Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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terça-feira, 7 de março de 2017

Como era Portugal quando a RTP entrou na nossa vida




João Villaret numa das emissões da RTP no primeiro ano da televisão
Foto Arquivo


Uma ida à praia em 1957, em Quarteira, Algarve
Foto Arquivo


A chegada de Isabel II, no Cais das Colunas, em Lisboa
Foto Arquivo


Obras para a construção do metro no Marquês de Pombal, em Lisboa
Foto Arquivo


Feira de São Martinho, em Penafiel
Foto Arquivo


Festa das Vindimas na sede do Rancho Infantil de Matosinhos
Foto Arquivo


O desfile da Queima das Fitas do Porto
Foto Arquivo


Casal de namorados na Feira de São José, em Matosinhos
Foto Arquivo

Sessenta anos depois, o país mudou bastante. Nos hábitos, na saúde e sociedade e na realidade financeira. Aqui fica um retrato de um país quando a RTP entrou, enfim, na nossa casa...

Pouco mais de 8,5 milhões de portugueses, mas uma taxa de natalidade que nos faz hoje corar de vergonha: 215 mil nascimentos por ano contra os 85 mil que as estatísticas oficiais registaram em 2015. Era assim Portugal em 1957: apenas 9,5% dos rebentos nasciam fora dos casamentos. Hoje são a maioria (50,7%, de acordo com os dados da Pordata). Uma taxa de mortalidade infantil de 77,5 óbitos de crianças por cada mil nados vivos (em contraponto com os 2,9 da atualidade) e esperança média de vida de 60 e 66 anos para homens e mulheres, respetivamente, muito aquém dos 77 e 83 anos estimada nos dias de hoje.

Nesse ano, a inflação fixou-se nos 1,43%. O produto interno bruto estava abaixo do 30 mil milhões, a léguas dos 185 mil milhões que o INE apurou para 2016.

Quando a caixa mágica entrou definitivamente na vida dos portugueses, um recetor de TV custava entre 5900 e 7800 escudos (entre 30 e 39 euros), um valor equivalente a nove meses de salário de um trabalhador não qualificado. Júlio Isidro, 72 anos e 57 de carreira, o mais antigo profissional de televisão português no ativo ("e provavelmente o que tem mais tempo de vida profissional em toda a Europa"), era um dos sortudos com televisão em casa. "Por causa de circunstâncias caricatas. A minha avó tinha sido fiadora de uma loja de eletrodomésticos. O homem fugiu e não pagou aos fornecedores. A minha avó lá teve de pagar as contas e ficou proprietária da loja. Portanto, fomos lá buscar um televisor. Um Nordmende, alemão, claro", recorda ao DN.

A visita da rainha Isabel II de Inglaterra a Portugal, em fevereiro, já tinha sido o primeiro grande teste à capacidade de mobilização dos profissionais da RTP. Durante os quatro dias de visita oficial, a monarca "mereceu da RTP as honras de um jornal diário que lhe era integralmente dedicado", relata Vasco Hogan Teves, o biógrafo oficial da RTP no livro do cinquentenário da empresa.

Chegou, enfim, o dia 7 de março. A primeira emissão regular da RTP começou às 21.30. Três minutos depois, o chefe dos serviços de produção, Domingos de Mascarenhas, fez uma alocução sobre o "Presente e o Futuro da RTP". Canções a Granel, um espetáculo de variedades apresentado por Raul Solnado, com Maria de Lurdes Resende, entre outros artistas convidados, durou 20 minutos, antes do noticiário. Após um intervalo, os jogos de futebol militar comentados por Lança Moreira (22.25), o documentário A TAP por Dentro (22.40), o bailado Os Enganos do Amor (23.00) e um último bloco noticioso (23.25) completaram a emissão.

"Em minha casa jantava-se religiosamente às 20.00. Naquele dia, logo a seguir, a empregada levantou a mesa, arredou a mesa, alinhou as 12 cadeiras lado a lado, como se fosse um teatro, e sentámo-nos todos a ver a emissão", recorda Júlio Isidro, cuja carreira televisiva haveria de começar logo três anos depois, no Programa Juvenil, ao lado de Lídia Franco e João Lobo Antunes.

O apresentador recorda que a emissão "foi vista de luz apagada". "Estávamos lá todos: o meu pai no meio, os avós, a criançada num canto e a vizinha de cima", lembra ao DN, acrescentando que o "fascínio da televisão" já tinha começado meses antes, aquando das emissões experimentais, em setembro de 1956. "Morava na João Crisóstomo, paredes meias com a antiga Feira Popular. Tinha 11 anos e, como as crianças não pagavam, aproveitava a chegada de casais, pedia-lhes para me darem a mão e entrava à socapa."

