Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Pelourinhos 47 - Soajo (Arcos de Valdevez) e Vila da Ponte (Sernancelhe)

 * Victor Nogueira


2021 12 27 Fotos victor nogueira - Soajo (Arcos de Valdevez)  e Vila da Ponte (Sernancelhe)  (pelourinhos)

Soajo - «O antigo couto de Eiró, que esteve anexo ao Mosteiro de Ermelo, recebeu muitos privilégios ao longo dos séculos, e teve foral dado por D. Manuel em 1514. O concelho foi extinto no século XIX, e integrado em Arcos de Valdevez. Conserva um pelourinho, levantado diante do antigo edifício dos Paços do Concelho.


Soajo - Pelourinhos de Portugal Emissão filatélica 2001

O pelourinho assenta directamente em plataforma de três degraus quadrangulares de aresta, de factura muito tosca, e bastante desgastados. A coluna é cilíndrica, mas igualmente muito tosco, tendo secção ligeiramente menor na base. Não existe capitel; o topo da coluna, de talhe arredondado, é simplesmente ornado com uma carranca esquemática, aparentemente representando um rosto sorridente. O remate é constituído por uma laje triangular, ao modo de ábaco ou tabuleiro, bastante saliente.

O monumento é muito curioso, e também difícil de caracterizar, masmo em termos cronológicos. Várias explicações têm sido adiantadas para a representação do topo do fuste, mas nenhuma é consistente. Tratar-se-à de um pelourinho relativamente tardio, que alguns autores têm considerado do século XVII. A cara, redonda, poderá ter um simbolismo solar, ou lunar.» (Sílvia Leite – DGPC)


«Vila da Ponte esteve integrada no concelho de Sernacelhe até 1661, quando recebeu foral de D. Afonso VI, e se constituiu concelho independente. No século XIX, foi extinto e integrado novamente em Sernacelhe. Dos duzentos anos em que teve autonomia administrativa, Vila da Ponte conserva o pelourinho como principal testemunho. Ergue-se num largo central da freguesia, junto da antiga cadeia, e onde ficaria igualmente a casa da câmara.

O pelourinho assenta em plataforma de quatro degraus octogonais, de aresta, servindo o superior - um pouco mais elevado - de base à coluna. Esta tem fuste liso, de secção oitavada, conseguida através do leve chanfro das arestas de um pilar quadrado. A coluna é ornada, a curta distância do topo, por duas molduras crescentes octogonais. O fuste segue ainda num curto troço, que toma o lugar do capitel, e é finalmente rematado por quatro molduras crescentes ainda octogonais, a formar cornija. A peça terminal é constituída por um bloco de secção igual à do fuste, que lhe aprece dar continuidade, e é encimado por uma pirâmide oitavada com remate embolado. Na bola crava-se uma haste com pequena esfera medial, e cruz de Cristo no topo.

O monumento terá sido construído na sequência do foral seiscentista, de acordo com a sua tipologia, ainda que muito singela.» (Sílvia Leite – DGPC)

domingo, 26 de dezembro de 2021

Pelourinhos 46 / Municípios 28 - Porto de Mós, Santa Marta de Penaguião e Sernancelhe

 * Victor Nogueira


2021 12 26 Fotos victor nogueira - Porto de Mós e Santa Marta de Penaguião (pelourinhos) - Sernancelhe (pelourinho e Casa da Câmara)

«Porto de Mós é um concelho muito antigo, tendo recebido primeiro foral da chancelaria de D. Dinis, em 1305, e foral novo de D. Manuel, em 1515. (…)Este cruzeiro, de "coluna chanfrada oitavada, lanternim de oito faces com edículas preenchidas por figuras hagiológicas e rematado por uma cruz trevada" (Informação n.º 545/DRCC/2019, p. 10) esteve implantado naquele espaço urbano desde, pelo menos, a década de 20 do século XVI e 1895, quando foi desmontado para que se construísse a Estrada de São Jorge à Chamusca (…) Em meados do século XX, este renovado cruzeiro também não estava já no local, em virtude dos novos traçados viários de Porto de Mós. O remate original do cruzeiro quinhentista, "de forma oitavada, com arcaturas góticas que abrigam ainda restos de imagens", era identificado em 1955 por Gustavo de Matos Sequeira, no decorrer do Inventário da Academia Nacional das Belas Artes, como estando depositado na Igreja de São Pedro (SEQUEIRA, Gustavo de Matos, 1955).

