Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Estatuária em Setúbal 16 - Sebastião da Gama em Setúbal e Azeitão

 * Victor Nogueira






Vila Nogueira de Azeitão - monumento ao poeta Sebastião da Gama, da autoria do escultor Francisco Salter Cid, inaugurado em 2007.06.09

Há em Vila. Nogueira de Azeitão um pequeno museu (municipal) a ele dedicado e, na minha biblioteca, na secção de autógrafos, um livro de poemas com dedicatória à minha tia-avó Esperança, que esta me ofereceu, livro que lhe autografou quando esta passou férias no Forte de Santa Maria da Arrábida, no Portinho da Arrábida, então estalagem explorada pelos pais do poeta.



Monumento evocativo do poeta Sebastião da Gama, com excerto dum poema (Avenida Luísa Todi, em Setúbal)

O agoiro do bufo, nos penhascos, 
foi o sinal da Paz. 
O Silêncio baixou do Céu, 
mesclou as cores todas o negrume, 
o folhado calou o seu perfume, 
e a Serra adormeceu. 

Depois, apenas uma linha escura 
e a nódoa branca de uma fonte amiga; 
a fazer-me sedento, de a ouvir, 
a água, num murmúrio de cantiga, 
ajuda a Serra a dormir. 

O murmúrio é a alma de um Poeta que se finou 
e anda agora à procura, pela Serra, 
da verdade dos sonhos que na Terra 
nunca alcançou. 

E outros murmúrios de água escuto, mais além: 
os Poetas embalam sua Mãe, 
que um dia os embalou. 

 (Sebastião da Gama - Serra Mãe - excerto)


Mural (pormenor) n Rua das Oliveiras, em Setúbal

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos.

(Sebastião da Gama - 1953) 



“Monumento de Homenagem aos Pescadores de Setúbal” da autoria de António Pacheco, inaugurado em 2006, situa-se na Doca dos Pescadores. (fotos em 2012) A embarcação com a imagem de  "N. Sra da Arrábida" retratada recebeu o nome de "Nossa Senhora Estrela-do-mar" e, numa placa, está contido o poema "Naufrágio", de Sebastião da Gama.

NAUFRÁGIO

Não era por mal …
A onda que vinha
não vinha por mal.

Mas veio, mas veio…
E logo a barquinha
partiu pelo meio.

Nem homem, nem velas.
Quando a bordo ia,
com fé abalara,
morreu já sem ela.

Mas, se a onda veio,
não veio por mal:
era irmã daquela
que chegou à praia,
que embala barquinhos
de meninos pobres.

Os meninos brincam.
Navegam em barcos
Feitos de cortiça,
Feitos de jornal.
Quase à mesma hora,
longe, os pais naufragam
sem nenhuma ajuda.

Mas não é por mal…

      In ‘Cabo da Boa Esperança’

VER

Vila Nogueira de Azeitão


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

pelos caminhos da Serra da Arrábida

* Victor Nogueira



foto de família - pelos caminhos da Serra da Arrábida, nas primeiras décadas do século XX, vislumbrando-se a Pedra da Anixa, no Portinho da Arrábida.

Presumo que na foto figurem o meu bisavô e a minha tia-avó Esperanza Luís e se assim for talvez tenha sido numas férias que passaram no Forte de Santa Maria da Arrábida, na altura uma estalagem explorada pelos pais do poeta Sebastião da Gama.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Estatuária em Setúbal 12

* Victor Nogueira




Homenagem ao Dr. Paula Borba, médico e benemérito setubalense, iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal, inaugurado em 24.03.1955 - Jardim do Asilo Dr. Paula Borba, Avenida Mariano de Carvalho

fotos em 2018.03.16





Monumento em homenagem ao "Navegador", da autoria do artista setubalense José João Besugo, inaugurado em 2012.06.23


Passeio público na Avenida José Mourinho (Praia da Saúde)




A homenagem ao choco frito de Setúbal, em género de ilustração, da autoria do ilustrador setubalense Zé Nova, é feita na Avenida Luísa Todi, pelo “Choco Pessoa”, instalada perto da rotunda das Fontainhas e inspirada na escultura evocativa de Fernando Pessoa existente no Café A Brasileira, em Lisboa (da autoria de Lagoa Henriques), e pelo “Choco Frigideira”, esta colocada na zona de acesso às praias da Arrábida, junto à Quinta da Saboaria. Ambas as esculturas foram inauguradas em 2018.05.25





Homenagem evocativa das Vítimas da Estrada, inaugurado em 2016.11.20 (Praça do Tratado de Lisboa) - [Moto Clube de Setúbal, Grupo Motard Xupa Kabras/Setúbal, Christian Motorcyclists Association/USA]


fotos em 2018.06.22 e 24





Monumento evocativo do poeta Sebastião da Gama, com excerto dum poema (Avenida Luísa Todi)

O agoiro do bufo, nos penhascos, 
foi o sinal da Paz. 
O Silêncio baixou do Céu, 
mesclou as cores todas o negrume, 
o folhado calou o seu perfume, 
e a Serra adormeceu. 

