Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Necrópoles e túmulos (16) - Cemitérios da Amareleja, Vila Nogueira de Azeitão e Vendas de Azeitão

 * Victor Nogueira

Amareleja





Situada perto da ribeira do Ardila, possui moinhos de água nas margens do Guadiana. O cemitério espelha um costume característico, cuja razão desconheço, com as campas em alvéolos, ao cimo da terra, onde ninguém é enterrado. (Memórias de Viagem, 1997)









Vila Nogueira de Azeitão







Vendas de Azeitão







domingo, 3 de novembro de 2019

o largo do regato, na amareleja




foto victor nogueira - Amareleja - ao fundo o Largo do Regato e a casa da professora, no 1º andar

1. - Ajoujado de sacos de viagem, ele apeia‑se no largo da aldeia, circundado de casas de dois pisos, feias como não são as que conhece doutras terras alentejanas. É um rapaz moreno, em cujo rosto avulta um enorme bigode. Olha em volta e a cara ilumina‑se (ou antes, as guias do bigode permanecem imóveis, enquanto o rosto se abre). 

Seguimos o seu olhar enquanto ele atravessa a praça e entra no largo [do Regato], cheio de homens gozando a aragem quente do entardecer, falando em todas as coisas sem interesse: a última história do velho sargento mai‑la professora (aquilo é que foi um forrobodó!), de olhinhos "concupiscentes" e língua ferina - guardado estava o bocado.... 

Mas estas e outras histórias não as ouve o moço que agora atravessa o largo, algo atrapalhado pela multidão - forasteiro em terra estranha - até pousar os sacos e abraçar, com muito carinho, a rapariga que se aproximara dele. 

Os homens do largo abaixam‑se para apanhar os queixos que tinham entretanto deixado cair ao chão e recolhem os olhos às órbitas. Houve um, coitado, a quem eles saltaram com tal força e rapidez que as lunetas ficaram apenas em cacos de lentes agarrados aos aros (como irá ele logo ver o teleteatro?)

Abraçados, ambos entram em casa e aqui o escriba interroga‑se se não deverá retirar‑se discretamente, não vá perturbar a sua (deles) intimidade. Mas tal discrição é desnecessária, porque a D. Maria, senhora muito simpática (quando não está com a mosca) lá está ao cimo das escadas, para zelar pela moral e bons costumes. 

Portanto continuamos a seguir o parzinho que vai retirando da mala livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros, livros,... bolas, chega! Eles riem‑se às gargalhadas e dão‑se mais outro beijinho.
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No dia seguinte, ela aparece roufenha, quase afónica, tossindo cavernosamente, enfim, parecem o espelho um do outro. 

Os homens no largo têm mais uma história e um vale de lágrimas corre pelas escadas abaixo e a toda a presa vêm barquinhos que passeiam pelas ruas da Nova Veneza, em noites de luar com alvoreceres de rouquidão! (MCG - 1973.08.02)

2. - Esta é uma terra como poucas, aldeia, grande embora, mas com... postais turísticos.  E bem povoada de mirones nas esquinas. O Largo do Regato é o Giraldo do sítio, com muita gente conversando, acima do qual existe um jardim. Dois cafés: o dos ricos... e o dos pobres, como não podia deixar de ser. Tal como sucede com as duas Sociedades [Recreativas]. (MCG - 1972.10.17)(...)
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3.  A acreditar [no sr. Coelho], entre outras coisas, os(as) amarelejenses são libérrimos em matéria de relações e tolerância ("Tudo boa gente e amiga de receber") Ah! Ah! Ah! 

("Mas parece‑me que lá pela Amareleja não apreciam muito a M.  " [ ao que me responde: "Bem as pessoas não vêm com bons olhos que ela meta o namorado lá em casa a qualquer hora, mas ninguém liga que vá com ele para qualquer lado, de carro ou que vão passear pelo campo, como vocês fazem". Ah! Ah! Ah! (MCG - 1973.03.09)

4. - (...)   Podia falar te da tristeza sem sentido desta vida que levo. Da necessidade de agarrar o presente com ambas as mãos. Do nenhum entusiasmo ao avistar anteontem à noite as luzes de Évora.

A viagem [de regresso da Amareleja] foi rápida, com minutos de silêncio, outros de conversa animada e outros de busca desesperada de palavras, no negrume da noite, com a estrada deslizando sob nós, o rádio transmitindo música e as pontes aparecendo bruscamente na curva da estrada, dois parapeitos brancos, esguios, varridos pelos faróis do automóvel. 

Chegados ao burgo, deixada a Marília e [outro] em casa, foi a busca dum lugar para estacionar. As aulas recomeçaram, mas ... quero ir me embora. É quase uma obsessão. Évora e o Instituto não são apenas o negativo.   (MCG - 1973.11.20)

in «Memórias da Amareleja e arredores»  https://aoescorrerdapena.blogspot.com/2011/02/memorias-da-amareleja-e-arredores.html


foto mens - na Amareleja, a casa da professora, no Largo do Regato.


quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Necrópoles e Túmulos 02

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* Fotos de Victor Nogueira
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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2007

Necrópoles e Túmulos (1)

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Cemitério não identificado (Porto - Agramonte ?)
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Évora - Convento do Espinheiro (túmulo de Garcia de Resende) [1]
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Atouguia da Baleia (túmulo no exterior da Igreja)
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Amareleja (cemitério - os mortos não são enterrados
mas colocados nos alvéolos que se vão empilhando)

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Alcobaça (Mosteiro - Panteão Real)
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Fotografias por Victor Nogueira

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[1] - Pode visitar Évora e outras regiões clicando na hiperligação do Convento do Espinheiro

A capela tumular de Garcia de Resende, por ele mandada construir, ergue-se na cerca do Convento de Nossa Senhora do Espinheiro, próximo de Évora. É um templo de reduzidas dimensões, precedido por uma galilé, em cujo pavimento se localiza a campa de Jorge de Resende, irmão de Garcia de Resende.

A nave é coberta por uma abóbada polinervada, e nas paredes são visíveis painéis azulajares do século XVI. Revestem o pavimento destes dois espaços azulejos hispânicos do início do século XVI.

Com a extinção das ordens religiosas em Portugal no século XIX, a campa de Garcia de Resende saiu desta capela, regressando ao seu local de origem já no século XX. Recentemente, o pequeno templo foi alvo de trabalhos de recuperação.

Teresa Duarte


.comentários:

De Amor e de Terra disse...
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Mesmo sendo dedicadas à Morte, belas as fotos, Victor! Gosto de monumentos, mesmo funéreos...porque para mim a Morte e a Vida, são similares; A única diferença é que uma tem "casca" visível e a outra não...mas são sempre consequência uma da outra.. A vida leva à Morte e a Morte à Vida, eternamente!!!

Maria Mamede