Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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sábado, 12 de setembro de 2026

Murais de solidariedade internacionalista (30)

 


2026 09 06 - Mural em La Paz (Bolívia) - Palestina Livre (Foto James Brunker)


2026 09 07 - Mural em Orgosolo, contra a opressão e ameça nuclear


2026 09 08 - Grafito La Oaz (Bolívia) sobre o siloismo, movimento humanista.


2026 09 09 . Mural Save Palestine -GAMBAR hiasan. FOTO Ghazali Kori.Kuala Lumpur, Malasia


2026 09 10 - Mural na Venezuela (2025)  - Nicolás Maduro


2026 09 11 - Grande pintura de Agostinho Neto com uma representação do povo angolano e da bandeira nacional (Fotografia de Vasco Martins -CROME)


2026 09 12 - Mural em Nova Iorque (EUA) Mural em Nova Iorque - 'Bravos do 11 de setembro' – da autoria de Eduardo Kobra

sábado, 29 de agosto de 2026

Murais de solidariedade internacionalista (28)

 


2026 08 23 - Mural em Havana (Cuba), homemageando Julio Antonio Mella, Camilo Cienfuegos e Che Guevara - 'Todo por la Revolución'


2026 08 24 - Nápoles - Mural em homenagem a Fidel Castro Ruz - A História me absolverá


2026 08 25 - Mural em Caracas, Venezuela, com Fidel Castro e Hugo Chavez (foto REUTERS - Alexandre Meneghini in Público 2026 02 21) 'Hasta la vitoria, siempre'


2026 08 26 - Mural em Cuba com Fidel Castro ao lado de busto de José Marti - 'Luchar contra lo impossible y vencer'


2026 08 27 - Mural 'Free Palestine' 'Cease fire now' 'We are all agaist genocide of Israel'


2026 08 28 - Mural em Londres, de tributo a Nelson Mandela, por Zabou Foto Maureen Barlin, 2016


2026 08 29 Mural de homenagem a Mandela, por Nuno Saraiva, inaugurado pela Junta de Freguesia de Alvalade no Dia Internacional de Nelson Mandela, 18 de julho 2018

sábado, 1 de agosto de 2026

Murais de solidariedade internacionalista (26) - em Orgosolo

 * Victor Nogueira / Gemini




2026 07 26 - Mural em Orgosolo, Sardenha, Itália - Homenagem a Claudio Varalli e Gianni Zibecchi, antifascistas mortos em Milão em Abril de 1975

Este mural em Orgosolo (Sardenha) é uma composição comemorativa e política que recorda dois jovens militantes antifascistas mortos em Milão em dias consecutivos, em abril de 1975, durante os conturbados "Anos de Chumbo" italianos.

sábado, 6 de junho de 2026

Murais de solidariedade internacionalista (16) - em Orgosolo

 * Victor Nogueira


2026 05 31 - Mural em Orgosolo, Sardenha, Itália - Homenagem a Fabrizio De André

«Este mural de Orgosolo afasta-se momentaneamente da temática puramente militar ou operária para prestar um tributo comovente à música de intervenção italiana. Trata-se de uma homenagem a Fabrizio De André, um dos maiores cantautores (cantautori) da história de Itália, cuja ligação à Sardenha foi profunda, complexa e espiritual.

sábado, 30 de maio de 2026

Murais de Solidariedade Internacionalista (14) - Palestina nas paredes, em Setúbal

  * Victor Nogueira


2024 04 12 Foto Victor Nogueira - Setúbal, Av. António Maria Portela - "Um mural pela Paz" Mural de Azhir Al Majed - "Uma janela para um País livre" "Paiting for Palestine" (2024 04 09 IMG_4376)

Este mural, executado em 28 de Janeiro de 2024, foi de imediato vandalizado, sendo recuperado em 28 de Fevereiro de 2024.

