Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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sexta-feira, 15 de abril de 2022

Fotos de capa em abril 15

 * Vitor Nogueira


2022 04 15 Foto victor nogueira - Bicicleta em contraluz, na Praia da Gafa (Mindelo) - (2016 09 19 Canon 106_09)


2021 04 15 foto victor nogueira -  Sé da Guarda  (rolo 364 - 1998.07.13)

A Sé, templo essencialmente gótico, levou muito tempo a ser construída, prolongando-se por mais de duzentos anos, resultando um ar inacabado, uma mistura de vários estilos, um ar pesado, fortificado e atarracado. O interior da Sede Episcopal é contrastante com o seu exterior, apresentando uma enorme leveza. Desperta a nossa atenção o retábulo do altar‑mor, de pedra de Ançã, da autoria de João de Ruão, constituído por mais de 100 figuras, colocadas em vários “andares”, mais precisamente seis, algumas das imagens mutiladas por terem servido de alvo aos soldados duma das invasões francesas. O retábulo representa a Paixão e Morte de Jesus Cristo. No exterior duas portas manuelinas, uma na fachada principal, apertada entre as duas torres sineiras, outra na fachada lateral, virada para a Praça Velha. (1)

Embora já  estivesse a encerrar, o pároco deixou-nos entrar na Sé, enquanto eram recolhidas as esmolas das respectivas caixas, enchendo um pesado saco que o sacristão, derreado, acompanhado pelo padre, transporta pela rua pela rua abaixo, terminada a nossa visita.

(1) - Da Guarda era uma cozinheira já idosa, Ana de Jesus, em casa dos meus pais em Luanda, e que me me falava da sua terra natal e da Sé que demorara tempos infindos a ser concluída, como as chamadas obras de Santa Engrácia, em Lisboa



2021 04 15 auto-retrato em 2021 04 14 - o homem covidescus de neanderthal


2020 04 15 Foto de família - em Luanda, no Bairro do Maculusso, depois do triciclo e do carro de pedais, esta  foi a minha 1ª bicicleta, de que me não lembraria se não fosse esta foto. Mais tarde, já na Praia do Bispo, os meus pais ofereceram a mim e ao meu irmão uma bicicleta, para cada um de nós. 

Depois disso, embora nunca tenha deixado de saber andar de bicicleta, nunca mais tive uma, ao contrário do meu irmão que já  adulto em Lisboa teve uma. Faz-me impressão e não consigo andar de bicicleta no meio do trânsito automóvel citadino.

Aprendi a equilibrar-me num dia, no Parque Florestal da Ilha do Cabo, em Luanda. Cheguei ao fim desse dia esfolado e com nódoas negras das quedas, mas levei a minha avante.


2019 04 15 Foto victor nogueira - 1976  - o maestro Fernando Lopes Graça dirigindo um grupo coral nas ruas de Évora


2019 04 15 "Os olhos também comem", dizem e ... nem sempre "as aparências iludem". Tem piada o desenho de embalagens, rótulos ou recipientes que despertam a atenção ou o desejo. de comprar, provar ou coleccionar. Como este, duma marca "branca" de batatas fritas comercializadas pela rede Continente / Modelo / Nosso Super (hiper / super / mni mercados). Normalmente as marcas brancas eram de pior qualidade gustativa e as respectivas embalagens pouco atractivas. Mas já nem sempre é assim. embora muitas vezes, sejam ou não de marca, tenham um desenho "retro", sobretudo em produtos alimentares, como se adquirindo-as voltássemos ao tempo mítico, mitificado, dos "nossos" avós. Como se o tradicional é que fosse bom, de qualidade e confecção caseiras e não como hoje em dia produtos fabricados em cadeia de montagem cujo produto final sabe sempre ao mesmo,  até que nos fartemos dele..

EM TEMPO - Estas são saborosas, embora carregadas de sal, não muito, para puxar pelas cervejolas ou água engarrafada ... para ser sempre a aviar e consumir. Mesmo que  à custa da nossa saúde e consumições daí decorrentes..


