Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Exposição de fotos em NY mostra ambiguidades de São Paulo

Plantão | Publicada em 30/11/2010 às 12h21m


BBC
A cidade de São Paulo é o tema de uma mostra que o fotógrafo brasileiro Cláudio Edinger inaugura no próximo dia 1º de dezembro, em Nova York. A exposição terá 12 trabalhos que mostram as ambiguidades e contradições da metrópole. 
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As fotos mostram prédios, avenidas e largos famosos da cidade em cenas do cotidiano, com intenso trânsito de pessoas e veículos. 
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Para as fotos, Edinger usou uma câmera especial Sinar, que permite acertar o foco apenas em determinadas áreas da imagem capturada. O resultado dá um ar de 'miniatura' para os locais fotografados. 
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Segundo o fotógrafo, o efeito aproxima a fotografia da maneira como o olho humano enxerga, prendendo-se a um objeto de cada vez. 
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A série de 30 imagens, 12 das quais foram selecionadas para a exposição, estão no livro São Paulo: Minha Estranha Cidade Linda, publicado em 2009.
Paradoxos 
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Edinger conta que o ensaio nasceu de uma missa de sétimo dia na igreja Nossa Senhora do Brasil, em São Paulo, em 2004. 
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Ao observar os afrescos do teto da igreja, ele percebeu que havia uma réplica da Capela Sistina, de Michelangelo, e diz ter achado 'extraordinária' a 'capacidade dos brasileiros de absorver a arte do mundo todo e inseri-la em contextos diferentes criando uma terceira imagem'. 
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Ainda na igreja, o fotógrafo fez imagens do teto com um iPhone. Depois de conversar com o padre, Edinger voltou para fotografar com a sua Sinar e o resultado se tornou a primeira imagem do ensaio sobre São Paulo - um projeto que levou quatro anos para ser concluído. 
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A exposição ficará em cartaz na galeria 1500 em Nova York até 26 de março. 
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Para mais notícias, visite o site da BBC Brasil
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Morador que virou fotógrafo retrata a retomada das favelas pela polícia


Publicada em 29/11/2010 às 00h18m
O Globo

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RIO - O conflito visto de dentro, pelos olhos do morador. Os três dias de batalha entre polícia e traficantes na retomada do Complexo do Alemão pelo Estado não foram registradas apenas por jornalistas do mundo todo, escalados para a cobertura do confronto. Em meio a jornalistas com equipamentos de ponta de linha e protegidos por colete a prova de balas, um outro fotógrafo, de chinelo de dedo, bermuda, camisa de malha e câmera semi-profissional, também registrou a ação da policia nas vielas do complexo. Ex-bilheteiro de cinema e ex-funcionário de Lava-Jato, Bruno Filipe Soares Lira, de 22 anos, não assistiu parado o confronto que se desenhou às portas de sua casa na Grota. De câmera em punho, imortalizou a retomada em imagens. 
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O trabalho de três dias, em que foram feitas cerca de 450 fotos, contudo, esbarrou na própria ação policial. No desfecho da invasão, Bruno foi abordado por um policial e e obrigado a apagar o material. Com um programa de computador, conseguiu recuperar 30 delas. 
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- Ainda estou tremendo. Quer dizer que jornalista pode registrar tudo mas morador não pode? 
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Aluno do curso de fotografia realizado na comunidade entre 2007 e 2008, financiado pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), o rapaz - que assina com o nome artístico de Bruno Itan - acompanhou os três dias de conflito com apreensão, mas decidiu não perder a oportunidade. 
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- Já vi tiroteios na comunidade, mas nada semelhante a isso. Não podia perder esse momento histórico. 
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Natural do Recife, Bruno chegou ao Rio com seis anos, junto com um casal de tios. Por aqui compartilhou das mesmas histórias de necessidade dos meninos das favelas. Antes de conhecer a fotografia, foi bilheteiro de cinema, servente de academia de ginástica e de laboratório de análises clínicas na Zona Sul. Já inscrito no curso, deu um propósito à dura rotina de lavador de carros: juntar dinheiro para uma nova câmera. Hoje, diz ele, já consegue viver da vida de fotógrafo. 
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- Já faço as festas de aniversário e casamento, entre outros trabalhos. 
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Ele revela o momento mais marcante para ele de toda a invasão: 
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- Sou de Recife mas fui criado aqui na comunidade. Nunca tinha passado pela situação de cruzar com um policial pela viela e poder dar um bom dia. Ver a bandeira do Brasil e do Rio no alto da favela é histórico. 
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De câmera em punho, Bruno também registrou as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) na comunidade, o contraste das estações do teleférico em meio ao mar de moradias, o impacto visual das obras nas favelas e até mesmo a formação de um piscinão natural na pedreira do complexo do Alemão, com águas verde jade. As milhares de casas do complexo, sobrevoadas à exautão nas operações, ganham ares de pintura, nas fotos noturnas feitas por Bruno na Grota. 
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- Éramos dez alunos no curso. De início registramos o começo das obras, antes da retirada das casas que dariam lugar às estações. Fizemos também o início das construções. Depois que o curso acabou, eu resolvi continuar. Gostei da fotografia e comecei a me aperfeiçoar - conta Bruno. 
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http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/11/28/morador-que-virou-fotografo-retrata-retomada-das-favelas-pela-policia-923134416.asp
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O Google virou arte

