Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Fotografia surgiu de descobertas científicas. Conheça a história

 JC OnLine



Publicado em 19.08.2011, às 15h33

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Antes da tecnologia digital, arte fotográfica dependia da química
Internet
Do NE10
Vivemos uma época em que a difusão da fotografia é praticamente instantânea, está sempre ao alcance das mãos e a publicação, online ou impressa, pode ser praticamente simultanêa. A fotografia faz parte do cotidiano da maioria das pessoas, e é bastante popularizada e massiva, principalmente com a difusão democrática de máquinas digitais e celulares com câmeras. Mas você sabia que as primeiras experiências fotográficas, na verdade, experimentos químicos, datam de séculos atrás? Você conhece os equipamentos analógicos que necessitavam de revelação e, portanto, tornavam impossível ver como uma foto ficou na hora do clique? O NE10 mostra um pouco da evolução no Dia da Fotografia, celebrado em 19 de agosto.

O principio científico da fotografia parte de uma conjunção de diversas descobertas científicas. Atribui-se a ao filósofo Aristóteles (384-332 a.C.) a invensão de uma câmara (caixa) abafada da luz que permitia a visualização de sem prejudicar os olhos, graças a um pequeno furo que projetava pela fresta imagens em seu interior. A nitidez da imagem formada variava de acordo com o tamanho do furo: quanto menor, mais definida. Em contra-partida, havia o escurecimento da imagem formada, pois um furo menor permite passar menos luz.

Por séculos seguiu-se experimentando o equilíbrio do uso da câmara escura. Na época da Renascença, uma lente foi colocada num pequeno orifício e obteu-se uma melhor qualidade da imagem. Também foi introduzido o diafragma (para variar o tamanho do furo usado com as lentes.A câmara obscura tornou-se cada vez menor, até poder ser levada a qualquer lugar, como um objeto portátil. O aperfeiçoamento permitia as imagens fossem refletidas num papel, o que serviu para que diversos artistas esboçassem obras de desenho e pintura, mas ainda era desconhecido como "gravar" tais projeções na superfície.

Assim entrou em jogo o auxílio da química. Principalmente em ações experimentais, químicos perceberam que alguns compostos de prata reagem à luz. Em 1725, Johan Heinrich Schulze, um professor de medicina na Alemanha e no início do século 19 com Thomas Wedgwook, obteve-se silhuetas fixas em negativo, mas a luz ainda escurecer as imagens.

Joseph Nicéphore Niépce, 1826, deixou por oito horas uma câmara escura voltada para o quintal de sua casa e usou uma placa de estanho com betume branco para "queimar" a revelação, surgia assim, de fato, a primeira fotografia. Após sua morte, seu sócio Louis Jacques Mandé Daguerre aperfeiçoou a heliografia (termo em referência ao uso da luz solar para obter a imagem), substituindo compostos químicos e reduzindo o tempo de revelação para minutos com o uso de vapor de mercúrio e tiossulfato de sódio, criando os daguerreótipos. Willian Henry Fox-Talbot, cientista inglês, usou o processo de Daguerre para aperfeiçoar suas próprias experiências com a câmara escura - criando os termos 'fotografia', 'negativo' e 'positivo'.

Frederick Scott Archer foi o principal responsável pela popularização da fotografia. Essencialmente, ele concebeu o processo de revelação de fotos anterior ao do filme fotográfico, permitindo imagens bem mais nítidas que as feitas até então. Em 1853, cerca de 10 mil americanos já produziram três milhões de fotos, por exemplo.

George Eastman, o fundador da Kodak, criou um filme de nitrato de celulose (o celulóide usado na época) que era colocado em uma máquina fotográfica, em 1888. O filme era enrolado num carretel, e no final do processo, o filme era enviado para a fábrica, onde era revelado. Com o slogan "Você aperta o botão e nós fazemos o resto", a fotografia chegou ao alcance de qualquer pessoa, sem conhecimentos de química para a revelação. Por acaso você sabia que o manuseio do filme fotográfico é que deu origem à expressão queimar o filme? Mal usado e exposto a luz externa, fora da máquina, o instrumento fica inutilizável.