2018 04 15 Foto victor nogueira - praias de Algezur


2017 04 15 auto-retrato em paço de arcos 2017.04.15


2014 04 15 Mac Coy é um personagem de BD criado por Antonio Hernandez Palacios e Jean-Pierre Gourmelin, situado nos anos subsequentes à Guerra Civil norte-americana. Oficial do exército sulista expulso, ingressa nas fileiras do Norte. Com realismo e humor, a série em 22 álbuns narra multiplos episódios da história dos EUA, envolvendo os índios, a Guerra com o México que terminou com parte da sua anexação pelos States e a vida quotidiana no oeste selvagem.


2012 04 15 Caminhos do Futuro-Coop. C.T.P.A.P. Montemor-o-Novo, CRL  - Pintura de António Couvinha
.
Alentejo!
Minha terra total!
Meu Portugal
Aberto,
Eternamente incerto
Nas fronteiras, no tempo e nas colheitas!
Minhas desfeitas
Praças fortificadas!
Minhas insatisfeitas
Correrias,
A contar no franzido das lavradas
As rugas tatuadas
No rosto dos meus dias...


Miguel Torga


2012 04 15 António Couvinha Portas de Moura vista por Sílvia Lopes


2012 01 09 american way of life
***

2012 04 15 António Couvinha  -  Paisagem de Évora vista da "mata" do Jardim Público. 2012 04 14 
.
Victor Barroso Nogueira
Como a Sé está lá no cimo, impositiva, dominante, pensei que fosse o que afinal não é, passado o 1º relance. E a partir do Jardim Público a minha memória não reconhece esta igreja. E dando a mata para sul, continuo sem "ver" este edifício, pois a sul fica o Rossio de S. Brás e da mata, quanto muito, ver-se-ia - ver-se-á ? - a Igreja do convento da Graça, que não tem esta representação. Esclareces-me, António?

As ruelas de Beja nas traseiras da Igreja de Santa Maria, são também um encanto. Deambular pausada e vagarosamente por elas, de madrugada, o silêncio quebrado apenas pelos nossos passos

segunda-feira, 28 de março de 2022

Fotos de capa em março 28

 Victor Nogueira


2022 03 28 Foto victor nogueira - Castelo de Estremoz (2000 09)


2021 03 28 100 Mil Anos de Lutas Mil - Silva Porto -  "Colheita / ceifeiras" e "A salmeja"


2021 03 28 Mapa do Centro Histórico de Évora. Trabalho de três anos, levantamento no terreno, fotografias e esboços. Desenhado e pintado a aguarela. Terminado em 1991. Publicado no mesmo ano. Há 30 anos! (António Couvinha)


2020 03 28 foto victor Nogueira - Castelo Novo (Fundão) -vista geral e Capela de Santo António, em 1998.07.13 (rolo 364)

"Apaixonei-me" pelas populações, aldeias e vilas da Beira Baixa, que percorri de lés a lés. Castelo Novo foi uma das povoações que me encantou, com uma casa brasonada de esquina gostaria fosse minha.para nela morar, 

NOTAS DE VIAGENS:
Castelo Novo
Situa-se na base da Serra da Gardunha. Água do Alardo. Homens que enchem garrafões na fonte pública e metem no jipe.

No caminho de Castelo Novo fotografia a portal de capela. Estrada romana. Foi sede de concelho.

Entrada para o castelo feita através de passagem estreita apertada por um penedo. Tento subir à torre mas desisto e a descida é dificultosa por escorregadia.

Perto das rua e da travessa da Lagariça uma concavidade escavada na rocha com acesso por escada com degraus  nela talhados -  lagariça

Solar dos Gamboas e Casa  da Câmara.

Teve uma fábrica de lanifícios, que está abandonada, restando as ruínas de sólidas paredes.  Numa casa com alpendre exterior uma inscrição: “Silvestre Braz Leitor mandou fazer esta obra no anno 1616”. Foto na rua da Misericórdia. Chafariz 1796, à sombra de árvores, com  mesas e bancos. Muitas bicas pelas ruas. (1998.97.13)



2019 03 28 auto-retrato em 2019.03.28, no Centro Comercial Allegro em Setúbal. Na zona dos cinemas existem estátuas, um pouco a monte, de vários personagens, como o Capitão Gancho, Peter Pan, Super-Homem, Pateta, Batman, entre outros. Na minha meninice e adolescência embora gostasse do Capitão Marvel, do Shazzam, apreciava mais,, tal como hoje, o Batman, sem super-poderes, tal como o Demolidor, do que o Super-Homem e toda a galeria de super-heróis com super-poderes. E também gosto de vilões, como o Joker ou Luther. Aqui,, o Batman acedeu posar comigo 😛


