Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Fotos de capa em novembro 26

 * Victor Nogueira



2021 11 26 Foto Victor Nogueira - Estação ferroviária de Pinhal Novo - Painel de azulejos representando o pelourinho, vendo-se ao fundo a torre sineira da Igreja de S. Pedro. (rolo 215)


2020 11 26 foto victor nogueira - Lisboa - Olivais Velho - chafariz e coreto (rolo 238)

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2016 11 26 - 5 CANÇÕES POR FIDEL

A 1ª vez que ouvi falar de Fidel foi em 1959, com a virulenta campanha contra a Revolução Cubana movida pela imprensa ocidental, incluindo a de Luanda, onde imperava o "Visado pela Censura" fascista portuguesa.

Independentemente do rumo que a Revolução Angolana e o MPLA tiveram depois de 1975, Cuba teve um papel determinante na derrota do regime de apartheid na África do Sul e na independência da Namíbia, tal como as Guerras de Libertação lideradas pelo PAIGC, FRELIMO e MPLA contribuíram para o 25 de Abril.

A História é feita de avanços e processos cujo desenvolvimento e desenlace estão muito para lá do que o nossa efémera passagem por este Planeta e pelo Universo permite apreender e compreender.




2015 11 26 Foto de família em luanda, a pose de estudante



2014 11 26 Foto de família - Luanda e Praia do Bispo, cerca de 1959

Esta foto foi tirada da varanda do quarto dos meus pais e nela se vê o braço de mar que separava a avenida da Ilha do Cabo, defronte, braço de mar presentemente assoreado e com a água substituída por um bairro de lata.. Já no tempo da foto e na maré baixa podia fazer-se a travessia quase completa a pé. O carro na foto foi o 1º que a minha mãe comprou, em 2ª mão, depois da concretização da sua decisão de empregar-se, apesar da oposição do meu pai, educado à moda antiga.  Com efeito, ao chegar a Luanda em 1945 ofereceram-lhe vários empregos como engenheira química mas o meu pai opôs-se a que os aceitasse. O carro era um Ford Consul, cinzento e verde. Mais para lá do mar-oceano, na outra margem do atlântico sul, fica o Brasil.

em torno dos "gasolinas"

quinta-feira, 27 de maio de 2021

É a guerra, é a guerra!

  Victor Nogueira


Fausto - "A guerra é a guerra" do disco "Por Este Rio Acima"  

Há por esse país fora muitos largos, praças, ruas ou avenidas dedicadas aos Combatentes ou Mortos da Grande Guerra e aos Heróis ou Combatentes da Guerra do Ultramar. Lembrados também em monumentos escultóricos. Aqui se coligem os textos das minhas Viagens em que tal é referido, incluindo fotografias de minha autoria.


Alpedriz Pertencendo a Alpedriz, encontra-se a povoação de Montes, por onde andaram os romanos, sendo visível a Igreja de S. Vicente, de traça moderna, em cuja fachada se encontra gravada uma lista dos filhos da terra mortos na I Guerra Mundial. No interior do templo a via sacra está representada por baixo relevos polícromos, e no exterior, sobre um pilar de prata, encontra-se uma imagem de Santa Maria. (Notas de Viagem, 1998.02.22)


Batalha  De Fátima fomos à  Batalha ver o Mosteiro. Lembro-me das Capelas Imperfeitas, de quando cá estive em 49/50. Gostei bastante de ver o Mosteiro, que é de calcário. Vi os claustros, a Sala do Capítulo, onde se encontra o Túmulo do Soldado Desconhecido. É proibido dar donativos naquela sala, mas os visitantes metiam-nos no bolso do sentinela que lá estava perfilada. Vimos a sala de 14/18, mas à pressa. Eu gosto de ver as coisas calmamente. (1963.09.02 - Diário III)

