Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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sábado, 31 de agosto de 2024

Fotos de capa em Agosto - 2018 e 2019, no Kant_O dos Olhares

 * Victcor Nogueira


2018 06 20 - foto victor nogueira - Mural em Oeiras - O Zé não mente ( o filho  +  novo do zé povinho)


2018 06 23 - foto victor nogueira - Nocturno em Avis, no ano 2000

2018 08 11 - foto victor nogueira -  ponte sobre a Ribeira de Cheleiros, afluente do Rio Lizandro, no Concelho de Mafra


2018 08 25 - A Évora, quando jovem cadela, fotografada pelo Rui Pedro

2019 05 23 - foto victor nogueira - Super-Lua cheia em Vila do Conde - 2016.12.14

2019 08 07 - Foto victor nogueira -  Nascer do sol em Setúbal

2019 08 08 - foto victor nogueira - Vista de Setúbal para sul da Avenida da República Guiné-Bissau

2019 08 18 - foto victor nogueira - Centro de Trabalho do PCP, em Setúbal


2019 08 20 - foto victor nogueira - Janela. no Largo de Santo António, em Setúbal, a long time ago

2019 08 23 - foto victor nogueira - Em Vila do Conde, réplca duma nau quinhentista (2016.12.18)

2019 08 24 - foto victor nogueira em 2016.05.10 - Estuário do Rio Sado e Península de Tróia vistos da foz da Ribeira da Ajuda (Comenda)

2019 08 28  - foto victor nogueira - No Mindelo, em 2016.08.29

2019 08 28 - foto victor nogueira - Porto, entardecer na Praça dos Leões em 2016.12.08

2019 08 30 - foto victor nogueira - Serra da Arrábida - maré  cheia na Ribeira da Ajuda, no sítio da Comenda

2019 08 31 - foto victor nogueira . Largo do Padrão, no Porto, em 2016.12.04

sábado, 17 de dezembro de 2022

Os arco-íris em fotos

 * Victor Nogueira

Tito Salomoni - Building a Rainbow


Tito Salomoni, Rainbow Fantasy,(Litogravura)

Numa  das minhas fotos  Vítor  Durão  deixou  o  seguinte  comentário: "Quando vejo um arco-íris procuro sempre o seu fim porque estará por lá o pote de ouro, pelo menos é o que se julga". 

🙂


São poucas as fotos minhas a arco-íris, sendo a maioria no Mindelo. Aqui se faz uma compilação. No meu Livro de Viagens há apenas três referências, sendo uma delas num registo "A caminho de Almeirim", refiro a fotografia a um arco-íris, ainda não digitalizei. Fora isso há uma referência em Ferragudo e outra numa viagem pela  Linha do Norte, que se transcrevem.

«Às 8:30 tomámos o rápido da linha do Norte. Caía uma chuva miúdinha e no céu via-se um lindo arco íris. Matabichámos no bar da estação de Santa Apolónia, em, Lisboa, que é original, com motivos do caminho de ferro.» (1963.09.11 - Diário III)


Arco-íris em Ferragudo (Algarve) - 2000.04.22 «Andávamos a visitar esta povoação quando de repente começou a chover torrencialmente. Valeu-nos estarmos junto duma daquelas cabines telefónicas antigas, como as de Londres, onde nos resguardámos, a porta fechada, esperando pela bonança. Foi então que surgiu esta foto.»


