Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura. Mostrar todas as mensagens

sábado, 8 de novembro de 2025

(31) Os Moinhos e os Moleiros na Literatura Portuguesa e Universal







* Victor Nogueira

 "Encarreguei" o chatGPT de fundir num único texto as duas publicações indicadas no final, sendo este o resultado obtido:

Os moinhos e os moleiros na literatura portuguesa e universal

Desde tempos remotos, o moinho acompanha o ser humano como engenho de sobrevivência, símbolo de trabalho e presença poética. Movido pelo vento, pela água ou pelas marés, representa a tentativa do homem de dominar a natureza e transformá-la em pão, energia e vida. O moleiro, guardião desse engenho, situa-se na fronteira entre o humano e o natural, o quotidiano e o mítico, sendo figura constante na literatura portuguesa e europeia. Tanto como símbolo da persistência e humildade do trabalho quanto como personagem de sonho, memória e destino, o moleiro encarna a relação do homem com a natureza e com o tempo.


Os moinhos na literatura portuguesa

Em Portugal, os moinhos surgem predominantemente como elementos de cenário que evocam o ambiente rural, a tradição e a nostalgia, raramente assumindo papel central como ocorre no célebre episódio dos moinhos em Don Quijote de la Mancha de Miguel de Cervantes. No Realismo e Regionalismo, especialmente, eles enriquecem a descrição do meio rural e ajudam a construir a identidade local, servindo de pano de fundo para encontros, intrigas e retratos de vida simples.

Funções literárias dos moinhos

  • Pano de fundo etnográfico: em Camilo Castelo Branco ou Júlio Dinis, os moinhos e os moleiros integram a paisagem rural, reforçando a verosimilhança social e o colorido local.

  • Símbolo do tempo e da vida: o movimento incessante das velas e rodas simboliza o ciclo da vida e o labor contínuo do homem rural.

  • Identidade regional: no Alentejo, Ribatejo ou Beira, os moinhos marcam a paisagem e a tradição de cada região.

  • Poesia e canto popular: na poesia lírica e na tradição oral, moinhos e moleiros surgem associados ao amor, à saudade e à memória da vida rural.

Exemplos na literatura portuguesa

Embora presentes e simbólicos, os moinhos raramente ocupam papel protagonista na literatura portuguesa, contrastando com episódios emblemáticos da literatura universal.


O moinho e o moleiro na literatura universal

O moinho tem significado transversal na cultura europeia, assumindo conotações de utopia, nostalgia, destino e conflito com a natureza. O moleiro é uma das personagens rurais mais antigas, variando entre herói moral, trabalhador humilde, figura trágica ou contemplativa.

Exemplos notáveis

  • Don Quijote de la Mancha (Miguel de Cervantes, 1605–1615): os moinhos de vento simbolizam a luta ilusória contra forças imaginárias.

  • The Mill on the Floss (George Eliot, 1860): o moinho centra o destino trágico de Maggie Tulliver, representando o fluxo do tempo e a relação do homem com o rio.

  • Lettres de mon moulin (Alphonse Daudet, 1869): o moinho como lar poético e observatório da vida rural.

  • Der Schimmelreiter (Theodor Storm, 1888): o engenheiro enfrenta a natureza, e o moinho simboliza a audácia humana e a inevitável derrota.

  • Il Mulino (Giovanni Verga, 1883): o moleiro siciliano confronta a miséria, refletindo o verismo trágico.

  • Die schöne Müllerin (Wilhelm Müller, 1823): ciclo de poemas sobre aprendiz de moleiro, amor e tragédia romântica.


O moinho e o moleiro na literatura portuguesa moderna

Durante o Romantismo, o moinho surge como emblema do mundo rural e das virtudes do povo:

  • Almeida Garrett, O Moleiro de Santarém: balada popular com o moleiro como herói humilde.

  • Guerra Junqueiro, Os Moinhos: símbolo do labor humano e da presença divina nas tarefas cotidianas.

  • Teófilo Braga e Adolfo Coelho: o moleiro aparece em contos e lendas como figura popular astuta, muitas vezes confrontando o sobrenatural.

No Realismo e Naturalismo, o moinho adquire conotações de isolamento e decadência rural:

  • Júlio Dinis, As Pupilas do Senhor Reitor: cenário pitoresco com moleiro integrado na aldeia.

