Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

2023 - Estatuária em fotos de capa

 * Victor Nogueira


2023 01 16 - Vila do Conde - Av Júlio Graça, avistando-se ao fundo o Convento de Santa Clara (2023 01 14 IMG_1931)  Na curva encontra-se o Monumento "Aos Filhos desta Terra que Honraram Portugal". Inaugurado em 10 de Junho de 2010, homenageando todos os vilacondenses que nas colónias combateram e faleceram.


2023 02 04 - [IMG_1975 (2023 01 15) IMG_1461 (2022 12 06 08)] Vila do Conde - Capela do Socorro e relógio de sol na Praça D. João II, como se fora no norte de África, muçulmano, em dias de infernal calor mas que afinal e na realidade eram de invernal gélida frialdade.


2023 01 21 - Vila do Conde - iluminações natalícias no conjunto escultórico alusivo ao Desporto, da autoria de Carlos Barreira. Inaugurado em dezembro de 1999, exibe um «pêndulo», que simboliza o tempo das provas e dos jogos e os «louros» em homenagem aos vencedores. Localiza-se na Avenida do Atlântico. FOTOS (2022.12 08 e 28 IMG_1709 e IMG_1499) (GEDC0741)


2023 02 03 -  Forte de S. João Baptista, em Vila do Conde, e Praia da Gafa, no Mindelo. Desembarque do Mindelo é a designação dada ao desembarque das tropas liberais a norte do Porto em 8 de Julho de 1832, durante as Guerras Liberais, nome pela qual ficou conhecida a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834). 

As tropas liberais ficaram conhecidas como os "Bravos do Mindelo", com vários memoriais, um dos quais em Vila do Conde, nas cercanias do referido forte, com a inscrição "Padrão comemorativo das primeira tentativa de desembarque da esquadra liberal em 8 de Julho de 1832”

Na Praia da Gafa um memorial atesta «Mindelo, um mar de liberdade».


2023 02 05 - Vila do Conde - estátua de S. Francisco (pormenor) junto ao Convento da Encarnação, na Avenida Nuno Alvares Pereira (2022 12 01 IMG_1150). Encostada a um canto entre a Igreja e o Convento da Encarnação, a estátua não tem qualquer realce, um tronco esguio relativamente alto. Só depois, ao seleccionar um pormenor da mesma, reparei na expressividade do rosto do fundador da Ordem de S. Francisco, a que pertenciam ambos os conventos: o de Santa Clara (feminino) eo de N. Senhora da Encarnação (masculino).

Existe um outro convento franciscano, o de Nossa Senhora dos Anjos, Nossa Senhora da Assunção e dos Franciscanos Capuchos, em Azurara.
   

2023 02 10  - Vila do Conde - 'Memorial aos fundadores' (2021 11 13 IMG_8310)  O memorial é um conjunto escultórico, de João Cutileiro, dedicado aos Fundadores de Vila do Conde, homenageando o Conde e a Condessa que terão dado nome a cidade.  rata-se de Afonso Sanches, filho bastardo de D. Dinis, e Teresa Martins, que em 1318 fundaram o Real Mosteiro de Santa Clara.


2023 02 11 - Vila do Conde - Monumento ao Pescador (2021 09 07 IMG_6589).  Localizada em frente ao Oceano Atlântico, no limite sul do bairro piscatório das das Caxinas, este conjunto escultório em bronze é da autoria dos irmãos Carlos, Eduardo e Ramiro Bompastor, artistas plásticos vilacondenses. Inaugurado em 1994, retrata a bravura e o engenho dos pescadores enfrentando a dureza da sua faina.


2023 02 15 - Foto victor nogueira - Vila do Conde - Avenida do Atlântico  -  Monumento ao Desporto e Aqueduto de Santa Clara (2021 09 03 IMG_6425) Na imagem o conjunto escultórico alusivo ao Desporto, da autoria de Carlos Barreira. Inaugurado em dezembro de 1999, exibe um «pêndulo», que simboliza o tempo das provas e dos jogos e os «louros» em homenagem aos vencedores.