Percorra a galeria de imagens acima para ver vários momentos do dia-a-dia do país em 1957

http://www.dn.pt/sociedade/interior/como-era-portugal-quando-a-rtp-entrou-na-nossa-vida-5708655.html

sexta-feira, 3 de março de 2017

"Tempo depois do Tempo" - Alfredo Cunha

O mundo a preto e branco tal como o vê Alfredo Cunha

Os 47 anos de carreira do fotógrafo apresentam-se nas 500 imagens de "Tempo depois do Tempo" que se revelam na Cordoaria

A primeira fotografia mostra uma rapariga a assistir a um concerto de Procul Harum, em Cascais, em 1962. Foi assim que tudo começou. Alfredo Cunha era um "miúdo hippie" que gostava de fotografar. "A fotografia sempre esteve na minha vida", diz. O avô e o pai eram fotógrafos, tinham um estúdio e faziam retratos. Alfredo devia ter uns 7 anos quando começou também a fotografar, lembra-se de ir com o pai fazer casamentos. Mas quando cresceu e se tornou um "miúdo hippie" sabia que gostava de fotografar, mas que não era bem aquilo que queria fazer. Começou por fotografar os amigos, os festivais de rock na Amadora, as viagens que fazia, o que via na rua. E depois surgiu o fotojornalismo. Primeiro ainda de forma muito incipiente no Notícias da Amadora e logo a seguir n"O Século, em 1970.

De então para cá passaram 47 anos. Dos mais de três milhões de imagens catalogadas de sua autoria, Alfredo Cunha escolheu perto de 500 para a exposição Tempo depois do Tempo, que se inaugura na sexta-feira no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, em Lisboa. Uma exposição retrospetiva que é "uma viagem no tempo", como ele mesmo diz. Demorou um ano e meio a prepará-la. Como fez a seleção? Ele sorri e responde apenas: "Com muito cuidado."

Não poderiam faltar as fotografias do 25 de Abril nem da descolonização, as imagens do Portugal profundo na crise dos anos 1980, as reportagens no estrangeiro, as festas em Vila Verde, a sua terra. Todas a preto e branco. Alfredo Cunha passou da película para o digital sem dramas e permaneceu no preto e branco por opção. "A minha linguagem, a minha forma de expressão é o preto e branco. Eu nem vejo a cores, é que não vejo mesmo, só me interessa o gradeante de cinza e mais nada."

Uma parte da exposição já esteve na Maia, no ano passado. Mas há dois núcleos novos. Há uma sala só com retratos: são 160, de Cruzeiro Seixas a José Luís Peixoto, de David Mourão Ferreira a Joana Vasconcelos, de Cunhal a Mário Soares (descalço, à secretária), de Salgueiro Maia a José Alves da Cosa, o homem que não disparou o tanque contra Salgueiro Maia, de Marcelo Rebelo de Sousa novo a Marcelo Presidente da República.

E há outra sala com o tema "Três décadas de esperança", evocando o trabalho do fotógrafo com a AMI - Assistência Médica Internacional, que o levou a sítios como o Haiti, o Sri Lanka, o Nepal, Bangladesh... "Um grande trabalho feito por conta de uma organização humanitária e não por um jornal, porque os jornais agora já não estão interessados nestes trabalhos", diz, sem esconder a desilusão.

Alfredo Cunha trabalhou na agência Lusa, no Público, na Visão, Comércio do Porto, Tal & Qual, 24 Horas, Jornal de Notícias, Global Media. Até 2012. "Já não sou jornalista", diz, para mais tarde corrigir: "Eu saí do jornalismo, mas o jornalismo não saiu de mim. Fui muito feliz no jornalismo, fiz muitas coisas e deu-me bagagem para agora ter projetos editoriais e fotográficos meus."

Projetos não faltam. A 1 de abril vai lançar, ali mesmo, no cantinho da Cordoaria onde estão as fotografias de Fátima, um livro dedicados aos 100 anos das aparições. Na Feira do Livro apresenta um outro livro sobre Mário Soares, que acompanhou durante 12 anos. Pelo meio há de voltar à Índia e depois irá a Cuba e ao Brasil, em outubro regressa à Guiné.

Alfredo Cunha tem 64 anos e continua a trazer sempre ao ombro a mala castanha onde carrega as máquinas fotográficas. E nunca esquece o que o pai lhe dizia: "Guarda tudo, fotografa bem, não sejas vulgar e faz coisas compreensíveis, para ti e para o resto das pessoas." "Esta exposição", diz, "é o resultado um bocado dos conselhos do meu pai, ele tinha um conceito muito utilitário da fotografia e encarava a vida dessa maneira. Eu tentei seguir esses conselhos. E embora tenha preocupações de ordem social, sou sempre muito otimista, acho que as coisas vão sempre melhorar."

http://www.dn.pt/artes/interior/o-mundo-a-preto-e-branco-tal-como-o-ve-alfredo-cunha-5696199.html

Alfredo Cunha fez uma "viagem no tempo" para mostrar o poder da fotografia


 | País
Porto Canal com Lusa


Lisboa, 01 mar (Lusa) - O fotógrafo Alfredo Cunha fez uma "viagem no tempo", de 1970 até à atualidade, para mostrar o poder "cada vez mais forte" da fotografia, numa exposição com 480 imagens que percorre a sua carreira, em Portugal e pelo mundo.

