* Victcor Nogueira
Castro Barroso Gato Nogueira - Blog Photographico - lembrança da moça do Alentejo
Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui
“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)
«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973
sábado, 31 de agosto de 2024
Fotos de capa em Agosto - 2018 e 2019, no Kant_O dos Olhares
sábado, 17 de dezembro de 2022
Os arco-íris em fotos
* Victor Nogueira
Tito Salomoni - Building a Rainbow
Numa das minhas fotos Vítor Durão deixou o seguinte comentário: "Quando vejo um arco-íris procuro sempre o seu fim porque estará por lá o pote de ouro, pelo menos é o que se julga".
sexta-feira, 8 de julho de 2022
Pontes (32) em fotos de capa de julho 01 a 08
* Victor Nogueira
quinta-feira, 30 de junho de 2022
Pontes (31) - em fotos de capa em junho 24 a 30
* Victor Nogueira
Oeiras
Ribeira de Barcarena, Ilha dos Amores (Parque dos Poetas)
2022 06 24 - Foto victor nogueira - Oeiras - Ponte na Ilha dos Amores, no Parque dos Poetas (GEDC1022)
sexta-feira, 17 de dezembro de 2021
Pelourinhos 36 / Municípios 20 - Oeiras (Pelourinho e Paços do Concelho)
* Victor Nogueira
«O Pelourinho de Oeiras está localizado em frente ao edifício da Câmara Municipal de Oeiras e foi edificado em 1760, não se conhece o seu autor. Feito em pedra lioz, é decorado com símbolos comuns aos dos palácios do marquês de Pombal. Foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1933.
Foi um dos últimos a ser erguido no país, sendo símbolo da autonomia municipal, alcançada em 1759 com a criação da vila e do concelho, concluído em 1760. A sua construção foi custeada, provavelmente, pelo conde de Oeiras Sebastião José de Carvalho e Melo.[1][2]
É composto por três partes, que se articulam formando a mesma forma geométrica, o octógono. Apresenta uma plataforma de três degraus, sobre a qual abriga a coluna. O corpo do fuste é ordenado por três anéis de aparência rústica.» (Wikipedia)
«Ao lado da antiga Casa da Câmara foi a 8 de dezembro de 1940 foi inaugurado o novo edifício dos Paços do Concelho nas antigas cocheiras do palácio dos Marqueses de Pombal.
Em 1937 o anteprojeto previa um custo aproximado de 1.500,00€ para as obras de adaptação. Em 1938 iniciam-se as negociações com o proprietário, o Marquês de Pombal. Em 1939 as negociações decorrem com a Direção-geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e finalmente iniciam-se as obras com um custo previsto de 2.000,00€, a cargo do construtor Luiz Esteves de Carvalho. »
(in https://www.facebook.com/MunicipiodeOeiras/posts/10156890498128696/)
VER Pelourinhos 18 / Igrejas 82/ Municípios 02 - Oeiras - Pelourinho e Capela das Mercês
segunda-feira, 29 de novembro de 2021
Pelourinhos 18 / Igrejas 82/ Municípios 02 - Oeiras - Pelourinho e Capela das Mercês
* Victor Nogueira
Circunvizinhos eram o Palácio do Marquês e suas quintas de lazer e agrícolas, o pelourinho e a Casa da Câmara.
«Apesar da relativa antiguidade das primeiras referências a Oeiras, em documentos do século XIV, e da origem baixo-medieval do Reguengo que viria a dar origem ao povoado, para além da sua proximidade com a capital, esta recebeu foral apenas no século XVIII.
A constituição do concelho, em 1760, seguiu-se à concessão do título de Conde de Oeiras a Sebastião José de Carvalho e Melo, ministro do rei D. José I e futuro Marquês de Pombal, e constituiu um forte incremento ao desenvolvimento da região. O pelourinho, certamente erguido na sequência da outorga do foral, datará assim do terceiro quartel do séc. XVIII. Levanta-se num recinto ajardinado, protegido por gradeamento em ferro, entre a imponente residência que o ministro possuía na vila, hoje conhecida como Palácio dos Marqueses de Pombal, e o edifício da Câmara Municipal.
