Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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domingo, 18 de outubro de 2009

O fim da saga do Kodachrome e Sharbat Gula

Resultados de imagens para "Sharbat Gula"

 http://sol.sapo.pt/blogs/anajasmin/archive/2008/07/06/Sharbat-Gula-.aspxhttp://cearensesinternacionais.wordpress.com/2009/03/15/sharbat-gula/http://cafehistoria.ning.com/xn/detail/1980410:Photo:213900?xg_source=activityhttp://codedvariable.com/archives/184http://wallpapers.jurko.net/pic/1113/
 
 
Entre as imagens

O fim da saga do Kodachrome

Hoje
O fim da saga do Kodachrome
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Sharbat Gula é um dos rostos mais conhecidos do fotojornalismo do século XX. Afegã, de origem Pashtun, foi uma das muitas órfãs da guerra com a União Soviética (1979-1989). Na sequência da destruição da sua aldeia pelas tropas soviéticas, foi levada para um campo de refugiados, em Nasir Bagh, no Paquistão. Foi aí que o americano Steve McCurry a fotografou, em 1984, tinha ela 12 anos. Em Junho de 1985, a sua imagem surgiu na capa da National Geographic, transformando-se rapidamente num ícone internacional, a ponto de vir a ser considerada "a fotografia mais conhecida" de toda a história da revista (fundada em 1888).
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Na altura, o nome de Sharbat Gula era desconhecido, surgindo apenas referida como "Rapariga afegã". Ao longo dos anos 90, McCurry tentou reencontrá-la e estabelecer a sua identidade. Os seus esforços apenas teriam sucesso depois da queda do governo taliban, em 2001. Foi em Janeiro de 2002 que uma equipa da revista a localizou numa remota aldeia do Afeganistão, para onde tinha conseguido regressar em 1992: com cerca de 30 anos, casada, mãe de três filhas, Sharbat Gula voltou a ser capa da National Geographic em Abril de 2002.
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Esta é uma admirável história das imagens e dos seus espantosos e variados poderes (vale a pena recordar que o caso levou a National Geographic a patrocinar a criação de um fundo internacional de auxílio às crianças afegãs). Em todo o caso, agora não podemos deixar de notar que, na sua dimensão mais artística, e mais especificamente técnica, esta é uma história que não se repetirá. Porquê? Porque Steve McCurry fotografou Sharbat Gula com Kodachrome, uma película que, este ano, a Kodak deixou de fabricar (quase 75 anos depois da sua criação, em 1935). Como se diz agora na terrível linguagem da gestão empresarial: o produto foi "descontinuado".
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Alguns fotógrafos amadores lembrar-se-ão das emoções próprias dos slides em Kodachrome: era preciso enviá-los para a própria Kodak, para revelação (através de um saco/envelope que vinha na embalagem do rolo), e depois esperar... pela volta do correio. O certo é que, em vários formatos fotográficos e cinematográficos (incluindo os lendários 8 mm e Super 8), o Kodachrome marcou o modo como vimos, reproduzimos ou imaginámos as cores do nosso mundo.
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Escusado será dizer que, para além da concorrência de outras marcas (por exemplo: a Fuji, com a película Velvia), o fim da saga do Kodachrome é inseparável da crescente implantação dos formatos digitais, tanto amadores como profissionais. Está por esclarecer quando (ou se...) o digital alguma vez oferecerá a complexidade e subtileza de algumas películas clássicas. Em todo o caso, o pedido ansioso de Paul Simon foi vencido. Foi em 1973 que ele compôs e cantou uma canção intitulada Kodachrome. Celebrando o seu gosto por tirar fotografias ("I got a Nikon camera"), ele implorava à mãe: "Não me tirem o meu Kodachrome". Pois bem, já aconteceu.
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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Kodachrome - o fim

24 Junho, 2009

Kodachrome - o fim

National Geographic de Junho de 1985 onde foi reproduzida a fotografia de Steve McCurry captada com diapositivos Kodachrome
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O retrato icónico que Steve McCurry captou da afegã Sharbat Gula, em 1984, parece confirmar a descrição que muitos fizeram das cores presentes nas fotografias registadas em rolos Kodachrome - tonalidades “vibrantes, ricas e intensas”. A imagem que correu mundo e que foi capa da National Geographic passará a fazer parte de um memorial muito particular ligado ao suporte com que foi conseguida já que a Eastman Kodak Company anunciou anteontem que deixará de produzir este tipo de película, 74 anos após ter sido colocada à venda.
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Aquele que era o mais antigo rolo a cores do mercado – celebrado também na música por Paul Simon numa canção de 1973 cujo refrão pedia: “Mamã não me tires o Kodachrome” - tinha um processo de fabrico complexo e uma revelação igualmente complicada (em Portugal nunca houve laboratórios a fazê-lo). Nos últimos anos, o aparecimento de rolos com resultados a nível da cor semelhantes e menos dispendiosos, bem como a massificação do suporte digital (o próprio Steve McCurry fotografa preferencialmente em digital) fizeram com que as vendas significassem uma pequena parcela do um por cento de receita que a Kodak tem com as películas. As exigências técnicas da revelação dos Kodachrome transformaram-se também num obstáculo ao ponto de hoje existir apenas um laboratório no mundo (Dwayne`s Photo, Kansas, EUA) capaz de dar vida a este tipo de imagens. A empresa estima que os stocks de diapositivos Kodachrome deverão terminar no início do Outono. Por seu lado, o Dwayne`s Photo anunciou que só revelará os filmes até afinal de 2010. Steve McCurry terá o privilégio de usar os últimos rolos e as fotografias que deles saírem serão entregues ao museu Eastman House, em Rochester (EUA).