2015 09 16 -- Depois da chuva, arco-íris no Mindelo. Noite de temporal no Mindelo - todo o dia e toda a noite choveu chuva ininterruptamente, em cerrada cortina de bátegas  fragrosas. E o vento em rajadas fazia o milheiral e as plantas baloiçarem quase vergadas ao solo. Hoje, o dia seguinte, a manhã esteve nublada de azul cinza e o bulício do vento amainou, a terra no quintal ensopada de água. Ao princípio da tarde descobriu-se o ar de azul, soalheiro, num mar de calmaria e silêncio.- UMA FOTO E DOIS POEMAS

1. - CHOVE CHUVA
Com fragor
chove chuva
uva a uva
lentamente
Setúbal 2013 10 23

2. - BOLETIM METRILÓGICO
Uva a uva
chove chuva
molhada
miúdagraúda
ensopa a roupa
fria
de cinza
noite e dia
cansa a dança
em rodo-rio
~~~~~~~~~~
Setúbal 2012.12.06





2022 12 16 - Arco-íris no Mindelo - São raros os arco-íris no meu portfolio. Mas ontem aqui na sala, após uma manhã pluviosa, vislumbrei um para lá da vidraça, embora esbatido. Peguei na máquina fotográfica mas quando cheguei ao quintal ele sumira. Pouco depois, na cozinha, quando me preparava para almoçar sentado á mesinha com vista para o campo, ei-lo que surgiu novamente, esmaecido, mas desta vez não tão fugazmente, o que me permitiu fotografá-lo. Com tratamento de imagem ficou mais visível.


Não é necessário que chova para que se forme um arco-íris, como este, em Oeiras, no Parque dos Poetas - (2016 08 21 IMG_1952)


Arco-íris em Setúbal

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Pontes (32) em fotos de capa de julho 01 a 08

 * Victor Nogueira



2022 07 01 - Foto victor nogueira - Oeiras - viaduto ferroviário sobre o Jardim Público e a Ribeira da Laje (IMG_5979)

2022 07 02 -Foto victor nogueira - Algés - viaduto rodoviário sobre a Estrada Marginal de Estoril/Cascais, em dia pluvioso. ccom o semáforo no encarnado, rectifico, vermelho (IMG_3468)


2022 07 03 - Foto victor nogueira - Oeiras A5 - passagem pedonal aérea nas portagens (IMG_1687)

2022 07 04 - Foto victor nogueira - Oeiras - Ponte sobre a ribeira da Laje ou das Parreiras no jardim do Palácio do Marquês de Pombal (IMG_1033)


2022 07 05 - Foto victor nogueira - Oeiras - viaduto ferroviário sobre o Jardim Público e a Ribeira da Laje (GEDC1777)

2022 07 06 - Foto jj Castro Ferreira - Paço de Arcos - Av António Cabral Bernardo de Macedo (Tapada do Mocho) - Ponte sobre a Ribeira de Porto Salvo (HPIM0079) durante a construção do ferro carril do SATU


2022 07 07 - Foto victor nogueira - Paço de Arcos - Ribeira de Porto Salvo (Tapada do Mocho) viaduto rodoviário e carril ferroviário do SATU (IMG_0765)

Presentemente e durante quase todo o ano a Ribeira está vazia de água. no fundo do pequeno vale. Um pouco mais adiante, perto da nova estação ferroviária, corre encanada e subterrânea até ao Rio Tejo. O SATU, um elefante branco, está presentemente desactivado e a ponte que actualmente liga a Rua Fonte de Maio á Tapada do Mocho substitui a estreitérrima que num caminho vicinal fazia essa ligação. Era então parco o trânsito automóvel por este então assegurado, e na ponte, a meia altura do percurso, não cabiam lado a lado dois veículos automóveis

2022 07 08 - Foto jj Castro Ferreira - Paço de Arcos - Av Senhor Jesus dos Navegantes, com o viaduto ou ponte sobre a Ribeira de Porto Salvo (Av António Cabral Bernardo de Macedo - Tapada do Mocho) (HPIM0079)

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Pontes (31) - em fotos de capa em junho 24 a 30

 * Victor Nogueira

Oeiras

Ribeira de Barcarena, Ilha dos Amores (Parque dos Poetas)


2022 06 24 - Foto victor nogueira - Oeiras - Ponte na Ilha dos Amores, no Parque dos Poetas (GEDC1022)


