Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

sábado, 8 de agosto de 2020

O coreto e o Jardim de Paço de Arcos

* Victor Nogueira

Fica este coreto no Jardim Municipal de aço de Arcos, no que seria o Passeio Público do tempo em que a burguesia vinha a banhos. É bordejado pelo Rio Tejo, por alguns chalets desse tempo e nele se situavam o Casino (hoje sede do Clube Desportivo) e pelo edifício (reconstruído) que outrora foi o Cinema Chaplin.

Coreto (pormenor dum postal VN)

Para lá dum parque infantil, outrora frequentados pelos meus filhos, possui um pavilhão restaurante e um Campo Desportivo. Neste Jardim se encontra um monumento homenageando o patrão Joaquim Lopes (1798-1890), célebre por durante a sua vida ter salvo da morte inúmeros náufragos.

Aqui ficam registos ao longo do correr dos dias e das noites, in illo tempore

1963
Os dias têm estado óptimos, quentes e cheios de sol.  Paço de Arcos é um sítio deveras sossegado. Domingo fui à missa das 11, na capelinha do Paço dos Condes de Alcáçovas [donde vem o nome da vila, pois tem três arcos no piso térreo, virado para o Rio Tejo]. Além desta há uma Igreja, que será substituída por uma outra. Em seguida fomos dar um passeio até ao jardim, onde ficam campos de jogos, parque infantil, bar, cinema e clube [Clube Desportivo e Recreativo de PA, num edifício que foi o antigo casino. (1963.11.17/19 - Diário IV)

(foto jj cf)

1972
Hoje não vamos a Lisboa. Passearemos apenas aqui em Paço de Arcos. Sairemos aqui de casa, apreciarás a casa onde moram as minhas tias [na Av. Conde S. Januário], que tem um jardim pouco cuidado, que pertence à senhoria [a D. Manuela de Ataíde], que mora no r/c -  nós moramos no 1º andar. Atravessamos a linha férrea, iremos até ao Paço dos Condes de Qualquer Coisa.

Tomaremos a rua Costa Pinto, com prédios que devem ser do tempo do Marquês de Pombal e, junto à tabacaria [Dany], viraremos para o jardim, onde agora está a "feira" [Festa do Senhor Jesus dos Navegantes.  Veremos os cartazes do cinema [Chaplin] e as pessoas que passeiam. Senta-mo-nos no jardim, trocando ideias sobre as notícias do jornal.  De vez em quando uma beijoca (quando o polícia não olhar!). Esperemos que nenhuma das velhotas se escandalize. Queres ir tomar ali alguma coisa ao bar? 



Retomaremos o passeio pela marginal, ultrapassaremos a doca e iremos até à praia tomar banhos de sol. De mar não, por causa da poluição.  E como o tempo falta - a tiragem do correio é às 17 horas - regressaremos passando pelo Mercado e rumo aos CTT, apreciando os prédios do J. Pimenta, junto à Igreja nova [e de estilo moderno], onde nunca entrei. (MCG - 1972.08.02)

Antigo Casino e coreto (fotos em 2016.06)







(foto jj castro ferreira - 1960)

O dia está desagradável no jardim: ventoso e fresco. Ontem o tempo estava estival, dizem as minhas notas. Os carros passam velozmente ali na Marginal e o Tejo é azul. As crianças correm e brincam pelas áleas e vêm-se muitos triciclos e bicicletazinhas. A esplanada está cheia de gente que conversa. Além à esquerda vejo o barracão feio do cinema da vila [o Chaplin]: apenas três sessões semanais no verão - terças, sábados e domingos.  (MCG - 1972.08.10)

Encontro-me no jardim, rodeado de pessoas, digo, de crianças brincando e do trânsito automóvel. O chão está coberto de folhas secas e amarelecidas, que o vento transporta. Esse vento fresco que me fará ir embora mais cedo porque se torna desagradável. Ultimam-se os preparativos para a Festa do Senhor Jesus dos Navegantes, que se realizará nos últimos dias deste mês de Agosto, pelos vistos mês das feiras e festarolas.  (MCG - 1972.08.23)

Desta vez as minhas deambulações trouxeram-me até ao Jardim de Paço de Arcos. Aqui estou, pois, junto à Estrada Marginal, onde passam, velozes, carros e mais carros. O Tejo está defronte a mim e o Tejo seria uma baía como a de Luanda ou do Rio [de Janeiro] se eu não soubesse. Ao alcance da vista o mar e o Farol do Bugio. Para montante Lisboa, a Ponte e o Cristo-Rei. Além é Belém, di-lo o monumento que daqui se vê. Os bancos do jardim estão desertos: corre uma aragem fresca e algo desagradável. O jardim tem flores, mas as árvores estão ainda despidas. O céu nublado está belo, ao pôr do sol. As nuvens, negras nuns sítios, iluminam-se noutros. De resto vai se aproximando a hora de jantar - os dias agora estão mais compridos. (s/data - 1972/73 ?)

