Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

domingo, 2 de agosto de 2026

Murais e grafitos em Setúbal (188) -'Deixa curtir nha drena .('Deixa-me estar na minha onda ')



Foto Victor Nogueira - Grafito em Setúbal, na Avenida Antero de Quental ( 2021 07 22 Canon 194_07)

 * Victor Nogueira / Gemini

Esta fotografia apresenta uma intervenção de graffiti tradicional/escrita (frequentemente associada a peças de estilo lettering ou tagging urbano) num muro de betão, junto a uma zona de escadarias em Setúbal.

Aqui tens uma análise detalhada dos seus aspetos visuais, técnicos e estéticos:

sábado, 1 de agosto de 2026

Murais de solidariedade internacionalista (26) - em Orgosolo

 * Victor Nogueira / Gemini




2026 07 26 - Mural em Orgosolo, Sardenha, Itália - Homenagem a Claudio Varalli e Gianni Zibecchi, antifascistas mortos em Milão em Abril de 1975

Este mural em Orgosolo (Sardenha) é uma composição comemorativa e política que recorda dois jovens militantes antifascistas mortos em Milão em dias consecutivos, em abril de 1975, durante os conturbados "Anos de Chumbo" italianos.

Auto-retrato e variações 30 - Cartoon 01

* Victor Nogueira

Personagens de cartoon  gerados pelo chatGPT, a partir dum auto-retrato de minha autoria,  estilo António, Julião Machado e  Rafael Bordalo Pinheiro



2026 07 26 - Auto-retrato e variações 139 - Cartoon gerado pelo chatGP


2026 07 27 - Auto-retrato e variações 140 - Cartoon gerado pelo chatGPT


2026 07 28 - Auto-retrato e variações 140 - Cartoon estilo Rafael Bordalo Pinheiro gerado pelo chatGPT


2026 07 29 - Auto-retrato e variações 141 - Cartoon estilo António, gerado pelo chatGPT

2026 07 30 - Auto-retrato e variações 142 - Cartoon estilo Julião Machado (1863–1930), gerado pelo chatGPT


2026 07 31 - Auto-retrato e variações 143 - Cartoon estilo Julião Machado (1863–1930), gerado pelo chatGPT


2026 08 01 - Auto-retrato e variações 144 - Cartoon estilo Rafael Bordalo Pinheiro, gerado pelo chatGPT

O chatGPT 'inventou'. Nunca fumei cachimbo e apenas na adolescência registei no meu 'Diário' que fumava, mais do que a minha memória registava. Mas na família o único fumador inveterado foi o meu avô Luís, que para Luanda me enviava cigarros de chocolate, entre múltiplas outras lembranças, como o Pim Pam Pum e o Cavaleiro Andante, amêndoas com licor, nozes e pinhões. Só no fim da vida abandonou o vício.

sábado, 25 de julho de 2026

Murais de solidariedade internacionalista (25) - em Orgosolo

 * Victor Nogueira


2026 07 19 - Mural em Orgosolo, Sardenha, Itália - Pratobello - Pastos livres de patrões e de canhões

De volta à Sardenha e ao coração da Barbagia! Este é um plano detalhado de um dos cartazes mais icónicos que compõem o muralismo histórico de Orgosolo (desenhado originalmente por Francesco Del Casino). Ele sintetiza o espírito da revolta pacífica de Pratobello em 1969.

Auto-retrato e variações 29 - Banda Desenhada 04

 * Victor Nogueira

Personagens de BD gerados pelo Google Gemini, a partir dum auto-retrato de minha autoria,  estilo João Abel Manta, Harold Foster, manga, José Luís Salinas (série Cisco Kid),  Jean-Claude Mézières (série Valérian e Laureline) e Uderzo  

2026 07 19 - Auto-retrato e variações 132 - Personagem de BD estilo João Abel Manta



2026 07 20 - Auto-retrato e variações 133 - Personagem de BD estilo Harold Foster


2026 07 21 - Auto-retrato e variações 134 - Personagem de BD estilo manga


2026 07 22 - Auto-retrato e variações 135 - Personagem de BD estilo José Luís Salinas (série Cisco Kid)


2026 07 23 - Auto-retrato e variações 136 - Personagem de BD estilo Jean-Claude Mézières (série Valérian e Laureline)

O principal desenhador da série clássica de banda desenhada Valérian e Laureline foi Jean-Claude Mézières. Noutros álbuns e homenagens posteriores, artistas como Virginie Augustin, Mathieu Lauffray e Manu Larcenet também desenharam os personagens.