Cós (Coutos de Alcobaça)  No adro da igreja, onde sobressaem palmeiras, uma lápide regista o nome dos filhos da terra mortos na Guerra de 1914/18. A pintora Josefa de Óbidos havia pintado alguns quadros para o Convento, dispersos após a extinção das Ordens Religiosas na sequência das Revoluções Liberais do século XIX. .(Notas de Viagem, 1997.10.31)


Covilhã Jardim principal - com miradouro debruçado sobre a Serra. Igreja de S. Francisco (da estrutura gótica primitiva restam duas capelas tumulares). Monumento aos mortos da grande guerra. (1998.07.08/12)


Évora - Jardim Público. Onde está uma oliveira com uma lápide que reza assim:  "Oliveira plantada em 14 de Julho de 1919 comemorando a Paz Universal após a Guerra dos Povos Aliados contra a Alemanha" (NSM - 1969.01.26)

Évora Dentro de momentos a Praça do Giraldo será cenário duma  manifestação [do 10 de Junho] que pretendem grandiosa e durante a qual se enaltecerá essa gloriosa e alegremente sacrificada juventude portuguesa que em terras de África defende a herança dos seus avoengos, numa guerra santa sobre cujos fundamentos se não admitem dúvidas.  (...) Está uma manhã cheia de sol, contrastando com o pluvioso e cinzento dia de ontem. Pela janela aberta chegam-me aos ouvidos o chilrear dos pássaros e os discursos transmitidos pelos autofalantes, na cerimónia que se realiza a dois passos daqui, entrecortados por salvas de palmas. (NSF - 1969.06.10)

Évora À minha direita dois velhotes conversam: um deles conta qualquer episódio relacionado com a sua estadia na Grande Guerra de 14/18. (…)  Mais velhotes sentam se ao lado da minha, iniciando amena cavaqueira. Agora reparo que esta é a mesa deles. Adeus, estudo. Um deles diz que os gajos da situação são os que mais maldizem o Marcelo [Caetano] e os que mais o homenageiam. (MCG - 1972.09.28)

Évora No Giraldo Square erguem-se bancadas e toldos, que vedavam ao trânsito automóvel a rua da Selaria (ou 5 de Outubro). O Giraldo é uma "bancadaria" para [comemorações d]o 10 de Junho, que este ano deve ser comemorado em grande, para compensar os desastres que se vão averbando na Guiné e no Norte de Moçambique. (...) Domingo próximo, em Portugal de lés a lés, viver-se-ão jornadas de fervor patriótico! (MCG - 1973.06.07)

Évora Num ápice o Arcada enche-se. Terminaram as condecorações, os toques de clarim e o desfilar das forças em parada. Já ontem se notavam muitos forasteiros que de longes terras vieram até ao povoado. Aqui à minha direita, muito ternos, uma moça conversa com o namorado e deixa entrever um grande pedaço da pele das costas, entre as calças e a blusa. Questões de posição! À esquerda, um marinheiro com familiares (?) exibe a sua condecoração de fresca data. Além o senhor Jaime abre e fecha os braços, como asas, enquanto vai dando lustro aos sapatos de um cliente. Passam empregados com as bandejas cheias de chávenas, copos e comes. (...) O marinheiro levanta-se e parte. Afinal a bengala não é dele mas do amigo que o acompanha. O senhor Tenente e o senhor Coronel cumprimentam-se, batem a pala e apertam as mãos, enquanto as respectivas esposas se beijam. Na carequinha do senhor Coronel o vinco na pele assinala a presença do boné, agora sobre a cadeira. Entram pessoas de luto e há cumprimentos de mesa a mesa. Precisava duma câmara de filmar. ( MCG - 1973.06.10)

Évora Levanto os olhos e vejo muitos magalas, na sua farda verde oliva. Andam também pelas ruas, aos grupos, espalhafatosos, como quem já tem o seu grão na asa. "Cheira-me" que haverá dentro em breve mais um contingente para a guerra em África. Alguns escrevem, curvados sobre o papel, a caneta firme na mão, como quem não está habituado a frequentes escrituras. Parecem rapazes muito novinhos; uns conversam, irrequietamente, outros têm um ar absorto, ausente.(MCG - 1973.11.26)

