Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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quinta-feira, 28 de abril de 2022

Murais e grafitos 48 - Fotos de outrem (2022)


Lisboa - Pontinha - Mural alusivo ao 25 de Abril (1974 - 2022)

Liisboa 2022 Mário Zambujal Mural de Mariana Duarte Santos Estrada de Benfica 299 Foto Ana Luísa Alvim CM Lxa


Amadora - Fernando Pessoa - Mural de Sérgio Odeith (2022) FONTE Viver Portugal Tours

Amadora - Amália Rodrigues - Mural de Sérgio Odeith (2022) FONTE Viver Portugal Tours


Lisboa (Alvalade) -  Simonte de Oliveira - Mural do neto, arquitecto e graffiter André Mano (2022)

Lisboa  - Pela Paz - Mural do Colectivo da JCP na FCSH UNL (2022)

quarta-feira, 9 de março de 2022

Fotos de capa março 01 a 08

 * Victor Nogueira


2022 03 01 Foto MNS - Em Luanda, no Parque Florestal da Ilha do Cabo



Gravura - Frida-Kahlo - México 1964 - Congresso dos Povos pela Paz

Imagine, por John Lennon

Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky

Imagine all the people
Living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too

Imagine all the people
Living life in peace

You may say, I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A Brotherhood of man

Imagine all the people
Sharing all the world

You may say, I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one


2022 03 02 Foto victor nogueira - Mindelo (Praia da Gafa) 1978 05


2022 03 03 Foto victor nogueira - Mindelo (Praia da Gafa) - Verão no final dos anos '80


Foto victor nogueira -  Vila Nova de Milfontes (Praia do Malhão) 1984


2022 03 05 Foto victor nogueira - Praia de Albarquel, em Setúbal (rolo 79)


2022 03 05 Pete Seeger - We Shall Overcome


2022 03 06 Fotos victor nogueira - Mindelo - praia da Gafa (2 perspectivas) (GEDC1194 GEDC1173)

Na foto de cima a praia rochosa com o antigo ancoradouro dos barcos de pesca. Em baixo, a zona de areal que se estende até á foz do Rio Ave. No horizonte, as cidades de Vila do Conde e da Póvoa de Varzim.


2022 03 07 Foto victor nogueira (2021 IMG_6826) - praia de Azurara (Vila do Conde)



2022 03 08 - Dia Internacional da Mulher - Refugiados do Iraque e do ISIS


Fernando Pessoa - O MENINO DA SUA MÃE
.
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas traspassado
— Duas, de lado a lado —
Jaz morto, e arrefece.
.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
.
Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».
.
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lha a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
.
Lá longe, em casa, há a prece:
«Que volte cedo, e bem!»
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.
.
s. d.
Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). - 217.
1ª publ. in Contemporânea , 3ª série, nº 1. Lisboa: 1926.

iol.pt/internacional/iraque/fugiram-ao-estado-islamico-mas-perderam-quase-tudo


terça-feira, 8 de março de 2022

Fotos de capa em março 08 - dia internacional da mulher

 * Victor Nogueira


2022 03 08 - Dia Internacional da Mulher - Refugiados do Iraque e do ISIS


Fernando Pessoa - O MENINO DA SUA MÃE
.
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas traspassado
— Duas, de lado a lado —
Jaz morto, e arrefece.
.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
.
Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».
.
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lha a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
.
Lá longe, em casa, há a prece:
«Que volte cedo, e bem!»
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.
.
s. d.
Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). - 217.
1ª publ. in Contemporânea , 3ª série, nº 1. Lisboa: 1926.

.https://tvi24.iol.pt/internacional/iraque/fugiram-ao-estado-islamico-mas-perderam-quase-tudo



2022 03 08 Dia Internacional da Mulher cartoon

VER

António Gedeão - Calçada de Carriche


2021 03 08 100 Mil Anos de Lutas Mil - Álvaro Cunhal - Desenhos da prisão


2020 03 08 Foto victor nogueira. em Évora, no 21 - 2º dto da Rua Serpa Pinto.

Aqui os livros eram menos, e ainda se vê o nicho de que falei em post anterior. Muitos dos objectos ainda existem: o pote alentejano, (oferta dum casal amigo, os Armindo Gonçalves),a xilogravura do meu irmão, o candeeiro (agora no Mindelo), o gira-discos (emprestado ao Rui Pedro), o garrafão de cerâmica (agora com a Susana). e o armário, desenhado por mim.
A escultura em madeira no nicho (oferta do meu irmão) entretanto e há uns anos foi por mim oferecida a uma pessoa amiga, aqui no prédio onde actualmente moro. O gravador portátil, esse há muito que foi para o lixo.
Embora as estantes fossem de metal, a junção das varas verticais eram frágeis, em plástico, e com tantas mudanças, um dia, já aqui nesta casa em Setúbal, ao remontá-las com a ajuda do meu amigo Gilberto Santos, desabaram. De repente disse: "Gilberto, isto vai cair" e só houve tempo de nos afastarmos e para não termos ficado debaixo dum monte de livros e ferros retorcidos.