2023 03 03 - Póvoa de Varzim - Monumento a S. Pedro (2021 09 07 IMG_6584) «A primitiva escultura de Armando Correia sofreu algumas vicissitudes. Durante anos a imagem em gesso esteve no Museu Municipal, tendo a sua passagem a bronze sido orientada por Ruy Anahory. Na noite de S. Pedro de 1996 foi, finalmente, colocada onde melhor fica expressa a ligação entre este Santo e os seus devotos poveiros – sobranceira ao porto de pesca. S. Pedro lança a rede de face voltada para o mar, em atitude de vigília e inspirando os seus irmãos pescadores.» (Site do Município da Póvoa de Varzim)


2023 03 04  - Azurara - Igreja de Santa Maria e monumento ao Abade Serafim Gonçalves das Neves (2022 12 11 IMG_0815 e IMG_0813) Serafim das Neves (1900 / 1972) foi pároco de Azurara, que em 1965 escreveu uma "Breve Notícia Histórica e Etnográfica de Azurara". O busto foi erguido em 1997, por ocasião do 25º aniversário do seu falecimento


2023 03 08 - 2023 03 08 Dia Internacional da Mulher - Fotos Victor Nogueira - Mariana Torres (operária fabril em Setúbal) e Catarina Eufémia (assalariada rural em Baleizão - Beja), assassinadas a tiro pela GNR quando se manifestavam em luta por melhores condições de vida e de trabalho, respectivamente em 13 de Março de 1911 e em 19 de Maio de 1954.

Mariana Torres - escultura de Jorge Pé-Curto representando a operária conserveira, assassinada pelas forças policiais em Setúbal, durante uma greve, conjuntamente com António Mendes, também operário fabril. Curiosamente atacados na altura pela feminista e republicana Ana de Castro Osório, que estava posicionada do lado do patronato contra quem o operariado setubalense lutava por melhores condições de vida e de trabalho.

Catarina Eufémia - Cartaz de parede da UDP, em Alcácer do Sal, em 1974/75 - «Vingaremos Catarina continuando a sua luta! A terra a quem a trabalha. Morte ao fascismo! Viva a Democracia Popular!» 


2023 05 02  --  Setúbal - Praça Almirante Reis, vulgarmente conhecida como Largo dos Combatentes, por nele estar o monumento aos Mortos da Grande Guerra e a vizinha Avenida dos Combatentes. Por detrás dos prédios distingue-se a torre sineira do Convento de Jesus, uma das primeiras obras do "manuelino" ( 2023 04 19 IMG_2160


2023 05 05 - Golfinhos em terra? (2023 06 01 IMG_2212)  As Tágides, ninfas cantadas por Camões, são o símbolo do Rio Tejo, onde também habitam golfinhos. Não havendo ninfas no estuário do Rio Sado, os roazes-corvineiros são o símbolo do Rio Azul e da cidade de Setúbal, nesta representados em variadas esculturas e murais.

Inaugurada em 2017 06 29, a escultura em pedra mármore de Estremoz, na foto, representa o movimento de um grupo social de golfinhos, cuja autoria é do artista plástico Carlos Andrade, doada à cidade pela Fundação Buehler-Brockhaus.


2023 06 06 -   Setúbal - conjunto escultórico na Peaça da Independência (2023 05 16 IMG_2202)  Doada à cidade pela Fundação Buehler-Brockhaus, o conjunto denominado “Zéfiro" simboliza, de acordo com a mitologia grega, o vento de oeste. Inaugurada em 2014, a escultura, com vários elementos em ferro, é da autoria do escultor plástico Sérgio Vicente.  
 

2023 06 17 - Cela - Monumento ao General Humberto Delgado, assassinado pela PIDE a 13 de Fevereiro de 1965.

