Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

Mostrar mensagens com a etiqueta Agência Brasil. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Agência Brasil. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Livro denuncia impunidade no caso de furto de fotografias



23/02/10 - 09:40 > CULTURA

Livro denuncia impunidade no caso de furto de fotografias


Agência Brasil




RIO DE JANEIRO - Diversos furtos ocorridos em arquivos de instituições públicas entre 2005 e 2007 chamaram a atenção da artista plástica Rosângela Rennó e a levaram a produzir uma obra de arte impressa em forma de livro, com o título de 2005-510117385-5.
.
A obra, lançado no fim de semana no auditório do Paço Imperial, no centro do Rio, reúne a reprodução digital do verso de 101 fotos devolvidas à Biblioteca Nacional que constavam do lote de 751 furtadas há cinco anos e que deram origem ao Inquérito 2005-510117385-5, que dá título ao livro. A edição é de 500 exemplares, que começaram a ser distribuídos nesta segunda-feira (22) a bibliotecas públicas e instituições culturais em todo o país.
.
“Na realidade, eu gostaria de que este fosse o primeiro de uma série de trabalhos feitos sobre os furtos ocorridos em 2005, 2006 e talvez também em 2007 no Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, no Arquivo do Itamaraty, no Museu da Chácara do Céu, num museu em São Paulo e em outras instituições públicas. Foi como se alguém percebesse uma falha no sistema e promovesse um arrastão contra a memória”, resume a artista plástica.
.
As fotografias estavam guardadas na Biblioteca Nacional e em sua maior parte integravam a Coleção D. Thereza Christina Maria, nome da biblioteca particular doada por dom Pedro II depois da Proclamação da República, em 1889. Todas as fotografias são do século 19 e estão registradas desde 2003 no Programa Memória do Mundo, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
.
Na apresentação da obra, Rosângela Rennó escreve: “Em algum momento, entre 2 de abril e 14 de julho de 2005, durante uma greve de funcionários da Fundação Biblioteca Nacional, 946 peças, entre elas 751 fotografias, foram furtadas da Sala Aloísio Magalhães, local conhecido como Divisão de Iconografia da FBN [Fundação Biblioteca Nacional]. Não havia sinal de arrombamento. Os autores do furto trabalharam com sutileza, escolhendo autores e temas, esvaziando álbuns, substituindo fotografias, para que o crime só fosse descoberto algum tempo depois.”
.
Quatro anos depois, com uma investigação criminal ainda em curso, apenas 101 fotografias foram recuperadas e todas elas estavam mutiladas, pois os criminosos tentaram, de diversas maneiras, apagar as marcas de registro de patrimônio da FBN, conta a artista plástica na apresentação do livro. “O inquérito criminal de número 2005-510117385-5 ainda não foi concluído e os mentores do furto não foram punidos.”
.
A artista trabalha com fotos feitas por ela mesma e por outros fotógrafos, desenvolvendo a partir daí sua obra. Por isso, ela fez questão de conceituar 2005-510117385-5 como abra de arte e não como livro no sentido editorial. Seu objetivo não foi reproduzir a parte recuperada do acervo roubado, mas sim a descrição da fotografia, escrita no verso de cada uma. Além de aguçar a curiosidade de quem a manuseia, a obra de arte em forma de livro reforça a denúncia do “apagamento da memória”, como enfatiza a artista.
.
O trabalho de Rosângela recebeu apoio de cerca de R$ 90 mil do edital Arte e Patrimônio 2009, para a realização de pesquisa, documentação fotográfica e duas tiragens especiais de livros da artista. A iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do Paço Imperial, com patrocínio da Petrobras, integra as ações do programa Brasil Arte Contemporânea do Ministério da Cultura


.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Brasil - Presos vão fotografar vida carcerária para exposição em Brasília





.

Presidiários de cinco estados estão participando de um projeto do Ministério da Justiça, cujo objetivo é mostrar a visão deles sobre o sistema prisional por meio de fotografia. Em cada presídio selecionado, dez presos escolhidos pelos próprios colegas receberam uma máquina fotográfica descartável e um filme de 28 poses para documentar a vida carcerária.



Presídio Aníbal Bruno, em Recife, foi um dos escolhidos
.

As fotos passarão por uma seleção para serem apresentadas na 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (1ª Conseg), de 27 a 30 de agosto, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

.
As prisões escolhidas foram o Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte; o Presídio Central, em Porto Alegre; o Presídio Aníbal Bruno, em Recife; a penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná; e a Fábrica Esperança, em Belém. Esta unidade emprega presos em regime aberto ou prisão domiciliar e egressos do sistema prisional paraense para treinamento e qualificação.

.
De acordo com a coordenadora-geral do Programa de Fomento às Penas e Medidas Alternativas do Ministério da Justiça, Márcia Alencar Araújo Matos, os presos terão total liberdade para fotografar o que quiserem. O projeto foi inspirado em iniciativa idêntica realizada há alguns anos em presídios de Goiás pelo governo do estado e intitulada O Olhar do Preso. Até mesmo episódios de violência que ocorrerem com eles podem ser fotografados, garante.

.
“A seleção será feita levando em conta a qualidade da foto e o conceito com que ela trabalha”, explica Márcia, acrescentando que “o que se quer apresentar com essas fotos são os contrastes da realidade carcerária brasileira sob o olhar do preso e não apenas boas fotos. Por isso, escolhemos unidades que apresentam esses contrastes.”

.
Segundo ela, isso poderá contribuir para a construção de novas diretrizes para o sistema penitenciário durante a Conferência Nacional de Segurança Pública. Os presos foram escolhidos pelos próprios detentos e não pela direção dos presídios. Ela diz que as lideranças carcerárias tiveram papel fundamental na seleção e vão garantir a realização do trabalho pelos presos que receberam as máquinas fotográficas.

.
Sugestão dos presos

.
Além das fotografias, a conferência exibirá os vídeos que estão sendo gravados dentro de alguns presídios, nos quais, segundo Márcia, os presos falam e apresentam sugestões para alterar a realidade do sistema carcerário brasileiro.

.
Uma empresa especializada está produzindo esses vídeos nos Acre, Pará, Ceará, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul. Em cada estado, será gravado um vídeo em um presídio masculino e um feminino. As gravações serão feitas até o final deste mês, durante as Conferências Livres que estão sendo realizadas nessas unidades, quando serão escolhidas as propostas dos presos que serão transformadas em documentários.
.

“Nunca o preso fez Conferência Livre no Brasil, e queremos documentar esse momento por meio de vídeo”, diz Márcia. De acordo com ela ainda, as autoridades não estão participando dos debates e da elaboração das propostas que serão encaminhadas pelos detentos à 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública. As sugestões serão sistematizadas, juntamente com as de outros setores do sistema penitenciário, para pautar o debate sobre o sistema penitenciário também durante o 12º Congresso Mundial, em abril de 2010, em Salvador.

.
Nesse congresso, será feita a revisão das resoluções da ONU sobre a questão penitenciária mundial, dividida em quatro eixos de discussão: Tratamento a Prisioneiros; Tortura; Alternativas Prisão e Justiça Restaurativa; e Violência contra a Mulher. Todos estarão relacionado ao tema central: Justiça Criminal e Prevenção ao Crime.

.
Essa será a primeira vez que congresso vai ser realizado no Brasil. O evento será organizado pela Secretaria Nacional de Justiça.

.
Com Agência Brasil

.
in Vermelho - 6 DE JULHO DE 2009 - 16h48
.
.