2018 03 28 foto victor nogueira - Paços do Concelho de Setúbal


2018 03 28 A quem me visitar, uma boa Páscoa. Para quem estiver ausente ou silente, também


2015 03 28 foto MENS - Angola - Caala (Huambo) - Férias Grandes 1962 Agosto



2014 03 28 Fogo Victor Nogueira - Mindelo -  a concentração na jogada - 1989 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

fotos de capa em maio 03

 * Victor Nogueira


2021 05 03 Foto victor nogueira - Setúbal, antigo Convento de S. João Baptista, numa dominical tarde soalheira e primaveril, em Maio (2021.05.02  Canon 192_05)

2020 / 2019  05 03 - Do Cartaz para as Festas de Finalistas do ISESE 1971/72, desenhado por Camilo Monteiro com a malta do Arcada. O fundo era vermelho e faltam as letras. Embora tivesse ganho o Concurso para os cartazes, nunca chegou a ser editado. Nesse ano um dos  Jesuítas clamava nas aulas que ou os estudantes demitiam a Direcção da Associação de Estudantes, de que eu fazia parte pela 2ª vez, ou a Direcção do ISESE demiti-la-ia. 

Nem uma coisa nem outra sucederam mas  em 1972/73, dada a falta de condições e pela 1ª vez não houve lista para a eleição dos Corpos Gerentes da AE, pelo que a Direcção do ISESE nomeou uma Comissão Administrativa. 

Em 1973/74 os estudantes mais ou menos clandestinamente reuniam-se para retomar o controle da AE  através de eleições, processo que decorria  quando ocorreu o 25 de Abril, tendo o Plenário de Estudantes de 26 de Abril eleito uma Comissão Coordenadora das Actividades da Associação dos Estudantes, de que fiz parte, com a responsabilidade da coordenação geral e contactos  com os Partidos Políticos e Movimento Associativo Estudantil de Lisboa, Porto e Coimbra. 

Em Plenário Geral de Alunos, realizado a 3 de Maio de 1974, os estudantes  aprovaram uma Proclamação que a partir daí norteou a sua acção e reivindicações.


2020 / 2019 05 03 - HÁ 46 ANOS - 1974.05.03

Em 25 de Abril de 1974 a Direcção do ISESE não permitiu a realização dum Plenário dos Estudantes nas respectivas instalações e tentou nomear para a Associação dos Estudantes uma nova Comissão Administrativa de sua inteira confiança. O Plenário realizou-se a 26 de Abril nas instalações da CDE (Comissão Democrática Eleitoral), que havia entretanto ocupado a sede da Legião Portuguesa, em Évora. 

A 1 de Maio realizou-se o 2º Plenário de Estudantes, que deliberou saudar as manifestações do 1º de Maio, as primeiras realizadas em liberdade após 48 anos de fascismo.  Neste mesmo Plenário foram aprovadas 4 outras moções, relativas ao ISESE, deliberando-se convocar um 3º Plenário para 3 de Maio,tendo sido incumbido de sintetizá-las num único documento. 

Esse documento, uma PROCLAMAÇÃO, foi aprovado a 3 de Maio, passando a nortear as Comissões Coordenadoras das Actividades da Associação dos Estudantes e a sua luta. E esse documento que ilustra esta foto da cronologia.