"Foi uma viagem no tempo. A última foto foi feita há cerca de 15 dias. Há aqui muitos trabalhos inéditos, que, por um motivo ou outro, não foram mostrados", disse, numa entrevista à agência Lusa.

Intitulada "Tempo depois do tempo. Fotografias de Alfredo Cunha 1970-2017", a retrospetiva partiu de um convite da EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, e é inaugurada na sexta-feira, às 19:00, na Galeria Municipal do Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, em Lisboa.

É a maior exposição que Alfredo Cunha já fez, com imagens que evocam momentos históricos em Portugal, desde o 25 de Abril, o país, rural, profundo, o santuário de Fátima, e também as ex-colónias portuguesas, a descolonização, os retornados.

"O 25 de Abril, para mim, parece que foi ontem. As pessoas falam, por vezes, da Revolução, com uma distância que eu não consigo ter. Já fiz palestras para pessoas que não fazem a mínima ideia do que foi esse momento", comentou, sobre as históricas fotos daquele dia, com o capitão Salgueiro Maia, soldados, populares.

Fazer a seleção de imagens "foi muito difícil", confessou Alfredo Cunha, de 63 anos, à agência Lusa.

"Inicialmente tinha 5.000 fotografias, e todos os dias me lembro de fotografias que não entraram", referiu, comentando que, das 500 finais, acabaram por ficar 480, "por falta de espaço".

Fora do país, trabalhando para jornais, esteve nas ex-colónias, na Roménia, no Iraque e, mais tarde, nos 30 anos da Assistência Médica Internacional, percorreu países como o Níger, o Bangladeche, a Índia, o Haiti, o Sri Lanka, a Guiné-Bissau e o Nepal.

Escolher as fotos mais importantes é também muito difícil para Alfredo Cunha: "As minhas favoritas são umas 150. Podia referenciar a Guiné, os refugiados, o 25 de Abril, a descolonização. Mas ficam tantas pequenas histórias por contar, que são tão importantes".

Acaba por destacar uma foto que fez em Moçambique, com um menino, o Jeremias, que vivia com cerca de 50 cães, por baixo do Cinema Império.

"Foi um trabalho que fiz 1993, para o jornal Público, com o jornalista César Camacho, já falecido. Chamava-se 'Jeremias os Cães e a Guerra'. É uma das fotografias que mais me tocam", indicou, entre muitas.

Na mostra há também muitos inéditos, sobretudo na secção "Retratos", com personalidades da política, como Marcelo Rebelo de Sousa, Mário Soares, Ramalho Eanes, e da cultura, como os escritores José Saramago e António Lobo Antunes, o ensaísta Eduardo Lourenço, o pintor Nadir Afonso, o compositor Bernardo Sassetti e, a mais recente, "feita há 15 dias", da historiadora de arte Raquel Henriques da Silva.

"Esta exposição estava parcialmente feita, e eu completei-a exatamente com esta secção, dos retratos, com muitos inéditos, parte de um trabalho que vou publicar no próximo ano", revelou.

Alfredo Cunha é a terceira geração de uma família de fotógrafos: "Começou com o meu avô, Alfredo Cunha, depois o meu pai, António Cunha. Para mim é uma tradição de família, que está comigo desde os sete, oito anos", disse o fotógrafo, que começou a fazer fotografia com o pai.

"É uma coisa que está comigo desde sempre. Não imagino não ser fotógrafo", comentou, acrescentando que não utiliza muito o termo fotojornalista.

"Eu era um jornalista que fazia fotografia. Vivi sempre nos jornais. Hoje já não estou nos jornais, mas os jornais não saíram de mim", sublinhou o fotógrafo, acrescentando que "o poder da imagem continua a ser cada vez mais forte, e com uma nova geração de fotógrafos fantástica. Do melhor".

Parte da coleção de fotografia de Alfredo Cunha encontra-se no Centro Português de Fotografia do Porto e no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, de que é o maior doador, tendo contribuído com mais de 500 fotografias em papel e mais de 5.000 digitalizadas.

AG // MAG
Lusa/Fim

http://portocanal.sapo.pt/noticia/115880/

500 fotografias da vida de Alfredo Cunha para ver na Cordoaria

26 fev, 2017 - 10:53
Da revolução de Abril à descolonização, exposição retrospectiva de cinco décadas de carreira de Alfredo Cunha apresenta imagens que ficaram na história do país, mas também retratos das expedições fotográficas realizadas noutros pontos do planeta em situações difíceis.

Uma exposição com mais de 500 fotografias de Alfredo Cunha, que cobrem quase 50 anos de trabalho, é inaugurada a 3 de Março na Galeria Municipal do Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, em Lisboa.
Intitulada "Tempo depois do tempo. Fotografias de Alfredo Cunha 1970-2017" a retrospectiva apresenta diversas imagens que ficaram na história do país ainda antes do 25 de Abril de 1974, de acordo com a organização, a cargo das Galerias Municipais de Lisboa.
Momentos que ficaram na memória colectiva dos portugueses, como as imagens do capitão Salgueiro Maia no dia da Revolução dos Cravos, ou dos contentores chegados das ex-colónias africanas portuguesas ao Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, vão ser integradas nesta exposição.