 2022 06 25 - Foto victor nogueira - Parque dos Poetas - a Ilha dos Amores (Camões), a ponte sobre o largo e as ninfas


2022 06 26 - Foto victor nogueira - Oeiras - ponte na Ribeira da Laje, que atravessa os Jardins do Palácio do Marquês de Pombal (IMG_1028)


2022 06 27 -  foto victor nogueira - Oeiras - passagem pedonal aérea na Avenida António Maria Cabral de Macedo e carril aéreo do desactivado SATU (transporte ferroviário desde Paço de Arcos ao CCOP) (IMG_3323)


2022 06 28 - Foto victor nogueira - Oeiras - Ribeira da Laje vista duma das pontes que liga o Jardim Público ao parque de campismo (IMG_5970)

Numa das margens um verde que parece naturalmente selvagem. bucólico, e na outra, em contraste, o "caos" do parque de campismo e duma feira com a lataria dos automóveis. Os prazeres do campismo ao ar livre e despoluído combinarão com parques de campismo no meio das urbes, do bulício e da poluição?


2022 06 29 - Foto victor nogueira - Oeiras ~ Rua Desembargador Faria - ponte sobre a Ribeira da Laje, entre o Palácio do Marquês de Pombal e o Jardim Municipal (IMG_3789)


2022 06 30 - Foto victor nogueira - Oeiras - Rua José Diogo da Silva - Viaduto ferroviário que atravessa a Ribeira de Barcarena e o Jardim Público (IMG_3266)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Pelourinhos 36 / Municípios 20 - Oeiras (Pelourinho e Paços do Concelho)

 * Victor Nogueira


2021 12 17 Fotos victor nogueira - Oeiras - Pelourinho e Paços do Concelho

«O Pelourinho de Oeiras está localizado em frente ao edifício da Câmara Municipal de Oeiras e foi edificado em 1760, não se conhece o seu autor. Feito em pedra lioz, é decorado com símbolos comuns aos dos palácios do marquês de Pombal. Foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1933.

Foi um dos últimos a ser erguido no país, sendo símbolo da autonomia municipal, alcançada em 1759 com a criação da vila e do concelho, concluído em 1760. A sua construção foi custeada, provavelmente, pelo conde de Oeiras Sebastião José de Carvalho e Melo.[1][2]

É composto por três partes, que se articulam formando a mesma forma geométrica, o octógono. Apresenta uma plataforma de três degraus, sobre a qual abriga a coluna. O corpo do fuste é ordenado por três anéis de aparência rústica.»  (Wikipedia)

«Ao lado da antiga Casa da Câmara foi a 8 de dezembro de 1940 foi inaugurado o novo edifício dos Paços do Concelho nas antigas cocheiras do palácio dos Marqueses de Pombal.

Em 1937 o anteprojeto previa um custo aproximado de 1.500,00€ para as obras de adaptação. Em 1938 iniciam-se as negociações com o proprietário, o Marquês de Pombal. Em 1939 as negociações decorrem com a Direção-geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e finalmente iniciam-se as obras com um custo previsto de 2.000,00€, a cargo do construtor Luiz Esteves de Carvalho. »

(in https://www.facebook.com/MunicipiodeOeiras/posts/10156890498128696/)

VER   Pelourinhos 18 / Igrejas 82/ Municípios 02 - Oeiras - Pelourinho e Capela das Mercês

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Pelourinhos 18 / Igrejas 82/ Municípios 02 - Oeiras - Pelourinho e Capela das Mercês

 * Victor Nogueira

Oeiras - Pelourinho, Casa da Câmara e Capela de N. Sra das Mercês, no Palácio do Marquês de Pombal e Conde de Oeiras

Circunvizinhos eram o Palácio do Marquês e suas quintas de lazer e agrícolas, o pelourinho e a Casa da Câmara.

«Apesar da relativa antiguidade das primeiras referências a Oeiras, em documentos do século XIV, e da origem baixo-medieval do Reguengo que viria a dar origem ao povoado, para além da sua proximidade com a capital, esta recebeu foral apenas no século XVIII.

