeira, além da luta contra a intolerância, a preservação da cultura negra. “A minha fotografia pode até não mudar o mundo, mas quem sabe consegue ajudar a tirar uma pedrinha que seja do muro do preconceito. Aí estarei me sentindo realizado, enquanto profissional e principalmente como ser humano.”

SUBMERSO
O Sesc-Ceilândia também recebe, amanhã, uma apresentação comentada do projeto Brasília submersa, de Beto Barata. O fotógrafo partiu das histórias sobre a quantidade de objetos e ruínas que repousam no leito do Lago Paranoá para fazer ensaio submerso e contar histórias do local. “O projeto não tem só fotos subaquáticas, engloba tudo. Tem tanto foto tradicional quanto subaquática”, avisa Barata, que realizou mais de 100 mergulhos para fotografar. Questões ambientais como o acúmulo de lixo no leito do lago, flora e fauna da região são temas para o fotógrafo, que também direciona a lente para a vida nas margens do Paranoá. O ensaio será publicado em livro e parte das imagens apresentadas durante a projeção de sexta no Sesc integra exposição a ser inaugurada em outubro no Museu da República.

ÌMO DUDÚ
Projeção comentada de fotografias de Luiz Alves. Hoje, às 19h, no Sesc-Ceilândia (QNN 27, Lote B)

Veja a programação completa do Sesc-Ceilândia

19/08
– Abertura Oficial com apresentação do grupo Asé Dudú e Encontro com autor, com o fotógrafo Luiz Alves, às 19h.

20/08
- Encontro com Autor e Projeção Comentada: Projeto Brasília Submersa, de Beto Barata, às 15h.

- Projeção Fotográfica e Encontro com Autores: Fotojornalismo de Brasília, com fotógrafos do Correio Braziliense, às 20h.

26/09
– Projeção Fotográfica e Encontro com Autores: Coletivos Lente Cultural e Candango Fotoclub, às 20h.

27/09
- Projeção Fotográfica e Encontro com Autores: Fotojornalismo de Brasília, com representante das Sucursais dos jornais O Globo, Estadão e Folha SP; Jornal de Brasília, Jornal da Comunidade e Agências Internacionais, às 20h.

Evento gratuito e aberto a todos. Inscrições para oficinas e workshops na secretaria do SESC Ceilândia – (61) 3379-9595
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mostra reúne imagens marcantes colhidas por fotógrafos do Correio Braziliense


Nahima Maciel 
Publicação: 18/08/2010 07:00 Atualização: 18/08/2010 08:19

Uma boa foto consome menos de um segundo da câmera, mas pode levar o dia inteiro de um fotógrafo. Ficar à espreita da imagem que traduz um fato com mais clareza, objetividade e até poesia é coisa que começa na mente muito antes de chegar ao display digital. Por isso, há muito para contar sobre as 64 imagens selecionadas por Luis Tajes para a projeção que reúne fotógrafos do Correio Braziliense, na sexta-feira, no Sesc-Ceilândia.

Repressão policial registrada no flagrante histórico de Monique Renne - (Monique Renne/CB/D.A Press - 9/12/09
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Repressão policial registrada no flagrante histórico de Monique Renne
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Inserida na programação do Mês da Fotografia — que leva ao espaço exposições de fotógrafos da cidade —, a projeção aborda curiosidades do fotojornalismo e apresenta ao público como se dá o processo de busca e construção de uma imagem jornalística. “As fotos contam o dia a dia da cidade”, avisa Tajes, editor de fotografia do Correio. “Há de coisas belíssimas, como o pôr do sol, até trânsito, imagens de sequestro e esportes. É a rotina de um fotojornalista.”

O protesto político está presente especialmente nas imagens de Paulo de Araújo, Iano Andrade e Monique Renne. Jovens que manifestavam em frente à Câmara Legislativa durante a eleição do “governador-tampão”, em abril, renderam as imagens dos policiais munidos de cassetetes captadas por Andrade. Quatro meses depois, Monique registrou um manifestante ajoelhado em frente à cavalaria da polícia no Palácio do Buriti. Na imagem de Araújo é o povo quem incendeia caixas de papel para reclamar do atraso dos ônibus em frente à Rodoviária.

Criança dorme em meio ao lixo, na foto de Rafael Ohana - (Rafael Ohana/CB/D.A Press
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Criança dorme em meio ao lixo, na foto de Rafael Ohana
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A brutalidade é tema de foto de Breno Fortes, que registrou o momento em que um presidiário levanta a faca para atingir uma refém, em Samambaia. A violência está em primeiro plano na foto da criança que dorme em meio ao lixo, captada por Rafael Ohana, e nas crianças que assistem à derrubada de barracos no Riacho Fundo, em foto de Bruno Peres. Mas há também alguma ironia e certa poesia na seleção. Um pôr do sol ao lado da Ponte JK, registrado por Kléber Lima, ou José Sarney dividindo a foto com o traseiro de uma senhora durante cerimônia de entrega do anteprojeto do novo Código de Processo Civil, na foto de Edilson Rodrigues, são alvos inevitáveis de sorrisos.

José Sarney em situação desconcertante, por Edilson Rodrigues - (Edílson Rodrigues/CB/D.A Press)
José Sarney em situação desconcertante, por Edilson Rodrigues.
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Durante a projeção, alguns fotógrafos participam do evento para comentar as imagens. “O interessante será discutir com quem não conhece como esse material é feito. Um fotógrafo, às vezes, passa um dia para conseguir uma imagem”, diz Tajes. Participam ainda da projeção Daniel Ferreira, Ronaldo de Oliveira, Cadu Gomes, Carlos Moura, Zuleika de Souza, Adauto Cruz, Gustavo Moreno e Marcelo F.

MÊS DA FOTOGRAFIA
Projeção de fotografias de repórteres do Correio Braziliense. Sexta-feira, às 20h, no Sesc/Ceilândia. 
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Caseiro caminha em pier na QL 26 do Lago Sul, quase submerso pelas águas do Lago Paranoá
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