28/11/2010 - 12:15 - Atualizado em 28/11/2010 - 12:15

Parecem instantes cinematográficos, mas não são. Imagens flagradas pelas câmeras do Google Street View, e compiladas pelo artista canadense Jon Rafman, se transformam em arte 
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LAURA LOPES
O Google pode ser mais do que uma simples ferramenta online. Ao menos para o artista canadense Jon Rafman, de 29 anos, que usa os aplicativos do site para compor suas obras. Cenas ordinárias do cotidiano, flagradas pelas câmeras do Google Street View e pacientemente selecionadas por Rafman, fazem parte de seu projeto Nine Eyes – nome em alusão à câmera cheia de lentes que percorre as ruas de cidades do mundo filmando em 360º.
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Uma mulher nua em uma praia da Itália (confira galeria abaixo). Um homem armado caminha numa rua do Jaraguá, em São Paulo, enquanto policiais revistam um grupo de jovens no bairro do Ipiranga. Um casal se beija em uma rua de Paris. Parecem instantes cinematográficos, mas não são. Algumas imagens são pura poesia, outras extremamente borradas e esteticamente inferiores. "Algumas seleções fazem alusão a antigos estilos fotográficos, enquanto outras tentam incorporar a teoria estética crítica. Explorando, descobrindo ou criticando, eu presto muita atenção aos aspectos formais de cor e composição", afirma.

O projeto virtual se tornou físico, transformou-se em livro (16 Google Street Views) e foi parar em museus e galerias de arte. Agora, Nine Eyes está no New Museum, de Nova York, onde fica até 23 de janeiro. Antes, houve exibições em pequenas galerias do Brooklyn, também em Nova York, na Fotofest Gallery, em Houston, Texas, e nos festivais Ars Electronica Festival de Linz, Áustria (setembro de 2010), Breda Photo Festival, na Suíça (setembro de 2010), e no Fotografia Festival de Roma, na Itália (setembro de 2010).

A seleção de imagens de Rafman reflete a experiência moderna, os sentimentos humanos de solidão e alienação, mas também uma beleza inesperada. Caso de uma foto em que lençóis balançam ao vento, ou uma praia de areias brancas com bancos extremamente coloridos. Há flagras divertidos, de pessoas que acabaram de cair, de um cachorro urinando no muro ou de um guarda dormindo dentro de sua guarita. 
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O que motivou Rafman foi a estética "ruidosa e amadora" das imagens do Street View. "Com sua aparente neutralidade no olhar, as fotos do Street View têm uma espontaneidade livre da sensibilidade ou background de um fotógrafo", diz. O artista vê as imagens como uma representação neutra e privilegiada da realidade, arrancadas de qualquer contexto social ou geoespacial, e capazes de criar verdadeiros documentos fotográficos ao capturar fragmentos da realidade despojados de intenção cultural.

Arquivo
Bebê engatinha sozinho em frente a uma loja da Gucci: algumas imagens são inusitadas
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É um projeto que se pretende inacabado, mesmo porque o banco de imagens do Street View só tende a aumentar. Para selecionar as fotos, o artista leva em conta "o impacto da tecnologia sobre nossa consciência, a captura da dimensão moral em um mundo ambíguo, a alienação contemporânea expressa muitas vezes através da tensão entre o ideal e o real, o romântico e o irônico, e o conflito entre o passado, o presente e o futuro". 
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O processo de escolha não é fácil: exige preparo, dedicação, concentração. Segundo o artista, é um quase um estado de transe. "Muitas vezes eu pesquiso de seis a 12 horas antes de encontrar qualquer coisa, mas, em outras, eu encontro meia dúzia de fotos numa única sessão", diz. Normalmente, ele investiga lugares que visitaria na vida real, o que não impede que de vez em quando solte o ícone do Street View ao acaso, em qualquer ponto no mundo. 
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Há quem pense que, ao se apoderar de imagens criadas sem critérios estéticos, Rafman esteja se virando contra a fotografia como criação humana. Engana-se. "Eu ainda concordo que os aspectos formais de composição e de sentido ou de mensagem são importantes, mas novos desenvolvimentos tecnológicos e artísticos criam uma nova liberdade e dão uma nova energia para a fotografia", afirma. Para ele, não existe apenas uma maneira de se fazer fotos.
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O Street View não é a única plataforma para a obra de Rafman. Ele também usa o Google 3D Warehouse, um site que permite compartilhar criações em 3-D, na série Brand New Paint Job. "Eu faço download de modelos em 3-D criados por qualquer pessoa, de adolescentes que desenham o carro dos seus sonhos a arquitetos que projetam o prédio ideal", afirma. Rafman, então, aplica à superfície desses objetos tridimensionais texturas e criações de artistas famosos, como Paul Signac, Paul Klee, Miró, Edward Hopper, De Chirico e Picasso. 
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Para ele, a tecnologia só tem a incrementar a arte. É sua forma de celebrar, e ao mesmo tempo criticar, a realidade contemporânea. 
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. ele, a tecnologia só tem a incrementar a arte. É sua forma de celebrar, e ao mesmo tempo criticar, a realidade contemporânea. 