A constituição do concelho, em 1760, seguiu-se à concessão do título de Conde de Oeiras a Sebastião José de Carvalho e Melo, ministro do rei D. José I e futuro Marquês de Pombal, e constituiu um forte incremento ao desenvolvimento da região. O pelourinho, certamente erguido na sequência da outorga do foral, datará assim do terceiro quartel do séc. XVIII. Levanta-se num recinto ajardinado, protegido por gradeamento em ferro, entre a imponente residência que o ministro possuía na vila, hoje conhecida como Palácio dos Marqueses de Pombal, e o edifício da Câmara Municipal.

O pelourinho assenta numa plataforma constituída por três degraus octogonais. A base da coluna é composta por um paralelepípedo alto de secção octogonal. O fuste é ainda octogonal, de arestas boleadas, e bojudo na parte inferior, sendo visualmente dividido em quatro troços

(progressivamente mais estreitos) por três largas molduras de pedra picada. O remate é em forma de pinha octogonal rebaixada, de onde emerge a haste torneada do espigão. Mede cerca de 7,2 m. » (SML DGPC)


Paços do Concelho (actual), ao lado da antiga Casa  da Câmara


Antiga Casa da Câmara



VER

Pelo Centro Histórico de Oeiras


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Tabernas e adegas

 * Victor Nogueira

A minha estada em tabernas foi sempre ocasional, salvo quando ia a Santo Amador (Moura) ou à Salvada (Beja), acompanhando os meus cunhados, o João ou o Manuel. 

.Exceptuando eu, o "mano" da cidade, toda a malta bebia vinho mas, a partir de certa altura, os meus cunhados e outros passaram a beber ... chá. 

Para alem da conversa, jogávamos às cartas, na Salvada, para grande desespero do Janicas que levava as partidas de sueca muito a sério, fazendo-me sinais que eu não decifrava malogrando as jogadas. 

Breves referências a tabernas encontram-se nas  minhas Notas e Memórias de Viagens. Relacionadas com as tabernas estão a venda de bebidas alcoólicas  e o slogan "Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses", uma campanha da Junta Nacional dos Vinhos

Por isso se referem as adegas, isto é, o lugar onde o vinho é armazenado em garrafas, barris ou em barricas, mas que também pode ser vendido como se taberna fosse. Consumo de vinho que com as sopas de cavalo cansado muito embruteceram criancinhas e milhões de portugueses in illo tempore.



Quem beber vinho contribui para o pão de mais de um milhão de portugueses


Beber vinho é dar o pão a 1 milhão de portugueses














Uvas fonte de saúde e de alegria

Cartazes de Mário Costa, produzidos em 1938 para a Junta Nacional dos Vinhos

Évora - Quis saber o que eu fazia - se era escritor e já escrevera o meu livro - e não acreditava que eu vivesse do ar e do vento. Enfim, que se tivesse 25 anos como eu estava mas é em Lisboa, que isso sim! E lá se ia agitando desequilibradamente o velho (de 57 anos), num asilo, convidando me (ou convidando- se) para um copo ali na taberna, beata ao canto da boca com um grande morrão e deitando perdigotos como nuvem rota em dia de inverno. Mas nem queiras saber a insistência com que ele duvidava da ida dos homens à Lua. (MCG - 1972.10.23)