2019 03 08 Foto victor nogueira - Alcácer do Sal - Monte da Arouca (Enidade Colectiva de Produção Soldado Luís) - 1975 - arrozais


2018 03 08 Foto victor nogueira - Rio Ave e Azurara vistos de Vila do Conde, ao entardecer


Setúbal - pôr-do-sol

2017 03 08 * Victor Nogueira - CANTILENA COM MAU GOSTO

.
Quem quer ver a moça bela
Que na rua vai passando,
Florida, com sentinela,
0 meu sossego roubando?
.
0 meu sossego roubando
Sem leveza d'andorinha,
Em má prisão esvoaçando
Não te vendo, Oh! sinházinha!
.
Não te vendo, oh! sinházinha,
Um deserto vai nascendo;
Bem longe da minha vinha
Por ti mal, vou fenecendo,
.
Por ti mal, vou fenecendo
Nesta casa sem calor;
Não quero ficar sofrendo
Como trigal sem verdor,
.
Como trigal sem verdor
Não me deixes tu ficar;
É bom ter calma d'amor
No mar alto a navegar,
.
No mar alto a navegar
Remando àquele porto,
Com roussinol a cantar
Mui cantante, sem desgosto.
.
Mal cantante, com desgosto,
Vou deixando de cantar;
Ficando mal, mal disposto,
Pela companh'a a fugar!
.
1992


2016 03 0 - Foto victor nogueira - campos do Alentejo, depois do incêndio

ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE
Lembro a tua lábia, seio moreno,
Tua feição que muito me agradou;
A pele, doce ardor despertou
Que na barca me fez vogar, sereno,
Porém não está o meu coração pleno
De alegria, que por vós soou:
Nem grã Camões ou milionário sou
Para contigo navegar, no Reno.
Erros meus, má fortuna, amor ardente,
Não fazem da jornada bom soneto
Nem do navegante melhor "gineto"
Pois em ti está meu pensar, descontente'
Assim na Luísa Todi jazente,
Vogando entre o lume e o espeto,
Bem vivo, com meu bom ou mau "aspêto"
Buscando tua razão e paz, somente.
setúbal 1989.09.10
CANTAI OLIVAIS, CANTAI DE ALEGRIA
.
Oh! Mil-Sóis, teu aspecto bem cativa;
O andar, o sorriso radiante,
Doce, valerosa como diamante,
Que pena tu pareceres tao altiva.
.
Pode a tristeza andar-me fugitiva
Se tu, trigueira, de ar tão sonante,
Me pões em terra, mal esvoaçante,
Sem por isso ficares pensativa?
.
Há bem grande alegria se te vejo
Nesta minha sala, mesmo calada,
Com teu jeito manso e delicado.
.
Céus e terra cantam vero desejo
De me convidares p'ra jantarada,
Com fogo mal preso, estralejado.
.
1989


2014 03 08 Foto victor nogueira - Crianças no Bairro Azul da Belavista, em Setúbal

CORAÇÃO ROSA DOS VENTOS

A tua carta é um pássaro pintado
…………………………com emoção e alegria!
Cada folha é uma seara dividida em quatro e
na delicadeza do teu olhar
sou um rio
……. leve rumor
….... suave brisa que passa e canta!
(Setúbal, 1992)


2013 03 08 Foto victor nogueira - a chegada à estação de Campanhã (Porto) aguardando o desembarque do carro


O Quarto Estado, de Volpedo

* Victor Nogueira (2012.03.08)
.
Dia da mulher
é dia do homem
Haja o que houver
A noz não nos comem
.
Dia da mulher
é dia da mentira
boa p'ra esquecer
nos dias com ira
.
Dia da mulher
é pura assombração
sem adão na colher
é tudo negação
.
Dia da mulher
é tempo de comércio
tempo de colher
na bo£$a com ob$€quio
.
Dia da mulher
é tempo que não existe
se não for o crescer
da Humanidade que persiste
.
Dia da mulher
é dia sem fim
haja o que houver
em canto de alecrim
.
Dia da mulher
não é hora;
é tempo de vivencer
sempre e agora
.
Não há verso nem rima
nem varinha de condão
mas dia que arrima
varrendo a escuridão
.
dia da mulher
dia do homem
dia do homem
dia da mulher
.
dia da mulher
dia do homem são
dias dos homens
dias das mulheres
.
.
2012.03.08 Setúbal