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http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI190602-15220,00.html
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domingo, 28 de novembro de 2010

Fundação Saramago vai lançar "Retratar um livro"

 

Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010


Fundação Saramago vai lançar "Retratar um livro"

" Nome de Guerra" foi escrito por Almada Negreiros, em 1925. É um romance de iniciação de Antunes, um jovem provinciano oriundo de família abastada. Quando é enviado para Lisboa pelo seu tio Luís ao cuidado de D. Jorge, seu amigo, tido como " bruto como as casas e ordinário como um homem", com o propósito de o educar nas "provas masculinas" não imaginava o final da aventura.
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Antunes concluiu rápidamente que "o corpo nú de mulher foi o mais belo espectáculo que os seus olhos viram em dias de sua vida", decidindo-se a perseguir Judite. Esta "via perfeitamente que o Antunes não estava destinado para ela", mas "não lhe faltava dinheiro e o dinheiro é o principal para esperar, para disfarçar, para mentir a miséria e a desgraça". A história termina com a frase "não te metas na vida alheia se não queres lá ficar".
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Brevemente a Fundação José Saramago vai lançar o Prémio de Fotografia Retratar Um Livro. A ideia é que ao lerem um livro, os leitores encontrem uma imagem e tirem uma fotografia. O primeiro desafio vai ser "Nome de Guerra".
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As fotografias serão expostas depois em diversos locais do nosso País e funcionarão como uma síntese do livro.
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sábado, 27 de novembro de 2010

Fotojornalismo O olhar bem Brasil de Walter Firmo



Do alto de seus 72 anos o profissional das lentes ministra um mini curso em Cuiabá

Leidiane Montfort
Da Redação
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Começa hoje (26) e vai até domingo (28) em Cuiabá o Workshop de Fotografia Universo da Cor sob orientação do premiado e respeitado fotojornalista Walter Firmo. O profissional vai discutir a qualidade da fotografia no cenário contemporâneo, brasileiro e mato-grossense. E ainda contar sobre a vasta experiência adquirida e novos rumos e olhares para a prática fotográfica.
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O mini curso consiste, nas palavras do fotografo-ministrante, em saborear o país tropical com todas as suas luzes e o céu azul sempre com aquela indumentária em cima dos homens mais fragilizados pela sorte. Além de trabalhar mais com as pessoas que acreditam na dança do folclore e que estão sem rumo em uma estrada ou na cidade. Do alto de seus 72 anos o profissional das lentes mostra toda a sua garra juvenil e empolgação pelo prazer de fotografar, enfrentando grandes desafios e cansativas viagens em busca de fotos únicas, de uma expressão artística peculiar e fazendo poesia das imagens que vê.
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O acervo do fotógrafo cobre fatos relacionados a uma temática social e bem brasileira, registrando o folclore, cultura e personagens típicos, de norte a sul do país, além de célebres figuras brasileiras. "Creio que a verdadeira função de uma fotografia é, sobretudo, educar, levando ao espectador sempre algo de novo: o ato de ver uma fotografia será sempre um ato de conhecimento". 
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Em seu currículo Firmo traz a formação no fotojornalismo onde marcou sua presença na história da fotografia brasileira. Sua estréia foi no jornal Última Hora em 1957 e, desde então, esteve nos mais importantes veículos de imprensa escrita brasileira: Jornal do Brasil, revistas Realidade, Manchete, Veja e Istoé. Em 1986 fundou e dirigiu o Instituto Nacional de Fotografia da Funarte e desde 1992 distribui seu conhecimento fotográfico em cursos por todo o país, assim como fará na Capital mato-grossense.
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Troca de experiências- O fotógrafo José Medeiros, proprietário da José Medeiros Imagem, tem investido nos últimos meses na oferta da discussão do campo da fotografia em Mato Grosso e busca de qualificação para os profissionais e interessados no setor. Em janeiro veio a capital o fotógrafo baiano, Roberto Faria, em abril o gaúcho Ricardo Chaves, em novembro no Pavilhão das Artes a agencia JM Imagem apoiou a exposição fotográfica de Guy Veloso e Fatinha Silva/ Pará e agora é a vez do carioca, Walter Firmo.
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A oportunidade é única, conforme Medeiros. Isso porque o profissional ministrante já teve fotos expostas nos principais centros culturais do país e do exterior e já recebeu diversos prêmios e homenagens. Um dos principais foi o Prêmio Esso de Jornalismo pela reportagem Cem dias na Amazônia de ninguém, uma série de cinco reportagens (texto e fotos) publicadas no Jornal do Brasil em 1963. 
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Serviço: Workshop de Fotografia Universo da Cor. Com Walter Firmo. Data: Dias 26 e 28 de novembro, na agência localizada à Avenida Fernando Corrêa da Costa, 1610, Galeria Xavier, sala 111. São oferecidas 20 vagas. Mais informações pelos telefones (65) 3054-1080 e (65) 9237-6054.
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http://www.gazetadigital.com.br/materias.php?codigo=277284&codcaderno=17&GED=6932&GEDDATA=2010-11-26&UGID=5fa1b95c7d3a52057044dbec79e636b1
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Exposição BES Revelação 2010 vai além da fotografia