A corrida espacial serviu de inspiração para a fotografia digital. Era impossível capturar com filmes fotos de sátelite sem que o rolo pudesse ser trazido à Terra para ser revelado. Era importante que a transmissão eliminasse o suporte físico. Depois de alguns protótipos nas décadas de 70, a primeira câmera eletrônica portátil, semelhante às atuais, surgiu em 1981. A comercialização das câmeras digitais começou apenas em 1986, com a Canon RC-701, cujo preço era praticamente inacessível, por cerca de US$ 20 mil, e tinha baixa qualidade das imagens.

A primeira câmera realmente digital, gravando imagens como arquivos reconhecidos no computador foi a Fuji DS-1P em 1988, com 16 MB de memória interna. E a primeira lançada comercialmente foi a Dycam Model 1, em 1990, com capacidade de se conectar a um PC ou Mac para transmitir as fotos. De lá pra cá, houve diversos aprimoramentos e tanto a capacidade de armazenamento (com cartões de memória) como a qualidade da imagem, chegam a padrões profissionais. Além disso, a telefonia também se apropriou da fotografia e boa parte dos celulares ou tablets tem ótimas câmeras. Agora que você já conhece um pouco da história da fotografia, que tal brincar de fotografar como antigamente?

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Pode comemorar: Hoje e sempre, Ela merece.

De acordo com o Sistema Internacional de Unidades, o tempo é das sete medidas fundamentais e apesar de passar rápido demais, felizmente, deixa as suas marcas.
A exemplo de uma outra manhã de 1839, também 19 de agosto, que mudaria totalmente a maneira com a qual o homem registraria o tempo no futuro.
Milhares de dispositivos tem sido criados para capturar e contar o tempo, embora nenhum deles tenha sido tão amplamente eficiente em ir além de, senão apenas, aprisionar de maneira temporária a sua medição quanto a fotografia.
François Arago, físico, astrônomo e político Francês, foi seu primeiro padrinho e fez o anúncio oficial na Academia de Ciências e Artes de Paris, onde ninguém imaginaria o quão odiosa e resistente poderia ser a repercussão pública diante de uma idéia capaz de mudar o mundo.
O físico Louis Jacques Daguerre havia desenvolvido um processo capaz de transportar a luz do mundo ‘real’ para dentro de algo que seria chamado depois de grafia visual; ou simplesmente a fotografia que conhecemos hoje.
Daguerreotipo
"O Daguerreotipo"
A audiência da Academia ouvia em silêncio os pormenores de apresentação da notável descoberta, tanto espantada quanto crescentemente reativa. Nascia o Daguerreótipo e a relação do homem com o tempo não seria mais a mesma.
Afinal de contas, como poderia uma pequena caixa de madeira cheia de traquitanas reproduzir a realidade melhor do que os proeminentes artistas da época? Não poderia ser, mas era.
Com o advento de novas técnicas de pintura durante o nascimento do Impressionismo, e cujo foco era exatamente o uso e a transposição da luz, a fotografia não teria uma tarefa fácil em ser aceita. Acredite, após passado o espanto, a idéia era bem mais do que um absurdo. Era uma blasfêmia.
Baudelaire em carne e osso dizia publicamente entre um escândalo e outro, que não considerava a fotografia sequer como uma expressão daquilo que entendia como arte. Não demorou muito para que outros se juntassem ao coro que atribuiria a Daguerre o título de “O Imbecil dos Imbecis” ou como mais comumente era chamado em baixo tom pelos colegas de academia, “L’idiot Nouveau” (O Novo Idiota).
Daguerre havia patenteado sua idéia nos EUA e na Inglaterra, antes de doar sua invenção ao governo Francês, tornando-o de domínio público. Esse gesto, de assegurar-lhe o registro histórico e depois doá-lo para o seu próprio país, parecia ser uma forma silenciosa de expressar o seu crescente desprezo e surpresa diante da agressiva resposta oferecida por seus próprios compatriotas. Mas Daguerre ainda viveria para ver todo o mundo se unir à eles em apenas alguns dias.
Uma lâmina de prata, sensibilizada com vapor de iodo e que, exposta por 20 a 30 minutos dentro de uma câmara escura, poderia converter a reação de iodeto de prata em cristais metalizados de prata. Esses cristais eram o que iriam compor o que se conhece como uma imagem latente. Ou seja, a exposição de áreas com mais luz (ou registros), junto da sub-exposição de outras áreas onde a prata metalizada não era registrada. A revelação desta combinação era exposta em uma imagem por meio da adição de vapor de mercúrio e, Voilá, a foto-grafia estaria devidamente composta.
Niniepce
"A primeira imagem considerada como registro fundamental da fotografia,
 tirada por Nicéphore Niépce, França, 1825"
Com a incrível repercussão, o Daguerreótipo ganhava terras além-mar e posicionava a França como o epicentro de pesadas retaliações artísticas, filosóficas e até mesmo religiosas, através de duríssimas críticas que pintavam uma cena impossível, grotesca, quase balcânica, ao redor de Daguerre.
Um jornal alemão, o Leipziger Stadtanzeiger, publicaria naquela mesma última semana de Agosto de 1839 o seguinte:
”Deus criou o homem à sua imagem e a máquina construída pelo homem não pode fixar a imagem de Deus. É impossível que Deus tenha abandonado seus princípios e permitido a um francês dar ao mundo uma invenção do Diabo”.(Leipziger Stadtanzeiger ,26.08.1839, p.1)
Não se poderia conceber uma nova concepção da realidade e Daguerre fez valer quaisquer das pressuposições da memética, partindo e convertendo-se de iluminado a anti-Cristo, em questão de horas.
A fotografia então, traria ao homem a capacidade de distorcer o tempo, de eternizá-lo para bem além das interpretações impressionistas de pintores e desenhistas da época.
Embora fossem considerados estes artistas como sendo ambos mecanismos e ápices do registro humano para a época, ainda assim, suas obras eram frutos de uma transposição pessoal daquilo que retratavam. Eram visões sensíveis, leituras, transposições íntimas daquilo que viam.
Não existia, até então, algo realmente puro que fosse capaz de ‘imprimir’ a realidade profunda e explicitamente como ela realmente era, sem a intermediação emocional característicamente humana e sem a qual não se poderia pintar ou desenhar. Naturalmente, tal visão aterrorizaria o paradigma da época. E assim foi.
Além disso, tornar possível ao homem reproduzir a emoção capturada dentro do homem através de seus olhos em um lugar e transpô-la para outras pessoas em outros lugares sem que nada do registro ‘real’ da imagem fosse perdido, sem que nenhuma interpretação ou intermediação de outrem estivesse presente naquela imagem, era algo que só poderia ter a mão do Diabo.
A fotografia, que continuamente se metamorfa em algo bem mais superficial, trouxe uma colaboração profunda e transformadora para a filosofia e todas as outras artes, multiplicando a relação de intimidade do homem com sua capacidade de registrar aquilo que é real, de navegar pelo tempo e de romper a retina do pensamento durante o registro da vida.
Pode comemorar. Hoje é 19 de agosto.
E ela muito merece.
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19/08/2011 - 08:33 | Max Altman | São Paulo