Salgueiro Maia, durante o 25 de Abril. Foto: Alfredo Cunha
Ao longo de 47 anos, Alfredo Cunha captou, não só factos históricos como rostos anónimos pelo mundo inteiro: a queda do ditador Nicolae Ceausescu, na Roménia (em 1989), a guerra no Iraque, país onde esteve em 2003 e ao qual regressou várias vezes na última década.
Em 2012 tornou-se fotojornalista freelancer e participou no projecto comemorativo dos 30 anos da Assistência Médica Internacional "Três Décadas de Esperança", que o levou a percorrer países como o Níger, a Roménia, o Bangladesh, a Índia, o Haiti, o Sri Lanka, a Guiné-Bissau e o Nepal.

Funeral em Bucareste, na Roménia (1999). Foto: Alfredo Cunha
No quadro destas viagens criou o livro "Toda a esperança do mundo", tendo também publicado reportagens nos jornais Expresso e Público.
Nascido em 1953, em Celorico da Beira, neto e filho de fotógrafos, Alfredo Cunha foi cedo influenciado pelo pai António, que começou a levá-lo a fotografar casamentos com cerca de 10 anos.

Mãe e filho, no Níger, um dos países mais pobres do mundo, onde há aldeias de escravos (2014). Foto: Alfredo Cunha
O seu trabalho também foi inspirado na obra de fotógrafos como Philip John Griffiths, Eugene Smith, Cartier-Bresson, Ferdinando Scianna, James Natchwey, Eugene Richards, Cristina Garcia Rodero e Josef Koudelka.
Reconhecido pela crítica como um dos maiores fotojornalistas da actualidade, foi distinguido com prémios nacionais e internacionais, entre as quais a Comenda do Infante D. Henrique, em 1995.

Vindimas no Douro (1997). Foto: Alfredo Cunha
Parte da sua colecção encontra-se no Centro Português de Fotografia do Porto e no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, de que é o maior doador, tendo contribuído com mais de 500 fotografias em papel e mais de 5.000 digitalizadas, segundo o comunicado das Galerias Municipais.
Alfredo Cunha iniciou em 1970 a sua carreira profissional em fotografia publicitária e comercial e, no ano seguinte, em 1971, a carreira de fotojornalista no "Notícias da Amadora".

Vila Verde (1999). Foto: Alfredo Cunha
Trabalhou para o jornal "O Século" e para "O Século Ilustrado" (1972), na Agência de Notícias Portuguesa - ANOP (1977), nas agências de Notícias de Portugal (1982) e Lusa (1987).
Adicionalmente, trabalhou no jornal "Público" como fotógrafo e editor entre 1989 e 1997, na revista semanal "Focus", na RTP, no "Jornal de Notícias" e na "Global Imagens".

Guiné Bissau (2015). Foto: Alfredo Cunha
Publicou diversos livros de fotografia entre os quais "Raízes da Nossa Força" (1972), "Vidas Alheias" (1975), "Disparos" (1976), "Naquele Tempo" (1995), "O Melhor Café" (1996), "Porto de Mar" (1998), "Cuidado com as crianças" (2003), "Cortina dos Dias" (2012), "O grande incêndio do Chiado" (2013), "Os rapazes dos tanques" (2014) e "Felicidade" (2016).
A retrospectiva - organizada por décadas e em núcleos, desde o nacional, internacional, retratos e AMI - vai ser inaugurada no dia 3 de Março, às 19h00, e ficará patente até 25 de Abril.
http://rr.sapo.pt/noticia/77071/500_fotografias_da_vida_de_alfredo_cunha_para_ver_na_cordoaria


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Por PÚBLICO
A retrospectiva do fotojornalista Alfredo Cunha (n.1953, Celorico da Beira) compreende mais de três centenas de trabalhos produzidos ao longo de 46 anos – um conjunto de imagens que ilustram a sua carreira, mas também momentos marcantes da História portuguesa.

http://lazer.publico.pt/exposicoes/361696_tempo-depois-do-tempo-fotografias-1970-2016


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

As 100 fotografias mais influentes de sempre (segundo a Time)

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Ana Kotowicz 16.12.2016 / 17:13 


A ideia era fazer mais uma lista. Mas à medida que a equipa editorial da revista ia falando com historiadores percebeu que a tarefa era complexa A seguir Mais vistas FOTOGALERIA As 100 fotografias mais influentes de sempre (segundo a Time) INOVAÇÃO 8 carros do futuro que o vão fazer sonhar FOTOGALERIA Tudo o que a Google sabe sobre si RETALHO Francesa Kiabi vai investir 13 milhões e criar 400 empregos RIQUEZA Oito bilionários têm a mesma riqueza que metade do mundo Ben Goldberger, Paul Moakley e Kira Pollack só queriam fazer uma lista. Mas rapidamente perceberam que fazer a das 100 fotografias mais influentes de sempre não era tarefa fácil. Conversaram com historiadores, editores de fotografia e curadores, espalhados por todo o mundo, e o resultado final é uma seleção fotográfica que vai de 1826 a 2015 (189 anos). O projeto da revista americana Time está online há um mês, desde 17 de novembro, e a escolha das 100 imagens mais influentes de sempre pode ser vista no site  - http://100photos.time.com/