PROCLAMAÇÃO
Os estudantes do ISESE, reunidos em 3 Maio 1974, saúdam todos quantos, sobretudo na clandestinidade e com risco da sua segurança e bem-estar, têm lutado contra todas as formas de repressão e violação dos direitos humanos em sociedade, nomeadamente a partir da instauração da ditadura fascista em Portugal;
 Incluem nesta saudação o Movimento das Forças Armadas
 Na sequência lógica das Declarações Universais dos Direitos Humanos e da Doutrina Social da Igreja;
 Considerando os poderes discricionários da Direcção do ISESE, exclusivamente formada por membros da Companhia Portuguesa de Jesus e dela directa e exclusivamente dependentes;
 REIVINDICAM:
 - o direito de participação na gestão do ISESE
 DECLARAM que o direito de participação na gestão do ISESE implica
 - o reconhecimento imediato dum Conselho de Estudantes (cuja constituição será objecto duma próxima RGA);
 - a liberdade de expressão do pensamento e  na procura das verdade, o que implica a abolição do ensino dogmático e magistral;
 - o reconhecimento imediato do direito de participação na constituição dos júris de exame;
 - a liberdade de comparência às aulas, o que implica a abolição imediata do regime de faltas;
 - a liberdade de reunião nas instalações do ISESE.
 RECONHECEM aos empregados do ISESE o direito de participação e decisão na resolução dos próprios assuntos.
 SAÚDAM todos os professores do ISESE que de forma inequívoca e expressa adiram ao conteúdo da presente proclamação.
 DECLARAM que prosseguirão na sua luta contra todos quantos, de qualquer modo, se oponham às declarações e reivindicações da presente proclamação.

(aprovado em Plenário Geral de 3 Maio 74 -  
A Comissão Coordenadora das Actividades da Associação dos Estudantes do Instituto Superior Económico e Social de Évora)

NOTA - Esta é uma fotocópia do documento original presente ao Plenário dos Estudantes, dactilografado na minha velha Olivetti Lettera  2000


2017 / 2014 05 03 Mural no Barreiro, em defesa da Reforma Agrária (PCP - 1980)

1974/75 - cartazes e murais de abril 07 - Barreiro (1980)  - Vencendo as 1ªs eleições legislativas, em 25 de Abril de 1976, o PS/Mário Soares de imediato arrumou o socialismo na gaveta e deu início ao desmantelamento das "conquistas de Abril" consignadas na Constituição da República. 

António Barreto foi o ministro da Agricultura encarregado de proceder ao desmantelamento da Reforma Agrária. É o personagem de muitos murais em Portugal.


2016 05 03 Túlio Espanca, por António Couvinha



2016 05 03 Fotos victor nogueira - Palácio da Comenda, de Raul Lino, na foz da Ribeira da Ajuda, em Setúbal 

O murete em 1º plano protege do movimento das marés o que resta da estação arqueológica romana. Lá no cimo, como que suspenso das nuvens, não de água mas de verdura, o Palacete que foi projectado por Raúl Lino, que faz parte do imaginário de muitos dos que por ali passam ou "estacionam" no Parque das Merendas. 

Neste Palácio e nas redondezas, em 1987,  foi parcialmente rodado o filme "Balada da Praia dos Cães", de José Fonseca e Costa, baseado no romance homónimo de José Cardoso Pires, com uma fabulosa interpretação de Raúl Solnado.

É duma visita que fiz um dia destes a minha photo-reportagem em "Palácio da Comenda e Ribeira da Ajuda, em Setúbal". Clique na hiper-ligação para um passeio virtual  em 

Palácio da Comenda e Ribeira da Ajuda, em Setúbal



2015 05 03 Foto de família - luanda - zé luís (+), maria emília (+) e victor manuel e dois poemas de FERNANDO nogueira PESSOA


2014 05 03 NOS 40 ANOS DO 25 DE ABRIL 23 - Sermão do Bom ladrão, segundo o Pe. António Vieira

O que está em causa na pena de morte, a pena de Talião, é a de ser estilo "olho por olho, dente por dente", como se a pena de morte tivesse efeito dissuasor, para além dos inúmeros erros judiciais. Isto sem falar na “tortura” de anos de espera no corredor da morte e na execução de condenados que entretanto se haviam regenerado. 

E de haver "criminosos" e "Criminosos". Como aliás já António Vieira escrevia no Sermão do Bom Ladrão: 

 - Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia, e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém, ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim. — Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? —

 - Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações, a uns e outros definiu com o mesmo nome: Eodem loco pone latronem et piratam, quo regem animum latronis et piratae habentem. Se o Rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.

