Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

o jeep dos nogueira da silva

* Victor Nogueira


foto de família - na cerca da Direcção Provincial de Obras Públicas, em Luanda, o meu pai, engenhocas, que hoje comemoraria 98 anos, contempla o chassis a partir do qual construiu um jeep, que aparece noutras fotos.


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Fotojornalismo de guerra: Gilles Caron e a dependência do horror


// data 03/11/2017 - 13:00

Curta foi a vida do fotojornalista Gilles Caron e longa a sua lista de méritos; Henri Cartier-Bresson apelidou-o de "Robert Capa francês" pela "nova vida" que trouxe ao fotojornalismo da época. A  Leica Gallery, no Porto, expõe uma retrospectiva do seu trabalho de 4 de Novembro a 10 de Janeiro de 2018.

O percurso pessoal de  Gilles Caron  foi profundamente marcado pelos 22 meses de serviço militar que cumpriu, entre 1959 e 1961, no corpo do regimento de paraquedistas de infantaria francês em território argelino; a sua convicção pacifista fez com que se recusasse a combater — um acto de rebelião que lhe valeu dois meses de prisão militar e que fez com que dedicasse o resto da sua vida à exposição dos terrores da guerra. Cobriu todos os grandes conflitos que decorreram entre 1967 e 1970:a Guerra dos Seis Dias, em Israel, a guerra civil do Chade, a Guerra do Vietname, a guerra civil da Nigéria (também conhecida por Guerra do Biafra), o célebre Maio de 68, em França, o sangrento drama independentista da Irlanda do Norte, a Primavera de Praga e, por fim, o golpe de estado no Cambodja, que ocorreu a 18 de Março de 1970.

A sua marca histórica, enquanto fotógrafo, deve-se à sua abordagem cerebral aos cenários de guerra. Gilles Caron foi dos primeiros a isolar o indivíduo, a humanizá-lo em detrimento da colectividade, da artilharia e da maquinaria, que eram tantas vezes protagonistas nas narrativas fotográficas da época. Caron voltou a lente para o soldado-indivíduo, para a população civil e para o próprio fotojornalista, questionando o papel de todos no contexto em questão.

Uma das desventuras que viveu no teatro de guerra foi determinante no questionamento do seu papel enquanto fotógrafo, como explica neste vídeo Michel Poivert, comissário da exposição The Conflict Within, patente no Musée de l'Elysée em 2013. No Chade, em plena guerra civil, Caron e os seus companheiros Michel Honorin e Raymond Depardon, cineastas, deram por si cercados pelas forças governamentais chadianas na companhia de um grupo de rebeldes. As balas atingiam as paredes da escola onde se abrigavam, fazendo prever um desfecho desfavorável a todos os que se encontravam no interior. A pressão sobre o grupo aumentava e Caron decidiu tentar a negociação. O exército chadiano era apoiado pelo governo francês, motivo por que, à partida, os documentaristas deveriam sair ilesos. Caron e os companheiros aceitariam abandonar o edifício sob uma condição: o exército chadiano não atirar sobre os rebeldes.

Apesar da garantia, apenas os três jornalistas escaparam com vida; os rebeldes foram assassinados no local. A aliança franco-chadiana não impediu Caron e os companheiros de serem capturados e mantidos em cativeiro durante duas semanas. Ironicamente, foi a prisão dos repórteres de imagem franceses que chegou às manchetes dos jornais, e não o massacre que a antecedeu. Por esse motivo, Caron decidiu documentar a própria profissão e colocar a nu alguns dos seus paradoxos e vicissitudes. Uma das mais icónicas imagens que fez foi a de Raymond Depardon a filmar uma criança que sucumbia à fome, na Nigéria. Através dessa imagem, Gilles questiona o papel do documentarista de guerra: a impotência e a dependência sórdida que se estabelece, unilateralmente, entre o fotógrafo e a missão de observar o horror são elementos presentes no seu trabalho que não tinham, até então, expressão em França.

Gilles Caron desapareceu aos 30 anos na estrada que liga o Cambodja ao Vietname no dia 5 de Abril de 1970, apenas quatro anos após o início da sua carreira fotográfica.




















http://p3.publico.pt/cultura/exposicoes/24868/fotojornalismo-de-guerra-gilles-caron-e-dependencia-do-horror


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

REPÓRTER FOTOGRÁFICO, QUEM É ESSE PROFISSIONAL?