Há fotos de Abraham Lincoln, Winston Churchill, Gandhi, Che Guevara, JFK e Jackie Kennedy e uma série de outras personalidades. Imagens históricas da Guerra do Vietname, da Alemanha nazi, do massacre de Munique ou da Praça Tiananmen. E de avanços tecnológicos e científicos: a primeira imagem da Terra vista do céu, o homem na lua, a primeira imagem tirada com um telemóvel e partilhada via internet, as primeiras imagens de um feto dentro do útero. Muitas das imagens ali mostradas tornaram-se ícones e grande parte delas documentam alguns dos momentos mais violentos da história da Humanidade. O que fez com que fossem escolhidas e que uma lista de imagens se tornasse uma forma de documentar três séculos da história do homem? “Não há uma fórmula para tornar uma imagem influente. Algumas estão na nossa lista porque foram as primeiras do género, outras porque moldaram a nossa forma de pensar. E outras porque mudaram a forma como vivemos. O que todas as 100 partilham é que foram pontos de viragem na nossa experiência enquanto humanos.” Esta explicação é assinada pelos editores da revista Ben Goldberger, Paul Moakley e Kira Pollack. Uma das coisas que perceberam ser fundamental para a influência da imagem é que “o fotógrafo tinha de estar lá”. A questão não é, obviamente, uma presença física no local é uma presença enquanto portador de um testemunho, “uma forma de trazer uma visão única para um mundo maior”. - 

Veja mais em: https://www.dinheirovivo.pt/fotogaleria/galeria/as-100-fotografias-mais-influentes-de-sempre-segundo-a-time/#sthash.yPKg8Sft.dpuf

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Casa-estúdio Carlos Relvas: um templo dedicado à fotografia



A Casa-estúdio esteve fechada durante todo o século XX   |  GUSTAVO BOM / GLOBAL IMAGENS



No Dia Mundial da Fotografia, o DN visita "o mais perfeito estúdio fotográfico do mundo", que fica a cem quilómetros de Lisboa

"O mais perfeito estúdio fotográfico do mundo está na Golegã, em Portugal, e foi construído pelo senhor Carlos Relvas." A tradução livre dos pergaminhos apresentados em francês pela guia Elvira durante a visita à Casa-Estúdio Carlos Relvas não deixa quaisquer dúvidas sobre o pioneirismo desse homem do Ribatejo. E o recurso à língua francesa nada tem a ver com o facto de ser esta a nacionalidade que mais procura conhecer este espaço, a cem quilómetros de Lisboa, antes com a forma como foi referido em várias revistas, jornais e tratados de fotografia em França, após a sua apresentação na Grande Exposição Internacional de 1889 (aquela em que foi inaugurada a Torre Eiffel e foram mostradas as grandes inovações tecnológicas da segunda metade do século XIX).




Um dos inúmeros autorretratos de Carlos Relvas, alguns mais de pose, solenes, outros mais excêntricos, como este

O edifício em si foi apresentado, através de fotografias, como uma grande invenção, e a Sociedade Francesa de Fotografia, na altura o grupo mais elitista a nível de fotógrafos do mundo e ao qual Carlos Relvas pertencia desde 1869, reconhece isso mesmo, atribuindo-lhe a Medalha de Ouro. Uma entre várias do percurso deste ribatejano, nascido em novembro de 1838, que logo no início da década de 1860 se começa a interessar pela fotografia.

Filho de um abastado proprietário da Beira Interior que se instalara com sucesso no Ribatejo, logo fez um primeiro estúdio no local da atual casa, "onde começa a fazer experiências". Por isso, quando em 1871 "se lança de alma e coração a realizar esta casa, sabe o que quer".




A imensa galeria envidraçada onde Carlos Relvas fotografou tantos mendigos como a realeza  |  GUSTAVO BOM / GLOBAL IMAGENS


Trinta e três toneladas de ferro fazem a estrutura da casa de dois pisos, que no andar superior da fachada nascente é completamente revestida a vidro - paredes e telhado. No interior desta grande galeria envidraçada, um sistema de cordas permite mexer as cortinas por forma a que Carlos Relvas pudesse tirar o maior proveito possível desse flash natural que é o sol. Pelo contrário, no piso térreo, são poucas as janelas, "correspondendo à outra parte necessária para a realização da fotografia: a preparação dos negativos, com as câmaras escuras e claras e os laboratórios".

Na fachada virada para o jardim, Elvira assinala alguns pormenores decorativos: os bustos dos franceses Daguerre e Niépce, dois pioneiros da fotografia mundial, réplicas de medalhas que Carlos Relvas ganhou e, sobre o lado direito, um anjo, com uma máquina fotográfica debaixo do braço. "Uma clara alusão ao desejo de Carlos Relvas de elevar a fotografia a arte principal, num momento em que está a nascer e ainda não se pode comparar com as outras artes clássicas", afirma.