 -  (…) Não só são ladrões os que cortam bolsas ou espreitam os que vão se banhar para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem lhes é dado o governo dos estados, ou a administração das cidades, ou ainda a representação do povo, os quais com astúcia e malícia, já com o poder, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam países e cidades; os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor nem perigo; os outros se furtam são enforcados; estes furtam e enforcam. (..) Quantas vezes viu-se em Roma, enforcarem um ladrão por ter roubado um carneiro; e no mesmo dia ser levado em triunfo um cônsul, ou ditador, por ter roubado um país.»

[Fragmentos do Sermão do bom ladrão, de Pe. António Vieira]



2012 05 03 Manifestações contra o Pacto de Agressão - PCP - Cartazes

quinta-feira, 15 de abril de 2021

fotos de capa em abril 15

 * Victor Nogueira


2021 04 15 foto victor nogueira -  Sé da Guarda  (rolo 364 - 1998.07.13)

A Sé, templo essencialmente gótico, levou muito tempo a ser construída, prolongando-se por mais de duzentos anos, resultando um ar inacabado, uma mistura de vários estilos, um ar pesado, fortificado e atarracado. O interior da Sede Episcopal é contrastante com o seu exterior, apresentando uma enorme leveza. Desperta a nossa atenção o retábulo do altar‑mor, de pedra de Ançã, da autoria de João de Ruão, constituído por mais de 100 figuras, colocadas em vários “andares”, mais precisamente seis, algumas das imagens mutiladas por terem servido de alvo aos soldados duma das invasões francesas. O retábulo representa a Paixão e Morte de Jesus Cristo. No exterior duas portas manuelinas, uma na fachada principal, apertada entre as duas torres sineiras, outra na fachada lateral, virada para a Praça Velha. (1)

Embora já  estivesse a encerrar, o pároco deixou-nos entrar na Sé, enquanto eram recolhidas as esmolas das respectivas caixas, enchendo um pesado saco que o sacristão, derreado, acompanhado pelo padre, transporta pela rua pela rua abaixo, terminada a nossa visita.

(1) - Da Guarda era uma cozinheira já idosa, Ana de Jesus, em casa dos meus pais em Luanda, e que me me falava da sua terra natal e da Sé que demorara tempos infindos a ser concluída, como as chamadas obras de Santa Engrácia, em Lisboa



2021 04 15 auto-retrato em 2021 04 14 - o homem covidescus de neanderthal


2020 04 15 Foto de família - em Luanda, no Bairro do Maculusso, depois do triciclo e do carro de pedais, esta  foi a minha 1ª bicicleta, de que me não lembraria se não fosse esta foto. Mais tarde, já na Praia do Bispo, os meus pais ofereceram a mim e ao meu irmão uma bicicleta, para cada um de nós. 

Depois disso, embora nunca tenha deixado de saber andar de bicicleta, nunca mais tive uma, ao contrário do meu irmão que já  adulto em Lisboa teve uma. Faz-me impressão e não consigo andar de bicicleta no meio do trânsito automóvel citadino.

Aprendi a equilibrar-me num dia, no Parque Florestal da Ilha do Cabo, em Luanda. Cheguei ao fim desse dia esfolado e com nódoas negras das quedas, mas levei a minha avante.


2019 04 15 Foto victor nogueira - 1976  - o maestro Fernando Lopes Graça dirigindo um grupo coral nas ruas de Évora


2019 04 15 "Os olhos também comem", dizem e ... nem sempre "as aparências iludem". Tem piada o desenho de embalagens, rótulos ou recipientes que despertam a atenção ou o desejo. de comprar, provar ou coleccionar. Como este, duma marca "branca" de batatas fritas comercializadas pela rede Continente / Modelo / Nosso Super (hiper / super / mni mercados). Normalmente as marcas brancas eram de pior qualidade gustativa e as respectivas embalagens pouco atractivas. Mas já nem sempre é assim. embora muitas vezes, sejam ou não de marca, tenham um desenho "retro", sobretudo em produtos alimentares, como se adquirindo-as voltássemos ao tempo mítico, mitificado, dos "nossos" avós. Como se o tradicional é que fosse bom, de qualidade e confecção caseiras e não como hoje em dia produtos fabricados em cadeia de montagem cujo produto final sabe sempre ao mesmo,  até que nos fartemos dele..

EM TEMPO - Estas são saborosas, embora carregadas de sal, não muito, para puxar pelas cervejolas ou água engarrafada ... para ser sempre a aviar e consumir. Mesmo que  à custa da nossa saúde e consumições daí decorrentes..


