* Victor Nogueira
Kant_O_Photomático
Castro Barroso Gato Nogueira - Blog Photographico - lembrança da moça do Alentejo
Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui
“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)
«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973
sábado, 6 de junho de 2026
Murais de solidariedade internacionalista (19) - Abril nas paredes
Murais de Solidariedade internacionalista (18) . Marxistas
«O mural é uma homenagem ao pensamento marxista-leninista e às lutas operárias italianas do início do século XX. As figuras à esquerda: No topo, o rosto de Antonio Gramsci, intelectual e fundador do Partido Comunista Italiano (natural da Sardenha). Abaixo dele, o "trio clássico" do comunismo: Lenin, Friedrich Engels e Karl Marx. O contexto: A obra evoca o período do Biennio Rosso (1919-1920), uma época de intensa agitação social na Itália, marcada por greves e ocupações de fábricas por operários.
Painel esquerdo (balão superior) Italiano (original):
GLI OPERAI ITALIANI HANNO APPRESO DALLA LORO / ESPERIENZA CHE NON È / POSSIBILE CHE IL PARTITO / DELLA CLASSE OPERAIA SI LIMITI AD UNA / AZIONE RIVENDICATIVA, MA CHE ESSO DEVE / CONDURRE UNA LOTTA POLITICA PER LA /
CONQUISTA DEL POTERE, PER L’ABBATTIMENTO / DEL CAPITALISMO E PER LA REALIZZAZIONE / DELLA DITTATURA DEL PROLETARIATO
Português: Os operários italianos aprenderam com a sua experiência que não é possível que o partido / da classe operária se limite a uma ação reivindicativa, mas que deve / conduzir uma luta política pela conquista do poder, pela derrubada / do capitalismo e pela realização da ditadura do proletariado Painel esquerdo (balão manuscrito lateral) Italiano: Livorno nel gennaio del 1921 nasce il P.C.I. / e fonda il Partito Comunista
Português: Em Livorno, em janeiro de 1921, nasce o PCI / e é fundado o Partido Comunista Painel esquerdo (faixa vermelha) Italiano: PARTITO COMUNISTA / SEZIONE DELLA INTERNAZIONALE COMUNISTA
Português: Partido Comunista / Secção da Internacional Comunista Faixa inferior (centro) Italiano:
Português: Depois de 20 dias de ocupação das / fábricas, os operários são obrigados a / regressar ao trabalho sem obter nada / dos patrões / / Logo depois, cerca de 50.000 / operários de Turim são / despedidos e os patrões começam a dar / dinheiro aos fascistas
Português: Operários metalúrgicos
POSSESSO DELLE FABBRICHE È AVVENIRE / TUTTA LA TECNICA NELLE MANI DEGLI OPERAI / VITA ECONOMICA SENZA PADRONI / / LA PARTE INDUSTRIALE NON PUÒ VIVERE SENZA DI NOI / E COSÌ STABILIREMO CHE SOLO QUANDO VORREMO / CEDERE, IL PUBBLICO AVRÀ ACCOLTO / LE NOSTRE RICHIESTE
Português:
Toda a exigência: a luta até às últimas consequências; a posse das fábricas é o futuro; / toda a técnica nas mãos dos operários; / vida económica sem patrões / / A parte industrial não pode viver sem nós / e assim estabeleceremos que só quando quisermos / ceder, o público terá acolhido / as nossas reivindicações
Português: Camaradas! / / Deixemos que os nossos adversários, os patrões, se organizem / durante a guerra: nós devemos / combatê-los com força e decisão / / Não esqueçamos que na guerra / declarada entre as classes / devemos atingir os nossos inimigos / e puni-los como merecem
Português: Camaradas! / / No domingo não abandonem o dever / permaneçam unidos / e não deixem escapar / esta ocasião / / organizem-se / reforcem os conselhos / continuem a luta » (Google Gemini e chatGPT)
Pietro Gori - A nossa Pátria é o mundo inteiro
Murais de solidariedade internacionalista (17) - Estaline
À esquerda do mural, está desenhado o símbolo comunista da foice e do martelo com uma estrela de cinco pontas, acompanhado pela sigla PCPR — Partido Comunista Português (Reconstruído), uma organização de tendência marxista-leninista/maoísta ativa em Portugal no período pós-revolucionário. Ao centro, destaca-se um retrato pintado de Estaline (Ióssif Stálin).
