Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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quarta-feira, 19 de abril de 2023

Entre anjos e demónios

 * Victor Nogueira

2023 04 19  Entre anjos e demónios, com recorrente "inocência", o "inocente" pergunta : "E se fosses convidado, irias?" "Claro que sim", respondeu o interpelado. 

Note-se: o "inocente"  não curou de saber  os motivos  do interpelante não ter sido pelas divindades convidado  para  o repasto. Olimpicamente, o superinteligente perguntou apenas: "E se fosses convidado, irias"?

Assim, ... para 2023, para quem não é deste miudinho mundinho, o photographo não tem photos que o atestem, pois num mundo de manipulações e enganos, nem todos têm a graça de estarem entre os "eleitos" e agraciados com a inocente e desinteressada  graça dos deuses e das deusas, do Olimpo!

No mundinho manipulatório dos peritos em assédio moral, que se julgam superinteligentes, nem sempre os verdadeiramente inteligentes são bimbelos, embora inteligentemente possam  parecê-lo aos videirinhos!

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Francisco e Maria Emília

 * Victor Nogueira

2023 04 17  Efemérides

 * 1951 - Luanda - Maria Emília, Zé Luís, Victor, Manuel (Foto de autor não identificado)

* c. 1964 - Luanda - na churrasqueira Vilela ~ Manuel, Victor, Maria Emília e Zé Luís (Foto jj Castro Ferreira)

* 2009 - Em Setúbal, 4 gerações contando com o fotógrafo: Maria Emília (m. 2013.04.17), Lilí (m. 2017.03.17), Francisco (n. 2009.04.17) e Susana. (Foto Victor Nogueira)

Neste ano de 2013 a Maria Emília teria feito 103 anos e o Francisco celebra hoje os 14 anos de existência .

domingo, 26 de fevereiro de 2023

José Luís (Luanda 1951 / Paço de Arcos 1987)

 * Victor Nogueira


2023 02 26 José Luís (Luanda 1951 05 29 _ Paço de Arcos 1987 02 26)



quinta-feira, 21 de julho de 2022

Vistas de Setúbal em dia de aniversário

 * Victor Nogueira

É o dia dos anos do João e a miudagem corre pela casa, com alvoroço ou sossego enquanto os adultos confraternizam na cozinha, aguardando que o jantar fique pronto. Não me dá para fotografar a criançada e ficam apenas alguns registos da paisagem exterior ou de sombras. 








Fotos em 2022 07 18

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Manuel - 1921 / 2013

 * Victor Nogueira


2019 06 06 foto victor nogueira - Manuel (Porto 1921.09.04 / Setúbal 2013.06.06)


2018 06 06 foto de família - Em Luanda, os Nogueira da Silva na Rua Frederico Welwitsch, em 1951, no Bairro do Maculusso O jipe na foto, ao fundo, foi construído pelo meu pai no quintal, aproveitando o chassis e o motor dum outro veículo.. Hoje é o 5 º aniversário da morte.do Manuel - Porto (1921.09.04) - Setúbal (2013.06.06)

Em Luanda as pessoas eram englobadas numa "família": os Nogueira da Silva, os Coimbra, os Wolfgang, os Andrade Ferreira, os Ferreira de Almeida, os Van der Kellen, os Sequeira, os Birrento, os Antunes, os ;Mesquita da Silva ...