Em 1969 iniciou-se um movimento cívico a favor da reposição do antigo cruzeiro do Rossio de Porto de Mós. Baseando-se numa gravura integrada na obra Portugal de Ferdinand Denis, de 1846, o semanário O Mensageiro propunha à Comissão Regional de Turismo de Leiria que promovesse novamente a montagem do cruzeiro. Em sequência, alguns estudos regionais estudaram as gravuras onde era representado o cruzeiro na sua forma original, concluindo-se que a sua estrutura era efectivamente quinhentista, sendo o remate com escudos de quinas semelhante aos que a Casa de Bragança utilizava no período pós-Restauração (RAMOS, Luciano Justo, 1971, p. 64).

Porém, a estrutura subsistente, que correspondia à remontagem executada em finais do século XIX com o capitel de volutas, permanecia desmontado na Igreja de São Pedro.

No início da década de 1980 a Câmara de Porto de Mós intenta "(re)erguer o monumento no rossio", considerando que este cruzeiro de volutas correspondia ao pelourinho original de Porto de Mós. No ano de 1985 a edilidade optava por executar uma réplica do pelourinho primitivo, embora novos estudos locais feitos à época reafirmassem que nunca havia existido um pelourinho - e sim um cruzeiro, cujos vestígios estavam guardados na Igreja de São Pedro - e tanto o IPPC como a DGEMN se pronunciassem contra a reconstrução de um pelourinho que nunca havia existido.

Depois desta data a Câmara terá então procedido à remontagem do cruzeiro de capitel de volutas, sendo este que se encontra, até ao presente, erigido no Rossio de Porto de Mós, e que está classificado como de interesse público.

Assente sobre um soco de quatro degraus, o cruzeiro de Porto de Mós corresponde a uma coluna de fuste estrido com capitel compósito, encimada por remate superior composto por pináculo vegetalista com dois pequenos escudos e uma cruz.»  (Catarina Oliveira - DGPC, 2021»


Santa Marta de Penaguião - «A antiga povoação de Santa Marta de Penaguião teve primeiro foral dado por D. Afonso III, em 1256, e foral novo manuelino, em 1519. Conservou o seu estatuto concelhio até à actualidade, e com ele o velho pelourinho, erguido no largo fronteiro ao edifício da actual Câmara Municipal.

O pelourinho, muito singelo, assenta numa plataforma de três degraus circulares, de aresta, estando o térreo quase totalmente embebido no terreno. A coluna encaixa directamente no degrau superior, elevando-se em fuste cilíndrico e liso, encimado por pequeno anel rebordante. O remate é constituído por uma pinha de base quadrangular, com arestas ligeiramente afeiçoadas, cujo topo se adelgaça em cone truncado, de faces côncavas. A simplicidade do conjunto não permite datá-lo com precisão, embora seja provável que tenha sido construído na sequência do foral manuelino, conservando feição medieval.» (Sílvia Leite – DGPC)







Sernancelhe - «Existindo já no século X, e possivelmente construída sobre as ruínas de um povoado fortificado de altura da Idade do Ferro - castro -, Sernancelhe obteve foral em 1124, durante o governo de D. Teresa (1092-1130), por iniciativa de dois ricos-homens, de seus nomes Egas Gosende e João Viegas, que incentivaram o seu repovoamento, num século em que se construíram outras estruturas marcantes do seu centro, a exemplo da igreja Matriz, de traçado românico. A localidade veria, entretanto, confirmado o primeiro foral nas regências de D. Afonso II (1185-1223), em 1220, e de D. Dinis (1261-1325), em 1295, para ser renovado com D. Manuel I (1469-1521), decorria o ano de 1514.