Os magalas ainda não embarcaram, continuando a encher ruas e cafés.(MCG - 1973.11.27)
 

Lisboa Após o almoço fomos ver o Museu Militar, de que também gostei. No Museu de Angola, em Luanda, também temos algo, mas não se pode comparar a este. Gostaria de tê-lo visto com mais vagar. Seguimos pela Avenida Marginal até à Torre de Belém.  (Diário III 1963.09.10 págs. 354/355)

Lisboa No dia 21 de Fevereiro os estudantes de Lisboa pretenderam fazer uma  manifestação de protesto contra a guerra no Vietname, não aceitando a pesada responsabilidade que os americanos pretendem dividir com o mundo ocidental. Essa manifestação culminaria com a entrega dum abaixo assinado. (...) A manifestação estava marcada para defronte da Embaixada dos EUA, na Av. Duque de Loulé, para a mesma hora da chegada do Almirante Américo Tomás da sua visita à Guiné. Pelo que me contaram a polícia de choque e os cães polícias (para quê tanto aparato ?!) obrigaram os estudantes a dispersar. Estes foram até à Avenida Almirante Reis e ali, encurralados, foram presa fácil para a  Polícia de Inducassão e Defesa dos Estudantes. Apenas a RTP e um dos jornais diários falaram do incidente. (...) 

(Ao slogan "Abaixo a Guerra no Vietname" seguiram-se "Abaixo o Fascismo" e "Abaixo a Guerra Colonial". ...)  Semanas antes, na Universidade do Porto,  s estudantes boicotaram a visita do Embaixador dos EUA aquela Universidade. (NSF - 1968.03.21)

Lisboa Começando naquela Igreja e estendendo-se quase até ao Rio, passando ao lado da Igreja de Santa Engrácia, Panteão Nacional, estende-se Feira da Ladra onde se encontra um pouco de tudo. ( ) Especialmente roupa, mas também fardas, sapatos, capacetes de aço e caixas vazias de munições (relíquias da I Guerra Mundial ?), malas, sacos, carteiras, ferro-velho, antiguidades, móveis, moedas... enfim. De tudo o que vi, no entanto, só me interessava um par de candelabros. Mas não cheguei a perguntar o preço. Havia um jardim com vista para o rio e para a parte baixa da Feira. As ciganas vendiam roupa e tinha a sua piada ver as pessoas experimentarem calças por cima das que traziam vestidas. Havia de ser uma grande experimentação! Já eram 17 horas quando lá chegámos. Havia um mar de gente modesta (mais alguns hippies e estrangeiros), que se acotovelava e furava, enquanto os automóveis passavam tangentes aos peões e buzinavam.  

Não comprei nada. Só me interessavam antiguidades, mas receio ser facilmente enganado, pois não sei avaliar aquela mercadoria. Mas estendais de antiguidades havia poucos; a maioria era ferro-velho: dobradiças, fechaduras, chaves enormes, bicos de fogões a gás... Ouvi lá um negociante de antiguidades dizer a outro que à 3ª feira o negócio é melhor. (XXX - 1973.09.23) 


Maiorga Um minúsculo largo é o centro desta antiga vila, onde se encontram o pelourinho (que lhe dá o nome), a antiga igreja da Misericórdia ou do Espírito Santo, com o seu portal manuelino, hoje desactivada e que foi entretanto escola de música, mesmo ao lado da sede do clube da terra (Sociedade Filarmónica de Maiorga) e do edifício da nova igreja, de S. Lourenço, com o seu adro arborizado, templo despretensioso, com um relógio de sol na fachada principal e um altar barroco. Neste mesmo largo um fontanário com azulejo de Santo António tem a inscrição de que se trata duma Obra da Ditadura (1933), como aliás consta dum outro mais pobre existente noutro largo, isto sem falar num cruzeiro dedicado Ao Portugal Eterno e num memorial aos combatentes do Ultramar (1993), este no Largo dos Combatentes. Não obstante estes testemunhos, a rua principal denomina se do 25 de Abril e nela existe uma casa em cuja fachada figura um painel de azulejos representado o aviso Afonso de Albuquerque, talvez o que foi afundado na chamada Índia Portuguesa quando da invasão pela União Indiana. . (Notas de Viagem, 1998.02.21/22)