Murais de Solidariedade Internacionallsta (13) - em Orgosolo

 * Victor Nogueira


2026 05 24 - Mural em Orgosolo, Sardenha, Itália - 'Batalha de Morgogliai' (ou Murguliai)

«Este mural em Orgosolo, pintado em 1984 pelo artista Francesco Del Casino, é uma das obras mais famosas e debatidas da vila sarda, lidando diretamente com o estigma histórico do banditismo na Sardenha e a repressão estatal.

sábado, 11 de abril de 2026

Murais de Solidariedade Internacionallsta (07)

 ? Victor Nigueira


2026 04 05 - Mural concluido pelos artistas Carol Alanis Indio e Mari, em 2023, no .Jardim Peri, S. Paulo - Brasil

sábado, 4 de abril de 2026

Murais de Solidariedade Internacionallsta (06)

 

* Victor Nogueira



2026 03 29 - Mural anti-EE.UU e anti-Israel representando um combatente hutí detendo um barco israelíta em Saná, Yemen, em 22 de Dezembro de 2024. • Foto - Efe

sábado, 28 de março de 2026

Murais de Solidariedade Internacionallsta (05)

 


2026 03 19 - Mural em Potosí, Bolívia

'Por la hermandad entre los pueblos latinoamericanos'
'Somos cultura en movimento'

quarta-feira, 18 de março de 2026

Murais de Solidariedade Internacionallsta (04)

 


2026 03 11 - Mural da Brigade Ramona Parra - 'Chile' executado no edifício Dante da Umiversidade de Tilburgo, Alemanha, em 1979

terça-feira, 10 de março de 2026

Murais de Solidariedade Internacionallsta (03)

 *  Victor Nogueira


2026 03 01 - Mural colectivo no Assentamento Lisboa, em São João do Piaui, Piaui, Brasil (2024)

'Palestina Livre'

domingo, 21 de abril de 2024

Murais e grafitos em Setúbal 185 - Palestina nas paredes (Fotos de capa)

 * Victor Nogueira


2024 04 12 Foto Victor Nogueira - Setúbal, Av. António Maria Portela - "Um mural pela Paz" Mural de Azhir Al Majed - "Uma janela para um País livre" "Paiting for Palestine" (2024 04 09 IMG_4376)

Este mural, executado em 28 de Janeiro de 2024, foi de imediato vandalizado, sendo recuperado em 28 de Fevereiro de 2024.

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«O projeto “Uma Janela para um País Livre” surgiu na sequência do último conflito entre Israel e a Palestina, iniciado a 7 de outubro de 2023. tendo por base a obra de Azhar Al Majed, artista da Palestina.

Em Setúbal, decorre no âmbito da iniciativa “Histórias que as Paredes Contam”, que está também a desenvolver várias atividades relacionadas com a celebração dos 50 anos do 25 de Abril.

O desafio de associação à campanha, que arrancou a 14 de janeiro, em Belfast, na Irlanda do Norte, foi lançado pelo sociólogo irlandês Bill Rolston. Além de promover o fim da opressão da Palestina e proclamar a paz, tem como objetivo divulgar obras de artistas palestinianos.»


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2024 04 19 Foto victor nogueira - Setúbal, Av Amália Rodrigues - Mural Palestina Livre (2024 04 16 IMG_4461)   Palestina livre já!! Plataforma U.S. Palestina



2024 04 20 Foto victor nogueira - Setúbal Av Amália Rodrigues - Mural Palestina Livre (2024 04 16 IMG_4459) Fim ao genocídio / Palestina Livre

 
  
2021 01 08 foto victor nogueira - «Palestina Vencerá» - grafito da JCP em setúbal, na esquina da Rua de S. Cristóvão com a Rua José António Januário da Silva (foto em 2020.12)



Palestina   vencerá - JCP (Setúbal Foto Victor Nogueira 2017 05 01  IMG_5355)




Palestina   vencerá - JCP (Setúbal - Largo de Santo António, anterior a 2018

(pormenor da foto seguinte)

Em Setúbal no Largo de Santo António  

São os versos finais da Letra da Música » Hip Hop/Rap » Nocivo Shomon » Poesia da Madrugada 

domingo, 22 de dezembro de 2019

Banksy abre loja de arte no hotel “com a pior vista do mundo”


Por ZAP -17 Setembro, 2017

Banksy é por natureza polémico por onde passa. Agora, o artista acaba de lançar a sua loja oficial num hotel, onde irá vender obras de arte originais por pouco mais de 20 euros cada.

Para conseguir comprar um original de Banksy, no entanto, terá que viajar para a Palestina, onde está localizado o “hotel com a pior vista do mundo“: o Walled Off Hotel.

O peculiar hotel oferece diversos quartos personalizados por artistas como o próprio Banksy, Sami Musa, Dominique Pétrin, o que faz do ambiente de cada um dos quartos uma obra de arte por si só.

O hotel, que deverá permanecer aberto durante todo o ano de 2017, foi financiado pelo próprio Banksy e é um memorial do centenário da invasão inglesa na Palestina, que se assinala este ano.