O pelourinho assenta numa plataforma constituída por três degraus octogonais. A base da coluna é composta por um paralelepípedo alto de secção octogonal. O fuste é ainda octogonal, de arestas boleadas, e bojudo na parte inferior, sendo visualmente dividido em quatro troços
(progressivamente mais estreitos) por três largas molduras de pedra picada. O remate é em forma de pinha octogonal rebaixada, de onde emerge a haste torneada do espigão. Mede cerca de 7,2 m. » (SML DGPC)
Pelo Centro Histórico de Oeiras
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
Tabernas e adegas
* Victor Nogueira
A minha estada em tabernas foi sempre ocasional, salvo quando ia a Santo Amador (Moura) ou à Salvada (Beja), acompanhando os meus cunhados, o João ou o Manuel.
.Exceptuando eu, o "mano" da cidade, toda a malta bebia vinho mas, a partir de certa altura, os meus cunhados e outros passaram a beber ... chá.
Para alem da conversa, jogávamos às cartas, na Salvada, para grande desespero do Janicas que levava as partidas de sueca muito a sério, fazendo-me sinais que eu não decifrava malogrando as jogadas.
Breves referências a tabernas encontram-se nas minhas Notas e Memórias de Viagens. Relacionadas com as tabernas estão a venda de bebidas alcoólicas e o slogan "Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses", uma campanha da Junta Nacional dos Vinhos
Por isso se referem as adegas, isto é, o lugar onde o vinho é armazenado em garrafas, barris ou em barricas, mas que também pode ser vendido como se taberna fosse. Consumo de vinho que com as sopas de cavalo cansado muito embruteceram criancinhas e milhões de portugueses in illo tempore.
Uvas fonte de saúde e de alegria
Cartazes de Mário Costa, produzidos em 1938 para a Junta Nacional dos Vinhos
Évora - Quis saber o que eu fazia - se era escritor e já escrevera o meu livro - e não acreditava que eu vivesse do ar e do vento. Enfim, que se tivesse 25 anos como eu estava mas é em Lisboa, que isso sim! E lá se ia agitando desequilibradamente o velho (de 57 anos), num asilo, convidando me (ou convidando- se) para um copo ali na taberna, beata ao canto da boca com um grande morrão e deitando perdigotos como nuvem rota em dia de inverno. Mas nem queiras saber a insistência com que ele duvidava da ida dos homens à Lua. (MCG - 1972.10.23)
Vimieiro (Arraiolos) - Daqui a pouco tenho de ir até à venda, ponto de encontro. Não me apetece estar lá, forasteiro. Antes esta quietude, esta serenidade do entardecer. Pássaros chilreiam e dois cães param além na esquina. Não é a primeira vez que estou nesta aldeia, tão grande ou maior que a Amareleja. Estou agora a fazer inquéritos à vida das famílias. (...) [Entro na taberna]: pedra ao longo das paredes, na altura de um homem, pintada de verde, um balcão corrido azulejado da mesma cor, uma ventoinha, um televisor e um frigorífico. Prateleiras cheias de garrafas, rebuçados e tabaco. Mesas oleadas e cadeiras, tresandando e brilhando de gordura. Em pé ao balcão ou sentados às mesas, homens que não primam pela elegância no vestir, bebem o seu copito e trocam o seu dedito de conversa. (MCG - 1973.03.16)
Igrejinha (Arraiolos) - Escrevo dum café aqui na Igrejinha, enquanto espero que o empregado me traga os comes e bebes que enganarão o estômago até à hora do jantar, em Évora. A tarde hoje está "porreirinha", mas a produtividade tem sido pouca. (..) A Igrejinha tem sido para mim uma terra "difícil". Numa venda, um velhote meio cego queria que eu o inquirisse, porque tinha muito que falar. Que nós só escolhíamos quem queríamos para falar e não quem sabia e dizia isto batendo com uma grossa bengala no chão. Tive pois que tentar desenlear os enredos de que me apercebi. Quando dei por isso estava no centro duma multidão, que na maioria me dava razão - pelo menos ali - incluindo o velhote, agora mais calmo. Eu até nem sabia que uma mulher me tinha posto na rua (segundo as conversas dela com as vizinhas) porque eu andava a querer saber da vida dela (se poupava dinheiro, onde o guardava, se fora ela que dera de mamar aos filhos, se o médico assistira ao parto...) - Tinha-la inquirido sobre a Vida da Família, cujo inquérito tem perguntas delicadas. e ela mostrara-se muito agreste e desconfiada, atitude que até compreendo, tanto mais que o marido emigrara há 15 dias. Mas depois do meu discurso as pessoas davam-me razão, que sim, que já outros tinham andado a fazer aquelas "procuras" ("A minha mulher e eu também respondemos e não tinha nada de mal, nenhuma falta de respeito" ou "Sempre há gente muito estúpida!") E assim se amainou a tempestade.
