Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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sábado, 8 de novembro de 2025

Moinhos de maré em fotos de capa (32)

 * Victor Nogueira



2019 11 18 foto victor nogueira - quiosque no moinho de maré da Mourisca, em Setúbal


2020 08 31 foto victor nogueira - quiosque no moinho de maré da Mourisca, em Setúbal


2025 09 28 - Foto victor nogueira - moinho de maré, a long time ago!

Não consigo identificar este moinho. Será o Moinho Velho dos Paulistas, em Coina (Barreiro)? 


2025 09 29 - Foto victor nogueira - Corroios, moinho de maré, vendo-se no horizonte a à direita o que me parecem ser as Torres das Amoreiras, do arquiecto Tomás Taveira

Em Corroios, existe apenas um moinho de maré que resta dos dez outrora existentes no concelho: o Moinho de Maré de Corroios, também conhecido como Moinho do Castelo.

«O Moinho de Maré de Corroios, também chamado Moinho do Castelo, é um moinho de maré construído em 1403 por ordem de D. Nuno Álvares Pereira, em Corroios, no atual município do Seixal.

O Moinho de Corroios é dos raros que se mantém em funcionamento na área do Estuário do Tejo, estando classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1984.

Doado ao Convento do Carmo, foi ampliado no início do século XVIII após ter sofrido grandes danos no terramoto de 1755. Na sequência da extinção das ordens religiosas, o moinho foi incorporado na Fazenda Nacional tendo sido adquirido, em 1836, por João Luís Lourenço.

No início do século XX o moinho foi igualmente utilizado para o descasque de arroz.

Em 1980 foi adquirido pela Câmara Municipal do Seixal, que o restaurou e abriu ao público como parte do seu Ecomuseu Municipal.» (Wikipedia) 


2025 09 30 - Foto victor nogueira - Setúbal - moinho de maré da Mourisca, antes da recuperação pela RNES (Reserva Natural do Estuário do Sado) (rolo 071 04)

Após a recuperação moinho a RNES, numa zona de salinas, instalou nele Ecomuseu - Centro de Educação Ambiental. O moinho terá sido constrído no século XVII. Jumto dele existe um cais de palafitas, que se vê na foto.

O Centro possui uma exposição permanente sobre a reserva natural, apresenta informação sobre as actividades tradicionais ligadas à moagem, ao fabrico do pão e ao sal, uma sala de audiovisuais.

Teriam existido em Setúbal três moinhos de maré, para além do da fotografia. Do moinho das Praias do Sado quase nada restava há uns largos anos, quando o fotografei, perdido no meio da vegetação dos esteiros. Na Mitrena, junto dos antigos estaleiros navais da Setenave resistem as paredes do terceiro.

VER «Os moinhos de maré em Setúbal» in https://kantophotomatico.blogspot.com/.../os-moinhos-de... 


2025 10 01 - Foto victor nogueira - Setúbal - moinho de maré da Mourisca, depois de recuperado pela RNRS) (IMG_1759) 


2025 10 02 - Fotos victor nogueira - Setúbal - moinho de maré da Mourisca, em ruínas, a long time ago.

Na flia inferior, daquela janela avistavam-se as chaminés de central termo-eléctrica de Setúbal, entretanto demolida, e a estação elevatória e águas, do Faralhão. Ao centro uma ds mós, movidas pelo movimento das marés. À esqerda, duas das mós.

O moinho está localizado numa zona de sapal e salinas, e de antigos arrozais.

No seu interior, uma inscrição em pedra mostra a data de 1601, o que coloca a sua construção original pelo menos no início do século XVII. Até à década de 50 do século XX, naquela estrutura com cerca de 280 metros quadrados, funcionaram, em simultâneo, oito mós.

Originalmente constituído por uma sala de moagem, uma outra de armazenamento e uma casa de apoio ao moleiro, o moinho funcionou, durante mais de 250 anos, para moagem de cereal e produção de farinha.

Após anos de abandono e já em avançado estado de degradação, o Estado adquire o imóvel e inicia, em 1995, a sua recuperação.

O Moinho de Maré da Mourisca está construído junto de uma enorme represa (caldeira) que se enche até à preia-mar, sendo então fechada a comporta de comunicação entre ela e o rio, abrem-se os pejadouros, a água represada solta-se, sendo conduzida através dos canais que ligam a caldeira ao rio.

A água com grande força faz com que o rodízio gire e acione esse sistema, que por sua vez ligado à mó faz com que esta comece a moer os grãos de cereal. (in https://www.setubalambiente.pt/moinho-de-mare-da-mourisca/)

VER «A Central termoeléctrica de Setúbal ao longo dos tempos» in https://kantophotomatico.blogspot.com/.../a-central... 