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Perante um cenário em que os rolos eram utilizados por um grupo muito restrito de fotógrafos, a empresa americana não precisou de pedir à mãe de ninguém para acabar com o Kodachrome. Ela própria tirou-o do mercado.
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»»O blogue da Kodak apresenta depoimentos de Steve McCurry e de outros fotógrafos que usaram rolos Kodachrome. aqui
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»»Paul Simon cantou Kodachrome assim:
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When I think back on all the crap Ive learned in highschool
Its a wonder I can think at all
Though my lack of education hasnt hurt me much
I can read the writings on the walls
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Kodachrome, they give us those nice bright colours
They give us the greens of summers
Makes you think all the worlds a sunny day, oh yeah
I got a nikon camera, I love to take a photograph
So mama dont take my kodachrome away
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If you took all the girls I knew when I was single
Brought em all together for one night
I know theyd never match my sweet imagination
Everything looks better in black and white
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Mama dont take my kodachrome away, mama dont take my kodachrome away
Mama dont take my kodachrome away
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Mama dont take my kodachrome, mama dont take my kodachrome
Mama dont take my kodachrome away
Mama dont take my kodachrome and leave your boy so far from home
Mama dont take my kodachrome away
Mama dont take my kodachrome, whew whew, mama dont take my kodachrome away

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Kodachrome, 1973
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Post de Sérgio B. Gomes no Blog Arte Photographica

sábado, 27 de junho de 2009

Acaba a era Kodachrome, a mais antiga película a cores



A companhia Eastman Kodak anunciou, esta segunda-feira, que deixará de fabricar e comercializar a Kodachrome, a primeira e mais antiga película a cores com êxito comercial e uma das mais valorizadas pelos fotógrafos profissionais.
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Aos 74 anos de vida, a Kodachrome sucumbe ao avanço da fotografia digital e de outro tipo de películas fotográficas mais modernas, que fizeram descer as vendas do filme para diapositivos e encarecer o processo de revelação.
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«Kodachrome é um ícone. Foi uma decisão difícil, dada a sua grande história, mas a maioria dos fotógrafos de hoje aposta nas fotos com tecnologias mais novas, tanto digitais como com outro tipo de películas», explicou a presidente da divisão de películas da Eastman Kodak, Mary Jane Hellyar, em comunicado.
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O fabricante calcula que, ao ritmo actual de vendas, os rolos Kodachrome terão desaparecido das prateleiras de todo o mundo no começo do próximo Outono no hemisfério norte.
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Alguns dos últimos rolos serão doados ao Museu Internacional de Fotografia e Cinema George Eastman House, em Rochester (Nova Iorque), onde se encontra a maior colecção do mundo de câmaras e artigos relacionados com fotografia.
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Além disso, está previsto que o fotógrafo Steve McCurry - conhecido pela sua fotografia da rapariga afegã de olhos verdes que 1985 foi capa da revista National Geographic, e que foi tirada com película Kodachrome - utilize algum dos últimos rolos, para que esses diapositivos sejam exibidos no museu nova-iorquino.
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A Kodak também criou um espaço na Internet para homenagear a velha película, a mais antiga do mercado e uma das mais reconhecidas e valorizadas pelos profissionais pela sua nitidez e duração das cores, entre outros motivos.
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Kodachrome deu inclusive nome a uma popular canção do norte-americano Paul Simon e até a um parque natural de Utah, nos Estados Unidos.
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No entanto, já não representa nem um por cento das vendas de películas fotográficas da Kodak, que nos últimos anos procedeu a uma profunda reestruturação do seu negócio para centrar-se no mundo digital.

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O fotojornalista Rui Coutinho contou à TSF que apesar de exigir um «processo muito complicado» para produzir e revelar, a Kodachrome «terá sido o melhor filme de diapositivo feito até hoje», pela sua «naturalidade de cor, definição, permanência e fidelidade»

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in TSF -22 JUN 09 às 21:58

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Ver historicphotoarchive.com/f2/kodachrome
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