Mas outra me esperaria, ao inquirir um taberneiro velhote que é seareiro (este ano é o último, pois aquilo não dá) Às tantas um homem com ar espertalhote (46 anos, ao que me disse) intrometeu-se na conversa, porque quisera emigrar mas não pudera por causa da idade. E vai daí gerou-se uma conversa sobre o que valia mais, se o lido (estudos) ou o corrido (prática) e, portanto, se um jovem ou um homem da idade dele ("Qual escolhia o senhor?", perguntava-me); sobre o estado da agricultura, cuja solução, para os presentes (suponho que seareiros e proprietários ou rendeiros de quintais de 0.5 a 5 ha.) era a distribuição das grandes terras por quem quisesse nelas trabalhar, completamente inconscientes de que o mundo é outro para além daquelas terras, insensível a métodos e processos de exploração agrícola ultrapassados, sem respeito pelo "corrido" doutras eras. Um outro proprietário com quem falara - esse já com propriedades maiores, estava consciente - como alguns outros - da necessidade do cooperativismo e da agricultura de grupo, da mecanização e da introdução de novas culturas e processos de cultivo, do regadio e da exploração pecuária (que não é ter meia dúzia de ovelhas e uma vaca). Mas as pessoas, segundo eles, são muito desconfiadas, pensam sempre que o vizinho o quer enganar e armam-se em "espertalhões". (Notas de Viagens 1973.03.26)
Pinhal Novo - Pelo vidro da montra do café avista-se o edifício da estação dos caminhos de ferro: conto 4 chaminés, enquanto se cruzam um miúdo de bicicleta e um tractor com atrelado. Um vasto rossio de terra batida estende-se lá fora, rodeado de casas caracteristicamente incaracterísticas. Lá ao fundo, uma mata enfezada e amarelecida. Alguns carros parados e pessoas sentadas pelos bancos. O café do leite sabe mal. No largo uma igreja por caiar, um coreto e um parque infantil, tudo com um ar desgracioso.
Aqui no café as pessoas jogam à "batota", ali num canto, enquanto outras duas estão lendo os jornais. Um outro personagem, atarracado, de boné e óculos, vai vasculhando a carteira e lendo os papéis que dela retira. Por trás de mim ouço vozes e algaraviada, bem como os tacos batendo nas bolas de bilhar. O casaco incomoda me, pois tolhe-me os movimentos. Sinto-me encalorado. (...) São quase 17 horas e daqui a 10 minutos é o comboio. Farto-me de percorrer um Portugal desconhecido. (Notas de Viagens1974.11.28)
Lisboa - Já era tarde para jantar em Paço d'Arcos e dei uma volta, acabando por vir parar a um restaurantezeco aqui no Cais do Sodré, mesmo na rua dos bares e das prostitutas. Na cadeira ao meu lado ronrona um enorme gato. (MCG - 1975.03.25)
Amanhã regresso a Évora com o João Lucas. Vim ontem com o Viegas e a Violete; chegámos já tarde a Lisboa, onde jantei na tasca habitual lá para o Cais do Sodré, onde passeia o "bas fond" cá da cidade: prostitutas, chulos, clientes e chuis. (MCG - 1975.06.29)
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