A “pior vista do mundo” do hotel refere-se a um muro militar de 700 km de comprimento construído em Belém pelo governo israelita.























Festas felizes… da parte de Banksy

O artista urbano mais famoso do mundo terá criado este postal de Natal por Leonor Riso 


Pensa-se que será Banksy o autor desta pintura, em que José e Maria são impedidos de chegar a Belém devido ao muro da Cisjordânia. Actualmente, esta estrutura que divide Israel e a Palestina tem 760 quilómetros, mas está planeado que chegue aos 790. Pode chegar até aos 8 metros de altura e a ideia da sua construção surgiu em 2001. Começou a ser erigido em meados de 2002, segundo a revista ‘VEJA’. Para entrar em Israel, é necessário passar por vários checkpoints. O caminho inverso, com destino à Palestina, é menos controlado, segundo a mesma revista. Banksy já visitou a Palestina, em 2005, e também Israel, em 2007. O artista urbano pintou dos dois lados do muro. O jornal ‘The Guardian’ afirma que no seu site, Bansky relembra que a estrutura é considerada ilegal pelas Nações Unidas. Esta imagem tende a surgir todos os Natais, e de acordo com o ‘Huffington Post’, data de 2005. O cantor Robbie Williams terá comprado esta pintura, depois de a ver exposta numa galeria. Carregue na imagem seguinte para ver as pinturas que Bansky realizou nos dois lados do muro da Cisjordânia.




Este graffiti foi criado na parte palestiniana do muro, em 2005. De acordo com o jornal ‘The Guardian’, tem o nome de ‘Janela na Cisjordânia’.

A pomba da paz com um colete anti-bala foi pintada num edifício em Belém, e a sua autoria também é atribuída a Banksy e a outros artistas. Retrata a paz numa situação precária.

A imagem coloca uma menina a tentar escapar do muro com balões. Terá o nome de ‘Balloon Debate’ (debate com balões). Esta imagem está do lado da Cisjordânia. 

Este graffiti foi criado na parte palestiniana do muro, em 2005. De acordo com o jornal ‘The Guardian’, tem o nome de ‘Janela na Cisjordânia’.


O mais recente trabalho do artista Banksy foi revelado na simbólica cidade palestiniana de Belém, na Cisjordânia: um pequeno presépio em frente a um pedaço de muro perfurado por um obus. Intitulada “A cicatriz de Belém”, a obra foi apresentada na sexta-feira e está exposta na entrada do hotel Walled-Off, que Banksy abriu em 2017 na cidade e cujos quartos dão para o muro construído por Israel em prejuízo dos palestinianos.

Uma parte do muro, com as palavras paz e amor grafitadas, serve de pano de fundo a um presépio numa pequena mesa, com presentes ao pé. O impacto do obus no muro provocou um buraco com forma de estrela que fica acima de Maria, José e Jesus, rodeados de uma vaca e de um burro. Para Wissam Salsaa, director do hotel, “A cicatriz de Belém” simboliza uma “cicatriz da vergonha": “O muro simboliza a vergonha por todos os que apoiam o que se passa na nossa terra, todos os que apoiam a ocupação ilegal” da Cisjordânia por Israel desde 1967. 

foto - Ahmad Gharabl
https://www.publico.pt/2019/12/21/culturaipsilon/noticia/novo-trabalho-banksy-exposto-belem-cisjordania-presepio-1898194)


O Natal e a "cicatriz da vergonha"

* Rogério G. V. Pereira



"A cicatriz de Belém". de Bansky

A meio da tarde de hoje, a imprensa deu notícia do último trabalho do artista Banksy, revelado na simbólica cidade palestiniana de Belém, na Cisjordânia: um pequeno presépio em frente a um pedaço de muro perfurado por uma peça de artilharia. O artista deu-lhe por título "A cicatriz de Belém".


A obra foi apresentada ontem, sexta-feira, e está exposta na entrada do hotel "Walled-Off", que Banksy abriu em 2017 na cidade e cujos quartos dão para o muro construído por Israel e ao qual o artista já tinha dedicado vários postais de Natal.

Neste, uma parte do muro, com as palavras paz e amor grafitadas, serve de pano de fundo a um presépio numa pequena mesa, com presentes ao pé. O impacto do obus no muro provocou um buraco com forma de estrela que fica acima do presépio.