Vimieiro (Arraiolos) - Daqui a pouco tenho de ir até à venda, ponto de encontro. Não me apetece estar lá, forasteiro. Antes esta quietude, esta serenidade do entardecer. Pássaros chilreiam e dois cães param além na esquina. Não é a primeira vez que estou nesta aldeia, tão grande ou maior que a Amareleja. Estou agora a fazer inquéritos à vida das famílias. (...) [Entro na taberna]: pedra ao longo das paredes, na altura de um homem, pintada de verde, um balcão corrido azulejado da mesma cor, uma ventoinha, um televisor e um frigorífico. Prateleiras cheias de garrafas, rebuçados e tabaco. Mesas oleadas e cadeiras, tresandando e brilhando de gordura. Em pé ao balcão ou sentados às mesas, homens que não primam pela elegância no vestir, bebem o seu copito e trocam o seu dedito de conversa.  (MCG - 1973.03.16)


Igrejinha (Arraiolos) - Escrevo dum café aqui na Igrejinha, enquanto espero que o empregado me traga os comes e bebes que enganarão o estômago até à hora do jantar, em Évora. A tarde hoje está "porreirinha", mas a produtividade tem sido pouca. (..) A Igrejinha tem sido para mim uma terra "difícil". Numa venda, um velhote meio cego queria que eu o inquirisse, porque tinha muito que falar. Que nós só escolhíamos quem queríamos para falar e não quem sabia e dizia isto batendo com uma grossa bengala no chão. Tive pois que tentar desenlear os enredos de que me apercebi. Quando dei por isso estava no centro duma multidão, que na maioria me dava razão - pelo menos ali - incluindo o velhote, agora mais calmo. Eu até nem sabia que uma mulher me tinha posto na rua (segundo as conversas dela com as vizinhas) porque eu andava a querer saber da vida dela (se poupava dinheiro, onde o guardava, se fora ela que dera de mamar aos filhos, se o médico assistira ao parto...) - Tinha-la inquirido sobre a Vida da Família, cujo inquérito tem perguntas delicadas. e ela mostrara-se muito agreste e desconfiada, atitude que até compreendo, tanto mais que o marido emigrara há 15 dias. Mas depois do meu discurso as pessoas davam-me razão, que sim, que já outros tinham andado a fazer aquelas "procuras" ("A minha mulher e eu também respondemos e não tinha nada de mal, nenhuma falta de respeito" ou "Sempre há gente muito estúpida!") E assim se amainou a tempestade. 

Mas outra me esperaria, ao inquirir um taberneiro velhote que é seareiro (este ano é o último, pois aquilo não dá) Às tantas um homem com ar espertalhote (46 anos, ao que me disse) intrometeu-se na conversa, porque quisera emigrar mas não pudera por causa da idade. E vai daí gerou-se uma conversa sobre o que valia mais, se o lido (estudos) ou o corrido (prática) e, portanto, se um jovem ou um homem da idade dele ("Qual escolhia o senhor?", perguntava-me); sobre o estado da agricultura, cuja solução, para os presentes (suponho que seareiros e proprietários ou rendeiros de quintais de 0.5 a 5 ha.) era a distribuição das grandes terras por quem quisesse nelas trabalhar, completamente inconscientes de que o mundo é outro para além daquelas terras, insensível a métodos e processos de exploração agrícola ultrapassados, sem respeito pelo "corrido" doutras eras. Um outro proprietário com quem falara - esse já com propriedades maiores, estava consciente - como alguns outros - da necessidade do cooperativismo e da agricultura de grupo, da mecanização e da introdução de novas culturas e processos de cultivo, do regadio e da exploração pecuária (que não é ter meia dúzia de ovelhas e uma vaca). Mas as pessoas, segundo eles, são muito desconfiadas, pensam sempre que o vizinho o quer enganar e armam-se em "espertalhões". (Notas de Viagens 1973.03.26)


Pinhal Novo - Pelo vidro da montra do café avista-se o edifício da estação dos caminhos de ferro: conto 4 chaminés, enquanto se cruzam um miúdo de bicicleta e um tractor com atrelado. Um vasto rossio de terra batida estende-se lá fora, rodeado de casas caracteristicamente incaracterísticas. Lá ao fundo, uma mata enfezada e amarelecida. Alguns carros parados e pessoas sentadas pelos bancos. O café do leite sabe mal. No largo uma igreja por caiar, um coreto e um parque infantil, tudo com um ar desgracioso. 