Depois, apenas uma linha escura 
e a nódoa branca de uma fonte amiga; 
a fazer-me sedento, de a ouvir, 
a água, num murmúrio de cantiga, 
ajuda a Serra a dormir. 

O murmúrio é a alma de um Poeta que se finou 
e anda agora à procura, pela Serra, 
da verdade dos sonhos que na Terra 
nunca alcançou. 

E outros murmúrios de água escuto, mais além: 
os Poetas embalam sua Mãe, 
que um dia os embalou. 

 (Sebastião da Gama - Serra Mãe - excerto)


Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado,

Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado,
Mansa corrente deleitos, amena,
Em cuja praia o nome de Filena
Mil vezes tenho escrito, e mil beijado:

Nunca mais me verás entre o meu gado
Soprando a namorada e branda avena,
A cujo som descias mais serena,
Mais vagarosa para o mar salgado:

Devo enfim manejar por lei da sorte
Cajados não, mortíferos alfanges
Nos campos do colérico Mavorte;

E talvez entre impávidas falanges
Testemunhas farei da minha morte
Remotas margens, que humedece o Ganjes.
Bocage, in ‘Rimas’





fotos em 2018.02.17

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Perambulando pela Avenida Luísa Todi ....

* Victor Nogueira

.... antiga Rua da Praia, de poente para nascente e retorno à Quinta da Saboaria, com incursões pelas antigas Praça da Ribeira Velha (Largo Dr. Francisco Soveral) e Praça do Sapal (ou das Couves, actual Praça de Bocage). Três dos conjuntos escultóricos abaixo referidos são complementados com poemas, que no devido local se reproduzem, de autoria de poetas setubalenses: Laureano Rocha, Sebastião da Gama e Bocage.

A Rua da Praia, construída em aterros e terrenos conquistados ao rio no século XIX, era o Passeio Público da Burguesia, com o coreto, o Teatro D. Amélia, o elitista Club Setubalense, o Grande Salão Recreio do Povo, e vários palacetes e casas imponentes, como a Casa do Leão, um dos exemplares sadinos de arte nova, estendendo-se do Baluarte da Conceição até ao Passeio do Lago, onde começava o território dos pescadores do Troino e da sua faina, até à Quinta da Saboaria, em cuja vizinhança se situavam fábricas de conservas de peixe.


Avenida Luísa Todi





Igreja e Convento da Anunciada





Setúbal, eu tenho pena
de não te poder cantar.
Tu és mote de um poema
que ninguem pode ensinar

Se há beleza em qualquer lado
se valesse algum dinheiro
com a princesa do Sado
comprava-se o mundo inteiro

Onde é que existe um rio azul igual ao meu
que em certos dias tem mesmo a cor do céu,
minha cidade é um presépio é um jardim
queria guardá-la inteirinha só para mim.

Setúbal terra morena
onde tudo fica bem,
tens a beleza serena
no rosto de minha mãe.

Ó rio Sado de águas mansas
que pró mar vais a correr,
não leves minhas esperanças
sem esperanças não sei viver.

(Rio Azul, poema de Laureano Rocha)




Monumento ao Roaz-Corvineiro (Tursiops truncatus)









O agoiro do bufo, nos penhascos, 
foi o sinal da Paz. 
O Silêncio baixou do Céu, 
mesclou as cores todas o negrume, 
o folhado calou o seu perfume, 
e a Serra adormeceu. 

Depois, apenas uma linha escura 
e a nódoa branca de uma fonte amiga; 
a fazer-me sedento, de a ouvir, 
a água, num murmúrio de cantiga, 
ajuda a Serra a dormir. 

O murmúrio é a alma de um Poeta que se finou 
e anda agora à procura, pela Serra, 
da verdade dos sonhos que na Terra 
nunca alcançou. 

E outros murmúrios de água escuto, mais além: 
os Poetas embalam sua Mãe, 
que um dia os embalou. 