Para Wissam Salsaa, diretor do hotel, "A cicatriz de Belém" simboliza uma "cicatriz da vergonha".

"O muro simboliza a vergonha por todos os que apoiam o que se passa na nossa terra, todos os que apoiam a ocupação ilegal" da Cisjordânia por Israel desde 1967.

Bansky continua a sua persistente denúncia, agora que a Cisjordânia é objecto de notícia recente. Eu, que desde sempre sigo o artista,  associo-me também à sua luta!

https://conversavinagrada.blogspot.com/2019/12/o-natal-e-cicatriz-da-vergonha.html


Imagem: AHMAD GHARABLI/AFP


quarta-feira, 14 de julho de 2010

Marlene Dumas pinta contra todos os muros

Ípsilon

Serralves

Marlene Dumas pinta contra todos os muros

30.06.2010 - José Marmeleira

No Museu de Serralves, Marlene Dumas expõe pinturas de coisas que separam os homens, pinturas que a partir da fotografia ambicionam tornar-se imagens reais. E que, por isso, confrontam a indiferença e a imaginação do espectador. O motivo é o conflito entre Israel e a Palestina e a exposição chama-se "Contra o Muro"
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De cócoras, rodeada de sepulturas abertas, uma mulher vestida de negro olha para fotografia de filho. Uma criança caminha ao logo de uma parede que parece crescer sobre ela. Outra acena aparentemente de forma amistosa. Um homem parece ajoelhar-se receoso ou reza apenas. São figuras reduzidas a manchas, distorções cromáticas, à beira da tactilidade. Por vezes, insinuam narrativas ambíguas, mesmo quando o espectador crê distinguir o opressor da vítima. Uma coisa é certa: todas identificam claramente um contexto político - neste caso, o conflito no Médio Oriente entre israelitas e palestinianos - e esse é o primeiro novo dado que "Contra o Muro", no Museu de Serralves, com a curadoria de Ulrich Look, traz à pintura de Marlene Dumas (Cidade do Cabo, 1953). Em vez de se limitar a "transformar" em pinturas fotografias de corpos e de rostos - de crianças, jovens, actrizes, homens de raças diferentes -, como tem feito ao longo de trinta anos, a artista trabalha sobre imagens de um cenário familiar à opinião pública. 

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Numa terra de ninguém

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O processo permanece o mesmo - pintura feita a partir de imagens preexistentes, a grande maioria originárias da imprensa e do jornalista, mas, avisa o comissário, "o seu trabalho não se centra na realidade das imagens veiculadas pelos media, e sim na - embora suspeita - capacidade da pintura em tornar uma imagem real". 

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O lugar da fotografia na obra de Dumas ajuda a explicar tal motivação: "Apesar de nunca pintar senão a partir de uma fotografia e de respeitar o trabalho dos fotógrafos (as verdadeiras testemunhas), enquanto pintora adopta uma posição diferida. Cria uma segunda vida, uma vida imaginária para os acontecimentos. Na imaginação, encontramos as coisas como se fosse pela primeira vez". 

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É neste sentido que deve ser entendida a abordagem da artista à figuração. Ainda Ulrich Loock: "Nasce do desejo de tocar no corpo. Se o corpo está morto (seja através da simples descrição de um cadáver ou da sua representação fotográfica) a pintura figurativa implica o desejo de voltar a dar uma certa vida a esse corpo".

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A exposição em Serralves não representa a estreia em Portugal da pintora sul-africana, que vive em Amesterdão desde 1976. A sua obra já tinha sido apresentada antes ao público português na exposição "Os anos 80: Uma topologia", no museu do Porto, e numa individual de desenhos em 1998 no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, em Lisboa. Mas "Contra o Muro", que em Abril teve a sua primeira versão na Galeria David Zwirner, em Nova Iorque, assinala um momento singular na produção pictórica de Dumas. Escrevia a artista no respectivo catálogo: "Desta vez o palco principal não pertence a figuras nuas e a cabeças em posição vertical, todas ampliadas, mas a estruturas arquitectónicas colocadas num espaço narrativo...que nos transportam não a uma terra sagrada, mas uma árida terra de ninguém".