Aqui no café as pessoas jogam à "batota", ali num canto, enquanto outras duas estão lendo os jornais. Um outro personagem, atarracado, de boné e óculos, vai vasculhando a carteira e lendo os papéis que dela retira. Por trás de mim ouço vozes e algaraviada, bem como os tacos batendo nas bolas de bilhar. O casaco incomoda me, pois tolhe-me os movimentos. Sinto-me encalorado. (...) São quase 17 horas e daqui a 10 minutos é o comboio. Farto-me de percorrer um Portugal desconhecido. (Notas de Viagens1974.11.28)


Lisboa - Já era tarde para jantar em Paço d'Arcos e dei uma volta, acabando por vir parar a um restaurantezeco aqui no Cais do Sodré, mesmo na rua dos bares e das prostitutas. Na cadeira ao meu lado ronrona um enorme gato. (MCG - 1975.03.25)

Amanhã regresso a Évora com o João Lucas. Vim ontem com o Viegas e a Violete; chegámos já tarde a Lisboa, onde jantei na tasca habitual lá para o Cais do Sodré, onde passeia o "bas fond" cá da cidade: prostitutas, chulos, clientes e chuis.  (MCG - 1975.06.29)


Sobreiro (Mafra) - A aldeia {de João Franco] em labirinto pretende preservar a memória da região saloia: o castelo, a capelinha de Santo António e as caixas das esmolas dos Santos Populares, o largo com o seu coreto, a nora e a cegonha para extraírem água do poço, e as casinhas das profissões: à entrada o moleiro, o sapateiro, o alfaiate, o barbeiro dentista, cada uma delas com os respectivos instrumentos e objectos de trabalho e adereços. Tal como outras casas, pelas ruas, como as do relojoeiro, da curandeira, do albardeiro, do boticário, do oleiro, entre outras. Uma cozinha, uma adega, onde se pode beber à borla um minúsculo copo de vinho, a escola primária, a casa da Música, um quarto de dormir, o alpendre onde se guardam as carroças de trabalho ou de passeio, a casa do cão, a casa do porco, testemunham tempos passados. (Notas de Viagens  1997.08.15)


Santo Amador (Moura) fica num desvio da estrada para Safara. É uma aldeia pequena, onde as casas tradicionais coexistem e vão sendo substituídas pelas "mansões" dos emigrantes. Creio que é uma terra de pequenos seareiros, com os seus cafés (tabernas), a igreja e a sociedade recreativa. Nos arredores improvisa-se um cercado para as corridas de touros, que num certo ano ruiu. As mulheres permanecem em casa, às vezes na má-língua, enquanto os homens convivem de taberna em taberna, convidando-se mutuamente para copos de vinho, chegando ao fim do dia bêbedos a casa. Depois ... os copos acabaram por ser substituídos por chávenas de chá. Ao fim do dia os cérebros teriam deixado de estar toldados, mas os nervos talvez ficassem mais á flor da pele. (Memórias de Viagem, 1997.08.20)


Samouco - A povoação parece alentejana e nela existem portões trabalhados, como se fossem de quintas, se é que o não foram, e as casas estão enfeitadas com desenhos em estuque. (...)

Caminhando pelo Largo 25 de Abril, o silêncio da noite é quebrado pelo falatório duma velha de negro a uma esquina, a mão na orelha, a cabeça inclinada ... Insólito, no largo deserto, a mulher de negro não estava louca, não, mas falava apenas pelo telemóvel ! Modernices. 

Nos muitos cafés, à noite, a freguesia era esmagadoramente masculina, talvez também operários da ponte Vasco da Gama, em construção.  (Notas de Viagem, 1998.01.09) 



