Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

sábado, 24 de setembro de 2016

notícias do milheiral e da horta

* Victor Nogueira


Ao regressar ontem já noite cerrada (ou)viam-se as luzes e o ruído dos tractores com seus atrelados passando lá mais abaixo. E hoje, ao assomar à janela da sala, levantada a persiana, verifiquei que no campo das traseiras o milho fora todo mecânicamente colhido. E na horta  a vizinha que me cuida dele segara as aboboreiras, amontoadas para secarem como restolho. Ficaram apenas a couve roxa e o feijão verde, que não é de estaca mas rasteiro, com as suas vagens. Por entre as flores esvoaçam brancas, esbeltas e delicadas borboletas, enquanto bandos de pardais, atraídos pelo milho caído pelo campo, saltitam no muro ou esvoaçam em cerradas e velozes formações aladas. O dia, esse, hoje de azul cinza vestido, oscila entre o cinzento e as breves aparições dos raios solares que conseguem furar as nuvens esbranquiçadas. O jardim, esse também levou um desbaste ficando com ar mais arranjadinho e colorido. 

Colhidas as abóboras, não creio que em noite de luar qualquer delas transporte até mim  (des)encantada princesa, venha ou não do alto da serra. Cerrado estará pois o tempo sem noites de luar ?

Antes









2016.09 23

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Depois













fotos em 2016.09.24

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