Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Astrónomos disponibilizam a fotografia mais completa do céu


Astrónomos disponibilizam a fotografia mais completa do céu

12.01.2011 - 18:35 Por PÚBLICO

A maior imagem digital a cores do céu foi publicada ontem por uma equipa de astrónomos que coordenam o Sloan Digital Sky Survey-III. O mapa é o conjunto de sete milhões de imagens tiradas desde 1998 que reúnem um terapixel de informação.
Um terço do mapa celeste foi fotografado 
Um terço do mapa celeste foi fotografado (Sloan)

o como 3500 artigos que foram escritos com base neste conjunto de informação”, disse ontem Michael Blanton, físico da Universidade de Nova Iorque que representou a equipa Sloan e apresentou o trabalho durante a 217ª reunião anual da Sociedade Americana de Astronomia, que está a decorrer em Seatle. “Alguns destes artigos estão a ser apresentados agora mesmo. Cobrem tópicos que vão desde a mais pequena estrela até a buracos negros enormes no Universo.”

As imagens foram tiradas pelo telescópio que está no observatório Apache Point Observatory, que fica no Novo México, nos Estados Unidos. O observatório começou a tirar as fotografias em 1998 com a mais potente câmara digital da altura que tinha 138 megapixel. O resultado foi a cobertura de um terço do céu.

“Existe 500 milhões de objectos detectados nesta imagem”, disse citado pelo Guardian David Weinberg, um astrónomo da Universidade do Estado de Ohio que trabalhou no projecto. “Metade são estrelas e a outra metade são galáxias.”

Há cinco versões de cada pixel fotografado, que foram tiradas com filtros diferentes e dão informação em cinco cores do espectro da luz: verde, amarelo, vermelho, infra-vermelho, violeta e ultra-violeta. O telescópio tira as fotografias em bandas, de modo que em cada noite faz uma longa banda no céu.

“É por isso que existem dois grandes pedaços que estão todos preenchidos e depois existem outras bandas que saem desses pedaços”, explicou o astrónomo. Estas bandas preenchem uma pequena percentagem das regiões que não foram fotografadas.

Quando se olha para o conjunto total das imagens vê-se uma amálgama indecifrável dos milhões e milhões de objectos. Seria necessário 500 mil televisões de alta definição, todas juntas, para se ter uma imagem completa e detalhada de tudo. Muitos objectos já foram descobertos, mas os astrónomos, ao tornarem as imagens públicas, esperam que muitos mais objectos venham a ser estudados.

“Isto é um dos maiores dádivas na história da ciência”, disse em comunicado Mike Blanton. Segundo o cientista, esta informação será um legado durante décadas, tal qual o Palomar Sky Survey, publicado em 1958 – o mais completo mapa fotográfico do céu feito até então que ainda hoje é uma referência.

A aventura continua

A fotografia que a equipa do Sloan enviou juntamente com o comunicado mostra a capacidade do novo mapa. Por baixo vêem-se os dois hemisférios da nossa galáxia. Na canto superior esquerdo da fotografia está um pequeno quadrado do hemisfério Sul ampliado. No meio situa-se a galáxia Messier 33, que na fotografia ao lado está mais ampliada. A galáxia está entre dois e três milhões de anos-luz de distância. Na fotografia ao lado consegue-se ainda ver um berçário de estrelas desta galáxia chamado NGC604.