Pederneira Aqui, no cimo do promontório a sul, esteve a primitiva povoação, com o edifício da antiga câmara - com torre sineira e brasão de armas - e o pelourinho, entretanto roubado e substituído pelo tronco petrificado duma árvore. (...)  A Igreja Matriz, de N. Sra. das Areias, tem o interior coberto de azulejos não figurativos, e uma lápide recordando os nomes dos três filhos da terra mortos na I Grande Guerra  (Notas de Viagem, 1997.10.31)


Porto Na 2ª feira [10 de Junho] fui, com o avô Luís, assistir [na Avenida dos Aliados] às condecorações militares que se distinguiram no Ultramar. Estava muito povo a assistir. Em seguida fomos ao café e voltámos para casa. . (Diário III, 1963.06.10/13)


Vendas Novas, no caminho de Évora para Setúbal, nada tem de relevante: uma povoação de casas dum ou dois pisos, uma larga avenida de passagem com comércio e alguns cafés, para além dos canhões na parada fronteira ao quartel, espécie de museu militar que desperta a tenção do viandante apressado. (Notas de Viagens, 1997)


Vila Real Rua Sarmento Pelotas, herói da I Guerra Mundial, que vai dar ao rio. Varandas de madeira e cruz em madeira do Senhor dos Desamparados. Portal com almofadas e ombreira superior trabalhadas. (1999.09.02)

Coimbra 1976 08 - Estátua em bronze erguida em homenagem aos "Heróis do Ultramar", da autoria de Cabral Antunes, foi inaugurada a 10 de Junho de 1971, pela Câmara Municipal de Coimbra, e representa um soldado a empunhar uma arma e a transportar uma criança aos ombros. 


Lisboa - Museu do Combatente Forte do Bom Sucesso)


Lisboa - Memorial junto ao Forte do Bom Sucesso


Oeiras - Aos mortos da Grande Guerra 1914 / 1918 -   Aos combatentes mortos pela Pátria







Oeiras - Aos filhos do Concelho de Oeiras caídos na Guerra do Ultramar 1961 / 1975 - (21 de Junho de 1997)




Oeiras - Monumento Presença do Soldado Português em África, de autoria de Maria Morais (10 de Junho de 2013)

Oeiras - Cemitério - Talhão dos mortos da Grande Guerra - a inserir




Porto - Praça Carlos Alberto - Monumento aos Mortos da Grande Guerra, da autoria de Henrique Moreira, "1914. Aos Mortos da Grande Guerra. A cidade do Porto. 1918"




Porto - Cemitério de Agramonte - Talhão dos Mortos da Grande Guerra







Setúbal - Cemitério de N Sra da Piedade - Memorial e talhão dos mortos da Grande Guerra e da Guerra Colonial



Setúbal  - Largo Almirante Reis - Monumento aos mortos da Grande Guerra

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

fotos de capa em 26 de novembro

 * Victor Nogueira


2020 11 26 foto victor nogueira - Lisboa - Olivais Velho - chafariz e coreto (rolo 238)

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2016 11 26 - 5 CANÇÕES POR FIDEL

A 1ª vez que ouvi falar de Fidel foi em 1959, com a virulenta campanha contra a Revolução Cubana movida pela imprensa ocidental, incluindo a de Luanda, onde imperava o "Visado pela Censura" fascista portuguesa.