Ele que se assume sempre como fotógrafo amador, ou seja, que não ganha dinheiro com a fotografia, "inventando, inclusivamente, um papel onde vai imprimir diretamente as suas imagens" ou ainda uma "lanterna mágica" que funcionava a velas e que servia para projetar os cenários que precisava para os inúmeros retratos e autorretratos que realizou na imensa galeria do primeiro andar. Foi aí que Carlos Relvas fez o retrato tanto de mendigos como da rainha D. Maria Pia. Os cenários, que subiam e desciam como no teatro e na ópera, já lá não estão, mas ainda são apresentados alguns dos adereços e material fotográfico que há mais de cem anos era do mais moderno que existia, vindos diretamente de Paris.

Não são muitas as fotografias expostas, mas lá está a da Casa-Estúdio, realizada por Carlos Relvas em 1876, e que lhe valeu a medalha de ouro em Paris em 1889 ou ainda uma fotografia de exterior, de 1868, com pessoas e animais. Uma raridade, explica a guia, face às dificuldades técnicas existentes: seria necessário manter a posição por cerca de três minutos para que o colódio, a mistura química então usada, fixasse a imagem nas placas de vidro. Placas que são mais de 12 mil no espólio da casa-estúdio, "uma das maiores coleções da Europa em termos de fotografia e testemunho histórico e artístico deste período inicial da história da fotografia que só começou a ser estudada depois de a Casa-Estúdio abrir como museu, a 20 de abril de 2007", sublinha a guia.

"Mas estimamos que tivessem chegado a ser mais do dobro", refere, lembrando que a casa esteve fechada durante todo o século XX, tendo deixado de ser utilizada após a morte de Carlos Relvas, em 1894.



 http://www.dn.pt/artes/interior/casa-estudio-carlos-relvas-um-templo-dedicado-a-fotografia-5345427.html


Visita Guiada ao Estúdio de Fotografia de Carlos Relvas (Golegã) - Portugal  









Exposição - "Carlos Relvas - Objects of Eternity"



sábado, 12 de fevereiro de 2011

Depoimentos: Gérard "tratou a fotografia como uma grande arte"

12.02.2011 - 19:07 Por Lusa, Sérgio C. Andrade, Ana Machado, Sérgio B. Gomes


Um bom conversador, lembra Rui Prata, comissário dos Encontros da Imagem de Braga. Um homem enérgico, lembra Sérgio Mah, comissário da participação portuguesa na Bienal de Veneza sobre a figura de Gérard Castello -Lopes. Em comum assinalam também a perda de uma figura importante da fotografia portuguesa, apesar do nome que carregava o ligar ao cinema. Gérard Castello-Lopes morreu hoje, em Paris, aos 85 anos. Tinha "uma doçura no olhar", lembra António Barreto.
Gérard Castello-Lopes 
Gérard Castello-Lopes (David Clifford/arquivo)

António Barreto, sociólogo
"É seguramente o mais interessante fotógrafo português do século XX. Um dos mais, pelo menos. Pela linguagem e pelo estilo próprios. Pela doçura do olhar. Pela ironia da expressão. Pela qualidade estética. Pela beleza das imagens. Pelo rigor formal. Pela humanidade dos seus temas. Pela independência de espírito. Pela cultura sólida. Deixa-nos uma obra de reduzidas dimensões, várias vezes interrompida no tempo, mas de excepcional valor de testemunho de uma sociedade. A sua Lisboa dos anos cinquenta, retratada com sentido ao mesmo tempo poético e realista, adquiriu valor patrimonial. As pessoas que então fotografou figuram para sempre numa galeria histórica de personagens. Mais tarde, já nos anos oitenta e noventa, teve nova vida, sentiu-se atraído por novos temas e foi capaz de adaptar a sua linguagem, sem nunca perder o seu traço. Com vagar, sem voracidade, Gérard não metralhava, compunha. Assim tratou a fotografia como uma grande arte."

Sérgio Mah, professor universitário e comissário da participação portuguesa na Bienal de Veneza
“Desaparece uma figura muito importante da cultura portuguesa e da história da fotografia portuguesa. Marcou com a sua sensibilidade a fotografia dos anos 1950 e a fotografia documental da segunda metade do século XX, apesar da produção irregular. Lembro-o como um homem alto, muito enérgico, muito educado, uma figura muito simpática. Percebeu e incorporou as tendências da fotografia que se iam fazendo lá fora , nomeadamente em Paris e por influencia do trabalho de Cartier-Bresson.”

Rui Prata, comissário dos Encontros da Imagem de Braga
“É uma figura importante da cultura portuguesa e muito marcante para a fotografia portuguesa que se perde. Teve um papel relevante na nossa fotografia, nas décadas de 1950 e 1960, regressando depois em força após o 25 de Abril pela mão de António Sena e da galeria Ether. Lembro, como pessoa, um bom conversador.”

