Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

domingo, 5 de dezembro de 2021

Pelourinhos 25 / Municípios 09 - Alvito

 * Victor Nogueira


Fotos victor nogueira - Alvito - Paços do Concelho, castelo e pelourinho

«Alvito recebeu foral em 1249, outorgado por D. Afonso III; entregue à Ordem dos Frades Trinos da Redenção dos Cativos, recebeu destes novo documento, em 1280, que D. Dinis confirmou oito anos mais tarde. D. Manuel concedeu Foral Novo à vila, em 1516, na sequência do qual se terá levantado o pelourinho. No entanto, este foi apeado e desmembrado em 1890, e depois restaurado, sendo possível que o fuste original, talvez perdido, tenha sido substituído pelo actual, que não parece quinhentista. Poucos anos antes do apeamento, em 1884, o rei D. Carlos imortalizou o monumento numa aguarela.

O pelourinho de Alvito fica na Praça da Republica, antiga Praça da Rainha, diante da Torre da Fonte do Castelo. É constituído por um simples fuste poliédrico, de faces lisas, sobre o qual assenta um remate cónico com estrias helicoidais decoradas com boleados, ao estilo manuelino. Entre o remate e a coluna possui quatro ferros em cruz. A base da coluna é constituída por um troço quadrangular e de uma secção oitavada, de faces côncavas, colocada sobre um soco constituído por dois degraus quadrados. É provável que a este conjunto falte o capitel, ou a peça que faria a vez deste. » (SML – DGPC)

sábado, 4 de dezembro de 2021

Pelourinhos 24 / Municípios 08 - Alfeizarão e Alpedrinha

 * Victor Nogueira


Pelourinhos de Alfeizarão e Alpedrinha

Alfeizarão - No contexto da Reconquista cristã recebeu foral em 1332. Este diploma, passado pelo Abade do Mosteiro de Alcobaça, foi por este renovado em 1422. D. Manuel I  concedeu-lhe Foral Novo, em 1514.. Foi sede de concelho, constituído pelo território da freguesia actual, acrescido de alguns lugares hoje pertencentes à freguesia de Famalicão. Com a reforma administrativa de meados do século XIX, o concelho foi extinto e a freguesia anexada ao de São Martinho do Porto, entretanto também suprimido. Passou então para o de Alcobaça, depois para o de Caldas da Rainha (por pouco tempo) e de novo para o de Alcobaça - no qual se conserva desde o início do século XX.

O pelourinho, manuelino, data do século XVI. Sobre uma base circular de três degraus, ergue-se o fuste dividido em duas peças com estrias espiraladas fiadas de quadrifólios entre as caneluras. O remate, constituído por um tronco-piramidal de base quadrada, ornamentada com flores-de-lis e duas torres numa das faces, e uma figura humana com manto noutra face, assenta sobre um capitel envolvido por folhas de acanto. (Wikipedia)

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Alpedrinha - Foi sede de concelho entre 1675 e 1855, pertencendo actualmente, como freguesia, ao município do Fundão. 

O pelourinho foi erguido em 1675, cinco anos antes da construção da Casa da Câmara, aquando da promoção de Alpedrinha a sede do concelho por D. Pedro, então ainda regente. Restaurado em 1934, assenta num soco de três degraus e apresenta um fuste de secção quadrangular com os ângulos chanfrados. O capitel jónico, de onde ainda se projectam os ferros das forcas, é sobrepujado por um bloco paralelepipédico, ostentando nas faces o escudo nacional, a esfera armilar e uma inscrição alusiva à sua edificação. O conjunto termina numa pirâmide de vértice interrompido por uma esfera. (Wikipedia)

O edifício da antiga Casa da Câmara tem  fachada de cantaria onde ressaltam varandas com grades de ferro. Apresenta o escudo com as armas nacionais datado de 1680. 


Fotos de capa em dezembro 04

 * Victor Nogueira


2021 12 04 Fotos victor nogueira - Pelourinhos de Alfeizarão e Alpedrinha


2020 12 04  foto victor nogueira- - bebedouro e mural - Torre da Marinha (Seixal) 1979 05

2019 12 04 - quatro poemas de antónio reis


Chamaste António
e eu não senti
não tem som
o nome
se outra voz ouvi
Que tenho
Estou longe
e estou perto de ti.

~~~~~~~~

Ah
um
som
qualquer
na toalha branca
no vinho na água
na colher.

~~~~~~~~~~

163.