1974
Ontem o mar estava de tal modo encapelado que as ondas batiam violentamente no paredão, submergindo os carros que passavam na Marginal, entre os quais o nosso. Um espectáculo com piada. Anteontem choveu, relampejou e trovejou de tal modo que até parecia uma das tempestades em Luanda. (1974.01.06)

(fotos no Parque Infantil em 1982 Natal)

(foto jj castro ferreira)




1997

O Patrão Lopes - salva vidas (émulo do Cego de Maio, da Póvoa de Varzim) é um dos "heróis" ou personalidades de Paço de Arcos, onde o Clube Desportivo ocupa o edifício do antigo casino, com varanda envidraçada, perto dos Fornos da Cal, recuperados. No jardim arborizado com um café-restaurante esplanada existem algumas casas apalaçadas coexistindo com prédios de vários pisos ou casas térreas humildes e as instalações sanitárias públicas são art Déco. Na rua Costa Pinto, autarca doutros tempos, existe um "Palacete", com fachada de azuis, que foi pensão e albergou o Quartel dos Bombeiros Voluntários. Os portões ainda lá estão, enferrujados, com azulejo com emblema dos Bombeiros Voluntários. O núcleo histórico conserva-se, mas já nada existe do tempo em que Paço d'Arcos era terra de veraneio e banhos de mar, melhor se diria, banhos de rio. Hoje a praia está poluída e os bancos [casas bancárias] vão substituindo os restaurantes. (Notas de Viagens 1997)

No Jardim de Paço de Arcos, em 2016


Antigo chalet, vislumbrando-se à direita o antigo casino


Antigo Cinema Chaplin, onde vi muitos filmes em reprise


Antigo chalet


Parque Infantil e coreto


Pormenor da foto anterior


Esplanada


Antigo chalet


Lisboa para montante


Os Forte e Farol do Bugio, para jusante


Salvo indicação em contrário, as fotos são de minha autoria


VER




sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Quiosque em Braga, no Campo da Vinha

Foto Victor Nogueira - Quiosque em Braga, no Campo da Vinha

 (pormenor da Foto anterior)

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

arco-íris em Ferragudo



*  Victor Nogueira

foto victor nogueira . arco-íris em Ferragudo (Algarve) - 2000.04.22 Andávamos a visitar esta povoação quando de repente começou a chover torrencialmente. Valeu-nos estarmos junto duma daquelas cabines telefónicas antigas, como as de Londres, onde nos resguardámos, a porta fechada, esperando pela bonança. Foi então que surgiu esta foto.




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Cabine telefónica em Vila do Conde, idêntica à acima referida

Braga - Campo da Vinha



Foto Victor Nogueira - Braga - Campo da Vinha

Tomar e o coreto

* Victor Nogueira

Tomar é uma cidade maneirinha, umas das que me encantou como Aljubarrota ou Alcobaça, onde estive pelo menos duas ou três vezes, duma das quais há registo nas minhas Notas de Viagens, embora a visita ao Castelo  e à Sinagoga tenha ocorrido não na que a seguir se transcreve.

foto elisa fardilha - coreto de tomar


«Chegamos jà noite cerrada. As ruas da  povoação formam um traçado rectilíneo, com uma larga praça onde frente a frente se encontram o edifício da Câmara e a Igreja Matriz.  Nas traseiras daquela um morro no cimo do qual estão mas não se avistam o Convento e o Castelo. No sopé da encosta situam-se algumas ruas medievais, as restantes destruídas pela reconstrução que deu origem ao referido largo. Sinagoga. 

Atravessada por um rio onde se encontra um mouchão. Do outro lado outra povoação. Na margem de cá o Pelourinho está perdido no meio dum pequeno largo atravancado de carros.»  (Notas de viagens - 2000.12.12)

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

maria emília e manuel - Porto e Palácio de Cristal (1943)


* Victor Nogueira


maria emília e manuel - Porto e Palácio de Cristal (1943) - no tempo em que o futuro era esperançoso e primaveril - suponho que os meus pais se fotografaram um ao outro e que nas mãos do manuel está o livro dos finalistas de engenharia. A minha mãe só terminou o curso dela no ano seguinte, só depois embarcando para Luanda, onde o meu pai já se encontrava, onde se foi juntar aos meus avós e tios paternos, pois o meiu avô era quimico-analista nos laboratórios da Fazenda (açucareira) Tentativa (Caxito), nos arredores de Luanda.

Lisboa - coreto do Jardim Zoológico

* Victor Nogueira

Este coreto situa-se no Jardim Zoológico de Lisboa, sendo as fotos de autoria de Elisa Fardilha. Situado num frondoso espaço, a sua base está decorada com gravuras de animais selvagens , em liberdade. 

Imagens doutros coretos encontram-se em «Coretos, por Elisa Fardilha».








Sobre Zoos visitar «As feras enjauladas e amestradas»