Arte

26 | 11 | 2010   17.04H
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O Museu de Serralves recebe a partir de hoje a exposição BES Revelação 2010, que reúne as obras dos quatro artistas distinguidos este ano.
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Destak/Lusa | destak@destak.pt
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Mónica Baptista, Miguel Ferrão, Eduardo Guerra e Carlos Azeredo Mesquita viram o museu de arte contemporânea da cidade do Porto abrir-lhes as portas, em reconhecimento pela atribuição do prémio BES Revelação.
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“É uma exposição que não é una, nem pretende ser. São quatro propostas de jovens artistas, abaixo dos 30 anos, quatro artistas que tiveram comissões para fazer uma pesquisa, um trabalho, ou para consolidar uma pesquisa que já vinha sendo feita há muitos anos”, explicou hoje à Lusa a comissária da mostra.
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Margarida Mendes destacou a particularidade dos trabalhos em exposição se basearem em métodos e formas de trabalho muito diferentes, referindo que o concurso não se cinge, nem pretende ficar pela fotografia.
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Ainda assim, ela está presente, praticamente em todo o lado, seja nas fotos cinematográficas da ficção criada por Mónica Baptista, seja em “The Radiant City”, de Carlos Azeredo Mesquita, uma série de fotografias panorâmicas de Budapeste.
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“As fotos apelam a projetos utópicos, realizados ou não, ou mal incorporados. Fala de uma distopia da Europa de Leste e de um socialismo zombie”, concretizou Margarida Mendes, encontrando uma “estranheza” proveniente de um serialismo minimalista.
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Se na obra de Carlos Azeredo Mesquita, a fotografia está estática, na de Mónica Baptista movimenta-se para fazer parte de um todo cinematográfico: a artista parte de fotografias de uma máquina que tem a particularidade de poder fotografar em formato cinema e constrói um filme.
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“Como pomos três anos em 20 minutos de filme?”, pergunta a única mulher premiada, descrevendo a sua obra como um filme, que nunca é em tempo real e deixa sempre algo para trás.
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Para Mónica Baptista, o seu “filme”, que compila cerca de 4000 imagens, não chega a ser uma ficção, mas sim algo em que as pessoas podem projectar-se: “Acredito que haverá um mecanismo de identificação e inscrição do público nas minhas fotos, através da memória comum”.
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Miguel Ferrão “esqueceu” a fotografia e criou uma instalação em três partes, com uma peça de som, com vozes de pássaros, uma peça de slide, e uma peça de vídeo, criada a partir da sua experiência enquanto ornitólogo.
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O “concílio de estátuas” que é visível no trabalho de Ferrão encontra correspondência na sala ao lado, onde Eduardo Guerra montou uma peça que parte da teoria das cores de Goethe.
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Nela cruzam-se excertos, ou melhor, cerca de 15 axiomas que falam em tons diferentes de experiências da cor ou verificação do sujeito enquanto pessoa que a experiencia.
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Para o artista, o prémio Revelação BES supôs mais responsabilidade, mas também a necessidade de ser mais assertivo na tomada de decisões.
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Eduardo Guerra agarra assim, até 16 de janeiro, uma hipótese única no seu percurso na escultura, fundamentada numa bolsa “útil para subir a qualidade e a vontade”, de dialogar com um espaço que tem características “muito próprias”.
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

LIFE - revista pioneira do fotojornalismo


Lançada revista pioneira do fotojornalismo
Actualizado há 21 horas e 21 minutos


A 23 de Novembro de 1936 é lançada a revista Life, a primeira a apostar fortemente no fotojornalismo, e responsável por algumas das imagens que mais marcaram o século XX.

Na sua primeira "encarnação", a Life nada tinha a ver com a marca que tanto prestígio angariou ao longo do século XX: uma revista leve, de humor e assuntos mundanos, fundada em 1883, comprada em 1936 por Henry Luce, que apenas estava interessado no título. Este capricho custou-lhe, na altura, 92 mil dólares.
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Luce rapidamente se desfez dos conteúdos, que vendeu a outra publicação, e transformou a Life numa revista apoiada fortemente no fotojornalismo.
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A aposta foi ganha quase de imediato. Ao longo de meia centena de páginas, praticamente o único texto que se lia eram as legendas das grandes fotografias. Estas eram impressas com grande qualidade, mas a circulação massiva permitia baixar os custos e o leitor pagava apenas dez cêntimos por cada edição, cerca de €1,15 aos preços actuais.
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A conjugação de eventos internacionais também ajudou. Material para fotografar e exibir abundava, desde o motivado pela grande depressão norte-americana, ao cerco de Madrid por parte de Franco, à invasão da Etiópia por Mussolini e à consolidação do poder, na Alemanha, por parte de Hitler.
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Até Luce foi apanhado de surpresa pelo sucesso. A primeira tiragem foi de 380 mil cópias, mas, quatro meses mais tarde, a empresa estava a imprimir um milhão e meio de exemplares.
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Como não podia deixar de ser, algumas das edições mais memoráveis surgiram durante a Segunda Guerra Mundial. A partir da entrada dos EUA na guerra, a revista dedicou-se à causa aliada com todo o seu fulgor.
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Data da mesma época um dos primeiros incidentes a afectar a credibilidade da revista. O famoso jornalista Robert Capa, que mais tarde morreu ao serviço da Life, enquanto cobria a guerra da Indochina, foi dos primeiros jornalistas a desembarcar na Normandia. Um descuido no estúdio da Life, porém, levou a que as imagens ficassem tremidas. A Life, na legenda, culpou o fotógrafo, cujas mãos estariam a tremer. Capa negou sempre essa versão.
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No final da guerra a Life publicou ainda outra imagem que se tornaria verdadeiramente icónica: a da enfermeira nos braços de um marinheiro, festejando de forma intensa a vitória na guerra.
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Ao longo das décadas seguintes a revista perdeu algum do seu prestígio. Mudou de periodicidade algumas vezes e chegou mesmo a fechar, por duas ocasiões, antes do encerramento definitivo, em Março de 2007. A marca permanece, porém, na forma de um site.


