Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

Mostrar mensagens com a etiqueta Azeitão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Azeitão. Mostrar todas as mensagens

sábado, 1 de janeiro de 2022

Pelourinhos 52 - Azeitão

 * Victor Nogueira


2022 01 01 Fotos victor nogueira - Vila Nogueira de Azeitão  - Pelourinho e Palácio dos Duques de Aveiro

Pertenceu Azeitão ao Concelho de Sesimbra, numa relação tumultuosa até que conquistou autonomia em 1759, na sequencia do banimento dos Duques de Aveiro por implicação no atentado a D. José I, ocorrido no ano anterior. O município de Azeitão foi extinto em 1855, na sequência das Revoluções Liberais, sedo integrado no de Setúbal.


«O Concelho de Vila Fresca de Azeitão foi criado por decreto de 5 de Dezembro de 1759, sendo posteriormente transferida a sua sede para a Aldeia Nogueira de Azeitão em 1785, por ordem de D. Maria I. Desta dupla reforma resultou a construção do pelourinho, obra de fuste cilíndrico, liso, assente em base de moldura redonda com soco de quatro degraus e encimado por um capitel sobre o qual assenta uma urna e a esfera armilar em ferro. De acordo com inscrição no topo de fuste - : "Fidelissima Regina D. Maria I Imperante Senatus erexit anno 1786" – pode concluir-se que a construção deveu-se ao Senado da Câmara, contra uma opinião lendária que consagra a um movimento popular a transferência do pelourinho da anterior freguesia de S- Lourenço (CALADO, 1995 p.42)

O pelourinho que podemos observar no Rossio (actual Praça da República) é uma reconstrução da segunda metade do século XX, uma vez que já em 1955 desconheciam-se os elementos originais (BONIFÁCIO, 1955) » (PAF – DGPC)

 

«O município de Azeitão foi extinto a 24 de outubro de 1855 e integrado no de Setúbal. É formada pelas antigas freguesias de Azeitão (São Lourenço e São Simão), mais conhecidas pelas designações de Vila Nogueira de Azeitão, Brejos de Azeitão, Vendas de Azeitão e Vila Fresca de Azeitão. Partilham o nome "de Azeitão", graças aos extensos olivais que, na época árabe, dominaram aquelas paragens.

As terras de Azeitão corporizadas por estas duas antigas freguesias, agora unificadas, foram desde a fundação do Reino de Portugal parte integrante do Município de Sesimbra e reportadamente as mais ricas do respetivo termo. As aspirações à separação de Sesimbra e auto-determinação municipal são tão antigas como a sua própria história.

Se a convivência com Sesimbra foi sempre agreste e rancorosa (sendo por exemplo, "os habitantes de Azeitão obrigados a irem fazer a venda dos seus produtos a Sesimbra e a terem de lá ir fazer guarda"), há que salientar as dificuldades que a vila de Setúbal lhe criou em 1310, obrigando-a a vender aí os vinhos que produzia somente por via marítima, o que era muito dispendioso.

Em 12 de Março de 1366, D. Pedro I outorgou-lhe então uma Carta Régia de que vieram a beneficiar todos os habitantes da povoação, que assim passaram a dispor de um tribunal próprio e a ficarem isentos de muitas funcões que a sede do concelho até então lhes impunha. As determinações de D. Pedro levantariam, no entanto, alguns "queixumes da parte dos de Sesimbra"

(…) A História repete-se e, na época, tal como hoje, a sede de concelho opunha-se intransigentemente à emancipação de uma parte valiosa do seu município; segundo a resenha histórica da actual Junta de Freguesia de São Lourenço, as autoridades de Sesimbra estavam cientes de que “com a independência de Azeitão, Sesimbra morreria pouco a pouco”. Por isso, tentavam contrariar os privilégios autonomistas que os Reis concediam a Azeitão.

Inevitável embora tardiamente Azeitão consegue a sua municipalidade em 5 de Dezembro de 1759, embora durante alguns anos a sede estivesse colocada em Vila Fresca por motivos políticos, sendo só definitiva e justamente estabelecida em Vila Nogueira a 6 de Agosto de 1786.» (Wikipedia)

domingo, 23 de julho de 2017

Entre Oleiros e Aldeia de Irmãos

* Victor Nogueira

Oleiros é povoação muito antiga, cujo nome resulta da existência duma pequena olaria em torno da qual se desenvolveu o povoado. O primeiro documento que se lhe refere é uma carta do Rei D. Pedro I, de 1366, pela qual concede que Azeitão tenha juiz. Nesse documento diz-se assim: «...tenho por bem e mando que aia hy hu~ juiz... que o dito juiz q~ for morador em azeitão ouça hy e determine todollos fetos dos moradores da dita comarca e daqueles que som e forem moradores daagua doleyris q~ tra pallmela e pelo cume da serra das portelas q~tra conna a nova


Para além da Capela de S. Marcos (1676) merece referência o "Solar" da Quinta das Baldrugas ou do Cabral, que pertenceu ao morgadio da Quinta da Torre dos Condes de Povolide, para além de outros edifícios, incluindo a Fonte, azulejada e com duas "figuras de convite". Possui a aldeia um coreto desengraçado, em cimento e sem cobertura.



Quinta das Baldrugas




Coreto



Capela de S. Marcos






Lavadouro público



 



Fonte de Oleiros



Quinta das Baldrugas

«Aldeia dos Irmãos» (e não Aldeia de Irmãos, como actualmente), segundo a tradição, deve-se à acção de dois irmãos que teriam erguido a Capela de S. Sebastião. Tem data de 1553 um relato de visitação da Ordem de Santiago que diz assim: «Visitação da yrmida de São Sebastião cituada em azeitão onde chamão alldea dos Irmãos...». Todavia a aldeia existe desde há mais tempo, pois o relato referido a respeito da ermida diz assim: «...que os moradores a construiram antigamente com sua confraria.»

O que mais se destaca nesta aldeia situada entre grandes quintas é a sua dimensão humana e rural, cuja capela com o seu alpendre, guarda no seu interior um retábulo quinhentista, um conjunto de pinturas do séc. XVI, bem como alguns paramentos do séc. XVII.




Fonte de Aldeia de Irmãos





Quinta das Conselheiras, no Largo de S. Sebastião





Largo e Capela de S. Sebastião





Poço de S. Sebastião