Hoje na História: 

1839 - Louis Daguerre demonstra o daguerreótipo

Louis Jacques Mandé Daguerre demonstra o daguerreótipo diante da Academia de Ciências em Paris em 19 de agosto de 1839. Este primeiro processo fotográfico é resultado dos trabalhos de Nicéphore Niépce e Daguerre. Eles produziram uma imagem sem negativo sobre uma superfície em prata, polida como um espelho, exposta diretamente à luz. A partir de 1850, o daguerreótipo seria substituído pelo processo negativo/positivo sobre papel, o que permitia reproduzir a imagem. Niépce morreu na miséria seis anos antes da demonstração de Daguerre, a quem estava associado. 


Wikicommons  



O daquerreótipo não era o primeiro processo fotográfico, porém, as imagens dos processos anteriores desapareciam rapidamente uma vez expostas à luz. O processo fotográfico do daguerreótipo é portanto um dos primeiros a registrar e fixar uma imagem de modo permanente e foi o pioneiro a ser utilizado comercialmente. 

No daguerreótipo, a placa é sensibilizada à luz ao expô-la a vapores de iodo que, ao se combinar com a prata, produzem o iodeto de prata fotosensível. Exposta à luz, a placa registra uma imagem invisível, chamada ‘imagem latente’. O tempo de exposição é de cerca de 20 a 30 minutos, ao contrário dos metodos anteriores que demandavam muitas horas. 