Editado por Filipe d'Avillez
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http://www.rr.pt/informacao_nestedia.aspx?fid=103&did=129859
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Mesmo fora do carnaval, Quitéria Chagas continua queridinha dos fotógrafos

23/11/10 - 17h36 - Atualizado em 23/11/10 - 17h47

Ex-rainha do Império Serrano é uma das retratadas na exposição ‘Negra Cor’, no Rio de Janeiro.
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Do EGO, no Rio
Não é porque está fora do carnaval 2011(pelo menos por enquanto), que Quitéria Chagas deixou de ser solicitada para ensaios fotográficos e outros trabalhos do tipo. O mais recente deles foi para a exposição “Negra Cor”, do fotógrafo Berg Silva, e inaugurado no último dia 20, dia da Consciência Negra. Nas fotos, Quitéria, e outras atrizes como Juliana Alves e Lica Oliveira, foi transformada em uma guerreira negra. O trabalho está em exposição no espaço “Oi Futuro”, em Ipanema, no Rio de Janeiro. 
Berg Silva/-Divulgação

Quitéria Chagas em foto da exposição 'Negra Cor': guerreira negra


Berg Silva/-Divulgação

A atriz em outro clique. Juliana Alves também foi retratada
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http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL1631838-9798,00-MESMO+FORA+DO+CARNAVAL+QUITERIA+CHAGAS+CONTINUA+QUERIDINHA+DOS+FOTOGRAFOS.html
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Agência britânica lança concurso para selecionar fotógrafos de todo o mundo

Portal Imprensa » Últimas Notícias



Publicado em: 23/11/2010 17:50



Redação Portal IMPRENSA
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A agência fotográfica britânica Panos Pictures está fazendo uma convocação aos repórteres fotográficos de todo o mundo para que se candidatem a uma vaga na empresa e contribuam para o aumento de sua cobertura global.
.A Panos, especializada em temas sociais e na produção de vídeos e documentários, procura por candidatos que demonstrem "um forte apelo jornalístico e uma narrativa visual convincente". A agência sublinha ter interesse, sobretudo, por fotógrafos que tenham intimidade com diversas plataformas de imagem.
"A ênfase deve ser colocada na originalidade das ideias e na habilidade do fotógrafo em pensar além da abordagem tradicional do fotojornalismo. Nós estamos especialmente interessados em fotógrafos da África, Asia, América Latina e Oriente Médio", disse a agência por meio de comunicado publicado em sua página e replicado pelo Journalism.com.uk.
O prazo para o envio dos materiais acaba em março de 2011 e os vencedores do concurso serão anunciados em abril.
O diretor da agência, Adrian Evans, afirmou que o anúncio aberto da procura por colaboradores torna o processo de seleção mais transparente e honesto. Para mais informações sobre a proposta da Panos, acesse o site da agência.  
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http://portalimprensa.uol.com.br/portal/ultimas_noticias/2010/11/23/imprensa39437.shtml
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

El Reloj - António Prieto


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El Reloj

Antonio Prieto

Composição: Roberto Cantoral
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Reloj no marques las horas,
porque voy a enloquecer,
ella se irá para siempre,
cuando amanezca otra vez.
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Nomas nos queda esta noche,
para vivir nuestro amor
y su tic-tac me recuerda,
mi irremediable dolor.
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Reloj detén tu camino,
porque mi vida se apaga,
ella es la estrella que alumbra mi ser,
yo sin su amor no soy nada.
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Detén el tiempo en tus manos,
hace esta noche perpetua,
para que nunca se vaya de mí,
para que nunca amanezca.
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Nomas nos queda esta noche,
para vivir nuestro amor
y su tic-tac me recuerda,
mi irremediable dolor.
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Detén el tiempo en tus manos,
hace esta noche perpetua,
para que nunca se vaya de mí,
para que nunca amanezca.
Para que nunca se vaya de mí,
para que nunca amanezca.
Para que nunca se vaya de mí,
para que nunca amanezca.
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http://letras.terra.com.br/antonio-prieto/1631210/
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Mostra fotográfica revela a vida cotidiana da África em São Paulo