2014 06 06 Do passado e da vida ficam uns escritos e as memórias, as memórias do que de bom e alegre houve, os escritos (re)lembrando que também houve maus momentos, quezílias, desencontros ...
Fiquem as boas memórias !
O MUNDO É COMPOSTO DE FAZENDA E MUDANÇA
Cada um de nós é só ele próprio
E a sua boa ou má circunstância,
Procurando em tudo uma substância,
Com arte ou não, o alfa milenário.
Há na terra quem faça santuário
Do sentir ou razão, em abundãncia;
Mas é do cacau terna a fragância
Do fado ter um bom ou mau solário.
O tempo bem diz que é tudo ilusão;
O amor, doçura, felicidade,
Em lixo ou pó substanciando.
Honra, beleza, sentir, no caixão;
Erramos, pelo campo ou na cidade,
No mundo, bem ou mal, vagueando.
Pinhal Novo 1989.09.10
~~~~~~~~~~
Com desconcerto, há na vida tempo
P'ra estar sózinho ou na companhia,
Em paz ou na guerra do dia-a-dia
Com grã siso ou sem qualquer assento.
Devagar na viagem correndo,
Çom má tristeza ou boa alegria,
Os pés em terra ou na fantasia,
Palrando ou nada mesmo dizendo;
A casa com ou sem comodidade,
Com comida em fartura ou faltosa,
Com amor, ódio, carinho ou secura.
Vivendo ou não, onde a felicidade,
Na vida, destemida ou receosa,
Perdida ou na doce candura?!
Setúbal 1989.09.10
E para terminar, em vez de ópera, de flamenco, de coros alentejanos ou do Exército Vermelho ou de fados de coimbra ou orquestras de música ligeira, que ouviste e cujo gosto me foi transmitido, sem esquecer a música de dança como o tango ou a valsa, aquela que me parece retrata uma vida:

Dança de Balcão, pelos Virgem Suta


Virgem Suta - Dança de Balcão @ Nokia On.Live (2009)

Teima, a preguiça a tomar posse
Este corpo já pesado,
Belo vinho meu ele fosse,
Não estaria aqui plantado.
Mas já leva minha conta
Que tabernas, agradece
Mais dinheiro eu tivesse
E ficaria, ficaria todo cá.
REFRÃO:
Brinde a nós,
Brinde aos avós.
Que se houver céu não estão lá sós.
Brinde a vós,
E já sem voz.
Brinde a quem aí vier.
Teima, a preguiça a ser maior
E a vontade de abalar
Mais um copo abaladiço
E outro p'ra recomeçar
Esta dança de balcão,
Que à parte os abraços
Nada deixa, nada fica
Nas histórias, nas histórias
P'ra contar.
REFRÃO:
Brinde a nós,
Brinde aos avós,
Que se houver céu não estão lá sós.
Brinde a vós,
E já sem voz.
Brinde a quem aí vier. (Bis 2x)
Só.

domingo, 17 de abril de 2022

Fotos de capa em abril 17

 * Victor Nogueira


2022 04 17 - Foto victor nogueira - Não se trata dum curso de água numa região tropical ou equatorial mas da foz da Ribeira da Ajuda, na maré cheia, com o Rio Sado entrando por terra dentro. (2016 05 10)


2021 04 17 Foto victor nogueira - Leiria  - Sé (painel de azulejos) - rolo 346 (1998.06.03)



2020 / 2019 / 2015 04 17 maria emília - fases da vida ou as marcas do tempo (fotos de estúdio) - Porto 1920.01.04 / Setúbal 2013.04.17


2020 / 2018 / 2016 04 17 Victor visto pelo Francisco em 2015 05 05 - Eu vestia uma camisa aos quadrados brancos e violeta, um blusão beige (com dois bolsos visíveis) para além de calças e sapatos pretos. Perguntando-lhe pelo relógio que estava encoberto pelas mangas, ele acabou por aparecer ... por cima da manga esquerda do blusão 


2018 Foto victor nogueira - em Paço de Arcos, O Príncipe (Porto 1921 / Setúbal 2013) da Maria Emília (Porto 1920 / Setúbal 2013), com os netos Rui e Susana


2017 04 17 Foto victor nogueira - Em Setúbal, 4 gerações contando com o fotógrafo: Maria Emília (m. 2013.04.17), Lilí (m. 2017.03.17), Francisco (n. 2009.04.17) e Susana


2015 04 17 em carcavelos - foto jjcastro ferreira (+) - maria emília (+), manuel (+), celeste (+), susana, maria luísa, rui pedro, victor, esperança (+)


2014 04 17 - Foto Victor Nogueira - Maria Emília - 1920-01-04 / 2013-04-17

Falar, lembrar, é um solilóquio, um exercício solitário e na solidão. São os vivos e o futuro o destino do meu olhar e do meu caminhar. Sem esquecer o passado, Num tempo e numa terra em que a solidariedade, a entre-ajuda, a disponibilidade são cada vez mais palavras vãs. que se esgotam no dia a dia ou na virtualidade asseptica das redes sociais onde o único sentido activo é o da visão, raramente o da audição, mas nunca os do tacto, do olfacto ou do sabor a sal...


2013 04 17  3 Gerações - Foto Rui Pedro


Maria Emília - Porto 1920.01.04 / Poceirão 2013.04.17

~~~~~~~~~~~~~~~

O LUGAR DA CASA

...