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Fotos de capa em janeiro 26

 * Victor Nogueira

2022 01 26 - Hino de Caxias


2022 01 26 Foto victor nogueira - cabine telefónica pública em Vila do Conde

Estas cabines telefónicas eram muito práricas; para além do "migalheiro", que obrigava a ter as moedas certas em função do tempo previsto para a chamada, possuíam uma lista telefónica e, the last but not the least, uma prateleira que permitia colocar a bolsa, o livro de endereços ou anotar o que fosse necessário, num bloco ou numa folha de papel.

Hoje praticamente desapareceram - são uma relíquia - algumas transformadas em "bibliotecas" - tendo sido substituídas por umas desabrigadas, abertas ao vento e á chuva, sem prateleira nem lista telefónica.

Tinham outra utilidade: servirem de abrigo quando inopinadamente começava a chover, como me sucedeu por duas ou três vezes, uma das quais em Portimão, na Foz do Rio Arade.



2021 01 26 - Bertold Brecht - Há muitas maneiras de matar


2019 01 26 foto victor nogueira -  Moinho de vento em Évora, algures,  nos anos '70 do passado milénio


2017 01 26 Foto - Skyscraper Construction in (largely) the 1920's&'30's in New York

Pois ... A "narrativa" é a mesma. Em nome da "esquerda" e para salvar o PS, PCP/BE/PEV devem apoiar as medidas do PS mesmo que delas discordem pois senão fazem o jogo do "lobo mau" travestido de Passes de Coelho/PSD. Foi assim com o PEC IV, vítima da cambalhota do PSD/CDS, seria agora com a CGD, a TSU e o que mais se verá. O mal não são as cambalhotas da direita para tirar o tapete ao PS, embora este não renegue o apoio da direita . mesmo na actual legislatura - quando tem de afrontar a "esquerda". O mal é a "esquerda", "les bêtes noires", que não dá cambalhotas para apoiar a política do PS quando a direita angelical dá cambalhotas para tirar o tapete ao PS. Se isto não é uma visão totalitária da política, o que será ? "Equilibrismo" do PS e do PSD ? Sempre na mira da "maioria" absoluta, para poderem governar sem compromissos ou negociações, que seria uma das bases da democracia contra o totalitarismo ? "Tudo pelo PS, Nada contra o PS", será a consigna ? Afinal o PAF minoritário pretendia ser Governo e aplicar o seu programa, com o apoio ou a abstenção "violenta" do PS.
EM TEMPO - Segundo as tiradas assiscacianas de Passes de Coelho o PCP/BE/PEV são a "extrema esquerda" irresponsável pronta a tramar PS de "esquerda", este com elevado e responsável sentido de estado, que passa a "esquerda conservadora" quando a direita passa a "trauliteira" sempre que PS e PSD se não entendem

2017 01 26 Pois ... JMT esquece que o 13º mês e o subsídio de férias não são uma benesse nem as férias um luxo. Esquece tb quem é forçado a passar férias em casa e que os dois subsídios fazem girar a economia, potenciando a  "febre" de presentes natalícios ou a aquisição de bens e serviços não poucas vezes  essenciais. Como os "patrões" da banca, das padarias portuguesas ou das cadeias de hipermercados/supermercados/mini-mercados/lojas de conveniência, é preciso que haja movimentos e poder de compra, não dos seus próprios trabalhadores, mas dos trabalhadores dos patrões concorrentes ou de outros sectores. Mas como pensam todos de acordo com a  mesma cartilha, intrínseca ao capitalismo, e como não há galinhas de ovos de ouro, a economia entra numa espiral recessiva e toca de esmifrar ainda mais para manter os lucros e o que eles dizem ser a "justa" remuneração do Kapital.

https://otempodascerejas2.blogspot.com/2017/01/conversa-de-gente-com-carteira-bem.html?fbclid=IwAR3Af50O0BrdJPFgxu-AtBLHxncnZNVOdrjCEoVVpeosc0wQkDDBmGyCdhY


2015 01 26 foto victor nogueira Elvas

VER

Azulejaria CP - Elvas



2013 01 26 Foto Victor Nogueira (Paço de Arcos - pôr-do-sol) - Poema de Alberto Caeiro

Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
E a minha voz contente dá as boas noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLIX"
Heterónimo de Fernando Pessoa