2025 10 04 - Foto victor nogueira - Setúbal . ruínas do moinho de maré da Mitrena, perto dos antigos estaleiros navais da Setenave (HPIM3008) 


2025 10 05 - Foto victor nogueira - Setúbal - pormenor do moinho de maré da Mitrena (rolo 117)


2025 10 06 - Foto victor nogueira - Setúbal - ruínas do moinho de maré das Praias do Sado (rolo 113 26)

No âmbito do Planeamento Urbanístico e em colaboração com o Dr. Fernando António Baptista Pereira, conservador do Museu de Setúbal ,procedi ao levantamento, cartografia e registo do património edificado de Setúbal e Azeitão, com interesse histórico, cultural ou arquitectónico, tendo em vista o eventual intereese na classificação e protecção, projecto que não teve seguimento.

Sempre estive convencido que em Setúbal apenas teriam existido três moinhos de maré: o da Mourisca (no Faralhão), o aa Mitrena e este, nas Praias do Sado. Um texto entrevisto há dias, refere a existência de um quarto, não o identificando e localizando. (1)

Do moinho das Praias do Sado praticamente já nada existia, na altura em que o fotografei, com o Carlos Mouro no cimo do que restava. Há uns dois anos atrás tentei voltar ao local, mas não consegui localizar o sítio, por entre o emaranhado do esteiro.

https://pnap.dgterritorio.gov.pt 


2025 10 17 - Foto victor nogueira

Presumo que a foto seja duma azenha, mas não tendo anotado o que quer que seja na sua digiitalização, fica a dúvida quanto à localização e finalidade do edifício,

Em tempo - Acabei de identificar o edifício da foto, depois duma pedquisa na internet. Trata-se do moinho de maré de Corroios, após as obras de restauro.

«O Moinho de Maré de Corroios, edificado em 1403 por iniciativa do Santo Condestável Nuno Álvares Pereira, constitui um exemplo do aproveitamento da energia das marés, cuja aplicação à atividade moageira se generalizou noutros tempos no estuário do Tejo.

Em 1404, o Condestável doou-o, assim como aos bens que tinha nesta região, ao Convento do Carmo, ordem religiosa de que era Mestre. Já no início do século XVIII foi ampliado, mas não tardou a sofrer novamente obras, pois o terramoto de 1755 causou-lhe grandes estragos.

Este Moinho, conhecido também por Moinho do Castelo, mantém-se em condições de funcionamento até aos nossos dias. Em 1980 foi adquirido pela Autarquia. Durante 6 anos sofreu obras de restauro e em 1986 abriu ao público, como núcleo do Ecomuseu Municipal do Seixal.

Devido a obras de conservação e requalificação, este núcleo esteve encerrado ao público até setembro de 2009, e reabriu após um processo de qualificação com um investimento de mais de 2 milhões de euros.

Classificado como Imóvel de Interesse Público, o moinho oferece a todos os visitantes uma exposição de longa duração denominada 600 Anos de Moagem no Moinho de Maré de Corroios.» (in https://www.cm-seixal.pt/ecomu.../moinho-de-mare-de-corroio


2025 10 28 - Foto vitor nogueira - Corroios - moinho de maré antes do restauro -


2025 10 29 Fotos vitor nogueira - Setúbal - moinho de maré da Mourisca, depois do restauro (RNES)

domingo, 18 de outubro de 2020

moinho de maré de Corroios e não só

 * Victor Nogueira

Embora haja fotos minhas dos moinhos de maré de Alhos Vedros, Barreiro e Corroios apenas deste último tenho digitalização parcial. Seguem-se estas fotos e textos com referencias a moinhos de maré na Península de Setúbal, estes não só de minha autoria

.

O moinho de maré de Corroios






Os textos

De Setúbal à Atalaia o percurso ainda é feito por estreita e movimentada estrada, passando por povoações à beira da estrada sem algo de notável para assinalar. O Santuário da N. Sra da Atalaia era a primeira agradável surpresa, lá no cimo da escadaria que parte do amplo terreiro onde existe um cruzeiro. Depois a ponte das Enguias, periclitante, onde se situava um arruinado edifício que outrora fora caiado de branco, que não confirmei se teria sido um moinho de maré, para além de salinas e arrozais.  (Memórias de Viagem, 1997)


A parte antiga do  Barreiro possui um passeio arborizado ao longo do rio Tejo, com arruamentos em quadrícula. As três igrejas antigas concentram-se à beira-rio (N.Sra do Rosário, Misericórdia e Santa Cruz), onde também existem uma praia fluvial, poluída, os moinhos de vento da Alburrica, um deles acentuadamente cónico (naquele onde funciona uma Ludoteca), e moinhos de maré, que são testemunhos de processos de fabrico que pertencem ao passado. Avenida Alfredo da Silva,  fundador da CUF (Quimigal) é uma importante artéria onde se concentra variado comércio, com um jardim. O edifício da Câmara é pobre, com vitral na escadaria. Junto ao rio Tejo um dédalo de linhas férreas, com Lisboa na outra margem.  (Memórias de Viagem, 1997)