Regresso à Cela Nova, cuja igreja dedicada a Santo André revejo pormenorizadamente, apercebendo me também do seu pelourinho e do edifício do antigo celeiro. Sigo por outros caminhos em busca de Cela Velha,A povoação tem um ar de abandono, mas a visão de Cela Velha é ainda mais deprimente, embora paradoxalmente pareça mais recente: situa-se no fundo duma descida aprazível mas interminável e, quase no seu termo, uma placa partida indica a existência dum monumento. Lá ao fundo um largo, alguns edifícios degradados, uma bomba de gasolina, a estação do caminho de ferro e um segundo monumento, tal como o primeiro dedicado a Humberto Delgadoxe "personagens:Humberto Delgado".


2023 08 03 - Setúbal - Gato em cima do telhado da Casa do Corpo da Guarda (IMG_2612 2023 08 03)

A Casa da Cultura está encimada por um enorme gato preto desde o passado dia 29 de Abril de 2023, compro duas publicações do Município. A referida peça intitula-se “O Gato e o Vento”, da autoria do artista Ricardo Romero, do projecto Matilha Studio e com ela o autor pretende chamar a atenção para a azáfama do dia a dia e a ausência de contemplação da arte. “As pessoas estão muito habituadas à estatuária clássica nas cidades. Olham para as coisas e não vêem, não as apreciam. A vida pode ser vivida se a contemplarmos ao mesmo tempo”.


2023 08 04 -   Monumento aos Mortos da Grande Guerra, em Setúbal, na Praça Almirante Reis. (IMG_2597 2023 08 02) Em 30 de Novembro de 1931, esta Delegação da Liga dos Combatentes da Grande Guerra inaugurou o Monumento aos Mortos da I Grande Guerra Mundial, nesta cidade de Setúbal no local que foi designado por Largo dos Combatentes e onde também se situa uma grande artéria à qual foi dado o nome de Avenida dos Combatentes. 


2023 08 06 - Setúbal - Praça de Bocage (antigo Largo do Sapal) e a estátua do poeta Elmano Sadino (IMG_2611 2023 08 02)
  
2034 08 09 -  (IMG_2636 2023 08 02) - à entrada de Setúbal, Montenegro & Ventura, de costas para o Estabelecimento Prisional, pedem uma barrela, que os leve de enxurrada.

Esfuziante, ambiguamente, Montenegro do PPD/PSD afirma: "Portugal vai mudar / Consigo" Ou será "Consigo / Portugal vai mudar"? Fica a dúvida: vai mudar para um palácio ou para uma favela?

Já o Ventura do Chega ruge: "Vergonha / Portugal precisa duma limpeza" com quatro personagens liminarmente crucificados. Presume-se que nenhum deles seja o Mestre André, o Vergonhoso, considerando a sua infinita modéstia, como servo de Deus e do Povo


2023 08 10 - IMG_2289 2023 07 10) - Porto, Praça D. João I. Na foto, para além do edifício Atlântico, estã o conjunto escultórico "Corceis". obra da autoria de João Fragoso.. O grupo escultórico, em bronze e assentando em plintos revestidos de placas de granito polido, é formado por dois elementos iguais fazendo par. Um jovem tenta dominar um cavalo selvagem.


2023 08 15 - Foto victor nogueira (IMG_2818 2023 08 08) - Vila do Conde - Aqueduto dos Arcos e conjunto escultórico dedicado ao Desporto, da autoria de Carlos Barreira. Inaugurado em dezembro de 1999, exibe um «pêndulo», que simboliza o tempo das provas e dos jogos e os «louros» em homenagem aos vencedores.


2023 10  01 - Vila Nova de Gaia - conjunto escultórico ao "Associativismo" (2023 07 07 IMG_2283)

O “Monumento ao Associativismo”, inaugurado a 3 Junho 2017, situa-se na Rotunda Diogo Cão, A obra, encomenda da Federação das Coletividades de V.N.de Gaia, é de autoria da escultora Helena Fortunato, fundadora e membro da direção de “Artistas de Gaia - Cooperativa Cultural”.

A peça, em forma de marco paralelepipédico, recorre ao granito amarelo tosco e ao aço inoxidável escovado. De um dos lados do paralelepípedo foi inscrito na vertical o nome da cidade e, no lado oposto a este, a palavra Associativismo.
 