20 de novembro de 2010 15h30

 
Cerca de 30 fotografias revelam a vida cotidiana, a arte, as tradições e os ritos religiosos de pessoas anônimas de Angola, Congo e Benin em uma mostra do fotógrafo brasileiro Ricardo Teles, que começou neste sábado na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
. A abertura da exposição, intitulada "O Lado de Lá", coincide com o dia da Consciência Negra e tem o objetivo de "reencontrar o conhecimento no Brasil sobre a África através de um ensaio fotográfico", disse Teles em uma nota da Pinacoteca.
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A exposição repassa os principais portos de onde a população africana embarcava como escrava em direção ao Brasil.
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Um dos monumentos retratados é o Portal do Não Retorno, erguido na década de 1990 na República de Benin, para relembrar a última etapa antes do embarque definitivo dos navios onde os escravos viajavam.
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As imagens foram tiradas entre 2005 e 2010 por Teles, que também é fotojornalista e desenvolveu tarefas de documentação.
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Dentro do processo de reestruturação da exposição de longa duração da Pinacoteca também estarão expostas, a partir deste sábado, cerca de 40 obras de alguns dos maiores representantes da pintura brasileira, como Tarsila do Amaral, Cândido Portinari e Lasar Segall, precisou a instituição em outro comunicado. 
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http://noticias.terra.com.br/noticias/0,,OI4802510-EI188,00-Mostra+fotografica+revela+a+vida+cotidiana+da+Africa+em+Sao+Paulo.html
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Sábado, 20 de novembro de 2010, 08h11

Exposição fotográfica celebra dia da consciência negra

Ricardo Teles/Divulgação
Fotografia de Ricardo Teles que participa da exposição  O lado de lá - Angola, Congo, Benin
Fotografia de Ricardo Teles que participa da exposição O lado de lá - Angola, Congo, Benin
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A exposição O lado de lá - Angola, Congo, Benin, do fotógrafo Ricardo Teles, será inaugurada neste sábado (20) na Pinacoteca do Estado em comemoração ao dia da consciência negra. A mostra reúne 30 imagens em preto e branco, que revelam elementos simbólicos culturais que conectam esses países africanos ao Brasil.
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Durante a abertura, das 11h às 13h, haverá uma mesa redonda para discutir a presença negra na sociedade brasileira, com a presença do cineastra Jeferson De, o poeta Allan da Rosa e a artista Rosana Paulino. Diógenes Moura, curador de fotografia da Pinacoteca, fará a mediação do debate.
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As fotografias foram tiradas por Teles entre os anos 2005 e 2010 e trazem cenas da vida cotidiana, celebrações que unem arte e religiosidades, retratos de pessoas e de monumentos históricos, como o Portal do Não Retorno, erguido na década de 1990, na República do Benin, em memória aos escravos que partiram em direção ao Brasil. Elas poderão ser conferidas até o dia 09 de janeiro.
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Serviço
Exposição fotógrafo Ricardo Teles: O lado de lá - Angola, Congo, Benin
De 20 de novembro de 2010 a 09 de janeiro de 2011.
Terça a domingo das 10h às 17h30 com permanência até as 18h
Pinacoteca do Estado de São Paulo
Praça da Luz, 02 - Luz - São Paulo (SP)
Ingressos (Pinacoteca e Estação Pinacoteca): R$ 6,00 e R$ 3,00. Grátis aos sábados
Informações: begin_of_the_skype_highlighting              (11) 3324-1000      
(11) 3324-1000
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http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4799115-EI6581,00-Exposicao+fotografica+celebra+dia+da+consciencia+negra.html
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sábado, 20 de novembro de 2010

Prêmio Porto Seguro Fotografia 2010 divulga ganhadores

A edição 2010 do Prêmio Porto Seguro Fotografia já tem os ganhadores definidos. Em primeiro lugar ficou Maureen Bisilliat, que receberá R$ 40 mil. Tiago Santana, com 12 fotografias inscritas, compôs o ensaio "Dia de Finados". O mesmo número de fotos estão no trabalho "Albinos", de Gustavo Lacerda. Tuca Vieira, com 15 fotos, debruçou-se sobre cenários paulistas. Os três receberão R$ 20 mil cada um. Já Roberta Borges, com o ensaio "Passatempo", ganhará R$ 10 mil.
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O anúncio oficial dos ganhadores e entrega dos prêmios será no dia 25 de novembro. Para marcar o encerramento da edição 2010, uma exposição com cerca de 130 fotos e trabalhos em vídeos, celulares e em outros suportes será montada no Espaço cultural Porto Seguro, mesmo local onde estiveram 40 fotos de Luiz Braga. A mostra ficará em cartaz de 26 de novembro a 23 de janeiro.

A edição 2010 premiou também Adriana Medeiros, Alberto Simon, Claudio Edinger, Clovis Loureiro Coletivo Guimarães, Coletivo SX70, Esteves Trindade, Dirceu Maués, Edouard Fraipont, Fabio de Abreu Feijó, Gustavo Pellizzon, Isaumir Nascimento, Julio Bittencourt, Lucas Zappa, Nego Miranda, Paulo Mancini, Simone Pazzini, Suely Nascimento, Tom Lisboa, Zé Barreta. Cada um vai receber R$ 2 mil e seus trabalhos também serão exibidos na mostra.

O Prêmio Porto Seguro Fotografia foi criado para estimular a produção cultural brasileira, com ênfase na preservação e documentação do patrimônio, por meio da linguagem fotográfica. Tem patrocínio da Porto Seguro Seguros e apoio da Lei Federal de Incentivo à cultura. A escolha dos vencedores ficou por conta de Ana Maria Belluzzo (professora e crítica de artes visuais), Cildo Oliveira (artista plástico e curador do prêmio) e pelos fotógrafos Cristiano Mascaro e Walter Firmo. Essa comissão avaliou 24.990 trabalhos, que chegam a ser quase o triplo de 2009, encaminhados por quase o dobro de inscrições registradas ano passado.