Independentemente do rumo que a Revolução Angolana e o MPLA tiveram depois de 1975, Cuba teve um papel determinante na derrota do regime de apartheid na África do Sul e na independência da Namíbia, tal como as Guerras de Libertação lideradas pelo PAIGC, FRELIMO e MPLA contribuíram para o 25 de Abril.

A História é feita de avanços e processos cujo desenvolvimento e desenlace estão muito para lá do que o nossa efémera passagem por este Planeta e pelo Universo permite apreender e compreender.



2014 11 26 Foto de família - Luanda e Praia do Bispo, cerca de 1959

Esta foto foi tirada da varanda do quarto dos meus pais e nela se vê o braço de mar que separava a avenida da Ilha do Cabo, defronte, braço de mar presentemente assoreado e com a água substituída por um bairro de lata.. Já no tempo da foto e na maré baixa podia fazer-se a travessia quase completa a pé. O carro na foto foi o 1º que a minha mãe comprou, em 2ª mão, depois da concretização da sua decisão de empregar-se, apesar da oposição do meu pai, educado à moda antiga.  Com efeito, ao chegar a Luanda em 1945 ofereceram-lhe vários empregos como engenheira química mas o meu pai opôs-se a que os aceitasse. O carro era um Ford Consul, cinzento e verde. Mais para lá do mar-oceano, na outra margem do atlântico sul, fica o Brasil.

em torno dos "gasolinas"

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

o regresso a Luanda, em 1974

* Victor Nogueira



Foto de família - o regresso  a Luanda, em Maio de 1974, após a "licença graciosa". 

Completamente alheia ao terramoto que foi o 25 de Abril, a minha mãe regressou a Luanda.

Em 1966 vim para Portugal, prosseguir estudos universitários, num país que então já era para mim o "estrangeiro"




As minhas idas a Luanda a partir de 1967 acabavam em "tragédia" com o meu pai,  contra a minha vontade,  puxando a conversa para a política e eu lhe contrapunha  que aquela era uma guerra perdida e que a independência de Angola era inevitável, quer com um regime multi-racial como o preconizado pelo MPLA, quer com um regime da minoria branca, como o de Ian Smith na Rodésia do Sul,

Se havia "censura" em Portugal, a partir de 1961 ela passou a ser férrea em Angola, até aí mais liberal, com a autêntica manipulação de que "Angola é nossa", mesmo influenciando  quem até aí não era afecto a Salazar e defendia a independência de Angola face a Portugal.+

A ironia é que o regresso tenha sido feito no transatlântico "Infante D. Henrique", da Companhia Colonial de Navegação (CCN), e que a tragédia tenha sido o chamado "retorno" a Portugal de centenas de milhares brancos e negros, pouco depois, muitos dos  quais nunca tinham estado em Portugal ou que de alma e coração, como o meu pai,  se consideravam não portugueses,  mas angolanos, que a long time ago haviam preconizado a independência de Angola multirracial, como defendia o MPLA.

A tragédia é que muitos brancos acabassem a defender a UNITA, um movimento racista e trIbalista, apoiado  pela PIDE e pela a União Sul-Africana, a do "apartheid".

Porque em abono da verdade se diga, nem o Manuel nem  a Maria Emília, alguma vez foram racistas ou defenderam o apartheid.


segunda-feira, 19 de abril de 2010

A minha guerra “Fechámos os quartéis e demos as armas”

 
Direitos reservados  A sair de um helicóptero durante missão em Cangonbé, no Leste  
A sair de um helicóptero durante missão em Cangonbé, no Leste
Correio da Manhã - 18 Abril 2010 - 00h00
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Para os comandos, a vida militar em Angola era feita de sobressalto. 
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.Tínhamos de estar sempre prontos para novas operações debaixo de fogo.

