Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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domingo, 26 de dezembro de 2021

Pelourinhos 46 / Municípios 28 - Porto de Mós, Santa Marta de Penaguião e Sernancelhe

 * Victor Nogueira


2021 12 26 Fotos victor nogueira - Porto de Mós e Santa Marta de Penaguião (pelourinhos) - Sernancelhe (pelourinho e Casa da Câmara)

«Porto de Mós é um concelho muito antigo, tendo recebido primeiro foral da chancelaria de D. Dinis, em 1305, e foral novo de D. Manuel, em 1515. (…)Este cruzeiro, de "coluna chanfrada oitavada, lanternim de oito faces com edículas preenchidas por figuras hagiológicas e rematado por uma cruz trevada" (Informação n.º 545/DRCC/2019, p. 10) esteve implantado naquele espaço urbano desde, pelo menos, a década de 20 do século XVI e 1895, quando foi desmontado para que se construísse a Estrada de São Jorge à Chamusca (…) Em meados do século XX, este renovado cruzeiro também não estava já no local, em virtude dos novos traçados viários de Porto de Mós. O remate original do cruzeiro quinhentista, "de forma oitavada, com arcaturas góticas que abrigam ainda restos de imagens", era identificado em 1955 por Gustavo de Matos Sequeira, no decorrer do Inventário da Academia Nacional das Belas Artes, como estando depositado na Igreja de São Pedro (SEQUEIRA, Gustavo de Matos, 1955).

Em 1969 iniciou-se um movimento cívico a favor da reposição do antigo cruzeiro do Rossio de Porto de Mós. Baseando-se numa gravura integrada na obra Portugal de Ferdinand Denis, de 1846, o semanário O Mensageiro propunha à Comissão Regional de Turismo de Leiria que promovesse novamente a montagem do cruzeiro. Em sequência, alguns estudos regionais estudaram as gravuras onde era representado o cruzeiro na sua forma original, concluindo-se que a sua estrutura era efectivamente quinhentista, sendo o remate com escudos de quinas semelhante aos que a Casa de Bragança utilizava no período pós-Restauração (RAMOS, Luciano Justo, 1971, p. 64).

Porém, a estrutura subsistente, que correspondia à remontagem executada em finais do século XIX com o capitel de volutas, permanecia desmontado na Igreja de São Pedro.

No início da década de 1980 a Câmara de Porto de Mós intenta "(re)erguer o monumento no rossio", considerando que este cruzeiro de volutas correspondia ao pelourinho original de Porto de Mós. No ano de 1985 a edilidade optava por executar uma réplica do pelourinho primitivo, embora novos estudos locais feitos à época reafirmassem que nunca havia existido um pelourinho - e sim um cruzeiro, cujos vestígios estavam guardados na Igreja de São Pedro - e tanto o IPPC como a DGEMN se pronunciassem contra a reconstrução de um pelourinho que nunca havia existido.

Depois desta data a Câmara terá então procedido à remontagem do cruzeiro de capitel de volutas, sendo este que se encontra, até ao presente, erigido no Rossio de Porto de Mós, e que está classificado como de interesse público.

Assente sobre um soco de quatro degraus, o cruzeiro de Porto de Mós corresponde a uma coluna de fuste estrido com capitel compósito, encimada por remate superior composto por pináculo vegetalista com dois pequenos escudos e uma cruz.»  (Catarina Oliveira - DGPC, 2021»


Santa Marta de Penaguião - «A antiga povoação de Santa Marta de Penaguião teve primeiro foral dado por D. Afonso III, em 1256, e foral novo manuelino, em 1519. Conservou o seu estatuto concelhio até à actualidade, e com ele o velho pelourinho, erguido no largo fronteiro ao edifício da actual Câmara Municipal.