"Ao chegar ao ponto de ser percebida como manifestação fundamental na sociedade contemporânea, a fotografia tornou-se, consequentemente, vital para as artes. No processo de seu desenvolvimento, além da técnica, foi reconhecida como linguagem, com seus sistemas de códigos, sua gramática e sua estética particular. É essa condição que vimos premiada na atual edição da mostra", define o curador do Prêmio Porto Seguro Fotografia, Cildo Oliveira. [2]


Para ele, num cenário de "novas formas expressivas", a fotografia antes "vista como manifestação periférica" alcança agora uma posição privilegiada e desempenha papel fundamental no desenvolvimento do circuito artístico. "A arte fotográfica não somente emulou e dilatou métodos e práticas de outros meios de expressão, como exerceu ascendência generativa e integrante sobre a arte contemporânea, com o alargamento do campo da fotografia da experimentação", justifica.
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http://www.segs.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=24616:premio-porto-seguro-fotografia-2010-divulga-ganhadores-&catid=45:cat-seguros&Itemid=324
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AMÁLIA canta " LÁ VÃO AS FLÔRES " e com elas meus amores ( cantigas amigo )


Paio Gomes Charinho
(Adaptação de Natália Correia)
Fontes Rocha
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As flores do meu amigo
Briosas vão no navio
Lá vão as flores
E com elas os meus amores
Foram-se as flores
E com elas os meus amores
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As flores do meu amado
Briosas leva-as o vento
Lá vão as flores
E com elas os meus amores
Foram-se as flores
E com elas os meus amores
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Briosas vão no navio
Na armada irão seguindo
Lá vão as flores
E com elas os meus amores
Foram-se as flores
E com elas os meus amores
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Briosas leva-as o barco
Para lutar no fossado
Lá vão as flores
E com elas os meus amores
Foram-se as flores
E com elas os meus amores
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Na armada irão seguindo
Servir meu corpo garrido
Lá vão as flores
E com elas os meus amores
Foram-se as flores
E com elas os meus amores
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Para lutar no fossado
Servir meu corpo louvado
Lá vão as flores
E com elas os meus amores
Foram-se as flores
E com elas os meus amores.
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http://amalia-fado.blogspot.com/2009/12/la-vao-as-flores.html
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As palavras interditas - Eugénio de Andrade


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saritammoreira | 19 de Janeiro de 2008 | 6 utilizadores que gostaram deste vídeo, 4 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Exercício de stopmotion realizado na disciplina de Laboratório de Som & Imagem do curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação da UP. Fotografia + Caixa de música (reverse mode).
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Eugénio de Andrade 

As Palavras Interditas
 
Os navios existem e existe o teu rosto 
encostado ao rosto dos navios.  
Sem nenhum destino flutuam nas cidades, 
partem no vento, regressam nos rios. 
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Na areia branca, onde o tempo começa, 
uma criança passa de costas para o mar. 
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.  
É preciso partir, é preciso ficar. 
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Os hospitais cobrem-se de cinza. 
Ondas de sombra quebram nas esquinas. 
Amo-te... E abrem-se janelas 
mostrando a brancura das cortinas.
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As palavras que te envio são interditas 
até, meu amor, pelo halo das searas;  
se alguma regressasse, nem já reconhecia 
o teu nome nas minhas curvas claras.
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Dói-me esta água, este ar que se respira,  
dói-me esta solidão de pedra escura, 
e estas mãos noturnas onde aperto  
os meus dias quebrados na cintura. 
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E a noite cresce apaixonadamente. 
Nas suas margens vivas, desenhadas,  
cada homem tem apenas para dar 
um horizonte de cidades bombardeadas.
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http://www.revista.agulha.nom.br/eda01.html
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Exposição de Darcy Ribeiro mostra talento como fotógrafo


19/11/2010 13:55,  Por Redação, do Rio de Janeiro
O mestre Darcy Ribeiro fotografou momentos lúdicos na vida dos índios
O mestre Darcy Ribeiro fotografou momentos lúdicos na vida dos índios
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Uma exposição a ser inaugurada na próxima segunda-feira no Rio mostra o talento menos conhecido do antropólogo, escritor e político Darcy Ribeiro (1922-1997), ao revelar seu lado fotógrafo. Entre as décadas de 40 e 50, ele viveu entre os índios Urubu-Kaapor, na Amazônia, e Kadiwéu, no Pantanal, e produziu cerca de 3 mil imagens. As fotos, arquivadas no Museu do Índio e na Fundação Darcy Ribeiro, no Rio, apresentam um acurado senso estético e o domínio dos efeitos de luz e sombra nas fotografias intocadas por mais de quatro décadas no acervo das instituições.
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A mostra, promovida pelo Ministério da Cultura, com curadoria do antropólogo Milton Guran, exibe 50 fotos, a maioria delas inédita. Darcy usava a fotografia como instrumento de pesquisa, um recurso aplicado por etnólogos desde o início do século XX. Já o francês Claude Lévi-Strauss também fotografou índios brasileiros e aspectos da cidade de São Paulo na década de 1930.
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Ao ingressar na carreira política e ser eleito como senador e vice-governador do Estado do Rio, além de candidato a vice-presidente na chapa do então governador Leonel de Moura Brizola, Darcy Ribeiro deixou a carreira de fotógrafo para se transformar em um dos grandes líderes brasileiros do século passado, com destaque para sua atuação como educador.
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A mostra permanece em cartaz na Caixa Cultural Rio de Janeiro, de 22 de novembro a 30 de dezembro. A entrada é franca.
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.http://correiodobrasil.com.br/exposicao-de-darcy-ribeiro-mostra-talento-como-fotografo/191848/
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ANTROPOLOGIA