“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente” - Roland Barthes


2 DE SETEMBRO DE 2011
Por Jaqueline Pellizzon


Toda atenção com detalhes é fundamental para a obtenção de imagens únicas. Se você quer ser um repórter fotográfico, não descarte a emoção no momento em que estiver diante de um fato. Não pense muito, fotografe! Serenidade, paciência, estratégia, intuição, criatividade e perspicácia são ingredientes indispensáveis para um repórter fotográfico.

Os fotógrafos de jornais tem uma missão especial para cada trabalho e não estão “ali” somente para ilustrar ou retratar o acontecimento. É necessário que ele saiba como se comportar diante de cada situação e saber como capturar captura o ângulo para se adaptar aos textos e informar de maneira correta cada notícia. Assim como o texto, uma boa fotografia deve falar por si.

A arte de fotografar é transmitir suas emoções e olhares através das imagens de uma maneira consciente e é isso que o fotógrafo faz através de fragmentos de luz para apanhá-los tornando esses acontecimentos significativos e muitas vezes dramáticos.




Ilustração de Heinrich Böll

https://jaquelinepellizzon.wordpress.com/2011/09/02/reporter-fotografico-quem-e-esse-profissional/
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sexta-feira, 10 de março de 2017

Mário Cruz, “Talibes - Modern Day Slaves”

CULTURA
Livro sobre os “escravos dos tempos modernos” é lançado este sábado

01.10.2016 às 13h08

O livro do fotojornalista Mário Cruz, “Talibes - Modern Day Slaves”, estará disponível em edição quadrilingue (português, inglês, francês e árabe) nas 23 lojas da FNAC no país



“Talibes — Modern Day Slaves”, que valeu este ano ao fotojornalista três grandes prémios de fotografia, estará disponível em edição quadrilingue (português, inglês, francês e árabe) nas 23 lojas da FNAC do país






ivro “Talibes — Modern Day Slaves”, do premiado fotojornalista Mário Cruz, que testemunha o tráfico e a exploração infantil de crianças e adolescentes que vivem em escolas corânicas do Senegal, vai ser lançado este sábado, no Fórum da FNAC Chiado, em Lisboa.

O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa estará presente no lançamento, que começa às 18h00. O livro, que será apresentado pelo jornalista Fernando Alves, valeu este ano a Mário Cruz três grandes prémios de fotografia: o World Press Photo, na categoria Temas Contemporâneos, o Pictures of The Year Internacional (3.º lugar) e o Estação Imagem — o maior prémio do fotojornalismo português.

“Talibes — Modern Day Slaves” mostra 70 fotografias a preto e branco que Mário Cruz tirou no verão de 2015 no Senegal e na Guiné-Bissau, um conjunto que documenta e alerta para a existência de falsas escolas corânicas no Senegal, onde mais de 50 mil crianças são escravizadas, torturadas e abusadas. Muitas delas, revela a reportagem do jornalista de 28 anos, são traficadas a partir de países limítrofes ao Senegal, como é o caso da Guiné-Bissau.

Mário Cruz, que trabalha na agência Lusa, tomou conhecimento das falsas escolas corânicas em 2009, durante uma reportagem na Guiné-Bissau, onde ouviu falar de crianças que estavam a ser levadas para o Senegal para serem escravizadas por líderes religiosos. Investigou a situação durante dois meses.

“Talibes — Modern Day Slaves”, publicado pela FotoEvidence, estará disponível numa edição quadrilingue (português, inglês, francês e árabe) nas 23 lojas da FNAC no país.

http://expresso.sapo.pt/cultura/2016-10-01-Livro-sobre-os-escravos-dos-tempos-modernos-e-lancado-este-sabado-1

“Talibes - Modern Day Slaves”





















http://www.mario-cruz.com/talibes-modern-day-slaves/

The Power of Protest Photography

The Power of Protest Photography

A new exhibition captures the rallies, riots, marches, and demonstrations that erupted in New York City between 1980 and 2000. Entitled “Whose Streets? Our Streets!” the current show at the Bronx Documentary Center explores residents’ reactions to two decades of swift economic and demographic change. The era was consumed by issues of police brutality, gentrification, AIDS, gay and lesbian rights, reproductive rights, U.S. foreign policy and military actions, and education and labor relations.