(…) Erigido no centro das actividades da povoação, fronteiro à residência da família Fraga de Azevedo que foi, há muito, utilizada para outras finalidades, designadamente camarárias e judiciárias, o pelourinho inscreve-se, do ponto vista arquitectónico e decorativo, no denominado estilo manuelino, resultando de uma reformulação conduzida no tempo de D. João III (1502-1557), assim como de uma pequena intervenção de restauro efectuada já na década de cinquenta de novecentos.

De "gaiola" estilizada e afeiçoado numa das matérias-primas mais abundantes na zona - granito -, o pelourinho, com mais de nove metros de altura, é constituído por plataforma de três degraus octogonais sobre a qual assenta base de um único degrau de igual configuração, como octogonal é o fuste (com seis metros de altura) que nele se eleva, e em cujo capitel, tronco-piramidal oitavado, foi gravado o sobredito ano. Quanto ao remate, ele é formado por oito colunelos cilíndricos e lavrados ligados à parte superior da "gaiola" sustentada por esteio interior, e sobre a qual se eleva pináculo composto de gola encimado por pomo no qual se crava grimpa de ferro com cruz.»  ([AMartins – SGPC)


quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Pelourinhos 43 - Proença-a-Velha e Ranhados (Meda)

 * Victor Nogueira


2021 12 23 Fotos victor nogueira - Pelourinhos de Proença-a-Velha e de Ranhados (Meda)

Proença-a-Velha – «O pelourinho terá sido erguido no século XVI, na sequência da concessão do Foral Novo, por Manuel I de Portugal, em 1 de julho de 1510, confirmando a esta antiga vila beirã o estatuto concelhio que lhe havia sido outorgado em 1218, por D. Pedro Alvites, Mestre da Ordem dos Templários, à qual D. Afonso Henriques havia doado toda esta região aquando da Reconquista cristã, para que a defendessem e repovoassem. O Pelourinho, manuelino, é constituído por quatro degraus circulares, um fuste octogonal e, a rematar, quatro escudos, uma cruz de Cristo, a esfera armilar e as armas reais.

Embora se desconheça o mestre de pedraria que o edificou, ele (ou a sua escola) terá eventualmente sido responsável, por outros pelourinhos em concelhos vizinhos, uma vez que são notórias algumas semelhanças com alguns elementos dos pelourinhos de Idanha-a-Velha, Salvaterra do Extremo e Segura.» (Wikipedia)


«Ranhados teve primeiro foral dado por D. Dinis, em 1286, e foral novo de D. Manuel, em 1512. Pertenceu inicialmente aos Templários, e após a sua extinção foi comenda da Ordem de Cristo. Foi sede de concelho até 1836, quando passou a integrar o concelho da Meda, do qual é actual freguesia. Possui um pelourinho, certamente construído na sequência da atribuição do foral manuelino.

O pelourinho de Ranhados ergue-se no largo fronteiro à Igreja Matriz da povoação, igualmente quinhentista. Possui plataforma de quatro degraus circulares, de aresta, estando o térreo quase totalmente enterrado no pavimento. A coluna assenta sobre base constituída por plinto circular, encimado por duas molduras circulares de perfil côncavo, em quarto-de-círculo, uma invertida sobre a outra, formando grande escócia. O fuste é composto por quatro colunelos lisos em feixe, cingidos a pouca distância da base por um anelete. Perto do topo, cada colunelo é decorado com um mascarão, sendo que três destes representam faces masculinas com barba, e um quarto uma face imberbe. Nos intercolúnios estão quatro florões, que se repetem no topo, por baixo da peça terminal. Sobre os rostos despontam mísulas, sustentando pináculos moldurados de secção poligonal, rematados por peças cónicas com representações antropofórficas e zoomórficas. Sobre os colunelos que compõem o fuste, e entre os pináculos do remate, assenta um tabuleiro poligonal que suporta um quinto pináculo, onde se crava a grimpa, em ferro, com bandeirola de catavento.