O desenvolvimento da imagem é efetuado ao se colocar a placa exposta sobre um recipiente de mercúrio ligeiramente aquecido (75 ºC). O vapor do mercúrio se condensa sobre a placa e se combina com o iodeto de prata, formando um amálgama somente nos pontos onde a luz incidiu, com mais ou menos intensidade. 

O declínio acelerado da fotografia por daguerreótipo era inevitável. O processo era complexo, exigia muito trabalho e implicava numerosas etapas, o que a tornava cara e pouco acessível ao grande público. Ademais, a exposição normal era demorada, obrigando a pessoa a manter a pose durante todo o tempo. 

Leia mais: Hoje na História: 1982 - Steven Spielberg estreia E.T. 
Hoje na História: Irmãos Lumière realizam a primeira projeção cinematográfica 


Expansão
 


A partir de 1841, os avanços científicos permitiram realizar um retrato em menos de um minuto. A daguerreotipia se espraia por toda a Paris. Aos poucos, com a redução do tamanho da placa e o aperfeiçoamento dos métodos, seria possível obter retratos em algumas dezenas de segundos. 




Os ateliês passaram a ter seu interior decorados luxuosamente, a fim de testemunhar o nível de vida do fotografado. O sucesso social, sendo a única glória desses novos ricos, levavam-nos a querer se imortalizar, deixando-se fotografar num cenário adequado: cortina drapeada, rico mobiliário, sinais de cultura – livros, instrumentos de música -. A pose tornou-se um verdadeiro ritual. O pintor Paul Delaroche chorou ao assistir a uma sessão de fotografia: «A partir de hoje, a pintura está morta.» 

Alguns anos mais tarde, um outro motivo viria animar  os daguerreotipistas de Paris. Após a chegada ao poder de Napoleão III, o barão Haussmann, prefeito do Departamento do Sena, se prepara para reorganizar toda a cidade, construir os grandes bulevares e, por consequência, destruir numerosos recantos da capital. Alguns percebem o interesse museugráfico de suas tomadas e muitos dos logradouros desaparecidos só sobrevivem ainda hoje na memória pictórica graças à daguerreotipia. 
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Outros fatos marcantes da data:

19/08/1936 - Poeta García Lorca é fuzilado na Espanha
19/08/14 - Morre o imperador Augusto, fundador do Império Romano
19/08/1662 - Morre Blaise Pascal, físico francês, inventor da prensa hidráulica 
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Exposições, debates e oficinas tratam da imagem em processos analógicos


Nahima Maciel 
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Publicação: 19/08/2010 07:00 Atualização: 19/08/2010 10:45
Mirsolav Tichý - Projeção - (Arquivo pessoal)
Mirsolav Tichý - Projeção.
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A fotografia analógica vai tomar conta do Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, a partir de hoje. É com homenagem à técnica cada vez menos praticada que o Fotoclube f/508 dá início à 1º Semana f/508 de Fotografia — I love film. Até o final do mês, o espaço recebe quatro exposições, ciclo de debates e oficinas focadas na prática da imagem concebida unicamente em processos analógicos. “Vamos discutir a preservação da cópia, as tendências e as linguagens do analógico”, avisa Humberto Lemos, um dos idealizadores do evento. “É um suporte que atrai muito a meninada, o pessoal jovem. No Rio de Janeiro houve até um crescimento de 20% na revelação de filmes.”

A facilidade e o custo da tecnologia digital baratearam o processo fotográfico e tomou conta do mercado nos últimos 10 anos. A foto em filme negativo perdeu espaço e ficou cara, mas a surpresa de não saber imediatamente o resultado de uma imagem ainda seduz os praticantes. “O analógico tem a ansiedade. Tenho um problema com o digital: demoro para passar para o computador porque o prazer de ver a foto já passou. Na foto analógica, além do prazer de pensar o resultado, tem essa ansiedade para ver como ficou”, explica Janaína Miranda, 22 anos, integrante do f/508.

Alessandra Araújo - Estética do acaso - (Alessandra Araújo/Divulgação)
Alessandra Araújo - Estética do acaso
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Além das exposições e oficinas, a semana da 508 traz ainda uma homenagem ao tcheco Mirsolav Tíchy, especialista em construir suas próprias câmeras desde a década de 1960. Na noite do lambe-lambe, evento em que o f/508 realiza projeções, as imagens de Tíchy serão exibidas em telão, assim como um filme em stop motion com fotografias pinhole realizado pelo fotógrafo Dirceu Maués e imagens do grupo Low-Fi, que trabalha com fotografias realizadas com tecnologias alternativas. Veja ao lado as exposições e oficinas programadas para o evento do f/508.