O que está escrito no mural divide-se em duas partes principais:
Ao centro (por cima e por baixo do retrato):
"Viva o Centenário do Nascimento de STÁLINE! Grande Guia do Proletariado Mundial!" (Nota: O centenário do nascimento de Estaline celebrou-se em dezembro de 1979, o que ajuda a enquadrar a data da fotografia).
À direita (o anúncio do evento):
"COMÍCIO de ENCERRAMENTO do 3º CONGRESSO do PCP(R) dia 1 de JULHO DOMINGO AS 15 HORAS no Campo Pequeno com a Presença de delegações Estrangeiras"
O que representa: O mural representa a atividade de propaganda política da extrema-esquerda portuguesa no final da década de 1970. Especificamente, serve para convocar os apoiantes e a classe trabalhadora para o grande comício que encerrava o Terceiro Congresso do PCP(R), realizado na praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, e simultaneamente homenagear a figura histórica de Estaline no ano do seu centenário.» (Google Gemini)
O que está escrito?
Na faixa superior lê-se uma citação atribuída a Aleksandr Solzhenitsyn:
"Sullo stesso nastro d'asfalto su cui di notte circolano i carri per trasportare i prigionieri, di giorno camminano i giovani con le bandiere e i fiori cantando canzoni allegre e spensierate."
Tradução aproximada:
"Sobre a mesma faixa de asfalto por onde, durante a noite, circulam os veículos que transportam os prisioneiros, durante o dia caminham os jovens com bandeiras e flores, cantando canções alegres e despreocupadas."
É uma reflexão sobre a coexistência entre a vida quotidiana e a repressão política.
À direita aparece uma frase atribuída a Joseph Stalin:
"Una singola morte è una tragedia, un milione di morti è una statistica."
Tradução:
"Uma única morte é uma tragédia; um milhão de mortes é uma estatística."
Embora a frase seja popularmente atribuída a Stalin, os historiadores discutem se ele a pronunciou realmente.
O que representa o mural?
O mural é uma crítica ao sistema repressivo da antiga União Soviética, especialmente ao período de Stalin.
À esquerda
Vê-se um agente da polícia política soviética (NKVD), empunhando um chicote.
No texto italiano ao lado lê-se, em resumo, que:
- a denúncia anónima tornou-se um instrumento comum;
- incentivava-se a denunciar familiares e vizinhos;
- criou-se um clima de medo e suspeita.
Ao centro
Há um contraste muito evidente:
- uma criança pioneira soviética com bandeira;
- trabalhadores e camponeses sorridentes;
- símbolos do comunismo (foice e martelo);
- slogans em russo como:
МИР – ТРУД – МАЙ
que significa:
"Paz – Trabalho – Maio"
(slogan tradicional das celebrações do 1.º de Maio soviético).
Esta parte representa a propaganda oficial do regime.
À direita
Aparecem prisioneiros numerados, carregando pedras e puxando vagonetas.
São uma referência aos:
Gulag
os campos de trabalho forçado onde milhões de pessoas foram presas durante o período estalinista.
Os textos vermelhos enumeram números de vítimas, execuções, deportações e mortes associadas às repressões soviéticas.
Mensagem global do mural
A composição opõe duas realidades:
- A imagem idealizada da União Soviética
- paz;
- trabalho;
- progresso;
- juventude feliz.
- A realidade da repressão
- polícia política;
- denúncias;
- prisões;
- campos de trabalho;
- milhões de vítimas.
O "buraco" pintado na parede funciona como uma metáfora visual: por trás da fachada colorida da propaganda, o artista mostra aquilo que considera ter sido a realidade oculta do regime.
Trata-se, portanto, de um mural fortemente antitotalitário, centrado na denúncia dos crimes do estalinismo e dos Gulags, tema muito associado às obras de Solzhenitsyn, especialmente o livro Arquipélago Gulag.
Pela estética, pelo tema e pela localização, é muito provável que este mural tenha sido realizado por artistas ligados ao movimento muralista de Orgosolo nas décadas finais do século XX.» (chatGPT)
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Este é mais um mural marcante localizado em Orgosolo, na Sardenha. Ao contrário do anterior, este foca-se numa perspetiva histórica e altamente crítica em relação ao regime soviético, ao Stalinismo e ao sistema do Gulag.
A composição estabelece um forte contraste entre a propaganda oficial idealizada pelo regime e a realidade violenta de repressão, trabalho forçado e censura.