2023 01 10 -  (IMG_2284 2023 07 07) - Vila Nova de Gaia . (Gaia ~ conjunto escultórico)


2023 10 17  - Vila do Conde - Monumento aos Mortos da Grande Guerra (2023 10 file9159)

Situa-se este monumento num espaço ajardinado conhecido por Meia Laranja, mirante avançado sobre o Rio Ave. Nele se encontram pessoas pescando à linha ou sentadas nos bancos, debaixo do frondoso arvoredo, ou pares de namorados, contemplando o curso das águas fluviais ou o deslizar de kayaks.

Lá em cima, impositivo, dominante, no alto da abrupta falésia, a mole imensa do antigo Convento de Santa Clara.


2023 11 06 - Lidice (Checoslováquia) Memorial às crianças vítimas da guerra, escultura de Marie Uchytilová  (Foto Památník: Lidice) (1)

Em 27 de maio de 1942 Reinhard Heydrich, oficial general das SS, um dos responsáveis pela “Solução Final da Questão Judaica”, conhecido como o “Carniceiro de Praga”, foi assassinado por um comando da Resistência checoslovaca.

O assassinato de alemães pelas forças da Resistência nos países ocupados pela Alemanha nazi era punido, em represália, com a execução aleatória e desproporcionada de civis. Assim, com o pretexto de serem refúgio de resistentes, em Junho os nazis puniram as povoações checoslovacas de Lídice e de Ležáky, nos arredores de Praga .

Em Lídice todos os homens com idade superior a 18 anos (173) foram fuzilados, sendo as 184 mulheres e 88 crianças enviadas para campos de concentração, onde a maioria foi assassinada nas câmaras de gás ou morreu de exaustão nos trabalhos forçados. As crianças com traços arianos foram poupadas e entregues a famílias alemãs.

Em Ležáky os nazis puniram todos os habitantes, executando cerca de 120 homens e mulheres adultos; 11 crianças foram assassinadas nas câmaras de gás e duas outras entregues a famílias alemãs com vista a serem germanizadas.

Ambas as povoações foram completamente arrasadas e varridas dos mapas.

A repressão nazi estendeu-se a toda a Checoslováquia, tendo sido executadas cerca de 1500 pessoas, incluindo parentes e amigos de resistentes.

Ao contrário de Ležáky, Lídice foi reconstruída após o termo da II Guerra Mundial.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Murais e grafitos em Setúbal 96 - Rua Ramalho Ortigão

* Victor Nogueira

Na Rua Ramalho Ortigão, no Bairro Humberto Delgado, em 2020.10 foi inaugurado um mural homenageando o "General sem Medo" e os escritores Ramalho Ortigão e Fialho de Almeida. Este mural é de autoria do Colectivo Explicit Citizens (David Martins, Filipe Serrallha e João Murta).

«Humberto Delgado, Ramalho Ortigão e Fialho de Almeida são as três personalidades do panorama histórico e político nacional homenageadas na intervenção de arte urbana, recentemente concluída.

O mural, com cerca de 120 metros de comprimento e 4 de altura nasceu no âmbito do projeto de participação cidadã Ouvir a População, Construir o Futuro, após proposta apresentada pelos moradores.

O trabalho foi desenvolvido pelo coletivo de artistas Explicit Citizens e, segundo o artista David Martins, interveniente na execução do mural, a intervenção, que demorou duas semanas a ser concluída, “está dividida em três fases”.

A primeira fase é alusiva a Humberto Delgado, com referência a como ficou conhecido, “General Sem Medo”. As cores escolhidas para ilustrar a parede “foram o verde seco e o castanho, referentes à vida militar”. 

O escritor Ramalho Ortigão, da viragem do século XIX para o século XX, aparece a seguir, “em tons de bege e castanho, sépia, a dar o ar das páginas envelhecidos dos livros e textos com folhas de rascunho”.

