Castro Barroso Gato Nogueira - Blog Photographico - lembrança da moça do Alentejo
Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui
“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)
«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973
sábado, 24 de setembro de 2022
Ainda a 18.ª edição do Festival de Bandas da Cidade de Setúbal
segunda-feira, 27 de junho de 2022
Coretos 54 - Tavira
* Victor Nogueira
De Tavira a Susana enviou-me fotos do coreto, engalanado, talvez em resultado das Festas Juninas que (por quase) todo o Planeta Terra se realizam, com bailaricos, tascas, fogueiras, arraiais e (alguns) namoricos.
quinta-feira, 3 de março de 2022
Fotos de capa em março 03
* Victor Nogueira
quinta-feira, 12 de agosto de 2021
Coretos 50 - Tavira, by night
* Victor Nogueira
Do Algarve a Susana enviou-me estas fotos do coreto de Tavira, numa noite estival.
quinta-feira, 11 de março de 2021
O casarão da rua de alconchel
* Victor Nogueira
A rua de Alconchel
Foto dum conjunto num voo em teco teco pilotado pelo meu colega Seruca Salgado, em 1974.dezembro. Nela distinguem-se as torres da muralha que ladeavam a Porta de Alconchel e a rua homónima subindo até à Praça do Giraldo.
2021
Na sinuosa mas relativamente larga Rua de Serpa Pinto em Évora residimos num enorme casarão, com dois terraços, dum dos quais se avistavam a cidade e o campo. Estendia-se a antiga Rua de Alconchel desde a porta medieval homónima (erguida em 1402) até à Praça do Giraldo, a qual se avistava das janelas. Defronte destas se situa o antigo Palácio do Barrocal, propriedade do INATEL (antiga FNAT) com seu pátio interior, onde presentemente está instalado um polo do Museu do Relógio, este sedeado em Serpa. Um pouco mais acima, paredes meias com a Igreja de Santo Antão, encontra-se o antigo "Chafariz dos Cavalos". Nesta rua se localizava a livraria dum antigo empregado da Nazareth, o António, que antes de Abril também vendia livros proibidos por debaixo do balcão e que no início também tinha uma galeria de exposições de arte, depois substituída por mais estantes de livros. Outro edifício importante é o do antigo Convento de Santa Clara (séculos XVI a XVIII), desde 1936 com funções de estabelecimento de ensino.
1973
Chegados a Évora, a 1ª bomba de gasolina ostentava ainda (?) o fatídico "Esgotado"; na 2ª uma longa fila de automóveis estendia-se desde a Porta do Raimundo à Porta de Alconchel. Mais uns metros adiante um auto tanque da SACOR enfiava pela estação de serviço (à saída para Lisboa) e num ápice 6 automóveis iniciaram uma bicha. Azar, que o empregado logo disse que só amanhã, às 8 da matina. E assim saímos do 5º lugar. É o que eu digo: a continuar assim a gasolina esgota-se ainda mesmo antes de haver. (MCG - 1973.12.03)
Há gasolina à farta nas bombas de Évora e acabaram as bichas [e o racionamento]. (MCG - 1973.12.04)
1974
No café, ontem, a "Capital" aberta sobre a mesa, ia lendo a notícia, antes, o discurso do Spínola, uma grande emoção subindo por mim: finalmente a independência para o meu País. Angola livrar-se-á, finalmente, da tutela asfixiante de Lisboa. Mas ... quem vencerá? O capitalismo internacional ou os povos de Angola, Guiné e Moçambique? O reconhecimento do direito à independência é já um primeiro passo, mas a luta continuará. Pois é, minha linda, mas não tinha ninguém com quem partilhar a minha alegria. Ao contrário desta malta que, desde há pouco, em longa fila de automóveis, buzinando estridentemente, sobe a rua Serpa Pinto, circundando várias vezes o Giraldo e segue pela R. S. João de Deus. Vão sorridentes e acenantes, agitando bandeiras azuis e brancas, as pessoas concentrando-se sorridentes nos passeios. Pergunto ao meu vizinho o que se passa e a resposta vem breve: "O Juventude" passou à 2ª divisão!" Ah!Ah!Ah! (MCG - 1974.07.28)
1976
Safa, isto hoje é chuva sobre chuva! Já aborrece tanta água. Estou aqui num café ao fundo da Rua Serpa Pinto, para alinhavar estas linhas. Passei agora pelo Sindicato [dos Trabalhadores Agrícolas do Distrito de Évora] onde arranjei uma colecção das teses da Conferência da Reforma Agrária. (1976.11.11)