O que está escrito (Tradução e Transcrição)
1. A citação principal (no topo):
"Sullo stesso nastro d'asfalto su cui di notte circolano i carri per trasportare i prigionieri - di giorno camminano i giovani con le bandiere e i fiori cantando canzoni allegre e spensierate." — Aleksander Solzenicyn
Tradução: "Na mesma faixa de asfalto onde de noite circulam as carruagens para transportar os prisioneiros - de dia caminham os jovens com bandeiras e flores cantando canções alegres e despreocupadas."
Significado: Esta frase do famoso dissidente e escritor soviético Aleksandr Solzhenitsyn sintetiza a dualidade do regime totalitário: a fachada festiva diurna versus o terror e os sequestros políticos noturnos.
2. Os títulos à direita:
"Una singola morte è una tragedia" / "Un milione di morti è una statistica" — Stalin
Tradução: "Uma única morte é uma tragédia; um milhão de mortes é uma estatística" (frase historicamente atribuída a Josef Stalin, ilustrando o cinismo e a desumanização do regime perante a perda de vidas em massa).
3. Os blocos de texto explicativos (históricos):
À esquerda: Explica o clima de paranoia e denúncia do regime, onde bastava uma denúncia anónima para que alguém fosse considerado "inimigo do povo" e enviado para morrer no Gulag. Refere que, para o nascimento do comunismo, se eliminou a inteligência, a propriedade privada, as tradições, a história e a religião, classificando-o como uma "verdadeira catástrofe demográfica e da cultura russa".
À direita: Lista os números estimados de vítimas em diferentes períodos do regime soviético (Guerra Civil, coletivização forçada de 1929-1933, fuzilamentos políticos do Grande Terror de 1937-1938, as mortes nos campos do Gulag entre 1935-1956, e as fomes). Os números a vermelho destacam marcas como 1.000.000, 3.000.000 e 1.200.000 de mortos.
O que representa (Elementos Visuais)
O mural divide-se visualmente em três cenários interligados:
A. A figura do opressor (Esquerda)
Representa Lavrentiy Beria (identificado pelo texto vertical junto à sua perna: "Lavrentij Berija capo del NKVD / Organizzatore delle repressioni di massa"). Beria foi o temido chefe da polícia secreta de Stalin (NKVD). Ele surge retratado com óculos, farda militar, pisando papéis (que simbolizam direitos, leis ou vidas descartadas) e empunhando um chicote, personificando o terror do Estado.
B. A ilusão da Propaganda (Centro)
Dentro de uma moldura que simula uma rutura na parede cinzenta, irrompe uma imagem colorida que replica os cartazes de propaganda idealizados pelo Realismo Socialista:
Camponeses e operários sorridentes, fortes e orgulhosos, carregando trigo sob a bandeira vermelha da URSS com a foice e o martelo, com o Kremlin de Moscovo ao fundo.
Está escrito "МИР, ТРУД, МАЙ" (Paz, Trabalho, Maio), o famoso slogan soviético do Dia do Trabalhador.
C. A realidade do Gulag (Direita)
Imediatamente ao lado da imagem colorida e idílica, a pintura regressa ao tom cinzento e sombrio para mostrar a realidade oculta:
Prisioneiros numerados (como se vê o número nas costas de um deles: 20361) em trabalhos forçados, acorrentados e a empurrar um carrinho de mão cheio de pedras pesadas.
Resumo da Obra
Este mural funciona como um memorial histórico e uma denúncia explícita dos crimes de Estado da União Soviética sob o comando de Stalin e Beria, usando as próprias palavras de Solzhenitsyn para expor como a propaganda festiva servia para encobrir um sistema brutal de repressão e morte. (Google Gemini)
Murais de solidariedade internacionalista (16) - em Orgosolo
* Victor Nogueira
«Este mural em Orgosolo combina as reflexões de duas grandes figuras intelectuais e ativistas para construir uma forte mensagem antimilitarista e de valorização da vida quotidiana das pessoas comuns.
O que está escrito?
O mural apresenta duas frases distintas escritas em italiano com caligrafia cursiva:
1. A frase no topo (Citação de Bertolt Brecht):
"felice il popolo che non ha bisogno di eroi"
Tradução: "Feliz o povo que não precisa de heróis."