Cós (Alcobaça) - A povoação possui muitos cafés e três ruas com nomes de maestros locais. No termo da povoação situa-se o degradado Solar do Outeiro, com escadaria exterior, varanda alpendrada e brasão de armas, que terá belas pinturas nas salas, condenado à demolição de acordo com notícia lida num jornal. 

Perto passa um riacho - era nesta povoação que as lavadeiras tratavam da roupa dos frades de Alcobaça - e para o centro da povoação numa antiga adega preservada está neste dia patente uma exposição de quadros variados, alguns deles interessantes. A povoação, outrora importante devido à riqueza dos campos, possui uma igreja de  Santa Eufémia, outrora ligada à Misericórdia. Do pelourinho não restam vestígios. (Notas de Viagens 1998.02.22)


Idanha a Velha -Numa taberna um velhote diz quadras “contestatárias” enquanto a dona do café lhe diz para recitar outras mais bonitas. Delas se dá exemplo:

Adeus Idanha a Velha | Duas coisas te dão graça | É o alto do castelo | O pelourinho na Praça  - Popular 
Adeus ó Idanha a Velha | Pequenina  airosa | À entrada tem um cravo | E à saída uma rosa  - Popular
Adeus ó Idanha a Velha | Que tanta nomeada tens | Que dentro de ti há dois burgueses | Que são senhores de todos os teus bens - José Bernardo (carvoeiro) (Notas  de Viagens 1998.07.13)


Beja - Taberna do Alhinho - várias fotos, com portal gótico e roupa estendida. Entre o Largo da Sé ou do Lidador e o Terreiro das Peças, encostada à muralha, situa-se a antiga Judiaria.  (Notas de Viagens 1999.02.20)


Serra do Socorro - A Capela, em obras na sequência dum incêndio, está repleta de ex-votos, tranças de cabelo e partes de corpos, em cera. Para além disto o terreiro possui as casas para os peregrinos, coreto,  loja para venda de artigos religiosos e ligados ao pagamento de promessas, para além duma taberna. Na referida loja um velhote mantém a porta aberta, para não “desiludir” os visitantes que chegam de longe. Chama-se Joaquim Correia, de Enxara do Bispo, e conta-nos da sua devoção, dos seus achaques e maleitas e das múltiplas operações cirúrgicas a que foi submetido. Em troca de duas pagelas deixamos-lhe 200 escudos, i.e, pouco menos que 1 euro! O velhote diz nos que vem para aqui com muita fé e alegria, para manter a capela aberta e “vigiada”. As festas da Senhora são a 5 de Agosto. (Notas de Viagens 1999.07.17)







Setúbal -  Taberna na Rua Fran Paxeco (2017 12)


Setúbal - Exposição O Homem e o Trabalho, precursora do Museu do Trabalho Michel Giacometti (1980)




Serpa - taberna (rolo 384 - 1999.02)


Sobreiro (Mafra) postal ilustrado




Cós (Alcobaça) - Nesta antiga adega do Mosteiro de Cós preservada funcionava na altura e creio que ainda funciona a Galeria A Dega, então com pinturas de vários autores, algumas interessantes (1998.02)


Lugar de Passos (Goios - Barcelos) - CASA DOS FERREIRAS DE PASSOS - Prensa e tanque do antigo lagar do vinho (2014)




Vila Nogueira de Azeitão - Adega José Maria da Fonseca - Rua José Augusto Coelho, N.º 11/13 




Setúbal - Adega dos Passarinhos . Rua Tenente Valadim e troço da muralha medieval, junto ao  antigo Postigo do Sapal, chamado o Buraco d'Água


Vila Real - taberna (rolo 417) 

 

Oeiras - A Taberna - Rua Cândido dos Reis 21 - Esta é a tasca que serve o bom petisco português / Aquele que apetece repetir / Sempre mais do que uma vez




(Matosinhos)




Vila do Conde -  Taverna A Badalhoca do Fredo - Rua de São Bento 29



Oeiras . Palácio do Marquês de Pombal - antigo lagar do vinho


Porto - Garrafeira do Carmo ( A catedral do vinho do Porto) - Travessa do Carmo 17 - 18 (rolo 352)


Taberna em Cuba - Baixo Alentejo  -  Amigos do Cante


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