Apesar da câmara do observatório estar no fim da sua vida, o projecto continua a evoluir. Os astrónomos vão medir milhões dos objectos mais brilhantes encontrados, em todo o espectro de luz, o que vai permitir obter as distâncias entre os objectos e investigar mais sobre a matéria negra do Universo. Por outro lado, vão observar possíveis oscilações gravíticas em 8500 estrelas que estão perto para identificar planetas gigantes. A Via Láctea também vai ser estudada para determinar a forma como evoluiu.
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Astronomia

Cientistas produzem a imagem mais detalhada do universo

Câmera de 138 megapixels é capaz de capturar meio bilhão de objetos de uma vez

SDSS
Cientistas apresentaram na terça-feira as fotografias mais nítidas já feitas do universo (Divulgação)

Seriam necessárias 500 mil televisões de alta resolução para conseguir ver os detalhes da fotografia noturna realizada pelo projeto Sloan Digital Sky Survey. Os cientistas responsáveis pela ação usaram uma câmera de 138 megapixels, presa a um telescópio no Novo México, Estados Unidos, para produzir a imagem do universo mais detalhada já feita em toda a história.

O objetivo do trabalho é substituir a imagem até então mais nítida, a do Observatório Palomar, realizada durante a década de 50. “Usaremos o material para entender melhor o processo de expansão que o universo vem sofrendo, uma das grandes questões da área nos dias de hoje”, explica David Weinberg, um astrônomo da Universidade de Ohio que trabalhou no projeto.

A câmera de 138 megapixels usada no projeto será desativada e fará companhia a objetos históricos da astronomia no Museu Smithsonian, em Washington, nos Estados Unidos. 
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Fotógrafo reúne as mais belas fotos do universo em livro


 

