Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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domingo, 17 de abril de 2022

Fotos de capa em abril 17

 * Victor Nogueira


2022 04 17 - Foto victor nogueira - Não se trata dum curso de água numa região tropical ou equatorial mas da foz da Ribeira da Ajuda, na maré cheia, com o Rio Sado entrando por terra dentro. (2016 05 10)


2021 04 17 Foto victor nogueira - Leiria  - Sé (painel de azulejos) - rolo 346 (1998.06.03)



2020 / 2019 / 2015 04 17 maria emília - fases da vida ou as marcas do tempo (fotos de estúdio) - Porto 1920.01.04 / Setúbal 2013.04.17


2020 / 2018 / 2016 04 17 Victor visto pelo Francisco em 2015 05 05 - Eu vestia uma camisa aos quadrados brancos e violeta, um blusão beige (com dois bolsos visíveis) para além de calças e sapatos pretos. Perguntando-lhe pelo relógio que estava encoberto pelas mangas, ele acabou por aparecer ... por cima da manga esquerda do blusão 


2018 Foto victor nogueira - em Paço de Arcos, O Príncipe (Porto 1921 / Setúbal 2013) da Maria Emília (Porto 1920 / Setúbal 2013), com os netos Rui e Susana


2017 04 17 Foto victor nogueira - Em Setúbal, 4 gerações contando com o fotógrafo: Maria Emília (m. 2013.04.17), Lilí (m. 2017.03.17), Francisco (n. 2009.04.17) e Susana


2015 04 17 em carcavelos - foto jjcastro ferreira (+) - maria emília (+), manuel (+), celeste (+), susana, maria luísa, rui pedro, victor, esperança (+)


2014 04 17 - Foto Victor Nogueira - Maria Emília - 1920-01-04 / 2013-04-17

Falar, lembrar, é um solilóquio, um exercício solitário e na solidão. São os vivos e o futuro o destino do meu olhar e do meu caminhar. Sem esquecer o passado, Num tempo e numa terra em que a solidariedade, a entre-ajuda, a disponibilidade são cada vez mais palavras vãs. que se esgotam no dia a dia ou na virtualidade asseptica das redes sociais onde o único sentido activo é o da visão, raramente o da audição, mas nunca os do tacto, do olfacto ou do sabor a sal...


2013 04 17  3 Gerações - Foto Rui Pedro


Maria Emília - Porto 1920.01.04 / Poceirão 2013.04.17

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O LUGAR DA CASA

...

Uma casa que fosse um areal deserto;

que nem casa fosse; 

só um lugar onde o lume foi aceso,

e à sua roda se sentou a alegria;

e aqueceu as mãos;

 e partiu porque tinha um destino;

coisa simples e pouca, mas destino 

crescer como árvore,

resistir ao vento, ao rigor da invernia,

e certa manhã sentir os passos de abril ou, quem sabe?,

a floração dos ramos, que pareciam secos,

e de novo estremecem 

com o repentino canto da cotovia 

 