  • Fialho de Almeida, “O Moinho”: espaço de solidão e luta, moleiro figura trágica da vida no Alentejo.

No século XX, os moinhos e moleiros assumem valores de memória, destino e resistência:

  • Raul Brandão, Os Pescadores: moinhos de maré como metáfora da passagem do tempo.

  • Miguel Torga, “O Moleiro”: figura trágica e resistente à dureza da terra.

  • Tomaz de Figueiredo, Os Moinhos da Maré: o moleiro preso ao ritmo repetitivo da maré.

  • Sebastião da Gama, O Moleiro do Mar: trabalho do moleiro como poesia do quotidiano.

  • Aquilino Ribeiro, Quando os Lobos Uivam: moleiro como símbolo de autonomia e sabedoria.

  • Vergílio Ferreira, Manhã Submersa: evocação nostálgica do mundo rural perdido.


Conclusão

O moinho e o moleiro são símbolos universais do ciclo da vida e do esforço humano.
Na literatura portuguesa, predominam como cenário e metáfora do labor humilde, enaltecido pela poesia.
Na literatura universal, simbolizam a utopia, a luta contra o destino e a inexorabilidade da natureza.

O moinho, sempre em movimento, e o moleiro, entre o engenho e a contemplação, refletem a persistência, a memória e a esperança humanas — espelhos literários do esforço e da condição do homem perante o tempo e a natureza.


Referências bibliográficas

  • Almeida, Fialho de. Contos. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, c.1890.

  • Brandão, Raul. Os Pescadores. Lisboa: Ática, 1923.

  • Cardoso Pires, José. O Delfim. Lisboa: Moraes, 1968.

  • Cervantes, Miguel de. Don Quijote de la Mancha. Madrid: Francisco de Robles, 1605–1615.

  • Daudet, Alphonse. Lettres de mon moulin. Paris: Hetzel, 1869.

  • Dinis, Júlio. As Pupilas do Senhor Reitor. Porto: 1867.

  • Eliot, George. The Mill on the Floss. Londres: Blackwood, 1860.

  • Figueiredo, Tomaz de. Contos Rústicos. Lisboa: Bertrand, 1946.

  • Gama, Sebastião da. Campo Aberto. Lisboa: Portugália, 1951.

  • Garrett, Almeida. Romanceiro. Lisboa: Imprensa Nacional, 1843–1851.

  • Junqueiro, Guerra. Os Simples. Porto: Magalhães & Moniz, 1892.

  • Müller, Wilhelm. Die schöne Müllerin. Leipzig: 1823.

  • Oliveira, Carlos de. Assobio para a Gata. Lisboa: Sá da Costa, 1943.

  • Redol, Alves. Gaibéus. Lisboa: Cosmos, 1939.

  • Ribeiro, Aquilino. Quando os Lobos Uivam. Lisboa: Bertrand, 1958.

  • Storm, Theodor. Der Schimmelreiter. Berlim: Paetel, 1888.

  • Torga, Miguel. Contos da Montanha. Coimbra: 1941.

  • Verga, Giovanni. Novelle rusticane. Milão: Treves, 1883.

  • Vergílio Ferreira. Manhã Submersa. Lisboa: Bertrand, 1954.

  • Braga, Teófilo e Coelho, Adolfo. Contos Tradicionais do Povo Português. Lisboa: 1883

 "Encarreguei"  o IA overview do Google   de indiar-me do me pesquisar o que nesta publicação  é o título   sendo o que a seguir trancrevo o resultado final apurado.    Restrito a literatura portuguesa, os seusresultados foram diferentes, embora omplemetares dde pesquisa semelhante do chat GPT.


Foto:s

O moleiro Joaquim das Neves   junto à antiga pousada de São Brás de Alporte

Azenhas no Rio Ave, junto a Ponte D. Zameiro,   que liga Bagunte e Macieira da Maia

CONTINUA EM 

Os moinhos na literatura portuguesa  

Os Moinhos e os Moleiros na Literatura Portuguesa e Unversal

domingo, 26 de outubro de 2014

o parque dos poetas em oeiras - uma outra deambulação

* Victor Nogueira (fotos)



Os Poetas

Na totalidade dos seus 25 hectares, o Parque dos Poetas vai ter representados 60 poetas – 50 portugueses e 10 de países ou territórios de expressão portuguesa.