Exposição mostra fotos inéditas de Darcy Ribeiro



Darcy_ribeiro
Exposição que será inaugurada na próxima segunda (22) no Rio chama a atenção para o lado menos conhecido do antropólogo, escritor e político Darcy Ribeiro (1922-1997): o de fotógrafo. Entre as décadas de 40 e 50, ele viveu entre os índios Urubu-Kaapor, na Amazônia, e Kadiwéu, no Pantanal, e produziu cerca de 3 mil imagens.

As fotos estão arquivadas no Museu do Índio e na Fundação Darcy Ribeiro, no Rio, e são intrigantes em dois aspectos. Primeiro por revelar o apurado senso estético e domínio da fotografia. Depois, por estarem há décadas disponíveis em acervos públicos, e ainda assim permanecerem intocadas.

Na mostra, promovida pelo Ministério da Cultura e com curadoria do antropólogo Milton Guran, serão exibidas 50 delas, quase todas inéditas. Ribeiro usava a fotografia como instrumento de pesquisa, prática comum a etnólogos desde o princípio do século passado.

O francês Claude Lévi-Strauss, por exemplo, fotografou índios brasileiros e aspectos da cidade de São Paulo na década de 1930. A produção fotográfica de Ribeiro acabou em segundo plano depois que ele ingressou na carreira política como ministro, governador e senador, e tornou-se um dos grandes pensadores da educação.

A exposição ocorre na Caixa Cultural Rio de Janeiro, de 22 de novembro a 30 de dezembro, com entrada franca.
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Fotógrafo

Dois mil negativos do antropólogo Darcy Ribeiro são descobertos e viram exposição

Plantão | Publicada em 19/11/2010 às 10h17m
Karla Monteiro
Darcy Ribeiro com índios Kadiwéu, Mato Grosso do Sul, 1947. Foto Berta Ribeiro
RIO - Milton Guran achou um tesouro. Foi assim: em agosto, o fotógrafo e antropólogo recebeu um convite do Museu do Índio para fazer a curadoria da mostra "Primeiros contatos - Atrações e pacificações do SPI". Para tal missão, teria que fuçar o arquivo de mais de 20 mil fotografias do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão que antecedeu a Funai. Mexe e remexe, Guran se deparou com um belíssimo material - cerca de dois mil negativos - que chamou a sua atenção. O autor? Darcy Ribeiro. Extasiado com a descoberta, ele trabalhou freneticamente para montar a exposição "O olhar preciso de Darcy Ribeiro", que abre segunda-feira na Caixa Cultural. O próximo passo é um livro, previsto para 2011. 
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Veja fotos da exposição

- Encontrei um conjunto de fotos de autoria do Darcy perdido entre milhares de documentos. São fotos excepcionais. Já trabalhei na Funai e já trabalhei no Museu do Índio, que hoje guarda o arquivo do SPI. E nunca soube da existência dessas fotos - diz Guran. - O Darcy foi um antropólogo, um educador, um romancista, um político. Mas o que nos interessa é o brasileiro que pensou o Brasil. O importante nas fotos é o olhar dele. 
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Mostrando cópias das 50 fotos selecionadas para exposição, Guran se admira com a excelência, a beleza, a humanidade do trabalho: 
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- Está aqui o olhar instrumentalizado da antropologia, que busca indicativos da construção da cultura. Mas o Darcy extrapolou isso. Ele estabeleceu uma ligação fraterna, de igual para igual, com os índios. Trata-se de uma fotografia humanista. Um diálogo visual do Darcy com os seus amigos. 
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A exposição "O olhar preciso de Darcy Ribeiro" faz parte da série de eventos "Brasilidade", capitaneada pelo Ministério da Cultura. A fotos que integram a mostra foram tiradas entre 1947 e 1951, em três comunidades indígenas: kadiwéu, urubu-ka'apor e oafayé. Na tribo dos kadiwéu, o antropólogo realizou a sua primeira pesquisa de campo, como etnólogo do SPI. Com os urubu-ka'apor, trabalhou por dois anos, em duas grandes expedições. Entre os oafayé, ficou só um mês, mas produziu o único registro fotográfico histórico dessa tribo, hoje com apenas 60 representantes.
- O acervo do SPI tem uma importância extraordinária, tanto que em 2008 passou a integrar o programa Memória do Mundo, da Unesco. O trabalho do Darcy, além do valor documental, tem valor fotográfico - diz Guran. 
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http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2010/11/19/dois-mil-negativos-do-antropologo-darcy-ribeiro-sao-descobertos-viram-exposicao-923053659.asp
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