O conjunto, com detalhada ornamentação fantástica, enquadra-se no estilo manuelino, particularmente na sua declinação mais silvestre, conjugada com referências antiquizantes (românicas). Os rostos podem corresponder às tradicionais representações quaternárias, indicando as estações do ano, as épocas da vida, os pontos cardeais, etc., num sistema simbólico onde ao rosto imberbe corresponderia a Primavera, a juventude, e a direcção Este. Entre as representações, nem todas identificáveis, dos pináculos, destaca-se uma cabeça de lobo ou leão.» (Silvia Leite – DGPC)


sábado, 18 de dezembro de 2021

Pelourinhos 38 - Passô (Moimenta da Beira) e Penedono

 * Victor Nogueira


2021 12 18 Fotos victor nogueira- Pelourinhos - Passô (Moimenta da Beira) e Penedono


«O couto de Pallatiollo (palacete), ou Paçô, existia já em 1152, sob jurisdição do Bispo de Lamego. Foi doado por D. Afonso Henriques, ainda Infante, aos irmãos Mem e Egas Moniz, sendo este último o seu antigo aio. Teve desde então vários senhores, chegando a pertencer aos cónegos de Vila Boa do Bispo, de Marco de Canaveses. Embora não se lhe conheça foral, o Cadastro da População do Reino de 1527 já o indica como concelho. Foi extinto em 1834, e incorporado em Leomil; por extinção desde último, em 1855, ambos foram finalmente integrados em Moimenta da Beira. A freguesia conserva um velho pelourinho, atestando da sua anterior autonomia.

O pelourinho ergue-se sobre um grande afloramento granítico, em posição destacada, mas que cauza alguma estranheza. A plataforma consta de um único degrau quadrangular, de aresta, no qual assenta directamente a coluna. Esta tem fuste de secção quadrada na base e no topo, com arestas chanfradas na maior parte da sua altura, de forma a tomar a secção oitavada. Não existe capitel. O remate é constituído por um bloco com base talhada em tabuleiro quadrangular saliente, encimado por quatro colunelos cantonais, em redor de uma pirâmide quadrada de topo truncado e arredondado. Cada colunelo é rematado por um pequena esfera. Todos os elementos são lisos, à excepção de uma das faces da pirâmide do remate, onde se podem ver as armas do reino, na versão anterior à reforma de D. João II, de 1495 (ou seja, com os escudetes laterais deitados).

O pelourinho é muito singelo, e da factura algo rude, sendo possível encontrar outros monumentos com a mesma tipologia entre os séculos XV e XVII. As armas régias são de facto a única indicação cronológica de que dispomos. Estas terras foram doadas por D. Afonso V a Gonçalo Pinto, em 1465, sendo provável que a construção do pelourinho date de então, provavelmente na sequência de carta de foral dada pelo seu novo donatário.» (Sílvia Leite – DGPC)



«O primeiro sinal de inequívoca vitalidade concelhia de Penedono data de 1195 e corresponde ao foral passado por D. Sancho I, que reconheceu o município. As origens do povoamento de "Pena de Domus" (como a localidade era conhecida na Idade Média) são, todavia, anteriores e identificam-se nos meados do século X, quando um primitivo reduto defensivo fazia parte de uma linha de fortificações doadas por D. Chamôa Rodrigues ao Mosteiro de Guimarães, em 960.

D. Afonso II confirmou o foral sanchino em 1217, mas os séculos finais da Idade Média foram conturbados. No reinado de D. Fernando, vivendo o país uma séria crise económica em consequência das guerras travadas pelo monarca contra Castela, Penedono foi integrado no concelho de Trancoso, mas recuperou rapidamente a sua autonomia, sendo então doado à família Coutinho, estirpe que deixou a sua marca no castelo-paço então reformulado.

O pelourinho que se conhece foi construído nos inícios do século XVI e resulta do novo foral passado a 27 de Novembro de 1512 pelo rei D. Manuel. Implanta-se na praça principal da vila, no caminho que conduzia ao castelo e fronteiro à antiga casa da câmara. Pelo acentuado declive da via, foi necessário erguer-se uma plataforma de cotas diferenciadas, de base quadrangular, onde assentam oito degraus oitavados, de faces boleadas, sendo o último de maiores proporções que os restantes.