Eugénio de Andrade  

 ~~~~~~~

Poema à Mãe 

 

No mais fundo de ti,  

eu sei que traí, mãe  

 

Tudo porque já não sou  

o retrato adormecido  

no fundo dos teus olhos.  

 

Tudo porque tu ignoras  

que há leitos onde o frio não se demora  

e noites rumorosas de águas matinais.  

 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo  

são duras, mãe,  

e o nosso amor é infeliz.  

 

Tudo porque perdi as rosas brancas

   que apertava junto ao coração

   no retrato da moldura.  

 

Se soubesses como ainda amo as rosas,  

talvez não enchesses as horas de pesadelos.  

 

Mas tu esqueceste muita coisa;  

esqueceste que as minhas pernas cresceram,  

que todo o meu corpo cresceu,  

e até o meu coração

   ficou enorme, mãe!  

 

Olha — queres ouvir-me? —

 às vezes ainda sou o menino  

que adormeceu nos teus olhos;  

 

ainda aperto contra o coração

rosas tão brancas  

como as que tens na moldura;  

ainda oiço a tua voz:      

      

Era uma vez uma princesa            

no meio de um laranjal...  

 

Mas — tu sabes — a noite é enorme,

e todo o meu corpo cresceu.  

Eu saí da moldura,  

dei às aves os meus olhos a beber,  

 

Não me esqueci de nada, mãe.  

Guardo a tua voz dentro de mim.  

E deixo-te as rosas.  

 

Boa noite.

Eu vou com as aves. 

 

 

Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"



2012 04 17 'To dream an impossible dream' - Porque não? Sonhar as coisas impossíveis! 

quarta-feira, 9 de março de 2022

Fotos de capa março 01 a 08

 * Victor Nogueira


2022 03 01 Foto MNS - Em Luanda, no Parque Florestal da Ilha do Cabo



Gravura - Frida-Kahlo - México 1964 - Congresso dos Povos pela Paz

Imagine, por John Lennon

Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky

Imagine all the people
Living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too

Imagine all the people
Living life in peace

You may say, I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A Brotherhood of man

Imagine all the people
Sharing all the world

You may say, I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one


2022 03 02 Foto victor nogueira - Mindelo (Praia da Gafa) 1978 05


2022 03 03 Foto victor nogueira - Mindelo (Praia da Gafa) - Verão no final dos anos '80


Foto victor nogueira -  Vila Nova de Milfontes (Praia do Malhão) 1984


2022 03 05 Foto victor nogueira - Praia de Albarquel, em Setúbal (rolo 79)


2022 03 05 Pete Seeger - We Shall Overcome


2022 03 06 Fotos victor nogueira - Mindelo - praia da Gafa (2 perspectivas) (GEDC1194 GEDC1173)

Na foto de cima a praia rochosa com o antigo ancoradouro dos barcos de pesca. Em baixo, a zona de areal que se estende até á foz do Rio Ave. No horizonte, as cidades de Vila do Conde e da Póvoa de Varzim.


2022 03 07 Foto victor nogueira (2021 IMG_6826) - praia de Azurara (Vila do Conde)



2022 03 08 - Dia Internacional da Mulher - Refugiados do Iraque e do ISIS


Fernando Pessoa - O MENINO DA SUA MÃE
.
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas traspassado
— Duas, de lado a lado —
Jaz morto, e arrefece.
.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
.
Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».
.
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lha a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
.
Lá longe, em casa, há a prece:
«Que volte cedo, e bem!»
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.
.
s. d.
Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). - 217.
1ª publ. in Contemporânea , 3ª série, nº 1. Lisboa: 1926.

iol.pt/internacional/iraque/fugiram-ao-estado-islamico-mas-perderam-quase-tudo


domingo, 6 de março de 2022

Fotos de capa em março 06

 * Victor Nogueira


2022 03 06 Fotos victor nogueira - Mindelo - praia da Gafa (2 perspectivas) (GEDC1194 GEDC1173)

Na foto de cima a praia rochosa com o antigo ancoradouro dos barcos de pesca. Em baixo, a zona de areal que se estende até á foz do Rio Ave. No horizonte, as cidades de Vila do Conde e da Póvoa de Varzim.


2021 03 06 100 Mil Anos de Lutas Mil Sergei Eisenstein – O Couraçado Potenkim, A greve, Outubro, Que viva México!


2020 03 06 Foto jj castro ferreira - cacilheiro em Lisboa, à beira-Tejo, nos anos '70 do século XX


2020 03 06  Foto jj castro ferreira - Luanda - pescadores  e o dongo, com a vara de ximbicar, na baía entre a Praia do Bispo e a Ilha do Cabo


2019 03 06 foto victor nogueira  - 2019.02.28 - nascer do sol em setúbal, na zona industrial da Mitrena, distinguindo-se as chaminés da central termo-eléctrica e o guindaste dos antigos estaleiros navais os setenave, actual lisnave, onde também fui professor, no passado milénio.

VER  Central termoeléctrica de Setúbal ao longo dos tempos


2018 03 06 Gabriel Garcia Marquez é um dos escritores , que li na totalidade ou quase totalidade e que mistura o “fantástico” nas histórias d(um)a família ou de famílias ao longo do tempo, como em “Cem Anos de Solidão”, ou de personagens individualmente considerados. Neste um pouco ao jeito de John Steinbeck, mais “realista como em as “Vinhas da Ira” ou “A Leste do Paraíso”, mas cujas linhas deliciosas iniciais de “Pastagens do Céu” remetem também um pouco para o mesmo registo de Gabriel Garcia.
 

2017 03 06 auto-retrato em Paço de Arcos 2017.03.06


2016 03 06 Foto victor nogueira - mindelo (por-do-sol) - uma foto e 2 poemas (Nuno Júdice e António Reis)

NOS TEUS OLHOS (Nuno Júdice)
É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
mesmo quando as suas voltas me levam para longe de ti;
e se outras voltas me fazem ver nos teus
os meus olhos, não é porque o mundo parou, mas
porque esse breve olhar nos fez imaginar que
só nós é que o fazemos andar.

093. SEI AO CHEGAR A CASA (António Reis)
Sei
ao chegar a casa
qual de nós
voltou primeiro do emprego
Tu
se o ar é fresco
eu
se deixo de respirar
subitamente
António Reis - Novos Poemas Quotidianos


2014 03 06 PCP 93º aniversário


2014 03 06 Foto Victor Nogueira - rui e susana, no comboio para o Porto (férias no Mindelo)


2014 03 06 Setúbal - doca da pesca - foto rui pedro ou susana
José Eliseu Pinto
Apesar da pouca nitidez da foto, não me custa reconhecer aqui o Victor Nogueira que conheci, nos idos de setenta. Do século passado, já se vê.
Abraço, com saudade.
8 ano(s)

Victor Barroso Nogueira
Olá Jose Eliseu Pinto De facto a foto ficou pouco nítida, como se fosse uma aguarela desvanecida pelo tempo LOL Na Primavera quero ver se sempre volto a Évora após 32 anos de ausência, interrompidos por um breve dia. Mas ... se é verdade que Maomé, salvo seja, nunca vai a Montanha eborense, a realidade é que esta e as suas várias colinas tb não se deslocam até Maomé, salvo seja, à beira sado 😛
8 ano(s)Editado

Maria Rodrigues
(Y) 😃
8 ano(s)

Carlos Rodrigues
Foto impressionista com Vitor no Sado, com saudades do Templo de Diana, na rota das ostras ?... Grande aventureiro ! 🙂
7 ano(s)

Victor Barroso Nogueira
Para o Carlos Rodrigues http://aoescorrerdapena.blogspot.pt/.../de-que-sao-feitas...
Ao (es)correr da pena e do olhar: De que são feitas as minhas saudades?

Carlos Rodrigues
Já tinha lido, Vitor." Saudades dos que já partiram e gostaríamos que voltassem " , " dos gestos feitos ou não, das palavras ( da Alfabetizações também ) até do velho Fiesta ( também tive um ), ms sobretudo de um flor solar a crescer na aridez do deserto,com desejos de " Paz e Felicidade, sem miséria pra todos ", uma alegria autêntica dentro de nós ", que não dá para esconder, o que está vista e até o que pode não estar tanto assim, né, como os sentimentos comuns. Um abraço, Vitor.


2013 03 06 Foto Victor Nogueira - Mértola