Nascido e criado em Lisboa, vivi em Campo de Ourique a minha juventude. Foi aos 21 anos que ingressei na vida militar, quando iniciei em Mafra a recruta em Infantaria. Corria o ano de 1972 e eu era um cadete. Não fazia ideia do que era África. 
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A 5 de Janeiro de 1973, acabado de fazer 22 anos, embarquei de avião para Angola. Nunca mais me esqueço do primeiro impacto quando chegámos a Luanda. Tínhamos deixado Lisboa com cinco graus, mas quando a porta do avião se abriu em Angola estavam 35. Era um calor sufocante que nos marcou logo desde o início da comissão.
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Tal como estava planeado, partimos para a Funda e Belo Horizonte, onde fizemos o curso de Comandos. Os dois primeiros dias até foram simpáticos – estivemos no Grafanil, onde se podia beber tudo o que quiséssemos sem pagar nada. Mal sabíamos o que nos esperava nos dias seguintes... A primeira prova que nos fizeram no curso de Comandos foi precisamente um teste de resistência à sede. Ao fim de várias horas sem beber nada, vi dezenas de camaradas desmaiarem. Éramos 300 a fazer o curso, e mais de metade dos soldados desfaleceu durante a prova de sede. Mas havia mais dificuldades para vencer. 
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À prova seguinte chamavam o ‘teste do mosquito’ e consistia em estarmos imóveis durante largas horas, proibidos de usar repelente e sem podermos enxotar os milhares de insectos que voavam à nossa volta. Lembro-me de um camarada que foi tão massacrado pelas picadas que, no fim da prova, a cara dele parecia um bolo. Estava irreconhecível.
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Depois de acabar o curso de Comandos fui mobilizado para o Leste de Angola, para a zona do Luso, hoje conhecida como Luenas. Juntei-me à Companhia de Comandos 2041 e os combates começaram pouco depois de termos chegado. Os Comandos tinham por missão fazer golpes de mão de grande rapidez e violência. Já graduado em alferes, comandei vários grupos de 30 homens. Partíamos em cinco helicópteros e mais um helicanhão e atacávamos onde fosse preciso. Nunca se podia dormir descansado, porque estávamos sempre prontos para ser chamados para nova missão a qualquer momento. 
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O Leste de Angola, a par com o Norte, era a zona onde a guerra era mais violenta e sabíamos que, para os Comandos, a missão nunca era fácil. Lembro-me que os primeiros combates em que participei foram na zona da N’riquinha, junto à fronteira com a Zâmbia.
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Aliás, aí acontecia um fenómeno curioso: Quando as nossas tropas deixavam alguns mantimentos (cerveja, comida, farinha) junto à fronteira, havia alguma tranquilidade. Se não houvesse essas ‘ofertas’ era certo que havia bombardeamentos com morteiros. Lembro-me de uma missão que tivemos em Lupiri, em que fomos muito maltratados pelo inimigo durante vários dias.
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A vida militar era dura, mas criavam-se laços de grande amizade e companheirismo. Sabíamos que qualquer um de nós estava disposto a dar a vida pelos outros. Havia muita coragem. Perdemos dois homens da companhia em combates e esses foram os momentos mais tristes que vivi em Angola.
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Em 1974, a minha Companhia foi colocada no Norte de Angola, em Salazar. Ficámos nas bases dos comandos em Piri e Úcua. Aí a guerra era ainda pior do que no Leste. O inimigo combatia com ferocidade e, ao contrário do Leste, que era plano e seco, a paisagem era de selva tropical, quase intransponível. Era muito difícil deslocarmo-nos naqueles terrenos e o inimigo aproveitava para nos atacar. Eu levava sempre a minha máquina fotográfica e fiz fotos incríveis dessas missões.
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Nem só de guerra se fez a minha passagem por Angola. É um país lindíssimo, que eu conheci de uma ponta à outra e fiquei fascinado. A vida em Luanda era um descanso, onde havia praia, marisco e mulheres lindíssimas. 
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Vivi o 25 de Abril de 1974 em Angola. A Revolução trouxe reacções muito diferentes, eu não gostei do que se passou. Fiz o meu dever como combatente, mas Angola foi entregue de mão-beijada a movimentos que não estavam preparados para receber o país. Durante os últimos meses que estive em Angola, fechávamos os quartéis de Luanda e entregávamos as armas, sabendo que os angolanos já as estavam a usar para se matarem uns aos outros e começar a guerra civil.
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Regressei a Portugal em Janeiro de 1975 e nunca mais voltei a Angola. Ali vivi os melhores dois anos da minha vida e também os piores dois anos da minha vida. 
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PAIXÃO PELA FOTOGRAFIA
Em Angola, Alberto Amado conheceu alguns dos melhores fotógrafos que trabalhavam na província ultramarina. Comprou a um deles uma máquina fotográfica Nikon F5, que nunca largava: "Ia sempre para as missões com ela e fiz fotos incríveis. Tenho imagens como nunca vi em lado nenhum", conta o antigo comando. Um dia, ele próprio foi protagonista de uma notícia, publicada na revista ‘Notícias’, de Angola: "Estava em Luanda e vi um carro a cair na baía. Atirei-me à água e consegui salvar a mulher que guiava o carro". Um fotógrafo captou o gesto de heroísmo. 
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PERFIL
Nome: Alberto Amado
Comissão: Angola (1973/1975)
Actualidade: Tem 59 anos e quatro filhos. Desempregado, trabalhava com automóveis