2018 04 15 Foto victor nogueira - praias de Algezur


2017 04 15 auto-retrato em paço de arcos 2017.04.15


2014 04 15 Mac Coy é um personagem de BD criado por Antonio Hernandez Palacios e Jean-Pierre Gourmelin, situado nos anos subsequentes à Guerra Civil norte-americana. Oficial do exército sulista expulso, ingressa nas fileiras do Norte. Com realismo e humor, a série em 22 álbuns narra multiplos episódios da história dos EUA, envolvendo os índios, a Guerra com o México que terminou com parte da sua anexação pelos States e a vida quotidiana no oeste selvagem.


2012 04 15 Caminhos do Futuro-Coop. C.T.P.A.P. Montemor-o-Novo, CRL  - Pintura de António Couvinha
.
Alentejo!
Minha terra total!
Meu Portugal
Aberto,
Eternamente incerto
Nas fronteiras, no tempo e nas colheitas!
Minhas desfeitas
Praças fortificadas!
Minhas insatisfeitas
Correrias,
A contar no franzido das lavradas
As rugas tatuadas
No rosto dos meus dias...


Miguel Torga


2012 04 15 António Couvinha Portas de Moura vista por Sílvia Lopes


2012 01 09 american way of life
***

2012 04 15 António Couvinha  -  Paisagem de Évora vista da "mata" do Jardim Público. 2012 04 14 
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Victor Barroso Nogueira
Como a Sé está lá no cimo, impositiva, dominante, pensei que fosse o que afinal não é, passado o 1º relance. E a partir do Jardim Público a minha memória não reconhece esta igreja. E dando a mata para sul, continuo sem "ver" este edifício, pois a sul fica o Rossio de S. Brás e da mata, quanto muito, ver-se-ia - ver-se-á ? - a Igreja do convento da Graça, que não tem esta representação. Esclareces-me, António?

As ruelas de Beja nas traseiras da Igreja de Santa Maria, são também um encanto. Deambular pausada e vagarosamente por elas, de madrugada, o silêncio quebrado apenas pelos nossos passos ..

domingo, 28 de março de 2021

os jardins em évoraburgomedieval

* Victor Nogueira

In illo tempore não tinha Évora senão três ou quatro jardins e alguns largos arborizados, como o Largo do Chafariz do Chão das Covas, o Largo 1º de Maio (na época com outra designação), a Praça Joaquim António de Aguiar, o Largo Marquês de Marialva,  o Largo D. Miguel de Portugal e o Largo de S. Mamede, para além do chamado Jardim do Bacalhau, este junto ao Largo da Porta de Moura, e o Rossio de S. Brás.

O Jardim de Diana, circunvizinho do templo romano, ergue-se sobre a muralha romana, com ampla vista para a antiga mouraria e para os arredores da cidade. 

O Jardim Público, antigo Passeio Público da burguesia citadina, com a sua mata, assenta parcialmente num baluarte do século XVII, estendendo-se desde a Porta do Raimundo até à Rua da República. Dentro deste jardim se situa o que resta do Palácio de D. Manuel, para além do coreto e das ruínas encenadas por Cinatti ao gosto romântico e provenientes do paço do bispo D. Afonso de Portugal. O jardim tem acessos pela Rua da República, pela Rua do Raimundo, pelo largo de Mercado, onde se situam a igreja de S. Francisco, com a sua capela dos Ossos, e o Celeiro Público,  e pelo parque infantil, junto à Praça de Touros e perto do Rossio de S. Brás, onde se encontra a ermida homónima , gótico mudejar, e se realiza a feira de S. João. Não  me  lembro de assistir a concertos de música no coreto, o que não significa que os não houvesse. É ornamentado por esculturas  diversas: uma estátua de Vasco da Gama, um busto de Florbela Espanca, dois bustos de carácter alegórico representado a juventude e a velhice, e um outro de Giuseppe Cinatti. A entrada no recinto vedado do parque  infantil era, nesses tempos, paga, como se refere no texto Cenas do Jardim (O miúdo e o carrocel).

O  Jardim dos Colegiais situava-se fora das muralhas mas adjacente a estas, nele existindo uma porta ou postigo da muralha.  