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Eis o segundo novo dado que "Contra o Muro" revela: a presença de construções humanas. Muros, como o da Cisjordânia construído por Israel para se separar fisicamente da Palestina ou blocos de cimentos usados nos posto de controlo militar. Os muros são uma presença evidente nas pinturas de grande formato. Porém, aquilo que descrevem é com frequência uma decepção dirigida ao olhar e ao conhecimento. Em "O Muro" (2009) os judeus ortodoxos não se prepararam para rezar no Muro das Lamentações, fazem um pausa diante da terrível parede cuja construção foi iniciada em 1990; em "Choro do Muro" e "Lamentações do Muro" (2009), vemos homens sem rosto, encostados ao que parece ser de facto o sítio de culto religioso; numa pintura têm os braços levantados como se a meio de uma qualquer oração; na outra, são revistados contra o muro. Não é difícil evocar "El Tres de Mayo" (1808), de Francisco José de Goya, ou "L'Exécution de Maximilien" (1868) de Édouard Manet.

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Outras pinturas dispensam figuras, para mostrarem apenas construções e estruturas. "Em Construção" (2009), uma longa parede que se estende impassível ao longo da tela tapa a paisagem. Em "Barreira mentais", blocos de pedra, de uma transparência azul, só deixam entrever ao fundo a linha de uma estrada. Pinturas que apagam a figuração, para deixarem entrar sinais da abstracção ou, como escreve o comissário no catálogo desta exposição, "obras que desafiam a solidez da parede que define o lugar onde a imagem é apresentada, a parede do espaço expositivo ou de uma habitação". É a própria artista que num dos seus escritos enuncia que "uma pintura necessita de uma parede com que se confrontar", mesmo que, como acontece nesta exposição, de outro lado possa estar um lugar dominado pelo abandono e a dor.

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A realidade depois da pintura

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Convém lembrar que Marlene Dumas viveu de perto o Apartheid na África do Sul, experiência que inspirou "Contra o Muro" e o protesto mudo que sob uma série de pinturas é dirigido às políticas de segregação de Israel. Será então oportuno evocar aqui a incómoda classificação de arte política e fazer a inevitável pergunta: não pode esta pintura tornar-se ilustração de uma realidade? 

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"Não, não existe esse risco. A realidade encontra-se já ilustrada nas fotografias preexistentes", responde o comissário. "E a pintura transforma a realidade ilustrada numa realidade da imaginação. Podemos chamar [estas pinturas] de arte política não apenas porque descrevem estruturas que condicionam a vida em comum de povos em conflito, mas também porque, e sobretudo, Marlene Dumas, enquanto pintora, se envolve nesse conflito: constrói na sua pintura um muro, contra o discurso politicamente correcto, e tornando-o inevitável torna inevitável a necessidade da sua destruição". 

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Disse Marlene Dumas durante a apresentação em Nova Iorque, na Galeria David Zwirner: "Sou contra o muro. Não sou contra o Estado de Israel ou o Estado da Palestina, mas sou contra o muro". A clareza e a afirmação da posição revêem-se em "O Sono da Razão", auto-retrato da artista, incapaz de mudar politicamente o mundo, por isso seu involuntário cúmplice, mas capaz de enriquecer a sua memória colectiva através da imaginação (cite-se o Goya de "Desastres de La Guerra", de 1810-20 ou, numa latitude distinta, o Matisse que viveu sob o Regime de Vichy).

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No Museu de Serralves, reúnem-se à volta de 40 pinturas datadas da década anterior (mais 20 das que as expostas em Nova Iorque) e a maior parte dá conta do modo como Dumas lidou na sua pintura com o conflito no Médio Oriente. Para além da arquitectura e do betão, a artista pintou rostos e corpos de pessoas que viveram de perto a guerra ("Criança a acenar") ou que nela perderam familiares (a mulher que olha a foto do filho em "A mãe", 2009) ou a vida (mártires e terroristas em "Homem morto", 1988, "Rapariga morta", 2002). Outras pinturas revelam incursões por temas aparentemente mais prosaicos, pacíficos ou clássicos. É o caso do retrato de uma oliveira ou das naturezas-mortas "Caridade" (2010), com as suas rosas escurecidas, e "As vinhas da Ira" (2009).
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Finalmente, restam imagens ambíguas de corpos. Em "Ressurreição" (2003/09), o torso de um homem caído para trás, a boca aberta. Um morto que ressuscita com o "milagre" da pintura? Um ferido? Uma estátua? Como as outras imagens resulta de uma tensão entre a documentação fotográfica e o espaço imaginário da pintura; tensão que se propõe atravessar toda a exposição contra os limites ontológicos da pintura e os muros e as divisões construídas pelos homens.
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