Alberto Amado, Angola (1973-1975)
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b

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Ecce Homo - fotografia e poesia

.* Victor Nogueira

Luanda (Foto de Família) 1952



Buçaco - 1998 (Foto Fátima Pereira) Kant_O_XimPi 



 Porto - 1988 (Foto Joana Princesa) -  Kant_O_XimPi -
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Huambo - o Zé depois do Juramento de Bandeira - 1972 10 15
(Foto jj castro ferreira)

Setúbal - Foto Victor Nogueira (1983)

Sintra - Foto Victor Nogueira (1978)

Caala - 1962  (Foto de Família)

Luanda (Foto J.J. Castro Ferreira- ?)

Luanda (1960) - Foto de Família

Luanda - 1951 07 - Baptismo do Zé


Luanda - 1951 - os três manos (o «criado» e os «meninos) Foto de Família

Homenagem a todos os que andaram comigo ao colo ou não,
que tratei sempre como iguais (Sebastião, Laurindo, Ambrósio, Fernando, senhora Maria - lavadeira - Amélia e outros)


Pituca - 1951 05 29 - 1987 02 26
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Ecce Homo
É tempo de chorar
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ECCE HOMO (1)

Era o dia 26 de Fevereiro
O Pituca morreu!
Encerrado em si
hirto no seu pijama azul
as mãos bonitas e o rosto frio
um vergão em torno do pescoço
o rosto violáceo
o ar sereno.
Longe vai o tempo da minha alegria
das nossas brigas
da nossa amizade
silenciosa
tímida
desajeitada.
Fica-me no pensamento
a lembrança de ti
nas coisas que me deste
os livros os posters
os bibelots as estatuetas
africanas as tuas pinturas
a Marilyn e o Pato Donald
os discos e as cassetes.
Memória da infância perdida
nas palavras silenciadas
Meu irmão!

Victor Nogueira - Poesia
1987.Dezembro.22 (1989.Março.10) - Setúbal


É TEMPO DE CHORAR

É tempo de chorar
silenciosamente
os nossos mortos
irmãos encerrados
encurralados
É tempo de chorar
enquanto
para lá desta hora
a vida se renova
por entre
os bosques e
os regatos
sussurantes
do imaginar o son (h) o estilhaçado
É tempo de chorar o tempo que voa!
(IN MEMORIAM do meu irmão Zé Luís, morto de morte matada
por ele próprio e por muitos outros no tempo
que para ele terminou naquela tarde de
26 de Fevereiro de 1987 ............................. )

Victor Nogueira - Poesia
1989.Fevereiro.03 - Setúbal


Quadro - Dali - A Persistência da Memória
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