Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Azulejaria religiosa 01 - Azeitão e Sesimbra

* Victor Nogueira

Estes registo não é exaustivo e pretende apenas dar notícia da riqueza artística que cobre as paredes interiores das Igrejas de S. Lourenço de Azeitão e de Nossa Senhora do Castelo (Sesimbra). As fotos dos azulejos remontam ao verão de 2013.


Vila Nogueira de Azeitão - Igreja de S. Lourenço

As origens deste templo recuam ao século XIV, altura em que se sabe ter sido edificada uma igreja dedicada a São Lourenço. Desconhece-se, todavia, qual a sua configuração (admite-se que tenha sido de nave única com capela-mor de tramo final poligonal, como foi usual nessa centúria), uma vez que, pouco mais de um século volvido, ao redor de 1570, o antigo edifício gótico foi integralmente demolido para dar lugar ao monumento que hoje se conserva.
(...)
O interior é de nave única e nele se conserva um púlpito quinhentista formado por mármores da vizinha Serra da Arrábida. As paredes encontram-se revestidas por azulejos setecentistas, azuis e brancos, sendo os mais importantes os das paredes laterais da capela-mor, que representam diversas cenas bíblicas. Encontram-se atribuídos à oficina de António e Policarpo de Oliveira Bernardes (pai e filho), uma das mais importantes estirpes de azulejadores de finais do século XVII e primeira metade do século XVIII, quando esta modalidade artística atingiu o auge de criatividade, especialmente em Lisboa. Os azulejos da nave, embora pareçam ser de mão diferente, inserem-se nessa grande produção do reinado de D. João V, enquanto que os que revestem as paredes do baptistério são ligeiramente mais tardios, já do ciclo pombalino.

Sem obras assinaláveis ao longo do século XIX, o templo foi intervencionado a partir de 1947, numa campanha restaurada algo prolongada que levou ao apeamento do arco triunfal, à conservação dos azulejos e à integral substituição de pavimentos e coberturas.
(in http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74297)





registo no muro do cemitério, adjacente






fotos em 2013.08

video

Luísa Antunes
Publicado a 06/06/2010
texto do vídeo: Vendo nosso Deus benigno / vossa grande devoção / (...) / a Lourenço, o mártir digno / de toda a veneração / (...) determinam por seus rogos / a todos sempre ajudar // Amai vosso criador / cuja lei pura e isenta / São Lourenço representa. // O filho que o Padre deu / a seu pai te dá por Pai / (...) / e quando na cruz morreu, / deu-te por mãe sua Mãe. // Será o sabor do pecado / muito mais doce que o mel / mas o inferno cruel, depois / te dará o pecado bem / mais amargo que o fel.// (diz S. Lourenço) /Tanto confiaram em mim / construindo esta capela / plantando o bem sobre ela.../ Não os deixarei assim / sucumbir sem mais aquela." in "Auto de São Lourenço", Padre José de Anchieta (nota: auto feito para converter os índios do Brasil, onde também existe uma capela de S. Lourenço)



Sesimbra - Igreja de N. Sra da Consolação do Castelo

Será obra das oficinas lisboetas dos mestres Teotónio dos Santos e Bartolomeu Antunes o conjunto azulejar resultante das obras s de embelezamento da Igreja de Nossa Senhora da Consolação do Castelo, realizadas em 1721,  Os painéis de azulejos azuis e brancos representam várias temáticas religiosas, desde imagens de apóstolos e evangelistas a cenas sobre a vida de Cristo e de Santiago. A Igreja de Santa Maria do Castelo foi fundada no ano de 1160 tendo sofrido, desde então, várias reformas que lhe adulteraram a traça original. 






fotos em 2013.08.15

video


OUTRAS PUBLICAÇÕES COM PAINÉIS DE AZULEJOS EM IGREJAS



PUBLICAÇÕES COM REGISTOS DE AZULEJOS

·     Registos de Azulejos 03 – Setúbal

Azulejaria civil em Setúbal 10 - Caves de José Maria da Fonseca em Azeitão

* Victor Nogueira

A casa onde a José Maria da Fonseca foi fundada em 1834 situa-se na principal artéria de Vila Nogueira de Azeitão, paredes meias com o Chafariz dos Pasmados. A JMF é  conhecida entre outros pelos vinhos Periquita e Moscatel de Setúbal e possui um museu anexo, 





Indicação toponímica do antigo Real Automóvel Club de Portugal, fundado em 1903, antecessor  do ACP














fotos em 2017.07.19 e 22


OUTROS EDIFÍCIOS COM PAINÉIS DE AZULEJOS EM SETÚBAL


Registos de Azulejos 03 - Setúbal

* Victor Nogueira

Não é uma recolha sistemática mas sim ao rodar do olhar e do Fiesta ou do andar a pé, sobretudo nos bairros populares de Setúbal. Encontro menos do que supunha deverem existir. Santo António é mais "popular".



Avenida Afonso de Albuquerque, 128 (Santo António)


  Bairro Santos Nicolau - (Anjo da Guarda)



  Bairro Santos Nicolau - (N. Sra de Fátima)







Rua Major Pedroso Gamito. 31 (Santo António)



Rua Garcia Peres 36 (Anjo da Guarda)



Rua Diogo Fernandes Pereira, 10  (S. Vitoriano)

fotos em 2017.08


terça-feira, 15 de agosto de 2017

Recantos de Setúbal 08 - Rua Capitão Tenente Carvalho Araújo

* Victor Nogueira

Paredes meias com a Rua das Alcaçarias, isto é, do local onde na Idade Média Mouros e Judeus podiam comerciar, encontra-se um terreiro a nível mais baixo que a zona envolvente. A maioria das casas estão arruinadas e nelas crescem ervas daninhas e se cultivam alguns produtos de horta ou flores em vasos, logo ali ao pé da Estação Rodoviária. Quando há cheias o local deve transformar-se em piscina a céu aberto, alagando as casas que o bordejam.














fotos em 2017.08.14



Google Earth
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Azulejaria civil em Setúbal 09 - edifício arte nova no Bairro Salgado

* Victor Nogueira

No cada vez mais descaracterizado Bairro Salgado, com muitos edifícios devolutos e à espera de comprador e camartelo, existem ainda alguns que mostram o fausto de outrora. A vivenda arte nova na Rua Garcia Perez, 24/26 sede duma organização sindical, é uma excepção numa cidade onde a preservação da identidade e da memória nem sempre são preocupação de quem nela vive ou detém o poder. O entardecer, com a projecção alongada das sombras, condiciona a quaidade dos registos fotográficos. Mas como o óptimo é inimigo do bom .. Os azulejos da fachada são de Francisco Gonçalves de Freiras e foram executados rm 1915, ano da presumível construção deste edifício já centenário.














fotos em 2017.08.14


Google Earth