António Pedro Ferreira, fotojornalista
“É uma pena que Gérard Castello-Lopes não se tenha dedicado mais à fotografia. Tinha o talento todo para construir uma obra extraordinária. Sabia que era bom, mas não teve coragem de afrontar o que a sociedade elegia para construir uma obra mais vasta. Henri Cartier-Bresson era o seu grande inspirador. Tentou imitá-lo em tudo, até nas máquinas que usava. Mas saiu da sombra do Cartier-Bresson. Quando voltou a fotografar nos anos 80 renasceu. A sua fotografia ganhou uma nova liberdade e experimentou linguagens novas. Mas creio que já foi demasiado tarde, apesar de ter contactado com o trabalho de outros fotógrafos e de estar atento ao que se fazia na altura. Ele tinha uma visão muito crítica em relação ao que se fazia na fotografia portuguesa. E costumava usar uma expressão para falar das imagens demasiado escuras que então se faziam: “A fotografia portuguesa é como fotografar um negro, no túnel do Rossio a cantar o Black is Black”. Gérard Castello-Lopes era um grande fotógrafo. Descobria a beleza na espuma de um cacilheiro. E mais do que isso, conseguia transmitir pela fotografia essa beleza. Considerou-se sempre um amador de fotografia, no sentido francês do termo. Ou seja, tinha uma relação despreocupada com a fotografia. Nunca quis, nem nunca precisou de viver dela. Há fotografias de Gérard que ficarão na história do olhar português. São grandes obras.”

Fernando Lopes, cineasta
“Teve uma grande importância para mim como fotógrafo, mas sobretudo era um grande amigo. Eu tinha-o visto há um ano e meio, mas ele já não reconhecia ninguém. Como fotógrafo, ele é um dos maiores fotógrafos portugueses do século XX, sem dúvida. E mesmo internacionalmente. A obra dele felizmente está nos museus de fotografia”.

Tereza Siza, historiadora e crítica de fotografia
“É evidentemente uma figura incontornável da história da fotografia em Portugal. É um expoente da geração – com Carlos Afonso Dias, Carlos Calvet e Sena da Silva, por exemplo – que trabalhou sem nenhuma visibilidade nos anos 50 e 60, por causa do regime de Salazar. E só viria a ser revelado na década de 80, a partir da exposição promovida pela Galeria Ether. Ele tinha uma grande paixão pelo Cartier-Bresson, mas a sua obra tem também algo mais, tem uma pureza de linhas e um sentido gráfico muito pessoais. Como pessoa, era uma figura exuberante, elegante, sedutora, que falava da sua arte com graça e grande clareza.”
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José Manuel Rodrigues, fotógrafo
“Desaparece um meu amigo íntimo, um colega com quem eu falava verdadeiramente de fotografia. Conheci-o numa exposição no Centro Cultural Gulbenkian, em Paris, em 1995. Ele exagerava sempre essa dívida relativamente a Bresson. A sua fotografia tem um carácter bem original, mesmo do ponto de vista conceptual. Ele teve várias vidas e várias actividades, mas a mais importante é como fotógrafo. Era uma pessoa com uma grande curiosidade e uma grande vontade de aprender. Passávamos horas e horas a discutir fotografia.”

Notícia actualizada às 21h04.
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Aos 85 anos

Morreu Gérard Castello-Lopes, fotógrafo 

e distribuidor de cinema

12.02.2011 - 17:09 Por Lusa

Morreu hoje em Paris o fotógrafo e distribuidor de cinema Gérard Castello-Lopes, disse um familiar à Lusa.
 
(David Clifford/arquivo)


Castello Lopes tinha 85 anos e vivia em Paris. A família ainda não decidiu se o fotógrafo será sepultado em França.

Gérard Castello-Lopes nasceu em Vichy, em 1925. Viveu em Lisboa, Cascais, Estrasburgo, onde fez parte do Corpo Diplomático da Missão Permanente de Portugal junto do Conselho da Europa. Mais tarde, fixou residência em Paris.

Licenciado em Economia pelo ISCEF acabou por se dedicar ao cinema, fotografia e crítica. Gerente da sociedade de filmes Castello-Lopes, dedica-se à fotografia a partir de 1956.

"A sua 'formação' como fotógrafo foi a de um autodidacta, como quase todos os outros fotógrafos dessa época. A sua aprendizagem não foi escolar (não havia cursos de fotografia) e baseou-se por um lado, numa natural pulsão de representar a realidade, por outro, num intenso interesse pelas outras artes plásticas ou representacionais, como a pintura, a escultura, o cinema e a própria fotografia. O método consistiu em aprender os fundamentos técnicos da fotografia - o que se aprende facilmente nos livros -, definir uma orientação sobre o "objecto" preferencial da sua actividade fotográfica (tomando Henri
Cartier-Bresson como paradigma), e cotejar continuamente o resultado do que ia produzindo com o 'corpus' fotográfico que lhe era facultado pelas revistas e livros estrangeiros da especialidade, na ausência ou na ignorância dum 'corpus' equivalente português. Na sua essência, o método foi pragmático ou, como se diz em inglês, de tentativa e erro", pode ler-se na sua síntese biográfica publicada no site da Galeria Fernando dos Santos.