Nos meus escritos há algumas referências aos jardins eborenses, sobretudo àquele em que mais estacionava, o jardim público para onde ia ler, estudar ou jogar minigolfe. Para lá das cenas descritas em Cenas do Jardim, no fim desta nota reproduzidas, há algumas outras, como a daquela vez em que estando sentado com a namorada num dos bancos, dei-lhe um brevíssimo e "casto" beijo e logo a varinha do guarda bateu-me no ombro avisando que poucas-vergonhas daquelas eram proibidas. Outra cena envolve o então Presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano. Descontraído e distraidamente ia a passar junto à entrada do Palácio D. Manuel I, onde se aglomeravam algumas poucas pessoas, quando me apercebi da saída rápida deste, precedido duns três Pides, um dos quais me deu um inesperado e violento empurrão para desimpedir o caminho, num ápice desaparecendo Marcelo da minha vista e dos poucos mirones que o aclamavam à passagem.


1968

Imaginem uma ilha de pedra escura ou casas irritantemente brancas no meio de uma infindável planície. Imaginem umas muralhas que encerrem umas relíquias sagradas, mais intocáveis que os "intocáveis". Imaginem umas igrejas velhas, escuras, uma delas cheia de tíbias e caveiras e dois esqueletos pendurados na parede [Capela dos Ossos na Igreja de S. Francisco] e a encorajadora frase "Homem, lembra-te que és pó e em pó te hás-de tornar". Uma janela manuelina, num canto, num dos muitos cantos escusos, e que foi do Garcia de Resende. Um templo romano, vulgarmente denominado de Diana. Muralhas medievais e seiscentistas. Um aqueduto ou o que dele resta. E casas, muitas casas, dolorosamente caiadas de branco, um branco frequentemente maculado por umas escuras pedras graníticas, restos duma janela, duma porta, duma parede, duma muralha... E ruas estreitas e tortuosas, onde passam pessoas e carros. Évora, ei-la, cidade sem presente nem futuro, com passado, um passado que se pretende preservar a todo o custo. Aqui, se não fossem os automóveis e as antenas de televisão, poder-se-ia dizer que o tempo parou. Algumas décadas ou mesmo séculos atrás. 

Que mais tem ela? Meia dúzia de jardins. As melhores piscinas da Península. Um  Salão Central Eborense. Que dá sessões cinematográficas diariamente (à 6ª feira o filme é português)  Um teatro (o Garcia de Resende) que em dois meses abriu para apresentar um concerto, uma peça de teatro ("D. Quixote", pelo Teatro Experimental de Cascais) e  uma ópera ("Rigoletto", pela Companhia do Trindade). Um espectáculo de cada.

Cinema, café, Praça do Giraldo, casas e pouco mais. O que há para fazer. As perspectivas para as miúdas são mais negras. (JCF - 1968.12.26)

1969

Andei a deambular pelas ruas de Évora armado em explorador. Cruzes em esquinas assinalam o local onde foi assassinado, largos anos atrás, um homem qualquer, ruas desertas, miúdos, roupa estendida nas janelas, um gatito que roça nas minhas botas, o miúdo que me pede dinheiro, já não sei para quê. Por fim o regresso ao Giraldo. Rumo ao Mercado, onde se vendem animais embalsamados, artigos de barro, caça, peixe, brinquedos... esses brinquedos de lata ou de madeira que eu reconheci como já tendo sido meus numa longínqua infância que já não reconheço como minha. Seguiu-se a habitual passagem pelo Jardim Público. Onde está uma oliveira com uma lápide que reza assim: "Oliveira plantada em 14 de Julho de 1919 comemorando a Paz Universal após a Guerra dos Povos Aliados contra a Alemanha" (NSM - 1969.01.26)


Desta janela [da sala de aulas do Instituto em que me encontro] avistam-se telhados sujos, uma chaminé esbranquiçada e, lá ao fundo, muito ao longe, a verde campina alentejana, onde se destacam algumas manchas mais escuras, de oliveiras ou sobreiros. Pela outra janela, à minha esquerda, vêm-se as paredes brancas do edifício do Museu Regional, com as suas sacadas de ferro forjado. Há umas semanas atrás era a moldura dum dos quadros mais belos que tenho visto: os ramos das árvores do largo [Marquês de Marialva], agora descarnados, estavam cobertos de folhagem dourada. Quantas vezes, ao entrar para esta sala, os meus olhos se deliciaram neles. (NSM - 1969.04.09)