Notícias » Ciência e Meio Ambiente » Ciência e Meio Ambiente


06 de janeiro de 2010 10h26 atualizado às 10h30

A nebulosa Rosette, ou NGC 2237, é uma nebulosa de emissão brilhante claramente associada a um aglomerado aberto de estrelas Foto: The New York Times
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A nebulosa Rosette, ou NGC 2237, é uma nebulosa de emissão brilhante claramente associada a um aglomerado aberto de estrelas
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06 de janeiro de 2010
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Foto: The New York Times
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No universo, sempre existe espaço para outra surpresa. Ou mais duas. Ou mais um trilhão. Um exemplo é a nebulosa da Cabeça de Bruxa ¿uma trilha alongada de gases com cor próxima ao púrpura, na constelação Eridanus. Se observamos uma imagem da nebulosa vista de lado, ela se parece realmente com uma bruxa - um queixo pontudo, um chapéu cônico, como que pronta a subir na vassoura e a oferecer uma maçã para a Branca de Neve.
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Nos meus 30 anos de cobertura do ramo da astronomia, eu jamais tinha ouvido falar da nebulosa da Cabeça de Bruxa até que encontrei uma linda foto de página dupla que a mostra serpenteando em meio a um firmamento escuro mas pontuado por estrelas brilhantes, no livro "Far Out: A Space-Time Chronicle", um belíssimo guia ilustrado sobre o universo escrito pelo fotógrafo, jornalista e cineasta Michael Benson, evidentemente um veterano da observação espacial.
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Na verdade "belíssimo" não faz a menor justiça aos méritos estéticos e literários do livro, publicado no final do ano passado. Vivo em Nova York, e por isso a maior parte do cosmos me é invisível, mas mesmo na época em que morei sob os céus escuros e cristalinamente límpidos dos montes Catskills - que costumam ser extremamente gélidos nessa época do ano - minha visão encontrava limites. Se você não dispuser de um Telescópio Espacial Hubble pessoal, esse livro é o melhor substituto.
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Benson pesquisou e obteve imagens dos melhores observatórios mundiais, entre os quais o Hubble, para criar um guia passo a passo sobre o cosmos, começando de nossa galáxia e se expandindo para as regiões mais distantes, inicialmente pelos fantásticos aglomerados galácticos e nebulosas localizados a apenas algumas centenas de anos-luz de distância mas se estendendo também às galáxias primordiais que se apresentam como pontos vermelhos de luz pouco brilhante em meio à muralha do firmamento, a bilhões de anos-luz de distância das estrelas visíveis, e remontando praticamente ao Big Bang.
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O resultado é um livro de arte digno da editora Abrams, a responsável por sua publicação. Vemos estrelas aglomeradas como se fossem grãos de areia dourados, o gás expandido em forma de delicados tentáculos azuis, ou aglutinado como nuvens densa de cor vinho, assumindo formas intricadas em meio a galáxias que exibem diversos aglomerados estelares dançando como aranhas pendentes do teto.
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Benson reprocessou muitas das imagens, de maneira a que suas cores refletissem de mais perto a realidade física. Por exemplo, na versão da agência espacial americana(Nasa) para o projeto "Pilares da Criação", do Hubble, que mostra faixas de gás e poeira cósmica fervilhando até que se dissipam e revelam novas estrelas na nebulosa da Águia, os "pilares" são marrons e a radiação que os dissipa é verde. Benson transformou a imagem em uma composição em tons de vermelho, que chegam até o vinho, a cor real do hidrogênio ionizado que forma a nebulosa.
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O leitor pode passar horas sentado folheando o livro sem jamais se entediar com as cortes, formas e texturas nas quais a criação cósmica se ordena, ou pode ler os eruditos ensaios que acompanham as imagens, já que a prosa de Benson tem qualidade semelhante à das imagens que a cercam, e isso é uma realização impressionante.
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"Os espelhos de ampliação de nossos telescópios", ele escreve, "são feitos de materiais formados nos centros do mesmo processo de geração estelar que eles agora registram".
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Um conjunto de ensaios relaciona aquilo que estava acontecendo no céu aos acontecimentos na história da Terra. A nebulosa da Cabeça de Bruxa, por exemplo, fica a cerca de 700 anos-luz de distância, o que significa que sua luz fraca, imprecisa, está viajando desde o começo do século 14 para chegar a nós. Entre outras coisas, esse período da história humana é caracterizado pela peste negra, os primeiros indícios do Renascimento na Itália e a criação da dinastia Ming na China.
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A nebulosa do Coração, outra nova descoberta, fica em Cassiopeia, bem ao lado da nebulosa da Alma, e a 78,5 mil anos-luz de distância de nosso planeta. As imagens que dela recebemos datam da época em que os primeiros traços de um sistema precedente à escrita surgiram na China e os primeiros vinhos foram criados na Pérsia, e do momento em que o Mar Mediterrâneo rasgou seus limites, em modo bíblico, e causou uma inundação que formou o Mar Negro.
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A jornada em direção ao espaço mais distante se encerra com as imagens imprecisas de galáxias quase invisíveis, que vemos mais ou menos na época do Big Bang. Ou será que esse é o começo? Em sua epígrafe para o livro, Benson cita o poeta William Blake: "A eternidade ama as produções do tempo". Bem, o mesmo não pode ser dito sobre todos nós?

The New York Times
The New York Times
  1. A nebulosa Rosette, ou NGC 2237, é uma nebulosa de emissão brilhante claramente associada a um aglomerado aberto de estrelas
    06 de janeiro de 2010 • 10h50
    The New York Times
  2. NGC 4038 é uma galáxia espiral localizada a cerca de 63 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação do Corvo
    06 de janeiro de 2010 • 10h50
    The New York Times
  3. A Andrômeda é classificada como uma galáxia gigante, com cerca de 220 mil anos-luz de diâmetro, mais do dobro do diâmetro da Via Láctea, e está localizada a 2,5 milhões de anos-luz da nossa galáxia
    06 de janeiro de 2010 • 10h50
    The New York Times
  4. A nebulosa de Carina contém cerca de uma dúzia de astros com uma massa 50 ou 100 vezes maior do que a do Sol
    06 de janeiro de 2010 • 10h50
    The New York Times
  5. A nebulosa Caranguejo, localizada na constelação de Touro, é considerada como "ícone cósmico" para os astrônomos
    06 de janeiro de 2010 • 10h50
    Foto: Nasa/Divulgação
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Nana arrumou o biquini depois do mergulho
03 de setembro de 2009 - 10h31
Foto: Adilson Lucas/AgNews
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