Por último, Fialho de Almeida, jornalista e escritor da mesma época, é lembrado na intervenção artística em tons de cinza, preto e branco, “numa alusão aos artigos que escreveu e publicou em jornais”.» )





















Fotos em 2021 04 27 (Canon 191_04)

domingo, 21 de junho de 2020

Cela - Monumento a Humberto Delgado

* Victor Nogueira

Regresso à Cela Nova, cuja igreja dedicada a Santo André revejo pormenorizadamente, apercebendo-me também do seu pelourinho e do edifício do antigo celeiro. Sigo por outros caminhos em busca de Cela Velha; a povoação tem um ar de abandono, mas a visão de Cela Velha é ainda mais deprimente, embora paradoxalmente pareça mais recente: situa-se no fundo duma descida aprazível mas interminável e, quase no seu termo, uma placa partida indica a existência dum monumento. Lá ao fundo um largo, alguns edifícios degradados, uma bomba de gasolina, a  estação do caminho de ferro e um segundo monumento, tal como o primeiro dedicado a Humberto Delgado. Estranho estes dois monumentos a Humberto Delgado: o primeiro avista-se perfeitamente do largo da estação, lá em cima, a meia encosta.

(...)  Uma carrinha e uma caravana de automóveis atroam os ares em propaganda eleitoral, mas não consegui distinguir se eram da  CDU se do CDS/PP. Damos uma volta, mas tudo é desolado e em breve um operário (Ilídio Neves), despedido duma fábrica da região, contar-nos-à a explicação do Humberto Delgado, que afinal tinha ali uma quinta, donde saíra na véspera a idosa viúva por causa do mau tempo. 

O monumento, uma iniciativa do Rancho Folclórico e Etnográfico “Papoilas do Campo”, cuja autoria é do escultor alcobacense José Aurélio, resultou dum concurso público e do trabalho das populações sendo inaugurado em 22 Agosto 1976: uma série de gomos desagregam-se por acção dum ariete que me parece um cravo estilizado. Nos gomos destruídos palavras adjectivantes do fascismo: obscurantismo, mordaça, repressão, mentira, castração, medo, humilhação, violência, colonialismo, ódio, opressão, exploração. Lá em baixo na Praça, os dois blocos representam "o estilhaço impelido pela força indómita da liberdade."

A herdade da família Humberto Delgado - Quinta da Cela Velha - era uma granja, pertença dos monges de Alcobaça, situando-se a casa, recente, no cimo duma encosta, daí se avistando o fértil vale, outrora braço de mar, e as elevações em redor. Para lá dos portões, que franqueamos em visita proporcionada pelo sr. Isidro Neves, uma capela, despojada, a Ermida de S. Bento, donde foram retiradas as peças de valor, substituídas por estatuetas modernistas de autoria dum dos filhos do general.  (Notas de Viagem, 1997.12.08)

«A Quinta de Cela Velha era uma das mais antigas quintas das granjas dos Monges de Alcobaça, que teve carta de emprazamento em 1431, pertencendo à família Andrade e Gamboa desde 1571. A capela, dedicada a São Bento, que ainda hoje integra o território da quinta, é referida pelos autores setecentistas como uma das mais antigas do reino, mas foi remodelada na primeira metade do século XVIII. Assim é mencionada nas Memórias Paroquiais de 1758, cujos dados foram confirmados em 1774 pelo cronista da Ordem de Cister, Frei Manuel de Figueiredo.
É possível que este restauro ou reedificação tenha sido patrocinado por António de Andrade e Gamboa, aqui sepultado em 1776. A inscrição tumular refere ainda o seu filho Francisco João de Macedo e Andrade, falecido em 1804.

A capela, de linhas muito depuradas, apresenta fachada principal em empena triangular e sineira do lado esquerdo sobre os cunhais. É marcada pela abertura do portal de verga curva, e pelo brasão de armas dos Andrades. No interior, e para além do nicho de madeira sobre o altar-mor, ganha especial interesse a pedra tumular já referida, com data de 1817.» in .692.Quinta da Cela Velha, da família Humberto Delgado, foi de novo assaltada...


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Fotos em 1997.12.08
rolo 211
   

Ver   Cela (Coutos de Alcobaça)