A vila de Alhos Vedros possui pelourinho, coreto e um desactivado moinho de maré, com um muito degradado palácio com varandas de sacada. Estes dois edifícios situam-se no Largo do Descarregador, ao qual se chega pela rua do Marítimo, perto dum esteiro  mal cheiroso, onde vogam ainda algumas embarcações. (Notas de Viagem, 1997) 


Seixal é uma pequena povoação. uma rua central e duas laterais, transversais para o rio, dois pequenos jardins, um em cada extremo, e um passeio alameda ao longo do rio. O Ecomuseu tem vários núcleos, como o da construção naval, moagem (moinho de maré de Corroios) e romano. Situa-se num esteiro do rio Tejo, denominado Rio Judeu, em cujas margens ficam também Arrentela, Amora e Corroios. Barcos recuperados: um varino e dois botes de fragata. O moinho de maré de Corroios, o único de dez que se mantém em funcionamento; no século XVI ascendiam a 60, que abasteciam Lisboa com farinha. (1) À entrada do Seixal impõe se o edifício da fábrica corticeira da Mundet, hoje encerrada, em processo de degradação.  (Notas de Viagem, 1997) 

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(1) Outros moinhos são os da Quinta da Palmeira e do Zemoto (aldeia de Paio Pires), do Breyner (Arrentela), da Torre, do Capitão, do Galvão e da Passagem (Amora), Velho e Novo dos Paulistas (Seixal).


Outros textos, de outrem

Os moinhos de maré da Margem Sul do Tejo

2019

Das muitas dezenas de moinhos de maré que outrora funcionaram no Estuário do Tejo, ainda há vários na Margem Sul que resistiram ao passar dos séculos.

Destes, escolhemos quatro que, por si só, justificam um passeio até ao Seixal, Montijo, Moita ou Barreiro. Ora vê a nossa lista, junta a família e prepara já uma visita com muito para contar.


1 – Moinho de Corroios, no Seixal

Foi edificado em 1403, por ordem de Nuno Álvares Pereira, dono da maior parte dos terrenos à volta do rio Coina, o afluente do Tejo que entra no Seixal. Um ano depois, o Santo Condestável acabou por doá-lo aos frades carmelitas do Convento do Carmo, que o utilizavam para a moagem de cereais.

Reconstruído após o terramoto de 1755, começou a perder importância nos anos 70 do século passado, mas a Câmara do Seixal transformou-o num ecomuseu que faz as delícias de visitantes de todas as idades. Hoje é um dos poucos exemplos de moinhos de maré (no mundo) a trabalhar para o público.

2 – Moinho do Cais, no Montijo

Ex-líbris do concelho do Montijo, este moinho de maré tem origens documentadas em meados do século XVII, mas a cruz da Ordem de Santiago que existe na fachada denota uma história anterior. Também ele utilizava as águas do Estuário do Tejo para moer os cereais e transformá-los em farinha.

Pertenceu à mesma família durante vários séculos e mudou de mãos no século XX, antes de ser adquirido pela Câmara Municipal, em 1995, que assumiu a sua preservação. Está aberto a visitas durante o fim de semana.

3 – Moinho de Alhos Vedros, na Moita

Construído no século XVII, é um moinho de maré cheio de história, já que a farinha que produzia abastecia não só a população local da zona da Moita, como a própria cidade de Lisboa. Além disso, era também utilizado pela Fábrica de Vale do Zebro, de onde saíam os biscoitos utilizados durante as viagens marítimas dos Descobrimentos.

Esteve em laboração até 1940 e agora pertence à autarquia da Moita, que o reconverteu em espaço cultural para dar a conhecer o modo de funcionamento dos antigos moinhos de maré. Aqui, poderás descobrir, por exemplo, alguns equipamentos de moagem, como as cambeiras, os teigões e as pás da farinha.

4 – Moinho de Maré Pequeno, no Barreiro

Dos 12 moinhos que o Barreiro chegou a ter por todo o concelho, ainda é possível observar cerca de meia dúzia, alguns bem conservados, outros já em ruínas. Entre eles, destaca-se o Moinho de Maré Pequeno, que esteve em funcionamento até ao primeiro quartel do século XX. Depois, chegou a ser armazém de produtos que chegavam do Ribatejo (via fragatas) e hoje é um centro interpretativo, aberto a visitas pela câmara Municipal.

O Moinho de Maré do Braamcamp, no Bico do Mexilhoeiro, o Moinho de Maré de Coina, o Moinho de Maré do Duque, e o Moinho Grande, em Alburrica, são outros testemunhos deste tipo de construções que aproveitavam as águas do Tejo.

Os moinhos de maré em Setúbal