“While this cohort of photographers had made very powerful photographs of protests in New York City during these tumultuous decades, because they were working independently and before the advent of the internet and social media, much of their work had never been seen,” Tamar Carroll, co-curator of the show, said. Many of the protesters’ concerns are still making headlines today, Carroll added, and the inauguration of Donald Trump—and the opposition he has inspired—have made imagery of civic unrest more relevant than ever before. “Photographing these events was crucial for the historical record,” co-curator Meg Handler added.




Manhattan, 1995: Squatters defend their building by blocking the street with overturned cars and trash before an expected attack by the police on East 13th Street. # © Andrew Lichtenstein



Manhttan, 1999: Demonstrators gather in front of the New York Stock Exchange to demand the indictment of the four policemen who killed Amadou Diallo, a 23-year-old unarmed immigrant from Guinea. # © Frank Fournier / Contact Press Images



Manhattan, 1992: A policeman confronts a protester during a demonstration in response to the acquittal of the officers involved in the beating of Rodney King. # © Linda Rosier



Bronx, 1988: Tenants and supporters barricade themselves against eviction by New York City marshals on Cypress Avenue in the South Bronx. The tenants, mostly low-income New Yorkers and artists, took over an abandoned building, invested tens of thousands of dollars and several years of their labor, replacing the roof, boiler, and other building infrastructure. Despite this, the city sold the building to a developer who eventually evicted the families. # © Michael Kamber



Manhattan, 1988: A protestor with a bloodied head walks toward police officers during a riot in Tompkins Square Park. # © James Hamilton



Manhattan, 1992: Protesters take to the streets in response to the acquittal of the officers involved in the beating of Rodney King. Some Asian-owned groceries such as this one were vandalized. #  © Linda Rosier



Manhattan, 1993: Two women kiss during the first Dyke March. The Lesbian Avengers began the annual tradition of marching down 5th Avenue from Bryant Park to Washington Square Park. # © Carolina Kroon



Manhattan, 1989: A protester is carried away during an ACT UP Stop the Church direct action at St. Patrick’s Cathedral. # © Brian Palmer



Manhattan, 1992: A woman holds up a clothes hanger in the shape of a crucifix at a pro-choice march. # © Sandra-Lee Phipps



Manhattan, 1991: Lower East Side residents hold hands around Tompkins Square Park to protest the city's forceful closure of the area. # © Q. Sakamaki



Manhattan, 1991: Protesters prepare to confront police on Avenue A. # © Q. Sakamaki



Manhattan, 1991: ACT UP demonstrators scale Grand Central Station's train timetable during their "Day of Desperation." ACT UP staged actions throughout the five boroughs of New York City in protest President George H.W. Bush's spending billions of dollars on the Gulf War while claiming there was no money for much-needed increases in AIDS programs. # © Dona Ann McAdams



Brooklyn, 1990: Bensonhurst residents hold up watermelons to mock African American protestors who took to the streets of the largely Italian neighborhood following the acquittal of Keith Mondello in the shooting death of 16-year-old African-American Yusef Hawkins. Hawkins, who had gone to the neighborhood to look at a used car, was met by a white mob and shot to death. # © Ricky Flores



Bronx, 1990: A woman carries an asthma ventilator in protest of the Bronx Lebanon Hospital's medical-waste incinerator. It was later closed. # © Edwin Pagán



Manhattan, 1991: Students sit on a parked car outside an occupied building on the City College campus during the CUNY student strike against proposed tuition hikes and budget cuts. # © Lisa Kahane



Brooklyn, 1987: Demonstrators take over the subway at what was then known as the Jay Street-Borough Hall station during a Day of Outrage demonstration. The demonstration followed the Howard Beach verdict on December 21, 1987, in which three defendants were found guilty of manslaughter in the death of Michael Griffith, who was beaten and chased by a white mob onto a highway where he was struck by a car. # © Ricky Flores



Queens, 1986: A woman drives her car, covered in protest signs, in Howard Beach. # © Sylvia Plachy

https://www.theatlantic.com/photo/2017/01/the-power-of-protest-photography/513500/