O pelourinho, muito singelo, assenta numa plataforma de três degraus circulares, de aresta, estando o térreo quase totalmente embebido no terreno. A coluna encaixa directamente no degrau superior, elevando-se em fuste cilíndrico e liso, encimado por pequeno anel rebordante. O remate é constituído por uma pinha de base quadrangular, com arestas ligeiramente afeiçoadas, cujo topo se adelgaça em cone truncado, de faces côncavas. A simplicidade do conjunto não permite datá-lo com precisão, embora seja provável que tenha sido construído na sequência do foral manuelino, conservando feição medieval.» (Sílvia Leite – DGPC)







Sernancelhe - «Existindo já no século X, e possivelmente construída sobre as ruínas de um povoado fortificado de altura da Idade do Ferro - castro -, Sernancelhe obteve foral em 1124, durante o governo de D. Teresa (1092-1130), por iniciativa de dois ricos-homens, de seus nomes Egas Gosende e João Viegas, que incentivaram o seu repovoamento, num século em que se construíram outras estruturas marcantes do seu centro, a exemplo da igreja Matriz, de traçado românico. A localidade veria, entretanto, confirmado o primeiro foral nas regências de D. Afonso II (1185-1223), em 1220, e de D. Dinis (1261-1325), em 1295, para ser renovado com D. Manuel I (1469-1521), decorria o ano de 1514.

(…) Erigido no centro das actividades da povoação, fronteiro à residência da família Fraga de Azevedo que foi, há muito, utilizada para outras finalidades, designadamente camarárias e judiciárias, o pelourinho inscreve-se, do ponto vista arquitectónico e decorativo, no denominado estilo manuelino, resultando de uma reformulação conduzida no tempo de D. João III (1502-1557), assim como de uma pequena intervenção de restauro efectuada já na década de cinquenta de novecentos.

De "gaiola" estilizada e afeiçoado numa das matérias-primas mais abundantes na zona - granito -, o pelourinho, com mais de nove metros de altura, é constituído por plataforma de três degraus octogonais sobre a qual assenta base de um único degrau de igual configuração, como octogonal é o fuste (com seis metros de altura) que nele se eleva, e em cujo capitel, tronco-piramidal oitavado, foi gravado o sobredito ano. Quanto ao remate, ele é formado por oito colunelos cilíndricos e lavrados ligados à parte superior da "gaiola" sustentada por esteio interior, e sobre a qual se eleva pináculo composto de gola encimado por pomo no qual se crava grimpa de ferro com cruz.»  ([AMartins – SGPC)


quarta-feira, 23 de setembro de 2020

fotos de capa em 23 de setembro

 * Victor Nogueira


2020 09 23 foto victor nogueira - vista geral de Sernancelhe, vendo-se no canto inferior direito o pelourinho e ao centro a Igreja matriz (1999.10.31)

Construída no séc. XII, a igreja matriz de Sernancelhe tem como orago São João Baptista. De estilo românico tem portal em arco ladeado por imagem de santos e torre com sinos. Sernancelhe é a terra da castanha e de Aquilino Ribeiro. O Castelo tem uma enorme escadaria. Foto do alto do castelo à povoação. Foi aqui e neste dia que perdi a chave do carro, no meio da relva.

De Sernancelhe para Penedono não se vêm casas, só terrenos arborizados; a estrada é uma linha recta. Fazemos um desvio para Antas e a estrada é como em Monsanto e Sortelha, com enormes pedregulhos.(Notas de Vagem, 1999.10.31)  VER  Sernancelhe

2019.09.23 Foto victor nogueira - em Vila do Conde - monumento à mulher rendeira de bilros, do escultor escultor Ilídio Fontes - foto em (2016.09.23)

Tentam as autarquias salvaguardar a arte criando escolas de rendeiras, como sucede em Vila do Conde e em Peniche e outrora em Setúbal, onde aliás nas duas primeiras esculturas homenageiam a arte e suas executantes, as rendeiras de bilros. VER A reportagem photographica «O Museu da Renda de Bilros, em Vila do Conde» 


2017 09 23 foto victor nogueira- a Marquesa de Alorna na Parque dos Poetas em Oeiras ou o poeta sem musa nem música ~ da série Faia Mara.- 

Um dia tu virás



2016 09 23 foto victor nogueira - em Vila do Conde - Igreja da Misericórdia, Cruzeiro e antiga Casa do Despacho, ao anoitecer- Á esquerda uma das estações da Via Sacra.