Foi ainda assistente de realização do filme português "Os Pássaros de Asas Cortadas" (1962), co-autor e assistente de produção e realização, juntamente com Fernando Lopes e Nuno de Bragança, da curta-metragem "Nacionalidade: Português" (1970), presidente do júri do Instituto Português de Cinema durante o período de 1991 a 1993 e membro fundador do Centro Português de Cinema.

Foi ainda membro do Conselho Consultivo da Culturgest.

Notícia em actualização
Óbito/Gérard Castello-Lopes

Fotógrafo que viveu entre França e Portugal morre em Paris

por LusaOntem
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O fotógrafo e distribuidor de filmes Gérard Castello-Lopes, que morreu hoje, sábado, em Paris vítima de doença prolongada, foi também crítico de cinema, tendo-se iniciado no mundo da imagem como autodidata. 
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Castello-Lopes nasceu em Vichy (França), em 1925, mas viveu em Lisboa, Cascais e Estrasburgo, onde integrou o corpo diplomático da Missão Permanente de Portugal junto do Conselho da Europa. Tendo-se licenciado em economia em Lisboa, foi fotógrafo, profissional de cinema e crítico desta expressão artística, além de gerente de uma sociedade no campo do audiovisual. Dedicou-se à fotografia desde 1956, mas só em 1982 deu um impulso significativo nesta actividade. Gérard Castello-Lopes, que morreu hoje aos 85 anos, foi assistente de realização do filme português "Os Pássaros de Asas Cortadas" (1962) e de encenação de duas óperas realizadas pelo Grupo Experimental de Ópera de Câmara, que era subsidiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.
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Esteve na fundação do Centro Português de Cinema e foi coautor e assistente de produção e realização, juntamente com Fernando Lopes e Nuno de Bragança, da obra "Nacionalidade: Português", uma curta-metragem de 1970. De 1991 a 1993, presidiu ao júri do Instituto Português de Cinema, além de ter integrado o conselho consultivo da Culturgest. Como a maioria dos fotógrafos seus contemporâneos, numa época em que não havia cursos de fotografia, teve uma aprendizagem nesta área como autodidata. Interessou-se, no entanto, por outras formas de arte, como a pintura e a escultura. Na fotografia, revelou-se um seguidor dos ensinamentos técnicos de Henri Cartier-Bresson, tendo buscado muita da sua formação neste domínio em revistas e livros estrangeiros da especialidade.
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Crítico de cinema na revista "O Tempo e o Modo", de 1964 a 1966, escreveu também mais tarde, como colaborador, noutros títulos da imprensa em Portugal, como os jornais "A Tarde" e o "Semanário", de 1982 a 1984. Antes e depois do 25 de Abril de 1974, realizou dezenas de exposições individuais e participou em diversas coletivas, em Portugal e no estrangeiro. Mas foi em 1982 que este admirador do brasileiro Sebastião Salgado se relançou como fotógrafo, com uma mostra retrospetiva. "Nunca achei que era excecional ou muito bom fotógrafo. Muito bons fotógrafos foram homens como Ansel Adams, Minor-White, Henri Cartier-Bresson, Soudek, Jacques-Henri Lartigue, W. Eugene Smith, cada um no seu género, e 'pourquoi pas?', Sebastião Salgado, por quem tenho uma admiração enorme", confessava Gérard Castello-Lopes numa entrevista ao jornal Público, em 2004.
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Óbito

Foi um dos maiores fotógrafos portugueses do século XX, 

diz Fernando Lopes

por LusaOntem

O cineasta Fernando Lopes lamentou hoje, sábado, a morte do fotógrafo Gérard Castello-Lopes, um amigo de longa data, que classificou como um dos maiores fotógrafos portugueses do século XX. 
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"Teve uma grande importância para mim como fotógrafo, mas sobretudo era um grande amigo. Eu tinha-o visto há um ano e meio, mas ele já não reconhecia ninguém... Como fotógrafo, ele é um dos maiores fotógrafos portugueses do século XX, sem dúvida", disse Fernando Lopes. "E mesmo internacionalmente - acrescentou - a obra dele felizmente está nos museus de Fotografia", acrescentou. O cineasta sublinhou ainda que a obra de Gérard Castello-Lopes, que morreu hoje em Paris vítima de doença prolongada, foi também muito importante para realizar a longa-metragem "Belarmino" (1964), sobre a vida do pugilista Belarmino Fragoso. 
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"Foi fundamental o estilo de fotografia. Ele e o Augusto Cabrita eram muito amigos e inspirámo-nos muito na fotografia dele", indicou. "Fico muito abatido com a morte dele, ele era um dos meus grandes amigos", comentou. Por sua vez, Maria João Seixas, diretora da Cinemateca Portuguesa, lamentou também a morte do fotógrafo e distribuidor de filmes que foi também crítico de cinema e se iniciou no mundo da imagem como autodidata. 
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"Lamento muito, mas já há muito tempo que eu lamento a ausência desse grande amigo, desse grande fotógrafo, desse ... homem de Cultura Chegou agora a hora dele, mas já há muitos anos que eu tinha saudades dele", disse hoje à Lusa Maria João Seixas, diretora da Cinemateca Portuguesa.
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