Estética do acaso
Janaína Miranda - Estética do acaso - (Janaina Miranda/Divulgação)
Janaína Miranda - Estética do acaso
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» A falta de controle sobre os erros ou acertos é o que atrai os seis fotógrafos da exposição, todos integrantes do fotoclube f/508. Com máquinas Lomo ou aparelhos classificados como de ``baixa tecnologia``, eles se expõem ao acaso para captar imagens nas quais a falta de controle se torna parte de uma linguagem.

Fotografia pinhole
» Pinhole é qualquer aparelho fotográfico construído de forma precária, com caixas ou latas transformadas em câmeras escuras prontas para receber a luz através de um orifício. A engenhoca pode ou não ter lente e o resultado é altamente empírico. O acaso tem papel importante na prática. Humberto Lemos, Thiago Barros e Beth Coutinho assinam as imagens desta exposição. ``Você não tem controle nenhum sobre o resultado e a técnica não é importante aqui. O pinhole não tem definição de ótica e dá um quê de sonho na imagem``, escreve Barros.

Processos históricos

» No século 19, quando a fotografia começou a ser popularizada, os meios de reprodução passavam longe dos processos industriais dos tempos modernos. Para reproduzir uma imagem era preciso dominar práticas artesanais, preparar o papel e ampliar imagem por imagem. Cianótipo, papel albuminado e papel salgado eram os processos mais frequentes. Alunos e integrantes do f/508 fizeram cursos para produzir o material da exposição ampliado com métodos artesanais na mostra que reúne nove fotógrafos e 25 obras.

Em busca do paraíso perdido
» O curitibano Angelo José da Silva transpõe para serigrafias as imagens de arte urbana — especialmente grafites — coletadas nas ruas das grandes cidades com uma câmera Rolleiflex e filme em preto e branco. O trabalho rendeu livro artesanal, costurado à mão e lançado em Brasília no início do mês. Na 508, Silva apresenta quatro imagens do livro ampliadas em 70 x 70cm.

Oficinas
Alessandra Araújo - Estética do acaso - (Alessandra Araújo/Divulgação)
Alessandra Araújo - Estética do acaso
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» Quatro oficinas estão programadas até o final do mês. Em Daguerreotipia os inscritos poderão aprender com Francisco Moreira da Costa a confeccionar daguerreótipos, placas de vidro nas quais a imagem era impressa nos primeiros tempos da fotografia. O coletivo Garapa, de São Paulo, será o único a abordar tecnologias contemporâneas com a oficina Experiência multimídia. As vagas estão esgotadas para os dois cursos, mas quem estiver interessado ainda pode se inscrever nas aulas de pinhole e processos históricos. Na primeira os alunos vão aprender a construir câmeras artesanais com o fotógrafo Dirceu Maués e na segunda, Luís Gustavo Prado ensina a manipular químicas para fixar fotos em papéis alternativos. Todas as oficinas são gratuitas e acontecem no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul).

PROCESSOS ALTERNATIVOS
Com Luís Gustavo Prado. De 28/8 a 9/10
Sábado das 9h30 às 12h30. R$ 400 R$ 25 para o material
CONSTRUÇÃO DE CÂMERAS ARTESANAIS
Com Dirceu Maués. Sábados e domingos
Dias 21, 22, 28 e 29 de agosto, das 9h30 às 12h30 Preço: R$ 360

SEMANA F/508 DE FOTOGRAFIA — I LOVE FILM
Até 29 de agosto no endereço SCLN 413, Bloco D, sala 113

Para saber mais
Quadro de palestras com entrada franca
  • Preservação da cópia e do original — 23/08, às 19h30, Thiago Barros
  • O analógico e a mídia contemporânea — 24/08, às 19h30, com Gabriela Freitas
  • A fotografia intuitiva de Miroslav Tichý — 25/08, às 19h30, com Janaína Miranda
  • Wim Wenders e a fotografia on the road — 26/08, às 19h30, com Rose May Carneiro
  • Fotografia low-fi e a estética do acaso — 27/08, às 19h30, com Rafael Dourado
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