2026 07 24 - Auto-retrato e variações 137 - Personagem de BD estilo José Luís Salinas (série Cisco Kid)


2026 07 25 - Auto-retrato e variações 138 - Personagem de BD estilo Uderzo,

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Murais de Abril (34) - Onde está a Liberdade? A resposta está em cinco novos murais em Lisboa

 


Inês Belo e Marcos Borga Repórter Fotográfico

Na sua intervenção, António Alves reproduziu momentos históricos destes 50 anos: o fim do Estado Novo, a espontaneidade popular do 25 de Abril representada pela manifestação dos moradores do Bairro da Liberdade, as primeiras páginas dos jornais

Assinalando os 50 anos de Abril, a Galeria de Arte Urbana de Lisboa convidou cinco artistas de diferentes gerações a fazer um mural. A sua resposta à pergunta “Onde está a Liberdade?” está espalhada na cidade

25.09.2024

Subindo a Avenida Calouste Gulbenkian, em direção à Praça de Espanha, ter-se-á a melhor perspetiva do mural de António Alves. Teve o “privilégio” de viver o 25 de Abril de 74, conta-nos, abstraindo o olhar como se fosse de novo o jovem adolescente que, naquele dia, saiu bem cedo da Margem Sul para vir trabalhar para Lisboa e foi surpreendido com a Revolução na rua. Nessa altura, com 17 anos, já tinha como referência as pichagens de rua com frases contra a Guerra Colonial. Depois, foi muralista no PREC e hoje, aos 67 anos, continua a andar com latas de tinta na mochila para poder desabafar na parede.

António Alves é um dos cinco convidados da iniciativa 5 Décadas, 5 Artistas, 5 Murais promovida pela Galeria de Arte Urbana (GAU) da Câmara Municipal de Lisboa, que assinala os 50 anos da Revolução dos Cravos. O convite, explica o coordenador da GAU, Hugo Cardoso, foi lançado a artistas com percursos representativos das cinco décadas da história da arte urbana em Portugal, desafiando-os a refletir sobre a pergunta “Onde está a Liberdade?”. Além de António Alves (anos 70/80), participaram Youth One (anos 90, o início do graffiti), ±MAISMENOS± (anos 2000, entrada da street art nas galerias de arte), Kruella D’Enfer (anos 2010, afirmação das mulheres na arte urbana) e Arisca (anos 2020, sangue novo no feminino).

Tinta plástica, latas de spray, stencil, cada artista escolheu os materiais para dar forma e cor às suas reflexões em muros e empenas que vão dos 80 aos 180 metros quadrados. Uns reproduziram à mão os desenhos em quadrículas, outros optaram por projetá-los nas paredes e depois subir na grua para fazer os contornos. As intervenções encontram-se dispersas na malha de Lisboa, formando uma coroa que passa por Campolide, Areeiro, Alfama e Castelo.

