* Victor Nogueira
Castro Barroso Gato Nogueira - Blog Photographico - lembrança da moça do Alentejo
Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui
“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)
«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973
domingo, 31 de janeiro de 2021
fotos de capa em dezembro 31
domingo, 18 de outubro de 2020
Esperança Luís e a Farmácia Sanitas, em Lisboa, a long time ago
* Victor Nogueira
Foto de família - até se reformar a minha tia-avó Esperança, farmacêutica, foi directora técnica da Farmácia Sanitas, em Lisboa, ao Camões. Na foto com a menina Conceição, a caixa. Lembro-me doutros empregados, como o António, ajudante de farmácia, e o senhor Liberato, mais idoso. Não me recordo se havia mais alguém para atender ao balcão, mas creio que sim, que havia mais uma outra pessoa para além da minha tia e do António. E não esqueço a empregada de balcão numa tabacaria daquele, largo, referida num escrito meu no exílio, em évoraburgomedieval. (1) O Senhor Liberato era coleccionista, não me recordo se de moedas, se de selos postais, tínhamos longas conversas e por vezes oferecia-me espécimes para as minhas incipientes colecções; muitas vezes estava ausente da farmácia, talvez por andar a distribuir as encomendas e a fazer outras diligências no exterior.. Naquele tempo os medicamentos não indicavam o prazo de validade, pelo que por vezes os juntava e depois a minha tia, na farmácia, separava-me o trigo do joio.
«Escrevo no antigo laboratório da Farmácia [Sanitas], no tempo em que as mezinhas eram manipuladas aqui nas traseiras. São cerca de 17:00 e os empregados tomam chazinho com bolos. (...) Ah! o chazinho é porque a minha tia Esperança faz... 71 anos.» (MCG - 1973.10.31)
A Farmácia tinha uma cave, onde havia um quartito para o empregado dormir nas noites em que estivesse aberta, de serviço. Creio que seria nessa cave que estaria o armazém de medicamentos, e era nela que a minha tia almoçava (pois morava em Paço d Arcos) e se lanchava. Acoplado à uma parede ainda estava, já sem préstimo, um telefone antiquíssimo, dos primitivos. A Farmácia pertencia ao Labotatório Sanitas, em Lisboa, um laboratório farmacêutico, sito na Rua D. João V.
~~~~~~
(1) (...) És a voz quente e cordial da Emília,
que de repente arrefece e desaparece.
És a Maureen, borboleta esvoaçante e carinhosa...
És a miudinha sorridente da papelaria do Chiado,
essa mesma, que tinha uma covinha no queixo. (...) (Évora, 1969.03.16)