Os vinte poetas do século XX que estiveram na génese do Parque dos Poetas estão representados na primeira fase (inaugurada em 2003), em esculturas da autoria de Francisco Simões.

Na zona B da segunda fase (inaugurada em 2013) estão retratados outros 13 poetas, representativos do período compreendido entre os séculos XII e XVII – dos Trovadores aos Poetas da Renascença.

Os restantes 27 autores estarão representados nas zonas do Parque ainda em obra, completando-se assim o leque de poetas do Barroco ao Romântico (séculos XVIII e XIX) e dos países ou territórios de expressão ou cultura portuguesa.

De registar que para a seleção dos poetas foram consultadas instituições como a Sociedade Portuguesa de Autores, as Faculdades de Letras de Lisboa, Porto e Coimbra, a Biblioteca Nacional, a Associação Portuguesa de Escritores, a Universidade Nova de Lisboa e as Embaixadas dos diferentes países de origem dos escritores.

Para a escolha dos artistas plásticos foram indagadas entidades como a Academia e a Sociedade Nacional de Belas Artes, a Associação Internacional de Críticos de Arte e as Faculdades de Belas Artes de Lisboa e Porto.

http://parquedospoetas.cm-oeiras.pt/?page_id=104

~~~~~~~~~~

O Parque dos Poetas, inaugurado em 1993, está localizado na zona alta de Oeiras, nas proximidades do centro comercial Oeiras Shopping. Tem 10 hectares que incluem praças, alamedas, um auditório ao ar livre, uma fonte cibernética, entre outros recantos que fazem as delícias dos visitantes. As infra-estruturas incluem ainda um parque infantil, um parque polidesportivo e o estádio municipal de Oeiras, conferindo a este parque um carácter também desportivo que serve de palco a muitas actividades de desporto e lazer sobretudo nos meses de Verão. O projecto da Câmara Municipal de Oeiras, de co-autoria dos arquitectos paisagistas Francisco Caldeira Cabral e Elsa Severino, resulta da vontade de homenagear os poetas e a poesia nacional, nasce de um conceito inicial de David Mourão Ferreira e do escultou Francisco Simões.

As obras escultóricas estão espalhadas um pouco por todo o parque, contando-se 60 referências a poetas nacionais ou de países de expressão portuguesa. O parque é atravessado pela Alameda dos Poetas, sendo o seu percurso principal que surge ladeada por várias “Ilhas” e jardins temáticos onde se instalaram as esculturas. Nomes como Florbela Espanca, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrada, Fernando Pessoa, José Régio, entre muitos outros ficaram imortalizados nesta homenagem. Nas zonas circundantes do parque, os visitantes dispõem de cerca de 700 lugares de estacionamento e o acesso de transportes públicos é possível, a partir da estação de Paço de Arcos, utilizando o SATU, um moderno metro de superfície não tripulado, digno do século XXI.

http://www.ezimut.com/pois/parque-dos-poetas









Fernando Pessoa






Manuel Alegre



Natália Correia








sábado, 25 de outubro de 2014

Oeiras - no Parque dos Poetas, em torno da Camões, das ninfas e da Ilha dos Amores

* Victor Nogueira (texto e fotos)


No espaço arquitectónico do parque dos Poetas surge um lago com uma ilha e uma gruta, evocando o espaço descrito por Luís de Camões no episódio da Ilha dos Amores, no canto IX de Os Lusíadas. Aqui se despenha em cascata o curso de água que percorre esta zona do Jardim em meandros mais ou menos sinuosos e argênteos, por entre pedras roladas. Ultrapassado o declive, a água espraia-se em lençol de água bonançoso, rodeando a Ilha dos Amores, marginada por um pequeno Jardim Botânico de espécimes exóticos. A estatuária de diversos materiais é da autoria do escultor Francisco Simões. Na “gruta” e na parede representam-se vários episódios do Canto IX dos Lusíadas, o tal cuja leitura era censurada no tempo do fascismo, atendendo ao seu caracter erótico, desapropriado em heróico e épico poema que cantava as armas e os barões assinalados que contemporâneos como Diogo de Couto e Fernão Mendes Pinto, entre outros, não glorificavam. Bem pelo contrário.





































a Ilha dos Amores e as ninfas








a gruta de Camões e a representação de episódios do Canto IX d'Os Lusíadas

vem de Oeiras - de novo no Parque dos Poetas