Fique a conhecer, em primeira mão, as principais histórias da edição que chega às bancas no dia seguinte

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António Alves

Na sua intervenção, reproduziu momentos históricos destes 50 anos: o fim do Estado Novo, a espontaneidade popular do 25 de Abril representada pela manifestação dos moradores do Bairro da Liberdade, as primeiras páginas dos jornais, a independência das ex-colónias, as feministas que se manifestam pelos seus direitos. O mural termina com a palavra Liberdade. Está enevoada, um sinal dos tempos mas também de que há esperança. Cç. dos Mestres / Av. Calouste Gulbenkian


Youth One

Para Adalberto Brito (Youth One), o 25 de Abril representou uma oportunidade de vida, após a família ter perdido tudo em Angola, fugindo à Guerra Colonial. Este seu percurso está refletido na empena de um prédio no Bairro da Liberdade. Mulheres e homens dão expressão ao passado e ao presente. O futuro, repleto de desafios, escolhas, anseios, fica por conta de uma criança. Bairro da Liberdade, Rua B, 1


±MAISMENOS±

Recorrendo a um teste de acuidade visual – no qual a leitura se torna mais difícil à medida que as letras vão diminuindo –, Miguel Januário (±MAISMENOS±) manifesta o seu ceticismo quanto ao cumprimento dos valores de Abril. Passaram-se 50 anos, mas isso não é o mais importante. A Liberdade é o bem maior e, para continuarmos a ser livres, é preciso ter visão. Estaremos todos míopes? O melhor será fazer o teste. Av. Gago Coutinho, 3

Kruella D’Enfer

No Teatro Taborda, Ângela Ferreira (Kruella D’Enfer) criou um labirinto onírico em que os conceitos de teatro e de liberdade se entrelaçam. Para a artista visual e ilustradora, nascida em 1988 em Tondela, ambos estão ligados enquanto meios de expressão e reflexão social. O muro traça o caminho onde surgem máscaras, cravos, uma pomba, que tanto podem ser contemplados de perto como decifrados do miradouro da Graça. Teatro Taborda, R. Costa do Castelo, 75


Arisca

Com 31 anos, é a mais nova desta mão-cheia de artistas. A Inês Arisca, nascida no Porto, coube trabalhar duas empenas, situadas frente a frente, que se confrontam e ao mesmo tempo se complementam. De um lado, o conhecimento (“não existe liberdade sem a busca de conhecimento”), do outro, o afeto e a empatia (“é quase revolucionário, neste mundo individualista e violento em que vivemos”). Este é o seu primeiro trabalho, em nome próprio, em Lisboa. R. dos Caminhos de Ferro, 58 e 66

 https://visao.pt/visaose7e/sair/2024-09-25-onde-esta-a-liberdade-a-resposta-esta-em-cinco-novos-murais-em-lisboa/#google_vignette

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sábado, 18 de julho de 2026

Murais e grafitos em Setúbal (187) -'"Fuck the police"

* Victor Nogueira  / Google Gemini


Foto victor nogueira - grafitos no Parque de Vanicelos, em Setúbal (fotomontagem GEDC1642 e GEDC1643)

A própria palavra "GIRAAA!" escrita na parede à direita é uma expressão tipicamente portuguesa ("gira"), o que ajuda a confirmar imediatamente a localização no contexto urbano nacional.

Com esta correção geográfica, a interpretação ganha o contexto local do graffiti e da street art em Portugal:

1. As Siglas Locais

  • "CPA 01" e "CG / CP": Em Portugal, este tipo de siglas escritas à pressa perto de assinaturas está muito frequentemente associado a subculturas urbanas locais, bairros específicos da região de Setúbal ou a grupos/núcleos de jovens e claques de futebol (sendo Setúbal uma cidade com uma forte cultura associativa e ligada ao Vitória Futebol Clube).

  • "STb": É uma abreviação clássica e muito comum para a palavra Setúbal. O facto de estar escrito "STb 2014" indica precisamente a marcação da cidade e o ano em que a intervenção foi feita nas escadas.

2. A Estética e o Slogan

A parede retrata a cultura do graffiti puro (writing), onde os artistas da Margem Sul deixam as suas marcas (NERA, DEPO) e a sigla da sua crew (BDL) em locais de passagem e infraestruturas públicas, como esta escadaria. A inclusão do slogan "Fuck the police" reflete a habitual atitude de rebeldia contracultural e antiautoritária que une o movimento do graffiti ilegal a nível global, adaptada aqui ao cenário urbano setubalense.