Os dias de sol alternam com os de chuva fria. Hoje o céu está azul, quase limpo; andorinhas volteiam pelos ares, o branco das casas fere impiedosamente o olhar, os jardins (Ah! a única coisa aproveitável nesta vilória!) multicoloram-se de flores e as árvores enverdecem. Mas no telhado e junto à minha janela, o musgo secou, deixando apenas manchas escuras. A erva que corria por entre as telhas está castanha e coberta de mini flores brancas. Já não parecem árvores correndo por entre vales e galgando montanhas. (NSM - 1969.06.03)


1973

Não gosto de Évora, porque não se vê o mar, nem a relva, nem as árvores, mas só pedras. Évora é um círculo que nos esmaga e constrange. (...)  Também andam para aí a deitar prédios abaixo que até chateia. Pena não os deitarem todos e plantarem árvores e relvado que não fosse proibido pisar. (MCG - 1973.06.03)



De manhã fui até ao jardim e os meus passos levaram-me até ao campo de mini golfe. (...) Apesar da minha propaganda ainda não arranjei ninguém para jogar comigo. O Carlos e o Camilo só estão bem na poluição do Arcada. Quem lhes tirar a fumarada tira-lhes a vida e o ser!!!  (XXX - 1973.07.03)

(...). Comecei hoje a comer aqui neste café, junto ao jardim infantil, entre a Praça de Touros e o Rossio [de S. Brás]. O almoço estava saboroso. Esperemos que assim continue. Ali numa mesa ao lado um grupo de jovens vê uma colecção de fotografias pornográficas, que de vez em quando mostram a outros noutra mesa, cruzando o meu campo de visão. Entretanto a TV transmite um documentário sobre a guerra israelo-árabe, prendendo a atenção dos clientes. (...) Na televisão sereias soam numa cidade síria, sobrevoada por aviões israelitas que a bombardeiam. Escombros e feridos enchem o ecrã. (MCG - 1973.11.21)

Jardim Público e Mata





Entrada pela Rua da República (1975)
 



(na mata)


Coreto e Comício com Octávio Pato (Eleições Presidenciais 1976)


(foto MENS)


Ruínas Fingidas de Cinatti





Palácio D. Manuel I - Comício (Eleições Legislativas - 1976)


(feira semanal no Rossio de S. Brás)


Visto do Rossio de S. Brás

Parque Infantil


(Foto MENS)








Jardim dos Colegiais






Jardim de Diana


(ao fundo a mancha verde é o Jardim de Diana)



(ao fundo a Torre das 5 Quinas)




(Á esquerda o antigo Convento dos Loios e à direita o zimbório da Sé)


(Á esquerda o antigo Palácio da Inquisição)


O Templo romano, nas cercanias do Jardim de Diana


Manifestação 1976 1º de Maio 


CTT e Rua do Menino Jesus, vistos do Jardim de Diana


 A Mouraria vista do Jardim de Diana. Em 1º plano a Rua do Menino Jesus (1975)


 1976 03 12 Manifestação dos Trabalhadores Rurais


Vista da Mouraria  1976 03 12 Manifestação dos Trabalhadores Rurais



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Largo Miguel de Portugal (1975)


Praça 1º de Maio (1975) - ao fundo o Mercado Municipal


Praça 1º de Maio (á esquerda, o Mercado Municipal)


 Largo do Marquês de Marialva  1976 03 12  Manifestação dos Trabalhadores Rurais


 Largo de S. Mamede 1976 03 12  Manifestação dos Trabalhadores Rurais


 Largo de S. Mamede 1976 03 12  Manifestação dos Trabalhadores Rurais



 Rossio de S Brás 1976 04 11 Festa da Liberdade (PCP)

Mapa do Centro Histórico de Évora. Trabalho de três anos, levantamento no terreno, fotografias e esboços. Desenhado e pintado a aguarela. Terminado em 1991. Publicado no mesmo ano. Há 30 anos.

Cenas do Jardim







1969.02.24