Origem: Esta é uma das frases mais célebres da peça de teatro A Vida de Galileu (1939), do dramaturgo alemão Bertolt Brecht.
2. A frase no bloco amarelo (Citação de Gino Strada):
"La guerra significa massacrare migliaia di civili e mettere al governo chi garantisce il potere economico"
Tradução: "A guerra significa massacrar milhares de civis e colocar no governo quem garante o poder económico."
Assinatura: Logo abaixo do texto lê-se Gino Strada (médico-cirurgião de guerra italiano e fundador da ONG humanitária Emergency).
O que representa este mural?
Este mural é uma crítica profunda à glorificação da guerra e aos interesses económicos que a sustentam, defendendo que a verdadeira felicidade de uma sociedade reside na paz e na dignidade do dia a dia, e não no sacrifício heroico.
1. Elementos Visuais e Simbologia
O Veterano de Guerra: A figura central é um homem idoso, sentado e apoiado numa bengala, vestindo roupas humildes e a típica boina sarda (coppola). O seu olhar cansado e as feições marcadas simbolizam a sabedoria do tempo e o peso de quem já testemunhou os conflitos da história.
As Memórias do Passado: Atrás do idoso, num plano mais sombrio e cinzento cercado por arame farpado, surgem duas figuras de soldados de infantaria feridos (um deles com a cabeça ligada). Esta imagem serve como uma recordação das cicatrizes físicas e psicológicas deixadas pelos combates na juventude daquela geração.
A Natureza Local: À direita, a representação de um cardo selvagem sardo traz um elemento da flora local, simbolizando a resiliência e a dureza da vida na região de Barbagia.
2. O Significado Político e Social
Ao cruzar a filosofia de Brecht com a experiência humanitária contemporânea de Gino Strada, o mural desconstrói a narrativa romântica do "heroísmo militar". A obra argumenta que os heróis e os mártires só são necessários quando as sociedades falham ou entram em colapso devido a guerras motivadas pelo lucro financeiro e pelo poder. Para a comunidade de Orgosolo, historicamente marcada pela resistência contra opressões externas e pela militarização do seu território, o mural é um apelo a uma sociedade pacífica, justa e autossuficiente, onde as pessoas comuns possam simplesmente viver em paz. (Gogle Gemini)
domingo, 31 de maio de 2026
Murais de solidariedade internacionalista (15) - Os Murais de Orgosolo
A Sardenha é a pátria do muralismo italiano e Orgosolo é a sua "capital".
A Sardenha, terra de contrastes, sabores fortes e cores vivas, habitada por um povo discreto e gentil, é a pátria do muralismo italiano e Orgosolo é a sua "capital". Na verdade, a cidade de Barbagia alberga 150 pinturas murais nas suas ruas que atraem a curiosidade de milhares de turistas italianos e estrangeiros todos os anos.
O primeiro mural em Orgosolo foi assinado em 1969 por Dioniso, nome coletivo de um grupo de anarquistas. Alguns anos depois, para honrar a Resistência e a Libertação da Itália do nazifascismo, um professor de Siena e os seus alunos do ensino básico criaram outros, aos quais se juntou mais tarde a contribuição de vários artistas e grupos locais. Embora Orgosolo continue a ser o líder da tradição mural, vilas como San Sperate, Villamar e Serramanna têm cultivado ao longo dos anos este fenómeno artístico e social que ainda hoje se expressa em questões globais e internacionais. Dezenas de pinturas murais embelezam muitas outras aldeias do interior da Sardenha e contam, na sua própria linguagem, os costumes e a cultura das pessoas que as habitam.
A tradição mural da Sardenha remonta a Pinuccio Sciola, a um grupo de arquitetos milaneses, bem como ao mestre Francesco Del Casino, durante os anos de protesto juvenil, no entanto, os autores de muitos murais são desconhecidos. A paixão política e social dos anos 60 e 70 deu origem a murais coletivos com figuras dramáticas, para contar a vida dos pastores, a miséria e as lutas pela terra, os politizados dos anos 70 e 80 que contavam as transformações da sociedade italiana gradualmente deram lugar a "pinturas" decorativas destinadas a ilustrar a vida quotidiana da vida pastoral e das aldeias insulares.
ITÁLIA: Os maravilhosos murais de Orgosolo, com estilo picassiano e repletos de mensagens de protesto.