Sei
ao chegar a casa
qual de nós
voltou primeiro do emprego

Tu
se o ar é fresco

eu
se deixo de respirar
subitamente

~~~~~~~~

27
Conheço
entre todas
a jarra que enfeitaste

têm o jeito
com que compões o cabelo
as flores
que tocaste


foto victor noguera - ponte 25 de abril, em lisboa, sobre o rio tejo 2001.02.22


2018 12 04 Luanda, 1951 - Naqueles tempos, as crianças em Luanda usavam calções e suspensórios e só no final da adolescência mudavam para calças compridas e cinto, como os adultos. Mas eu estivera em Portugal em 1949/50 e no inverno, no Porto, usava calças, como as da foto, que depois o meu irmão "herdou". Mas foi "sol" que durou apenas o tempo de vida das calças.

A minha mãe impunha-nos dois tipos de vestimenta enquanto crianças: a roupa nova, de sair à rua, que tínhamos de mudar quando chegávamos a casa, "tirania" que terminou na nossa adolescência. Assim, o meu irmão "herdava" a minha roupa (quase) nova, que podia vestir à vontade, pois já era .... usada. Enfim ...



2013 12 04 - CGTP - Semana de Luta



2013 12 04 Álvaro Cunhal e a fuga do Forte de Peniche


2013 12 04 Foto Victor Nogueira - setúbal e serra da arrábida - sombras na praia da figueirinha





2012 12 04 Foto Victor Nogueira - Atouguia da  Baleia (brimquedos  e farramentas)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Pelourinhos 23/ Igrejas 86 / Municípios 07 - Fotos de capa 03

 * Victor Nogueira


Azurara, Castelo Novo (Fundão), Lisboa, Murça, Oeiras, Setúbal, Vila do Conde, Vila do Touro (Sabugal)


2021 11 27  Fotos victor nogueira - Azurara - Igreja de Santa Maria a Nova, cruzeiro e pelourinho


2021 11 28 Fotos victor nogueira - Vila do Conde -  Pelourinho, Capela do Senhor da Agonia e Igreja de S. João Baptista


2021 11 29 Oeiras - Pelourinho, Casa da Câmara e Capela de N. Sra das Mercês, no Palácio do Marquês de Pombal e Conde de Oeiras


2021 11 30 Fotos Victor Nogueira - Murça - Pelourinho, Paços do Concelho, Solar dos Guedes  e Igreja de Santa Maria


2021 12 01 Fotos victor nogueira -  Lisboa - Paços do Concelho e Pelourinho


2021 12 02 Fotos victor nogueira - Paços do Concelho, Pelourinho, igreja de S.. Julião e estátua de Bocage

Pelourinhos 22 / Municípios 06 - Aljubarrota

 * Victor Nogueira


Aljubarrota - Pelourinho, Torre do Relógio e antiga Casa da Câmara, actual Junta de Freguesia (rolo 345)

«Aljubarrota foi uma das treze vilas dos coutos da abadia cisterciense de Alcobaça, fundados por D. Afonso Henriques em 1147. Fazia parte das terras doadas pelo monarca em 1153 e 1183, sendo então referida como Aljamarôta, talvez corruptela da palavra árabe Aljobbe (poço ou cisterna).

Recebeu a sua primeira Carta de Foral das mãos do então donatário, o abade D. Martinho I, em 1316. A sua localização estratégica, defendendo as ricas terras da Abadia de Alcobaça, junto dos itinerários principais para alcançar Lisboa, fizeram da localidade o palco da célebre batalha entre as tropas portuguesas e castelhanas, as primeiras sob o comendo de D. João I e de D. Nuno Álvares Pereira, resultando numa das mais importantes e mitificadas vitórias portuguesas. Alcobaça viria ainda a receber foral novo, outorgado por D. Manuel, em 1514, na sequência do qual terá sido construído o actual pelourinho.

Este levanta-se na praça do mesmo nome, em local central da vila, junto à antiga Casa da Câmara (hoje sede da Junta de Freguesia) e da torre sineira ou do relógio, da época de D. Sebastião.

Sobre um soco de três degraus circulares, de pedra aparelhada, levanta-se o conjunto da base, coluna, capitel e remate, em granito. A base é tronco-cónica, de planta octogonal, em três registos moldurados, com motivos vegetalistas de tradição gótica. A coluna tem fuste cilíndrico e liso, sobre o qual assenta um capitel oitavado, decorado com oito florões, que para alguns autores se assemelham a "cruzes de Avis estilizadas" (E. B. de Ataíde MALAFAIA, 1997, p. 85). Sobre o ábaco, ainda oitavado, assenta o remate tronco-piramidal, ornado de um escudo encimado por um chapéu, tradicionalmente considerado da "Padeira de Aljubarrota" (Idem, ibidem), muito semelhante a um chapéu cardinalício, por sua vez sobrepujado por esfera armilar.

Por esta via, associa-se por vezes o chapéu à figura do Cardeal D. Henrique, que foi abade comandatário em Alcobaça. Porém, D. Henrique apenas recebeu o chapéu cardinalício em 1546, que parece ser uma data demasiado avançada para a factura do pelourinho. A sua tipologia e elementos decorativos, incluindo o escudo e a esfera armilar, apontam para os anos imediatos à outorga de foral, ainda durante o reinado de D. Manuel. » (SML - DGPC) 

