Castro Barroso Gato Nogueira - Blog Photographico - lembrança da moça do Alentejo
Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui
“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)
«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973
Os setubalenses não dizem beira-rio mas sim beira-mar, "embalados" talvez com a vastidão do estuário do Sado, que eles consideram ser o único ... Rio Azul no Mundo e arredores, como "cantaram" Mário Regalado, Laureano Rocha e o Xico da Cana. Aqui ficam registos de alguns anos atrás, incluindo embarcações, pescadores, banhistas e deambulantes.
simoesdasilva2 - Rio Azul (Mário Regalado e Laureano Rocha) XICO DA CANA 29-6-2015
Do périplo de Ulisses com Penélope e na sequência de publicação anterior, esta é dedicada aos murais relacionados com a pesca e o Sado, no Bairro do Troino, numa cidade deserta por causa do covid 19 mas com a vida que os pass(e)antes lhe dão. Um dos muralistas é António "Peguinho", autor de outros murais espalhados pela zona ribeirinha de Setúbal. (Ver @ Peguinho Arte)No Troino são de sua autoria os murais no Café Restaurante A Brasileira e na Tasca do Xico da Cana.
Na Rua do Seixal, no Bairro do Troino e à sombra da Igreja de N. Sta da Anunciada, defronte da Tasca do Xico da Cana, encontra-se este mural, com versos da canção "Rio Azul". Mais adiante, na Rua Vasco da Gama, os pilaretes reproduzem sardinhas, nesta zona onde abundam os restaurantes e as ementas à base de pescado e outros espécimes marítimos-
simoesdasilva2
Publicado a 29/06/2015
Rio Azul
Setúbal, eu tenho pena
de não te poder cantar.
Tu és mote de um poema
que ninguem pode ensinar
Se há beleza em qualquer lado
se valesse algum dinheiro
com a princesa do Sado
comprava-se o mundo inteiro
Onde é que existe um rio azul igual ao meu
que em certos dias tem mesmo a cor do céu,
minha cidade é um presépio é um jardim
queria guardá-la inteirinha só para mim.
Setúbal terra morena
onde tudo fica bem,
tens a beleza serena
no rosto de minha mãe.
Ó rio Sado de águas mansas
que pró mar vais a correr,
não leves minhas esperanças
sem esperanças não sei viver.
(Música de Mário Regalado / Poema de Laureano Rocha)
Não são propriamente miradouros, antes logradouros, onde para lá da vista nada convida o viajante a permanecer; nem bancos, nem árvores frondosas, nem canteiros de flores. A Rua Xico da Cana, que remonta a 2009, onde nenhum prédio poderá ser construído para lhe dar vida e movimento, tem um ar degradado, de abandono, as protecções de ferro arrancadas e enferrujadas, a erva daninha irrompendo por entre as pedras da calçada do passeio. Uma solitária boca de incêndio destaca-se, para cá do Baluarte de Santo Amaro e em 1º plano o que a nossa vista alcança são ruínas, terrenos baldios, a casota dum cão que se não avista nem ladra e uma casa com parreira a destoar no inóspito. Mais sedutora e variada é a vista a partir da Rua Dom Pedro Denis.
Interessante verificar que as torres sineiras da maioria das igrejas e conventos, mesmo que situadas na várzea, são visíveis em quase toda a cidade, dominando as populações, especialmente em tempos em que pouca altura tinham os edifícios.
Quem foi D. Pedro Denis, desconheço. O Xico da Cana - Francisco José Batista - começou a trabalhar no mar aos 12 anos, chegando a ser mestre de traineira. Posteriormente fundou o Conjunto Típico Xico da Cana e, nas suas actuações, além de cantar, tocava uma cana rachada, instrumento feito artesanalmente pelo próprio músico, que “vivia muito o que fazia, acima de tudo através do grande convívio que proporcionava com a música, os petiscos e as histórias que contava”.(http://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=60692)
Pequena actuação no café Barreguinhas (Morgada - Setubal) no inicio dos anos 90
Entrevista por Manuel Saraiva, no inicio dos anos 90, no café Barreguinhas (Morgada - Setubal ).