 (Sebastião da Gama - Serra Mãe - excerto)











Largo e Auditório Municipal José Afonso
O vendedor de pássaros, por Américo Ribeiro e Odeith









Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado,
Mansa corrente deleitos, amena,
Em cuja praia o nome de Filena
Mil vezes tenho escrito, e mil beijado:

Nunca mais me verás entre o meu gado
Soprando a namorada e branda avena,
A cujo som descias mais serena,
Mais vagarosa para o mar salgado:

Devo enfim manejar por lei da sorte
Cajados não, mortíferos alfanges
Nos campos do colérico Mavorte;

E talvez entre impávidas falanges
Testemunhas farei da minha morte
Remotas margens, que humedece o Ganjes.

Bocage, in ‘Rimas’








Monumento à Resistência Antifascista, à Liberdade e à Democracia, do escultor José Aurélio







Praça Teófilo Braga (antigo Largo da Anunciada) e Fonte do Sapal





Largo João Vaz, pintor setubalense (antigo Largo do Carmo) e ruínas do Casino Setubalense (cinema)


Grande Salão Recreio do Povo, actualmente agência duma instituição bancária




Fonte Luminosa ou do Centenário da elevação de Setúbal a cidade, em 1861. . As três estátuas femininas, em mármore branco de Estremoz representam “A Terra”, “O Mar” e “A Poesia”  são da autoria do escultor portuense Arlindo Rocha


Mercado Municipal do Lvramento
  




Edifício do Banco de Portugal, actualmente Galeria Municipal


Na placa central as caixas da EDP estão decoradas, com temática variada, de animais à Natureza (Rio Sado e Serra da Arrábida), sem esquecer actividades económicas (viniviticultura, embarcações de pesca e indústria conserveira). Junto a estas duas encontra-se um dos painéis alusivos a Elmano Sadino, do percurso "Bocage na rua", com reprodução de sonetos de sua autoria. Aqui se encontram pois dois dos seus sonetos, um do quais, "Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado", mais acima já transcrito, sendo o outro

Um governo sem mando, um bispo tal; 
     De freiras virtuosas um covil, 
    Três conventos de frades, cinco mil 
    Nhons e chinas Cristãos, que obram mui mal; 
    
    Uma sé que hoje existe tal e qual; 
    Catorze prebendados sem ceitil, 
    Muita pobreza, muita mulher vil; 
    Cem portugueses, tudo num curral; 
    
    Seis fortes, cem soldados, um tambor; 
    Três freguesias cujo ornato é pau; 
    Um Vigário-Geral, sem promotor; 
    
    Dois colégios, e um deles muito mau; 
    Um senado que a tudo é superior; 
    É quanto Portugal tem em Macau




Coreto da Sociedade Musical Capricho Setubalense



Forum Municipal Luísa Todi





Edifício da antiga Alfândega Régia, actual Biblioteca Municipal



Homenagem ao actor setubalense Carlos Rodrigues (Manuel Bola), do escultor Jorge Pé Curto



Postigo de João Galo, na Rua dos Mareantes


Edifício do Clube Setubalense



"A menina da mala" da autoria do escultor João Duarte


Arco da Ribeira Velha, antigo Postigo da Ribeira


Largo da Ribeira Velha




 “ Menina c/ cadeira”, da autoria do escultor João Duarte







(Rua Serpa Pinto)

Praça de Bocage




Paços do Concelho de Setúbal, projecto do Arquitecto Raúl Lino



Pórtico lateral da Igreja de S. Juião


Estátua de Bocage, poeta setubalense, da autoria do escultor Pedro Carlos dos Reis, da oficina de Germano José Salles, de Lisboa


Fachada principal da Igreja de S. Julião


Avenida Luísa Todi



Glorieta a Luísa Todi. cantora lírica setubalense, desenhada por Abel Pascoal, esculpida por Leopoldo de Almeida e construídoa por Abílio Salreu. 


Palácio dos Duques de Aveiro onde D. João II assassinou o cunhado, Duque de Beja, que se opunha à centralização do poder real.







Antigo Recolhimento da Soledade (conventual), actual Casa da Baía


fotos em 2018.02.18



Monumento à Resistência Antifascista, à Liberdade e à Democracia, do escultor José Aurélio
"Aos resistentes que com a sua acção lutaram e lutam contra o fascismo, pela Liberdade, pela Democracia e pela Paz. 25 de Abril sempre!". 

fotos em 2018.02.17

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