O pelourinho propriamente dito possui base chanfrada e compõe-se de esguio fuste monolítico, de perfil octogonal, onde assenta o coroamento. Este é em forma de gaiola, definido por ábaco octogonal a partir do qual se elevam oito colunelos (alternadamente quadrangulares e cilíndricos), encimados por pináculos. No interior da gaiola existe coluna que sustenta o remate, em forma de coruchéu cilíndrico onde se apoia grimpa de ferro.

Estas características diferenciam este pelourinho da generalidade dos que se construíram em solo nacional pelos inícios do século XVI, reconhecidamente de menor exuberância. No inventário dos pelourinhos quinhentistas, os de gaiola são minoritários e testemunham a vontade dos concelhos em ostentar a sua municipalidade, numa época de reforço de poderes e de desenvolvimento do reino - Penedono deveria contar, por 1527, com cerca de 1500 habitantes. Esta ideia teve grande eco em regiões teoricamente mais afastadas dos principais centros, como no caso do pelourinho de Vila Nova de Foz Côa, ou mesmo no de Sernancelhe, com o qual o de Penedono mantém assinaláveis analogias.

Em 1895, o concelho foi extinto, mas recuperou o seu estatuto municipal em 1898, por decreto de 13 de Janeiro, assim se mantendo na actualidade.»  (PAF – DGPC)


quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Pelourinhos 34 / Municípios 18 - Marinha Grande, Meda e Murça

 * Victor Nogueira


2021 12 15 Fotos victor nogueira -  Marinha Grande (Paços do Concelho), Meda (pelourinho) e Murça (Paços do Concelho)

A Praça Guilherme Stephens no situa-se no centro da Marinha Grande, constituída por edifícios de traça pombalina e um busto do industrial do vidro que dá nome ao largo . Aqui localiza-se o edifício que alberga os Paços do Concelho. Pertenceu a D. Beatriz Carvalho de Abreu e Melo e era originalmente composto por dois pisos, construído em alvenaria de pedra, com pavimentos constituídos por vigamento de madeira e solho. Foi adquirido em junho de 1927 pela Câmara Municipal da Marinha Grande, para aí instalar os Paços do Concelho. Na sequência de um incêndio ocorrido em 1934, foi alvo de uma reconstrução da qual resultou a criação de um 3º piso e a traça como hoje se pode observar.(https://www.cm-mgrande.pt/pages/974?poi_id=66 )


«A pequena localidade de Meda, de muito remota origem, pertenceu a partir do século XI ao cenóbio beneditino que se erguia no local da actual Torre do Relógio, no sopé da colina do castelo. Em 1145, pertencia já à Ordem do Templo, e em 1319 passou para a Ordem de Cristo. Recebeu foral novo de D. Manuel, em 1519, no qual é referida como Vila de Meda e Comenda da Ordem de Cristo. O seu pelourinho, erguido junto da igreja matriz e do antigo celeiro da povoação (de construção tercentista, entretanto derrubado), ainda se conserva, embora com o remate mutilado, e havendo sofrido um restauro em finais do século XX.

O pelourinho levanta-se sobre soco de cinco degraus octogonais, de aresta, hoje parcialmente integrados numa escadaria de construção moderna. Os três degraus intermédios são resultado de uma intervenção de restauro, de resto evidente, e o inferior é mais rústico, destinado-se a vencer o desnível do terreno. A base da coluna é constituída por um plinto oitavado, monolítico. O fuste arranca de um pequeno troço inicial cúbico, em cujos vértices superiores assentam quatro peças decorativas contracurvadas, a partir das quais as arestas da coluna sofrem chanfradura, ganhando a secção octogonal. O capitel resume-se a uma singela moldura octogonal rebordante, servindo de tabuleiro, onde assenta o remate. Este era originalmente em gaiola, restando apenas o cesto inferior, em taça oitavada, faces lisas e rebordo plano.

