Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Escolas Conde Ferreira

 * Victor <Nogueira

Não estou certo que um dos edifícios por mim fotografados, em Vila do Conde, onde funciona uma esquadra da PSP, seja das instituídas pelo Conde Ferreira. Igual dúvida tenho quanto á da Pedra Furada, registada por Paulo Lobarinhas. Admito que o risco das Escolas do legado do Conde Ferreira tenha servido de modelo para outras, construídas pelo Estado até ao "plano dos centenários" (1941 / 1956)

Como resultado da população escolar, os edifícios tinham uma única sala de aulas ou duas, com diferenciação espacial dos sexos. No caso de haver apenas uma sala, nesta os alunos estavam separados. Havendo duas salas de aulas, cada sala era dedicada a cada um dos géneros.

Caldas da Rainha



Pedra Furada (Barcelos)

(Fotos Paulo Lobarinhas)


Setúbal



Avenida Luísa Todi  354, inaugurada em 1866 03 24 (Centro de Recursos Educativos e Culturais)


Vila do Conde




Avenida Dr.  Artur da Cunha Araújo, 228 (Junta de Freguesia de Vila do Conde)


Largo Dr. Cunha Reis (Esquadra da PSP)


  Escola do Sininho, -  Rua 5 de Outubro 667 / 669  

Joaquim Ferreira dos Santos, (1782 – 1866) 1.º Barão, 1.º Visconde e 1.º Conde de Ferreira, títulos nobiliárquicos concedidos pela rainha D. Maria II, filho duma família modesta de lavradores do Porto (Campanhã), cidade onde nasceu e faleceu, tendo emigrado muito novo para o Brasil, onde amealhou uma enorme fortuna, sobretudo com o tráfico negreiro entre Angola e o Brasil.

Regressado a Portugal continuou a sua actividade comercial e enriquecimento. Sem herdeiros directos, por testamento deixou a sua enorme fortuna a um grande conjunto de beneficiários, entre os quais muitos colaboradores, parentes (nomeadamente sobrinhos) e amigos, e a favor de várias instituições e fundações de beneficência e utilidade social, como a Santa Casa da Misericórdia do Porto. Numerosos hospitais e asilos beneficiaram largamente do seu testamento, instituindo, ainda, pensões e prémios para pessoas desamparadas.

Ao Estado Português doou 144 000$000 réis para construir 120 Escolas de Instrução Primária, para ambos os sexos, para cuja construção se seguiu uma planta única, pois era mais prático, económico e rápido.

Foi o grande mecenas da instrução primária em Portugal, colocando como condição que as escolas a construir o fossem em terras que fossem vilas, cabeças e sedes de concelho, e que deveriam ser feitas segundo o risco, por ele estabelecido na respectiva planta, tendo, também, comodidade para habitação dos Professores, incluindo que tivessem aposentos e habitação para residirem.

Das 120 escolas previstas no seu testamento foram construídas 91, das quais 21 foram, entretanto, demolidas. As restantes 70 continuam a funcionar para os mais diversos fins, desde ensino a serviços municipais, passando por sedes de juntas de freguesias, bibliotecas, museus municipais ou mesmo instalações de forças de segurança.

A escola Conde Ferreira, seguindo um projecto apresentado em 1866, é encimada por um pequeno frontão, que lembra um campanário, apresentando-se como contraponto da igreja, com a qual procura concorrer, sendo um símbolo do positivismo nascente, aliado do progresso e da transformação social. (Wikipedia)



quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Igrejas 89 - Capela de N. Senhora do Carmo, em Setúbal

 * Victor Nogueira

No percurso entre o antigo Largo do Carmo e a barbearia onde ia cortar o cabelo passo  pela Rua António Maria Eusébio, onde encontro aberta a porta da Capela do Carmo. Aproveito o ensejo, entro, atravesando um pequeno pátio ou adro rumo á porta do templo, em cuja entrada está afixado umn aviso determinando a obrigatoriedade de usar máscara. É um abuso, pelo que prossigo; a capela está deserta, mas pouco avanço na nave, pois duma porta lateral surge uma raparxiga de máscara. Não vale a pena entrar em discussão, pelo que de longe me limito a fotografar o altar-mor. A capela é  desgraciosa, despojada, presidida no altar-mor por uma escultura que representará a Virgem do Carmo. As paredes estão parcialmente revestidas com azulejos de padrão, até meia altura. 

A muralha medieval de Setúbal bordejava a Ribeira do Livramento (encanada sob a  Avenida 22 de Dzezembro) sendo pela Porta Nova (entretanto demolida) que se fazia a ligação aos arrabaldes do Tróino. Aí localizavam-se dois conventos, o de Jesus (feminino) e, um pouco mais a sul, o de N. Senhora do Carmo (masculino, de carmelitas calçados).

Este último foi fundado em 1598, sendo o seu primeiro prior nomeado em 1608. O terramoto de 1755 provocou grande ruína na Vila de Setúbal, que atingiu duramente o referido convento. Na sequência das Revoluções Liberais do século XIX e em resultado da extinção das ordens religiosas o edifício foi entregue á Fazenda Pública. Uma parte do mesmo foi vendida em hasta pública, permitindo que, para além de edifícios de habitação, fossem construídos o cinema Casino Setubalense, presentemente demolido, e a Escola Primária Conde Ferreira, actualmente desativada. Na ala nascente, entregue ao Município, está instalada uma esquadra da Polícia de Segurança Pública.

Na parte norte desta ala, pertencente á Ordem Terceira do Carmo, foi reaberta ao culto a capela e em 2004 inaugurou-se a "Residência do Carmelo”, num edifício construído de raiz.

Na empena que limita a nascente a Escola Conde Ferreira, emparedados, divisam-se os arcos que presumo sejam do antigo claustro.

















1ª Esquadra da PSP


Escola Primária Conde Ferreira


Casino Setubalense, inaugurado em 1908

Fotos em 2017, 2018, 2020 e 2022 10 17


Avenida Luísa Todi - 1ª Esquadra da PSP, Escola Conde Ferreira e ruínas do Casino Setubalense [da direita para a esquerda]  (Google Maps 2022)

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Vila do Conde e a casa de Guerra Junqueiro

* Victor Nogueira


Nas minhas deambulações pelo Jardim Júlio Graça e cercanias encontrei finalmente a vivenda onde Guerra Junqueiro residiu de 1903 a 1905, mesmo ao lado da Escola Conde Ferreira, em nada semelhante á da fotografia seguinte:


Em publicação anterior supusera que fora esta outra, lapso que pouco depois corrigi (Vila do Conde entre o drama na Casa de José Régio e a redescoberta da Casa de Guerra Junqueiro in http://kantophotomatico.blogspot.pt/2016/09/vila-do-conde-entre-o-drama-na-casa-de.html)


Chalet construído por José da Silva Meira, 1891

Mas desta feita não houve engano, apesar de irreconhecível: ao lado da Escola Conde Ferreira, com pequeno jardim que a oculta, com a fachada principal alterada, com lápide indicativa e transcrição de versos do seu poema Ode á Luz.
Homem:
Quando a alvorada alumie o horizonte
Ergue-te em pé, Ergue essa fronte!
Ergue-te livre, em pé, na terra escrava
Em que hás sido mudez caliginosa
E onda e rocha e verme e fera  brava.





(casa onde viveu Guerra Junqueiro)






(Escola  Conde Ferreira)


(traseiras da Escola e da Casa)


2016.09.20