Uma casa que fosse um areal deserto;

que nem casa fosse; 

só um lugar onde o lume foi aceso,

e à sua roda se sentou a alegria;

e aqueceu as mãos;

 e partiu porque tinha um destino;

coisa simples e pouca, mas destino 

crescer como árvore,

resistir ao vento, ao rigor da invernia,

e certa manhã sentir os passos de abril ou, quem sabe?,

a floração dos ramos, que pareciam secos,

e de novo estremecem 

com o repentino canto da cotovia 

 

Eugénio de Andrade  

 ~~~~~~~

Poema à Mãe 

 

No mais fundo de ti,  

eu sei que traí, mãe  

 

Tudo porque já não sou  

o retrato adormecido  

no fundo dos teus olhos.  

 

Tudo porque tu ignoras  

que há leitos onde o frio não se demora  

e noites rumorosas de águas matinais.  

 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo  

são duras, mãe,  

e o nosso amor é infeliz.  

 

Tudo porque perdi as rosas brancas

   que apertava junto ao coração

   no retrato da moldura.  

 

Se soubesses como ainda amo as rosas,  

talvez não enchesses as horas de pesadelos.  

 

Mas tu esqueceste muita coisa;  

esqueceste que as minhas pernas cresceram,  

que todo o meu corpo cresceu,  

e até o meu coração

   ficou enorme, mãe!  

 

Olha — queres ouvir-me? —

 às vezes ainda sou o menino  

que adormeceu nos teus olhos;  

 

ainda aperto contra o coração

rosas tão brancas  

como as que tens na moldura;  

ainda oiço a tua voz:      

      

Era uma vez uma princesa            

no meio de um laranjal...  

 

Mas — tu sabes — a noite é enorme,

e todo o meu corpo cresceu.  

Eu saí da moldura,  

dei às aves os meus olhos a beber,  

 

Não me esqueci de nada, mãe.  

Guardo a tua voz dentro de mim.  

E deixo-te as rosas.  

 

Boa noite.

Eu vou com as aves. 

 

 

Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"



2012 04 17 'To dream an impossible dream' - Porque não? Sonhar as coisas impossíveis! 

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Fotos de capa em fevereiro 26

 * Victor Nogueira

26 de fevereiro de 2013 
Conteúdo partilhado com: Público


A cantiga
..............amiga
..............companheira
é uma arma
não desarma
.
A cantiga
..............amigo
.............contigo
é de sempre
............um rio
............sem frio
quente como agente
noz com voz
............rio hoje
sorriso
sórriso
...........sempre
caminhante
caminhandesonhando
construindoelutando
na cidade aberta
"sem muros nem ameias"
ou barreiras !
.
A cantiga
na cidade aberta rima
com a liberdade solidária
com a igualdade fraterna
.
Na cidade aberta
a canção não é a do patrão
.
Na cidade aberta
.
Liberta
Aberta
Desperta
.
na tua e nossa mão
.
a cantiga
antiga ou não
é
um
furacão
que não desarma
a canção !
2013.02.26



2022 02 26 Foto Rui Pedro - Mariana na praia de Albarquel (Serra da Arrábida) com a Península de Tróia no horizonte e o estuário do Sado a seus pés (2022)


2022 02 26 Foto MENS - Zé Luís no Rio Cuanza, em 1969. Em 1987, numa tarde deste mesmo dia 26 de fevereiro, em Paço de Arcos, faleceu o meu irmão caçula, nascido em Luanda (1951)


2021 02 26 foto victor nogueira - Vila do Conde (Jardim Júlio Graça) - Nesta porta a bandeira, estilo arte nova, ostenta duas letras, presumivelmente a "marca" do seu proprietário de então



2021 02 26 e 2018 02 26 Os 3 "manos" - Luanda - Rua Frederico Welwitsch - 1951

Naquele tempo, ao fim do dia, ia muitas vezes ao cinema. Naquele dia 26, à noite, em 1987, ao regressar a casa, o telefone tocou. Era o Jacinto, guarda da noite no Edifício Sado, onde eu trabalhava, no Planeamento Urbanístico.