A casa
1976
Gozamos os últimos dias nesta casa [na Quinta de Santa Catarina], pois no fim do mês mudamos para outra, perto da Praça do Giraldo. É uma casa velha mas que foi arranjada. Tem quatro assoalhadas (a mais pequena é do tamanho da maior desta onde estamos), cozinha, casa de banho, dois terraços. As assoalhadas não são todas ao mesmo nível, pelo que há escadinhas dumas para outras. A renda são 4 000 $ 00 mensais. (...) (NSF - 1976.03.14)
Cá por Évora um calor infernal e falta de água: na maioria do tempo os canos deitam apenas ar. Enfim, vai ser um lindo Verão. Também esta casa é muito quente à tarde, contrariamente à outra. A tartaruga, como vai? Um aluno da Celeste, por sinal chamado Victor, deu lhe bichos da seda. Aquilo são piores que marabuntas ou piranhas: passam o tempo a devorar folhas de amoreira. Estão ali numa tampa duma caixa de sapatos. (MEB - 1976.06.01)
Os bichos da seda, na sua maioria, já fizeram os seus casulos amarelos. Vamos ver quando nascem as borboletas. Encanto-me a ver a sua evolução. (MEB - 1976.06.15)
1979
A Celeste está lá em baixo no terraço pintando umas coisas. Amanhã será a vez do frigorífico. (NSF - 1979.09.06)
1980
Amanhã vamos até Setúbal, para envernizar o chão da casa, arrumar umas coisas, receber os ordenados e concluir os inquéritos do corrente mês. Devemos lá ficar até cerca de 6 de Setembro (A D. Maria e o Rui Pedro ficam em Évora). Depois regressaremos para acabar os preparativos para a mudança, em meados do próximo mês (salvo erro a 17 tenho serviço de exames). Vamos ver se nessa altura já funcionam os elevadores. (NSF - 1980.08.28)
O terraço no 2º andar
1976
A Celeste lá vai andando, bem como o mini, que deve nascer lá com a força do calor. (MEB - 1976.06.01)
A Susana lá vai crescendo e engordando. ( ). A semana passada já pesava 3,200 kg. Não chora muito, mas fá-lo normalmente a horas inconvenientes, isto é, ente as 24 e as 2 da madrugada. Já tem uma configuração diferente mas não sei com quem é parecida. Ah! Ah! Ah! Dizem que é comigo! Coitadinha da criancinha, bem poderia ter saído mais bonitinha!
Nós cá vamos com uma nova actividade: o "tratar da Susana" (o nome sugerido pelo tio Zé [Luís] (...) Quando lhe damos as gotas [de Vi Dê] faz umas caretas enormes que nos faz rir (E a tomar banho também. Delicia se, salvo quando lhe molham a cabeça). (NSF - 1976.08.30)
A Susana cá vai crescendo. Já tem cara de gente e vai engordando. Agora está bebendo o leite de biberon. Já nos segue com os olhos, desde que estejamos ao pé dela, e de vez em quando vai sorrindo, cada vez com mais frequência. Tem recebido bastantes prendas, mas sucede-lhe um pouco como aos noivos: qualquer dia não sabe o que há de fazer aos "babetes" e aos "baby grows" (macacos). (NSF - 1976.05.09)
A Susana tem grandes palrações e de vez em quando berra para lhe irem fazer companhia. Pesa 6,050 kg. (MEB - 1976.11.29)
A D. Maria [avó] e a Susana dormem. A Susana fala muito, embora por enquanto só ela entenda o seu palrar. Nasceu lhe um dente e outro está a romper. Agarra as coisas e diverte-se a tocar o guizo ou a fazer chiar o cão de borracha. Fora isso bebe o leite todo mas faz grandes fitas para comer a papa. (NSF - 1976.12.13)
1977
A Susana está com muitas gracinhas. (NSF - 1977.05.22)
O meu pai não escreve; anda lá ocupado com a vida dele e depois eu é que pago. Cá tenho andado, agora comecei a gatinhar e não gosto de ficar sozinha. Como vês, já sou gente e não estou para passar o tempo quietinha, deitada na cama.
Estou muito linda na fotografia, não estou? O fatinho fica-me bem (Olha, bem tenho dito para te agradecerem, que bem sei que não ficas contente, mas que se há-de fazer, os meus pais não têm emenda!). Beijinhos da Susana
PS – Quando vêm visitar-me? (MLCF 1977.05.29)
1978
A Susana está para ali amuada pois quer ir para casa da Isabel, nossa vizinha. (MCG - 1978.06.27)
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