Fotos de capa em dezembro 03

 * Victor Nogueira


2021 12 03 Foto victor nogueira - Aljubarrota - Pelourinho, Torre do Relógio e antiga Casa da Câmara, actual Junta de Freguesia (rolo 345)


2020 12 03 foto victor nogueira - Porto - Fonte dos Leões, na Praça de Gomes Teixeira

VER


2019 12 03 foto fátima pereira - encenação na área de serviço da autoestrada do oeste (2001.02)


2018 12 03 Em Matosinhos, 1974 12 (foto MNS)


2017 12 03 Foto victor nogueira - João e Francisco sem esquecer os ursos de peluche


2014 12 03 foto victor nogueira - Centro Comercial Oeiras Parque - a 'ilusão' da espreitadela ou foto da foto na/da montra !


2013 12 03 - Legalização do PCP - 1974.12.03


2013 12 03 - Castelo de Bragança - Foto Helder Quintas


2013 12 03 Magrite - os amantes


2013 12 03 textos em ao sabor da pena e do olhar 01


2013 12 03 textos em ao sabor da pena e do olhar 02



quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Pelourinhos 21 / Igrejas 85 / Municípios 05 - Setúbal

 * Victor Nogueira


Fotos victor nogueira e Américo Ribeiro - Paços do Concelho, Pelourinho, igreja de S. Julião e estatua de Bocage

O actual edifício dos Paços do Concelho de Setúbal, é projecto de Raul Lino. O edifício primitivo, do século XVI, reformulado no século XVIII, com traça similar à da Casa do Corpo da Guarda, foi destruído por um incêndio quando da Implantação da República. Com efeito os Paços do Concelho em muitas terras albergavam também os serviços de cobrança de impostos e a cadeia comarcã, para além de aquartelaram a Guarda Municipal. De 4 para 5 de Outubro, cercada e encurralada pela população, a Guarda Municipal abriu fogo sobre os manifestantes, que vitoriavam a República e a Queda da Monarquia, não conseguindo impedir a invasão do edifício e o incêndio subsequente, que destruiu os Arquivos Municipais, reduzindo a cinzas grande parte da História documental do Município.

Foi no Congresso Republicano de Setúbal, realizado nos dias 23, 24 e 25 de Abril de 1909, no antigo Teatro Rainha D. Amélia – hoje o Fórum Luísa Todi – que se decidiu a via revolucionária para a conquista do poder, quando até aí era por muitos defendida uma perspectiva mais pacífica e evolucionista, da conquista deputado a deputado, câmara a câmara, como caminho para a implantação da República.

Programada para ser proclamada a República em 4 de Outubro de 1910, ela veio a acontecer nesse dia nos Municípios de Loures, Moita e Setúbal. A resistência das forças militares fiéis á Monarquia quase fez malográ-la em Lisboa, na sequência do assassinato de Miguel Bombarda por um alienado no hospício e pelo suicídio doutro dos líderes, o Almirante Cândido dos Reis, convencido do fracasso da revolta. Contudo, a resistência dos revoltosos na Rotunda, chefiados pelo comandante Machado dos Santos, em Lisboa, acabou por conduzir á vitória e á implantação da República, proclamada da varanda dos Paços do Concelho de Liboa em 5 de Outubro.

Anteriormente e na sequência do Ultimato Inglês a propósito do Mapa Cor-de-Rosa e partilha de África pelas potências coloniais, ocorrera no Porto a Revolta de 31 de Janeiro , em 1891, o primeiro movimento revolucionário que teve por objectivo a implantação do regime republicano em Portugal. A revolta fracassou e os implicados foram alvo de violenta repressão pelas dorças da Monarquia.

O pelourinho de Setúbal esteve inicialmente colocado na Praça da Ribeira Velha, sendo depois deslocado para o actual Largo do Marquês de Pombal, no Bairro do Tróino.

O pelourinho de Setúbal data do século XVIII, sendo uma estrutura em cantaria de mármore, composta por soco quadrangular de dois degraus, onde se ergue um pedestal prismático com inscrições, sobre o qual assenta coluna de fuste cilíndrico, capitel coríntio encimado por pinha cónica, com ferro terminal trespassando três esferas muito deterioradas. No pedestal lêem-se as seguintes inscrições: A S.: "Este pelourinho se mudou da Praça Ribeira para esta real no Anno de 1774"; a N.: "E por decreto de S.M.F. nomeado inspector das obras públicas desta villa José Bruno de Cabedo Coronel do Regimento e governador da praça Director destas João Vasco Manuel de Braun sargento-mor da mesma Engº e comandante d'artilharia"; a E.: "Por ordem do Illmo. e Exmo. Sor. Marquez de Pombal do Conc. de Estado"; a O.: "Tudo Executado por despeza da Camera desta Villa, sendo juiz de fora, Liandro de Souza da Sylva Alcoforado".


VER

O Pelourinho de Setúbal

Paços do Concelho de Setúbal e Casa do Corpo da Guarda

Setúbal - Igreja de S. Julião