"Onde é que se meteu, doutor, que andamos à sua procura há horas? Tenho uma notícia para lhe dar. Sente-se. O seu irmão morreu!” E foi assim, de chofre, que soube que o meu irmão se suicidara. Numa das outras vezes telefonara-me para a Câmara, para se despedir de mim. Disse-lhe que esperasse por mim, que não era pelo telefone que nos despedíamos para sempre, que iria ter com ele para lhe dar um último abraço. 

Meti-me no carro rumo a Paço de Arcos e dessa vez consegui chegar a tempo, adiar, sem ilusões, aquilo que para ele seria uma determinação e tentara  já por diversas vezes!

O MPLA tê-lo-ia convidado para ficar, teria querido ficar em Angola, a nossa terra, mas quando após a independência, em 1976, o MPLA mobilizara todos os angolanos face à guerra civil que se avizinhava, veio para Portugal, dizendo-me que lhe bastara o horror duma guerra, a que vivera, na frente de combate e com as vítimas do exército colonial, onde havia sido incorporado como enfermeiro. Morreu sem terminar o curso de Medicina.
.
ECCE HOMO

Era o dia 26 de Fevereiro
O Pituca morreu!
Encerrado em si
hirto no seu pijama azul
as mãos bonitas e o rosto frio
um vergão em torno do pescoço
o rosto violáceo
o ar sereno.
Longe vai o tempo da minha alegria
das nossas brigas
da nossa amizade
…………………silenciosa
…………………tímida
…………………desajeitada.
Fica-me no pensamento
a lembrança de ti
nas coisas que me deste
……………….…,os livros os posters
……………..…...os bibelots as estatuetas
 ………………… africanas as tuas pinturas
…………………  a Marilyn e o Pato Donald
…………………  os discos e as cassetes.
Memória da infância perdida
nas palavras silenciadas
Meu irmão!

Setúbal 1987.12

.
É TEMPO DE CHORAR

É tempo de chorar
silenciosamente
os nossos mortos
irmãos encerrados
…………….encurralados
É tempo de chorar
enquanto
para lá desta hora
a vida se renova
por entre
……………. os bosques e
……………. os regatos
…………….……………. ….sussurantes
…………….  do imaginar o son (h) o estilhaçado
É tempo de chorar o tempo que voa!
(IN MEMORIAM do meu irmão Zé Luis, morto de morte matada
…………….……………. por ele próprio e por muitos outros no tempo
…………….……………. que para ele terminou naquela tarde de
…………….……………. 26 de Fevereiro de 1987 ............................. )
Setúbal, 1989.02.03
.
 (Zé Luís - Luanda, 1951 – Paço de Arcos 1987)



2020 02 26 e 2015 02 26 Foto de família - O Zé Luís (1951 - 1987) em Lisboa, com a bicicleta


2020 02 26 foto victor nogueira - Setúbal, Carnaval 1986 (?)

Naquele tempo, no local onde se construiu o Parque Verde da Lanchoa, no Pote de Água, era campo, onde pastavam rebanhos de ovelhas e de cabras, Aqui havia uma nora, que a Junta de Freguesia, terraplanado o terreno, arrasou, para dar lugar ao espaço verde., no qual se não conservaram as espécies arbóreas nele existentes: sobreiros, oliveiras e pinheiros mansos.


2019 02 26 Foto de família -  Zé Luís


2018 02 26 e 2016 02 26 O meu irmão caçula, o Zé Luís (1951.05.29 / 1987 02 26)  no Rio Quanza, em 1968

VER  

o Rio Cuanza, em Angola



2017 02 26 Foto de família  em Luanda - 1951 - Victor, Emília, Zé Luís (Luanda 1951.05.29 / Paço de Arcos 1987.02.26), Manuel -

IN MEMORIAM do meu irmão Zé Luís, Em 1987, a 26, ao fim do dia resolvi ir ao cinema e depois de chegar a casa à noite, o telefone tocou. Era o Jacinto, o guarda do edifício da Câmara onde eu trabalhava, no Planeamento Urbanístico, : "Doutor, Temos andado à sua procura. Sente-se, tenho uma notícia para lhe dar: O seu irmão morreu." Desta vez a tentativa de suicídio não falhara.. Vítima do stress da guerra os psiquiatras haviam dito que apenas eu o poderia salvar e não os pais, mas o meu poder era limitado. 


2016 02 26 XIII Congresso do PCP


2014 02 26 foto Victor Nogueira - Castro de Aire


2014 02 26 Marcha da CGTP (Cartaz)


2011 02 16 Com votos dum bom sim de semana e melhor semanada !


2011 02 16 Thank you