Castro Barroso Gato Nogueira - Blog Photographico - lembrança da moça do Alentejo
Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui
“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)
«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973
foto victor nogueira - oeiras - ilha dos amores no parque dos poetas - escultura de Francisco Simões Pedro Barroso - Bonita
Primeiro foram as mãos que me disseram que ali havia gente de verdade depois fugi-te pelo corpo acima medi-te na boca a intensidade senti que ali dentro havia um tigre naquele repouso havia movimento olhei-te e no sol havia pedras parámos ambos como se parasse o tempo
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
atrevi-me a mergulhar nos teus cabelos respirando o espanto que me deras ali havia força havia fogo havia a memória que aprenderas senti no corpo todo um arrepio senti nas veias um fogo esquecido percebemos num minuto a vida toda sem nada te dizer ficaste ali comigo
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
falavas de projectos e futuro de coisas banais frivolidades mas quando me sorriste parou tudo problemas do mundo enormidades senti que um rio parava e o nevoeiro vestia nos teus dedos capa e espada queria tanto que um olhar bastasse e não fosse no fundo preciso queria tanto que um olhar bastasse e não fosse preciso dizer nada
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
Poema interpretado por Pedro Barroso em
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foto victor nogueira - oeiras - parque dos poetas - ilha dos amores - escultura de francisco simões
Menina em teu peito sinto o tejo
E vontades marinheiras de aproar
Menina em teus lábios sinto fontes
De água doce que corre sem parar
Menina em teus olhos vejo espelhos
E em teus cabelos nuvens de encantar
E em teu corpo inteiro sinto feno
Rijo e tenro que nem sei explicar
Se houver alguém que não goste
Não gaste, deixe ficar
Que eu só por mim quero te tanto
Que não vai haver menina para sobrar
Aprendi nos 'esteiros' com soeiro
E aprendi na 'fanga' com redol
Tenho no rio grande o mundo inteiro
E sinto o mundo inteiro no teu colo
Aprendi a amar a madrugada
Que desponta em mim quando sorris
És um rio cheio de água lavada
E dás rumo à fragata que escolhi
Se houver alguém que não goste
Não gaste, deixe ficar
Que eu só por mim quero te tanto
Que não vai haver menina para sobrar