Nas montanhas da Sardenha
encontra-se a pequena e pitoresca vila de Orgosolo. E é tão pitoresca que se
assemelha a uma pequena galeria de arte. As ruas e casas estão completamente
decoradas com fascinantes pinturas murais, os chamados "murais". As
obras frequentemente intercalam mensagens de protesto, frases de efeito e
slogans, e os motivos muitas vezes retratam cenas políticas ou historicamente
importantes. Mas, claro, há também muitos outros temas e motivos envolvidos, e
de tempos em tempos novas obras de arte são adicionadas. As belíssimas fotos
foram tiradas pelos fabulosos fotógrafos de viagens e exploradores do mundo,
Praxinho e Ruth Neubauer .
O estilo de pintura existente é
muito interessante, pois à primeira vista pouco se assemelha ao grafite
convencional, assemelhando-se mais a uma tela aplicada em paredes residenciais.
Muitas obras apresentam elementos abstratos e remetem a Picasso, além de traçarem
paralelos com grandes obras de arte da história contemporânea. Este lugar é uma
pequena joia artística, onde os amantes da arte urbana encontrarão verdadeiro
deleite.
A primeira pintura mencionada nos
Murais foi feita em 1968 pelo grupo anarquista milanês Dioniso em Orgosolo. O
fundador foi Francesco del Casino, de Siena, que se estabeleceu em Orgosolo
depois de assistir ao filme "Bandidos em Orgosolo". Casino era próximo
ao Partido Comunista Italiano e o filme o tocou e inspirou profundamente. Este
filme foi filmado pelo diretor Vittorio De Seta em 1961 em Orgosolo e mostra um
pastor envolvido em um roubo de gado e acusado de assassinar um carabineiro,
razão pela qual ele é obrigado a iniciar uma vida de bandido nas montanhas. E
Casino também iniciou um projeto. Em 1975, ele começou a fazer pinturas fantásticas
com estudantes nas paredes das casas em Orgosolo. A primeira ocasião foi o 30º
aniversário da luta guerrilheira contra o fascismo.
Na verdade, esses estilos de
pintura começaram na Sardenha, na pouco conhecida vila de San Sperate. Eles se
espalharam e outros lugares também foram pintados. As pinturas murais em
Orgosolo expressaram inicialmente o protesto contra o planejado campo de
treinamento da OTAN em Pratobello. O protesto também é dirigido aos líderes do
Grupo de Milão, que desviaram os fundos do plano de construção na Sardenha.
Muitas imagens recentes comentam sobre a política mundial.
Numa das pinturas, Helmut Schmidt
é referido como um "especialista em assassinatos de Estado" devido a
Stammheim. Outra retrata a vitória dos combatentes cambojanos e vietnamitas
contra os EUA. Questiona-se o número de vítimas inocentes na queda de Saddam
Hussein. Outras imagens representam a vida simples de um pastor e da aldeia,
defendem a preservação da língua sarda ou até incluem mensagens publicitárias. É,
sem dúvida, uma magnífica galeria a céu aberto com estilo próprio, de valor
histórico e repleta de mensagens.
Os estudos de Alfredo Niceforo
sobre o crime na Sardenha também são satirizados por um mural irônico. Muitos
dos mais de 120 murais, que agora compõem o conjunto, têm uma orientação estilística
voltada para o cubismo, à semelhança de Guernica, de Picasso, mas também há
pinturas mais realistas entre eles. Além de Francesco del Casino, os murais
foram concebidos pelo artista autodidata Pasquale Buesca, que também residia em
Orgosolo. O grupo feminista "Le Api" e o artista milanês Massimo
Cantoni também participaram de algumas das obras. Apesar de alguns danos,
principalmente devido a alterações nas casas ou às intempéries, todos os murais
ainda se encontram em grande parte muito bem preservados. Uma visita de um dia
a Orgosolo é altamente recomendada para quem aprecia esse tipo de arte.
https://vagabundler.com/italy/orgosolo/
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Vagabundler is a wonderful ragbag for alternative travelers and street art fans. On this platform you can find interesting reportages including detailed routes, elaborate country maps and coverages on creative artists. There is a whole section about interviews with unique people and their amazing work, as well about crazy events and interesting sustaining projects from all around the world. With a special preference and focus on Streetart and Graffiti the colour-on-the-wall-lovers can find an extensive section with city maps and location trackers. Read the full introduction here: ABOUT VAGABUNDLER. https://vagabundler.com/about-vagabundler/

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