2013 09  23  foto victor nogueira - Setúbal Praça do Bocage


2010 09 23 Foto Victor Nogueira - Alcobaça - nocturno do mosteiro - 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Sernancelhe









fotos victor nogueira - Sernancelhe . pórtico da igreja matriz 

Situa-se Sernancelhe na Beira Alta, limítrofe de dois outros municípios com história - Trancoso (das profecias de Bandarra e terra de cristãos novos, como muitas otras nas beiras da raia com Espanha) e Penedono, com um minúsculo castelo que foi dum dos Cavaleiros medievais conhecidos como Os Magriços ou Os 12 de Inglaterra).

Em Sernancelhe, que pertenceu à Ordem de Malta e que esteve nas mãos dos árabes, nasceu Aquilino Ribeiro e nela me encantaram a granítica Igreja Matriz (tema da fotos ) e uma casa de varanda alpendrada, junto ao pelourinho.

Ao contrário do que relato abaixo ainda restarão ruínas do castelo (partes da muralha e a Porta do Sol)





pelourinho



No cimo desta escadaria foi o castelo de Sernancelhe de que não restam vestígios. Trata-se dum terreiro grande coberto de erva. Quando regressámos ao Fiesta verifiquei que não tinha a chave e seria um bico de obra encontrá-la escondida algures no relvado. Mas a Fátima recordava-se de ter ouvido qualquer coisa a cair e lembrando-se do local, regressou ao cimo do escadório. Aqui é a descida em festa para o Fiesta, cabelos soltos ao vento, com as chaves reencontradas.







Sernancelhe

1999.10.29

Fica na Serra da Lapa. 1ª foto – casa com brasão. Fotos a pelourinho,. Igreja matriz românica. Para o castelo, de que existem apenas ruínas, sobe-se por uma grande escadaria, de vários lances. Lá de cima uma interessante panorâmica das povoação e arredores.

Perda da chave do carro. Últimas fotos – pormenor da igreja e brasão de armas. A vila tem uma parte nova muito desenvolvida e da parte velha pouco resta.

1999.10.30

Sernancelhe é a terra da castanha. O Castelo tem uma enorme escadaria. Foto do alto do castelo à povoação. Foi aqui e neste dia que perdi a chave do carro, no meio da relva.

De Sernancelhe para Penedono não se vêm casas, só terrenos arborizados; a estrada é uma linha recta. Fazemos um desvio para Antas e a estrada é como em Monsanto e Sortelha, com enormes pedregulhos. (Notas de Viagem 1999.10.29/30)

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

sernancelhe -pormenor do portal da igreja matriz



foto victor nogueira - sernancelhe -pormenor do portal da igreja matriz - Rude e pouco dúctil é o granito, áspero e rugoso, mais nem por isso mais resistente á erosão e degradação provocadas pelos agentes eolicos e químicos ou pela intromissão de ervas e musgo, como a foto demonstra. 

As notas de viagem de 1999.10.29 não foram desenvolvidas, embora me lembre de algumas cenas e aventuras quer em S... Ver mais

domingo, 7 de dezembro de 2014

FOTOS COM HISTÓRIA - Sernancelhe



FOTOS COM HISTÓRIA

No cimo desta escadaria foi o castelo de Sernancelhe de que não restam vestígios. Trata-se dum terreiro grande coberto de erva. Quando regressámos ao Fiesta verifiquei que não tinha a chave e seria um bico de obra encontrá-la escondida algures no relvado. Mas a Fátima recordava-se de ter ouvido qualquer coisa a cair e lembrando-se do local. Aqui é a descida em festa para o Fiesta, cabelos soltos ao vento, com as chaves reencontradas.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sernancelhe - Victor Nogueira




Sernancelhe - Fátima
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    • Victor Nogueira 
      No cimo desta escadaria foi o castelo de Sernancelhe de que não restam vestígios. Trata-se dum terreiro grande coberto de erva. Quando regressámos ao Fiesta verifiquei que não tinha a chave e seria um bico de obra encontrá-la escondida algures no relvado. Mas a Fátima recordava-se de ter ouvido qualquer coisa a cair e lembrando-se do local. Aqui é a descida em festa para o Fiesta, cabelos soltos ao vento, com as chaves reencontradas.
      29/8 às 19:11 ·  ·  1   

    • Maria Clara Roque Esteves LINDO, lindo. Gostei.
      há 18 minutos ·  ·  1

    • Maria Clara Roque Esteves E uma imagem bela também.
      há 14 minutos ·