A metade superior da gaiola foi destruída, supostamente na década de 40 do século XX, por um vendaval. Para melhor compreender a tipologia original do monumento, compare-se com os muitos exemplares de pelourinhos de gaiola do distrito da Guarda, como sejam os de Muxagata, Penedono, Aguiar da Beira, Marialva, Algodres, Aveloso, Almendra, Carapito, entre outros. Embora mutilado, o pelourinho é certamente de construção quinhentista, provavelmente subsequente ao foral manuelino.» (Sílvia Leite – DGPC)


Murça - O edifício dos Paços do Concelho é um solar do século XVII, com dois pisos e janelas de sacada no primeiro andar, cujo telhado é interrompido por um arco contracurvado, ao centro. Ocupa toda a ala Norte da Praça 5 de Outubro – a Praça Velha  - onde se localizam o pelourinho e o Solar dos Guedes, que foram donatários da Vila.


terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Pelourinhos 33 - Loriga (Seia), Maiorga (Coutos de Alcobaça) e Longroiva (Meda)

 * Victor Nogueira 


2021 12 13 Pelourinhos -  Loriga (Seia) Foto Isabel R.-   Maiorga (Coutos de Alcobaça) e Longroiva  (Meda) Fotos victor nogueira 

Loriga era vila sede de concelho desde o século XII, tendo recebido forais em 1136 (João Rhânia, senhorio das Terras de Loriga durante cerca de duas décadas, no reinado de D. Afonso Henriques), 1249 (D. Afonso III), 1474 (D. Afonso V) e 1514 (D. Manuel I).   Deixou de ser sede de concelho em 1855 após a aplicação do plano de ordenação territorial levada a cabo durante o século XIX. O pelourinho (século XIII reconstruído) encontrava-se erguido num pequeno largo da povoação até finais do século XIX. Rendo entretanto dido demolido, ficaram apenas uns poucos escritos e relatos verbais transmitidos através de gerações que deram sempre conta da existência desse monumento nesse local. A reconstituição do Pelourinho de Loriga teve como base uma versão escrita pelo Capitão Dr. António. A reedificação foi finalmente concretizada em 1998.  (https://jpmsantos.wordpress.com/ http://www.loriga.de/cenarios.htm)


«Maiorga constituía uma das 14 vilas dos coutos de Alcobaça, com cartas de povoação assinadas pelos respectivos priores, em 1303 e 1361, renovadas em 1454 por D. Frei Gonçalo Ferreira. Recebeu foral novo de D. Manuel, em 1514, na sequência do qual se terá erguido o pelourinho que ainda se conserva na povoação. O concelho foi extinto e integrado em Alcobaça, do qual é actual freguesia.

O pelourinho levanta-se num largo de boa inclinação, diante da igreja matriz e da capela do Espírito Santo, antiga igreja da Misericórdia de Maiorga. Assenta em plataforma de quatro degraus alternadamente circulares e estrelados, de aresta, bastante desgastados, estando o último parcialmente embebido no pavimento, de forma a compensar o seu desnível. A coluna tem base de secção circular, decorada com oito arestas verticais e duas molduras horizontais em bocel. O fuste é inteiramente espiralado, com espiras ornadas de botões, e aneís encordoados relevados na base, no topo, e a meia altura. O capitel é oitavado, com faces ornadas de folhagem, e ábaco igualmente oitavado, em molduras sobrepostas, de lados ligeiramente côncavos. O remate é um tronco cónico truncado no topo.

O monumento é claramente datado do período manuelino, compondo um interessante conjunto com o portal da capela do Espírito Santo, do mesmo estilo. É possível que pertençam ambos a uma mesma campanha de obras, como por vezes acontecia, aproveitando-se a presença de mestres canteiros nos estaleiros das obras principais para a lavra dos pelourinhos.» (Sílvia Leite – DGPC)


«Longroiva, actual freguesia de Meda, foi sede de concelho entre 1124, quando terá recebido foral de D. Teresa, e 1836, data da sua extinção. Detinha uma posição estratégica determinante, durante a Reconquista, e veio a pertencer por via da sua importância militar aos cavaleiros da Ordem do Templo, por doação de 1145. Foi depois comenda da Ordem de Cristo. Teve foral novo dado por D. Manuel, em 1510, talvez contemporâneo da construção do pelourinho. Este monumento foi derrubado em 1883, e as pedras foram aproveitadas em obras particulares. Foi restaurado em 1961, junto da antiga cadeia, tendo sido possível recuperar pelo menos a peça de remate.

O pelourinho ergue-se sobre plataforma de factura moderna, constituída por três degraus octogonais, de aresta, o térreo parcialmente embebido no pavimento, e o superior apresentando uma inscrição. Nele pode ler-se D. 1883 R. 1960, aludindo às datas de derrube e reconstrução. Sustenta coluna de secção octogonal e faces lisas, com cerca de quatro metros de altura. No topo do fuste assenta directamente o remate, composto por bloco prismático alto, onde se adossa um grande escudo régio coroado, como coroa aberta, e terminando em bico. No remate está cravado um cata-vento de galo em ferro, moderno.

Ainda que seja geralmente referido que a coluna é original, a observação da mesma indica que se trata igualmente de obra recente. Desta forma, apenas o remate corresponderá ao monumento primitivo, aparentemente quinhentista. A reconstrução foi feita de acordo com a reconstituição conjectural do arqueólogo e etnógrafo Adriano Vasco Rodrigues.» (SML - DGPC)

domingo, 28 de novembro de 2021

Pelourinhos 16 / Igrejas 80 - Vila do Conde - Pelourinho, Igreja e Capela

 * Victor Nogueira


Fotos victor nogueira - Vila do Conde - Pelourinho, Capela do Senhor da Agonia e Igreja de S. João Baptista


O pelourinho de Vila do Conde, actualmente colocado na Praça Vasco da Gama, antiga Praça Nova, situa-se defronte do edifício da Câmara Municipal e na vizinhança da Igreja de S. João Baptista e da Capela do Senhor da Agonia.

«Vila do Conde teve primeiro foral dado por D. Dinis, em 1296, e foral novo de D. Manuel, datado de 1516. Na sequência deste foral foi erguido um pelourinho, na praça que se viria a chamar de Velha , por mais tarde se ter aberto uma nova. A Praça Nova foi aberta em 1538, no reinado de D. João III, e nela foram então construídos novos edifícios dos Paços do Concelho.

No mesmo ano, deliberou o monarca que o pelourinho fosse transferido para esta praça; porém, durante as obras de montagem do mesmo, em 1539, o povo decidiu a sua destruição, por ser símbolo antigo de aplicação de justiça que já não competia aos municípios. Quase no final da centúria, em 1582, é ordenada a sua reconstrução na Praça da Ribeira, certamente para evitar desta vez a proximidade da picota com os paços concelhios.

O pelourinho regressou enfim à Praça Nova, hoje Praça Vasco da Gama, em 1913. Está portanto situado nas imediações da Câmara Municipal, e igualmente da bela igreja matriz de Vila do Conde, igualmente construída por iniciativa de D. Manuel.

O pelourinho assenta numa singela plataforma oitavada, de grande altura, a cujo topo se acede através de quatro pequenos degraus abertos numa das suas faces. Esta plataforma será de construção moderna, sendo as suas faces percorridas por inscrições alusivas ao atribulado percurso do pelourinho. A coluna possui base oitavada, encimada por moldura boleada com a mesma secção. O fuste é constituído por quatro colunelos lisos, torsos, cingidos a meia altura por um anel encordoado, e perto do topo por uma moldura semelhante, mas adaptada ao contorno das vergas. É encimado por original gaiola, ou roca aberta, muito ornamentada. A gaiola possui a metade inferior em taça muito ornamentada, e a metade superior vazada por oito orifícios, envolvidos por cadeias de argolas decorativas. O conjunto é rematado por pequena esfera lisa, onde se crava a grimpa, formada por uma haste em ferro de onde sai um braço empunhando uma espada.

O monumento, de aparência algo híbrida, certamente em função de diversas intervenções, será composto por elementos manuelinos conservados, sobre base moderna. A grimpa é curiosamente semelhante à do pelourinho de Nisa, remontado (refeito?) no século XX.» (Sílvia Leite - DGPC) 


VER  Pelourinhos 49 / Municípios 24 - Vila do Conde